FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 

(Pesquisar fics e autores/leitores)

 


 

ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

11. Memórias


Fic: Um Novo Erro SS PO


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

Por Monique


.


            Sai na lareira da sala de Dumbledore, o mesmo lugar onde eu havia estado no dia em que cheguei a Hogwarts. Estava vazia, exceto por uma bela fênix, que piou melodicamente olhando para mim. Severo caminhou até uma bacia de pedra, que eu reconheci como sendo uma Penseira. Nela, depositou algumas lembranças e fez sinal para que eu me aproximasse.


.


-Querida, aqui dentro você verá os pontos mais relevantes, neste aspecto, da minha vida. –ele disse pousando a mão nas minhas costas- Eu quero que você se sinta segura em relação a tudo sobre mim e não quero que nossa vida, que começa agora, mesmo num momento tão atribulado, tenha algum ponto obscuro. Tudo o que você quiser saber, mesmo em relação a Lilian, me pergunte. Eu sempre estarei aqui para saciar a sua curiosidade.


-Severo...


-Sim?


-Não seria mais simples se você me contasse tudo?


-Eu prefiro que você veja e que tire as suas conclusões.


-Severo, antes de mergulhar nas suas lembranças, eu quero saiba que não vai fazer diferença que lado você serve. Eu sei que não parece que isso está vindo de mim, mas... é a verdade.


-Você se uniria a mim mesmo que eu estivesse a mando do “Megalomaníaco de Merda” como você diz?


-A contragosto, mas eu não abriria mão de você por isso.


-E eu confio em cada sílaba do que você diz. Agora vá. Estão esperando você para o almoço na Ordem, temos que nos apressar com as lembranças.


.


            Insegura, caminhei até a bacia de pedra, onde as memórias de Severo giravam incessantemente, como gás liquido e cristalino. Fui impelida para frente no momento em que me curvei. Cai abruptamente em um lugar ensolarado, e meus pés encontraram o chão quente. Quando eu me endireitei, vi que estava perto de um playground deserto. Uma única e grande chaminé dominava o distante horizonte. Duas garotas balançavam-se para frente e para trás enquanto um garoto magricela escondido atrás das moitas as observava. Seus cabelos negros muito compridos estavam tão desalinhados que parecia ser de propósito, usando uma calça jeans muito curta, um casaco muito grande e esfarrapado que deveria ter pertencido a um homem adulto e uma estranha camiseta que parecia um avental. Eu reconheceria aqueles olhos até na Lua.


.


            Severo não parecia ter mais do que nove ou dez anos, e seus olhos devoravam a mais nova das garotas, que se balançava cada vez mais alto do que sua irmã. Ele tinha uma apatia no semblante muito pior do que a que tem hoje, disfarçada por aqueles olhares de tédio.


.


- Não faça isso, Lílian! - gritou a mais velha das duas.


            .


            Mas a garota tinha levado o balanço até a maior altura de seu arco e voou no ar, quase que literalmente, lançando-se para o céu com gritos de risadas, e ao invés de se espatifar no asfalto do playground, ela subiu como uma trapezista pelo ar, ficando no alto por muito tempo e aterrissando brilhantemente.


.


- A mamãe disse para você não fazer isso!


.


            A garota mais velha parou o seu balanço, fazendo um barulho agudo e arranhado ao fincar os calcanhares das sandálias no chão, e saltou, com as mãos nos quadris.


.


- Mamãe disse que você não tem permissão, Lílian!


- Mas eu estou bem, - disse Lílian, rindo. – Túnia, olhe isso. Olhe o que eu posso fazer.


.


            Petúnia olhou em volta e não viu ninguém. Severo estava bem escondido. Observei Lílian pegar uma flor caída da moita atrás da qual ele espreitava. Lílian esperou que Petúnia se aproximasse o suficiente para ter uma boa visão, e então ela abriu a palma da sua mão. A flor, que ali estava, abria e fechava suas pétalas, lembrando-me de mim mesma naquela idade, no dia em que meus pais festejaram o afloramento da minha magia, na nossa casa de veraneio em Dijon.


.


-Pare com isso! -gritou Petúnia.


-Não está te machucando, - disse Lílian, mas ela fechou sua mão sobre a flor e a jogou no chão.


- Não é certo, - disse Petúnia, mas seus olhos seguiram o vôo da flor ao solo e permaneceram nela. - Como você faz isso? - ela acrescentou, em um tom de voz longo e claro.


- É óbvio, não é? - Severo saiu de trás da moita, como se não pudesse mais se conter. Um pequeno rubor apareceu nas suas bochechas amareladas assim que ele olhou para Lílian e eu entendi que ela era a paixão de infância dele, apesar de não ver relevancia nenhuma naquilo.


- O que é óbvio? - perguntou Lílian.


- Eu sei o que você é.


- O que você quer dizer?


- Você é... você é uma bruxa, - sussurrou Snape.


.


            Ela olhou ofendida, a tola!


.


- Isso não é uma coisa muito agradável de dizer para alguém! -ela se virou, com o nariz arrebitado, e foi em direção da irmã.


- Não! - disse Severo muito rubro. As irmãs o avaliaram, unidas em desaprovação, ambas segurando um dos postes do balanço, como se fosse mais seguro. - Você é, - disse Snape para Lílian. - Você é uma bruxa. Eu estive te observando por um tempo. E não há nada errado nisso. Minha mãe é uma, e eu também sou um bruxo.


.


            A menina mais velha riu com frieza.


.


            - Bruxo! Eu sei quem você é. Você é o filho do Snape! Eles moram lá embaixo na Rua da Fiação, perto do rio, - ela contou a Lílian, e era evidente pelo seu tom que ela considerava o endereço de baixa recomendação. - Por que você estava espionando a gente?


            - Não estava espionando, - disse o meu garotinho, quente e desconfortável, com os cabelos sujos brilhando pela luz do sol. - Nunca espionaria você, de qualquer forma, - ele acrescentou sem se conter, - você é Trouxa.


- Lílian, venha, nós vamos embora! - ela disse agudamente, sentindo-se ofendida, o que era a óbvia intenção de Severo. Lílian a seguiu e eu fiquei observando o desapontamento brotando nos olhos dele e num impuldo incontrolável, eu avancei, como se fosse tomá-lo em meus braços, mas toquei apenas o vácuo ao tentar.


.


            E então, a cena dissolveu-se e reformulou-se ao meu redor. Eu podia ver um rio brilhando ensolarado através dos troncos. As sombras lançadas pelas árvores formavam uma área de sombra verde e fria. Duas crianças estavam sentadas olhando uma para a outra, com as pernas cruzadas no chão. Severo tinha tirado o casaco agora e eu desejava tanto poder tê-lo vestido com uma roupinha limpa e adequada a seu tamanho e idade quando ele estivesse conversando com a pequena Lilian.


.


- ... e o Ministério pode punir você se você fizer mágica fora da escola, você recebe cartas.


- Mas eu tenho feito mágicas fora da escola!


- Está tudo certo. Nós ainda não temos varinhas. Eles deixam de te punir quando você é criança e não consegue se controlar. Mas assim que você faz onze anos, - ele acrescentou com importância, - e eles começam a te treinar, então você deve tomar cuidado.


- Isso é verdade, não é? Não é piada? Petúnia diz que você está mentindo para mim. Petúnia diz que não existe Hogwarts. Isso é verdade, não é?


- É real para nós, - disse Severo. - Não para ela. E nós receberemos a carta, você e eu.


- Verdade? - sussurrou Lílian.


- Definitivamente, - disse ele, e mesmo com seu corte de cabelo mal-feito  e suas roupas estranhas, ele parecia uma figura estranhamente impressionante na frente dela, entusiasmado com a certeza de seu destino. Eu imaginava uma criança daquela pra mim.


- E a carta virá realmente por coruja? - Lílian sussurrou.


- Normalmente, - disse Severo. - Mas você é Nascida-Trouxa, então alguém da escola deverá vir e explicar tudo aos seus pais.


- E não faz diferença ser Nascida-Trouxa?


.


            Ele hesitou. Seus olhos negros, ansiosos no escuro esverdeado, moveram-se pelo rosto pálido e os cabelos vermelhos escuros.


.


- Não, - ele disse. - Não faz nenhuma diferença. –Não posso negar que aquilo me chocou um pouco. Sendo ele um Sonserino, aquilo era no minimo estranho. Ainda que pra mim isso não faça a menor diferença, creio que para ele fizesse. Lilian era realmente importante pra ele.


- Que bom, - disse Lílian, relaxando. Estava claro que ela estivera preocupada com isso.


- Você tem uma grande carga mágica, - disse ele. - Eu vi isso. Todo o tempo eu fiquei te observando...


.


            A voz dele apagou-se; ela não estava ouvindo, e esticou-se no chão cheio de folhas olhando para o topo das árvores frondosas. Ele a observava cobiçoso da mesma forma como a observara no playground. No fundodo meu peito, senti a primeira onda de ciúmes.


.


- Como estão as coisas na sua casa? - Lílian perguntou.


.


            Uma pequena sombra apareceu nos olhos dele e eu queria ser luz para tirá-la dali.


.


- Bem, - ele disse.


- Eles não estão discutindo mais?


- Ah, sim, eles estão discutindo, - disse Severo. Ele pegou um monte de folhas na mão e começou amassá-las, aparentemente desatento sobre o que estava fazendo. - Mas isso não vai durar muito tempo e vou embora.


- Seu pai não gosta de mágica?


- Ele não gosta muito de nada. - disse ele desapontado.


- Severo?


.


            Um pequeno sorriso voltou à boca dele quando ela disse seu nome.


.


- Sim?


- Conte-me sobre os dementadores de novo.


- Porque você quer saber sobre eles?


- Se eu usar mágica fora da escola –


- Eles não te mandam para os dementadores por isso! Dementadores são para pessoas que realmente fizeram coisas más. Eles guardam a prisão dos bruxos, Azkaban. Você não vai terminar lá, você é tão...


.


            Ele ficou vermelho de novo e picou mais folhas. De repente eu pude perceber que Petúnia estava escondida atrás de uma arvore.


.


- Túnia! - disse Lílian, surpresa e dando as boas-vindas, mas Severo levantou-se de sobressalto.


- Quem está espionando agora? - ele gritou. - O que você quer?


.


             Petúnia estava sem fôlego, alarmada por ter sido pega. Eu podia ver que ela estava se esforçando para dizer alguma coisa que o machucasse.


.


            - Então, o que é isso que você está usando? - ela disse, apontando para o peito de Severo. - A blusa de sua mãe?


.


            Veio um barulho. Um galho que estava acima da cabeça de Petúnia caiu. Lílian gritou. O galho atingiu Petúnia nos ombros, ela cambaleou para trás e caiu no choro. Eu sorri, não podendo me conter. Se nada tivesse acontecido, eu mesma teria tentado azarar aquela gralhazinha com um “ Desangueo”. Menina má, amarga e invejosa!


.


- Túnia! - mas Petúnia estava fugindo.- Você fez aquilo acontecer?


- Não. - Ele parecia sincero, mas eu sabia que tinha sido ele.


- Fez sim! - Ela estava se afastando dele. - Fez sim! Você a machucou!


- Não – não, não fiz!


.


            Mas a mentira não convenceu Lílian. Depois de mais uma olhada mordaz, ela correu da pequena moita atrás de sua irmã, e Severo parecia infeliz e confuso...


.


            E a cena se reformulou. Eu estava na plataforma 9 ¾, e Severo estava parado ao meu lado, ligeiramente encurvado, próximo a uma mulher magra, de rosto amarelado, muito parecida com ele. Obviamente, era sua mãe. Ele olhava uma família de quatro pessoas a uma pequena distância dali. As duas garotas estavam um pouco afastadas dos pais. Lílian parecia implorava algo a irmã.


.


- ... Me desculpe, Túnia, me desculpe! Ouça... - Ela pegou a mão da irmã e segurou forte, embora Petúnia tentasse se desvencilhar. - Talvez assim que eu estiver lá – não, ouça, Túnia! Talvez assim que eu estiver lá, eu possa falar com o Professor Dumbledore e persuadi-lo a mudar de idéia!


- Eu não – quero – ir! - disse Petúnia, e ela tentou puxar a mão das mãos da irmã. - Você acha que eu quero ir para um castelo estúpido aprender a ser uma – uma... uma aberração? -os olhos de Lílian se encheram de lágrimas assim que Petúnia conseguiu puxar sua mão de volta.


- Eu não sou um aberração, - disse Lílian. - Isso é uma coisa horrível de se dizer.


- É esse o lugar para onde você está indo, - disse Petúnia com satisfação. - Uma escola especial para aberrações. Você e o garoto Snape... esquisitos, é o que vocês dois são. É bom que você seja separada de pessoas normais. É para nossa segurança.


.


            Lílian olhou na direção dos pais, que olhavam em volta da plataforma com um ar de sincero divertimento, apreciando a cena. Então ela olhou de volta para a irmã, e sua voz era baixa e firme.


.


- Você não achava que era uma escola para aberrações quando escreveu para o diretor e implorou que ele te aceitasse. –nesse momento eu precisei gargalhar.


- Implorar? Eu não implorei!


- Eu vi a resposta dele. Foi muito bondosa.


- Você não deveria ter lido... -  sussurrou Petúnia, - era particular–como você pôde? Aquele garoto encontrou a carta! Você e ele estiveram xeretando no meu quarto!


- Não – não xeretando – - Agora Lílian estava na defensiva. - Severo viu o envelope, e não acreditava que um Trouxa pudesse contatar Hogwarts, isso é tudo! Ele disse que devem existir bruxos trabalhando secretamente nos correios que cuidam da ...


- Aparentemente bruxos metem o nariz em todos os lugares! - disse Petúnia, agora tão pálida como tinha ficado ruborizada. - Aberração! - ela xingou sua irmã, e saiu para onde estavam seus pais...


.


            A cena se dissolveu novamente. Severo se apressava pelo corredor do Expresso de Hogwarts enquanto o trem se aproximava do campo. Ele já vestia as vestes da escola, provavelmente trocadas na primeira oportunidade que encontrou para tirar suas desagradáveis roupas de Trouxa. Finalmente ele parou, fora de um compartimento no qual um grupo de garotos barulhentos conversava. Encurvada em um canto ao lado da janela estava Lílian, sua cabeça encostada no vidro. Snape abriu a porta do compartimento e sentou-se no assento oposto ao dela. Ela olhou para ele e voltou a olhar para a janela. Ela estivera chorando.


.


- Eu não quero falar com você. - ela disse numa voz contida.


- Por que não?


- Túnia me o-odeia. Porque a gente viu a carta de Dumbledore.


- E daí?


.


            Ela deu-lhe uma olha de profundo desgosto.


.


- Daí que ela é minha irmã!


- Ela é apenas uma... - Ele segurou-se depressa; Lílian, muito ocupada tentando enxugar os olhos sem que ninguém percebesse, não o ouviu.- Mas nós estamos indo! - ele disse, incapaz de suprimir a excitação em sua voz. - É isso! Nós estamos indo para Hogwarts!


.


            Ela assentiu, esfregando os olhos, mas não pode se conter e quase sorriu.


.


- É melhor você ficar na Sonserina, - disse Snape, encorajado já que ela estava um pouco mais alegre.


- Sonserina?


.


            Um dos garotos que dividiam o compartimento e que não tinha demonstrado qualquer interesse em Lílian e Snape até então, olhou para o lado ao ouvir a palavra, e eu, que tinha minha atenção toda nos dois ao lado da janela, vi o clone de Harry Potter: magro, cabelos negros como Severo, mas com aquele ar indefinível e despreocupado, presunçoso e meio arrogante, que Severo não tinha.


.


- Quem quer ficar na Sonserina? Eu acho que eu iria embora se isso acontecesse, você também? - Tiago perguntou acenando para o garoto na sua frente.


- Minha família inteira esteve na Sonserina. - ele disse.


- Nossa, - disse Tiago, - e eu achei que você parecia normal!


.


            O garoto sorriu.


.


- Talvez eu quebre a tradição. Onde você quer ficar, caso possa escolher?


.


            Tiago brandiu uma espada invisível.


.


- “Grifinória, onde estão os bravos de coração!”  Como o meu pai.


.


            Severo fez um pequeno barulho depreciativo. Tiago voltou a olhá-lo.


.


- Algum problema com isso?


- Não, - disse Snape, embora seu leve sorriso dissesse o contrário. - Se você prefere ser musculoso ao invés de inteligente...


- E para onde você espera ir, uma vez que você não parece ser nenhum dos dois? - interpelou o outro garoto. Tiago caiu na risada. Lílian endireitou-se, bastante vermelha, e olhou de Tiago para o outro com desgosto.


- Vamos, Severo, vamos procurar um outro compartimento.


- Oooooo... –Os muleques imitaram sua voz arrogante; Tiago tentou passar uma rasteira em Snape quando este passou.


- Vejo você por aí, Ranhoso! - uma voz chamou, assim que a porta do compartimento bateu...


.


            E a cena se dissolveu novamente... Eu estava parada bem atrás de Severo e os dois olhavam as mesas das Casas iluminadas pela luz de velas, alinhadas com rostos absortos. E então Lilian Evans foi selecionada para a Grifinória, deixando Severo desapontado. Depois de muitos alunos passarem pela seleção, foi a vez de Severo ser mandado para a Sonserina. E ele seguiu para o outro lado do Salão, pra longe de Lílian, onde os estudantes da Sonserina o recebiam felizes, onde Lúcio Malfoy, com um distintivo de monitor brilhando em seu peito, deu palmadinhas nas costas dele quando este se sentou ao seu lado...


.


            E a cena mudou... Lílian e Snape estavam andando pelo pátio da escola, evidentemente discutindo.


- ... pensei que fôssemos amigos? - Snape dizia, - Melhores amigos?


- Nós somos, Sev, mas não gosto de algumas pessoas com quem você anda saindo! Desculpe-me, mas eu detesto Avery e Mulciber! Mulciber! O que você vê nele, Sev, ele é asqueroso! Você sabe o que ele tentou fazer com Mary Macdonald outro dia?


.


            Lílian chegou a um pilar e encostou-se nele, olhando para Severo.


.


            - Não foi nada demais, - disse Snape. - Foi uma brincadeira, só isso...


            - Foi Magia Negra, e se você acha isso engraçado...


            - E as coisas que o Potter e seus amigos fazem? - interpelou Snape. Sua cor novamente voltou quando ele disso isso, parecendo incapaz de segurar seu ressentimento.


            - O que o Potter tem a ver com isso? - disse Lílian.


            - Eles xeretam durante a noite. Tem alguma coisa estranha com aquele Lupin. Aonde ele sempre vai?


            - Ele está doente, - disse Lílian. - Eles dizem que ele está doente...


            - Todo mês na lua cheia? - disse Snape.


            - Eu sei sua teoria, - disse Lílian, e soou fria. - Por que você está tão obcecado com isso? Por que se preocupa com o que eles fazem durante a noite?


            - Só estou tentando te mostrar que eles não são tão maravilhosos como todos pensam que são.


.


            A intensidade de seu olhar fez Lílian corar.


.


            - Pelo menos eles não usam Magia Negra. - Ela baixou a voz. - E você está sendo mal-agradecido. Eu ouvi o que aconteceu na outra noite. Você foi xeretar aquele túnel sob o Salgueiro Lutador, e Tiago Potter salvou você do que tinha lá embaixo...


.


            O rosto inteiro de Severo se contorceu e ele explodiu:


.


            - Salvou? Salvou?! Você acha que ele estava bancando o herói? Ele estava salvando o próprio pescoço e de seus amigos também! Você não vai – Eu não vou permitir que você...


            - Me permitir? Me permitir?


            - Eu não quis dizer – Só não quero ver você fazer papel de boba para – Ele gosta de você, Tiago Potter gosta de você! - As palavras pareciam escapar contra a sua vontade. - E ele não é... todo mundo acha... grande herói do Quadribol... - A amargura e o desgosto de Severo despedaçavam-no incoerentemente, e as sobrancelhas de Lilian estavam cada vez mais levantadas em sua testa.


            - Eu sei que Tiago Potter é um idiota arrogante, - ela disse, cortando Snape. - Eu não preciso que você me diga isso. Mas a idéia de humor de Mulciber e Avery é completamente má. Má, Sev. Eu não entendo como você pode ser amigo deles.


.


            Eu duvidava que ele tivesse escutado as restrições dela à Mulciber e Avery, hoje notadamente Comensais da Morte. No momento em que ela insultou Tiago Potter, todo o corpo dele relaxou, e quando eles voltaram a caminhar, havia uma nova primavera nos passos dele. Aquilo começou a me machucar. Eu não queria ver nada mais relacionado aquela Lilian, apesar de me sentir muito infantil por isso.


            A cena mudou e eu me sentei no batente da Escadaria, observando Severo sair do Salão Principal para fora do castelo e parando, perdido em pensamentos, próximo da árvore onde Tiago Potter e seus comparsas estavam sentados. Enquanto eu observava Severo de longe, pensava em tudo o que eu já tinha visto até ali.


            Conclui que Lilian Evans e Tiago Potter eram os pais de Harry Potter e que Severo a amava, por mais que me torturasse admitir isso


            De repente, Severo foi lançado ao ar, pendurado de cabeça para baixo. Antes que eu pudesse chegar até lá, ele despencou no chão, e eu pude perceber apenas o momento em que ele foi defendido por Lilian e ele, em sua humilhação e fúria, gritar para ela a palavra imperdoável: “Sangue-ruim.”


.


            A cena mudou e eu ainda estava atordoada pelo acontecido.


.


- Desculpe-me.


- Eu não quero saber.


- Desculpe-me!


- Poupe seu fôlego.


.


            Era noite. Lílian, que vestia um roupão, estava parada com os braços cruzados na frente de um retrato que lembrava uma porta.


.


- Eu só vim porque Mary me disse que você estava ameaçando dormir aqui.


- Eu disse. Eu teria dormido. Eu nunca quis te chamar de Sangue-ruim, foi só que...


- Escapou? - Não havia piedade na voz dela. - Tarde demais. Eu escuto desculpas suas por anos. Nenhum de meus amigos entende porque eu ainda converso com você. Você e seus preciosos amiguinhos Comensais da Morte – veja bem, e você nem se importa em negar! Você nem se importa com o que vocês estão se tornando! Você mal pode esperar para se juntar a Você-Sabe-Quem, não é?


.                                                                     


            Ele abriu a boca, mas fechou sem falar nada. Aquilo estava ficando interessante.


.


- Não posso fingir mais. Você escolheu seu lado, e eu escolhi o meu.


- Não – ouça, eu não tive a intenção...


- de me chamar de Sangue-ruim? Mas você chama todos com o mesmo nascimento que o meu de Sangue-ruim, Severo. Por que seria diferente comigo?


.


            Ele esforçou-se para voltar a discursar, mas com um olhar desdenhoso ela virou-se e entrou pelo buraco do retrato...


            O corredor se dissolveu, e a cena demorou um pouco a tomar forma até que o lugar se solidificou mais uma vez e eu estava parada no topo de uma colina, deserta e fria na escuridão, o vento assoviando através dos galhos das poucas árvores sem folhas. O Severo adulto ofegava, avançando pelo local, com sua varinha firmemente segura em sua mão, esperando por alguma coisa ou alguém... Seu medo me contaminou, apesar de eu saber que não poderia ser machucada, mas eu temia por ele, e olhando sobre os ombros, imaginava o que ele estaria esperando... Então um brilhante e afiado raio de luz branco voou pelo ar. Julguei que fosse um raio, mas ele caiu de joelhos e sua varinha voou de sua mão.


.


- Não me mate!


- Essa não era a minha intenção.-disse Dumbeldore parando perante Severo com suas vestes chicoteando ao redor, e seu rosto foi iluminado pela luz lançada pela sua varinha.- Bem, Severo? Que mensagem Lorde Voldemort tem para mim?


- Não – nenhuma mensagem – Eu estou aqui por minha conta!- ele esfregava as mãos. Meu menino estava sucumbindo.- Eu – eu vim com um aviso – não, um pedido – por favor –


.


            Dumbledore abaixou a varinha. Apesar das folhas e troncos ainda voarem através do ar da noite ao redor deles, um silêncio caiu no lugar onde ele e Snape se encaravam.


.


- Que pedido um Comensal da Morte poderia fazer a mim?


- A – a profecia... a predição... Trelawney...


- Ah, sim, - disse Dumbledore. - Quanto dela você reportou a Lorde Voldemort?


- Tudo – tudo que eu ouvi! - disse Severo. - É por isso – essa é a razão – ele acha que significa Lílian Evans!


- A profecia não se refere a uma mulher, - disse Dumbledore. - Fala de um garoto nascido no final de Julho –


- Você sabe o que eu quero dizer! Ele acha que se trata do filho dela, ele vai caçá-la – matar todos eles...


- Se ela significa tanto para você, - disse Dumbledore, - certamente Lorde Voldemort a poupará? Você não poderia pedir misericórdia pela vida da mãe, em troca da do filho?


- Eu pedi – eu pedi a ele...


- Você me dá nojo, - disse Dumbledore, eu eu tive que concordar com ele naquele momento. - Você não se importa, então, com as mortes do marido e do filho dela? Eles podem morrer, desde que você tenha o que quer?


.


            Severo não disse nada, e nem poderia, apenas olhou para Dumbledore.


.


- Esconda todos, então, - ele disse rouco. - mantenha ela – eles – salvos. Por favor.


- E o que você me dará em troca, Severo?


- Em – em troca? - Severo encarou Dumbledore por um tempo, e eu sentia que ele não ia protestar. Ele faria tudo por Lilian, isso eu sentia. - Qualquer coisa.


.


            O topo da colina se desfez e eu estava agora na sala de Dumbledore, e alguma coisa fazia um som terrível, como um animal ferido. Severo se afundava na cadeira e Dumbledore estava parado bem atrás dele observando-o. Após um momento, Severo levantou seu rosto e tinha a aparência de um homem que tinha vivido cem anos de miséria desde que partiu do topo da colina.


.


- Eu pensei... que você fosse... mantê-la... a salvo... –meus olhos marejaram com a dor que ele sentia. Lilian tinha morrido.


- Ela e Tiago confiaram na pessoa errada, - disse Dumbledore. - Como você, Severo. Você não esperava que ele a poupasse?


.


            A respiração dele era superficial.


.


- O filho dela sobreviveu. - disse Dumbledore.


.


            Com um pequeno aceno de cabeça, Snape parecia espantar uma mosca nojenta.


.


- O filho dela sobreviveu. Ele tem os olhos dela, precisamente os olhos dela. Você se lembra da forma e cor dos olhos de Lílian Evans, eu tenho certeza?


- NÃO! - gritou Snape. - Se foi... morta...


- Isso é remorso, Severo?


- Eu queria... eu queria que eu estivesse morto...


- E que utilidade isso teria para alguém? - disse Dumbledore friamente. - Se você amava Lílian Evans, se você realmente a amava, então seu caminho de agora em diante está limpo.


- O que – o que você quer dizer?


- Você sabe como e porque ela morreu. Faça com que isso não tenha sido em vão. Ajude-me a proteger o filho de Lílian.


- Ele não precisa de proteção. O Lorde das Trevas se foi...


- O Lorde das Trevas retornará, e Harry Potter estará em perigo mortal quando ele ressurgir.


.


            Houve uma grande pausa, que foi necessária para que eu me recuperasse do choque. Devagar Severo recobrou seu autocontrole e sua própria respiração. Finalmente ele disse:


.


- Muito bem. Muito bem. Mas nunca – nunca conte, Dumbledore! Isso deve ficar entre nós! Jure! Eu não posso tolerar... Especialmente o filho do Potter... Eu quero a sua palavra!


- Minha palavra, Severo, que eu nunca revele o melhor de você? - Dumbledore suspirou, olhando para o rosto feroz e angustiado dele. - Se você insiste...


.


              Um redemoinho de cores, e agora tudo estava escuro, Snape e Dumbledore estavam parados um pouco afastados do hall de entrada, enquanto algumas pessoas vestidas em trajes de gala passavam para irem dormir.


.


- Bem? - murmurou Dumbledore.


- A Marca de Karkaroff também está ficando mais escura. Ele está em pânico, ele teme represália; você sabe o quanto de informações ele passou ao Ministério após a queda do Lord das Trevas. - Severo olhou de lado para o perfil do nariz quebrado de Dumbledore. - Karkaroff pretende fugir se a Marca queimar.


- Pretende? - disse Dumbledore calmamente - E você tentará se juntar a ele?


- Não, - disse ele- Eu não sou um covarde. –obviamente que não, meu amor.


- Não, - concordou Dumbledore. - Você é um homem muito mais corajoso do que Igor Karkaroff. Você sabe, às vezes eu acho que nós Selecionamos cedo demais...


.


            E eu voltei para a sala de Dumbeldore, sentindo os braços de Severo me ampararem. Eu não imaginei que fosse ser capaz de querê-lo mais do que eu queria, mas quando nossos olhos se encontraram, eu tinha pouco a dizer. Meu amor me impedia de falar, pulsando forte no peito, e a coisa mais digna que eu encontrei para dizer foi:


.


-Sinto muito por ela. –e o abracei, chorando copiosamente, sentindo a verdade se infiltrar na minha mente de maneira gradual.


-Eu também, mas isso agora é passado. –ele disse coma voz rouca- Mas é um passado que estará comigo enquanto eu não puder cumprir a minha missão.


-E agora eu faço parte dela.


-Não! –ele exclamou alarmado- Eu manterei você longe de tudo isso, Mona, não...


-Mas... eu preciso ajudar você...


-Monique, olhe pra mim... –ele segurou meu rosto, mantendo nossos olhos fixos uns nos outros- Você nunca vai sofrer qualquer consequencia de alguma coisa que eu faça. Os preços a serem pagos precisam ser pagos por mim.


-Mas eu não vou deixar você, Severo, não mesmo.


-Não, querida, e nem eu teria forças para isso. –ele disse mais carinhosamente afagando meu rosto- Eu preciso que você esteja sempre lá, quando eu necessitar do seu calor, da sua voz, do seu carinho, da sua pele... Eu preciso ter para onde retornar e alguém que espere por mim. Você seria capaz disso?


-Até mais, meu amor...


-Não. Isso é o suficiente. Só de tê-la em segurança já é muito.


-Você a ama tanto... –eu sussurrei


-Amava. –ele me corrigiu- Meu amor morreu aos poucos desde que ela escolheu Tiago Potter. Isso, Monique, é remorço. Amor, hoje, eu sinto por você.


-Como pode, alguém adorar tanto uma pessoa como você adorava aquela menina, e de repente, ela te vira as costas, não entende ou não aceita as suas motivações? Como pode ser tão cega e injusta, abrir mãode um amor puro por um tipinho como Tiago Potter?


-Você ouviu o que eu disse?


-O quê?


-Que eu amo você? –ele perguntou- Meu anjo, não se sinta mal por mim, não foi para que você se apiedasse de mim que eu lhe mostei as minhas lembranças.


-Eu entendo, querido, mas não posso deixar de pensar em tudo o que vi.


-Eu sei... eu sei...


.


            Passamos alguns momentos abraçados ali, enquanto a fênix cantava baixinho. Severo respirava pesadamente no meu pescoço, afagando minhas costas.


.


-Como está funcionando o seu trabalho de Espionagem? –perguntei finalmente


-Eu sou um agente duplo. –ele disse- Eu colho informações dos dois lados, e forneço para os dois lados também, mas por trás de tudo, eu trabalho com Dumbledore para impedir que o Lorde das Trevas obtenha sucesso em seus projetos. Claro que as informações que eu passo para os Comensais são informações verídicas, mas já é tudo pré determinado por Dumbledore.


-Quem sabe do seu trabalho?


-Eu, Dumbledore e você. Ninguém mais.

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 0

Nenhum comentário para este capítulo!

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 22) - Copyright 2002-2026
Contato: clique aqui

Moderadores:



Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.