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3. Que-so-nho.


Fic: Not So Little Anymore - acabou, é.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Depois daquele jantar gigantesco - arroz à grega, lasanha, peru assado, suco de abóbora, whisky-de-fogo (que, pela primeira vez, papai me deixou beber numa boa) e um arranha-céu de chocolate com tantos andares que me perdi nas contas - estávamos no carro do tio Bill e tia Fleur. Eu estava no meio de Louis e Victoire. Dominique fora dormir na casa de tia Luna - eu desconfiava que ela estava de rolo com o filho mais novo dela, Lorcan - e Lucy, graças a Deus, eu não vi mais depois daquela ameaça fútil. Louis parecia feliz de eu ir dormir na casa dele. Tagarelávamos animadamente sobre Hogwarts, sobre profissões, sobre tudo. Até que finalmente chegamos ao esperado assunto que eu estava louca pra discutir: Por que raios Louis estava se beijando com Lucy antes do jantar?


- Ah, Rox, eu nem sei. - Ele disse quando eu lhe perguntei exatamente isso. – Lucy chegou pra mim do nada e me beijou. Eu não ia rejeitá-la assim. E foi só aquele beijo, também. – Ele esticou-se no carro. Tia Fleur e tio Bill estavam totalmente alheios a nós três do banco de trás. – E depois aquela grosseria com a vovó Molly...


Olhei para o lado e Victoire tinha caído no sono. Então era praticamente como se só estivéssemos eu e Louis no carro. Sozinhos.


Gostaria de parar um momento para explicar uma coisa: O que eu sentia por Louis não era nada parecido com uma paixão. Acho que eu nunca fui apaixonada por ele apenas. Eu acho que eu já o amava de todo o coração desde quando estávamos na segurança dos úteros das nossas mamães. Ele era meu melhor amigo desde sempre, e poxa, ele fazia praticamente parte de mim.


E eu esperava momentos assim o tempo todo. No colégio era pior, porque sempre que ficávamos sozinhos, aparecia alguém. Então aquele momento em particular, em que eu estava do lado dele, com os braços colados, os rostos próximos e com um pouco de sono e não tão sóbrios assim, ou seja, com a força de julgamento levemente comprometida, era tipo mágico. Já tinha acontecido antes milhares de vezes, mas eu sempre estragava tudo, ou melhor, nada, porque eu não fazia nada.


Not this time, baby.


- Deixe a Lucy pra lá. Ela é só uma tonta. – Eu na real queria dizer ‘Ela é só uma vaca aproveitadora que rouba tudo que é meu, tomara que ela morra e queime no fogo do inferno pro resto da vida recebendo doses diárias de fogo no olho do seu...’ mas preferi dizer que ela era uma tonta. – Está se sentindo bem? Acho que eu bebi demais. – Nossa, que mentira. Eu tinha bebido tipo uma taça e eu tinha estômago forte (qualquer um que tem que comer o que minha mãe cozinha tem que ter estômago forte), mas era bom dizer logo de cara que poderia estar bêbada para, no caso de acontecer alguma coisa, a culpada ser a bebida.


- É. – Louis tombou a cabeça pro lado levemente e eu também, e nós nos olhamos de perto, e nós demos sorrisos lindos. Quer dizer, acho que meu sorriso era lindo; tenho certeza que o dele era. Eu cheguei mais perto e deitei a cabeça no ombro dele, e ele segurou minha mão. Eu estava quase dormindo. - E eu tenho você. – Ele sussurrou no meu cabelo. Ok, eu disse que estava quase dormindo? Esqueça. Eu estava acesa. Acordadíssima.


E eu senti que aquele era o momento.


Virei meu corpo em um movimento complexo, visto que eu estava dentro de um carro que não era dos maiores, e fiquei por cima dele. Ele sorriu pra mim de canto, abrindo uma covinha sensual na sua bochecha direita. Eu o beijei como ele me beijou no natal dos meus doze anos; meu primeiro beijo, um dia conto essa história: devagar, delicadamente e com todo o corpo. Rimos muito e estávamos mais cochichando coisas do que nos beijando, o que era super romântico. E nada de ninguém nos olhando, apesar de que naquele momento eu nem estava cogitando a possibilidade, pois que olhassem! Aquela era eu beijando o meu melhor amigo, meu amor, meu Louis.


As mãos dele escorreram dos meus ombros para minha cintura. Eu sabia que ele queria levantar meu vestido vermelho pra ver minha barriga. Louis era doido pela minha barriga, mesmo que nunca tenha admitido isso. Eu lembro de um verão em que fomos para a casa de praia de tio Harry e tia Gina, na Dinamarca, no terceiro ano. Era agosto e o verão estava totalmente fora do normal, dando máximas de até 30 graus. Eu tinha emagrecido três quilos e usava um biquíni branco fofo. Eu lembro da cara dele como se estivesse vendo agora: eu cheguei ao lado dele e de Victoire, estendi uma toalha branca na areia e deitei com um dos joelhos pra cima, com aquele sol de derreter rocha em cima de mim. Olhei para ele de esguelha, e ele estava de boca aberta, praticamente babando, me olhando. Victoire disse que ele chegou a sonhar com minha barriga algumas vezes. Ele era apaixonado por meu umbigo e minha barriga. E eu adorava isso.


- Nem acredito nisso. – Eu sussurrei entre uns beijos com ele. Louis sorriu. – Não acredito que isso está acontecendo.


- Por quê? – Ele perguntou, as mãos enroscando-se no meu cabelo.


- Normalmente isso só acontece nos meus sonhos. – Eu parei por um momento, segurando o rosto dele com as duas mãos. Olhei para os olhos azuis escuros dele, pros seus cabelos loiro-escuros, sua covinha. – Eu te amo, Louis. Sempre amei. – Não agüentei e voltei a beijá-lo, sussurrando juras de amor pra ele entre os períodos em que nossos lábios se juntavam.


Ai eu acordei.



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