CAPITULO 99
Revoada
-Merlin, então é mesmo verdade! – as palavras ditas em tom incrédulo chamara atenção de todos na sala de interrogatório.
Rony levara Greg para o ministério dois minutos depois de descobrirem que era ele. Tinha muitas satisfações a dar, e Harry estava perturbado demais para fazer as perguntas certas.
Era um interrogatório informal, visto que sua historia era consistente e Greg sempre fora um auror de primeira linha e de confiança.
A presença de Gina não era surpresa, pois apesar da licença maternidade, era auror.
-Não pude crer quando Hermione me contou! – ela disse adentrando a sala, com presa e os olhos vagando sobre Greg.
Naquele momento, de reconhecimento, Harry preferia não estar ali presenciando o reencontro.
Gina demorou um minuto naquele longo olhar, de quem precisa ver para crer. Seu marido morto, bem vivo diante dela! Sorrindo, ela maneou a cabeça.
-Eu tinha certeza que havia alguém me seguindo! – argumentou, olhando patsa Harry e Rony – Como souberam que...era Greg?
-Harry achou que tinha algum fundo de razão na sua paranóia e começamos a fechar o cerco a um possível perseguidor, e não deu outra – Rony explicou.
-Porque simplesmente não apareceu, Greg? – ela perguntou ao calado homem.
-Porque nem ao menos chorou a minha morte – ele disse pesaroso e magoado.
-Não diga isso, chorei sua morte, como choraria a morte de qualquer amigo. – disse revoltada com seu ataque – Estar vivo, não mudo o fato do nosso casamento ter terminado!
Rony pigarreou pois além deles haviam outros aurores presentes.
-Íamos nos divorciar – ela contou e Rony foi quem ficou surpreso – Ter morrido me fez sentir triste e culpada, e lamentar a morte do pai da minha filha, e é um alivio saber que está vivo e que ela conhecerá o pai! - ficando emocionada, ela se aproximou – Posso te dar um abraço, Greg?
Ele levantou-se, ainda em silêncio, e quando ela o abraçou, foi uma abraço apertado e carinhoso, e por sobre seu ombro, Harry teve a impressão dele olhar em sua direção com acusação.
Achou que esse abraço durava mais que o necessário, e que acariciava seus cabelos ruivos em demasia, mas não disse nada. Foi Gina quem se afastou e perguntou:
-Porque invadir nossa casa?
-Queria ver a menina- ele disse triste.
-Felicity. –ela sorriu – Minha filha chama-se Felicity...quero dizer, nossa filha – o som era estranho – Poderá conhecê-la quando for liberado. – olhou para Rony ansiosa – Ele será liberado, não é?
-Tão logo nos explique em detalhes como conseguiu escapar dos lobisomens e porque demorou tanto a voltar – ele avisou.
-Já disse, estive muito ferido. Um casal cuidou de mim, e quando recobrei minha consciência tinha se passado muitas semanas. O melhor era esperar até minha saúde estar recuperada – ele disse exasperado.
-Tudo bem, sabe como Rony é desconfiado – ela disse para acalmá-lo com um olhar doce que desconcentrou Harry – Eu emprestei nosso antigo apartamento para uma amiga, mas ela vai embora hoje mesmo – olhou de relance para Rony –sendo assim, pode voltar para casa, ou se quiser, e Harry não se importar... – ele engoliu em seco esperando a facada que mataria seu orgulho - ...podemos providenciar um hotel, ou apartamento para seu conforto. Até se estabelecer.
Harry ficou aliviado por não sugerir que o hospedariam!
-Agradeço mas prefiro a nossa casa...minha casa – ele estava muito magoado – Gina, me diga, ela é saudável?
-Vamos falar de Fely em outro momento – ela disse carinhosa – Primeiro se estabeleça, então a conhecerá. Preciso ir agora, mas estou muito feliz que esteja vivo. Espero que acredite em mim.
-Acredito – ele sorriu olhando-a em expectativa.
-Greg... – ela tinha se virado para sair, mas voltou, um pouco insegura sobre ser o melhor lugar, ou a melhor hora – Aproveito que estou aqui,e vou pedir ao ministro o nosso divórcio, visto que está vivo e minha viuvez não existe. Sei que vai entender.
-Claro – ele respondeu orgulhoso, mas Harry reconheceu aquele olhar que a acompanhou, até a saída da sala, era um olhar de perca,de dor e de tristeza.
-Harry, não pode ficar – Rony avisou – ainda não é auror.
Era sua deixa para mandá-lo embora,e calado, Harry saiu.
No corredor ele encontrou Gina, olhando para o chão ,e quando o viu, ela ficou muito nervosa, tão diferente da Gina controlada que olharam para o marido morto, redivivo, sem abalos.
-Harry...gostaria de saber o que está pensando! – foi direta.
-O que estou pensando? – ficou surpreso.
-Sim! Greg está de volta, e não sei o que está pensando! - ela torceu as mãos, andando de um lado para o outro.
-Não estou pensando nada. – ele desconversou.
-Não minta para mim! – ela exigiu, elevando a voz e tornando a baixar o tom ao lembrar onde estava. – Estou casada ainda, e morando com você! O que deve estar pensando dessa situação! Merlin, eu teria pedido a separação se tivesse qualquer suspeita da possibilidade dele estar vivo!
-Gina, não é a melhor hora para....
-Harry Potter! -ela elevou a voz, exigindo que parasse de fugir – Greg e passado. Sinto. É cruel, mas é passado, e você é meu presente! Não vou sequer considerar a possibilidade de estar achando que trocaria você por ele!
Ver sua eterna namorada, exasperada, corada e a beira das lágrimas foi o bastante para que percebesse o papelão que representava naquela situação.
-Não quero vê-la perto dele – admitiu – Sei que é o pai de Fely, mas não quero que conviva com ele mais que o necessário. Isso não se estende a Felicity, claro, mas vi amor nos olhos desse homem quando te olhou e não quero saber dos dois juntos!
-É isso que está pensando? – ela perguntou surpresa.
-O que achou que estivesse pensando? – ele estava na defensiva, mas não podia evitar.
-Harry...te amar me faz insensível a qualquer outro homem. – contou, sorrindo ao entender o que o martirizava. – Gostei muito do Greg no começo. Somente porque você estava morto. Estava fora do meu alcance. Somente, porque o amor que sentia estava me matando por dentro! Hoje, nossa realidade é diferente! Não posso amar outro homem tendo-o ao meu lado! Isso jamais aconteceria!
-Sei disso –ele confessou.
-Será que sabe mesmo? – ela insistiu, magoada – Harry, todos esses dias tenho me sentindo culpada por não corresponder as suas expectativas e saber, que não era eu, mas sim Greg, é um balsamo! Sabe o que quer dizer, não é? Que eu sou feliz, e a sensação de felicidade plena que sinto ao seu lado, é verdadeira, e não algo da minha cabeça! Fico feliz em vê-lo vivo, por que isso quer dizer que não estava ficando louca ou qualquer coisa desse tipo! Eu estou bem, Harry e somos uma família feliz. Greg estar Vivo, não muda nada. Ao menos para mim.
-Não quero que ele faça parte da nossa vida – Harry tocou seus cabelos, acariciando seu rosto – não o quero dentro da nossa casa, muito menos se metendo na nossa relação. A relação com Fely é outra historia. Entende, o que quero dizer?
-Claro que sim – ela sorriu aliviada por não estarem prestes a terem uma discussão. – Harry...você acreditou em mim, quando nem mesmo eu acreditava! – ela abriu seu melhor sorriso, devolvendo o carinho dele com um olhar amoroso e profundo – Você me salvou de mim mesma.
-Acreditei na mulher de fibra que conheço, e na garota sensata e forte que ainda vive dentro de você. E essa mulher, nunca deixaria problemas imaginários interferir na própria felicidade! Essa mulher... – ele segurou seu rosto entre suas mãos -...é a razão da minha vida valer a pena.
-Harry... – ela não achou palavras, por isso o beijou.
Os dois saíram daquele corredor quando ouviram o som dos passos que vinham em direção contraria. Não queriam ser abordados por ninguém. Queriam apenas ir para casa e aproveitar a paz que se estabelecera novamente entre eles!