CAPITULO 102
POR MÁGIA
Mary deixou o banheiro do seu quarto, um pouco tremula. Desde a noite passava vinha sentindo-se estranha, fraca, dolorida, e culminara no inevitável. Depois de dar a descarga e deixar que a água levasse para o esgoto o que sobrara do seu sonho, ela tomou uma ducha e saiu do banheiro, para encarar a realidade do dia que a esperava.
-E então? – a voz masculina perguntou com um toque de humor – Está melhor?
Havia inegável o desinteresse e ela estremeceu, não por dor, ou tristeza, mas por desamor. Ela olhou para o homem esparramado sobre sua cama, a cama que dividira com Rony por tanto tempo, e secretamente, dividia com esse homem também, e afastou o olhar.
-Não consegui segurar – contou, esperando uma palavra de consolo.
-Vai contar para ele?
Sua pergunta a fez lembrar de Rony. Contar para ele?
-Porque contaria?- perguntou aproximando-se e sentando-se aos pés da cama. O homem, colocou os pés em seu colo e como uma empregadinha, ela pôs-se a massageá-los, quando quem precisava de consolo era ela! – Eu queria tanto esse filho! Tenho certeza, seria um menino dessa vez!
Ele não respondeu nada, e ela soltou seus pés, encarando-o:
-Não sente nada? Não fica com pena de mim? Do bebezinho que perdi?
-Porque? Ele não era meu, era? – havia ironia em sua voz, pois sabia não ser o pai, pois era o orgulho dela ter conseguido engravidar do tolo Ronald Wesley!
-Não, não era. Mas as meninas...você nunca se importou com elas! -revidou, sentindo o coração apertado, pois estava sensível depois de perder seu bebê.
-Mary...Mary...não tem o direito de me cobrar nada!
Sua voz não deixava duvidas que a conversa seria encerrada ali.
Suspirando ,ela sorriu e levantou-se.
-Quer que prepare algo para você? – perguntou docemente, brincando de casinha.
-Traga um sanduíche e cerveja -ele mandou, voltando toda sua atenção para o jornal que lia desde a hora que acordara.
Mary via claramente as diferenças entre ele e Rony, que mesmo nos piores momentos, sempre a apoiara. Mesmo sem amor, ainda assim, um perfeito cavalheiro!
Desalento, era o que sentia, e apatia, ao descer pela casa silenciosa.
Hermione aproveitou que estava no banheiro, para esperar a náusea matinal passar. As meninas estavam acabando com ela!
A uma semana, sua paz chegara ao fim, quando as meninas haviam decidido passar alguns dias com o pai. Claro, não era cega! As comportadas meninas, haviam se transformado em bruxas barulhentas e escandalosas, dando piti e irritando os dois a qualquer oportunidade que pudessem ter!
Mesmo Hermy, sempre com um olhar de desculpas, dava seus shows!
Irritada, ela lavou a boca, após o vomito, decidida a não mais colocar seus fantasmas para baixo do tapete. Primeiro, as meninas estavam assim por ordem da mãe. E segundo, ela estava grávida.
Ponto. Era fácil, admitir, agora tanto um quanto outro, eram assuntos sem solução!
Rony ficara arrasado quando descobrira da gravidez indesejada de Mary, e suspeitava que mais um filho seria demais para ele! Arrasada, ela fechou os olhos, esperando o mal estar ir embora.
Ouviu os gritos de Sara, brigando com o pai sobre algum assunto sem relevância e pediu ajuda aos céus e paciência a Merlin. Rony estava passivo, submetido a culpa de ter saído de casa, e deixava-as pintar e bordar!
-Você está bem?
Ela levou um susto ao ver que Hermy olhava para ela, parada no batente da porta.
-Não, não estou – foi sincera desejando que as pessoas parassem de mentir para as gêmeas a as tratassem como crianças inteligentes e não pirralhas bobas!
-É por nossa causa? – havia culpa em sua face e Hermione sorriu, puxando-a pela mão e fechando a porta do banheiro, antes de sentar sobre a beira da banheira e ficar na mesma altura que Hermy.
-Não, não é por causa de vocês duas. É pelo que sua mãe tem mandado que façam – notou seus olhos se arregalarem – Eu sei, não é errado obedecer sua mãe, a menos, que isso vá contra sua índole. – os olhos de Hermy estavam cheios de lagrimas e Hermione desejou saber como consolá-la.
-Mamãe disse que se ficasse brava, deixaria o papai e ele voltaria para casa – ela confessou.
-Isso não vai acontecer. Se eu ficar brava, vou descontar no seu pai. Nos vamos brigar e depois, fazer as pazes. Porque nos amamos e nada vai nos separar. Hermy...sua mãe, ela já pediu coisas desse tipo antes? Antes de me conhecerem?
A menina concordou com a cabeça e seu olhar magoado mostrava além de rancor, um pouco de insegurança.
-Fique sabendo, que nunca vou pedir que faça nada parecido – ela disse, para deixar claro que gostava das duas – mas vou pedir que seja sincera comigo. Me contem o que aflige as duas. Mesmo que Sara não goste de mim, eu gosto dela. Não como mãe, mas como amiga.
-Hermione... –ela fungou, mas não chorou – vai ser bom parar de fazer tanto barulho, fico até com dor de cabeça – ela contou sorrindo tímida e Hermione sorriu também.
-ainda, bem, eu também fico!
As duas riram, e trocaram um rápido abraço, antes de saírem juntas do banheiro e terminarem de se vestir. Para Hermione seria um longo dia. Primeiro, confirmar sua suspeita de gravidez, depois achar coragem para entregar sua desistência no curso de auror, sendo que deveria dar uma explicação. E nesse caso , o professor, também era a causa da desistência!
Na cozinha pequena, Rony dera um jeito de calar Sara, colocando-a em seu colo, e fazendo-a parar. A menina ria ainda, o rosto vermelhos dos recentes ataques de cócegas que o pai achará por bem para acalmá-la.
Vendo-o falar baixo com a filha, tão sereno e amoroso ela parou, com um sentimento inexplicável dentro do peito. Merlin, ela teria um filho desse homem.
Um filho que o faria sorrir daquele modo doce e entregue. Que alegraria a vida dos dois e nasceria em meio a uma confusão de amores e desamores, e ao mesmo tempo seria a criança mais amada do mundo.
Perdida nessa súbita consciência do quanto queria estar mesmo grávida, ela o viu sorrir para as duas e chamá-las, depois de libertar Sara de seu colo, para abraçar Hermy e lhe dar bom dia.
-Oi – ele disse quando ela se aproximou e se curvou para um beijo – Fiz seu café.
Era o mesmo que dizer ‘eu te amo’.
-Obrigada -ela agradeceu com um nó na garganta.
Ele pareceu ler algo em sua face e segurou sua mão, mas ela sorriu e precisou da mão para ajudar Sara com o pão. Olhando para ele, de canto de olho, o tranqüilizou com um olhar zombeteiro.
Não havia nada de errado, pensou. Seu dia não poderia ser mais feliz!
-Não, Sara – ela disse quando e gêmea começou a insistir sobre alguma coisa estúpida que achou que a irritaria. Seu tom foi sério e definitivo – Nós três vamos sair e seu pai vai para o trabalho. – não era um ordem, mas não deixava duvidas que era autoritário. Era disso que precisavam, uma figura feminina que lhes mostrasse o que era respeito e amor – Primeiro iremos a Floreios e Borrões, quero comprar uns livros para as duas, e depois deixo-as na escola.
-Livros? – Hermy perguntou quase saltando da cadeira de contentamento.
-Livros? – Sara perguntou ao mesmo tempo, decepcionada.
-Bem, para você, podem ser revistas – ela piscou para a menina e encarou a torrada a sua frente, como se fosse uma inimiga.
Fez força para engolir aquilo, mas era impossível.
Seu tom esverdeado era tão claro que até Sara pareceu notar.
-Hermione, está tudo bem? – havia um certo pânico na voz de Rony, e ela ainda ouviu Hermy dizer, antes de sair correndo de volta para o banheiro:
-Ela estava vomitando antes...
Hermione ouviu quando ele levantou apresado e foi atrás dela, mas não deu tempo para segurar. Não tinha quase nada em seu estomago, então, não demorou muito. Quando abriu a porta do banheiro, ele estava apreensivo esperando por ela.
-Vou ter que sair do curso de auror – ela disse séria, e tensa, esperando que ele entendesse.
-Você está doente? -ele segurou seu rosto, aterrorizado e ela sorriu de leve.
-Não, Rony, não estou doente. Estou grávida.
Ele olhou para ela por um tempo, sem ação, então abriu aquele sorriso que fazia seu dia se iluminar, olhando de seu rosto para sua barriga.
-Um bebê nosso?
Havia encanto na sua voz e ela sorriu menos tensa, maneando a cabeça e concordando.
-Um bebezinho nosso... – sussurrou, entendendo a dimensão disso ao ver a mesma emoção refletida no olhar azul profundo que fitava.
-Merlin... – ele sussurrou, puxando-a para seus braços, num abraço apertado, num beijo, tudo junto, tudo desesperado – eu te amo, Hermione, eu te amo!
-Está feliz, Rony? – ela sussurrou em meio aos seus beijos, precisando saber – Sei que terá outro filho com Mary e...
-Não diga besteiras, Hermione – ele cortou-a, suavemente, olhando em seus olhos – Um filho com você, é a coisa mais maravilhosa que poderia me acontecer. – seus olhos diziam exatamente isso – Somos uma família, Hermione. Uma família que começou muito grande, mas uma linda família!
Havia tanta empolgação em sua voz, que ela riu junto dele, deliciada.
-Papai, vamos nos atrasar – Sara chamou da porta, olhando para eles com curiosidade, Hermy logo atrás.
-Venham cá - ele disse esbanjando felicidade e orgulhos – Hermione tem uma novidade para nós -ele abraçou Sara pelo ombro, sem soltar Hermione – Vão ter mais um irmãozinho!
-Mas a mamãe... – Sara começou a falar, mas ele cortou.
-sim, terão um irmãozinho que a mamãe vai lhes dar e outro, que Hermione lhe dará.
-Isso não é muito comum – Sara disse estreitando os olhos, de uma forma que lembrava muito Mary.
-O amor, Sara, não é algo comum – ele disse num estado total de graça. – Vamos, precisamos cumprir nossas obrigações e a noite, procurar a família toda para dar a noticia!
-Rony, é muito cedo ainda! – ela protestou, mas ele não quis ouvir.
-Nunca será cedo demais! – novamente, ele a beijou, soltando-a apenas para apanhar Sara no colo, e dizer para as filhas – fiquem felizes, meus amores, o papai está incrivelmente feliz e vocês duas fazem parte dessa felicidade!
Sara pareceu um pouco incerta, mesmo assim abraçou o pai. Hermy mais empolgada, abraçou Hermione.
Quem sabe, não era ali que começava de verdade uma nova família?