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15. CAPÍTULO XIV – A Busca Pelo Li


Fic: O Dote Espanhol - Concluida


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPÍTULO XIV – A Busca Pelo Livro das Rainhas


 


Hermione não resistiu. Retribuiu o beijo com ardor, erguendo as mãos trêmulas para acariciar o rosto de Harry. O simples contato de seus dedos com a pele dele provocou-lhe uma onda de calor.


Harry interrompeu o beijo apenas para tomá-la nos braços e acomodá-la em seu colo. Então, voltou a colar os lábios nos dela, enquanto sua mão deslizava por sobre o vestido de Hermione, até pousar sobre um de seus seios. Quando ela arqueou o corpo, suspirando de prazer, Harry não conteve um gemido rouco.


Hermione foi invadida por uma estranha sensação, como se seu corpo houvesse deixado de lhe pertencer, passando a ser domínio exclusivo de Harry. Mais incrível era o fato de que tal sensação não a assustou.


Ao contrário, excitou-a, e ela se sentiu entrando em mundo totalmente desconhecido, mas maravilhoso.


Harry desabotoou-lhe o corpete do vestido, para acariciar seus seios com maior intimidade.


- Hermione. – murmurou, enquanto seus lábios depositavam beijos nas faces e no pescoço dela.


Ao mesmo tempo, sua mão deslizou para debaixo da saia de Hermione, para subir por suas coxas, até descobrir-lhe o centro mais íntimo de sua feminilidade.


O contato inicial foi um choque para ela, mas o embaraço que ameaçou invadi-la, foi varrido pela correnteza do desejo e do prazer, provocados pelas carícias de Harry. Os lábios que beijavam seu pescoço foram descendo lentamente, até encontrarem um de seus mamilos, já rijo e ereto. Naquele momento, Hermione chegou a pensar que perderia a consciência. Nunca antes sentira nada parecido. Nem sequer imaginara existirem sentimentos como aquele.


Suas mãos acariciavam as costas e os ombros de Harry e, de repente, ela se deu conta de que queria sentir a pele dele sob os dedos. Queria tocá-lo como ele a tocava, beijar-lhe o pescoço, o peito, mordiscar-lhe a orelha.


- Ah, Harry... – sussurrou, com uma voz que já não parecia sua.


O cavalo relinchou e bateu com os cascos na terra, impaciente. Harry e Hermione imobilizaram-se. O mundo real invadira aquele momento de paixão.


- Meu Deus! – Harry murmurou, fechando os olhos e respirando fundo, antes de endireitar-se com relutância. – Qualquer viajante poderia nos ver. – Olhou em volta. – Onde estou com a cabeça? Bem, é óbvio que minha cabeça não estava funcionando.


Hermione deslizou para o banco da charrete, ruborizada pela constatação de como estavam expostos, ali. Começou a abotoar o corpete, com mãos trêmulas.


- Desculpe-me. Eu não deveria...


- Não foi culpa sua. Foi minha. Aqui estava eu, passando-lhe um sermão por ter acreditado que eu era um sedutor, e acabei atacando você como um animal faminto. Definitivamente, não tenho o menor controle, quando estou com você.


- O mesmo acontece comigo. – Hermione admitiu com honestidade, provocando uma nova onda de desejo em Harry.


- Ora Hermione, como espera que um homem exercite sua força de vontade, dizendo coisas assim? – ele indagou com uma risada.


- Harry... O que fizemos é mesmo tão errado?


- Errado? Não! Não creio que seja errado. Apenas inconveniente para o momento e o lugar. Acredito, sinceramente, que o que quero fazer com você é certo. Infelizmente, o mundo não é tão tolerante quanto gostaríamos.


- Tem razão.


Percebendo que Hermione mantinha os olhos fixos nas mãos cruzadas, Harry segurou-lhe o queixo, forçando-a a fitá-lo.


- Hermione, eu jamais faria qualquer coisa para magoá-la, ou torná-la infeliz, ou ainda, para arruiná-la aos olhos da sociedade. Não vou mentir. Desejo você como nunca desejei outra mulher, antes. Mesmo assim, a decisão terá de ser sua. Não quero persuadi-la, ou seduzi-la. Não vou me aproveitar de você.


Ela sorriu.


- Vejo quanto me enganei, ao pensar aquelas coisas horríveis sobre você. É um homem muito bom.


Harry devolveu-lhe o sorriso.


- Muita gente discordaria disso, mas fico satisfeito por você pensar assim. – Beijou-a de leve nos lábios e, então, apanhou as rédeas. – Agora, conversemos sobre amenidades. Assim, quem sabe, poderemos chegar em casa com algum ar de dignidade.


 


Hermione usou o vestido que lady Lílian lhe dera para o jantar daquela noite. Deleitou-se com a expressão de Harry ao vê-la. Olívia e Georgette ajudaram-na com o penteado, de maneira que seus cabelos claros emolduravam-lhe o rosto, realçando a cor de seus olhos. Lílian exibiu um sorriso satisfeito e lady Potter balançou a cabeça em aprovação. Hermione ainda teve a satisfação de ver os olhares incrédulos da tia e da prima.


Depois do jantar, quando todos se sentaram na sala de estar, Harry sussurrou-lhe:


- Está testando o autocontrole masculino, com esse vestido, Srta. Granger.


Hermione reprimiu o riso, mas seus olhos brilharam.


- Na verdade, cavalheiro, é exatamente essa a idéia.


Nos dias que se seguiram, os dois trabalharam arduamente na biblioteca, explicando aos parentes curiosos que Hermione estava ajudando Harry a catalogar os livros da família Potter. A tarefa já não era mais cansativa, ou tediosa. Uma vez esclarecidas as dúvidas de Hermione sobre o caráter de Harry, era fácil trabalharem juntos, conversando e rindo o tempo todo. Algumas vezes, as crianças os ajudavam, mas nem mesmo a perspectiva de encontrar o tesouro era mais atraente do que as brincadeiras barulhentas a que se entregavam, ao ar livre.


A tarde, Hermione e Harry saíam para uma cavalgada. Embora perdessem algum tempo com isso, o intervalo era revigorante. Joanna sempre tentava impor sua companhia, mas Harry vinha desenvolvendo uma habilidade invejável de evitá-la. O destino favorito do casal eram as ruínas de um antigo mosteiro. Situado junto a um riacho, era um lugar bonito e sossegado.


- Se eu quisesse esconder um tesouro – Harry declarou, ao desmontar, em sua primeira visita com Harry - escolheria este lugar.


- Eu também. – ela concordara, fascinada pela beleza das ruínas. – Acha que foi aqui que Margaret escondeu o dote?


- Não seria uma surpresa. Era um lugar conhecido e, certamente, ela foi trazida aqui.


Hermione olhou em volta.


- Ah Harry, não se sente tentado a procurar?


Ele riu.


- Sinto, mas não creio que tenhamos a menor chance de encontrar o tesouro. Em primeiro lugar, não podemos começar a cavar todo o solo, por aqui. Em segundo, não sabemos se o dote foi enterrado. Pode, simplesmente, estar em um aposento qualquer.


- Que tal atrás de uma parede? – Hermione sugeriu. – Uma sala secreta, talvez. Acha que o mosteiro tinha alguma parede falsa?


- Você é a sonhadora mais romântica que já conheci, Srta. Granger.


Sorrindo, Harry puxou-a para si e abraçou-a com força. Foi com dificuldade que resistiu ao impulso de beijá-la, mas lembrou-se de que prometera a si mesmo não tentar persuadi-la, ou seduzi-la.


Pela primeira vez em sua vida, Harry não sabia ao certo o que sentia, ou o que queria. De uma coisa tinha certeza: queria fazer amor com Hermione. Tinha de admitir que, quando fora visitá-la pela primeira vez, em Dunsleigh, fora a intenção de estabelecer um relacionamento passageiro com ela que o levara até lá. Hermione havia despertado o seu interesse, bem como o seu desejo. Embora sua política fosse evitar envolver-se com moças solteiras de boas famílias, Hermione se mostrara tão diferente das outras, que ele decidira quebrar as próprias regras.


Agora, porém, por mais que a quisesse, não seria capaz de arriscar a reputação dela, caso seu relacionamento fosse descoberto, ou se ela ficasse grávida. Nunca se preocupara com isso antes, pois, como a própria Hermione apontara, as mulheres com quem Harry costumava envolver-se eram experientes e saberiam como evitar problemas. Hermione, no entanto, era diferente... em muitos aspectos.


Portanto, Harry encontrava-se em meio a um dilema terrível. Ao mesmo tempo em que se recusava a arruiná-la, sabia que não suportaria desistir de levá-la para a cama. Havia apenas uma saída: o casamento. E a idéia de casar-se com Hermione era mais que interessante. A vida jamais seria tediosa, se ela fosse a sua companheira constante. Não teria de se preocupar com a paixão, pois a que existia entre eles era muito intensa. E, se um dia, tal paixão se dissipasse, como acontecera com todas as outras que ele sentira, ela continuaria sendo a melhor das amigas que um homem poderia ter. Harry sabia que, mais cedo ou mais tarde, teria de se casar, a fim de garantir a sucessão dos Potter. Hermione pertencia a uma boa família, por mais estranhos que os Granger pudessem parecer, às vezes.


O fato de ela não possuir fortuna não era problema, uma vez que Harry tinha dinheiro de sobra. Embora ela não fosse a beldade que as pessoas, certamente, esperavam que ele escolhesse para esposa, Harry a considerava muito mais bonita, com seus cabelos claros e olhos inteligentes, do que jovens como Joanna. E os filhos que ela lhe daria... Sentiu um forte aperto no peito, ao imaginar Hermione grávida. Ora, seus filhos seriam alegres e inteligentes, como Olívia, Crispin e Hart. Harry perguntou-se se Hermione lhe daria filhos gêmeos.


Sobressaltou-se ao perceber o rumo que seus pensamentos haviam tomado. Nunca antes pensara em casar-se. Seu pai fora um homem frio e o casamento dele com sua mãe não fora nada feliz. Harry crescera determinado a jamais cair naquela mesma armadilha, vendo-se preso a um casamento sem amor, com uma esposa apropriada, sentindo-se infeliz, entediado e, às vezes, furioso. Nunca lhe ocorrera a possibilidade de realmente amar uma mulher, ou de ser feliz ao lado de uma esposa. Até conhecer Hermione...


Por ser incapaz de definir os sentimentos que o assaltavam, decidira não tomar nenhuma atitude, até ter certeza do que queria, ou deveria, fazer. Por isso, tratou de conter os impulsos. Se começasse a beijar e acariciar Hermione, provavelmente, não conseguiria parar.


- Bem, – declarou em tom falsamente casual – é melhor voltarmos para o chá.


- Ah, sim. – Hermione replicou com um sorriso malicioso. – Deve estar ansioso para o seu encontro vespertino com Joanna.


Harry emitiu um gemido como resposta. Joanna vinha compensando as ausências dos dois, praticamente se atirando sobre ele na hora do chá. Não o deixava em paz nem por um segundo e as conversas que ele tentava estabelecer com qualquer pessoa eram prontamente interrompidas por Joanna.


- E você nunca faz nada para me ajudar! – ele protestou, ajudando-a a montar.


- Ora, você já é bem crescidinho! O mínimo que eu poderia esperar é que fosse capaz de defender-se dos ataques de uma mulher determinada.


- Determinada é muito pouco, para descrever as intenções de sua prima.


Com uma gargalhada, Hermione fincou os calcanhares em seu cavalo, e saiu a galope na direção da mansão.


 


À medida que os dias foram passando, os dois foram ficando desanimados por não conseguirem encontrar o Livro das Rainhas. Haviam deparado com algumas biografias da rainha Elizabeth, mas todas haviam sido escritas nos últimos cem anos. Portanto, tais livros nem precisaram ser examinados.


Quando terminaram com o mezanino, Hermione ficou profundamente preocupada, uma vez que os livros dispostos no primeiro andar eram bem mais recentes.


Ainda assim, continuaram procurando, até haverem examinado tudo o que havia na biblioteca. Nesse dia, sentaram-se a uma das mesas, desolados.


- Não está aqui. – Harry anunciou o óbvio.


- Existe algum outro lugar, na mansão, onde sua família costuma guardar livros? – Hermione perguntou, sem o menor entusiasmo.


- Meu pai e meu avô não tinham gosto pela leitura. É possível que alguns livros tenham sido guardados no sótão, por não serem bonitos como os demais. O interesse dos dois na biblioteca era puramente estético. Papai usava este aposento para fumar charutos e beber conhaque.


Hermione cerrou os olhos com um suspiro, ao pensar em iniciar uma busca em outro sótão abafado.


- Para ser sincero, – Harry acrescentou – meu maior receio é que tenha sido jogado fora.


- Não encontraremos o tesouro sem o segundo mapa! – Hermione choramingou. – Examinei o primeiro até meus olhos arderem, mas continua não fazendo o menor sentido.


- Sei disso. Também não reconheci nada sequer parecido com os arredores de Haverly. Perguntarei à minha mãe se ela se lembra de meu pai ter se livrado de alguns livros, ou de tê-los guardado no sótão.


Era uma verdadeira tortura imaginar que haviam trabalhado tanto e chegado tão perto, para serem frustrados no final, pela simples passagem do tempo. Harry detestava admitir urna derrota, em qualquer circunstância, e simplesmente não podia aceitar que o mistério permanecesse sem solução. Porém, deu-se conta de que o pior resultado de tudo aquilo seria ver Hermione voltar para casa.


Desesperado, pôs-se a pensar em uma solução. De repente, endireitou-se na cadeira.


- Claro! Como não pensamos nisso antes? A sala de estudos!


- O quê?


- A sala de estudos. Há uma porção de livros lá e papai não se incomodaria em fazer nada com eles.


Reanimados, iniciaram urna nova busca na sala de estudos, revirando prateleiras e armários, com a ajuda das quatro crianças. Porém, mais uma vez, o esforço foi em vão.


- Bem, – Hermione concluiu cansada – creio que não nos resta opção, senão examinar o sótão.


- Tem razão. – Harry concordou. – Perguntarei a mamãe e a vovó se elas sabem de algum outro lugar onde possamos encontrar livros.


Naquela noite, antes do jantar, ele foi ao quarto da mãe. Encontrou-a sentada diante da penteadeira, enquanto uma das criadas prendia seus cabelos. Lílian não escondeu o prazer de ver o filho.


- Harry, querido! Que bom vê-lo! Lembra-se de quando era pequeno e gostava de ficar aqui, enquanto eu me preparava para o jantar?


- Sim, é uma das lembranças mais agradáveis que tenho.


- Sente-se. – a mãe convidou-o, antes de virar-se para a criada. – Termine o meu penteado, Mary. Então, deixe-me a sós com meu filho. Tocarei a sineta, quando precisar de você novamente.


Conversaram sobre amenidades, enquanto Mary terminava o penteado da patroa. Quando a criada se retirou, Lílian inclinou-se para Harry.


- Agora, conte-me o que o trouxe aqui.


- Um filho não pode, simplesmente, visitar a mãe?


- Pode, em qualquer aposento da casa, mas como este é o único lugar onde ninguém vai nos interromper, imagino que o assunto seja particular.


Harry sorriu.


- Você é muito perceptiva, mamãe.


- Sou distraída apenas com algumas coisas. Agora, conte-me. Quer falar sobre a Srta. Granger?


- Por que diz isso?


- Não sou cega, Harry. Todos nesta casa já perceberam que você tem um interesse especial por ela. Até mesmo Sarah Yorke comentou sobre isso. Eu disse a ela que vocês são apenas bons amigos. Nem poderia ter dito qualquer outra coisa, uma vez que você não conversou comigo sobre as suas intenções.


Harry franziu o cenho.


- Não creio que esse assunto seja da alçada de mais ninguém, além de mim mesmo.


- Tem razão, mas passar o tempo todo na companhia dela, seja na biblioteca, cavalgando, ou conversando, após o jantar, pode encorajá-la a pensar que suas intenções são sérias. Além disso, dei a ela o vestido, seguindo à risca as suas instruções, embora não tenha contado a ninguém. O que estou realmente querendo dizer é que você não deve iludi-la.


- Eu jamais iludiria Hermione!


- O que pretende fazer, então? Com certeza, não planeja casar-se com ela.


- Por quê? Acha a idéia tão absurda? Há anos você me atormenta com essa história de que tenho de me casar.


- Bem, é claro que você deve se casar, pelo bem da sucessão. No entanto, nunca pensei... Ora Harry, não precisa me olhar desse jeito! Não tenho nada contra a Srta. Granger. É uma jovem muito agradável, embora quando fale de Shakespeare e coisas assim não compreendo muito bem o que ela quer dizer. E uma boa mulher, generosa e eficiente, mas...


- Mas o quê? – Harry pressionou, cruzando os braços sobre o peito.


- Ela não é a melhor esposa que você poderia escolher. Eu soube que a família dela encontra-se em situação financeira lastimável. E aquela tia! – Lílian revirou os olhos. – Nunca vi mulher mais detestável! E a filha é ainda pior!


- Também temos alguns parentes detestáveis. – Harry declarou com firmeza. – E dinheiro não é um dos requisitos que procuro em uma esposa.


- Mas Harry, ela já não é tão jovem e, bem, nunca foi pedida em casamento.


- Pouco me importa o gosto dos outros homens. Acho a Srta. Granger... incomparável, fascinante... bonita. Concordo que ela não tem uma beleza comum, mas você sabe muito bem que nunca me interessei pelo que é comum..


Lílian fitou-o, boquiaberta.


- Harry, está falando sério? Pretende casar com a Srta. Granger? Pensei que estivesse apenas se divertindo e...


- Não estou me divertindo com ela. Eu... Ora, não sei o que vou fazer! Considero Hermione interessante e agradável. Gosto muito de passar meu tempo com ela, mas não a estou iludindo. Estamos trabalhando juntos em um projeto. É por isso que temos estado juntos o tempo todo. Acredite. Ela não está alimentando esperanças de casamento.


- Um projeto? – Lílian repetiu confusa. – Do que você está falando?


- Trata-se dos nossos antepassados e se relaciona com a animosidade existente entre nossas famílias, por tantos anos, assim como as razões que levaram a isso.


- Ah, sim, um projeto histórico.


- Exatamente.


- Nunca entendi o seu interesse por história.


- Não é a única, mamãe. Porém, esse é um dos motivos pelos quais a Srta. Granger e eu somos amigos. Conversamos muito sobre interesses comuns.


- Compreendo. – a mãe murmurou em um tom que parecia indicar o contrário.


- Foi por causa desse projeto que vim procurá-la. Preciso da sua ajuda. Hermione e eu estamos procurando por um livro conhecido como Livro das Rainhas. Já ouviu falar dele?


- Não, querido, alias você sabe que conheço muito pouco sobre livros. E por isso que vocês dois têm passado tanto tempo na biblioteca?


- Sim, mas não o encontramos. Também procuramos na sala de estudos, sem sucesso. Existe algum outro lugar nesta casa, onde se guardem livros?


- Eu não saberia dizer... O sótão, talvez. Trata-se de um livro antigo? 


- Sim, muito antigo.


- Creio que alguns livros foram guardados lá, mas não posso afirmar com certeza. Pensarei mais sobre isso. Talvez eu me lembre.


Harry agradeceu a mãe com um beijo no rosto e dirigiu-se aos aposentos da avó. Já pronta para o jantar, ela estava sentada em uma poltrona, bordando.


- Harry, que surpresa! O que o traz ao meu quarto? Ainda não decidiu pedir a mão daquela jovem?


- Que jovem?


Lady Potter fez uma careta.


- Não se faça de tolo comigo, meu rapaz. Sabe muito bem a quem me refiro. À moça cuja companhia você tem monopolizado, desde que chegou aqui. A Srta. Granger.


- Só se fala sobre isso, nesta casa?


- Em um lugar sossegado como este, temos de nos agarrar a qualquer fofoca que seja. Mas só um idiota acreditaria ser possível desmanchar-se em atenções para com uma mulher, durante duas semanas, sem levantar suspeitas sobre estar apaixonado.


- Não estou apaixonado.


- Então, está pensando em se casar.


- Se eu decidir me casar, prometo que a senhora será a primeira a saber. Talvez a segunda.


- Provavelmente, a terceira. Bem, então, o que o trouxe aqui, se não veio pedir o meu conselho sobre uma proposta de casamento a uma Granger?


- Hermione e eu estamos tentando encontrar um livro antigo, sobre uma rainha, ou rainhas. Foi escrito há, pelo menos, duzentos anos.


- Espero que não esteja insinuando que sou velha o bastante para saber algo sobre esse livro! – lady Potter protestou, indignada.


Harry sorriu.


- Não, vovó. Só quero saber se a senhora já ouviu falar de um livro assim, desde que veio morar aqui.


- Mudei-me para cá há cinqüenta e cinco anos, mas nunca conversamos muito sobre livros. Seu avô não se interessava por leitura e acho que transmitiu esse sentimento ao nosso filho. Não me lembro de nenhum livro sobre rainhas. A propósito, sobre quais rainhas?


- Não sei. E por isso que é tão difícil encontrá-lo. Trata-se de uma referência na história da família.


- Há duzentos anos?


- Sim.


- Espera que um livro permaneça no mesmo lugar por tanto tempo?


- Deveria ser um volume importante, que não seria facilmente jogado fora.


- Não existia livro importante para o meu marido. O pai dele o forçava a lê-los, quando criança. Ele jurou que, quando se tornasse adulto, nunca mais leria um livro. E acho que manteve sua palavra. – Lady Potter fez uma pausa, antes de empertigar-se. – Acho que sei quem pode lhe dar uma informação mais precisa. Tia Liliane!


- A tia de vovô? Ora, da última vez que fui visitá-la, ela não sabia quem eu era. Como ela poderia se lembrar de algo dos tempos de sua infância?


- Não sei. As pessoas parecem guardar as lembranças mais estranhas, na memória. Especialmente, quando ficam velhas. – A postura ereta de lady Potter, bem como a expressão de reprovação, indicava sua convicção de que ainda lhe faltavam muitos anos para atingir tal condição. – Às vezes, lembram-se perfeitamente do passado distante, mas se esquecem do que aconteceu horas antes. Meu pai ficou assim. Pensei em Liliane porque ela sempre foi uma leitora ávida, como o pai de seu avô.


- Obrigado, vovó. Eu sabia que a senhora me ajudaria.


Curvando-se em uma reverência, Harry saiu do quarto, assobiando. Sentia-se mais animado. Talvez tia Liliane não fosse uma grande ajuda, mas seria melhor do que nada. Além do mais, visitá-la significaria passar horas com Hermione, longe de casa.


 


- Ela é irmã de seu avô? - Hermione perguntou, a caminho da casa de tia Liliane.


- Não, é tia de meu avô.


- Nossa! Deve ser muito velha.


- Tem mais de noventa anos.


- Nesse caso, ela pode saber algo sobre o Livro das Rainhas.


Hermione voltava a se sentir esperançosa. Quando Harry a convidara para visitar a tia, ela concordara por não querer perder a oportunidade de passar quase o dia todo a sós com Harry. Especialmente depois que ele respondera à sugestão de Joanna de que todos deveriam visitar a velha senhora, dizendo que tia Liliane estava fraca demais para receber mais que um ou dois visitantes por vez. Agora, porém, sentia-se animada por saber que a mulher poderia lhes dar alguma pista sobre o livro.


Demoraram três horas para chegar à casa antiga, construída no estilo dos Tudor.


- É linda! – Hermione exclamou.


- Tia Liliane mudou-se para cá quando ficou viúva. Não suportava a nora e, por isso, recusou-se a ir morar com o filho. Como já estava em idade avançada, a família preocupou-se com o seu bem-estar, vivendo sozinha, mas ela sempre foi um espírito independente. Eu costumava visitá-la, de vez em quando, e passava uma semana inteira aqui. Eu adorava todos aqueles livros e a maneira despreocupada com que ela encarava a vida. Comíamos nos horários mais estranhos e ela não se importava se decidisse desmontar alguma coisa, só para entender como funcionava.


- Parece gostar muito dela.


- Sim, muito. – Harry suspirou. – Mas é triste. Ela costumava ser tão animada e, agora, raramente sabe quem sou.


A criada conduziu-os até um quarto espaçoso, cujas janelas encontravam-se abertas. Diante de uma delas, tia Liliane encontrava-se sentada em uma cadeira de balanço. A postura curvada, os tufos de cabelos brancos escapando da touca escura e os olhos escuros emprestavam-lhe a aparência de um pássaro.


Ela fitou o casal por um longo momento, antes de apontar para uma cadeira. Harry ofereceu o lugar a Hermione e apanhou outra cadeira para, si.


- Rosemary? – a velha inquiriu, sobressaltando Hermione.


- Não, senhora. Meu nome é Hermione.


- Conheço você? – Liliane praticamente gritava, em conseqüência da audição estar prejudicada pela idade.


- Não, senhora.


- Tia Liliane, deixe-me apresentá-la a Hermione Granger.


- Granger! – a mulher arregalou os olhos. – Uma Granger em minha casa?


- Não – ele respondeu depressa, dando-se conta do erro que cometera. – Tranber. Eu disse Hermione Tranber.


Liliane assentiu, consciente da dificuldade que tinha em ouvir.


- Não conheço nenhum Tranber. – Examinou Harry por um longo momento. – Faz muito tempo que você não vem aqui, Edward.


- Não sou Edward, tia Liliane. Sou Harry, filho de Thomas. – Os nomes pareciam não significar nada para ela. – Neto de sir Richard.


- Você não parece Richard.


- Não, titia. Não sou Richard. Sou o neto dele.


- Richard não tem idade para ser avô. – ela declarou com irritação, mas, então, soltou uma risada alegre. – Ah! Você é o rapaz que se casou com Cecily, não é? Eu deveria ter adivinhado. Você sempre adorou pregar peças nos outros.


Liliane sorriu, aparentando gostar do rapaz que se casara com Cecily, apesar de suas brincadeiras. Harry suspirou e desistiu de esclarecer sua identidade.


- Viemos lhe perguntar sobre um livro, tia Liliane. – falou.


- Que livro? – ela olhou em volta, confusa. – Não tenho nenhum livro, aqui. Meus olhos já não servem para a leitura. A esposa do pastor vem me visitar e lê para mim. Pula todas as partes difíceis e pensa que não percebo. – O semblante da velha senhora tornou-se triste. – Bem, cada um tem de se contentar com aquilo que tem.


Sem saber o que dizer, Harry olhou para Hermione.


- Lembra-se da biblioteca da Mansão Haverly? – ela perguntou..


- E claro que me lembro! Que pergunta idiota!


- Desculpe, mas não a conheço bem.


- Sei disso. Você nunca me visitou com a mesma freqüência de sua irmã.


- Não... – Hermione hesitou, mas decidiu assumir o papel de uma outra pessoa, fosse quem fosse. – Mas minha irmã me falou sobre um livro. Foi a senhora quem o mencionou para ela. Trata-se de um livro sobre rainhas.


- Rainhas? – Liliane franziu o cenho. – Quais?


- Não sei. Esse livro estava na biblioteca da Mansão Haverly e era muito antigo.


- Ora, havia muitos livros antigos, lá, minha jovem. Seria uma biografia, ou um livro de história?


- Não estou certa. Minha irmã disse, simplesmente, Livro das Rainhas.


O semblante de Liliane suavizou e ela riu.


- É claro! Por que não disse logo? Quer saber sobre o Livro da Rainha. Posso lhe dizer tudo o que quiser saber sobre ele.


 


 


 


 


Agradecimentos especiais:


 


Nanny Black: Silverwod deve ter mesmo surpreendido. Adianto pra você que a Joanna não se jogou no lago não, ela foi realmente empurrada. Beijos.


 

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