Ela assentiu, e com sua ajuda, retirou-se do cômodo.
- Olhe... Sua participação na ala hospitalar é de fundamental importância para nós, Srta Granger... Mas quero que saiba que eu entendo o quão delicada é sua situação no momento... - disse Engels à garota.
Os olhos de Hermione encheram-se de lágrimas que já se faziam pendentes ali, há algum tempo.
- Já disse que prefiro ficar e ajudar, doutor... - respondeu cabisbaixa, percebendo as intenções do médico.
- Mas, minha querida... Você já fez muito por nós... Tem que parar um pouco e permitir-se encarar a sua situação...
- Minha situação? Magnífica... Fabulosa situação, não é? Sem família... Sem amigos... Todos se foram... Para quê viverei eu, senão por essas pessoas que realmente necessitam de mim?
As lágrimas banhavam-lhe toda a face agora... Caíam sem piedade... Há dias esperavam por isso. A menina deixou-se cair nos braços do velho médico, que a acolhera naquele hospital com tanta ternura.
- Minha filha... As coisas não são bem assim... Você precisa recomeçar... Todos precisamos...
- Obrigada, doutor - disse, desvinculando seus braços dos do médico. - Mas já lhe dei minha palavra final...
Então saiu, em direção do dormitório das enfermeiras voluntárias. Estava vazio e ela reconheceu um bom local para entregar-se a si mesma. Deixou que todas as lágrimas roçassem por sua face. Pareciam infinitas, mas depois de muito tempo, cessaram-se.
Pensava ela agora em Snape. Jurava que ele já havia se recuperado. Fora um grande guerreiro. Lutara até o fim contra o Lorde das Trevas e mesmo no momento em que parecia estar morrendo, lançou-lhe um golpe letal, impelindo-o ao nada. Era um herói! O homem do qual todos duvidavam. Aquele que julgavam ter traído Alvo Dumbledore. O suposto comensal que fingia-se fiel ao diretor de Hogwarts... Ele sim... Era um legítimo membro da Ordem da Fênix... Um legítimo homem de Dumbledore. O homem que matou o Lorde das Trevas.
Todos haviam duvidado de sua lealdade. A própria Hermione tentara por fim ao enorme sentimento que sustentava por ele, quando soube que ele matara Alvo...
Agora... Dolorosamente teria de cuidar daquele enfermo que tanto a maltratara durante sua adolescência. O homem que lhe destinara frases tão frias e maldosas, dependia fundamentalmente de sua ajuda neste momento. E isso não a fazia nem um pouco feliz. Tinha vergonha de si mesma. Vergonha de seu sufocado amor: ela, Hermione Granger não poderia amar um professor, ainda mais sendo ele Snape, que tanto desgostava dela. Pensou que talvez, agora, longe de Hogwarts poderia esquecê-lo, mas ele tinha que aparecer de novo...
- Hermione... Você está ai! Venha logo... Estávamos procurando por você! É hora do jantar! - falou uma moça de cabelos pretos que encostava-se na porta, acabando de chegar. Não havia visto ainda a tristeza derramada no rosto jovem de Hermione.