- Tá doida, Roxanne?
Os natais na casa de vovô e vovó Weasley sempre eram ‘muito’. Muito cheios, porque várias famílias se uniam em volta daquela mesa para conversar, comer e rir alto. Muito barulhentos, porque várias famílias se uniam em volta daquela mesa para conversar, comer e rir alto. E muito, muito fartos de comida, porque várias famílias se uniam em volta daquela mesa para conversar, comer e rir alto.
- Tá doida, Roxanne?
Todos tinham seus companheiros de conversa. Tia Mione brigava com tio Rony e tio Harry enquanto eles contava, às gargalhadas, histórias da época de escola para Hugo, Lily e Albus. Vovó Molly ensinava a tia Fleur e tia Luna a receita da comida que estava fazendo (“Receita de família, eu lhes digo”, ela dizia, “vocês tem muita sorte de estar aprendendo!”). Tia Gina conversava com tio Charles e meu pai, George. Eu conversava com Louis, meu primo, e com Ted, que não era nada meu, mas era praticamente da família - e como casaria com Victoire algum dia, seria oficialmente dos nossos.
- Tá doida, Roxanne? - Disse Ted com visível escárnio, apesar do sorriso irresistivelmente charmoso no rosto. - Você, auror? Não. Nunca daria certo.
- E por que não? - Eu disse, franzindo o cenho. - Minhas notas são melhores que as suas, eu sei feitiços que muita gente da minha idade não domina, e a professora Carr disse que eu tenho muito potencial.
- É, mas você é muito... Delicada. - Disse Ted, cautelosamente. - Não iria agüentar tomar feitiços e se machucar. Não ia durar uma semana.
Como é que é? Eu, delicada? Dei com o garfo de prata na cabeça de Ted com força.
- Autch! - Ele disse rindo, massageando o cucuruto [?] e olhando pra Louis.
- Mas é verdade, Roxy. Você não ia agüentar. - Disse Louis calmamente. - E, de qualquer modo, eu não ia deixar você se arriscar sendo auror.
Vou parar um instantinho pra explicar Louis. Vamos fazer uma análise desse meu primo que é tão... Tão [?]. Louis Bill Weasley é meu primo desde que nascemos [?]. Ele é filho do tio Bill e da tia Fleur. Tia Fleur tem descendência veela, e por uma triste curiosa coincidência, todos os três filhos do casal - Dominique, Victoire e Louis - puxou o sangue de <i>veela</i>, portanto, os três eram medonhamente bonitos e sensuais. Dominique era da linha da Mulher Melancia [????????], “solteira sim, sozinha nunca”. Victoire tinha um romance ardente com Ted, e eu intimamente a invejava por isso, já que Teddy Lupin era uma criatura extremamente... Ui³ [6]. E tínhamos Louis. Ah, Louis, Louis, Louis.
Nós dois tínhamos a mesma idade naquela época, ou seja, dezesseis anos. Ele tinha feições finas e definidas, perfeitas. Os cabelos dele eram loiros-claros, olhos azuis-claros como os da tia Fleur. Ele não tinha muito do tio Bill, com certeza. E eu era perdidamente apaixonada por ele desde os 3 anos de idade, mas ele nunca pareceu muito atraído por mim. Na verdade, eu sabia que, com a família que tínhamos - sem contar os agregados, como Ted e a família da tia Luna - nunca deixariam que eu e Louis tivéssemos qualquer coisa, afinal, éramos primos! Não que isso tivesse nos impedido de dar nosso primeiro beijo no segundo ano, mas isso é só um detalhe básico.
E toda vez que ele dizia alguma coisa daquele jeito, tão calmamente, tão docemente, minha vontade era de subir naquela mesa e arrancar todas as peças de roupas dele com os dentes, sem dó nem piedade [6]. É, eu sou uma menina levada quando quero.
- Você não ia deixar, é, Lou? - Eu disse, me encostando na cadeira e cruzando as pernas. Ted arregalou os olhos pra mim. Acho que ele ainda não tinha percebido que meu vestido era razoavelmente curto e minhas pernas eram razoavelmente gostosas. - Agora preciso da sua autorização pra fazer as coisas?
- Agora não. - Ele disse, sem mudar a expressão. - Desde sempre.
Por debaixo da mesa, eu passei a ponta do meu sapato na perna de Louis, bem devagar. Ele não olhou, apenas sorriu.
E então a sala se encheu do cheiro de hortelã delicioso que só uma pessoa tinha.
- Lucy! Estávamos esperando por você, minha querida! - Eu ouvi vovô Arthur gritar do outro lado da sala.
Lucy era minha prima. Filha do meu tio Percy, ela já é formada com louvor, - e por ‘louvor’ eu quero dizer ‘notas perfeitas, monitora, monitora-chefe, prêmio por ter ajudado a escola, ou seja, ela é um Tom Riddle de saias bonzinho - encaminhada e famosa. É modelo. Também, pudera. Ela não tem descendência veela ou algo assim, mas é mais glamurosa do que qualquer outra garota que eu conheça. Mais do que tia Fleur ou suas filhas perfeitas. E eu sentia que Louis mudava perto dela. Ele esticou o pescoço perfeito para vê-la melhor. Eu não resisti e olhei pra trás, a fim de ver como ela estava dessa vez. E me arrependi.
G-zuis. Lucy estava perfeita. Os cabelos ruivo-escuros estava presos em um rabo-de-cavalo que não deixava nenhum fiozinho fora do lugar. Os olhos verde-água dela estavam destacados com uma maquiagem escura e bem-feita. E ela sorria com os dentes alinhados e branquérrimos, e andava com seu glamour evidente, e olhava para Louis ambiciosamente. Eu sabia que ela também sentia alguma coisa por Louis, mas por algumas razões, eu achava que ela só queria Louis porque eu queria Louis. Todo mundo quer o Louis.
A razão principal é que Lucy é a única pessoa, além de mim, que sabe que eu ainda sou apaixonada por Louis. Éramos melhores amigas quando éramos mais novas. Ela era como a irmã mais velha que eu nunca tive - só tinha Fred, meu irmão mais velho idiota e metido a máquina sexual. Ela sabia todos os meus segredos, e eu sabia todos os segredos dela. Eu fui a primeira a saber quando ela começou a manifestar magia. Eu fui a primeira a saber que ela tinha perdido a virgindade com Greg Sanders no banheiro dos monitores, no quinto ano. Eu era a única que sabia que ela corava dinheiro dos alunos pra que ela não os colocasse em detenção pelas atividades ilícitas. E ela era a única que sabia que aquele beijo que Louis e eu trocamos no segundo ano foi, pra mim, o melhor momento da minha vida.
Você sentiu que eu disse que nós éramos melhores amigas? Porque nós passamos a nos odiar com alguns acontecimentos. Mas não estou afim de falar disso agora. Mas prometo que conto em breve.
A questão é que agora ela dava em cima de Louis descaradamente, na minha frente. E ele - safado filho da puta - gostava. Ou, pelo menos, não reclamava. E isso me deixava muito, muito irada.
- Oi, vovô. Oi, todo mundo! - Ela disse com a voz perfeita, abrindo mais o sorriso e acenando para todos. - Louis! - Ela disse, abrindo os braços. Louis estava lá, abraçando-a. Eu nem tinha visto ele se levantar O.o'
- Cara... - Disse Ted, abrindo a boca pra ela. Eu apontei os dentes do garfo para ele ameaçadoramente.
- Diga o quanto ela está linda e maravilhosa. - Eu disse, soturna. - Diga, e eu arranco seus olhos com essa garfo e ponho no cozido da vovó.
Ele arregalou os olhos pra mim e calou-se. Eu soltei o garfo, mas deixei-o do meu lado, para o caso de Lucy chegar e eu precisar assassiná-la. Vi Louis falando com ela enquanto ela sorria maliciosamente pra ele, insinuando-se toda. QUE LAMBISGÓIA! :@ Odeio aquela lacraia. ODEIO !
- Cara... - Disse Louis, assim que voltou a se sentar no seu lugar. Ted olhou dele para mim e fez um sinal para ele calar a boca, mas Louis não viu. - Nunca vi Lucy tão linda!
Eu segurei o garfo e ia enfiá-lo nas costas de Louis [?] quando um barulho me chamou a atenção. Era o barulho de algo metálico batendo em vidro. Olhei pra trás e vi tia Hermione batendo com um garfo igual ao meu em uma taça vazia, pedindo atenção das pessoas. Ela estava radiante.
- Ei, pessoal, pessoal, quietos agora. - Ela disse simpática, e ao mesmo tempo autoritária. - Tenho... Aliás, temos. - Ela acrescentou, olhando para tio Rony amorosamente. - um comunicado a fazer. - Tio Rony se levantou e abraçou a cintura dela, passando a mão na própria barriga.
- É isso aí, pessoal. Eu estou grávido. - Ele disse, e todos explodiram em gargalhadas. Hermione sorriu e beijou-o na bochecha. Quando o silêncio voltou, tia Hermione se pronunciou.
- Sempre tão engraçadinho. Não, gente, sério. Rony, obviamente, não está grávido. Quem está grávida sou eu. - Ouviu-se um soluço alto, de vovó Molly, que correu para abraçar a nora. Todos irromperam em aplausos e vivas.
- Isso aí, pessoal. Mais um Weasley para herdar minha beleza e sagacidade. - Disse Rony, que agora abraçava a mãe, que quase o enforcava.
- Cara, mais um primo. - Disse Louis, sorrindo para mim. Eu imediatamente esqueci o porquê de estar brava com ele e sorri também.
- Ou prima. - Eu respondi. E daí fui falar com Ted, mas ele já não estava ali. Procurei um pouco e vi ele se pegando com Victoire em um canto. Ri alto.
- Eu costumo ter sorte para primas. - Disse Louis, olhando para a mesa.
- Como assim? - Eu perguntei, olhando para a mesa também. Na verdade, eu olhava para o garfo que eu enfiaria no peito dele se ele falasse de Lucy.
- Bem... Olhe você, por exemplo. - Ele disse, olhando pra mim. Eu não olhei pra ele nem de esguelha. - Você é delicada, inteligente, bonita que chega a doer os olhos. E é sangue do meu sangue. - Ele cruzou as mãos e sorriu. - Se isso não é sorte, o que é?
Eu olhei pra ele. Ai, eu não deveria ter feito isso. Porque aí fiquei com vontade de beijá-lo. Beijá-lo como em um filme, sabe? Agarrá-lo, arrastá-lo para o quarto de hóspedes e... Bem, você sabe. Ser uma menininha levada [6]. Eu segurei a mão dele e me inclinei na cadeira na direção dele. Eu podia sentir a respiração dele... A ponta do meu nariz tocou a dele...
E então minha cadeira quebrou e eu cai pra debaixo da mesa.
