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6. CAPÍTULO 4


Fic: A Próxima Vítima HG CAP 20 AO 24 ON COMENTE E VOTE


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 4


A semana passou num piscar de olhos. Na sexta-feira, o estado de espírito de Gina melhorara muito. Havia conseguido dar cabo de todo o trabalho burocrático acumulado e agora estava livre para fazer o que amava fazer.


Nem mesmo o encontro com a assistente de Rony conseguira abalar seu humor. Gina caminhava pelo corredor em direção ao seu escritório, quando Emily Milan a chamou. Ela virou-se e esperou que Emily a alcançasse. A mulher era quase dez centímetros mais alta que ela e, quando usava salto alto, ficava muito parecida com uma torre. Seu cabelo loiro era bem curto, cortado de forma irregular, emoldurando suas feições inesquecíveis. Tudo o que ela usava era de marca, desde as saias curtas até as jóias coloridas e ousadas.


Gina não gostava de Emily, mas tentava, o melhor possível, não deixar que seus sentimentos pessoais interferissem no ambiente profissional. Por alguma razão, Emily também não gostava de Gina. A animosidade de Emily com relação à Gina havia crescido e, nos últimos meses, sua hostilidade se tornara mais explícita.


— Rony quer que eu assuma a reunião que você estava encarregada de conduzir essa manhã. Acho que ele quer ter certeza de que tudo vai correr bem.


Aquilo era um insulto, que nem sequer tinha o caráter de ser velado. Gina teve de fazer força para se lembrar das razões pelas quais tinha de agüentar aquela mulher. Mesmo sendo bastante desagradável, ela era essencial para amenizar o fardo de Rony, e isso era tudo o que importava.


— Tudo bem — disse Gina.


— Vou precisar dos e-mails que Rony lhe mandou. Imprima-os e peça que sua assistente os entregue a mim.


Nenhum por favor ou obrigada, claro. Ela simplesmente deu meia-volta e foi embora. Gina respirou fundo, decidida a não deixar que Emily estragasse sua manhã. Pense em alguma coisa boa, ela disse a si mesma. Levou quase um minuto, mas ela acabou conseguindo. Ela não precisava trabalhar com Emily, o que era uma coisa definitivamente boa.


Na maior parte dos dias, Gina sonhava em ter um emprego fantástico porque sua função era distribuir recursos. Ela era administradora da Fundação Weasley. Sua avó Weasley foi quem deu início ao programa filantrópico, mas, quando sofreu um derrame fatal anos atrás, Gina, que já havia se preparado para ocupar o cargo, assumiu o comando. Ainda não era a fundação milionária que Gina esperava que fosse, mas era bem-sucedida e já havia fornecido recursos e equipamentos para muitas escolas e centros comunitários carentes. Agora, tudo o que ela precisava fazer era convencer seus irmãos a aumentar o orçamento. E isso não seria uma tarefa fácil, especialmente com Rony, cujo único objetivo se concentrava em expandir a rede de hotéis.


O Weasley de Chicago era apenas uma das jóias de Rony, mas era usado como modelo para outros empreendimentos. A excelência dos serviços prestados aos clientes era a prioridade número um e, por causa da atenção que os funcionários davam aos detalhes, o hotel havia recebido, desde sua inauguração, todos os prêmios de prestígio possíveis. A administração de todos os hotéis ia de vento e popa, pois Rony se dava ao trabalho de contratar pessoas que vestiam sua camisa e acreditavam em sua visão.


Quando Gina entrou em seu escritório, Henry Portman estava à sua espera. Enquanto não concluía a faculdade, seu assistente trabalhava apenas meio-período. O jovem afro-americano tinha o corpo de um leão de chácara, o coração de um leão verdadeiro e a mente de Bill Gates quando jovem.


— O dragão está procurando por você — foi a saudação que fez à Gina.


Ela deu uma leve risada.


— Eu encontrei Emily no corredor. Ela vai assumir a reunião das dez horas. Mais alguma coisa que eu precise saber?


— Tenho notícias boas e ruins.


— As boas primeiro.


— Estamos recebendo materiais de arte para mais duas escolas e tenho 16 cartas que aguardam sua assinatura. — Com um sorriso que ia de uma orelha a outra, ele continuou: — Dezesseis formandos que se destacaram no ensino médio terão a chance de ir para a faculdade com todas as despesas pagas.


Ela sorriu.


— Essas são realmente notícias muito boas. Em dias como hoje, eu amo meu trabalho.


— Eu também — disse ele. — Na verdade, na maior parte do tempo gosto muito do que faço.


— Quais são as más notícias?


Ela se sentou em sua mesa de trabalho e começou a assinar as cartas. Ao terminar, entregou cada uma a Henry, que as dobrava e as colocava num envelope.


— Tivemos um problema essa manhã. Bem... na verdade, o problema vem se arrastando há mais ou menos um mês, mas pensei que pudesse cuidar de tudo sozinho. Agora não tenho tanta certeza disso. Você se lembra de um cara chamado Morris? Peter Morris?


Ela virou a cabeça.


— O que é que tem ele?


— Há pouco mais de um mês, você negou-lhe uma doação. Imediatamente, ele respondeu à carta enviada com a negativa. Pensou que a causa pudesse ter sido algum tipo de erro de datilografia, que tivesse deixado alguma linha em branco ou qualquer problema no que ele chamou de 'pedido de renovação automático' e que, por isso, ele preencheu um novo requerimento. De qualquer maneira, na semana passada ele ligou várias vezes perguntando se havia uma data prevista para a liberação da próxima doação. Ele vivia com essa idéia maluca de que, uma vez aprovada a primeira, teria o direito de participar do programa ad eternum. Eu lhe passei todas as informações sobre o assunto — disse Henry. Enquanto continuava, ele balançou a cabeça. — Aí ele ligou de novo para me dizer que em sua opinião eu não sabia o que significava um pedido de renovação automático.


— Ele parece ser uma pessoa tenaz.


— Ele é um pé no... você sabe. Eu não queria incomodá-la com isso, mas o cara não desiste. Desde que você foi para Roma, ele vem intensificando o número de ligações. É como se ele estivesse envolvido numa campanha. Talvez ele pense que com a pressão eu acabe cedendo apenas para me ver livre dele.


— Se ele é assim tão chato, é melhor que eu fale com ele. Você pode me trazer a pasta dele? Devo ter tido um bom motivo para não ter aprovado.


— Já cuidei disso — disse ele, apontando para uma pasta sobre a mesa. Mas posso economizar um pouco de seu tempo lhe dizendo por que você o recusou. Ele não usou o dinheiro da primeira doação de forma apropriada. O dinheiro foi doado especificamente com o objetivo de comprar materiais para o centro comunitário.


— Sim, agora eu me lembro dele.


— Morris jurou que havia comprado novos materiais, mas que havia perdido os recibos.


— E o que foi que você disse a ele?


Henry deu uma risada.


— Eu lhe disse que tudo bem, que era bom saber, e depois perguntei a ele quando seria conveniente que eu, ou você, aparecesse por lá para dar uma olhada. Foi aí que ele perdeu o rebolado. Você devia ter visto como ele gaguejou!


Ela balançou a cabeça.


 — Falando às claras, ele não tinha os novos materiais para mostrar.


— Certo. Eu acho que ele não tem a menor idéia da encrenca em que se meteu. Quando os funcionários dele descobrirem que ele fez mal uso da grana, vão querer processá-lo. Eu faria a mesma coisa. — Ele continuou: — Mas não disse isso a ele.


— Como foi que você encerrou a conversa?


— Não posso dizer que nos tornamos bons amigos, se é isso o que você está querendo saber — disse ele. — É muito difícil ser educado com um idiota, mas fiz o melhor que pude. Ele quer vir até aqui para falar com você pessoalmente. Antes de desligar, ele me garantiu que poderia fazê-la mudar de opinião.


— Duvido.


— Foi exatamente o que pensei. Mas foi muito estranho. Ele agiu como se tivesse alguma ligação pessoal com você. Acho que ele pode ser um problema. Ele tem alguma coisa estranha que não consigo explicar. Eu não sei como ele conseguiu passar pela seleção inicial feita pelos contadores, mas com certeza ele deu um jeitinho. Eu realmente acho que você não deveria gastar seu tempo falando com ele. Mas, se você insistir e ele a ameaçar, acho melhor que você fale dele ao Rony.


Não foi a melhor coisa a dizer. O olhar que ela lançou ao seu assistente — que tinha mais de l,80m de altura — fez com que ela tremesse.


— Eu não pretendo envolver nenhum dos meus irmãos nessa conversa, Henry. Estamos entendidos?


— Sim, senhora, estamos entendidos.


— Se Morris vier até aqui nos ameaçar, eu avisarei os seguranças e chamarei a polícia. Agora chega de falar nele. As cartas já estão assinadas e prontas para serem enviadas.


Henry pegou os envelopes, estava pronto para sair.


— Mais uma coisa — disse ela. — Você pode imprimir os e-mails do Rony? Neles existem instruções para a reunião que Emily vai conduzir.


— Quer que eu os leve para ela? — perguntou ele. Sua expressão era patética.


Ela deu uma risada.


— Não se preocupe, você vai sobreviver.


Ele limpou a garganta e aproximou-se.


— Sobre o Rony...


— Sim?


— Talvez eu não devesse lhe dizer isso, mas, da maneira como eu vejo as coisas, eu trabalho para você e não para seu irmão, certo?


Ela lançou um olhar para ele.


— Certo.


— Há algumas semanas, ele veio até aqui. Como você não estava, ele me disse que, no caso de algum problema, eu deveria mantê-lo informado.


Ela tentou não se irritar.


— Rony tem complexo de pai.


— Eu disse a ele que não havia nenhum grande problema e que estávamos nos saindo muito bem. E estamos mesmo, você não acha? Estamos fazendo um belo trabalho.


— É verdade. Estamos, sim.


Ao fechar a porta, ele se lembrou de mais uma coisa.


— Esqueci de mencionar que, na semana passada, encontrei o dragão aqui.


— Em meu escritório? O que é que ela estava fazendo?


— Ela me disse que estava colocando alguns papéis em sua mesa, mas, depois que ela saiu, eu dei uma olhada e não vi nada de novo. Acho que ela estava dando uma de espiã. É bem possível que ela tenha mexido em seu computador.


— Você tem certeza disso? — perguntou ela, curiosa por saber o que Emily poderia estar procurando. Quanto mais pensava no assunto, mais Gina se irritava.


— Posso dizer que sim. Você sempre desliga seu computador no final do expediente e eu havia acabado de chegar, no dia seguinte, quando a peguei aqui. Até que ela é bem corajosa, não é? — Aquilo era um eufemismo. Antes que Gina pudesse responder, Henry disse: — Eu acho que nós deveríamos começar a trancar essa porta, de modo que o dragão não possa entrar.


— Você precisa parar de chamá-la de dragão. Qualquer dia desses, você deixa isso escapar na frente dela.


Ele encolheu os ombros, deixando-a saber, sem usar nenhuma palavra, que não dava a mínima para isso.


Gina trabalhou até as sete e meia e depois subiu até sua suíte, a fim de se refrescar um pouco.


Como estava a apenas sete quarteirões do The Palms, Gina resolveu caminhar. No caminho de volta, ela deixaria os relatórios das doações no escritório do advogado. Ela também queria dar uma passada na Dickerson, uma loja de produtos para banho, para comprar uma loção hidratante favorita de Luna. O aniversário de sua amiga estava se aproximando. Gina já havia comprado uma linda bolsa Prada que Luna havia gostado e pretendia enchê-la com todas as coisas que ela gostava. Se tivesse tempo, pararia na Neiman Marcus para comprar um perfume da Vera Wang. Nesses últimos tempos, esse era o único perfume que Luna usava.


Gina decidiu que uma caminhada lhe faria bem. Tinha esperanças que o exercício fosse bom para espantar seu mau humor. O fato de saber que Emily estivera bisbilhotando em seu escritório a deixara furiosa. E ela ainda não havia conseguido superar o fato.


Ao cruzar o saguão, ela ainda pensava na invasão de privacidade que sofrerá. Viu que Emily caminhava em direção à recepção e decidiu confrontá-la.


— Emily, você tem um minuto? Eu gostaria de falar com você.


Emily virou-se e, com expressão irritada, disse:


— Sim, claro.


— Henry mencionou que a encontrou em meu escritório na semana passada.


Gina esperava uma resposta negativa e surpreendeu-se quando Emily disse:


— Sim, é verdade.


— O que você estava fazendo lá?


— Fui colocar alguns papéis em sua mesa.


— Por que você não os entregou ao Henry ou deixou sobre a mesa dele?


— Eu não queria que eles fossem parar no lugar errado.


Em vez de olhar diretamente para Gina, Emily olhava para algum lugar acima dos ombros dela, deixando bem claro que, para ela, aquela conversa não tinha a menor importância.


— Henry nunca coloca as coisas no lugar errado. — Ela estava pronta para tecer elogios ao seu assistente, mas Emily não ficou muito tempo por perto para ouvir.


Sem olhar para trás, ela começou a se afastar dizendo:


— Ele não sabia onde tinha colocado o relatório do Rony, não é mesmo?


— Não, isso não é verdade — disse ela, enfaticamente.


— Então, deve ter sido você.


Emily continuou caminhando. Gina não estava disposta a bater boca com aquela mulher, muito menos correr atrás dela, mas estava ficando cada vez mais difícil relacionar-se com aquela megera. Alguma coisa tinha de ser feita e logo. Conte até dez e pense em alguma coisa boa, ela disse a si mesma. Alguma coisa positiva.


Ao sair do hotel, ela notou de imediato que o dia estava lindo. A névoa cinzenta havia se dissipado e o sol brilhava com intensidade. O céu mostrava um perfeito tom de azul. Flores primaveris começavam a desabrochar nos enormes potes de cerâmica da calçada. Mais uma vez, ela respirou fundo e começou a espirrar logo em seguida. A quantidade de pólen no ar deve estar alta, pensou. Entretanto, seus olhos não estavam ardendo e ela espirrou apenas umas seis ou sete vezes.


As coisas pareciam estar melhorando. Ela estava conseguindo manter seu bom humor. Controle da mente sobre o corpo, ordenou a si mesma.


Em seguida, ela encontrou seu primeiro desprezível do dia, numa esquina das ruas Michigan e Superior, enquanto aguardava o farol abrir. Um homem já avançado na meia-idade, que parecia não se importar com o número de pessoas que o observava, apalpava uma garota mignon, de cabelos vermelhos, que Gina imaginou ter mais ou menos 18 anos. O riso dela, estridente, teria o poder de estilhaçar cristais. Gina segurou a alça de couro de sua bolsa com força e mordeu a língua para não ceder à tentação de verbalizar sua opinião.


Ela encontrou outro casal ridículo, cuja diferença de idade entre eles era enorme, enquanto se dirigia à Neiman Marcus. Quando finalmente chegou ao restaurante, estava irritada e enjoada.


Kevin estava de serviço hoje. Alto e magricela, o rapaz de 20 anos tinha cabelos escuros e espetados e olhos amendoados. Ele era o melhor amigo de Henry. O sorriso dele fez com que seu humor melhorasse um pouco.


— Você está linda hoje, Gina — disse ele, depois de medi-la da cabeça aos pés. — Essa roupa acentua suas...


Ela levantou uma das sobrancelhas.


— Minhas o quê?


"Curvas", sussurrou ele, e teve a cortesia de enrubescer.


Antes que ela pudesse dar uma resposta, ele se inclinou sobre o pódio para olhar os sapatos dela.


— Ei, eles são da Jimmy Choo?


Ela deu uma risada.


— O que você sabe a respeito de sapatos Jimmy Choo?


— Não muito — admitiu ele. — Mas minha namorada os cobiça com todas as forças e, como a senhora é tão elegante, imaginei que tivesse algumas centenas deles.


— Kevin, eu não tenho centenas de nada e, não, esses não são sapatos Jimmy Choo. Esse seu brinco é novo?


Ele concordou com a cabeça:


— Carrie me deu de presente pelo nosso sexto mês de namoro. Meu pai odiou, mas ele está tão contente com minhas notas que achou melhor não criar caso. Carrie está tentando convencer Henry a comprar um igual.


Kevin percebeu que o sr. Laggia, dono do restaurante, vinha na direção deles.


— Hum, oh — murmurou ele. — O Laggia está vindo para cá. Lembre-se de elogiar as samambaias. O cara está completamente obcecado por elas.


Gina deu um sorriso para o dono, que se aproximava.


— Adorei a nova decoração, sr. Laggia. Essas samambaias são simplesmente maravilhosas.


Seu rosto iluminou-se de prazer.


— A senhora notou?


Como poderia não ter notado? Elas estavam por toda parte.


— Claro que sim — disse ela.


— A senhora não acha que ficou parecendo um pouco... floresta demais?


— Não, claro que não.


Apesar de lembrar um pouco o tema "floresta" presente, o lugar não era opressivo e as samambaias colocadas sobre cada cubículo proporcionavam aos clientes a sensação de estarem numa sala reservada.


— Quantas pessoas? — perguntou Kevin.


— Três — respondeu ela. — Luna fez uma reserva para meio-dia e meia. Cheguei um pouco cedo.


— Conduza a senhorita até a seção quatro — disse Laggia. — Acabei de colocar lá alguns fícus. Eles estão exuberantes.


Kevin permaneceu ao lado do homem atarracado, virando os olhos e sorrindo. Ele lhe mostrou uma mesa completamente circundada por fícus, palmeiras e samambaias. Mione e Luna estavam atrasadas. Na tentativa de enganar o estômago, Gina bebeu um pouco de Sprite e estava começando a ficar relaxada quando — por Deus! — outro daqueles casais repulsivos entrou no restaurante. Mais uma vez, ela tentou pensar positivo. Talvez o senhor grisalho fosse pai ou avô da mocinha. Quando Kevin passou diante de seu cubículo ao conduzi-los, ela reparou que a mão do senhor de idade escorregou pelas costas da moça. Estaria ele guiando-a ou apalpando-a?


Gina sabia que estava se tornando obsessiva, mas não se importava nem um pouco com isso. Estava determinada a descobrir se a garota superdotada era neta ou namorada do sujeito. Ela se inclinou um pouco e observou-os enquanto caminhavam. Inclinou-se cada vez mais a fim de observá-los. Acabou perdendo o equilíbrio e teria batido a cara no chão, se não tivesse se agarrado na beirada da mesa.


Sentiu-se uma idiota. Empertigou-se, ajeitou a toalha branca, que quase arrancara da mesa, e apoiou as costas no assento. Esqueça, disse a si mesma. Esqueça.


Tudo o que ela podia ver era o alto da cabeça do homem. Mas precisava saber. Por isso, resolveu ficar de joelhos para observar o casal, mas as plantas alinhadas acima de cada cubículo impediam qualquer visão. Ela afastou as folhas exuberantes. Uma delas soltou-se e atingiu-lhe o rosto. Mas isso não seria um impendimento. Ela localizou a garota ao se sentar num cubículo ao fundo da sala. O senhor idoso não se sentou na frente dela. Gina aumentou a distância entre as folhas no momento exato em que ele se sentava ao lado da garota. Kevin entregou-lhes o menu. Ele nem sequer havia se virado para voltar ao seu pódio e o velhote já tinha colocado o braço nos ombros da garota, inclinando-se sobre ela e beijando-a.


— Libertino — sussurrou ela.


— Fazendo um pouco de jardinagem?


Gina deu um pulo ao ouvir a voz de Luna. Rapidamente soltou a samambaia e voltou a se sentar.


— Você está atrasada.


Luna ignorou o comentário.


— O que você estava fazendo? Olhando para algum homem maravilhoso, espero.


— Nada disso, estava observando outro desprezível.


— Então, você continua com essa mania?


Gina concordou com a cabeça.


— Não consigo evitar. Juro, eles estão por toda a parte.


Luna deu uma risada. Gina a achava parecida com uma adolescente. Seus cabelos estavam presos num rabo de cavalo e suas bochechas estavam vermelhas por ter corrido tanto. Como estava sempre atrasada, Luna vivia correndo. Naquele dia, como em todos os outros, ela estava linda.


— Essa blusa é nova? Gostei.


— Eu já tenho muita roupa cor-de-rosa — disse Luna. — Mas quando vi essa não resisti.


O garçom apareceu e anotou o pedido de bebida para Luna.


Gina olhou para a entrada do restaurante e disse:


— Mal posso acreditar que você tenha chegado antes da Mione. O que será que está acontecendo? Ela nunca se atrasa.


— Eu lhe disse que ela não precisava chegar até um pouco depois da uma hora — disse ela.


O garçom havia retornado com um enorme copo de chá gelado. Imediatamente, Luna despejou no copo o conteúdo de três envelopes de açúcar.


— Por que foi que você disse isso a ela?


— Ela já sabe tudo o que quero falar com você. Já faz mais de um mês que eu a arrastei para essa história, mas não queria incomodar você porque você estava viajando muito.


— Eu só fui até Roma.


— Desculpe. Antes de Roma você esteve em Houston, Miami e...


— Los Angeles — contribuiu ela. — Tem razão. Parece que viajei bastante nos últimos dois meses. Então, conte-me. Que história é essa para a qual você arrastou a Mione?


— O plano.


Além de ter pronunciado a palavra com prazer, Gina vira os olhos da amiga se iluminar.


— Você me parece terrivelmente séria, Luna. Vamos, conte-me sobre o plano — acrescentou ela, exagerando nas palavras.


— Não tire sarro de mim.


Gina levantou uma das mãos.


— Eu não estou tirando sarro. Juro sobre seu chá gelado.


O garçom escutara as palavras "chá gelado" e, alguns minutos depois, outro enorme copo de chá foi colocado na frente de Gina. Em vez de dizer ao homem extremamente prestativo que não queria a bebida, ela simplesmente o agradeceu.


Luna cruzou as mãos.


— Para começar, os planos para essa noite foram alterados.


— Não vamos mais jantar juntas?


— Claro que vamos. Mione já fez a reserva. Mas primeiro vamos a uma recepção. — Ela abriu a bolsa, tirou um maço de papéis dobrados e colocou-os sobre a mesa.


— O que é isso?


— Explico em um minuto.


— Tudo bem. Conte-me sobre a recepção.


Luna estava franzindo a testa para um grupo de executivos sentados numa longa mesa que estava ao lado da delas.


— Alguma coisa errada?


— Aqueles homens estão olhando para você.


— Eles não estão olhando para mim. Estão olhando para você — disse Gina. — É melhor ignorá-los.


— O que está sentado à cabeceira é uma gracinha.


Gina não olhou:


— Conte-me sobre a recepção.


Finalmente, Luna dispensou à Gina atenção irrestrita.


— É destinado a todos os que se inscreveram com antecedência no seminário que nós três vamos participar.


Ela despejou sua história sem pensar muito e, em seguida, ofereceu à Gina seu mais iluminado sorriso. Não funcionou.


— Eu não posso participar.


— É claro que pode. Você voltou de Roma completamente estressada, depois de ter ficado na mesma suíte em que seu padrasto desprezível; para usar a expressão que você adora. Esse seminário será uma experiência completamente diferente e... muito nobre. Sim, vamos fazer uma coisa muito nobre.


— Como assim nobre?


Luna inclinou-se para frente. Em um sussurro, disse:


— Nós vamos pegar um assassino.


 


 


 


 


 


 


 


Carol- Oi galeraaaaaa!!!


Mais um novo cap espero que estejam gostando.


O que você achou desse cap? Deixe seu comentário!


Fiquem todos com DEUS


Carol


 Saarinha- Oi que bom que esta gostando da Fic. Realmente um primeiro dia de escola como aquele ninguém precisa rsrs!Bom em relação ao Harry logo logo ele estará aparecendo...


Bjs fica com DEUS


Carol


 Romero – Oi! Eu Tb amoooooooooo fic de suspense e bem mais instigante né!


Bom espero que vc curta bastante essa aqui bjs fica Deus? 


 

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