Durante as semanas seguintes, não houve outro assunto de interesse para o mundo bruxo além da batalha contra Lord Voldemort e seus Comensais da Morte e sua tão esperada derrocada.
O Profeta Diário noticiou em primeira página todos os detalhes sobre o embate final entre Harry Potter e aquele-cujo-nome-não-podia-ser-dito. Era impossível não ficar impressionado diante do relato do rapaz. Entretanto, o mais incrível de tudo foi a revelação de que Severus Snape, cujo cadáver havia sido encontrado na Casa do Gritos, era, na verdade, um espião duplo e tinha estado durante todo o tempo a serviço de Albus Dumbledore.
“- Como você pode ter certeza disso ?”, perguntara Rita Skeeter, repórter do Profeta Diário, a Harry Potter.
“- Ele me deu suas memórias antes de morrer. Fui até a Penseira de pedra que pertenceu a Albus Dumbledore e que ainda se encontra em um armário na sala do diretor de Hogwarts. Então a usei para ver o que as memórias continham. Foi através delas que soube o que fazer.”
“- Mas você confiou nestas memórias ? Não pensou que elas poderiam levá-lo à morte. Que talvez fossem falsas ?”
“- No momento da batalha era tudo o que tinha. Achei por bem confiar.”
“- Então você se considera um rapaz de sorte ?”
“- Isso com certeza. É mesmo muita sorte ter contado com tanta gente boa e competente a meu lado.”
“- E você tem algum arrependimento ?”
“- Somente me arrependo de não ter podido agradecer ao professor Snape por sua coragem e bravura.”
“- Você e ele seriam amigos se ele ainda estivesse vivo ?”
“- Não creio nisso. Só sei que não mais o consideraria como inimigo.”
“- E quanto ao retrato dele ? Sabemos que deveria ter aparecido na sala do diretor de Hogwarts logo após sua morte. É assim que acontece com todos os diretores falecidos. Entretanto, isso não ocorreu.”
“- Esta falha será corrigida em breve. Pedi ao Ministro que fizesse justiça e colocasse o retrato de Severus Snape junto aos dos outros ex-diretores.”
“- E certamente o Ministro não lhe negará esse favor, não é mesmo ?”
“- Sinceramente espero que não.”, respondera Harry, preparando-se para deixar o local.
“- Só mais uma questão ... é verdade que Severus Snape foi apaixonado por sua mãe ?”
“- Prefiro não responder a esta pergunta.”, dissera Harry.
“- Se isso for verdade, então sua mãe e ele chegaram a ter algum envolvimento afetivo?”, insistira Rita.
“- Não tenho mais nada a declarar.”, reafirmara Potter, saindo rapidamente e encerrando o assunto.
“- Snape: patife ou santo ? Jamais saberemos.”, dissera Rita Skeeter, dando a entrevista por finalizada.
Enquanto a euforia ainda se alastrava pela comunidade bruxa, Severus e Maria conseguiram finalmente voltar à Itália. Eles tiveram que permanecer na Inglaterra por uma semana até que tudo se normalizasse e a rede de Pó de Flu pudesse ser usada sem levantar suspeitas e assim os levasse finalmente à casa dos Gentili. As redes de transporte estavam sendo constantemente monitoradas pelos Ministérios da Magia de vários países, que procuravam sem descanso por Comensais da Morte fugitivos. Mas o Dr. Gentili usara de seus conhecimentos junto aos altos escalões a fim de conseguir a permissão necessária para que os dois pudessem voltar para casa. Ele alegara que o genro havia lutado bravamente em Seichelles e que, após a batalha, não havia conseguido retornar direto à Itália. Portanto, ele e Maria tinham se dirigido à Inglaterra onde ansiosamente aguardavam por permissão a fim de voltar ao seio da família.
Assim que chegaram a Spinners’s End, Maria dera a Don Giovanni o antídoto para a poção da invisibilidade, permitindo que o testrálio voasse imediatamente para Hogwarts, evitando assim que Hagrid desse por sua falta. Logo depois, ela tratou de entrar em contato com os pais.
“- Como você conseguirá falar com eles ? Não tenho uma coruja aqui para que possa lhes enviar um recado.”, dissera Severus.
“- Não preciso de coruja.”
“- Não ? Então como procederá ?”, insistira ele.
“- Você se lembra daquele amigo trouxa de pappà ? Aquele que é dono de um restaurante na cidade ?”
“- Sim. Nós já almoçamos no restaurante dele alguma vezes.”
“- Pois bem ... ele vivia insistindo que pappà instalasse um telefone em casa. Falou tanto que pappà resolveu fazê-lo.”
“- Há uma linha telefônica na casa de seus pais agora ?”
“- Faz pouco mais de mês que foi instalada.”, respondeu Maria, obviamente divertindo-se com a cara de espanto que ele fazia.
“- Mas seu pai usa o telefone para alguma coisa ?”
“- Claro que sim. Você sabe como pappà gosta de conversar. Ele agora liga para seus amigos trouxas todos os dias e fica um tempão com eles ao telefone.”
“- Por Salazar ! E eu que pensei já ter visto de tudo na vida !”, exclamou Severus. “- Você irá ligar para lá a fim de dar notícias nossas ?”
“- Certamente. Esse é o meu plano.”
“- E como fará isso ?”
“- Muito simples. Irei até a rua e acharei um telefone público. O usarei para falar com pappà.”
“- E você sabe como fazê-lo funcionar ?”
“- Não se preocupe. É muito fácil.”
“- Mas precisará de dinheiro trouxa para poder completar a ligação. E nós não dispomos disso aqui.”
“- Eu tenho minha varinha, querido. Não haverá necessidade de dinheiro algum. Sou uma bruxa e de vez em quando isso é uma grande vantagem. Posso fazer aquela engenhoca funcionar com um simples feitiço.”, respondeu Maria, com um sorriso aberto nos lábios.
“- Você tem razão. Como pude me esquecer de um detalhe tão importante.”, assentiu Severus, correspondendo ao sorriso dela.
“- Volto logo. Tente descansar. Você tem que ingerir bastante líquido e precisa de uma refeição decente.”
“- Acho que devo ter alguma coisa na dispensa. Mas você também precisa se alimentar. Não se esqueça que é propensa à queda abrupta de glicose. Antes de sair, vá até o quarto e beba um cálice daquela poção que costuma tomar para evitar a hipoglicemia. Há um frasco dela na ...”
“- ... segunda gaveta da cômoda ...”, disse ela, completando a frase antes mesmo que Severus pudesse terminá-la. “- Eu já sabia disso ... você mencionou o fato no último verão, quando passamos algum tempo juntos.”, finalizou. Subiu então rapidamente as escadas e voltou logo depois.
“- Pronto ! Agora preciso ir. Prometa-me que vai se alimentar.”
“- Eu prometo. Vá tranquila.”
Maria assentiu e deixou a casa. Ainda estava sob o efeito da poção da invisibilidade. Aproveitou-se desta vantagem para andar livremente pelas ruas sem ser percebida. Assim que encontrou uma cabine telefônica, ligou para o pai. O Dr. Gentili e toda a família encontravam-se extremamente preocupados com ela e Severus. Jean Pierre tentara tranquilizá-los dizendo-lhes que tudo estava bem, mas os jornais diziam exatamente o contrário pois não se falava em outra coisa além da derrota de Voldemort e do sacrifício do ex-diretor de Hogwarts, que dera sua vida para proteger Harry Potter. Apesar de terem plena confiança no haitiano, os Gentili só tiveram verdadeira paz de espírito quando tiveram certeza de que Severus estava vivo e de que ele e Maria em breve voltariam para casa.
“- Pedirei a Giggio para levar roupas limpas e mantimentos para vocês. Ele chegará aí dentro de poucas horas.”, disse o Dr. Gentili.
“- Não há precisão de mandar vestimentas para Severus. Ele tem várias mudas de roupa aqui. Vamos evitar que Giggio carregue peso sem necessidade.”
“- Está bem, figlia mia. Se você quiser, Concita poderá ficar aí até que retornem à Itália.”, falou Ângelo. Concita era um dos elfos domésticos que moravam na propriedade dos Gentili e era esposa de Giggio.
“- Não pappà, mande apenas os mantimentos e vestidos para mim pois ainda estou usando roupas de dormir. Não tive tempo de me trocar quando saí daí para dirigir-me a Hogwarts. Quando ao resto, não se preocupe. Nós ficaremos bem. Agora preciso desligar. Estou arriscando muito em vir aqui. Os trouxas não conseguem me ver, mas talvez algum deles se aproxime a fim de usar a cabine telefônica ... certamente ficará intrigado pois não poderá me enxergar, mas verá o fone fora do gancho, flutuando no ar. Não quero ter que usar o feitiço da memória..”
“- Está bem, figlia. Você está certa. Vá e dê um abraço no meu genro. Diga a ele que estamos todos muito felizes em sabê-lo vivo e bem.”
“- Ciao pappà. Mille baci per tutti.”
Maria desligou o telefone e voltou a Spinner’s End o mais rápido que pode. Cerca de duas horas depois, o elfo Giggio bateu à porta da casa trazendo-lhes o jornal do dia, roupas limpas para ela e uma grande bolsa com mantimentos que seriam o bastante para que os dois passarem mais de um mês na Inglaterra. Desta maneira, o casal pode ficar alguns dias em Spinner’s End até que fosse seguro voltar para casa. O elfo retornava todos os dias a fim de lhes entregar uma cópia do Profeta Diário e deixá-los sempre a par das últimas notícias.
Assim que voltaram à Itália, foram efusivamente recebidos por toda a família. O Dr. Gentili não conseguia conter as lágrimas e abraçou a filha e o genro longamente. A família não se cabia de contentamento por tê-los de volta.
“- Onde estão as crianças ?”, perguntou Maria, assim que a todos se acomodaram na sala de estar. “- Estou morrendo de saudades de meus filhos !”
“- Também quero muito estar com eles.”, disse Severus.
“- Os gêmeos estão no jardim, brincando com Concita. Renato e Beatrice estão na casa dos pais de Ancilla.”, respondeu Marco.
“- Maurice, Marie e Aline estão com meus pais no Haiti.”, disse Loumenise.
“- Achamos por bem afastá-los daqui no momento da volta de vocês. Afinal, eles não estão sabendo sobre a dupla identidade de Severus e não havia necessidade de nos arriscarmos a enviar um frasco da “Face nas Sombras” para Spinner’s End. Assim Severus terá tempo de tomar a poção antes das crianças voltarem.”, completou Virgínia.
“- Sim, para todos os efeitos Severus Snape está morto e enterrado.”, disse Severus.
“- Você tem certeza de que é isso o que quer ?”, questionou Jean Pierre.
“- Certamente. É isso o que quero. De nada valeria revelar que estou vivo. De hoje em diante serei Verus Illecebra Suffolk. É com a aparência de Verus que meus filhos me reconhecem e é com esse nome que desejo terminar os meus dias.”
“- É uma pena que tenha que ser assim.”, declarou o Dr. Gentili, com ar triste.
“- Não Ângelo, é muito bom. Uma pena é que tenhamos perdido o triplo aniversário em família.”, afirmou Severus.
“- Vamos deixar isso para lá por enquanto. No ano que vem faremos uma grande celebração e aproveitaremos para adicionar à festa a comemoração do aniversário da Batalha de Hogwarts.”
“- Excelente idéia padrino.”, disse Jean Pierre.
“- Meu Ângelo é mesmo brilhante !”, concordou Virgínia.
“- Mas Severus ... voltando ao assunto de sua “morte” ... não sei que eu conseguiria viver uma identidade diferente diferente da minha ... tem certeza absoluta de que é isso que você quer ?”, perguntou o haitiano.
“- Uma identidade que me dará a possibilidade de viver uma vida normal, ao lado de minha esposa e filhos. Para mim isso é uma benção e não um castigo. Sim, definitivamente é isso que quero.”
“- Vejo que está animado diante da perspectiva.”, disse o Dr. Gentili, levantando-se e pegando na estante um frasco de tamanho médio. “- Aqui está. Tome a poção. Vou pedir que os meninos sejam trazidos até nós sem mais demora.”
Severus bebeu do frasco e subiu até o quarto a fim de trocar de roupa. Não queria que os filhos o vissem vestido com os habituais trajes negros que eram marca registrada do “falecido” ex-diretor de Hogwarts. Assim que voltou à sala, não conseguiu conter as lágrimas que lhe vieram aos olhos. Os gêmeos estavam sentados no colo de Maria e sorriram para ele no momento em que o viram.
“- Pappà !”, disseram as duas vozes infantis.
“- Cesare, Augustus, vocês ainda me reconhecem ?”, perguntou Severus, em italiano. Ajudado por Maria, ele havia aprendido a falar fluentemente o idioma.
Os meninos riram e desceram do colo da mãe, correndo até o pai. Apesar da pouca idade, os dois tinham herdado de Maria a facilidade para se comunicar e eram muito falantes.
Verus os abraçou, sentindo seus corpinhos contra seu peito. Os pequenos corações batiam rapidamente, denotando com clareza a alegria que sentiam por ver o pai. “- Meus filhos queridos. Nunca mais vou deixá-los. De hoje em diante, sempre estarei a seu lado.”
“- Bene, já que estamos todos felizes e aliviados, nada melhor do que comemorar essa ocasião com um lauto almoço.”, disse Ângelo, limpando as lágrimas que lhe corriam pela face com as costas da mão.
A família aplaudiu de pé o convite e todos se dirigiram sem mais demora para a sala onde já era servida a refeição.
Logo após o almoço, Verus subiu com os filhos no colo e deitou-se ao lado deles na cama, ficando lá até que os dois adormecessem. Os gêmeos não desagarraram dele nem na hora de comer. Mesmo sendo muito apegados à mãe, os dois pareciam querer estar junto ao pai por cada segundo possível, talvez temendo que fossem ficar longe dele novamente.
Assim que viu que os filhos dormiam tranquilamente, Verus os beijou na fronte e desceu as escadas, indo reencontrar a família. Havia muito o que conversar com todos. Ele e Maria queriam saber o que realmente acontecera durante o duelo final entre Voldemort e Harry Potter.
“- Não podemos confiar totalmente nos jornais. Fala-se muita bobagem sem sentido.”, dizia Maria, quando ele voltou à sala de estar.
“- Um monte de especulações sem base alguma. É preciso pescar a verdade em meio ao disse-me-disse.”, confirmava Virgínia.
Todos se encontravam sentados nas confortáveis poltronas e sofás elegantemente distribuídos pelo ambiente. Verus foi até a esposa, beijou-a na testa e sentou-se ao lado dela, pegando uma de suas mãos e colocando-a entre as dele. “- Os meninos estão dormindo.”, disse baixinho. Maria sorriu e beijou o marido no rosto. Depois os dois voltaram-se para os demais a fim de acompanhar a conversa.
“- ... mas a batalha contra os Comensais foi ferrenha e a luta se deu praticamente a nível mundial.”, dizia Jean Pierre. “- Infelizmente perdi vários amigos no Haiti, Cuba, Brasil, México, Argentina, Colômbia, Chile, Venezuela, enfim, em toda a América Latina. Além é claro da perdas sofridas no continente africano. Tenho conhecimento de centenas de mortes em Uganda, Egito, Angola, Moçambique, Costa do Marfim, Mauritânia, Etiópia, Líbia, Sudão, África do Sul, Botsuana, Seicheles, Madagascar e Libéria, dentre outros países.”
“- Sì Gianino. Aqui na Itália também tivemos muita luta. Em Roma, Napoli, Torino, Veneza, Bologna, Firenze, Catania, Siracusa, Palermo, Brindisi, Cosenza, Livorno, Viterbo, Aosta, e em muitas outras cidades as perdas foram inestimáveis. E o mesmo aconteceu em toda a Europa e em grande parte da Ásia e da Oceania.”
“- Igualmente nos Estados Unidos e Canadá.”, completou Marco. “- Tenho vários amigos nesses 2 países que me enviaram correspondências falando sobre as baixas sofridas.”
“- Quantas perdas ! Quantas famílias em pesar por seus entes queridos. Que lástima !”, disse Maria, balançando a cabeça em sinal de reprovação.
“- Infelizmente nada podemos fazer além de chorar os mortos e comemorar a vitória. Temos que nos lembrar de que tudo poderia ter terminado de maneira muito pior”, falou Jean Pierre. “- Bom, e agora que Severus ... quer dizer ... agora que Verus voltou, eu e Marco vamos lhes contar tudo o que sabemos.”, continuou ele, tentando afastar os pensamentos tristes que povoavam as mentes de todos. “- Estávamos no colégio quando o corpo de Harry Potter foi trazido até lá. Todos pensamos que aquilo era o fim de nossas esperanças. Mas, para surpresa geral, o menino levantou-se e enfrentou Voldemort.”
“- E como foi a morte do Lorde ?”, perguntou Verus.
“- Ele usou “Avada Kedavra” contra Potter e o menino respondeu com “Expelliarmus”. Assim o feitiço da morte voltou-se contra o próprio Voldemort.”, respondeu Marco.
“- Não faz sentido. “Expelliarmus” não teria força para defendê-lo de um feitiço tão poderoso.”
“- Também acho.”, concordou Jean Pierre. “- Mas Potter revelou alguma coisa sobre a Varinha das Varinhas. Aparentemente essa pertencia a Dumbledore que, quando planejou sua própria morte, impediu que a mesma passasse para as mãos de outra pessoa.”
“- Não entendi. Que Varinha é essa ? Será que se trata daquela citada na famosa história dos 3 irmãos Peverell e que é contada nos contos de Beedle, o Bardo ? Aquela que foi dada pela própria Morte a Antioch Peverell ?”, conjecturou Maria.
“- Muito provavelmente.”, aquiesceu Verus.
“- Na hora ninguém entendeu direito, mas ... agora que você mencionou ... acredito que seja isso mesmo”, declarou Marco.
“- Mas sempre achei que isso fosse apenas uma história para crianças.”, retrucou Maria.
“- Todas as histórias fantasiosas acabam sendo baseadas em algum fato verídico.”, falou o Dr. Gentili.
“- Bom, o caso é que a tal Varinha acabou se tornando propriedade de Harry Potter quando este desarmou Draco Malfoy. Pelo menos foi isso que eu e Jean Pierre entendemos.”, continuou Marco.
“- Foi por causa da Varinha das Varinhas que o Lorde ordenou a Nagini que me matasse. Ela pertencia a Albus Dumbledore. Voldemort a retirou do túmulo do diretor e, vendo que não conseguia fazer magia extraordinário com ela, achou que eu havia me tornado senhor da Varinha quando matei Dumbledore. Entretanto, Draco havia desarmado Dumbledore antes de eu tê-lo matado.”, explicou Verus. “- Ainda não acredito que o fiz, mas não tive escolha. O próprio diretor me obrigou a executá-lo diantes dos Comensais.”
“- Nós sabemos disso, meu querido. Você não teve outra alternativa.”
“- Não teve mesmo.”, concordou Marco.
“- E qual foi o fim da Varinha das Varinhas ?”, perguntou Verus.
“- Voou pelo ar quando Voldemort foi atingido, rodopiou e foi em direção a Harry Potter, que a pegou. Acredito que tenha voltado para seu verdadeiro dono.”, respondeu o irmão de Maria.
“- Então a Varinha pertencia mesmo a Potter.”, disse Verus. “- De qualquer maneira, antes de minha “morte”, o Lorde me falou sobre sua teoria em relação à Varinha das Varinhas.”
“- Só não entendo o motivo de ele ter usado Nagini para executar você.”, disse Maria.
“- O Lorde achava que, seu eu morresse, ele se tornaria o novo senhor da Varinha. Ele não sabia que precisaria desarmar seu dono primeiro para tê-la para si, assim como não sabia que a Varinha não me pertencia.”
“- O que nos leva a concluir que sua “morte” foi totalmente desnecessária. Entretanto, Voldemort estava tão acostumado a matar que não se deu conta de que isso não seria preciso. Sua sede de poder o deixou cego, totalmente descontrolado. A ambição foi sua ruína.”, falou Maria.
“- Sim, felizmente para todos ele cometeu vários erros e acabou vencido. E a organização que criou, apesar de ter abrangência mundial, era baseada no poder nele centralizado. Portanto, com a morte do Lorde, a “causa” ficou acéfala, enfraquecendo-se e dissipando-se rapidamente em todos os lugares. ”, completou Verus.
“- É verdade.”, concordou Ancilla. “- Ainda houve resistência em alguns pontos da Europa e América do Sul. Mas os Comensais não conseguiram sustentá-la por muito tempo. A última delas capitulou há 2 dias na Romênia.”
“- É bom que tudo esteja acabado. E o melhor de tudo é que os trouxas nunca se deram conta do que estava acontecendo. Tudo o que puderam perceber é que o clima enlouqueceu nos últimos meses e que vários fatos estranhos estavam ocorrendo. Entretanto, jamais saberão a verdadeira origem de todas as catástrofes que abalaram o mundo durante este período.”, constatou Verus.
“- Como costumo dizer,” – falou o Dr. Gentili – “a ignorância é a única fonte da felicidade absoluta.”
“- Concordo plenamente.”, assentiu Maria. “- Mas ... falando em catástrofes ... agora me lembrei de uma coisa ... Vittorio ? Qual o foi o fim dele ? Está preso ?”
“- Morreu na batalha de Torino. Achamos que vocês já soubessem.”, disse Loumenise.
“- O Profeta Diário jamais mencionou o nome dele. Apenas informou que a maioria dos Comensais estava morta e que os poucos fugitivos já haviam sido capturados. Talvez o nome de Vittorio não estivesse no jornal inglês pelo fato de ele ser italiano e de ter lutado aqui. Certamente não o conheciam na Inglaterra. ”
“- Sim, com certeza.”, falou Virgínia. “- Só fiquei com pena dos pais dele. Antônio e Gioconda estão inconsoláveis. Nós lhes mandamos um cartão apresentando nossas condolências. Nessa situação não há muito mais que possamos fazer.”
“- É mesmo muito triste ver um filho morrer assim.”, concordou o Dr. Gentili, balançando a cabeça. “- Também sinto pena dos dois. Espero que se recuperem deste baque.”
“- Vai demorar, mas estou certo de que irão se recuperar.”, disse Jean Pierre.
Todos ficaram calados por alguns segundos pois, apesar de tudo o que Vittorio fizera contra a família de Maria, os Gentili jamais quiseram mal aos di Trevi.
“- É verdade que Harry contou a Voldemort toda a verdade sobre Severus ?”, perguntou Maria, quebrando o silêncio.
“- Sim.”, assentiu Marco. “- E me parece que ele está fazendo questão de que Severus seja reconhecido como um verdadeiro herói nessa história toda.”
“- Eu lhe entreguei minhas memórias antes de “morrer”. O Profeta Diário mencionou ter sido através delas que Potter soube o que fazer.”
“- E na mesma edição Rita Skeeter conseguiu estragar tudo com aquele comentário infeliz onde questionava sua integridade moral.”, disse Maria, obviamente aborrecida com o fato. “- Snape: patife ou santo ? Jamais saberemos.”, continuou ela, citando o que lera no jornal.
“- A tal Skeeter não merece nossa atenção pois sempre viveu de escândalos e mexericos.” – falou Verus, acariciando os cabelos da esposa e a beijando-lhe carinhosamente o rosto, a fim de acalmá-la. “- Não se amofine por tão pouco, minha querida.”
“- Fico tão furiosa quando ouço falarem assim de você. Já suportei isso por tempo demais !”, retrucou Maria.
“- Simplesmente esqueça. Releve, figlia mia.”, pediu Virgínia. “- Há pessoas que vivem da desgraça alheia. Não há grande novidade nisso.”
“- Não há mesmo. Novidade seria se não fizessem comentários maldosos.”, concordou Verus. “- Por outro lado, Potter revelou-se em agradável surpresa para mim. Achei que fosse como o pai, mas me enganei. Ele tem muito da personalidade de sua mãe. Não pensei que ficasse tão empenhado em limpar meu nome diante da comunidade bruxa.”
“- Não o conheço muito bem, mas, pelo pouco que vi e percebi, Potter é um bom rapaz.”, disse Jean Pierre. “- Ele inclusive pediu ao Ministério que um retrato seu seja colocado junto ao de Albus Dumbledore na sala do diretor de Hogwarts. Com sua “morte”, o retrato deveria ter aparecido lá, mas isso não aconteceu e todos acham que é porque você fugiu de Hogwarts antes da batalha começar.”
“- Certamente o retrato lá apareceu algum tempo após a “morte” de Severus, só que não havia ninguém para vê-lo já que todos estavam concentrados em lutar contra Voldemort.”, disse Maria. “- Provavelmente os outros retratos estavam também empenhados em ajudar na batalha e não se achavam presentes na sala do diretor quando Severus morreu.”
“- Ou talvez o retrato tenha demorado a aparecer por causa da situação de luta em que Hogwarts se encontrava. Afinal, o castelo estava sob ferrenho ataque.”, sugeriu Loumenise.
“- De qualquer maneira, se o retrato chegou a tornar-se visível em algum momento, pendurado em uma das paredes da sala do diretor, simplesmente deve ter sumido assim que revivi graças a Maria e à poção “Semper Fidelis”, falou Verus, dirigindo um olhar carinhoso para a esposa e novamente acariciando seus cabelos. “- Sua rapidez em agir, aliada à sua admirável capacidade de raciocínio me livraram da morte.”
“- Não fiz nada demais. Agi conforme me ordenava meu coração.”, disse Maria, retribuindo com um beijo aos carinhos que recebia do marido. “- Quando à história do retrato ... todos sabemos que o castelo de Hogwarts é cercado por feitiços poderosos. Não se “deixaria” enganar pelas alegações de que você era homem de Voldemort. Mas é bom que todos pensem que o retrato não está lá por causa de sua fuga da escola e consequente demissão.”
“- Tudo conspira a nosso favor.”, concordou Marco.
“- Severus Snape está morto. Não há qualquer dúvida sobre isso.”, concluiu Verus.
“- E Verus Suffolk será o mais novo Auror do Ministério da Magia da Itália.”, declarou o Dr. Gentili.
“- O que foi que você disse, Ângelo ?”
“- É isso mesmo ... falei com Gino Mazzetti e tudo o que você terá que fazer é passar por alguns testes. Com a guerra contra Voldemort e os Comensais, vários Aurores infelizmente pereceram. O Ministério escontra-se com vagas abertas. Achei que uma dessas vagas lhe interessaria e fui conversar com o velho Gino. Disse-lhe que meu genro decidira deixar Seicheles, onde batalhara ferrenhamente contra os Comensais da Morte, e que estava voltando para a Europa pois sentia muita falta dos filhos e da esposa. Meu amigo não só gostou muito da notícia, como aceitou rapidamente sua inscrição. Os testes serão realizados daqui a duas semanas.”
Verus sorriu e foi até o sogro abrançando-o. “- Como pode ser que essa família só me traga coisas boas ? Tenho muito a agradecer por tudo o que vocês fizeram e têm feito por mim.”
“- Creio que o agradecimento não seja necessário.”, declarou Jean Pierre. “- Afinal, você combateu o bom combate e merece colher os frutos por isso. Não é a toa que a frase “Finis Coronat Opus" é o lema da República de Seicheles, que foi seu suposto lar durante todos esses anos.” (88)
“- É isso mesmo Gianino, o fim coroa a obra. A única coisa da qual me arrependo foi ter que contar uma meia-verdade para Gino. Afinal, Verus realmente batalhou contra os Comensais, só que não o fez em Seicheles e sim em Hogwarts. De qualquer maneira, foi por uma excelente causa. Tenho certeza de que não haverá no mundo Auror mais competente do que meu genro.”, disse Ângelo, após corresponder ao abraço. “- E agora, quero que você e Maria vão para sua casa e passem um tempo a sós para colocar os carinhos em dia. Nenhum casal merece ficar separado por um período tão grande.”, disse ele, olhando para os dois e piscando marotamente um dos olhos.
“- Pappà, mas os meninos vão ficar longe de nós ...”
“- Não seja tão dramática, figlia. Os elfos poderão levá-los até sua casa todos os dias e depois trazê-los de volta. O importante é que vocês tenham uma segunda lua-de-mel. Afinal, depois que meu genro for escolhido como novo Auror, ele terá muito trabalho a fazer. Aproveitem agora ... não se esqueçam que o contato íntimo entre o casal é muito importante na vida a dois ... não é Virgínia ?”
“- Ângelo ! Não me deixe sem graça !”, retrucou a Sra. Gentili, corando.
“- Não foi minha intenção fazê-la corar, cara mia. Só queria enfatizar a necessidade e importância do contato físico constante entre marido e mulher. Não vejo que mal há em falar sobre isso.”
“- É certamente muito importante,” – concordou Verus, livrando a sogra de ter que contra-argumentar com o marido – “além de ser um dos quatro direitos inalienáveis do homem.”, completou sorrindo.
“- Bravíssimo ! Você entendeu bem o espírito da coisa !”, aplaudiu Ângelo. “- E agora vão ... já estão perdendo tempo demais. E tratem de aproveitar esses dias a sós para me encomendar mais um neto ! Melhor ... dessa vez vamos caprichar pois eu quero uma netinha. Essa casa é muito grande ! Vamos aumentar a família !”
“- Pappà, estou muito velha para ter mais filhos !”, protestou Maria.
“- Que velha que nada ! Quando minha mãe nasceu, minha avó já passava dos 50. Ainda há bastante tempo para você ! E não estou pedindo nada demais ... apenas uma neta para ficarmos empatados com 4 meninos e 4 meninas. Afinal de contas, precisamos manter o equilíbrio populacional.”
Maria resolveu não retrucar. Conhecia o pai e sabia muito bem que ele falaria nessa neta até que conseguisse o que queria. Vendo-se vencida, levantou-se, tomou o marido pela mão e dirigiu-se para o jardim, sendo ambos acompanhados pelos Gentili. Os dois pegaram as vassouras que lhes foram oferecidas por Giggio, despediram-se da família e rumaram em direção à nova vida que os esperava.
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(88) “Finis coronat opus” – em latim – “O fim coroa a obra”