CAPÍTULO 1
Possuído pelo demônio.
O homem não se mostrava nem um pouco surpreso ou alarmado.
A fera sempre começava a se movimentar no final do dia, quando sua mente já não era absorvida pelo trabalho e seu corpo precisava desesperadamente relaxar.
Durante um longo período quase um ano, o demônio havia se escondido dele.
Ele ficara sem saber que o demônio estava lá.
Então, de maneira ingênua, preferira pensar que estivesse tendo crises ou ataques de pânico, porque assim as coisas ficavam menos ameaçadoras.
Ele comparava a sensação com o enrolar dos braços ao redor de uma pedra quente para aquecer seu corpo gélido, mas, à medida que o dia avançava, a pedra se tornava cada vez mais quente, até exalar um calor insuportável.
Em seguida, era completamente tomado pela ansiedade. Uma ansiedade horrível que fazia com que sua pele se arrepiasse e seus pulmões se queimassem, até que sentisse uma necessidade incontrolável de gritar sem parar.
Desesperado, ele pensava em tomar uma dos comprimidos especiais que o médico prescrevera para ele, mas nunca chegou a tomar nada nem mesmo uma aspirina, com medo de que o remédio o enfraquecesse.
Ele acreditava ser um bom homem. Pagava suas contas, ia à igreja aos domingos e tinha um trabalho em período integral. Era um trabalho estressante no qual, constantemente, tinha de pisar em ovos, o que requeria concentração máxima e não sobrava tempo para pensar ou se preocupar com o pesado fardo que o esperava, quando voltava para casa.
Ele não se importava em passar longas horas no trabalho. Na verdade, sentia-se até agradecido por isso.
Tanto na vida pessoal quanto na profissional, ele nunca fugia de suas responsabilidades. Cuidava com dedicação de Nina, sua esposa inválida.
Por insistência dela, eles haviam se mudado para Chicago, onde pretendiam recomeçar a vida após o acidente. Em duas semanas, ele conseguira um emprego, o que ele considerou um sinal de sorte. Apesar da correria, aquela fora uma época feliz.
Ele e Nina decidiram usar uma parte do dinheiro da indenização para comprar uma espaçosa casa, de um andar e meio, nos arredores da cidade e, uma vez feita a mudança, passavam as noites de verão colocando rampas e alterando o primeiro andar, de modo que Nina não tivesse problemas para se locomover em sua cadeira de rodas levíssima e high-tech. As pernas de Nina foram dilaceradas durante o acidente e ela perdera a chance de voltar a andar.
Ela aceitou seu destino e continuou a viver a vida. Ele se sentiu aliviado quando a esposa, vagarosamente, recuperou as forças e aprendeu a se virar sozinha durante o dia.
Quando estava em casa, ele insistia em cuidar dela. Todas as noites, ele preparava o jantar e arrumava a cozinha. Depois, passavam o resto da noite juntos, assistindo aos seus programas de televisão favoritos.
Estavam casados havia dez anos e, durante todo esse tempo, o amor que sentiam um pelo outro não diminuíra.
Entre outras coisas, o acidente servira para descartar qualquer possibilidade de se perderem em contentamento ou de caírem na rotina do dia-a-dia.
O que não era de espantar. Sua doce e gentil Nina havia morrido na mesa de cirurgia e milagre dos milagres voltado para ele.
Os médicos trabalharam a noite inteira para salvar a vida dela. Quando recebeu a notícia de que ela sobreviveria, ele caiu de joelhos na capela do hospital e jurou que passaria o resto de sua vida tentando fazê-la feliz.
Ele tinha uma vida rica e cheia de significados... com uma pequena exceção.
A consciência sobre o demônio não se apresentara de forma gradual. Não, ficara sabendo de forma súbita.
Aconteceu no meio da noite. Ele estava com dificuldades para dormir e, em vez de ficar rolando de um lado para outro e correndo o risco de acordar Nina, resolveu ir até a cozinha, do lado oposto da casa, onde começou a andar de um lado para o outro. Pensou que um copo de leite morno pudesse ajudá-lo a acalmar seus nervos e fazê-lo dormir, mas estava errado. Ao colocar o copo vazio na pia, o copo escapou de sua mão e rolou no fundo da cuba. O som reverberou por toda a casa. Ele correu em direção à porta do quarto e ficou do lado de fora, escutando. Ao perceber que o barulho não acordara sua esposa, sentiu-se aliviado e voltou para a cozinha. Sua ansiedade aumentava. Estaria ficando louco? Não, não. Apenas mais uma das crises. Apenas isso. E essa não seria tão horrível. Ele se manteria sob controle.
O jornal estava sobre o balcão da cozinha, exatamente onde o deixara, pegou-o e levou-o para a mesa. Decidiu que leria o calhamaço todo, de cabo a rabo, até cair de sono.
Depois de ler cada palavra do caderno de esportes, ele avançou para as notícias sobre a cidade. Deu uma olhada no artigo sobre a inauguração de um novo parque com pista de Cooper, abriu o jornal sobre a mesa e imediatamente seus olhos se depararam com a foto de uma linda jovem, na frente de um grupo de homens.
Ela tinha nas mãos uma tesoura e estava prestes a cortar a fita que cruzava a entrada do parque. E sorria para ele. Hipnotizado, ele não era capaz de tirar os olhos dela. Tudo aconteceu no momento em que ele estava lendo os nomes abaixo da foto.
De repente, sentiu um sufocante aperto no peito e muita dificuldade para respirar. Um raio parecido com um relâmpago cruzou seu coração, causando uma dor terrível. Estaria ele tendo um infarto ou seria apenas mais um de seus ataques de pânico?
Tente se acalmar, disse para si mesmo. Tente se acalmar. Respire fundo. A ansiedade crescia de forma insuportável e, com ela, a terrível e tão familiar sensação de terror. Em seguida, sua pele começou a se queimar e a coçar e, pulando pela cozinha, ele começou a coçar freneticamente os braços e as pernas. O que estava acontecendo com ele?
Ao perceber que estava correndo, viu-se obrigado a parar. Ao olhar para baixo, pôde ver os arranhões que se impingira. Havia riscos de sangue em seus braços e pernas, alguns tão profundos que o sangue chegava a pingar no chão. Sentia que estava prestes a explodir. Agarrou os cabelos e começou a chorar, mas estava sendo perseguido pelo terror. De repente, percebeu que não tinha mais controle sobre seu corpo. Não podia sequer respirar.
Com uma clareza impressionante, ele viu e compreendeu. Havia outra pessoa respirando por ele.
Na manhã seguinte, acordou, em posição fetal, no chão da cozinha. Teria desmaiado? Pensou que essa seria uma hipótese plausível; Colocou-se sobre os pés cambaleantes e apoiou-se na mesa para manter o equilíbrio. Fechando os olhos, respirou fundo por várias vezes e, devagar, aprumou o corpo. Notou a tesoura sobre o jornal. Será que a colocara ali? Não conseguia se lembrar. Guardou a tesoura na gaveta e pegou o jornal Para jogá-lo no cesto de lixo, que ficava na garagem. Foi quando viu o recorte de jornal. Tanto o artigo quanto a foto da jovem sorridente estavam ali, no centro da mesa, esperando por ele. Ele sabia quem os tinha colocado ali. E por quê.
O demônio a desejava.
Ele cobriu o rosto com as mãos e soluçou.
Sabia que era necessário encontrar uma outra maneira de acalmar a fera. Atividades físicas pareciam ajudar. Ele se matriculou em uma academia e começou a praticar exercícios com obsessão. Uma de suas atividades favoritas era vestir as luvas de boxe e socar o maldito saco de areia, com toda a força e pelo maior tempo possível. Perdia a noção do tempo e não parava até que fosse impossível levantar os braços, sem sentir uma dor horrível.
Por vários dias, ele manteve seu corpo em estado de perpétua exaustão. Mas mesmo isso parecia não ser suficiente.
O tempo estava se extinguindo. Ele estava sendo consumido pelo demônio. Ironicamente, fora sua esposa quem lhe dera essa idéia. Certa noite, ao lhe fazer companhia enquanto ele lavava a louça, ela sugerira que ele deveria ter uma noite de folga. Uma noite, insistiu ela, na qual ele pudesse curtir a companhia dos amigos.
Ele discordou de imediato, pois já ficava longe dela durante muitas noites, em virtude dos afazeres no trabalho. Isso sem falar do tempo em que ficava fora para correr ou se exercitar na academia. Com certeza, ele já tinha tempo suficiente para si mesmo.
Entretanto, ela estava decidida e nada a fez desistir disso. Finalmente, ele acabou concordando, mas apenas para vê-la feliz.
Hoje seria sua primeira noite fora. Ele já sentia o pulsar da adrenalina. Estava tão nervoso e excitado quanto na noite em que saíra com a primeira namorada.
Antes de sair de casa, ele disse à Nina que, depois do trabalho, iria direto para a cidade, onde encontraria alguns amigos no Sully, um bar e grill bastante conhecido. Entretanto, ela não tinha motivos para se preocupar. Ele prometeu que se tomasse mais de um drinque, não voltaria para casa dirigindo. Pegaria um táxi.
Mentira do começo ao fim.
Não, ele não estava indo para a cidade para relaxar. Estava indo para caçar.
Carolina-Oi galera, tudo bom?
Espero que sim!
Como disse estarei embarcando nessa nova jornada.Amo fic de mistério,suspense espero que vocês também se divirtam com essa fic. Não se esqueçam de comentar e votar.Bjs fiquem com Deus
Carol
Jeh Halle-Oi querida , que bom que gostou do inicio dessa fic.Viu ja postei o primeiro cap e mais tarde esterai postando mais um bjs querida fica com Deus.
PS.E bem provavel que eu poste um cap por dia,mas claro que dependera de vocês.Seus comentários são de extrema importancia,então não deixe de comentar;)
Carol