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5. Capítulo 5


Fic: Cliché Love Story


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Caminhamos pelas nossas vidas como se estivéssemos no nosso primeiro encontro. Tentando ver se somos apropriados e tentando não pisar nos pés dos outros... você sabe, cautelosamente, profilaticamente, por medo não sermos aprovados.” - Martin de Maat

Capítulo 5


- ...então nós acabamos com uma casa inteira pintada nas cores trocadas. Só não sei por que fizeram tanto fiasco por causa disso. Tudo bem que as paredes deviam ser brancas, e não azuis, e que a gente gastou tinta azul, que era que tinha menos latas, mas ninguém morreu por causa disso.

James me contou sobre o que fez no último recesso em outubro: foi construir casas, sabe como é, no Habitat for Humanity¹, aquele programa voluntário, cristão, não-governamental, sem fins lucrativos onde são construídas casas de baixo custo. Ele me explicou que existe o Collegiate Challenge, que é para estudantes a partir de 16 anos, durante os hiatos no ano escolar. Quando na minha vida eu imaginaria que James Potter esteve construindo casas (ou fazendo as partes mais simples do processo, como ele mesmo colocou, destinadas aos inexperientes) para os necessitados?

- E você lá, dedicando sua semana de férias para isso... – eu disse, e depois enchi minha boca com yakisoba. Esses restaurantes de comida chinesa espalhados pelo mundo são tão fajutos e cheios de pratos que não vêm da China que eu nunca sei se alguma coisa é da culinária chinesa ou não. Mas eu acho que yakisoba não é.

- Mas eu não estava lá porque fui obrigado... Fui eu quem escolheu fazer isso. – ele deu de ombros.

Quando ele me contou, há alguns minutos, sobre o trabalho voluntário, eu não acreditei e soltei um “por quê?” Ele respondeu que foi sugestão dos pais dele; segundo eles, James estava precisando enxergar um pouquinho além do próprio mundo (e isso me lembra: um dos motivos pelos quais eu o rejeitei no passado era o fato de eu sempre achar que ele era mimado). E ele decidiu aceitar. O que, talvez seja só impressão minha, provavelmente ajudou a construir esse Potter que está sentado na minha frente, comendo frango xadrez e arroz. Pelo menos quanto ao arroz, tenho certeza de que é bastante utilizado (e produzido) na China.

- É, tem razão. E se quiser saber minha opinião, achei o máximo. Se eu fosse os seus pais, ficaria realmente orgulhosa de você.

Ele sorriu genuinamente. Os dentes dele são tão alinhados quanto os meus, e o sorriso dele é lindo.

- E agora que você sabe tudo sobre pintura de paredes, portas e janelas nas cores trocadas, pode entrar na equipe do Ty, de Extreme Makeover – falei, rindo de leve, depois de ter engolido a comida.

- O quê? – ele perguntou, parecendo realmente confuso. James nunca viu Extreme Makeover?

- Aquele programa em que uma equipe de carpinteiros e designers e construtores, chefiados pelo Ty Pennington, reconstroem casas em situação lastimável. Não sabe qual é?

A compreensão finalmente atingiu o rosto dele.

- Ah, sei. Eles destroem as construções inteiras e fazem tudo de novo, não?

- Às vezes umas pequenas partes, de estrutura ou coisa assim, sobram. Mas, basicamente, você está certo.

- Mas não acho que vai ser uma boa idéia desperdiçar um diploma indo viver como carpinteiro. Só uma intuição. – ele riu.

- Então você pretende ir para a faculdade? – perguntei, depois de alguns segundos em silêncio enquanto eu mastigava o macarrão.

- Claro. O que eu vou fazer da vida se não fizer faculdade? Meus pais vão me mandar embora de casa se eu não continuar estudando... E eu não acho que tenha condições de me arranjar agora.

É, porque ele ainda nem terminou a escola, e nessa idade, você mal sabe cuidar da sua própria vida. Imagine cuidar da sua própria vida, administrar o dinheiro (o pouco dinheiro que você vai ganhar) e cuidar da casa?

- Eu quero ir pra faculdade, acho que é uma grande experiência e... Bem, principalmente hoje em dia, é necessário. – Ele assentiu, concordou comigo. – Tem alguma em especial onde você queira estudar?

- Pra ser sincero, eu não ligo a mínima para isso. Porque se você for bom, vai se dar bem em qualquer lugar. Mas meu pai quer me ver em Cambridge, porque ele estudou lá. Quer deixar o legado dele, entende? – ele parece achar essa idéia algo muito absurdo, pelo tom de voz. – Mas eu já falei para ele manter as esperanças baixas.

- Por quê? – eu perguntei, genuinamente confusa. – Qual é, Cambridge ia ganhar com você lá, James. Todo mundo sabe que você tem uma média incrível; eu sempre morri de inveja porque eu me mato estudando, fico nervosa... e você parecia sempre tão tranqüilo nas provas, com as provas. Pelo menos de longe. – Eu não acredito, meu Deus, que estou falando isso. Eu, Lily Evans, estou massageando o ego de James Potter? – E, bem, eu realmente não sei se Cambridge considera o fato de você estar envolvido nos esportes, qualquer um sabe que esse nunca foi um tópico do meu interesse, mas você tem o futebol... E os seus troféus de tênis, segundo a Emmeline... E o que mais?

- Equipe de debate – ele respondeu, me surpreendendo de novo. Os alunos da equipe de debate são os mais preocupados em encher o histórico escolar de estrelas, se é que você me entende. Geralmente estão lá exclusivamente para aumentar a chance de conseguir uma vaga na faculdade dos sonhos.

- Sério? O que está fazendo lá? – perguntei.

- Acho que vai se surpreender com isso, mas eu gosto. – Ele deu de ombros. – E acho que você poderia se dar bem lá, Evans.

- Obrigada, mas não, obrigada. – Eu ri. – Mesmo que eu acabe não conseguindo uma vaga em uma das universidades que eu quero, vou arriscar. – Eu bebi um gole de Coca-Cola antes de continuar. – Então... Já sabe o que pretende cursar?

Eu estou com a leve impressão de que estou indo para o lado do interrogatório. Por que eu sou a única que faz perguntas nessa mesa?

- Estou tentando decidir. Faz um tempo que estou pensando em direito, mas parece que ninguém acha que eu presto pra isso.

- Mas no fim é você quem decide, não os outros. Eu ainda não escolhi. Está me deixando nervosa. Quer dizer, quero ser escritora. Eu amo escrever. Mas não sei qual faculdade escolher. No fim, você pode escrever mesmo que tenha estudado engenharia ou qualquer outra coisa...

- Inglês, literatura... – ele sugeriu. – Não acha que isso combina com você?

- Talvez... Acho que sim. – Dei de ombros. – Ainda temos tempo para decidir.

- Graças a Deus – ele concordou.

É uma conversa estranha para se ter com James. Ele nunca me pareceu o tipo que fica pensando no futuro, o que fazer da vida, como vai ser quando chegar na faculdade, será que vai conseguir um bom emprego e ser bem pago... O tipo de coisa que fica flutuando na minha cabeça o tempo todo. Mas, parando para pensar, tem muita gente que rumina o assunto em vários momentos, mas não fica falando ansiosamente sobre isso. Pensando melhor, talvez esses sejam os mais saudáveis, que conseguem achar o equilíbrio entre planejar e viver. Nesse caso, os errados não são eles, sou eu.

Mas consegui chegar a uma conclusão concreta a respeito de tudo isso. A minha conversa de primeiro encontro definitivamente é falha. Apesar de eu ainda não ter certeza de que isso é um encontro.

Eu fiquei em silêncio por alguns minutos, abrindo a boca apenas para levar garfadas de macarrão até ela (é, estamos comendo com garfo e faca, porque nosso QI não é alto o suficiente para os hashis²). Olhando a minha volta, me perguntando que tipo de restaurante chinês é esse. Parece que todo mundo aqui se arrumou bem demais para comer comida chinesa. Embora os clientes combinem com o restaurante – papel de parede, chão de madeira escura, decoração brilhante... Talvez seja assim que a alta sociedade sai para comer comida chinesa. Sempre com estilo.

Eu olhei para James, que tem o olhar perdido em algum ponto atrás de mim. Ele está com as mãos pousadas sobre a mesa, segurando o garfo e a faca. Adoraria poder ler mentes nesse momento.

- Não entendo pra que ligam a televisão num restaurante, principalmente passando o noticiário, se tiram o som - James comentou de repente. Talvez seja isso que ele estava olhando antes. A TV.

- Para você ler o que passa naqueles letreirinhos ali embaixo - eu disse, esperando que ele entendesse o que eu quis dizer. Sabe, aqueles letreiros que ficam rolando: “EUA começa a se recuperar da crise”, como anda a Bolsa de Valores de Londres ou qualquer outra coisa assim. Não que eu acompanhe para saber, essa parte não me interessa nem um pouco. Uma vergonha, porque meu pai está profundamente inserido na economia. Ele é louco.

- Então nós pegamos um ótimo lugar, porque eu realmente consigo ler daqui. – Então ele olhou para a televisão. – Agora diz que Washington está pronta para a posse de Obama.

- Nossa, é verdade. Parece que vai ser uma festa e tanto – respondi. James assentiu. – Ei, agora que vi você lendo da distância... Você não usava óculos?

Porque eu lembro. Com toda a certeza, ele usava óculos. E eles combinavam muito com Potter.

- Nossa, faz muito tempo que eu parei de usar – ele respondeu. – Porque eu não podia usar óculos quando jogava futebol ou tênis, o que significa grande parte do tempo, então comecei a usar lentes de contato. Em tempo integral.

- Ah. Eu gosto de óculos, eles fazem até a Paris Hilton parecer inteligente. – Pensei por um segundo. – Tudo bem, talvez não a Paris Hilton, mas a maioria das pessoas.

Só que a Paris Hilton é inteligente, tanto que conseguiu acabar ganhando dinheiro com a sextape que o ex-namorado dela divulgou, e conseguiu ir para a prisão sem fotos de paparazzi, porque eles estavam todos muito ocupados no evento a que ela compareceu logo antes de se entregar às autoridades. Então, por trás daquele rosto que Deus não deu a ela, existe inteligência. Wow, mas quanta informação interessante.

- Eu parecia inteligente antes? – Ele perguntou, sorrindo. – E agora, o que eu pareço?

- Você é inteligente, James, e você sabe disso. – Dei de ombros. – Então, você nunca mais usa seus óculos?

- Às vezes, na frente do computador, vendo filme na televisão... Por quê?

- Sei lá – respondi, sem graça, porque eu tinha pensado que talvez os óculos o deixem ainda mais bonitinho. – Só algum tipo de curiosidade bizarra – falei, largando os talheres um ao lado do outro no prato vazio. Nunca sei o que se faz com os talheres depois que termino de comer. Eu costumava cruzá-los, mas me disseram que não se faz isso, então comecei a alinhá-los sobre o prato. Não que eu ache que James se importe com isso, já que os talheres dele estão simplesmente largados sobre o prato.

- Beleza – ele respondeu simplesmente. – Então, me conte alguma coisa sobre você. Parece que eu já esgotei todo seu tempo com toda a minha inútil história de vida e eu não sei nada sobre a sua.

Não tive essa sensação. As histórias dele me pareceram bastante interessantes, e ele tem muitas delas. Enquanto a minha vida se resume a... Bem, uma pacata vida nerd.

- Provavelmente porque eu não tenho muita coisa pra contar. – Eu dei de ombros. – O máximo pelo que eu já passei na vida foi uma turbulência. Mas foi A turbulência – eu frisei. – Achei mesmo que algo de muito grave ia acontecer... E o pior é que eu nem sou muito medrosa, sabe? Nunca tive problema com avião. Mas naquela viagem eu meio que entrei em pânico e comecei a deixar as pessoas à minha volta meio aterrorizadas também, foi péssimo. A aeromoça teve que me tirar de lá até eu me acalmar, o que só aconteceu quando finalmente parou.

- Eu não entendo o que todo mundo sente durante uma turbulência... Digo, é claro que uma merda quando eles estão servindo a comida, porque eles param de servir... – ele deixou a frase no ar. – Enfim. Estava viajando pra onde?

- Califórnia – eu respondi. E foi uma das melhores viagens da minha vida.

- Viu alguém famoso andando na rua? – ele riu. Porque Potter deve pensar que eu daria um ataque ao ver uma celebridade andando com seu iPhone em uma mão e um café (ou a mão de outra celebridade) na outra.

- Não vi, mas nem fui esperando por isso. Não sou muito fã de ninguém – respondi. – Tudo bem, é claro que se eu visse Paul McCartney ou o Ringo Starr por aí eu ia ter um chilique. E tudo bem, talvez se eu visse o Jude Law eu fosse quase perder o ar. Mas acho que só com algum deles.

James deu uma risada.

- Bom, isso é ótimo. Não tem muita coisa que seja tão irritante quanto uma garota que fala sem parar do ídolo dela... E, acredite, eu passei por isso.

Eu sorri.

- É, isso deve ser horrível. Tem uma amiga minha que falava o tempo todo dos, acredite, Backstreet Boys e... Bem, eu passei a não gostar deles só por causa disso. Antes eu não tinha nada contra, agora não suporto.

Ele assentiu.

- E aí, o que fez na Califórnia. Foi a Los Angeles?

- Fui. Fui a São Francisco também. E fiquei alguns dias em Santa Barbara, peguei uma praia, dias de sol incríveis... Que saudade do verão que me dá falar nisso. – Dei um suspiro. – Eu adoro verão.

- É mesmo, verão é bem melhor que inverno – ele concordou. – Mesmo que o verão daqui seja meio inexistente.

- Mas tem aquela coisa, não tem? – ele me olhou confuso quando eu disse essa frase tão específica. – Digo, ir pra uma praia com a galera... Acordar tarde, dar um mergulho, ver o sol se pôr na praia... Depois sair de noite, tomar sorvete, dar umas voltas...

- Parar no bar com os caras... – ele acrescentou, sorrindo.

- Não para beber, certo? – eu brinquei. Não que eu beba, fala sério, quero ter o fígado funcionando legal para sempre e, é claro, o pequeno detalhe de estar sempre completamente consciente dos meus atos.

Ele riu e respondeu.

- Só Coca-cola.

- Tá bom. – Ironia. – Ah, que saudade do verão, das férias. Antigamente eu amava o inverno, é a estação dos intelectuais, não é o que dizem? Hoje não consigo mais entender por quê. É legal por uma semana e tal, ficar debaixo das cobertas vendo filme, tomando chocolate-quente... Usar roupas bonitas... Mas depois chega.

Uau, quantas palavras eu falei nos últimos minutos? Está vendo, Potter, eu sou capaz de falar também, e não só perguntar, perguntar, perguntar.

Ele concordou.

- Não quero cortar, você, Evans, mas a gente teve que esperar pela mesa e tenho certeza de que você achou tão ruim quanto eu, então a gente devia desocupar aqui e ir dar uma volta... Tinha parado de chover quando a gente chegou, talvez ainda esteja assim. – Ele olhou para a rua. É difícil dizer, porque a chuva estava bem fina antes de parar, e pode ser que essa mesma chuva tenha voltado a cair.

- Claro, tudo bem – concordei prontamente e ele pediu a conta. Quando o garçom trouxe a conta num daqueles negócios de corino (?) que eu não sei o nome, eu perguntei prontamente:

- Quanto eu te devo?

Ele levantou os olhos do negócio para me olhar.

- Não me deve nada. Eu te chamei, eu pago.

- Ah, pára. Nós podemos dividir a conta, Potter. Isso é perfeitamente normal.

- É, mas hoje vai ser por conta do amigo aqui. – Ele tirou um cartão de crédito dourado da carteira, chamando o garçom de novo, não me dando tempo para retrucar.

- James... – eu comecei a falar, mas fui interrompida.

- Meu Deus, Evans, como você teima, cara. A gente vai na sorveteria do Lenny na próxima esquina e você paga a droga da conta, tá bom assim? – ele não soou irritado, somente cansado e realmente perplexo com a  minha teimosia.

- Hm, ok – concordei. Mesmo que eu ache que inverno e sorvete não façam uma boa combinação.

Enquanto esperávamos, comemos os biscoitinhos da sorte que o restaurante oferecia como cortesia. O papel dentro do meu dizia “os covardes sonham; os corajosos têm visões”. Talvez isso deva significar alguma coisa nesse exato momento, mas eu não consegui encontrar o sentido. Guardei o papel no bolso para prender no meu mural de cortiça – no momento certo vou olhar para ele e saber que combina com o que estarei vivendo.

O garçom trouxe o cartão de James de volta e nós levantamos para sair. Por incrível que pareça, ainda não voltou a chover, apesar das calçadas e rua molhadas.

Nós andamos lado a lado em silêncio, prestando atenção no movimento.

- Potter... – eu falei depois de alguns minutos. Ele virou o rosto para olhar para mim. – Me... desculpe. Por ter sido tão chata com você nos últimos anos. – Ele abriu a boca para falar, mas nada saiu. – Eu estive pensando... Bem, talvez eu tenha te julgado erroneamente.

- Ou não tanto assim – ele discordou. – Se eu olhar para trás... Bem, eu era bem idiota mesmo. Acho que era a idade, sei lá.

- Então você está me dizendo que mudou de lá pra cá?

- É. Por que você soou tão cética? Não acredita que as pessoas possam mudar?

- Não – respondi. – Acho que não. Você não tem como deixar de ser quem você é, simplesmente não faz sentido.

- Lily, as pessoas crescem, as pessoas passam por experiências que mudam seus pontos de vista. Isso faz todo o sentido. É aquilo que vivemos que nos transforma. Ou vai me dizer que quando você tinha doze anos via a vida exatamente como vê agora?

- Eu... Bem, não. – Cedi. Mas mesmo assim, eu não acho que as pessoas mudam. Simplesmente acho difícil acreditar.

- Qualquer um pode mudar, desde que tenha alguém ou algum bom motivo que os faça buscar a mudança. É bem simples.

Ele parece tão diferente do James Potter que eu imaginava quando diz essas coisas. Ele não parece o atleta sem cérebro que vai quebrar o coração da pobre menina nerd. Ele parece humano e maduro, embora tenha seus momentos de garoto – o que é perfeitamente normal.

- Talvez esteja certo – cedi de novo, e depois fiquei em silêncio, apenas refletindo. Sobre como a minha missão afunda cada vez mais.

- Puta merda, se esse cara não consegue largar o carro direito numa vaga oblíqua, imagina fazendo baliza? – James falou, olhando à direita para um conversível muito mal estacionado. Pelo menos ele voltou a falar dos assuntos rasos, tipo dirigir, e eu posso parar de pensar no conto que não vai sair dessa história.


x


- Está entregue – James falou quando o táxi parou na frente da minha casa. Dei uma olhada no taxímetro. Uma boa grana.

- Não vai me deixar pagar? – perguntei, já sabendo a resposta.

- Na próxima. – Ele piscou. – Não agüento mais esperar para fazer dezessete e finalmente poder dirigir, sem depender de táxi ou transporte público.

- Ah, é? Vai dirigir muito em Londres? Pegar o metrô vale muito mais à pena, eu acho. Principalmente se seu tempo é curto e você sai nos horários de muito trânsito.

- Pra ir para a escola talvez, já que são duas quadras de lá até a estação e quatro até minha casa. Mas pra sair e tudo mais... Carro é bem melhor.

- É, tenho certeza disso – eu falei. – Mas eu tenho que ir. Obrigada por hoje, foi ótimo. Boa noite. – Me virei para abrir a porta, mas James me segurou muito levemente. Eu virei para ele de novo. – Sim?

O rosto dele estava tão perto do meu que eu achei, realmente achei, que fosse e beijar. Quero dizer, ele me beijou. Meu rosto.

- Boa noite, Evans – ele disse e voltou a encostar-se ao banco.

Eu dei um meio sorriso e saí do carro. O táxi ficou esperando até que entrasse em casa, e depois foi embora.

Meus pais, e, inacreditavelmente, minha irmã e o namorado dela estão nos sofás vendo algum filme no DVD.

- Noite – eu os cumprimentei, e eles responderam. – O que estão assistindo? – perguntei, sentando na poltrona, o único lugar vazio.

- P.S. Eu te Amo – Petúnia respondeu, contente. – Quero dizer, estávamos, até você resolver bater um papinho.

- Petúnia! – minha mãe falou, dando pause no filme.

- Não acredito que vocês duas conseguiram arrastar papai e Válter para assistir isso – eu falei.

- Provavelmente porque eles têm mais sentimentos do que você – Petúnia respondeu. Ridícula.

- Não disse que não gostei do filme – rebati. – Só que não achei que eles fossem querer assistir.

- Sabemos disso, querida – minha mãe cortou a briga antes de ela realmente começar, dando um sorriso. – Agora nos conte como foi seu encontro.

- Não foi um encontro, mãe – eu murmurei, revirando os olhos. E também amaldiçoando minha irmã, a única que estava em casa quando eu saí, por ficar falando mentiras para os meus pais sobre o assunto. – Só saí com um amigo. E o jantar da empresa, estava ruim? Porque vocês voltaram cedo.

- Não estava ruim, apenas acabou cedo – minha mãe disse. – E você saiu para jantar com um garoto, não foi? Isso é um encontro, querida.

- Não, mãe, não é – neguei. – Garotas podem ser amigas de garotos, sabe? Lembra disso? Vai me dizer que não tinha amigos?

- Sim, Lily, sei disso – ela falou, sorrindo, muito calmamente. – Mas fiquei feliz com isso, porque sei que você se afastou dos garotos desde o que aconteceu no ano passado e não quero...

- Mãe, para com esse assunto, por favor. – Eu a interrompi. – É sério, não precisa se preocupar com isso, estou ótima com a história toda há muito tempo, praticamente desde o que aconteceu, beleza? Estou subindo.

Dizendo isso, peguei minha bolsa e andei a passos ligeiros até a escada.

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¹ Página na Wikipedia, Página oficial e Página oficial no Reino Unido. E, não, eu nunca participei/doei.
² Os “pauzinhos” ou “palitinhos” que vêm quando você pede China in Box ou vai ao restaurante japonês e são impossíveis de manusear.
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N/A: Sei que vocês tinham expectativas para esse capítulo e elas foram todas frustradas, e eu lamento. E assim, estou com a impressão de que tem James Potter demais na fic, e parece que a vida da Lily se resume a isso, o que vocês sabem que não é verdade. Mas a história é toda baseada nisso, então ele precisa aparecer muito. Mas não toda hora. Erm.
Espero que não me abandonem depois desse lixinho .-. Obrigada pelos comentários no capítulo anterior, vou responder eles de novo:

nath krein: sim, a Lily se engana muito a respeito das pessoas, conforme a fic for seguindo isso vai ficar ainda mais evidente. O problema dela é que ela julga muito sem conhecer. E eu imaginei que você fosse colorada, também por isso eu fiz questão de fazer aquele comentário. Haha. Enfim.
Gaby Black: como sempre, obrigada, Gaby! E fico feliz que o James esteja conquistando você também ;)
Nandinhaa M.: obrigada... xará. (teu nome é Fernanda, certo?) Tá aí o capítulo.
Gih Meadowes não vou continuar com essa discussão, dona Giovana, porque tu sabe muito bem que escreve melhor... Mas nééé. Também te amo (L).
Leti: muito obrigada mesmo! E eu adoro essas citações também, adoro citações em geral, tenho váárias anotadas... Pra entrar aqui eu tenho que realmente achar que faz sentido, que combina. E gostar, é claro.
Flá Dawson: isso é verdade, tanto é que vai ter sempre uma espécie de padrão pra cada personagem, e você desenvolve eles a partir dali. Nossa, agora que você falou... Eu não tinha reparado que eu usava tanto assim os sobrenomes.  O James chamando a Lily de ‘Evans’ é proposital, mas não o resto. Estou acostumada com isso, talvez. Hehe.
Lúuh Weasley Black: nossa, você não faz idéia de como seu comentário me deixou feliz. Muito obrigada mesmo pelos elogios. E eu fiquei feliz por alguém ter comentado sobre a Clarissa, ela está na fic por um motivo, e é um importante. E em breve você vai saber o que aconteceu com ela, se você acertou e tal. Quanto a SM... Esperemos, esperemos. Hahaha

Então galera, alguém aqui é gaúcha? Porque amanhã, 20 de setembro, dia da proclamação da Revolução Farroupilha, também é dia do Gaúcho, ou seja, meu dia.  Acho que só um gaúcho entende o orgulho que o outro sente de ter nascido nessa terra. Então é isso. E sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra!

Fernanda M.

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