“Não deixe que isso a domine. Concentre-se!”
E respirava.
E olhava pela janela, em busca de uma imagem neutra e tranqüilizadora.
“Concentre-se!”
Ela suspirou, fechando os olhos por um momento. Mas logo os abriu: a imagem que viera era aterrorizante. “Concentre-se, Ava Sheppard! Sirius e os outros dependem disso.”
Olhou para sua mão e desejou que algo belo surgisse em sua palma. “É só desejar... e acontecerá...”. Uma luz pálida circulou nela e logo surgiu uma flor. Mas era acinzentada e murcha.
-Tsc! Não vou conseguir!
Ava esperava por Dumbledore em seus aposentos. Ele decidiria quem iria com ela na missão de resgate. E ela torcia por Severus.
Snape havia revelado uma suposta localização de seu noivo e em que circunstâncias ele tinha se ferido. - “Há muitos comensais naquele local. Parece-me que eles estão subjugando os gigantes locais. Ou mesmo os matando. E Sirius... – e ele fizera uma pausa, um tanto furioso. – tentou libertá-los. – Snape fizera um muxoxo. – Era uma missão de resgate e Sirius resolveu salvar todo mundo! Pretensioso...
-O quanto ele está machucado, Severus? Diga-me!
-Muito. Segundo relato de um de nossos espiões, ouvido por Moody... ele perdeu muito sangue.
-Por que esse espião ou o Moody não o salvam? O QUE ELES ESTÃO ESPERANDO?
Snape a olhara fixamente, incrédulo: - Ava, o espião NÃO pode revelar seu disfarce... NÃO PODE. E Moody não pode se meter nesse caso, o Ministério acabará descobrindo!”
Ava sentiu algo em sua mão e notou que esmigalhara a flor murcha. – Droga...
Com um gesto rápido, a flor desaparecera. Mas a dor ficou, ainda. Ela se encaminhou até sua escrivaninha e olhou o papel que ali estava depositado. Era um pergaminho.
-Meu testamento... – sussurrou Ava pra si mesma. Naquele testamento ela deixava tudo que possuía para seu afilhado. – Sinto muito, Harry. - e uma lágrima escorreu de seus olhos.
Instintivamente ela colocou a mão em seu colar. Gloucester havia prometido chamá-la caso soubesse de algo sobre Sirius e os amigos. Por uns instantes lutou contra vontade de abrir a biblioteca pela quinta vez.
Uma batida na porta e ela correu para atender seu visitante. Era Snape.
-Severus, entre! – e ela o puxou para dentro.
-Ava, está pronta? - e ele notou que ela estava de vestes pretas e colocara sua capa.
-Estou... quase. Preciso fazer algo, pelo Harry. – Snape a olhou intrigado. – Sim, por ele. Tenho que pensar que, talvez, não retornemos. E isso é muito provável. – e os olhos dela ficaram duros. – Não posso deixar Harry desprovido ou que minha fortuna caia nas mãos de Edouard. – e com um gesto o papel veio até sua mão.
-Ava! – Snape fez um muxoxo. – Temos que ter esperança!
-Temos que ter é prudência. E sermos precavidos. – e ela sentou-se no sofá. – Se... algo acontecer a Sirius... eu não vou querer viver. – e ela olhou firmemente para ele. – Eu não vou querer mais, entende?
-Não seja tola! – Severus estava impaciente. – Sua vida continuará, deve continuar...
-Para que? – agora os olhos dela brilhavam. – Não terei mais nada que fazer aqui!
O olhar dele entristeceu-se. – Eu sei como é, Ava. Já passei por isso. Mas Harry precisará de sua ajuda para derrotar Voldemort.
-Severus... chegou no ponto que eu queria. – e ela sorriu tristemente. – Ajude-o. Por favor, ajude-o. Por mim.
Ele suspendeu a respiração por segundos. – Ava... eu já faço isso. De uma maneira diferente, mas faço.
Ava levantou-se e abraçou Severus ternamente. – Espero que dê tudo certo!
Outra batida na porta. Era Dumbledore e McGonagall.
-Ava! – e o diretor a abraçou. – Sinto muito não tê-la ajudado no Conselho, minha filha! Mas, acredite, do mal podemos reverter para o bem, se formos inteligentes...
“Conselho?” – para ela, essa realidade parecia de eras atrás, algo que não a pertencesse mais. – Er... eu entendo, senhor. E... quanto a Sirius? Severus falou com o senhor... quem me acompanhará? – Ava tentava dominar a ansiedade.
Dumbledore olhou para Severus. – Snape, claro. Infelizmente ninguém mais. – e ele suspirou e observou Ava. – Essa missão foi qualificada como muito arriscada e secreta. Sirius, Lupin e Tonks sabiam dos riscos e que não teriam ajuda, ou muita ajuda. Penso que é extremamente arriscado para vocês também... gostaria que reconsiderassem...
-Sirius está morrendo! – e Ava sentiu algumas lágrimas escorrerem em sua face. –Mesmo sem chance, é a coisa certa a fazer. Não há alternativas.
O diretor suspirou e olhou para Severus. - Já arranjei um substituto, não tão talentoso, e não tão severo... – e deu um meio sorriso – Mas que segurará as classes enquanto puder.
-E quanto a Umbridge, ela é a Inquisidora, mas não a Diretora. – disse Minerva com os lábios crispados. – Ela não será consultada sobre isso, apenas informada.
-E Harry... – continou Dumbledore – bem, eu o chamei ao meu gabinete. Eu explicarei tudo, dentro do possível. Vocês partirão imediatamente?
Ava suspirou: - Primeiro preciso de um favor.
-Favor?
-Sim, favor. – e ela fez uma pausa. – Testemunhas de meu testamento, senhor. – e completou rápida – Precavendo-me, apenas.
Dumbledore ficou pensativo por uns instantes e depois assentiu com a cabeça. – Mas penso que devemos tentar ser positivos...
-Não nesses tempos. – e mais uma vez seus olhos brilharam. – O tempo está contra nós. Iremos lá, resgatar nossos amigos. E poderemos morrer. Mas ficarei feliz se levar muitos comensais comigo. Além do mais, não quero que nada que seja meu vá para Edouard e para Voldemort. –e ela mostrou o pergaminho. –Sejam minhas testemunhas, assinem aqui embaixo. Eu... deixei tudo para Harry, Harry James Potter. A mansão Sheppard deverá ser vendida e dado metade do dinheiro a ele, assim como tudo que há no meu nome em Gringotes. Há algumas propriedades na Irlanda, França e Itália... mas não sei como estão. – e ela olhou para Dumbledore e McGonagall: - Deverão fazer inventário por mim. É só o que eu peço.
O diretor concordou e logo assinou o testamento, como testemunha. Os outros fizeram o mesmo.
Ava ergueu o papel no alto e o soltou. Com um gesto, o papel ficou suspenso no ar. – Repitam o que eu falar, com varinhas apontadas, por favor.
“Esse testamento é verdadeiro. O que nele conter deverá ser seguido, sob pena de maldição e morte. Eu, Ava Wezen Sheppard, lacrarei para possível leitura futura, quando invocado diante das testemunhas e da lei. Testemunhas: cuidarão para que esse documento seja lido e cumprido. Que assim seja.” – e uma luz iluminou o testamento.
“Que assim seja” – disse Dumbledore, e de sua varinha saiu um fio dourado, que envolveu o papel. Da mesma forma houve com Minerva e Severus.
Ava, por fim, tocou no papel e esse desapareceu no ar. – É isso. – e virou-se para Snape. – Severus, você irá se arrumar?
Ele respondeu friamente: – Já estou pronto, Ava. Eu não iria deixá-la ir sozinha, qualquer fosse a decisão de Dumbledore – e ele olhou para o diretor. – Desculpe-me por isso.
E um sorriso fraco e raro estampou no rosto dela.
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Dias atrás...
Caminharam lentamente, ladeando uma montanha a leste. O frio, pouco a pouco, foi penetrando na pele e nos ossos. A bota afundava na neve, vez por vez, formando uma trilha irregular pelo caminho estreito.
-Despistamos? – perguntou um sorridente homem de cabelos e barbas brancos arfando, e uma névoa espessa saia de sua boca. Ele movimentou rapidamente sua varinha, desfazendo todas as marcas na neve atrás dele.
Lupin observou a retaguarda, analisando o local. – Parece que sim, Sirius, nem sinal daqueles aurores.... – e ele estremeceu – Por Merlim, vamos sair daqui! Desçamos até próximo o vale. – e Remus apontou para um ponto muito distante, entre a névoa. - Consegue enxergar, Tonks?
Tonks estreitou os olhos, mirando o ponto minúsculo esverdeado bem abaixo onde estavam – Eu consigo. Vamos sair daqui logo! – reclamou, se encolhendo ao sentir outra rajada de vento frio.
Sons de “crac” foram ouvidos imediatamente. Longe dali, o grupo surgiu satisfeito. – Excelente! – disse Lupin, sorrindo, sentindo que seus ossos agradeciam. – Vamos agora até aquela outra parte. Segundo informou Dumbledore, o acampamento dos gigantes deve ser por aqui.
-Aqui deve ser perto de alguma vila trouxa. – analisou Sirius. – Muito perto...
-Também acho, Sirius. – e Remus franziu o cenho. - Mas temos que nos concentrar no agrupamento dos gigantes e não em vila de trouxas. Por enquanto. – disse Lupin, olhando em outra direção – Eles estão após aquela muralha, com Rubeus e Madame Maxime. – e completou, sombrio: – Só espero que não seja tarde demais.
Sirius fez que continuaria a falar, mas calou-se. Talvez fosse melhor realizar aquela missão o mais rápido possível e voltar para Grimmauld Place, são e salvo. Ele sentia muitas saudades de certa bruxa, e esse pensamento o fazia sorrir consigo mesmo constantemente. Lupin e Tonks se entreolhavam, adivinhando o motivo da alegria incontida do amigo, mas resolveram, em acordo silencioso, não interrogá-lo sobre isso. Pelo menos enquanto estavam em missão.
-Vamos aparatar naquele topo, - instruiu Lupin - e, segundo as instruções que nos passaram, lá visualizaremos o agrupamento. – Após essas palavras, os “cracs” foram ouvidos rapidamente e logo estavam no local indicado por Remus, já devidamente escondidos atrás de rochas.
O vasto vale parecia vazio e melancólico, mas algo chamou logo atenção deles. Havia pessoas no lado oposto, ao longe, numa espécie de acampamento improvisado montado ao pé da montanha. Um deles possuía uma capa azul, e segurava firmemente sua varinha, como se tivesse em alerta.
-Acampamento de comensais, aqui, no nada? –questionou Tonks. – Onde estão os gigantes?
Sirius suspirou: - Tenho a impressão que não veremos gigantes por aqui e em lugar algum...
-Onde devem estar Hagrid e Madame Maxime? – questionou Tonks, observando as cavernas ao longo das montanhas. – Há milhares de possibilidades!
-Talvez o jeito seja nos separarmos. – Lupin se levantou cuidadosamente – E vamos seguir a idéia inicial do Sirius, a tal da operação cavalo de tróia. – aceitou, suspirando. - Mas como nos reencontraremos?
-Eu também pensei nisso. – disse Sirius satisfeito. Ele retirou de seu bolso três espelhos pequenos de duas faces. –Tomem, assim poderemos nos comunicar quando precisarmos. – e ele olhou novamente para as entradas da montanha. – Não são muitas, as significativas. A maioria são só falhas, não dão em lugar algum.
-Ótimo, então. - disse Lupin, colocando seu espelho no bolso - Eu aparatarei próxima aquela caverna mais a leste e verificarei aquelas cinco... Sirius, vá a oeste. Tem meia dúzia, o bastante para você se divertir. – e sorriu para o amigo disfarçado. A auror aguardava as instruções. – Tonks... creio que é perigoso...
-Nada disso! – rebateu Tonks, indignada – Não me venha dizer que me mandará ficar aqui... vou ver aquelas reentrâncias ao norte. E ponto final. - ela também se levantou e aparatou logo em seguida, não dando tempo para Remus retrucar.
-Droga! – e ele chutou uma árvore com força, sentindo uma grande dor logo em seguida.
Sirius deu uma risadinha – Amigo, se está difícil controlá-la agora...
-E quem disse que quero controlá-la?
O animago fez um muxoxo – Queremos sempre protegê-las... mas quem disse que elas querem isso? Ou pelo menos o tempo todo? – e ele sorriu: - Estou indo para o oeste... se eu achá-los, aparato com eles a leste. E depois buscaremos a donzela Tonks... Certo?
Lupin ia responder malcriadamente, mas o amigo tratou logo de aparatar para seu destino. “Droga... concentre-se, Remus... Tonks ficará bem... todos nós ficaremos”. E o ex-professor aparatou, surgindo dentro de uma caverna de teto muito alto, mal iluminada e aparentemente vazia. Remus mirou sua varinha contra seu cocuruto e deu em si mesmo uma leve pancada, e em poucos instantes tornou-se translúcido. “Talvez isso confunda os bruxos, por um tempo...”. Com cuidado, ele caminhou em direção ao fundo da caverna, que cada vez ficava mais escura. Ele sabia que não poderia acender nenhuma luz e tateava as paredes, tentando se guiar na escuridão cada vez mais densa. Sua atenção estava toda voltada para os ruídos do lugar, tentando apreender alguma respiração ou algo que denunciasse que havia alguém por lá.
As mãos que tateavam sentiram uma umidade crescente, algo viscoso que escorria pelas paredes. Lupin patinou levemente em certo trecho, por pouco não caindo. “O que será isso?” Uma náusea o invadiu, sua mente vagueando em mil possibilidades repulsivas. “Preciso sair daqui...” Mas, ao se virar, se deparou com uma barreira. Tateando, constatou que era uma parede rochosa. “Impossível... eu acabei de vir por aqui...”. Ele tentou contorná-la, mas parecia não haver saída. Uma alternativa, apenas uma, aflorou em seus pensamentos: “Preciso acender uma luz... preciso saber onde estou...”
Ele esticou seu braço.
E um clarão surgiu da ponta da varinha.
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Tonks caminhava escondida por entre arbustos congelados. Próximo a ela havia algumas cavernas e a auror observava o entra e sai de alguns comensais. Levitavam pesados potes e alguns sacos, o que a bruxa adivinhou ser de água e comida. “Estocando comida... e parece ser cereais.... estranho...” Um homem, devidamente encapuzado, saiu de uma das cavernas, dirigindo-se apressadamente para o campo central.
Ela percebeu que ele parou em certo momento, olhando para baixo. A sua frente havia uma cratera de diâmetro médio, mas Tonks não conseguiu adivinhar sua profundidade. “Ele está dizendo algo para alguém! Essa pessoa... ou ser... deve estar preso!” – pensou ela. Teve o ímpeto de azarar o homem, mas se conteve. “Nada inteligente, Srta. Tonks... isso acabaria com o resgate surpresa. Primeiro Hagrid e Maxime, depois cuidaremos deles...”. E ela ficou pensativa: “Como vou entrar nessa caverna...?”
Alguns tonéis estavam dispostos em uma das entradas e ela observou que um bruxo se aproximou e levitou um deles para dentro. “Se não estiver cheio...”. Ela se esgueirou vagarosamente, ficando atrás de uma árvore seca, de tronco grosso. Um tonel lhe chamou atenção, maior que os outros e um pouco mais afastado, perto de si. Num átimo, Tonks se postou ao lado do objeto ao mesmo tempo que sacudiu sua varinha. A tampa ergueu-se a alguns centímetros, abrindo o conteúdo para a bruxa. “Cheio de grãos...” Com outro balançar da varinha, o alimento desapareceu completamente do tonel. “Nem quero saber para onde foi...” E rapidamente Tonks se pôs dentro do recipiente, trazendo após si a tampa.
Logo sentiu que tudo remexia. A bruxa fazia um enorme esforço para não se mexer em demasia, procurando se comportar como grãos. “Mas como é ser vários grãos? Ridículo...” Ela sentiu o tonel sendo girado e encostado em algum lugar. Passos pesados foram diminuindo, até tudo ficar em silêncio. “Devo sair daqui agora?” A bruxa aguça seus ouvidos, tentando ouvir alguma espécie de respiração ou algum passo, qualquer coisa, mas o que ouve é somente sua respiração curta. “Hora de sair. Eles não estão aqui.”
Tonks empurrou vagarosamente a tampa que se quedou de lado, fazendo um leve barulho. Ela se arrastou para fora, tentando ser muito rápida, pois o bruxo poderia voltar a qualquer momento com outra carga ou algum gigante poderia finalmente aparecer. A caverna onde estava era muito alta e iluminada, podendo até se dizer aconchegante. Naquele momento, ela ouve uma respiração curta atrás de si. Ao virar-se, vislumbrou alguém muito alto e corpulento sentado, mas com aparência totalmente diversa de um comensal: era um gigante. Ou não: - “É uma criança gigante. Como não ouvi sua respiração? Tonks, sua tonta!” A criança olhou com interesse a bruxa, abrindo um sorriso e fazendo gestos desconexos. Tonks prendeu seu fôlego por uns momentos, pasma e pensando rápido: “Ela vai me denunciar, caramba!”
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Sirius, ao desaparatar, procurou ficar entre uma grande reentrância na rocha, escondendo-se de possíveis gigantes ou bruxos. Mas o local estava deserto e, olhando em volta, logo percebeu que o lugar era inóspito até para os gigantes. As supostas cavernas, vista ao longe, eram baixas e não eram profundas, impróprias para uma moradia segura e serviriam mais como um abrigo noturno contra tempestades. “Não vou encontrar nada de interessante aqui, posso apostar”. O bruxo avaliou suas alternativas: ir ao encontro de Remus ou de Tonks e ajudar, ou inspecionar com mais cuidado o que seus inimigos estavam desenvolvendo naquela região. “Ir até meus amigos seria mais rápido, porém... penso que estes aqui estão fazendo algo muito ilegal...” E apertou em seu bolso o espelho.
Um momento de hesitação apenas: Sirius segurou com força sua varinha e partiu mais para frente, tentando localizar algum alvo, o que logo aconteceu: ele enxergou o mesmo que Tonks: um bruxo debruçado sobre uma cratera, se comunicando com alguém. “Eles estão mantendo prisioneiros?” E Sirius se aproximou mais. “Perdoe-me, Ava, mas creio que demorarei a voltar...” – disse Sirius num sussurro.
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-Dã dã gu...
E a criança gigante se remexia, fazendo grunhidos intraduzíveis. No primeiro momento Tonks pensou que iria ter um ataque fulminante no coração, mas algo chamou atenção da auror. Nos pulsos da criatura havia cordas mágicas, que se estendiam até uma estaca no chão, onde cada corda estava devidamente presa. A auror notou também a criança tinha marcas na pele e que nos seus cabelos havia falhas consideráveis.
-O que estão fazendo com você, criança? – perguntou mais pra si, se aproximando dela. Tentou tocar, mas a criatura recuou, arregalando os olhos. Tonks percebeu que a criança iria chorar. – Não... não... – tentou sorrir. – Sou legal, pelo menos é o que dizem! Não vou fazer mal! – enquanto falava, se aproximava ainda mais, agora mudando a cor dos cabelos para verde. A criança ficou distraída com ela, ainda mais quando mudou do verde para o azul num segundo. – Ah, gostou, hein? Não disse? Sou legal... – e Tonks a tocou. “Não é ilusão, é de verdade.”
Um barulho externo a colocou em alerta. Ela percebeu que alguém se aproximava, talvez trazendo mais barris. Olhou para a criança e se pôs correndo atrás dela. Naquele mesmo momento um comensal adentrou o local, com a varinha em punho, olhando tudo ao redor. Tonks notou que ele era barrigudo e tinha um nariz muito grande.
“Vai embora!” pedia Tonks mentalmente. “E desde quando tenho poderes mentais? Pff.”
O comensal se convenceu que não havia ninguém ali, e que ouvira mesmo é barulho da gigante. – Droga de criança, fique quieta! Você não vai estragar meu plantão! - e ele apontou para ela lançando um feitiço doloroso, como constatou Tonks ao ver a criança chorando logo depois. – Droga de gigantes malditos! Deviam matar todos vocês de uma vez!
Tonks segurou sua varinha com mais força.
E o comensal continuou, apontando novamente a varinha. – Pena que não possamos matar, não ainda. – e ele disparou novo feitiço, fazendo a criança soluçar e tremer.
“Ai, não era para fazer isso... mas odeio que maltratem crianças!”
E ela saiu de trás da criatura, lançando um forte feitiço no comensal. Este foi atirado longe, batendo seu corpo contra uma parede.
“Só espero não ter matado... não gosto disso no meu currículo.”
E ela olhou para a criatura, que ainda choramingava. – Não fique assim... a Tonks está aqui e vai te libertar! – e a auror disparou um feitiço nas cordas, que sumiram instantaneamente.
A criança esticou os braços, olhando para os lados, olhando para os próprios pulsos, sem acreditar muito em sua sorte. Finalmente se concentrou na sua salvadora e ergueu-se, caminhando em direção a ela.
“Oh não... Tonks, você fez idiotice!”
A auror foi recuando, enquanto a criança gigante ia se aproximando, sorrindo debilmente. – Coisinha linda da Tonks, fique onde está! Vamos ter problemas!
A criança deu uma risada alta, que ecoou em toda caverna. “Agora teremos companhia, não tenho dúvidas.” E suspirou.
E Tonks estava certa. Naquele momento, muitos passos foram ouvidos, passos de vários comensais.
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A luz iluminou o local, mas Remus não entendeu de imediato o que estava ao seu redor. Havia paredes. Havia um líquido viscoso escorrendo por elas e se espalhando pelo chão. Era um líquido vermelho escuro.
Ele limpou as mãos em suas roupas e continuou o caminhou pela única saída disponível. Lupin sentiu algo estranho no ar, como se estivesse sendo observado.
Virou-se rapidamente para trás, com a varinha ao alto, iluminando cada canto. Mas não havia nada. E só se ouvia o som das gotas caindo pelas paredes.
Continuou a caminhar, agora mais rápido, tentando alcançar logo a saída. A certa altura o líquido cessou de vazar pelas paredes e tudo estava seco e isso deu esperança a ele. “Devo chegar a algum lugar agora.”
Caminhava agora com muita cautela, observando cada centímetro que percorria. Sentiu que agora a magia estava forte e devia ter muitas armadilhas preparadas. “Estranho, mas nenhuma delas está ativando alguma coisa... ou está?”
Uma clareira foi surgindo à esquerda dele, numa bifurcação do caminho. Decidiu ir até a clareira, tentando encontrar os amigos, ou os inimigos. “Algo que decida logo essa situação.” Lá chegando percebeu que tudo estava deserto, estranhamente deserto.
Andou mais um pouco, procurando por alguma criatura, Hagrid, algo que denunciasse o paradeiro dos meio gigantes. Remus começou a achar uma péssima idéia terem entrado nas cavernas para procurá-los. “Ah, idéia do Sirius! Como pude ouvi-lo? Sermos pegos para ficarmos juntos ao Hagrid e a Maxime! Isso, se não nos matarem antes! E o que ele disse? ‘Não vão nos matar, somos muito talentosos para isso!’ Ah, por que fui ouvi-lo?”
Remus fez um muxoxo, insatisfeito, e logo ouviu atrás de si um barulho de passos. Esse barulho cresceu a medida que ele se escondia atrás de uma rocha qualquer. Estranhamente, os passos começaram a circular em volta dele, mas não havia ninguém. Ele franziu o cenho. “O que está acontecendo?” E tentou pegar um objeto em seu bolso.
E uma luz vermelha o atingiu em cheio, fazendo que com Remus caísse desmaiado ao chão, e na sua mão um espelho.
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-Ei, o que você tanto esconde aí?
Era Sirius, indo em direção ao comensal, quase correndo. – Essas não foram as ordens que deram! – e simulou um tom raivoso.
O comensal, assustado, franziu o cenho, sem entender muito que estava acontecendo. – Er... sim, foram as ordens! O mestre mandou que tomasse conta desse gigante e ele está bastante furioso com a morte daqueles três ontem. – e o comensal pegou um lenço do bolso e enxugou a testa. – Quem é você? Jogson não me falou nada de novos reforços aqui!
-Não tenho que dar-lhe satisfações, somente ao mestre. – e Black fez uma cara de enfado. Ele olhou para o buraco muito fundo e vê um gigante debilitado dentro dele, que olhava para o nada a sua frente. – Esse daí também morrerá, e logo. – e não estava mentindo.
O comensal suspirou. – Não conseguimos mantê-los, e separados assim da família adoecem muito fácil. – e o bruxo olhou para Sirius, como se avaliasse se podia confiar nele. – Bom... na minha opinião... - e olhou para os lados e disse em voz baixa – foi uma péssima idéia ter invadido essa comunidade de gigantes. Eles nunca nos obedeceriam! E, o senhor sabe, nossos feitiços não fazem muito efeito neles! Ah, idéia estúpida, é o que eu digo.
Ao longe, no acampamento, alguns bruxos olhavam para os dois e faziam gestos.
Sirius suspirou, concordando com o comensal. – Nosso mestre é impulsivo. Ele quer mostrar serviço, não? Igual ao que fez com o inimigo Hagrid... – arriscou o palpite. O comensal o olhou estranhamente, observando-lhe a barba branca, e por um momento Sirius achou que fora longe demais.
Mas o outro bruxo sacudiu a cabeça. – Matar esse e sua parceira foi muito fácil. O meio gigante era sentimental... não pode ver aqueles cadáveres todos de sua própria raça. – e o comensal olhou fixamente para Sirius. -É, senhor...?
“Nossas buscas então são inúteis...”
Sirius forçou um sorriso, ainda chocado com a revelação: - Black.
O comensal também sorriu: - Da família da Sra. Bellatrix LeStrange?
-Sim, claro. – e Black preparou a varinha. – Sirius Black, ao seu dispor. – e fez uma mesura irônica.
O comensal arregalou os olhos e ergueu rapidamente sua varinha. Mas Sirius fora mais rápido, arrancando das mãos dele sua arma. Ao mesmo tempo, o empurrou para o buraco, passando o pé por detrás do comensal. O inimigo soltou um longo grito ao sentir que o gigante entristecido despertou de seu torpor e agora o encarava em fúria.
-Experimentar do seu próprio veneno... – murmurou Sirius ao olhar a cena.
Do acampamento agora vinham vários outros bruxos, alguns correndo, não entendendo muito a situação ao longe. Sirius sorriu e se preparou para o ataque.
-Quem é você? – gritou um enquanto se aproximava.
-Seu pesadelo, meu caro. – e Sirius lançou um feitiço cuja luz verde alcançou instantaneamente o comensal, que caiu com o impacto. – Esse é pelo Hagrid.
Outro raio verde saiu da varinha de Sirius, atingindo outro comensal, que morreu na hora. “Esse pela Madame Maxime.” Gritos de: “quem é esse?” ecoaram pelo vale, enquanto os inimigos revidaram com outros Avadas e alguns Expelliarmus.
Sirius se desviou de todos, enquanto tentava matar os inimigos rapidamente. Quando o último caiu, ele viu que mais oito bruxos saíam de uma caverna, disparando mais feitiços. Um deles passou de raspão em Black, o suficiente para deixar o seu braço esquerdo imobilizado.
“Droga, hora de se retirar?”
Sirius conjurou um enorme feitiço protetor, que bloqueou por uns minutos os feitiços adversários. O ex-auror aproveitou para se transformar em um enorme cão negro e correu em alta velocidade para fora do vale, sumindo das vistas dos comensais.
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-Então, o Sirius Black, o famoso Sirius Black estava lá fora? – gritava um comensal magro, de aspecto frágil e olhos ferinos. Seu público de comensais olhava para o chão. – Como puderam deixá-lo escapar? Tsc. O mestre ficará furioso! Capturamos os amigos dele, pegá-lo seria a cereja do bolo... droga!
-Ele fugiu... estava diferente, disfarçado... mas Wilkins o reconheceu...e o Black se aproveitou do elemento surpresa... – começou a explicar um bruxo calvo, de olhos puxados.
-ELEMENTO SURPRESA? Um contra dez, doze?
Naquele momento surgiu no meio da sala um bruxo, se dirigindo ao comensal principal daquele recinto. – Rosier, Jogson tem ótimas notícias. Pegaram alguns invasores!
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Lupin tentava se desvencilhar das cordas que o prendiam, sem sucesso. Olhava para os lados, para a cela onde estava encarcerado, e o desânimo o tomava. Ainda mais que percebeu que seu espelho havia sumido. “Sirius nunca nos encontrará agora.”
-Ora, o que temos aqui! – e uma risada foi ouvida. Lupin ergueu os olhos para o dono da voz assim que ele surgiu em sua frente.
-Creio que isso é seu...? – e Rosier mostrou um espelho em suas mãos. – Agradeço pela colaboração, será muito útil a nossa causa.
Lupin encolheu suas mãos de ódio. Torceu, intimamente, para que Sirius não caísse na armadilha.
-Vamos adivinhar... Sr. Black? – disse Rosier, se direcionando ao espelho.
A princípio o objeto ficara imutável, mas alguns segundos passados e uma névoa envolveu sua imagem e um rosto aparecera nele. Era de Sirius.
-Ora, Sirius Black! – e Rosier riu.
-SIRIUS, LARGUE ESSE ESPELHO! VÁ EMBORA! – gritou Lupin, em desespero.
Rosier balançou a cabeça para Jogson, que disparou um feitiço em Remus, que urrou de dor.
-Seu amigo é muito corajoso, Black. Tenho que admitir que sabe escolher seus aliados. Mas... acho que ele não resistirá por muito tempo, após diversos Crucius. O que acha?
Através do espelho, pode-se vislumbrar o rosto de Sirius se contorcendo de raiva. – MALDITO! O que você quer?
-Eu quero que se entregue. Simples. E vocês terão que suplicar a misericórdia do mestre e do Lord. – e ele sorriu. – Viu? Muito razoável.
Sirius resmungou. – Mas é claro que me matarão e matarão meus amigos! Como fizeram com Hagrid e Madame Maxime! E com quase todos os gigantes aqui! – e naquele instante Lupin fechara os olhos, enfurecido com a notícia.
Rosier ficou mudo por um momento, analisando o que o ex-auror dissera. – Então já sabe sobre os outros... pois que seja. Estou lhe oferecendo uma morte menos dolorida. E isso já é muita coisa, Black.
-Está bem. – disse Sirius pelo espelho. – Estou me entregando. Estarei no vale daqui a meia hora.
-Oh! Isso é excelente. – e Rosier deu um sorriso maldoso. – Venha mesmo, pois quem acabará sofrendo serão seus amigos. – e o comensal atirou o espelho contra uma parede. Jogson franziu o cenho. – Não precisaremos mais disso. – afirmou o comensal chefe.
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Sirius rondava a floresta onde tinha se escondido, procurando tomar uma decisão. Ir até lá, ser morto junto com os amigos? Mas a alternativa, que seria fugir, estava fora de cogitação para ele. Nunca abandonaria seus amigos nas mãos dos comensais. Porém, o que adiantaria ele ir lá e morrer?
Precisava de um plano.
E por isso ele rondava pela floresta, aflito. E era tudo culpa dele! “Mas como eu ia saber que Hagrid e Madame Maxime haviam morrido?”
“Idéia estúpida, essa de ‘cavalo de tróia’. Droga, quem será o mestre deles?”
Sirius sabia que Edouard Sheppard, irmão de Ava, era um dos braços direito de Voldemort. Mas para o animago era estranho que o comensal pudesse estar lá, ele sabia que Edouard quase sempre ficava ao lado do Lord. “Ou senão... os dois virão e logo.”
Ele passou as mãos pelos cabelos. “Pode ser... que tenhamos caído em uma armadilha. Ao matarem os nossos amigos, esperavam por um resgate logo. Tsc. Tolo tolo tolo”
Sirius percebera que não havia escolha. Teria que ir lá e enfrentar o que viesse. Pegou seu espelho no bolso e o jogou fora. Com a varinha em mãos, jogou um feitiço em si mesmo, tirando todo disfarce.
"Vamos lá.”
Mas ao dar o primeiro passo, ouviu um burburinho pela floresta. Burburinho de pessoas que tentavam passar despercebidas. Sirius sorriu para si mesmo: “Estão tentando me pegar desprevenido.”
Um jorro de luz vermelha atravessou pelo alto de sua cabeça. Após isso, outros acompanharam, quase acertando Sirius em cheio. O animago correu por trás de uma árvore e um feitiço a acertou, quebrando ao meio. “Droga, eles estão mais eficientes.”
Sirius deu um suspirou forte e contra atacou, eliminando três de uma vez. E ele sabia que tinha vantagem, pois era provável que Voldemort o quisesse vivo, para ter o prazer ele mesmo de eliminá-lo. Caprichos de comandante.
-Fowles, acerta ele! – gritava um em fúria. E, como Sirius pode perceber, também em medo.
O animago acertou em cheio esses comensais, mas sem matá-los. Queria pelo menos um vivo para interrogatório. O que se denominava Fowles saíra correndo, sumindo pela vegetação. Sirius não correu atrás dele, era provável que tivessem feito besteira. “Por que vieram atrás de mim, se era bem mais fácil eu ter me entregado?”
Havia apenas um caído, ainda zonzo pelo feitiço. Black se aproximou dele, capturando sua varinha. – Então, estamos a sós. – e o comensal olhou para ele, com um olhar confuso. – Qual seu nome?
-Por que pensa que responderei? – e o comensal cuspiu em direção a Sirius.
-Hum... tudo bem, isso não é importante. – e Sirius apontou sua varinha para ele. – Onde estão Lupin e Tonks?
O comensal deu risada. – Eu nunca contarei, Sr. Black. Faça o que quiser.
O animago sorriu: - Legilimens!
Imagens diversas surgiram para Sirius. Reuniões, esporros, assassinatos, horas de tédio, risadas, torturas... Lupin gritava, Tonks chorava. E eles estavam em celas separadas, em recintos diferentes. Mas era um local semelhante a muitos e muitos outros que vira na mente do comensal. Como os acharia?
Sirius voltou a olhar para o comensal e este sorria estranhamente. –O que esse sorrisinho significa? – e o ameaçou com a varinha.
Naquele momento o animago sentiu uma forte pancada na cabeça que o faz cair no chão. Logo foi desferido um chute em seu estômago que o fez golfar sangue.
-Não o mate – Sirius ainda ouviu, enquanto sua cabeça zunia, olhos fechados – O Lord quer ter esse prazer.
-O maldito matou vários dos nossos... Odeio essas regras idiotas dele!
A varinha estava distante.
-Faça isso, senão você sofrerá as conseqüências, você sabe disso!
Eles estavam perto ainda. Sirius abriu um dos olhos e viu um comensal corpulento e muito ruivo discutindo com o outro. Num átimo, Sirius se levantou e se lançou contra o comensal ruivo, colocando o pé por detrás dele, como fizera com outro inimigo naquele mesmo dia, ambos caindo no chão.
O outro fora atrás da varinha e apontara para Sirius. Mas o comensal ruivo ficava na frente, enquanto os dois se embolavam ao chão, socos e cuspidas ditando a luta. Um feitiço é lançado, acertando o ruivo. – Droga, JOGSON! Faça direito! – gritou o outro, enquanto tentava dominar Sirius.
Black aproveitou esse momento de fraqueza para se desvencilhar do comensal e chutar seu rosto com força. Um jorro de sangue espirrou na terra e um urro de dor ecoou pelo espaço. Outro feitiço é lançado, mas Sirius não fora tão rápido: sua perna esquerda fora paralisada.
-Rá, peguei o desgraçado! – e o comensal se aproximou dele.
-Paralisa, paralisa! – gritava o outro, com a mão no rosto ensangüentado.
Num segundo Sirius tomara a varinha do bruxo, porém este tentou recuperá-la, mas já era tarde: o animago lançou um Avada nele, fazendo o inimigo cair lentamente.
E noutro segundo o ruivo se lançou em cima de Black, tentando tomar-lhe a varinha. Outro soco no estômago no animago. E o resto aconteceu muito rápido: socos desferidos pelo ruivo, agora no rosto, quebraram o nariz de Sirius e alguns dentes, porém a varinha na mão do animago terminou por fazer o serviço. Às cegas, ele desferiu o feitiço de morte no comensal, porém errando o alvo. Na segunda tentativa não errara.
Deixando o comensal ruivo morto no chão, Sirius se arrastou para perto de uma árvore, para se recuperar. O sangue não parava de jorrar e ele tampou com a mão a ferida, tentando estancar o fluxo. Lembrou-se vagamente de sua varinha, lembrou-se que podia procurá-la, ou mesmo lançar um Accio varinha! com a varinha do comensal e recuperá-la. Lembrou mas não conseguiu reagir. As imagens a sua volta estavam lentas, as folhagens balançavam suave e estranhamente naquela tarde sem vento.
E lembrou-se de uma bruxa loira, que tinha o sorriso mais meigo que ele já vira. Que seu olhar o deixava enternecido, suas mãos que o tranqüilizavam.
“Ava...”
E tudo mais ficou escuro.