“Eu acho que todo mundo pode mudar se a pessoa certa aparece, e eu acho que toda garota que ser a pessoa certa. Toda garota quer ser aquela que pode mudar o cara.” – Lauren Conrad
Capítulo 4
Acho que posso dizer com bastante certeza de que a partir do momento em que você se deixa surpreender, as pessoas te surpreendem. Como James. Ele parecia feliz em gastar tempo comigo, e eu precisava de todo o tempo que tivesse, porque eu tinha um número limitado de dias pra conhecê-lo. Nós não estávamos em nenhuma aula além de inglês e história juntos, mas os intervalos e a hora da entrada e saída do colégio foram gastos, basicamente, com ele. Além de nós termos começado a caminhar juntos até a estação de metrô, já que ele também ia para casa por baixo da terra (embora ele fosse na direção norte, e eu, sul).
Em mais dois dias, eu descobri algumas coisas sobre Potter. Fatos que ele mesmo me informou.
Ele sabe tocar violão. “Só uma meia dúzia de músicas” segundo ele mesmo, mas todas elas ele aprendeu a tocar olhando na internet. Eu sei que muita gente aprende a tocar violão sozinha, mas isso é algo que me deixaria meio abismada em qualquer um. Talvez porque eu tenha nascido completamente desprovida de qualquer ínfima partícula de um dom musical.
Ele estudava uma independent school ¹em Liverpool, mas decidiu vir para uma escola do governo aqui em Londres, porque, segundo ele “gente de colégio de particular é tudo metida”.
Ele esteve no Egito nas últimas férias. No Egito. Quando eu perguntei como era lá, ele respondeu que é meio sufocante (mas não me explicou o que isso deveria significar) e que ele não via nenhum problema em umas férias mais tradicionais, tipo Paris ou a América. Eu comecei a me perguntar o quão cheios da grana são os Potter, apesar de James não ostentar (e aparentemente repudiar quem faz isso, vide motivo pelo qual ele veio para a Marion Collins quando mudou para Londres).
Ele já viajou os quase trezentos quilômetros entre Londres e Liverpool para ver um jogo importante do time dele (o Liverpool). Com a ida e a volta, foram 600 quilômetros de estrada, mas James disse que uma viagem dessas nunca acontecia na vida dele, então foi um “grande acontecimento”. E eu concordei com sarcasmo, enquanto ele ria.
Ele afirmou que o que ele mais gosta em ser um cidadão de Liverpool é o fato de os Beatles serem de lá também. Eu exclamei “eu adoro Beatles!” sem me conter e ele me disse que gostava também, e daí me perguntou qual disco era meu preferido e eu respondi “Abbey Road, igual ao resto do mundo” e ele disse que gosta mais do Álbum Branco² e quase entrou numa discussão sobre o porquê, mas o sinal para a próxima aula soou.
O problema da história é que mesmo que eu tenha conhecido muito pouco dele, quanto mais eu ficava sabendo, mas distante ele se tornava de quem eu imaginava que ele era. E isso era ótimo, era mesmo. Eu estava percebendo que Potter não é um imbecil, muito menos um atleta descerebrado, mas alguém de quem eu poderia ter gostado muito se tivesse dado uma chance. Só que eu ainda precisava do garoto do meu conto. E não era ele. Mesmo assim, eu não fiz a coisa certa: me afastar.
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- Alguém vai querer ver O Dia em Que a Terra Parou comigo hoje? – Dorcas chegou na mesa toda animada. – Tem pizza! Eu amo vocês!
Nas sextas-feiras os alunos podem pedir entrega de comida; é claro que só aqueles que se envolvem com a escola (esportes, arte, clube do computador ou até mesmo sendo tutores, como eu) ganham esse direito. (N/A: Completamente roubado de Veronica Mars, embora na série só quem fizesse esportes ganhava.)
É a segunda vez na semana que eu almoço com o pessoal do James. Ontem ele disse que tinha gente “querendo me conhecer”, e eu concordei. Serviu para que eu conhecesse melhor os amigos dele. Eles sentam em um grande grupo de estudantes Lista-A, mas a galera mais próxima do James é formada por Black, Lupin e Pettigrew, que são seus melhores amigos, e mais Emmeline Vance – a loira de olhos azuis brilhantes que parece uma Miss –, Dorcas Meadowes – que, inacreditavelmente, é fã de ficção científica e de moda ao mesmo tempo, e Jane Miles – que disse que o ruivo do meu cabelo é a cor que ela sempre quis ter, mas sabia que era impossível, e por isso ela ficou com castanho-avermelhado.
E então hoje foi Jane quem me chamou para almoçar com eles de novo, já que ela estava na aula de Química comigo, e essa era a aula que eu tinha antes do almoço. Eu disse que meus amigos podiam ficar ressentidos que eu os largasse (embora eu não acreditasse nisso verdadeiramente, e Marlene entenderia. Pelo menos tentaria entender). Aí ela me disse que iam comprar pizza do Luigi’s, que é a pizzaria que fica duas ruas atrás da Marion Collins, e é uma das melhores que eu já comi. E eu não tive como dizer não.
- Evans, vai se juntar a nós de novo? – Sirius perguntou com um sorriso quando eu e Jane nos aproximamos da mesa já parcialmente ocupada. Ele e Jane trocaram um sorriso quase cúmplice que eu não entendi, mas preferi não tentar compreender.
- É, se não tiver problema com isso – eu respondi.
- Claro que não – ele falou, abrindo espaço no banco. – Senta aí.
Eu sentei, e Jane sentou ao meu lado. Alguns minutos depois, James apareceu.
- E aí? – ele cumprimentou geral, e depois pareceu ter reparado em mim. – Evans, você por aqui.
- Exato – respondi, sentindo minhas bochechas esquentarem por algum motivo. O problema número um de ser ruiva e branca como papel é que para corar você não precisa fazer muito esforço. – Seus amigos são muito receptivos.
- É, eles são – ele concordou, sentando ao lado de Jane. – Alguém já chamou as pizzas?
Emmeline disse que tinha ligado. Eles entraram em uma discussão que durou uns dez minutos sobre como ela não tinha pedido a pizza de atum do James (e eu pergunto: quem gosta de pizza de atum?) e rúcula com tomate seco da Dorcas (mais estranho que atum, definitivamente é alguém gostar de rúcula).
As pizzas demoraram só dez minutos para chegar, e depois delas chegou Dorcas perguntando quem queria ir ver o filme do Keanu Reeves com ela.
- Não posso – James respondeu.
- Novidade – Emmeline retrucou. – Você nunca pode.
- Como, nunca posso? Terças e quintas eu tenho treino, vocês sabem disso. Às vezes eu treino o infantil nas segundas. E sexta eu tenho tênis. O meu calendário é praticamente desocupado.
- Você joga tênis? – perguntei, interrompendo a conversa. Surpresa de Potter número... Perdi a conta.
- Jogo, mas eu sou uma merda de tenista. Eu só jogo por causa do meu pai. Sabe como é, futebol é por mim, tênis é por ele e todos saímos felizes. – Ele deu de ombros.
- Lily, se ele é “uma merda de tenista”, você nem imagina como seria se fosse um dos bons – Emmeline me falou, ignorando os resmungos do Potter. – Quantos troféus você tem na prateleira? Uns seis? – agora ela se dirigia a ele.
- Menos, Emmeline – ele disse. – Ou eu vou ter que contar pra Dorcas que você deixou de pedir a pizza dela propositalmente. Opa, foi sem querer.
- Emmeline, isso é sério? – Dorcas perguntou, parecendo realmente chateada. – E você deveria ser minha melhor amiga!
- James, eu odeio você – Emmeline exclamou. – Hey, Dorc, desculpa. Mas só você gosta daquela pizza, entende? A gente ia acabar jogando comida fora.
- Tá, tanto faz. – Dorcas deu de ombros. – Não se preocupe. Agora, quem vai querer ir ao cinema comigo?
- Não sei se o convite se estende a mim – eu respondi – mas eu não posso. Vou dar aula particular de história para Clarissa Vermont – falei com desânimo. Ainda não acredito que vou ficar duas horas da minha tarde ajudando Clarissa-bitch-Vermont a estudar o Mercantilismo Europeu. Mas que sorte a minha.
- Vermont? Por que vai ajudar aquela vaca? – Emmeline perguntou, fazendo uma careta. Pelo jeito não sou a única que não gosta de Clarissa. Não que isso seja uma novidade. – Aimeudeus, eu não quis ofender! Ela é sua amiga? – Agora Emmeline parece horrorizada pelo seu próprio comentário.
- Não, eu também não gosto dela – respondi, e vi a expressão dela abrandar. – Só estou fazendo isso porque o Sr. Turner me pediu...
Dorcas me interrompeu:
- E você não pode dizer não pra ele quando olha dentro daqueles olhos azuis?
- Não é bem isso – respondi, sorrindo. Será que é todas as garotas dessa escola só conseguem enxergar isso no Turner? Qual é, ele é professor, isso deveria ser um repelente natural, não devia? O fato de eu lembrar que professores fazem provas, e as provas têm uma grande influência no meu futuro, faz com que eu não possa pensar nem em qualificá-los como conhecidos-próximos. – Eu ia dizer que é porque vou ganhar crédito extra.
- Está vendo, Meadowes, não são todas as garotas nessa escola que são apaixonadas pelo Turner – Sirius Black se manifestou. E depois, virando para mim, perguntou: - Mas desde quando você precisa de crédito extra em história?
Minha fama de nerd é domínio público? Bom, faz sentido.
- Não preciso, mas eles vão me livrar de algum trabalho chato de cinco páginas, espaço duplo, sobre… Imperialismo.
- Nós vamos ter que escrever um trabalho de cinco páginas sobre Imperialismo? – James perguntou, desviando a atenção da pizza de queijo mais gordurosa que eu já vi. – Como sabe disso? – ele arqueou a sobrancelha.
- Estou só supondo. Apesar de eu gostar de história, não gosto muito de escrever trabalhos.
- Não é só você – disse Remus Lupin a umas quatro pessoas de distância. – E eu não posso ir no cinema com você Dorcas, eu trabalho, lembra?
Eu não sabia disso. Não tem muita gente que estuda comigo que trabalha.
Eles voltaram à discussão sobre ir ver Keanu Reeves sendo alienígena no cinema. Tenho certeza de que isso só me parece uma possibilidade muito interessante porque ao invés de ir ao cinema, vou passar duas horas com Clarissa Vermont.
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Respirei fundo e comecei a caminhar para uma das salas de estudo do terceiro andar do prédio C da Marion Collins. O prédio C é o sempre o mais vazio da escola, já que a grande concentração de salas de aula e salas-comuns da escola está nos prédios A e B. No C estão os laboratórios, salas de línguas (espanhol, francês ou alemão), a biblioteca menor (e praticamente deserta) e algumas salas de estudo.
Uma vez, quando eu tinha 14 anos e estava fazendo um projeto de conclusão do Key Stage 3³, fiquei até perto das oito da noite no laboratório de informática, e quando finalmente fui embora, os corredores estavam completamente desertos. Foi muito cena de filme de terror atravessar o prédio inteiro, mas quando eu finalmente entrei no prédio A, pude respirar aliviada.
Quando cheguei à sala de número indicado, ela tinha a porta aberta e eu pude ver Clarissa lá dentro – cabelo loiro-platinado, jeans e um blusa de lã rosa-chá.
Controlei a expressão do meu rosto e entrei na sala.
- Clarissa – eu chamei, entrando na sala e sentando em uma das cadeiras.
- Oi, Evans – ela falou, com sua voz nasalada, e eu pude ver que também ela tentava não ser rude. Sendo que quem precisa de ajuda pra subir o ‘D’ em história é ela, e sou em quem vai ajudar, ela não tem direito nenhum se ser rude.
- Espero que você já tenha lido o capítulo do seu livro de história – eu disse.
- Eu li – ela respondeu simplesmente e ficou olhando para mim com olhar de superioridade. E se ela não parar com esse comportamento imbecil vou largá-la sozinha aqui no próximo minuto, e dane-se o crédito extra que eu vou perder.
- Bom. Você anotou alguma dúvida em especial em que precisa de ajuda? Onde é que você tranca, Clarissa? Porque história não é difícil...
Ela me interrompeu:
- Sim, eu sei, é só decorar – falou, com desgosto. Isso é algo que eu não consigo entender. Como as pessoas podem não gostar de história? Já ouvi muita gente dizer que é maçante, cansativo. Mas eu não acho. Quando você começa a relacionar um assunto com outro, você começa a perceber que o sentido todo em estudar a história do mundo é compreender a realidade em que nós vivemos no presente. Como isso pode não soar interessante?
- Não, não é só decorar – eu a contradisse. – É relacionar. Você tem que estabelecer relações entre o que você estuda. Conecte com a matéria passada. Conecte com o presente. Tudo começa a fazer mais sentido.
- Tá – ela concordou, afundando na cadeira. – Vou tentar.
- Certo... Por onde começamos? É você quem decide, eu só estou aqui pra auxiliar.
- Eu decido? Beleza. Nós começamos tratando bem uma à outra. Eu sei que você me odeia, sei que a escola toda me odeia, sei que as garotas me chamam de vadia pelos corredores, sei que os garotos acham que eu só sirvo pra passar a mão, sei que todo mundo me acha uma cobra. – quando ela falou tudo isso, e eu sei que tudo é verdade, pareceu terrível. Mesmo sendo Clarissa Vermont. Por que, pensando bem, como alguém vai deixar de ser uma ‘cobra’ quando ninguém permite uma mudança? – É claro que ninguém me conhece de verdade, ninguém conhece minha história, então ninguém pode compreender porque eu sou assim. Mas, verdade seja dita, eu não odeio você. Não tem mais de cinco pessoas nessa escola que eu posso dizer que odeio. Eu só trato todo mundo mal porque... Bem, é o que eu espero receber dos outros. Eu não dou chance para que vocês sejam rudes comigo.
Ela parou para pegar ar. Não acho que o que quer que tenha acontecido com ela, que ninguém sabe, seja uma justificativa para o comportamento dessa garota. Mas talvez, só talvez, o que ela está dizendo faça algum sentido.
- Mas se você vai ser minha tutora, o que quer dizer que vamos ter que passar pelo menos algumas horas juntas, e que se der certo vou ficar devendo a você... Bem, eu acho que nós podemos ignorar o passado e sermos só Clarissa e Lily, uma precisando de ajuda e a outra podendo ajudar.
- Tudo bem – eu concordei, ainda meio hesitante, depois de um longo minuto de silêncio. – Tem razão.
Ela assentiu muito formalmente.
- Acho que devemos começar deixando alguns fatos claros, então. Eu tenho uma dificuldade enorme de prestar atenção no Turner. Porque ele começa falar e fala, fala, fala... E eu me disperso, é óbvio. Sabe, quando ele começa com aqueles nomes... Tipo Jean-Claude Van Damme, eu só consigo pensar “cara, alguém me salva disso!”.
- Você sabe que Jean-Claude Van Damme é um ator que faz aquele lixo de artes marciais barra violência, certo? – Ela deu de ombros, e eu não sei se isso quer dizer “sim” ou “não”, o que é meio deprimente. – Só pra constar. Bom, quanto ao seu problema... Eu não sei o que você pode fazer para conseguir prestar mais atenção nas aulas, mas você precisa fazer isso, ou subir suas notas vai ser muito difícil, Clarissa. Tente pensar que você precisa disso, que você tem que ir bem. Eu não sei.
Não tem como você fazer uma pessoa prestar atenção quando ela não quer, e digo isso porque até mesmo eu me disperso às vezes. Principalmente quando os professores falam, falam e falam, o que é algo que Turner realmente faz. Ele e mais dois terços do corpo docente. A diferença é que quando você se interessa por alguma coisa, não é um grande problema.
- Vou ter que dar um jeito nisso... Mais tarde. Então, Mercantilismo. Balança comercial favorável é a associação da riqueza de uma nação à sua capacidade de exportar mais do que importar, não é?
- Exato.
- Tá, mas onde entra balança comercial favorável no assunto?
Yay, isso vai ser divertido.
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We're gonna breakout, let the party start
We're gonna stay out, gonna break some hearts
We're gonna dance ‘til the dance floor falls apart
Uh oh, all over again
We're gonna wake up everyone we know
We're gonna have some fun, gonna lose control
It feels so good to let go oh oh ³¹
Ouvir Miley Cyrus em uma noite de sábado, trancada no quarto escuro e olhando a chuva na janela é o maior atestado de loser em que eu posso pensar. Me pergunto se essa parte da minha vida vai ser comentada no especial Lily Evans: Living the Dream que vai passar na televisão depois que eu for apontada como a nova Meg Cabot. Sabe como é, estou pensando em viver o sonho mesmo. Tipo um bem grande.
Voltando à realidade, eu tinha duas opções: ouvir Breakout no repeat ou ir para o jantar da empresa em que meu pai trabalha. Com duas opções tão tentadoras, eu quase não consegui escolher.
Só pra constar, eu não gosto da voz da Miley Cyrus, mas as músicas dela são tão alegrinhas e pra cima que eu sou obrigada a ouvir.
As coisas com Clarissa foram bem. Depois do nosso pequeno trato, nenhuma de nós estava tratando a outra da forma ‘te-odeio-bitch’, e isso ajudou bastante. Ela pareceu realmente começar a entender e fazer as benditas relações, e me pediu para ajudá-la na próxima sexta também. Como se eu já não fosse fazer isso. Apesar de eu ter saído da escola quando já escurecia – também chamada a pior hora para pegar metrô (lotação máxima, sabe como é) –, crédito extra nunca é de se dispensar. Ainda mais quando eles podem acabar te livrando de escrever um trabalho.
Virei para o monitor do meu computador. Tinha uma janela laranja na minha barra de ferramentas. Hm, é Potter?
James Potter – RESUMO DE GEOGRAFIA? diz: ei, Evans.
- Lily diz: oi. Não tenho resumo de geografia :s
James Potter – RESUMO DE GEOGRAFIA? diz: beleza, mas eu não ia perguntar isso.
- Lily diz: não?
James Potter – RESUMO DE GEOGRAFIA? diz: está ocupada?
Ouvindo Miley Cyrus e vendo a chuva escorrer pelo vidro da minha janela, serve?
- Lily diz: não.
Por favor, por favor, por favor me convide pra ir ao cinema ver Quem Quer Ser um Milionário?. Ninguém quer ver o filme comigo, estou desde a sexta-feira da semana passada tentando convencer alguma alma caridosa a me acompanhar, mas todo mundo franze o nariz e diz “sobre um garoto de favela de Mumbai?” (N/A: Todo mundo sabe que o filme ganhou 8 Oscars no Academy Awards 2009, mas na época em que esse capítulo se passa – precisamente dia 17 de janeiro de 2009, e sim, eu estou cuidando isso – as indicações para o prêmio ainda não tinham acontecido. E assistam esse filme, se ainda não assistiram. É muito bom).
James Potter – RESUMO DE GEOGRAFIA? diz: já jantou?
Por que quer saber isso? E não são nem oito horas do noite, é claro que eu não jantei.
- Lily diz: hm, não.
James Potter – RESUMO DE GEOGRAFIA? diz: ótimo! Vamos jantar juntos então, e comemorar que a Marion Collins ganhou o jogo hoje.
- Lily diz: vocês ganharam? Parabéns! Isso nos leva para as quartas-de-final?
James Potter – RESUMO DE GEOGRAFIA? diz: é. Mas o time não vai muito além, você sabe, é uma merda. Agora, a respeito de jantar...
Ele está mesmo me chamando para jantar com ele? Isso é um convite para sair, certo? Como aqueles outros três que ele me fez e eu recusei insistentemente?
- Lily diz: como amigos? Ou tipo num encontro?
Meu Deus, Lily, você é retardada? Como eu faço para pegar essas palavras de volta? Como?
James Potter – RESUMO DE GEOGRAFIA? diz: tanto faz, como você quiser chamar.
- Lily diz: ok, pode ser. Contanto que seja em algum lugar onde eu possa usar jeans.
James Potter – RESUMO DE GEOGRAFIA? diz: comida chinesa?
- Lily diz: mentira que você gosta de comida chinesa! Ninguém gosta de comida chinesa. Eu nunca consegui encontrar alguém para me acompanhar.
James Potter – RESUMO DE GEOGRAFIA? diz: eu gosto de comida chinesa. Passo aí às oito e meia?
- Lily diz: você dirige?
James Potter – RESUMO DE GEOGRAFIA? diz: é óbvio que não dirijo, Evans, eu ainda nem terminei a escola. Vou ter que passar com um táxi.
- Lily diz: acho que tudo bem.
James Potter – RESUMO DE GEOGRAFIA? diz: beleza.
James Potter alterou seu estado para ausente.
James Potter – não (mp) diz: eu só preciso do endereço.
- Lily diz: hahaha, certo.
E daí passei o endereço para ele, e ele me disse (de novo) que passava às oito e meia,e que motoristas de táxi geralmente não gostam muito de esperar. Uma forma sutil de dizer para eu não demorar para ficar pronta.
Acabou de me ocorrer: eu consegui um encontro com Potter em uma semana. Pode ser que ele ainda alimente algum tipo de sentimento por mim, é uma possibilidade. Ou ele pode estar aproveitando que eu me joguei pra cima dele (da minha própria maneira, é claro) e só quer curar seu orgulho ferido ou sei-lá-o-quê. Ou eu comecei a conversar com ele, e ele me chamou pra sair e me conhecer melhor.
Existem explicações para isso, muitas delas, mas essa não é a questão.
O ponto é: eu passei uma semana com ele. Cinco dias é um tempo ridiculamente curto. Mas deveria ser tempo suficiente para pelo menos uma das características que eu tanto criticava nele se mostrarem realmente verdadeiras, certo?
Só que elas não se mostraram verdadeiras. Entretanto, eu não posso ter cometido um erro de julgamento tão grande. Então por que eu fico com essa sensação de ‘estou-fazendo-merda’ e essa voz na minha cabeça me dizendo “Lily, presta atenção na maneira que você está agindo”?
Por que eu continuo com a impressão de que James Potter não serve para o papel que eu quero fazê-lo desempenhar?
Deus, sair da minha zona de conforto está sendo uma perfeita loucura.
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¹ Independent Schools são as escolas particulares; state-funded schools são escolas financiadas pelo governo. Informação via Wikipédia, galera, então não posso confirmar a veracidade dos fatos, mas acredito que seja isso mesmo.
² Esse disco não tem nome, mas ficou conhecido como White Album ou, em português, Álbum Branco, pelo fato de a capa ser inteiramente branca com um pequeno “The Beatles” em relevo.
³ A educação é dividida em primária (Key Stage 1 – dos 5 aos 7 anos – e KS2 – dos 7 aos 11) e secundária (Key Stage 3 – dos 11 aos 14 anos – e KS4 – dos 14 aos 16). De novo, via wikipedia.org ;)
³¹ Breakout – Miley Cyrus (a música que deu título ao primeiro disco dela sem ligação com Hannah Montana e uma das únicas que prestam :B).
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N/A: Sobre o quote lá em cima... Bem, é da Lauren Conrad (The Hills), e talvez vocês pensem “mas que pessoa tu achou para colocar uma fala entre aspas”. Certo. Mas, para mim, ela tem tudo a ver com essa fic. Não sei se é evidente pra mim porque eu já sei ela inteira, nem se já ficou evidente até agora. Mas vai ficar.
Eu sei que disse que não ia usar o sistema educacional britânico – e eu não estou (porque eles, diferentemente da gente, não têm que estudar toda essa inutilidade de 564185616 matérias diferentes) – mas eu estou pegando umas informações básicas, fornecidas pela wikipedia, tipo como funciona o ano letivo e os anos de estudo e tal. Alguma coisa, mas não acho que alguém se importa com algo tão irrelevante.
Sobre os comentários de vocês... Cara! Que bom que vocês estão gostando, realmente gostando, do James. A idéia é essa – é pra ele ser tipo o cara que eu ainda estou procurando. Embora, é claro, ele não seja perfeito (afinal, é humano) e talvez decepcione vocês um pouco mais tarde. Isso é pra fic ter substância, sabe como é.
Respondendo os comentários:
Gih Meadowes: tu queria escrever assim? Por que, Gi, se ambas sabemos que tu escreve muito melhor do que isso? E obrigada, ta aqui o capítulo *-*
Bruna Kappel: obrigada! Vê só, quem precisa de garotos quando se tem chocolate? (resp: eu hahaha)
Gaby Black: obrigada, Gaby! *-*
Nath Krein: acho que o motivo de eu ter gostado daquela conversa também é impossibilidade que eu via naquilo acontecendo, sabe? E eu li a sua fic do GreNal, não sei se tu leu meu comentário lá, mas ele começa assim: “comofas o internacional ganhando? que ultraje! -q como boa gremista que sou, não dava pra ignorar o detalhe, mas beleza. ok, James é o mais esperto da história, me desculpem os colorados, mas, sabe como é, campeão do mundo desde 83, que poder!” e termina assim: “enfim, adorei. (e vamo tricolor! :D)” Hahaha. A-do-ro futebol!
Nandinhaa M: obrigada! *-* Que bom que ele está surpreendendo você, essa é a idéia ;)
Flá Dawson: Awn, obrigada Flá! Mas acho que gostar mais do Sirius ou do James nas fanfics, principalmente UA, é algo muito relativo, porque se essa fic fosse S/M, por exemplo, seria praticamente igual. Mas enfim.
vanessa .: Cara, super obrigada! Se tu realmente não souber escrever fics cheias de romance (mas não melosas, espero ._.)... Bem, eu não sei escrever mais nenhum outro estilo, creio, então nada de anormal. Cada um nasce voltado para um lado, sei lá. Alguns, é claro, nascem bons em tudo. Deus simplesmente olha para eles e diz: “vai lá amigo, você vai ser o cara”. Injustiça?
Fernanda M.