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18. Irreparavelmente


Fic: O Teatro


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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XVIII


IRREPARAVELMENTE


Apesar da sua exaustão, Linda não conseguiu dormir naquela noite. Sempre que chegava ao limiar da consciência, acabava vendo sob suas pálpebras os olhos castanhos e sem vida, mirando-a. A sua vítima lhe assombrou a noite inteira, deixando com Linda um funesto lembrete: para que uma maldição imperdoável funcione, o bruxo que a profere tem que desejar o seu resultado – e o raio que Linda conseguiu conjurar, apesar de pífio, foi suficiente para tirar a vida do homem sem rosto.


Quando ela matou pela primeira vez, aos sete anos de idade, quis se provar para os seus irmãos. E agora? Quem ela quisera impressionar? O Lorde das Trevas? Ou, quem sabe, mostrar a Marco e a Cécile do que ela era capaz?...


Não. Ela quis se provar para Severo.


Sempre fora assim; ela sempre quis provar que não era inferior a ele em nenhum sentido – nem mesmo na frieza.


Quando ele bateu na porta do quarto, no meio da madrugada, Linda quis abrir; mas a sua decisão de sair daquele casamento ainda estava muito fresca em sua mente. Com o passar das horas, no entanto, a sua idéia mudou. Linda pensou em ter que acordar todos os dias da sua vida sem tê-lo ao seu lado. Pensou que não poderia mais falar com ele, estar com ele, ser dele... e a idéia a apavorou.


O que significavam aqueles poucos meses, se ele a fizera feliz por anos?


Linda merecia mais, e ela sabia disso. O problema é que ela não queria mais. Ela não queria a carreira, o casamento e a vida dos seus sonhos; o que ela queria estava logo ali, ao seu alcance.


E, sim, ela estava infeliz. Mas será que ela não estaria pior, se não estivesse ao lado de Severo? E manter aquele estilo de vida nunca seria fácil... mas, talvez, se ela parasse de culpar Severo por tudo, reconhecesse que ele sempre lhe deu escolhas e começasse a ficar verdadeiramente do lado dele, ao invés de sempre discutindo, brigando e procurando motivos para se magoar, tudo acabasse um pouco mais fácil.


Talvez, se ela se esforçasse só um pouco mais...


O sol fraco já iluminava o quarto, enquanto Linda começava a pensar na melhor maneira de conversar com Severo. Ela sabia que havia falado muito mais do que deveria; e que, com as suas palavras, ela fez com que algo na relação já extremamente desgastada dos dois se quebrasse de modo irreparável. Eles nunca mais seriam os mesmos.


Os seus pensamentos foram interrompidos pela porta sendo aberta – o seu coração pulou. Severo entrava, envolto por um roupão branco. Os seus cabelos estavam molhados, respingando no carpete e o seu rosto parecia cansado. Não a olhou.


- Severo...


Severo parou, fechou os olhos e suspirou antes de encarar Linda. Ele parecia ter envelhecido dez anos; o vinco em sua testa explicitava a culpa – e Linda era a responsável por aquilo, ela tinha certeza. Como ela já havia concluído, algo se quebrou. Irreparavelmente.


- Eu... – ele começou. A voz dele estava irregular. – Eu apenas vim pegar uma roupa.


Linda soluçou e, cautelosamente, se levantou da cama. Um arrepio cruzou a sua espinha – e ela não sabia se era por causa do chão gelado ou por aquela certeza de que algo estava errado. Muito errado. Os seus olhos marejaram.


- Esse é o seu quarto; você não tem que pedir licença para entrar nele.


- Tenho, depois do que aconteceu ontem. Assim que eu me vestir, pedirei que alguém lhe acompanhe até Hogsmeade.


- Eu não---


- Eu sei que a sua casa é no vilarejo – ele a interrompeu. – Mas creio que sua mãe ficará mais tranqüila se você passar uma temporada com ela em Lyon. Eu mesmo falarei com Cécile.


Linda esperou um momento, certificando-se que Severo não a interromperia novamente. Quando viu que ele se calara, disse pausadamente:


- Eu não vou a lugar algum, Severo.


Ele fechou os olhos mais uma vez.


- O que você disse?


Linda tentou sorrir. Aproximou-se, mas não o tocou – ainda estava nervosa, não sabia como ele reagiria.


- Meu lugar é aqui. Ao seu lado.


- Eu pensei---


- Me perdoe, Severo.


Linda, pela primeira vez em muito tempo, se permitiu baixar totalmente a guarda. As lágrimas que ela derrubou quando o abraçou não foram apenas por causa da culpa – foram também pela frustração, pela raiva contida e pelo medo imensurável que ela tinha de perdê-lo.


Mas Severo não a tocou nem disse nada. Então ela continuou:


- Eu... Eu tinha que odiar alguém! – Ela disse, apertando-o mais fortemente e esperando uma reação, que não veio. – Eu tinha que culpar alguém, eu precisava tirar o peso do que eu fiz ontem dos meus ombros! Você me conhece! Era demais para mim!


Ela beijou desesperadamente o pescoço e o queixo dele. Quando se aproximou dos lábios, Severo a segurou pelos braços e a afastou.


- Linda, nós temos qu---


- Não! Deixe-me falar, por favor! Eu sei que eu disse coisas terríveis, ontem! E, quando eu as disse, elas pareciam verdade; simplesmente porque eu estava disposta a odiar você! Se eu odiasse você, eu não teria que me olhar no espelho. Mas agora... A perspectiva de ficar sem você dói demais!


Ele desviou o olhar.


- Eu pensava que o nosso casamento tinha acabado – disse lentamente, com a voz pesada. Linda sorriu e acariciou o rosto dele.


- Não acabou. Eu prometi que ia ficar ao seu lado, não? Na alegria e na tristeza...? Eu sei que não vinha cumprindo bem esses votos, mas... Eu sinto que estou perdendo você, Severo. E eu o amo. E eu sei que nós podemos superar isso!


Ele assentiu. Linda procurou esperançosamente os olhos dele, mas ele se recusava a olhá-la. Mais uma vez, ele disse:


- Eu juro que pensei que o nosso casamento tinha acabado.


- Então acabou – Ela disse. A dor em seu peito aumentara exponencialmente. Algo estava muito errado! Linda encostou os seus lábios os dele, não se importando se não tinha resposta. – Acabou ontem, e hoje nós começamos de novo. Eu renovo os meus votos; eu faria tudo de novo, Severo!


E colou os seus lábios aos dele novamente.


- Linda...


Ela sorriu; ele se rendeu.


Os braços de Severo enlaçaram a cintura de Linda de uma maneira possessiva e ele quase a derrubou com o seu peso. A boca faminta ofegava sobre a dela, enquanto a sua língua a explorava.


Linda agarrou-se aos cabelos molhados, sentindo um calor invadir o seu peito e inundar a angústia, fazendo-a acreditar, só por um segundo, que tudo ficaria bem. Severo a apertou mais, erguendo-a o suficiente para que ela entrelaçasse com as pernas os quadris dele. Com passos trôpegos, guiou-a até a parede, onde a encostou quase violentamente. Linda arquejou, procurando novamente os lábios dele, enquanto Severo tocava a sua cintura, a sua barriga e os seus seios por debaixo da camisola delicada.


Ele parou por um momento, afastando-se. Pela primeira vez no dia, Severo a olhou. Os olhos negros estavam anuviados, sem brilho algum... e Linda, naquele momento, teve a confirmação de que não ia ficar tudo bem. Nunca mais. Algo estava muito errado.


- Eu juro...


- Eu sei – Ela sorriu preocupadamente e acariciou lentamente o rosto de Severo. – Eu amo você.


Severo apenas a olhou. Linda, então, tomou mais uma vez a iniciativa e capturou o lábio inferior dele – não da maneira faminta e desgovernada de antes; mas de uma forma tenra, doce. Sentiu o hálito quente de Severo em seu rosto quando ele suspirou. Continuou, beijando o lábio superior antes de deixar a sua língua escorregar para a boca dele. Ele não tinha como resistir.


Com passos lentos, Severo a carregou para a cama e deitou-se sobre ela. Os seus beijos quentes deixaram a boca de Linda, escorregaram pelo seu queixo e orelha, desceram pelo pescoço, demoraram-se no ombro e na clavícula e encontraram o seu colo. Linda suspirou, arqueando as costas. Os dedos finos de Severo enlaçaram as alças da camisola azul e as fizeram deslizar pelos ombros de Linda, expondo para ele os seus seios.


O nariz acariciou o vale entre os seios, inalando o cheiro de Linda, antes de ele retomar os beijos, desta vez totalmente focados no busto. Severo os beijou, mordiscou, brincou com os mamilos intumescidos, enquanto Linda se esquecia de tudo...


Linda segurou o rosto dele com força e o fez olhá-la. O brilho nos olhos negros estava de volta. Ela sorriu.


Com um pequeno impulso do seu quadril, Linda ficou sobre ele. Tirou a sua camisola, sob o olhar malicioso de Severo, e jogou-a de qualquer maneira no chão. Lentamente, beijou o pescoço dele, sentindo o arranhar da barba mal feita, enquanto abria o roupão molhado e expunha o seu corpo nu.


Ela imitou o gesto de Severo de sentir o seu cheiro – o cheiro delicioso que ele tinha, misturado com o almíscar do sabonete. E o gosto... Linda começou a saborear a pele do seu marido, passeando a língua pelo peito pálido, pelo abdômen e demorando-se no umbigo... As mãos de Severo agarraram os cabelos dela e forçaram-na um pouco mais para baixo.


Quando Linda obedeceu, ouviu o gemido rouco de Severo. Olhou rapidamente para cima – para vê-lo com os olhos cerrados uma expressão deliciosa, enquanto a sua língua acariciava lentamente o membro. Linda fechou os olhos quando o ouviu chamar baixinho pelo seu nome, logo antes de tomá-lo inteiro com a sua boca. As mãos e os quadris de Severo ajudaram os movimentos de Linda e logo a sua respiração falha, pesada e ofegante preenchiam o silêncio daquele quarto.


- Linda--! – ele disse gravemente, afastando-a com cuidado.


Ela entendeu, fazendo com que os seus lábios deixassem o membro dele e subissem pelo amontoado de pelos que contrastavam com a pele branca, pelo abdômen, pelo peito, pescoço, queixo e finalmente sobre os lábios, beijando-o de uma forma lenta e apaixonada.


Severo se sentou, deixando Linda, ajoelhada sobre ele, pressionar levemente o seu sexo contra o dele. As mãos dele passearam pelas coxas da esposa, até que os dedos longos e finos puderam enganchar-se no elástico da calcinha... agarrando-se a ele, puxando-o para baixo com uma das mãos... enquanto a outra encontrava a intimidade de Linda e começava a estimulá-la.


Linda mordiscou o queixo dele e suspirou, sentindo as maravilhosas sensações que só o seu marido sabia como provocar... deliciando-se com os dedos ágeis e experientes que a levava ao céu. Involuntariamente, Linda moveu os quadris e pôs um pouco mais de pressão sobre o membro dele.


Severo deu um grunhido alto e, com um movimento rápido, ele afastou a calcinha de Linda e, para a surpresa e deleite, quase imediatamente a penetrou.


Ela cravou as unhas nas costas dele e não demorou a seguir o seu ritmo, cavalgando-o com o seu quadril. O silêncio do quarto foi completamente tomado pelos gemidos e sussurros de prazer. E finalmente, quando clímax dos dois chegou, nada mais parecia importar. Só existiam eles, e o tempo parara por aquele momento.


Ofegantes, cansados e dormentes, eles se abraçaram... forte. Os lábios beijavam qualquer centímetro de pele que podiam alcançar e as mãos acariciavam as peles, ainda sensíveis.


Eles pareceram ficar parados daquele jeito por longos minutos. E, no que dependesse de Linda, eles continuariam daquela maneira pela eternidade.


Mas Severo tinha outros planos. Assim, ele deu dois beijos no ombro da sua esposa e afastou-a suavemente.


- Linda...


- Não... Não vamos conversar agora...


Ele a afastou ainda mais. Os olhos negros já não tinham mais a paixão de alguns segundos atrás. Ao contrário, estavam duros – apesar das mãos acariciarem levemente as coxas alvas e de ele ainda estar dentro dela.


- Eu tenho que trabalhar.


- Tem certeza? Eu queria passar essa manhã com você... – Linda suspirou, deixando a sua posição e se deitando na cama. Não se importou em cobrir o seu corpo. – Mas tudo bem. Faça o que você tem que fazer.


Severo se levantou, fechando o roupão antes de se voltar para Linda.


- Durma um pouco.


XxXxXxX


Linda apenas acordou no meio da tarde.


Em sua ingenuidade, pensou que encontraria Severo no escritório, mas o local estava vazio – nem mesmo os retratos permaneciam em seus quadros.


Linda sabia que deveria estar se sentindo mais tranqüila; sabia que não deveria mais pensar no que ocorrera na noite anterior... mas ela ainda sentia que algo estava terrivelmente errado.


Após tomar um banho, se encaminhou para o salão principal da escola, no intuito de encontrar qualquer pessoa que soubesse onde estava Severo. Linda apenas não esperava encontrá-lo lá, parado perto da mesa dos professores, conversando com Narcissa Malfoy.


Linda franziu o cenho e, por um momento, observou-os. Narcissa estava perturbadoramente desconfortável – em seu rosto, não havia nada da confiança arrogante que sempre expressava. E Severo... Bem, ele parecia estar preocupado. Linda desconfiou que tivesse algo a ver com o que ocorreu na noite anterior, na Mansão.


Com o que ela fez.


Ela respirou fundo e tentou afastar tais pensamentos da sua cabeça. Tentando pôr em seu rosto um sorriso, se aproximou.


- Narcissa! – Linda a cumprimentou.


Narcissa a olhou friamente.


- Linda Marie – ela disse de uma forma quase rude. – Conforme combinado, estou aqui para lhe ajudar com a festa natalina. Desculpe por não chegar mais cedo, mas tive que organizar as tarefas dos meus elfos-domésticos; você sabe bem como aquelas criaturas são ignorantes! Jamais conseguem dominar o caos que representa o pós-festa da Mansão.


Antes que Linda pudesse dizer qualquer coisa, Severo respondeu, mal-humorado.


- E eu estava explicando a Narcissa que ela não precisava ter se incomodado.


- E eu estava dizendo a Severo que organizar uma festa nunca é um incômodo!


- Bem... – Linda disse, lentamente. – Eu acho que será bom ter um pouco de companhia.


Narcissa deu um meio-sorriso e olhou para Severo com um brilho triunfante em seu olhar. Severo bufou irritadamente.


- Eu tenho coisas mais importantes a fazer.


E sem dizer mais nada, ele deu meia-volta e saiu.


Linda olhou para Narcissa.


- Algo aconteceu?


Narcissa rolou os olhos.


- O seu marido é um idiota. Fico feliz que você tenha decidido deixá-lo.


Linda piscou duas vezes.


- Ele disse isso?


- Então não é verdade? Vocês não estão se separando?


- Nós tivemos uma briga ontem, mas eu pensei que estava tudo bem!


Narcissa deu um sorriso frio.


- Nesse caso, eu não sei de onde tirei essa idéia – Linda abriu a boca para responder, mas Narcissa imediatamente se virou. – Então, sobre a decoração. Será tradicional, claro. Quatro grandes árvores no salão principal, todas com enfeites similares, contendo as quatro cores uniformemente distribuídas, para representar a união das casas durante os festejos.


Linda ergueu uma sobrancelha.


- Cissy, o que Severo estava conversando com você?


- Falei essa manhã com o decorador da Mansão; ele me mostrou algumas formas bem interessantes para incorporar as quatro cores sem que tudo fique muito exagerado.


- Narcis---


- Eu já pensei em quase tudo, Linda Marie! Você não vai precisar se preocupar.


Narcissa se virou novamente para Linda; os seus olhos azuis quase lhe perfurando de tão frios.


- Por que você pensou que eu estava me separando?


Narcissa bufou; a expressão arrogante, de repente, morreu.


- Severo mencionou que vocês tiveram uma briga séria ontem; e eu apenas imaginei que você finalmente tivesse recobrado juízo e tivesse decidido se livrar dele – Ela estava mentindo, Linda sabia. – Você poderia ter uma vida melhor, Linda Marie.


- Eu não quero uma vida melhor.


- Nesse caso, tenha paciência com Severo. Ele é um homem difícil, e você não pode esperar que ele seja perfeito. Ele vai lhe magoar, Linda Marie... e, algumas vezes, ele poderá cometer erros imperdoáveis. Mas ele ama você; e, se você sentir o mesmo por ele, com a mesma intensidade, você terá que encontrar uma forma de perdoá-lo por... por qualquer coisa.


Linda desviou o olhar, sentindo um nó se formar em sua garganta.


- Sobre o que vocês dois estavam conversando?


- Sobre ontem – respondeu sinceramente.


Narcissa sorriu tristemente; mas Linda não quis interpretar as suas palavras e expressões. Sentindo o nó em sua garganta intensificar-se, ela crispou os lábios e bufou. Decidiu mudar de assunto.


- Erm... eu não precisarei ajudar, então?


- Tecnicamente, não... Bem, eu vou querer a sua companhia, claro! E mandei uma carta para Rita Skeeter; ela estará aqui na véspera do natal, para nos entrevistar.


- Ela participará da festa?


- Não; mas acha que será interessante observar a dinâmica de como duas Malfoy organizam uma festa juntas. – Narcissa suspirou. – Eu vou comprar alguns enfeites no Beco Diagonal; quer vir?


- Hoje não.


- Tudo bem... você quer jantar, mais tarde?


- Narcissa, eu tenho que ficar com o meu marido hoje.


Narcissa sorriu mais uma vez, igualmente triste.


- Faça isso, Linda Marie.


Sem se despedir, Narcissa deu meia-volta e começou a se encaminhar para a saída da escola.


XxXxXxX


Severo fechou os olhos e suspirou, pelo que parecia ser a milésima vez naquele dia. Massageou freneticamente a têmpora, numa tentativa vã de expulsar qualquer pensamento de sua cabeça.


Muitos problemas, Severo?”


Ele sorriu amargamente – o que ele menos precisava naquele momento era ter que aturar Alvo.


- Vá embora!


Narcissa era uma mulher linda, e ele a teve na noite anterior. Por que ele não conseguia ser canalha suficiente para aproveitar? Para se alegrar, para sentir prazer ao reviver aqueles momentos?


Por que, quando ele pensava em Narcissa, a única coisa que ele conseguir experimentar era o remorso? Por que, ao invés de prazer, ele apenas sentia a dor antecipada... já que aquilo era o que expulsaria Linda de vez da sua vida?


Como ele contaria aquilo a Linda?


Respirou fundo e olhou para o quadro de Dumbledore – a imagem do velho amigo ainda estava lá, sorrindo-lhe placidamente.


- Eu mandei você ir embora.


Tem certeza de que você não precisa conversar, Severo? Com um amigo?”


Ele mordeu o lábio inferior, engolindo o impulso inicial de mandar Alvo ficar longe da sua vida pessoal. O fato era que, naquele dia, ele realmente queria um conselho.


- Ok – ele disse, aborrecido. – Diga. Diga tudo o que eu tenho que ouvir sobre Linda.


Alvo sorriu mais abertamente.


Eu ainda não sei o que houve ontem à noite, Severo, mas se Linda Marie fez algo para lhe aborrecer, pode ter certeza de que ela está muito arrependida. Ela quer consertar o casamento de vocês.”


Severo desviou o olhar. O ex-diretor realmente não sabia o que havia se passado na noite anterior.


- Não...


Sim, Severo. Linda Marie foi acostumada a ser tratada como uma rainha; até mesmo por você! Como você acha que ela está se sentindo nesses últimos meses? Ela lhe deu mais chances do que você jamais mereceu! Se ela continua aqui, ao seu lado, é porque acredita que tudo vai voltar ao normal – que você ainda pode voltar a ser o homem que ela conheceu há... quanto tempo? Dez anos?”


- Dez anos... Já ficamos juntos tempo demais. Muito mais do que eu achava ser possível.


E muito menos do que você deseja, meu amigo. Muito menos do que você pode ter, caso me escute. O que a sua esposa fez?”


Severo deu uma risada ligeiramente sarcástica, enquanto sentia o coração diminuir em seu peito. Ele abriu a boca algumas vezes antes de proferir as quatro palavras que ele tanto temia; que tanto o envergonhava.


- Eu dormi com Narcissa.


A imagem de Dumbledore se calou por um momento, olhando-o absolutamente pasmo. A expressão do velho amigo logo se tornou ligeiramente raivosa, e ele não fazia esforço para esconder que estava julgando Severo. Quando finalmente falou, a sua voz soou carregada de fel.


Mas essa manhã você e Linda Mar---”


- Eu não preciso ser lembrado disso. O fato é que eu estava bêbado e, depois da discussão que eu tive com Linda, eu--- Eu não vou tentar desculpar as minhas ações; sei que elas são injustificáveis. Mas, talvez, se Narcissa não planejasse ficar enfurnada em Hogwarts até o natal, eu pudesse encontrar uma forma de convencer Linda a ficar e---


Espere!” Alvo franziu o cenho. “Você não vai contar à sua esposa, vai?”


Severo olhou para a imagem de Dumbledore quase com indignação.


- Claro que vou.


Não! Ela não vai perdoar isso, Severo! Além do mais, o que você mais faz é mentir para Linda Marie, de qualquer forma!”


- Não! Não! Eu escondo o que tenho que esconder; o que não seria seguro para ela saber, Alvo! Mas algo assim--- Como eu posso sequer olhar para ela, sabendo que---


Não consegue olhar para ela?! Isso não lhe impediu de dormir com ela há algumas horas.”


- Mas eu-- Como eu--?


Você foi fraco, Severo. Mas essa não foi a primeira vez que você feriu a confiança de Linda Marie!”


- Eu nunca a trai!


Ora, mas o seu casamento não entrou em crise justamente porque você mantém em segredo as suas ações nessa guerra? Que são motivadas por outra mulher?”


- Uma mulher morta! Como você pode achar que simplesmente---?


Seria apenas mais um motivo para se sentir culpado! Você é bom nisso!”


- Talvez eu tenha cansado disso!


Então se sente com Linda Marie e conte toda a verdade a ela! Conte a parte importante! Conte a parte de que você ainda está nessa guerra por Lílian Potter! Conte que você está espionando o Lorde das Trevas! Conte como você me matou e como continua a seguir as minhas ordens! Conte que Phineas está espionando Harry por você, para que você possa entregar a espada de Gryffindor, e que, não, você não a levou para o cofre dos Lestrange naquele dia! Conte tudo isso, Severo! Dê razões para a sua esposa ficar! Apenas não olhe para ela e simplesmente diga que você comeu Narci---!”


O rosto do diretor, naquele momento, migrou de fúria para choque e, então, para angústia. Alvo não estava olhando para Severo – os seus olhos perdiam-se num ponto distante, do outro lado da sala.


Severo, então, virou-se. E lá estava Linda, estupefata, olhando com dor para Alvo. O coração de Severo passou a bater tão rapidamente que ele quase podia ouvi-lo no silêncio perturbador da sala.


Linda ofegou uma vez, e os seus olhos acinzentados se voltaram para Severo.


- O que ele disse?


XxXxXxX

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