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2. PRÓLOGO


Fic: A Próxima Vítima HG CAP 20 AO 24 ON COMENTE E VOTE


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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PRÓLOGO


O primeiro dia de jardim da infância na seletiva escola Briarwood  fora o pior da vida de Gina Weasley. O desastre fora tamanho que ela jurou nunca mais voltar ali.


Ela acordara pensando que a nova escola seria maravilhosa. E por que não? Seus irmãos e sua mãe lhe haviam garantido que sim, e ela não tinha nenhum motivo para duvidar da palavra deles. Sentada no banco traseiro da limusine que a levava à escola, ela, com orgulho, exibia seu novo uniforme escolar: saia xadrez azul-marinho e cinza, camisa branca com gola de pontas, gravata azul-marinho com o mesmo tipo de nó usado pelos homens e blazer cinza, com o lindo emblema dourado com as iniciais da escola no bolso, na altura do peito.


Os cabelos encaracolados estavam presos atrás com uma fivela azul-marinho, aprovada pela escola. Sua indumentária era novinha em folha, o mesmo se podia dizer das meias três - quartos brancas e o mocassim azul-marinho.


Gina imaginara que se divertiria na escola. Nos dois últimos anos, ela e as nove colegas de classe da luxuosa escola que freqüentara antes foram mimadas por suas professoras, que nunca deixavam de sorrir. Ela estava confiante que seu primeiro dia em Briarwood transcorreria da mesma maneira. Talvez até melhor.


Como fazem todas as mães e, às vezes, os pais de alunos novos, sua mãe deveria tê-la acompanhado em seu primeiro dia de aula, mas, devido às circunstâncias que afirmara estarem além de seu controle, ela tivera que permanecer em Londres com seu novo namorado e não pudera voltar a Chicago a tempo.


A vovó Weasley teria ficado feliz em acompanhá-la, mas ela também se encontrava fora do país, visitando amigos, e só estaria de volta em duas semanas.


No dia anterior, quando falara com a mãe ao telefone, Gina lhe assegurara que não seria necessário que sua governanta, a Sra. Tyler, a acompanhasse até a escola. Então, sua mãe sugerira Rony. Gina sabia que, se tivesse pedido ao seu irmão mais velho, ele a atenderia. Ele já tinha 17 anos e não gostava de passear com ela, mas ele a teria levado... se ela tivesse pedido isso a ele. Como seus outros irmãos, Fred e Jorge, eles também fariam qualquer coisa por ela.


Gina decidira que preferia ir sozinha. Não queria ser conduzida à sala de aula pela mão. Agora, como seu uniforme indicava, ela já era grande. E, caso se perdesse, ela simplesmente pediria ajuda a uma das professoras sorridentes.


No fim, a escola acabou não sendo nada do que imaginara. Ninguém lhe dissera que o jardim-de-infância em Briarwood duraria o dia inteiro. Da mesma maneira como não fora avisada sobre o grande número de alunos que freqüentavam a escola, com certeza ninguém mencionara os malvados. Eles estavam por toda parte. Mas ela estava mais preocupada com uma garota mais velha que, quando as professoras não estavam por perto, gostava de atormentar os alunos do jardim-de-infância.


Às três da tarde, quando o sinal finalmente tocou para dispensar os alunos, Gina estava tão perturbada e esgotada que precisou morder o lábio inferior para não chorar.


Havia carros e limusines estacionados à saída da escola. Evan, o motorista, saiu do carro e veio ao encontro de Gina.


Apesar de tê-lo visto, Gina estava muito cansada para correr até ele. Então, alarmado com sua aparência, ele se apressou para encontrá-la. As presilhas estavam penduradas nas mechas de cabelo que lhe caíam sobre o rosto; o nó de sua gravata, desfeito; a fralda da camisa para fora da saia; e uma das meias, que havia escorregado, se amarfanhara em torno do tornozelo. A criança de 5 anos parecia ter passado pelo ciclo final de uma secadora de roupas. Enquanto abria a porta de trás para ela, Evan perguntou:


— Está tudo bem, Srta. Gina?


De cabeça baixa, ela respondeu:


— Sim.


— Como foi seu dia?


Ela se afundou no banco traseiro.


— Não quero falar sobre isso.


Essa mesma pergunta lhe foi feita pela governanta, assim que a porta da frente foi aberta.


— Eu não quero falar sobre isso — repetiu Gina.


A governanta pegou sua mochila de livros.


— Obrigada — disse Gina.


Subiu correndo a escada circular em direção à ala sul e ao seu quarto, bateu a porta e, imediatamente, caiu no choro.


Gina sabia ser uma decepção para sua mãe porque, mesmo que tentasse, não conseguia manter suas emoções sob controle. Caso caísse e esfolasse o joelho, ela simplesmente tinha de abrir um berreiro. Não importa onde ou quem estivesse por perto para observar seu comportamento.


Quando se sentia infeliz, ela quebrava todas as regras que a mãe tentava lhe ensinar. Inúmeras vezes haviam lhe dito para se comportar como uma dama, mas ela não estava certa do que isso significava, a não ser, é claro, que devia manter as pernas fechadas quando se sentava numa cadeira. Ela não gostava de sofrer em silêncio, mesmo que essa era uma das regras básicas da família Weasley. Ela também não se importava muito em ser corajosa e, quando se sentia infeliz, achava que toda a família devia ficar sabendo disso.


Infelizmente, Rony era o único membro da família que estava em casa naquele momento. Por ser o mais velho dos irmãos, era provável que fosse o menos solidário e não gostava de ser incomodado com as preocupações de uma pirralha daquela idade. Ele detestava vê-la chorar, o que, no entanto, não a impedia de fazer isso.


Ela assoou o nariz, lavou o rosto e trocou de roupa. Depois de tirar o uniforme, dobrou todas as peças com cuidado e as colocou no cesto de roupas sujas. Como nunca mais voltaria àquela horrível escola, ela não precisaria mais daquelas roupas. Vestiu um short que combinava com a blusa e quebrou outra regra, ao correr descalça pelo corredor até o quarto do irmão.


Timidamente, ela bateu na porta.


— Posso entrar?


Sem esperar pela resposta, ela abriu a porta e, em disparada, atravessou o quarto em direção à cama, onde se atirou sobre o edredom que, no momento em que dormia, Rony sempre jogava no chão. Sentada sobre as pernas cruzadas, ela tirou do cabelo as presilhas aprovadas pela escola, que estavam penduradas, e jogou-as no colo.


Rony parecia irritado. Vestindo roupas de rúgbi, ele estava sentado em sua escrivaninha, ao redor de vários livros. Até que ele se despedisse e desligasse o telefone, ela não percebera que ele estava usando o aparelho.


— Você deve esperar até que eu lhe dê permissão para entrar em meu quarto — disse ele. — Não é nada bonito invadir o quarto das pessoas assim, dessa maneira. — Em seguida, como ela não respondeu, ele apoiou as costas na cadeira, analisou o rosto dela e perguntou: — Você esteve chorando?


Ela pensou um pouco antes de dizer alguma coisa e decidiu quebrar outra regra. Mentiu.


— Não — disse ela, com o olhar grudado no chão.


Apesar de saber que ela não dizia a verdade, ele decidiu que, naquele momento, não valia a pena pressioná-la com um discurso sobre honestidade. Sua irmãzinha estava visivelmente perturbada.


— Alguma coisa errada? — perguntou ele, já sabendo muito bem da resposta.


Ela não olhava para ele.


— Nãaao... — disse ela, arrancando a palavra de dentro de si.


Ele soltou um grande suspiro.


— Eu não tenho tempo para adivinhar qual é seu problema, Gina. Dentro de alguns minutos, tenho de ir para meu treino. Diga-me o que há de errado.


Ela levantou os ombros com certo desdém.


— Não tem nada errado. Juro.


Com as pontas dos dedos, ela fazia círculos sobre o edredom. Rony desistiu de descobrir o que a estava deixando preocupada e abaixou-se para calçar os sapatos. Ao se lembrar de que hoje fora o primeiro dia de Gina em Briarwood, ele perguntou, com certa indiferença:


— Como foi seu dia na escola?


Ele estava completamente despreparado para a resposta que recebeu. Ela caiu no choro, atirando-se sobre a cama e enterrando o rosto no edredom, onde confortavelmente podia enxugar os olhos e o nariz. Ela lhe contou tudo o que estava segurando desde o recreio. O problema era que o que ela dizia não tinha o mínimo sentido.


Ela despejou tudo em uma sentença longa, desarticulada e precariamente coerente.


— Eu odeio aquela escola e nunca mais quero voltar lá, nunca mais. Eles não nos deixaram comer o lanche e eu tive de ficar sentada por muito tempo e tinha aquela garota e uma outra grandona que me fizeram chorar e a garota grandona disse que se eu contasse para a professora ela nos pegaria e eu não sabia o que fazer, então na hora do recreio fui para trás do prédio com uma menina e ajudei ela a chorar e agora eu nunca mais vou voltar para aquela escola horrível de novo porque amanhã a garota grandona disse que vai pegar a menina de novo.


Rony estava completamente espantado. Gina estava sofrendo horrivelmente. Se ela não estivesse se sentindo tão miserável, Rony teria rolado de rir. Que drama! Ela herdara essa característica do lado Weasley da família. Todos os Weasley tinham as emoções à flor da pele. Ainda bem que ele, Fred e Jorge saíram muito pouco aos Weasley. Eles eram muito mais reservados.


Gina estava fazendo tanto estardalhaço que Rony não ouviu alguém bater à sua porta. Fred e Jorge entraram correndo. Os dois irmãos eram altos, magros e tinham cabelos escuros, da mesma maneira como Rony. Fred tinha 15 anos e, entre os irmãos, era o que tinha o coração mais mole. Jorge fizera 14 anos havia pouco tempo. Era o mais atrevido e irrequieto da família. Ao se olhar para ele, tinha-se a impressão de que havia acabado de voltar de uma guerra. Assim como os braços, seu rosto vivia esfolado. Dois dias antes, ele perdera o equilíbrio ao subir no telhado para recuperar uma bola de futebol e com certeza teria fraturado o pescoço, se não tivesse se agarrado a um galho de árvore no momento da queda. Seu amigo Ryan não tivera tanta sorte. Jorge aterrissou sobre ele, quebrando-lhe o braço. Ryan jogara na posição de quarterback[1] do time oficial de juniores, mas agora teria de ficar fora dos jogos daquela temporada. Jorge não se sentia muito culpado com o acidente. Ele dizia que a causa do infortúnio fora o galho que prendera Ryan, o que fez com que fosse impossível que ele saísse da frente de Jorge no momento da queda.


Nesse momento, Jorge estava procurando arranhões e escoriações em Gina. Se não havia nenhum machucado visível, por que ela chorava tanto?


— O que você fez para ela — perguntou ele a Rony.


— Eu não fiz nada — respondeu Rony.


— O que há de errado com ela? — perguntou Jorge. Sem saber o que fazer, ele se inclinou sobre a cama para revistar sua irmãzinha.


Fred aplicou-lhe uma cotovelada, tirando-o do caminho para poder se sentar ao lado de Gina e, um pouco desajeitado, começou a lhe dar tapinhas no ombro.


Finalmente ela começou a ficar mais calma. Rony soltou outro suspiro. Talvez a tempestade tivesse passado. Ele acabou de amarrar os sapatos e disse:


— Muito bem, ela já está melhor. Mas não lhe perguntem nada sobre a...


— Então, como foi a escola hoje? — interrompeu Jorge.


O choro recomeçou.


— ...escola. — completou Rony.


Ele abaixou a cabeça e virou-se para a escrivaninha, para que a irmã não pudesse ver que estava sorrindo. Ele não tinha a menor intenção de magoá-la. Mas ela realmente sabia como fazer um escândalo. Considerando seu tamanho, ela era capaz de aprontar um pampeiro e tanto.


— Ela teve um dia péssimo — disse ele aos irmãos.


— Você acha? — perguntou Fred.


Gina parou de chorar por um instante, foi o tempo suficiente para dizer:


— Eu nunca mais piso naquele lugar.


— O que aconteceu? — perguntou Jorge.


Entre soluços, Gina despejou seu rosário de reclamações.


— Você precisa voltar — disse Fred.


Não foi a coisa mais certa a dizer naquele momento.


— Não, eu não preciso.


— Sim, precisa, sim — disse Fred.


— O papai não me obrigaria a ir.


— Como você pode saber o que ele faria? Ele morreu quando você ainda era bebê. Não é possível que você se lembre dele.


— Posso, sim. Eu lembro bastantão.


— Sua gramática é horrível — comentou Rony.


— Mais uma razão para ir à escola — disse Fred. Foi preciso erguer a voz para se fazer ouvir, pois sua irmã começara a chorar de novo.


— Droga, ela sabe fazer um escândalo — murmurou Rony. Ele balançou a cabeça e disse: — Tudo bem. Se eu não sair daqui a pouco, vou chegar atrasado ao meu treino. Então, vamos resolver isso logo. Gina, pare de limpar o nariz nos meus lençóis e sente-se.


Ele tentou colocar um pingo de seriedade na voz. A ordem que dera e o tom de sua voz não fizeram a mínima diferença. Ela não pretendia parar até que tivesse esgotado seu choro.


— Escute, Gina, você precisa ficar calma e nos dizer o que aconteceu — disse Jorge. — Conte-nos exatamente o que fez a tal garota.


Fred remexeu um dos bolsos, no qual resgatou um lenço de papel.


— Tome — disse ele. — Assoe o nariz e sente-se. Vamos. Se você não disser exatamente o que está acontecendo, não poderemos solucionar esse problema para você.


Rony estava balançando a cabeça.


— É a Gina quem vai solucionar esse problema — disse ele.


Ela deu um salto.


— Não, eu não vou solucionar nada porque nunca mais vou voltar naquele lugar horrível.


— Fugir dos problemas não é resposta — disse Rony.


— Não me interessa. Vou ficar em casa.


— Calma, Rony. Se alguma garota malvada está atormentando nossa irmã, então, pelo amor de Deus, nós precisamos... — começou Jorge.


Rony levantou a mão, pedindo silêncio.


— Antes de qualquer coisa, vamos ordenar os fatos, Jorge. Vamos, Gina — disse ele, num tom apaziguador —, quantos anos tem a garota?


— Não sei.


— Muito bem. Você sabe em que ano ela está?


— Como ela vai saber isso? — perguntou Fred. — Gina está apenas no jardim-de-infância.


— Eu sei muito bem — disse Gina. — Ela está no segundo ano, o nome dela é Morgan e ela é muito má.


— Muito bem, vamos dizer que ela seja mesmo muito má — disse Rony, com impaciência. Antes de continuar, ele olhou para o relógio. — Finalmente estamos chegando a algum lugar.


Jorge e Fred estavam com um sorriso nos lábios. Felizmente, Gina não percebeu.


— Você disse que a garota que está no segundo ano fez a outra garotinha chorar? — perguntou Rony.


Gina concordou com um aceno de cabeça.


— É verdade, ela fez a outra chorar.


— E o que foi que ela fez para fazer a outra chorar? — perguntou Jorge. — Bateu nela?


— Não.


— Então, o que foi que aconteceu? — Nesse momento, Jorge parecia tão frustrado quanto Rony.


Mais uma vez, os olhos de Gina se encheram de lágrimas.


— Ela obrigou a menina a lhe dar suas presilhas de cabelo.


— Essa garota está no jardim? — perguntou Rony.


— E ela é muito legal. Quando fazemos o círculo, ela sempre se senta do meu lado. O nome dela é Hermione, mas ela disse que todo mundo chama ela de Mione e que ela queria que eu também chamasse ela assim.


— Você gosta dessa Hermione? — perguntou Fred.


— Sim — respondeu ela. — E tem uma outra garota que eu também acho legal. O nome dela é Luna, e ela se senta na mesma mesa em que a Mione e eu.


— Vejam só! — disse Rony. — Seu primeiro dia na escola nova e você já fez duas amigas novas!


Crente de que o problema já estava resolvido, ele pegou as chaves do carro e caminhou em direção à porta. Jorge o chamou:


— Espere um pouco, Rony. Você não pode sair antes de descobrirmos o que fazer com essa malvada.


Rony parou na soleira da porta.


— Você deve estar brincando. A malvada é uma garotinha do segundo ano.


— Mesmo assim, precisamos fazer alguma coisa para proteger Gina — insistiu ele.


— Como o quê? — perguntou Rony, irritado. — Você acha que a gente deveria ir amanhã até a escola para aterrorizar a garota?


Gina se animou.


— Isso seria ótimo — disse ela. — Façam com que ela deixe a Mione, a Luna e eu em paz.


— Acho melhor você resolver o problema sozinha — disse Rony. — Você pode enfrentá-la. Diga-lhe que você não vai lhe dar nada e que ela deve deixar suas amigas em paz.


— Acho melhor o outro jeito.


Rony deu uma piscadela.


— Qual jeito?


— Aquele que você, Fred e Jorge vão até a escola comigo para dar um jeito nela. Eu prefiro este. Se vocês quiserem, poderão passar o dia inteiro comigo.


— Isso não é um teste de múltipla escolha... — Rony começou a dizer.


— Espere um pouco. Você não disse que o nome dela... Como é mesmo o nome dela? — perguntou Jorge.


— Morgan.


— Muito bem. Você não disse que, amanhã, a Morgan vai atormentar a Hermione de novo?


Gina torceu o nariz e arregalou os olhos.


— Então, por que você está tão preocupada? Não é você quem ela vai atormentar — disse Jorge.


Gina ficou extremamente séria.


— Porque ela é minha amiga, Jorge.


Rony deu um sorriso.


— E como você acha que ela vai se sentir se você não aparecer amanhã?


— Mione também não vai mais à escola. Ela disse isso para mim.


— Bem, tenho certeza de que os pais dela farão com que ela vá — disse Rony. — Sabe, Gina, existem dois tipos de pessoas no mundo. Aquelas de fogem dos problemas e aquelas que os encaram.


Ela enxugou as lágrimas do rosto.


— De qual tipo eu sou?


— Você é uma Weasley. Você enfrenta os problemas. Você não foge de ninguém.


Apesar de não ter gostado do que ouviu, ela sabia, pela posição das mandíbulas do irmão, que ele não mudaria de idéia, independentemente do argumento que ela usasse. De qualquer maneira, ela se sentia melhor depois de ter dividido seu problema.


Na manhã seguinte, enquanto a Sra. Tyler penteava o cabelo de Gina, ela pensou em não usar as presilhas. Mas acabou optando por usá-las, no caso de Hermione precisar de presilhas extras.


Quando finalmente chegou a Briarwood, ela estava com o estômago enjoado. Viu que Hermione a esperava no portão de entrada.


— Pensei que você não viesse hoje — disse Gina ao alcançá-la.


— Meu pai me obrigou a vir — respondeu Mione, deprimida.


— Meu irmão também me obrigou.


Luna as chamou. Ela tinha acabado de sair de seu carro e estava tentando ajeitar as alças da mochila nos ombros.


Quando viu Mione e Gina juntas, correu para se juntar a elas, com os cabelos loiros compridos flutuando atrás de si. Gina pensou que Luna era parecida com uma princesa. De tão claros os cabelos dela chegavam a parecer brancos e seus olhos eram de um lindo tom de verde.


— Eu sei o que nós podemos fazer — anunciou Luna, assim que se juntou a elas. — No recreio, nós podemos nos esconder atrás dos alunos da quinta série e você, Gina, pode cercar Morgan para pegar as presilhas de Mione de volta.


— Como? — perguntou Gina.


— Como o quê? — perguntou Luna.


— Como vou pegar as presilhas de volta?


— Eu não sei, mas talvez você possa pensar em alguma coisa.


— Meu pai disse que eu tenho de contar o que Morgan fez para a professora, mas eu não vou fazer isso — disse Mione. Ela roçou os ombros com seus cachos escuros e acrescentou: — isso só vai deixar a Morgan mais brava.


De repente, Gina se sentiu como se fosse adulta.


— Temos de dizer a ela para nos deixar em paz. Foi o que o Rony disse.


— Quem é Rony? — perguntou Luna.


— Meu irmão.


— Mas sou só eu quem a Morgan está atormentando — disse Mione — Isso não é com você nem com a Luna. Vocês podem fugir e se esconder dela.


— Você pode se esconder com a gente — sugeriu Luna.


— A professora vai obrigar a gente a sair da classe para o recreio — disse Mione. — Então, a Morgan vai me encontrar.


— Vamos ficar juntas e, quando ela tentar assustá-la para fazer com que você dê suas coisas a ela, nós falamos para ela ir embora. Talvez a gente consiga dar um susto nela.


— Talvez — concordou Mione, mas, como não havia nenhum entusiasmo em sua voz, Gina sabia que ela não estava acreditando muito nessa história.


— Pode ser que, até o recreio, a gente consiga pensar num bom plano — disse Luna.


Ela parecia tão segura e confiante que Gina pensou em ser como ela. Sua nova amiga parecia não ter medo de nada. Gina, por sua vez, vivia cheia de preocupações. O mesmo acontecia com Mione. As duas passaram a manhã inteira preocupadas com Morgan.


Como o gramado era regado, passaram o recreio na classe. Mas, durante o intervalo para o almoço, quando os alunos do jardim-de-infância se encontravam com os outros alunos da escola, o dia estava bastante ensolarado e elas foram obrigadas a sair para o playground.


Quando Gina percebeu que não deveria ter almoçado, já era tarde demais. O leite estava rapidamente se azedando em seu estômago e ela se sentia como se tivesse engolido uma pedra.


Morgan estava esperando por elas junto dos balanços reservados para os alunos do jardim e do primeiro ano. Felizmente, Luna tinha um plano em mente.


— Assim que Morgan achar a Mione e andar na direção dela, nós corremos para dentro e chamamos a sra. Grant.


— Você vai contar para ela o que Morgan fez com a Mione?


— Não.


— Como assim? — perguntou Gina.


— Eu não quero que as pessoas me chamem de dedo-duro. Meu pai sempre diz que dedo-duro é a pior coisa do mundo.


— Então, o que é que você vai fazer? — perguntou Gina. Com o canto do olho, ela observava Morgan. Até aquele momento, a malvada ainda não tinha notado a presença delas.


— Como eu não sei o que dizer à professora, vou pedir que ela venha para fora e fique perto o suficiente para ouvir Morgan ameaçando Mione. Pode ser que ela veja Morgan forçando Mione a lhe entregar suas presilhas.


— Luna, você é tão inteligente! — disse Mione.


Gina achou esse plano ótimo. Luna desapareceu na escola no momento exato em que Morgan, cuja imagem correspondia exatamente ao gigante que Gina descrevera, caminhou na direção delas.


De maneira involuntária, elas recuaram um passo. Morgan seguiu em frente. Desesperada, Gina procurava por Luna e pela sra. Grant, sem conseguir encontrá-las. Ela estava aterrorizada. Olhou para os pés de Morgan, pensando que eram tão grandes quanto os de Rony, e, timidamente, subiu o olhar para os olhos dela, que pareciam duas contas marrons. Sentiu-se nauseada.


Nesse momento, Gina tinha duas terríveis preocupações: enfrentar a fúria de Morgan e passar pelo vexame de vomitar na frente de todos os alunos da escola.


A malvada esticou a mão com a palma virada para cima e encarou Mione.


— Passe as presilhas — disse ela, mexendo os dedos. Imediatamente, Mione levantou as mãos para tirar as presilhas, mas Gina as agarrou, impedindo o movimento.


— Não — disse ela, colocando-se diante de Mione. — É melhor você deixá-la em paz.


Esta fora a coisa mais corajosa que fizera em sua vida. Ela se sentia zonza, atordoada e enjoada ao mesmo tempo. Mesmo com a bílis começando a percorrer um caminho em direção à sua garganta e não conseguindo engolir, ela não estava preocupada com seu estado. Estava sendo corajosa e mal podia esperar para contar tudo ao Rony.


Morgan deu um soco em seu peito. Gina cambaleou e quase caiu, mas conseguiu se equilibrar e fincou pé no chão, desafiadora.


— Já disse para você deixar ela em paz — repetiu ela. Como a bílis em sua garganta enfraquecia sua voz, ela engoliu com força e repetiu a ordem.


Céus! O estômago de Gina estava completamente revirado e ela sabia que nunca seria capaz de chegar a tempo até o banheiro.


— Tudo bem — disse Morgan. Ela deu outro passo ameaçador e voltou a bater no peito de Gina. — Então me dê alguma coisa você.


O estômago revirado de Gina obedeceu prontamente.


 




[1] No futebol americano, beque ofensivo que normalmente se mantém atrás da linha de centro, aquele que recebe os sinais e cria a estratégia defensiva do time. (N. da T)


 


 

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