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14. CAPÍTULO XIII - Silverwood


Fic: O Dote Espanhol - Concluida


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPÍTULO XIII - Silverwood


 


Hermione começou a correr. O grito repetiu-se várias vezes. Harry passou por ela, também correndo na direção do lago. Alguém estava se afogando. Ao se aproximar, Hermione descobriu ser Joanna. À margem do lago, todos corriam e gritavam, formando uma cena caótica.


- Levante-se! – Crispin gritava. – Não é fundo!


Joanna, porém, desapareceu sob a água, reaparecendo em seguida.


Harry tirou o casaco e as botas e entrou no lado. Quando alcançou Joanna, abaixou-se para tomá-la nos braços. Hermione não pôde deixar de notar que água não chegava sequer à altura da cintura dele. Também notou, quando Harry saiu da água com sua prima nos braços, que a blusa encharcada de Joanna tornara-se quase totalmente transparente.


- Eu disse que não era fundo. – Crispin comentou. Harry acomodou Joanna no chão e ia se levantar, quando ela se agarrou em seus ombros.


- Obrigada, Harry! Você salvou minha vida! Foi muita sorte você estar aqui.


- Não precisa me agradecer. – ele replicou em tom seco.


- Devo minha vida a você.


Aquilo foi demais para Crispin, que perdeu a paciência.


- Joanna, sua tola! O lago não é fundo o bastante para alguém se afogar. Eu disse a você que bastaria se levantar.. Não me ouviu?


- Mort, o cavalariço, disse que o lago é inteiro raso. Pode-se atravessá-lo andando. – Hart acrescentou.


- Eu quase me afoguei! – Joanna insistiu, furiosa. - Provavelmente, foi um de vocês quem me empurrou!


- O quê?


- Joanna, não minta. – Olívia intercedeu. – Você escorregou e caiu.


- Não! Senti alguém me empurrar. Não vi quem era, mas imagino que tenha sido um desses dois demônios.


- Não fomos nós! – Crispin e Hart negaram em uníssono.


- Isso não é justo. – Crispin continuou. – Se não viu quem foi, como pode nos acusar?


- Quem mais faria uma coisa dessa? – Joanna argumentou.


- Você não quer admitir que cometeu uma idiotice tão grande, quanto cair no lago Hart zombou.


- Tenho certeza de que ninguém teve culpa. – Hermione declarou com firmeza. – Essas coisas acontecem.


- Sim, sim, tem razão. – a Srta. Yorke concordou, obviamente perturbada pelo que acabara de acontecer. - Ninguém teve culpa.


Uma das criadas apanhou um cobertor e cobriu as roupas molhadas de Joanna, que mal pôde disfarçar a irritação.


Hermione fazia idéia de como Joanna acabara dentro da água. Certamente, vira Harry seguir na direção que Hermione desaparecera e decidira trazê-lo de volta a qualquer preço. Sabendo que o lago era tão raso, sabia também que teria tempo de sobra para gritar e fingir que se afogava, sem correr nenhum risco verdadeiro, até Harry chegar para salvá-la. Era o tipo de atitude que Joanna tomaria. Infelizmente, Hermione não poderia provar nada.


- Joanna! Minha filhinha! – Tia Ardis aproximou-se aos berros, tomou a filha nos braços e apertou-a contra si. – Você está bem, minha filhinha?


- Sim, estou bem, mamãe. – Joanna respondeu, impaciente, lutando para desvencilhar-se do abraço, para voltar a se debruçar em Harry.


Harry, porém, aproveitara a oportunidade para recuar alguns passos, colocando-se fora do alcance dela. Mas ela não se deu por vencida.


- Por favor, Harry, poderia me carregar até a carruagem? – implorou com voz fraca. – Não terei forças para caminhar até lá e preciso voltar para casa. Não posso ficar mais aqui.


Embora não parecesse entusiasmado com a idéia, Harry não poderia negar tal pedido. Abaixou-se, tomou-a nos braços e seguiu para a carruagem.


Hermione observou-os. O dia já não fora dos melhores e, agora, seria encerrado com chave de ouro, uma vez que ela teria de voltar para casa na carruagem apinhada, com Joanna encharcada a seu lado. De repente, uma idéia maligna lhe ocorreu. Virou-se para Sarah e disse:


- Ah, meu Deus! Srta. Yorke, acho que não haverá espaço para todas nós na carruagem.


- Tem razão. – a outra concordou desapontada. - Seguirei com os criados.


- De maneira alguma! Por que não volta no cavalo de minha prima?


Hermione foi duplamente recompensada, tanto pelo brilho que iluminou o semblante de Sarah, quanto pelo olhar irado que Joanna lhe lançou. Sabia que a prima egoísta não queria mulher alguma perto de Harry, nem mesmo a quieta e tímida srta. Yorke.


- Receio não cavalgar bem para... – Sarah começou a lamentar, mas Hermione interrompeu-a.


- Não se preocupe. Joanna só monta cavalos muito mansos. Além do mais, sir Harry estará ao seu lado, caso precise ele ajuda.


- Bem, se acha boa idéia...


- Acho a idéia excelente. – Harry declarou. – Como sempre, a Srta. Granger ofereceu a solução perfeita.


Sorridente, Sarah acompanhou Harry. Hermione entrou na carruagem, recendo mais um olhar fulminante de Joanna.


- Fico contente pela Srta. Yorke. – Lílian comentou. - Ela merece se divertir mais um pouco.


- Concordo. – Hermione falou, sorrindo para a prima. – Tudo acabou se encaixando perfeitamente, não acha?


Na manhã seguinte, quando Hermione deixava a mesa do desjejum, Harry perguntou, em tom seco e formal, se ela desejava trabalhar na biblioteca. Ela respondeu em tom semelhante e os dois se fecharam, mais uma vez, trabalhando em silêncio, em lados opostos do aposento. Mais tarde, as crianças se ofereceram para ajudar e, por algum tempo, a biblioteca ficou mais alegre.


Porém, o trabalho cansativo e tedioso logo os afugentou.


Harry e Hermione retomaram o silêncio de antes.


O trabalho era não só maior como também muito mais demorado do que ela havia imaginado. Afinal, nem sabiam exatamente que tipo de livro procuravam.


Ao longo da tarde, Hermione se deparara com dois volumes que poderiam ser o livro em questão, mas depois de examiná-los, não havia encontrado qualquer evidência de um mapa. Harry também descobrira alguns livros que poderiam ser o objeto de sua busca, mas também acabara decepcionado.


Hermione deu-se conta de que poderiam demorar dias, ou até mesmo semanas, para encontrar o livro certo. O problema era que, a cada minuto que passava perto de Harry, seu sofrimento aumentava. Tinha saudade de quando eles riam juntos e conversavam sobre os assuntos mais diversos. Agora, diziam apenas o que era necessário, e raramente fitavam-se nos olhos.


À noite, Hermione não desceu para jantar, preferindo comer na companhia das crianças. Retirou-se logo para seu quarto, pois não tinha disposição de participar do jogo animado do quarteto, nem queria estragar a brincadeira dos mais jovens, com seu humor sombrio. Quando tentava pensar em algo que pudesse distraí-la, ouviu uma batida na porta.


- Entre. – falou e surpreendeu-se ao ver lady Lílian entrar.


Ficou curiosa com relação ao que parecia um grande pedaço de tecido, que a mãe de Harry carregava no braço, mas não disse nada.


- Olá, querida. Eu queria me certificar de que você está bem, uma vez que não desceu para jantar.


- Sinto muito se a deixei preocupada. Acho que meu bilhete não foi claro. Estou me sentindo bem. Apenas achei que deveria jantar com meus irmãos, pois é assim que fazemos em casa e...


- Não precisa explicar. – Lílian interrompeu-a com um sorriso. – Essa não foi a única razão que me trouxe aqui. Posso estender isto sobre a cama?


- Sim, claro.


Foi somente quando Lílian estendeu o tecido sobre a cama, que Hermione deu-se conta de que se tratava de um vestido. Feito de seda finíssima, cor de alfazema, era o traje mais lindo que ela já vira.


- E muito bonito! – exclamou.


- Gosta? Bom. – Lílian sorriu. – Mandei fazer este vestido há algumas semanas, mas ele só me foi entregue hoje. Quando o experimentei, descobri que não ficou bem como eu imaginava. Cá entre nós, acho que ganhei alguns quilos, desde que o encomendei. Então, achei que, talvez, sirva em você.


- Bem, eu... – Hermione havia adorado o vestido, mas algo lhe dizia que seria errado aceitá-lo. – Ora, certamente, a senhora não vai, simplesmente, se desfazer de uma roupa tão fina.


- O que mais posso fazer? Não poderei usá-lo, pois minha sogra faria um escândalo se me visse com um vestido tão justo. E Georgette é jovem demais para vestir um modelo assim.


- Deve haver mais alguém...


- Ah, desculpe-me! Se não gostou, compreendo. Eu jamais...


- Não! Por favor! Adorei o vestido. Apenas...


Seria impossível explicar o sentimento provocado pela idéia de usar a roupa de outra pessoa. Lady Lílian jamais compreenderia, pois nunca em sua vida precisara da caridade de ninguém.


- Por que não experimenta? – Lílian sugeriu.


- Está bem. – Hermione concordou, descobrindo que não resistiria à tentação.


Com a ajuda da mais velha, trocou de vestido e, assim que se viu no espelho, apaixonou-se. Era exatamente o que ela estivera desejando, na véspera. O vestido não só lhe servia como se houvesse sido desenhado para ela, como também a cor do tecido proporcionava o complemento perfeito para seus olhos e cabelos. Pensou em usá-lo no jantar da noite seguinte, perguntando-se se a expressão de Harry mudaria quando ele a visse.


- Ficou maravilhoso em você! – Lílian exclamou. - Ah, minha querida, você tem de aceitar este presente!


- Está bem. – Mais uma vez, Hermione foi vencida pela tentação: – Muito obrigada, lady Lílian.


- È um prazer, minha querida.


Na manhã seguinte, quando Hermione desceu para tomar o café da manhã, Harry já deixara a mesa. Assim, depois de comer, ela foi à biblioteca. Ele estava lá, mas não examinava livros. Sentado a uma das mesas, lia um jornal. Ao vê-la, levantou-se e cumprimentou-a:


- Bom dia, Srta. Granger.


- Sir Harry...


- Notei que não desceu para jantar, ontem. Espero que não tenha tido problemas de saúde.


- Não. Jantei com as crianças. Tenho negligenciado meus irmãos, ultimamente.


- Compreendo... Bem, vamos trabalhar?


Subiram a escada e tomaram os lugares de costume.


Poucos minutos depois, Hermione foi tomada pela desagradável sensação de que estava sendo observada. Virou-se e descobriu Harry realmente parara de trabalhar e a fitava.


- O que foi? – perguntou apreensiva.


Ele abriu a boca para dizer alguma coisa, mas mudou de idéia e fechou o livro que tinha nas mãos com um gesto rude.


- Muito bem. – declarou. – Já chega!


Desceu a escada e tocou a sineta. Quando um criado apareceu, deu-lhe algumas ordens em voz baixa e, então, voltou a subir. Hermione observou tudo em silêncio, sem saber o que estava acontecendo.


- Venha. – Harry ordenou, puxando-a pela mão. - Acho que já é tempo de você ver uma coisa.


- Ver o quê?


O contato da mão de Harry na sua provocou-lhe tremores indesejados. Hermione disse a si mesma que não passava de uma grande tola, mas não foi capaz de controlar os sentimentos, nem de resistir a ser levada por ele.


Quando Harry abriu a porta lateral, ela perguntou, aflita:


- O que está fazendo? Aonde vamos?


- Logo vai saber. – ele disse, dirigindo-se ao estábulo. – Vamos fazer uma visita.


- Uma visita? Do que está falando? Temos muito trabalho a fazer.


- Mas não consigo fazê-lo. Ao menos, não até esclarecer isso.


Hermione sentiu um calafrio na espinha.


- Esclarecer o quê?


- Por que você tem de fazer tantas perguntas? – ele retrucou, irritado.


- Porque você me arrastou para fora da biblioteca, e se recusa a dizer para onde está me levando!


Um cavalariço conduziu uma charrete para fora do estábulo e, sem dizer nada, Harry ajudou-a a acomodar-se no veículo. Então, tomou as rédeas e saiu em disparada.


- Estou saindo sem chapéu e sem luvas! – Hermione protestou. – Não posso visitar alguém, vestida como estou!


- Não se preocupe, pois não há formalidade, lá. Ninguém vai se importar.


- Eu vou! Ora, é claro que vão me achar muito grosseira!


- Não, não vão. Se acharem, você tem a minha permissão para dizer que eu a seqüestrei e não permiti que se arrumasse de acordo.


Hermione exibiu um sorriso relutante.


- É exatamente o que vou fazer. – declarou.


Como não conseguisse arrancar mais nenhuma informação, Hermione decidiu aproveitar o passeio e a bela manhã de sol. Enquanto Harry dirigia a charrete, ela o observava. O que logo fez seus ânimos se dissiparem novamente, uma vez que era fácil perceber como ele podia seduzir tantas mulheres, com tamanha facilidade.


Depois de terem percorrido um trajeto relativamente curto, seguiram por uma alameda que terminava diante de uma casa de tijolos vermelhos. Quando se aproximavam, um grupo de meninos saiu correndo de trás da casa. Pararam abruptamente ao verem Harry e Hermione, e começaram a pular e acenar com entusiasmo.


Hermione sentiu o coração apertar-se.


- Onde estamos? Silverwood?


- Sim. – Harry puxou as rédeas, forçando o cavalo a parar. – Visitá-los vai lhe fazer mal?


Ela corou furiosa, mas em vez de responder, saltou da charrete, sem esperar que ele a ajudasse.


- Harry! Harry! – gritou o menor garoto do grupo, antes de atirar-se sobre Harry, agarrando-se às pernas dele. - Harry! Você vai me derrubar!


Os outros quatro meninos olhavam para Hermione com curiosidade. Um deles tinha um braço atrofiado. Outro apresentava uma enorme mancha escarlate em uma das faces. O mais velho parecia ter quinze ou dezesseis anos. Hermione ficou chocada, pensando que Harry começara muito cedo. Afinal, ele não poderia ter mais de trinta e quatro anos, agora.


- Bom dia, meninos. – Harry cumprimentou-os, puxando o menor pela mão..


- Bom dia, sir Harry. – eles responderam em coro, aproximando-se.


- Quero que conheçam alguém.


Apresentou Hermione aos garotos, que a cumprimentaram com extrema cortesia.


Entraram na casa e, imediatamente; Sarah Yorke apareceu, ajeitando os cabelos e alisando a saia.


- Sir Harry! Que surpresa agradável. Srta. Granger, como vai?


- Bem, obrigada.


- Decidi trazer a Srta. Granger para conhecer o excelente trabalho que faz aqui, Srta. Yorke.


- Espero não estarmos atrapalhando. – Hermione acrescentou.


- De maneira alguma! Sir Harry é sempre bem-vindo. Afinal, esta é a casa dele.


- Por que não mostra a casa à Srta. Granger, Sarah? Explique tudo a ela, por favor. Prometi aos meninos que jogaria críquete com eles, quando voltasse aqui.


- Sim, claro. – Sarah sorriu. – Eles vão adorar.


Ela levou Hermione à primeira sala, onde três meninos de idades variadas estudavam. Dois deles levantaram-se assim que a viram. O terceiro permaneceu sentado. Hermione notou que suas pernas haviam sido amputadas logo acima dos joelhos.


- Estamos estudando matemática nesta sala. - Sarah explicou. – Meninos, sir Harry está lá fora, preparando-se para um jogo de críquete. Podem sair, se quiserem.


Os dois que já estavam de pé, saíram correndo. O outro ficou.


- Não quer assistir ao jogo, Dennis? – Sarah perguntou.


- Por quê? – o menino retrucou com ar sombrio, Sarah deu lhe um tapinha no ombro.


- Bem, pode continuar estudando, ou fazer outra coisa que prefira, já que os outros saíram. – Conduziu Hermione pelo corredor e, quando se encontravam a uma distância segura da primeira sala, sussurrou: - Dennis ainda está muito revoltado. O que é compreensível. Foi atropelado por uma carroça de leite, quando tentava pegar uma carona, sem ser descoberto. Mas vai melhorar. Todos eles melhoram, depois de terem passado algum tempo aqui. Ele logo vai descobrir que ainda há muitas coisas na vida de que ele poderá desfrutar.


Entraram em outra sala, cujo chão era de pedra, onde três crianças brincavam com argila, sob a supervisão de uma mulher de aparência enérgica. Era evidente que dois dos meninos eram cegos. O outro emitia sons guturais. Sarah explicou que ele havia nascido surdo.


Hermione foi invadida por uma sensação desagradável. Como era possível que tantos dos filhos de Harry apresentassem problemas físicos? Cego, surdo, aleijado, marcado no rosto... E ela ainda nem vira todos eles.


Sarah falava da convicção que partilhava com Harry de que as crianças poderiam aprender muito através da expressão artística, como modelagem em argila, desenho ou música.


- Incluímos todas as artes, inclusive a dança, no currículo. É incrível o que uma criança pode realizar, se lhe for dada uma chance. E, graças a Deus, Sir Harry está determinado a proporcionar essa chance aos meninos.


Percebendo o brilho nos olhos da outra, Hermione suspeitou que a tímida Srta. Yorke sentia algo mais que gratidão pelo patrão atraente.


- Sir Harry está fazendo maravilhas por suas crianças. – Hermione comentou.


- Ah, sim! A maioria das pessoas não dá a menor atenção a crianças como estas. Se as vêem na rua, passam sem sequer olhar uma segunda vez. Mas sir Harry é uma alma generosa. Ele não só lhes dá casa, comida e educação, mas também reserva parte de seu tempo para visitá-los e brincar com eles.


O desconforto de Hermione crescia a cada momento. Por que havia apenas meninos, ali?


Sarah mostrou-lhe a cozinha, onde uma mulher preparava o almoço. Então, pararam na porta dos fundos, para observar o jogo de críquete que Harry organizara no quintal. Alguns garotos apenas assistiam. Hermione notou que um deles tinha a coluna completamente deformada e que outros dois apoiavam-se em muletas.


- São tantos... – murmurou.


- Sim, já não temos mais espaço. Lionel partirá em breve. É tão talentoso que sir Harry conseguiu um lugar como aprendiz, para ele, na fábrica de Wedgwood. Mesmo assim, ficaremos com mais de vinte meninos. Não sei o que vamos fazer. Já transformamos o sótão em dormitório, mas os mais novos...


Quando Sarah a conduzia ao pequeno escritório, Hermione perguntou à queima-roupa:


- De onde vêm esses meninos?


- De toda parte. Aceita uma xícara de chá?


- Não, obrigada. Estava dizendo...


- Ah, sim, de onde vêm os garotos. Se não me engano, sir Harry apanhou John tentando roubar-lhe a carteira em Londres.


- Roubar a carteira...


- Está vendo até onde vai a bondade de sir Harry? Ele poderia, simplesmente, ter mandado o menino para a prisão. No entanto, levou-o para sua própria casa e ordenou que os criados cuidassem dele. Mas, ainda, sabia que aquela não era a melhor solução, pois sabia que havia muitos meninos como aquele, nas ruas de Londres, assim como no campo. Foi quando soube que o proprietário de Silverwood havia morrido e que os herdeiros queriam vender a casa: Acreditando ser o lugar ideal para levar seu plano a cabo, sir Harry comprou-a e me contratou. Como já lhe contei, ao salvar os meninos, ele salvou a mim, também. Começamos com quatro crianças, mas sir Harry continua trazendo todos os meninos abandonados que encontra. Dennis foi o mais recente. Sir Harry encontrou-o mendigando, em Manchester. A maioria foi encontrada assim, ou roubando para comer.


Hermione estava atordoada.


- Mas... Ouvi dizer... Dizem que Silverwood é onde sir Harry abriga seus filhos ilegítimos.


- Ah, esses rumores malignos! – Sarah exclamou furiosa. – As pessoas preferem acreditar na maldade, em vez da bondade dos outros. É claro que não filhos de sir Harry. São, simplesmente, pobres órfãos, abandonados por todos.


Os olhos de Hermione encheram-se de lágrimas. Harry tomara uma atitude humana e generosa, mas ela o acusara de ser um sedutor imoral, de insultar a mãe, ao instalar seus bastardos tão perto da Mansão Haverly. Como pudera ser tão precipitada em seu julgamento? Sem dúvida, ele a desprezava agora.


Continuou ouvindo Sarah falar dos meninos, de Harry e de sua filosofia de ensino. Contribuiu apenas com monossílabos para a conversa, pois a culpa não lhe permitia raciocinar com clareza. E, quando Harry finalmente apareceu, ela não foi capaz de fitá-lo nos olhos.


Almoçaram com os meninos em longas mesas de cavaletes, armadas à sombra das árvores, e Hermione mal pôde acreditar na alegria que iluminava o semblante daquelas crianças, assim como na facilidade com que Harry conversava e brincava com elas. Mais uma vez, seus olhos encheram-se de lágrimas, pela lembrança de quanto fora injusta com ele.


Depois do almoço, partiram. Hermione despediu-se de todos e caminhou até a charrete ao lado de Harry, ainda em silêncio e incapaz de encará-lo.


Foi só quando tomaram a estrada, que ela falou:


- Devo-lhe um pedido de desculpas.


- Não a levei até lá par ouvir desculpas.


- Ainda assim, cometi um grande erro. Insultei você, quando deveria reverenciá-lo por sua generosidade. Agora entendo por que sua mãe e sua irmã demonstram tamanho orgulho. Eu deveria ter percebido, quando ouvia a maneira como se referiam a Silverwood e a você. – Finalmente, Hermione virou-se para fita-lo. – Por que não me contou? Sabia o que eu pensava. Por que permitiu que eu continuasse acreditando...


- Sempre achei que as pessoas acreditam no que querem acreditar, embora seja doloroso saber que preferem acreditar no pior.


- Eu não queria! Tentei não acreditar.


Harry puxou as rédeas, levando a charrete para fora da estrada e parando debaixo de uma árvore.


- Então, por que acreditou? Por que preferiu dar crédito a rumores, do que ao que já sabia sobre mim?


- Foi o que tia Ardis me contou. Ela disse que todos comentavam que você era um sedutor, um libertino. Que você até mesmo mantinha uma casa para seus filhos ilegítimos. Eu disse a ela que isso era absurdo, mas quando chegamos na Mansão Haverly, você e sua mãe começaram a conversar sobre Silverwood. Então, descobri que realmente existia a tal casa, repleta de crianças. E sua mãe se referiu a elas como “as crianças de Harry”.


- Ora, foi apenas uma maneira de falar.


- Sei disso... agora. Naquele momento, porém, o que me ocorreu foi que tia Ardis estava certa... que você realmente tinha uma casa repleta de filhos ilegítimos.


- E que eu tive a audácia de instalá-los perto de onde moram minha mãe e minha avó. Como pôde acreditar que eu seria capaz de fazer uma coisa dessas? Como pôde pensar que eu passava a vida espalhando a minha semente, como gado reprodutor, sem a menor consideração pelas conseqüências?


- O que mais eu poderia pensar? As evidências estavam ali, bem diante de mim. A casa a que tia Ardis se referira, sua mãe e Georgette chamando os meninos de “suas crianças”.


- Poderia ter me perguntado. – ele retrucou magoado. – Eu teria lhe contado a verdade.


- E como eu saberia que estava dizendo a verdade? Se fosse do tipo que seduz jovens inocentes, para depois abandoná-las, não hesitaria em mentir.


- Por que insiste em falar de jovens inocentes? Filhos bastardos não são, necessariamente, produto da sedução de moças assim.


- É o que as pessoas dizem. Foi o que tia Ardis me contou. Se os rumores eram verdadeiros sobre a casa para seus filhos bastardos, então o resto também seria verdadeiro. Tia Ardis ressaltou que é mais provável que jovens inocentes engravidem, pois mulheres mais velhas e mais experientes sabem como evitar filhos. Além disso, eu sabia... – Hermione corou. - Eu sabia que você é mestre na arte de seduzir. Afinal... já havíamos nos beijado e...


- Não seduzi você! – Harry protestou. – O que aconteceu entre nós não foi premeditado, ou calculado. Simplesmente... Eu queria você. – A voz dele tornou-se rouca. – Não tentei atraí-la para uma armadilha. A verdade é que não consegui controlar o impulso de tê-la em meus braços. – Os olhos dourados passearam pelo corpo de Hermione. – Que Deus me ajude, mas ainda não consigo.


Com essas palavras, inclinou-se para beijá-la.


 


 


 


 


Agradecimentos especiais:


 


Lúh. C. P.: que bom que gostou do capitulo anterior, acho que o capitulo responde por si só, mas eu adorei o momento em que a Joanna despencou na água e não foi acidente não, hein. Beijos.


 


Nanny Black: Realmente, a Mione tirou conclusões precipitadas e ta sofrendo com a replica do Harry, agora que a Hermione sabe o que Silverwood é na realidade, as coisas vão pegar fogo entre Harry e ela. Beijos.


 


alylyzinha: capitulo atualizado, espero que goste. Abraços.


 


 


 

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