- Muito bem, meu caro Severo... Mais uma vez concluiu com êxito sua missão... Agora que me trouxe a sangue-ruim, poderei atrair com facilidade o pobre Potter...
- Receio que o garoto esteja mais habituado ao uso da Oclumência, meu senhor. Lhe falei que Dumbledore ordenou que eu o ensinasse a usar tal magia.
- Claro... Claro... Mas meu poder é ainda maior... Meu truque não falhará...
Quando abri os olhos estava tudo muito escuro e embaçado. Esfreguei-os com as mãos e pude ver à minha frente, no meio da escuridão, Snape e o Lorde das Trevas. O lugar parecia um cemitério. Talvez fosse. Mas por que eu estava ali?
Ao movimentar meu braço, dei uma cotovelada em alguma coisa e fiz um ruído alto.
- Ora, ora, ora... Então a donzela acordou... - surgiu a voz sarcástica e maliciosa de Voldemort.
Aquele-que-não-deve-ser-nomeado estava mesmo vivo, e eu tinha a leve impressão de que aquilo não era um pesadelo. Voldemort fez um sinal com as mãos e Snape chegou mais perto.
Que trouxa... Que idiota... Que estúpida eu tinha sido. Hermione Granger, a menina mais inteligente da escola, sendo enganada, iludida pelo professor de poções, o qual todos julgavam ser mau. Apenas eu não queria acreditar na verdade.
Maldito, canalha, como pode me iludir daquele jeito?
- Então, Severo... Como foi que você conseguiu enganar a jovenzinha sangue-ruim? - indagou Voldemort. - não era ela tão sábia e inteligente... Como se deixou enganar?
Snape continuava sério, sem responder.
- Severo?
- Suponho que não fosse tão esperta assim, meu senhor... - respondeu ele, com aquele seu jeito amargurado, frio e arrogante de sempre, olhando-me de soslaio.
- É claro que não! - disse, sorrindo maldosamente, Voldemort.
Como fui tão estúpida, meu Deus? Mas sem problemas... Agora, Voldemort me mataria e tudo estaria acabado. Ninguém saberia. Só restaria a Snape, Harry e Gina, a lembrança de minha ingenuidade. Uma vida inteira de esperanças... Ingenuidade e sonhos... desperdiçados.
- Vamos lá, Severo... Já que conseguiu enganar a pobrezinha... Vou lhe dar a oportunidade de matá-la... Para ver o quão generoso sou... - e deu uma risada diabólica.
Ótimo... Assim eu aprenderia a não ser tão besta em uma outra vida...
Era meu fim... Snape, com certeza me mataria agora e tudo estaria acabado. Senti as lágrimas rolando pela minha face. Tudo escuro ao redor. Vi toda a minha vida passar em câmera lenta... Os amigos... Harry, sempre tão bondoso e preocupado... Rony, brincalhão como sempre e que apesar de ser tão idiota às vezes, eu o amava demais, também. Gina e todo o seu apoio... Luna, Neville, Minerva, mamãe, papai, Dumbledore, Simas, Victor Krum... As mais diversas figuras vinham à minha mente, e eu sempre acabava chegando a um mesmo lugar... Snape.
- Antes, porém... Quero que a torture, Severo... Torture-a, até que o sangue lhe desça as ventas! - e soltou de novo aquela risada malvada...
Já não era o bastante tudo o que eu estava sofrendo?
Snape se aproximou e as lágrimas começaram a cair com mais fúria que antes. Eu estava sentada ali no chão, em meio a um monte de ossos na escuridão e precisei falar tudo o que mais desejava naquele momento:
- AHH... EU ODEIOOOOOOO VOCÊ!!!!! ODEIOOOO VOCÊ!! PRA SEMPRE, SEU IMBECÍL... - falei com tanta raiva, que parecia que meus olhos soltavam sangue ao invés de lágrimas... - EU DEVIA TER ACREDITADO NO HARRY... ELE SEMPRE ME FALOU QUE VOCÊ ERA UM IDIOTA, RANHOSO, ESTÚPIDO... E VOCÊ É PIOOOORRRRRR!! EU TE ODEIOOOOOOOOO!
Gritei tanto que minha garganta doíaaaa... Severo se aproximava cada vez mais, como os olhos amargos e vermelhos, cheios de raiva.
Então ele parou, bem próximo a mim e fitou meus olhos profundamente... As lágrimas encharcando meu rosto
- Vamos lá, Severo... Estou aguardando... - falou o Lorde das Trevas, sem paciência.
Snape sacou a varinha, olhou firme para mim. O tempo pareceu parar. A boca de Severo se movia lentamente, formando alguma palavra conhecida e eu o ouvi dizendo Crucio...