*. Capitulo III *
Draco destrancou a porta e a conduziu ao aposento. Hermione respirou fundo e se arrependeu por isso. Tinha o cheiro dele que há tempos não sentia. Calor, pele e fogo. Mordeu o lábio inferior. Não poderia perder o foco; o clima estava ficando tenso. Virou se rapidamente se deparando com olhos interrogativos.
- Houve um ataque, – começou sem floreios – tentaram matar Gina e muitos aurores estão preocupados e...
Draco franziu o cenho – Acredito que ela saiu sem proteção, suponho. Todos sabem das conseqüências de seus atos.
- O ataque foi na Ordem Dr... Malfoy, – olhou para os pés se amaldiçoando. Estava se sentindo tola. – houve uma reunião antes de você chegar. Estão procurando respostas e apesar de tudo, os indícios do atentado apontam para você. – disse fria.
- Como assim para mim? – Draco se alterou virando rapidamente em direção a janela. Chovia forte lá fora e não dava pra distinguir um metro à frente. Virou-se novamente para a morena, – Eu ajudo com informações, arrisco minha vida por isso, tenho feito o máximo Granger, estou esgotado. Tenho que suportar Voldemort todas as vezes que o vejo querendo ler minha mente. Vocês não sabem o quão é difícil pra mim. E ainda se acham no direito de me acusar? Eu pelo menos estou trabalhando aqui. Diferente de muitos nesta porcaria de Ordem.
Hermione se insultou com a acusação.
- Então você se acha que é o único que faz alguma coisa? Você é um filhote de comensal Malfoy, poderia muito bem querer atingir Harry dessa forma. Você sabe que ela é o seu lado fraco. Está fazendo com que ele apareça. - se afastou em direção a porta ainda o olhando nos olhos – joga muito bem Malfoy. Para os dois lados.
- Você não sabe o quanto estou me segurando para não estrangulá-la Granger. - deu um passo em sua direção.
- Do mesmo modo que fez com a Gina? Talvez antes de tentar mata-la? – Hermione sabia que estava pisando em terreno perigoso, no entanto queria pagar pra ver.
- Menos estupidez garota. Eu sei que é mais inteligente que isso. Você sabe muito bem que eu nunca machucaria ninguém da Ordem.
- Não mesmo? – Hermione se culpou instantaneamente. Estava levando para o lado pessoal. Cerrou os punhos.
- Você não sabe os meus motivos para me julgar. - disse se aproximando lentamente - você não é melhor que ninguém aqui. Não seja hipócrita consigo mesma. Eu sei que você não acredita nisso tudo. Eu vejo o quanto detesta essa confusão toda. Ninguém precisa ser nenhum legimens para poder ler isso em você Granger.
- Mas é tudo obvio e... –foi interrompida por Draco.
- Obvio demais Granger. Eu não sou o único com passado obscuro. – sorriu torto para ela. Hermione levantou o nariz em provocação. Ainda estavam próximos. Podia jurar que se ele não se afastasse poderia sentir o quão acelerado estava seu coração. Draco virou e se afastou dela. – Só por curiosidade Granger, quem sugeriu meu nome até conspirarem contra mim?
- O que te faz pensar que seu nome foi sugerido Malfoy? – curvou os lábios desfazendo a linha dura que tinha se tornado. – Palavras ainda não foram proferidas. Apesar de tudo as pessoas não escondem bem o que pensam, não é mesmo?
- Isso não esta muito bem explicado, certo? Esta me escondendo algo sangue-ruim? – isso a afetou. Já estava se sentindo estúpida o suficiente por não ter uma conversa estável com ele. Estava cansada. Já se sentia um lixo para ter que escutar isso da boca de Draco.
- Não mesmo Malfoy. Cada um aqui segue suas regras, isso tem mais a ver com jogos políticos do que salvar a humanidade. Qualquer um com inteligência percebe isso. – disse com a voz arrastada. – só veja com quem fala e o que faz aos olhos da Ordem, ou Azkaban não será menos doloroso que a morte. Teriam prazer em te entregar como traidor. - tentou ser indiferente. Sentia que a qualquer momento iria vomitar.
Hermione abaixou os olhos. Porque tenho que ser sempre tão tola. Burra, burra, burra. Olhou mais uma vez para Draco. Ele ainda parecia esperar por alguma coisa. Estivera dizendo palavras vazias. E antes que pudesse dizer novamente algo estúpido se virou e saiu batendo a porta.
Saiu esbravejando pelo corredor e bateu furiosamente a porta do quarto. Você é... é muito, mas muito retardada. Sentou na cama escondendo o rosto com as mãos. Hermione não conseguia se lembrar de todos os detalhes, das malditas palavras rasgadas naquela reunião. Estava se sustentando pela vingança. Ódio reprimido como uma bomba prestes a explodir. Queria sangue nas mãos e paz de espírito. Sabia que não era a forma mais sensata de se alcançar a gloria, mas e daí, o mundo tava quebrado mesmo.
Resolveu tomar um banho. Decidiu que se tomasse uma boa ducha. Talvez esvaziasse a cabeça e manteria longe os pensamentos desnecessários. Saiu enrolada numa toalha. Tinha os cabelos molhados e o coração dolorido. Eram coisas demais para suportar. Encontrou Draco sentado em sua cama. Parecia esperar alguma coisa. Respostas.
- Perdeu a postura Draco? - lançou seu melhor sorriso afetado.
- Estou perdendo a calma Granger. – disse distante. Hermione julgou frieza em suas palavras. Não sabia o que se passava em sua mente insana naquele momento.
Frio por frio prefiro sua boca. Pensou Granger. Beijo gelado, excitante. Sentia na pele a presença do corpo ao seu. Odiava isso, mas era mais forte que ela. Queria que estivessem em paz, já tinham destroços demais. Sentiu que precisava fazer alguma coisa. Foi ate o guarda roupa e pegou o primeiro pijama que viu. Torceu para que não estivesse rasgado. Seria constrangedor.
Entrou no banheiro novamente e saiu depois de dois minutos vestida adequadamente.
Talvez a única coisa adequada, seria se eu estivesse nua em cima dele. Corações rasgados que sangram demais. Encostou-se na parede a uma boa distancia do loiro. Respirou fundo. Era melhor se livrar dele.
Ficaram se fitando por segundos. Hermione o olhou atentamente. Há tempos realmente não o notava, não o observava, não o decorava. Amava seus olhos cinza e eles agora estavam... perdidos. Era seu reflexo. Eram um só.
- Tenho medo da morte Granger. Você já pensou nisso algum dia, em morrer? Não sobrar nada, não ter vivido como queria, com quem... ama. – Merlin, ele está hesitando. Hermione engoliu seco, sentiu o estomago pesar. Não queria saber o que viria a seguir. O assunto pelo qual esperava discutir estava tomando um rumo totalmente diferente do esperado.
- Não sabia que você fosse capaz de nutrir algum... sentimento Malfoy. – disse indiferente.
Draco mantinha a expressão firme, mas parecia que ia desabar a qualquer instante. Ele odiava demonstrações de afeto e estava se odiando por ter começado aquela conversa de maneira tão ridícula.
- Você não ajuda a melhorar as coisas. – arfou resignado. Vê-la saindo do banho. Molhada. Quente. Apenas sua o deixou sufocado. Levantou se num instante sem refrear suas emoções. Queria tê-la e queria agora.
Segurou em sua nuca trazendo-a para si. Hermione o olhava abismada pela aproximação repentina de Draco. Seus olhos cinza estavam escuros. Era desejo. Era posse. E ele queria sexo.
- Não quero morrer sem sentir você novamente Hermione.- disse enquanto a trazia para junto de si. Beijou-a fervorosamente enquanto seus dedos deslizavam perigosamente para debaixo da blusa de Hermione. Ela não queria pensar muito no que estava acontecendo, mas estava sendo perfeito sentir sua boca sobre a sua. Era frio. Mas estava esquentando e ameaçava explodir a qualquer momento.
Draco levou as mãos aos seios da morena. Ela estava nua por debaixo daquela malha de algodão e sentia seus mamilos retesados ansiando por toques mais íntimos. Ele a apertava contra si com força. Queria senti-la por completo. Saber se era real realmente aquilo tudo. E estava disposto a provar. Segurou-a pelos quadris fazendo com que ela o enlaçasse com as pernas. A morena soltou um gemido entre os dentes quando o sentiu a ereção dele roçar sua intimidade. Ele se movimentava contra ela. Torturando-a.
Num leve, levíssimo, quase imperceptível acesso de sanidade, ela quebrou o contato entre os beijos e balançou a cabeça para os lados. Sabia que sangraria depois se viessem a terminar o que estavam, talvez quase, começando. Ele apenas a apertou mais junto de si. Estavam ofegantes. Hermione sentiu gosto de canela e algo mais. Ele tinha os olhos fechados enquanto passeava com os dedos sobre o maxilar da garota, desenhava a linha fina do nariz e se deteve nos lábios vermelhos que ansiavam por mais beijos.
Draco abriu os olhos e encontrou confusão. Não era o que queria causar. Precisava de afeto, colo e algo mais. Sabia que estava sendo egoísta e iria acabar ferindo-a desta maneira. Mas os olhos castanhos brilhavam ansiando por mais. Estava quase se perdendo novamente quando escutaram batidas insistentes contra madeira gasta da porta.
Se separaram devagar. Foi quase doloroso ter que admitir que a distância fosse o melhor para o dois, porém no momento necessário.
Hermione caminhou devagar ate a porta regulando sua respiração. Seria constrangedor se qualquer que estivesse do outro lado notasse que ela estava dando uns amassos em Malfoy.
Hermione abriu devagar. Era Luna.
- Oi, er... desculpa te incomodar – disse corando ao olhar para o loiro sentado na cama lhe lançando um olhar ameaçador. – mas Tonks quer falar com você agora, tem a ver com Gina, hm... eu acho.
Após Luna sair, Hermione indicou a porta aberta para Draco na menção que ele saísse. Saiu em seguida tomando rumos opostos seguindo em direção a cozinha. O cômodo estava entregue a uma penumbra que a envolveu trazendo consigo um desconforto quase palpável. Tonks estava sentada com a cabeça encostada à mesa. Tinha os cabelos negros e parecia estar chorando quando Hermione se aproximou.
Tonks se levantou devagar revelando olhos vermelhos deixando Hermione chocada com a conclusão. Para ela, a metamorfa nunca chorava. Sabia que foi um pensamento infantil, mas era um ser humano também, e as pessoas sempre choram. Mesmo escondidas às vezes como ela.
- Desculpe meu estado. Eu é... eu não tenho estado muito bem esses dias. Chorona demais e... chata também - deu um sorriso rasgado afetado pela dor que sentia em suas mãos – Eu preciso que vá até Hogwarts e procure pela Diretora Minerva, diga a ela que as cores estão mudando e a lua também, – Tonks procurou entre os bolsos do casaco verde e encontrou o papel – entregue esta carta a ela e cuidado. Tem que ser entregue apenas a ela, tudo bem?
Tonks tremeu de leve. Hermione franziu o cenho e assentiu. Era uma ordem e sempre era inquestionável. Sentiu os pêlos da nuca se eriçar e se sentiu desconfortável.
- Vá com o Malfoy. Preciso da Luna comigo para cuidar de Gina.
- Ela já acordou? - perguntou esperançosa.
- Já, mas dormiu novamente. A febre não passou, mas ela vai melhorar. E... diga a Minerva que estaremos esperando por ela na reunião amanhã à noite. Leve esta chave-portal. – pegou o cálice escuro devido ao tempo sem uso. - Te deixarão próximo à Casa dos Gritos. Do lado da porta encontraram vassouras transfiguradas. O castelo está sendo guardado por aurores, que já foram informados de sua chegada.
- Ahn... tudo bem então. – esperou que a mulher dissesse mais alguma coisa, mas ela apenas assentiu. Hermione tremeu. Odiava vassouras.
Subiu devagar as escadas. Teria que falar com Draco. Bateu na porta e esta abriu quase instantânea, revelando olhos curiosos pela presença da garota.
- Temos que ir a Hogwarts.
- Quando?
- Agora. Te espero lá embaixo. – deu um passo para trás preparando para sair e estacou lembrando-se do seu infortúnio. –Prepare-se. Teremos que voar.
Hermione foi até o quarto e trocou de roupa. Calçou botas e vestiu um sobretudo preto e pesado. Estava nevando e o clima ficando cada vez mais pesado. Na sabia decerto aonde toda aquela historia de lua e cores daria. Tentou associar as duas coisas em sua mente, mas não deu certo. Às vezes sentia como se não soubesse de nada. Nua, crua e instável.
Encontrou Draco já a esperando próximo a porta. Os quadros chiavam num murmúrio vazio. Pareciam prever o imprevisível. Segredos ansiosos.
Surgiram diante da casa. Draco teve a sensação de que ela iria cair a qualquer momento em cima deles os engolindo. Tortuosa e instável. Parecia querer gritar. Hermione se aproximou olhando atentamente e encontrou duas lascas soltas. Puxou uma parte e esta foi ao chão. Chutou a outra parte e encontrou vassouras. Draco observava calado. Hermione entregou uma a ele e o garoto avaliou a sua a contragosto.
- Não são boas. – Draco murmurou com desdém.
- Mas nos levarão até Hogwarts. – arrebatou em seguida.
- Ok – disse revirando os olhos – Eu sei que odeia voar Granger, é perceptível sua aversão a vassouras. Não tem medo de cair? – disse montando sua vassoura e subiu alguns metros. Era apenas preocupação disfarçada.
- Eu não vou morrer hoje Draco. – murmurou. Seu mantra particular. O sonserino não escutou, pois os uivos do vento não permitiam.
Havia parado de nevar, mas o vento estava cada vez mais forte. Hermione tentava se equilibrar na vassoura. Os nós dos dedos já estavam brancos e rezou para que não congelassem e não quebrassem quando descesse da vassoura. Draco estava mais a frente a dois metros da garota. Estavam a uma grande velocidade. Mesmo Hermione bancando a durona ele sabia que era perigoso para a morena. Praguejou e reduziu a velocidade voando lado a lado com a garota. Apertou os olhos e avistou ao longe a torre de Astronomia.
- Estamos chegando. – disse para Hermione e esta apenas assentiu. A garota estava encolhida. Sabia que isso não era nada bom. Respirou fundo e lamentou por isso. Os pulmões doeram. Ficaria resfriada por um bom tempo. Merda.
Já estavam próximos a Escola quando avistaram uma fumaça densa surgindo a leste do castelo. Árvores queimavam liberando barulhos esganiçados. Hermione estremeceu. Sobrevoaram devagar a floresta. Sentiram o choque da mudança de temperatura do local. Aos poucos o fogo ia se dissipando e deixando apenas cinzas da destruição. Se entreolharam. Não havia aurores no local. Ambos empunharam a varinha e se aproximaram de uma pequena clareira. Não encontraram nada nem ninguém no local. Estavam se preparando para voltar para a escola quando trovoes surgiram no céu revelando a marca negra.
Draco abriu a boca, mas não houve som. Havia sido atingido por um feitiço no ombro. Perdeu o equilíbrio e caiu ao longe na floresta batendo fortemente em uma árvore. Forte o suficiente para feri-lo no rosto e quebrar o braço esquerdo. Hermione voou em direção a Draco desviando dos feitiços. A floresta densa impedia que visualizasse em que exata direção era lançada as maldiçoes.
Adentrou a floreta e percebeu vultos a perseguindo. Entre olhar para trás e desviar dos feitiços, desequilibrou e saiu rolando no chão enlameado. A vassoura se partiu na queda e foi lançada longe. Apoiou-se com as mãos evitando bater o rosto nas pedras, porém as rochas finas e pontudas rasgaram a pele fina causando dor. Viu um comensal se afastando rápido. Levantou os olhos e procurou por Draco. O encontrou jogado ao chão numa tentativa infame de se proteger. Estava sem a varinha.
Draco gemia de dor. Tentou se levantar e saiu se arrastando pelo chão. As pedras do local marcaram a pele profundamente fazendo sangrar. Não percebeu o comensal se aproximando não deixando tempo para se proteger.
- Voce será entregue ao mestre. – o homem disse com a voz rasgada enquanto segurava Draco pelo pescoço. O loiro sentia o ar lhe escapar pelos pulmões. –ele não ficará feliz em saber que seu melhor servo é um traidor idiota, que se aliou àqueles imundos. A corja. – disse o jogando longe. Draco tentou se levantar e apoiou em uma árvore. Procurou Hermione e a encontrou se escondendo debaixo de grossas raízes. - Você vai ser morto como sua mãe foi. Não vai ser tão interessante ouvi-lo gemer de dor do mesmo modo que ela enquanto eu a comia, mas quero vê-lo sangrar até morrer desgraçado. – disse soltando e chutando-o no estomago.
Hermione olhou em volta a procura de qualquer ameaça de perigo. Estava escondida e lutando contra si mesma para não levantar e matar o comensal. Sabia que havia outros, mas não tinha idéia de onde estavam. Estava se sentindo doente e impotente ao ver Draco sendo esfolado e torturado. Sabia que tinha que fazer alguma coisa ou Draco seria morto. E isso ela não poderia permitir. Chegou a uma conclusão e se esgueirou saindo debaixo da árvore. Julgaria sua atitude em outro momento. Levantou rapidamente e estuporou o comensal que atingia a duros golpes o loiro.
- Traidor. – outro comensal estuporou Draco que tentava se levantar e esbofeteou Hermione que se preparava para lançar outro feitiço. A garota caiu no chão e se apoiou com as mãos provocando mais um tormenta de dor.
Não queria morrer. Ele a amava. Não o disse por receio de ser vergonhoso demais, mas sabia agora que fora covarde. Queria vê-la feliz. Queria suas provocações. A queria lânguida em seus braços. Tinha de lutar. Malfoys eram fortes. Malfoys não morriam covardes.
Draco a viu ao chão e sentiu o sangue pulsar. Era terrível como coisas estranhas e ruins aconteciam. Inevitável e imprevisível. E ele que só queria calor. A cama e ela. E agora estava definhando por um ser sem escrúpulos e mal encarado. Odiava sentir dor. Sentir remorso e tudo o mais. Era ódio profundo. Algo encarnado prestes a explodir. Precisava ser útil.
Se encolheu ainda mais tentando se proteger. O comensal se afastou. Gargalhava. Deve ser uma piada particular, pensou Draco com asco. Sentia o gosto de sangue e queria o sangue de todos eles. Malditos idiotas - esbravejava. Tateou o chão e encontrou a varinha em meio às pedras. Queria vingança e morte. O instinto de matar para se proteger. Proteger o que é seu.
Empunhou a varinha e lançou um Sectusempra no inimigo. Ouviu-se um grito gutural de dor e se permitiu sorrir. O homem caminhou em sua direção. Os olhos vermelhos ameaçadores transmitiam dor e sede. Matar, matar, matar... Parecia que nos últimos tempos, tempos de guerra, era o que todos ansiavam. Matar por poder, matar por paz. Sempre havia morte e algo podre em tudo isso.
- Crucios – esbravejou Dolohov e viu Draco se contorcer de dor. Sabia que morreria, mas usaria toda sua força para matá-lo antes. Sentia um prazer imenso em torturar suas vitimas até vê-los implorar pela morte. Dor trucidante que inebria todos os sentidos que vai alem da dor física. Uma dor muito mais insuportável. Era assim que trabalhava, era assim que se divertia, ate estraçalhar a garganta do oponente e vê-lo angustiar sangrando ate morrer.
Draco apenas não queria que Hermione sofresse. Ansiava por ela pegar a chave portal e sumir dali, mas sabia que ela era uma maldita grifinória e que não iria até salva-lo ou morrer lutando com ele.
Hermione levantou os olhos e viu Draco se contorcendo de dor e visão a fez sentir náuseas. Aquilo era absurdo e intolerável. Por mais que viesse a odiá-lo não o queria ver sofrer. Levantou rápido e lançou um feitiço estuporante em Dolohov, porem não percebeu quando outro comensal a empurrou fazendo com que desviasse o feitiço e atingisse uma árvore. Sentiu-se tola, mas desviou a atenção do homem. Ele se virou e sentiu o gosto de sangue amargar a boca. Lançou a sua maldição contra a garota. Chamas roxas crepitaram de sua varinha a atingindo e deixando-a desacordada. Fora fraco o feitiço, mas acreditava ter se livrado dela. Deu uma gargalhada engasgada e caiu de joelhos. Estava morrendo.
Draco estava incrédulo. Não queria acreditar que Hermione, a sua estúpida grifinória poderia estar morta. Não sabia a extensão do feitiço que fora lançado contra a morena e se enfurecia a cada segundo que olhava para o homem a sua frente. Os outros comensais estavam se afastando. Estavam apenas observando e logo o relatariam para o Lord das Trevas. Eles o enojavam. Ridículos.
Levantou e uivou de dor e de raiva. O homem a sua frente perdia a vida lentamente e esboçava um sorriso cínico.
- Ela está morta Malfoy. Você deve proteger melhor sua mente. Agora todos sabem que você tem transado com esta garota. Você deveria me agradecer por tê-la matado rápido, porque os servos do Lord não teriam tanta pressa com uma sangue-ruim. – disse com a voz estrangulada.
Draco tentou ignorar os comentários do comensal. Precisava aliviar sua dor. Fisicamente. E ele o fez. Sabia que o homem a sua frente estava semi-morto mas ainda sentia. Vida ainda pulsava em suas veias, mas isso não o tornava mais humano que ele. Apoiou-se em seus pés e antes que viesse cair novamente o chutou, com toda a força que conseguira, com toda a vontade de viver que existia dentro de ti. O golpe atingira o comensal na cabeça, provocando um maior estrago em seu corpo. Grande o suficiente para fazer perder os sentidos e matá-lo mais rápido.
Draco viu o homem imóvel ao chão e respirou aliviado. Apenas por um momento. Avistou Hermione poucos metros a frente. Foi em sua direção o mais rápido que seu corpo permitia. Viu-a pálida e estacou. Lagrimas fluíram sem restrição. Ele teve medo de morrer, mas não imaginou o que sentiria ao vê-la sem vida. Acreditava que ela era parte dele e que deveria morrer também.
Com relutância se aproximou e a pegou nos braços. Ela estava fria. Pingos de chuva começaram a cair. Falta de compaixão. Puxou-a para mais perto. Precisava aquecê-la. A queria quente. Sentiu-se distante e acreditou escutar seu nome antes de se perder na inconsciência.
N/A: fic betada.
Continua...