CAPITULO 98
Bate coração
Harry esperou pacientemente por uma semana. Era muita paciência, para quem estava no limite da tensão.
Tensão essa que Gina confundia com raiva ou magoa e vinha tentando compensá-lo e obter um perdão que supunha faria toda a diferença entre eles. Por isso Harry a deixava pensar desse modo, era melhor ocupar sua mente com outros fatos.
A exatos sete dias, mantinha-se em alerta, após ter dispensado os aurores que faziam a segurança, convencido que o possível invasor era inteligente demais para tentar algo com tanta vigilância. Contando que conhecia a mente de comensais imundos, ele fez sua emboscada.
Esperava pacientemente o momento em que ele notasse a fragilidade da segurança. Havia deixado vazar a informação que não estaria em casa, e que seu fiel elfo Dobby havia acompanhado-o em uma viagem relâmpago.
Depois, deixar a elfa, Luli levar o lixo para fora antes de ir embora. A pobrezinha era um desastre para qualquer elfos. Desastrada e esquecida, e contando com isso, ele esperou que a porta dos fundos ficasse entreaberta.
Muitas coincidências , porém a mente de um criminoso nem sempre é capaz de perceber tal fato em meio a sua obsessão. Hoje, ele esperava no segundo andar, usando sua capa de invisibilidade. O corredor era o melhor lugar, visto que Gina e Felicity estavam ali, em seus quartos.
Ou deveriam estar. Uma bela ilusão fizera com que o próprio Harry tivesse sua expressão e uma boneca substituirá a bebê. Tudo para que acreditasse que estariam ali. Claro, prevenido, achara uma razão para que ela dormisse com os Wesleys. Molly tivera uma suposta indisposição, e fizera questão da presença da filha e da neta.
Todos os Wesleys sabiam de suas desconfianças, e teria muita segurança na Toca. Enquanto não descobrisse quem era, e o que queria, ele não sossegaria!
Esperando que Rony não se revelasse até a hora certa, ele continuou esperando.
No primeiro andar, Rony ouviu passos no jardim. Escondido, observou a porta dos fundos se abrir lentamente. Contendo a respiração, ele viu alguém muito alto entrar. Usando uma capa, e capuz, ele andou cuidadoso, sem usar varinha. Era estranho, pensou.
Quanta audácia invadir uma casa com toda a segurança! Ou era um ladrão muito insistente, ou estavam lidando com um a vingança pessoal contra Harry. Era de certa forma esperado. Muito rancor e ódio ficaram para trás, nas mentes doentes de comensais inconformados com a vitoria do mundo bruxo sobre os planos de seu mestre morto, Voldemort.
Consciente disso, Rony absteve de agir, esperando que o invasor demonstrasse seu interesse verdadeiro. E aparentemente ele tinha metas bem claras. Ignorando a caríssima decoração, e os quadros e obras de arte da centenária família Potter, ele seguiu diretamente para o segundo andar.
Passo a passo, sem notar que era seguido, o que era um ponto positivo, pois não parecia ter grande inteligência. Coragem, no entanto, não lhe faltava.
Talvez esperasse encontrar Harry e Gina dormindo e usasse isso como vantagem, ou apenas estivesse motivado demais para se importar com os riscos. Contendo o impulso de imobilizá-lo e arrancar dele o porque de perseguir sua irmã, deixou que Harry fizesse isso.
Era a pessoa mais indicada para isso.
Harry reteve a respiração quando o estranho despontou no alto da escada. Deixou-o avançar, passar diante de seus olhos, sem que ainda pudesse ver sua face, e aproximar-se das portas dos quartos.
Aparentemente, ele conhecia muito bem o caminho, pois segurou o trinco do quartinho de Fely, e abriu a porta, apenas o bastante para entrar. Harry esperou-o entrar, visto que deixou a porta entreaberta para facilitar a própria fuga, e seguiu-o.
Ele parou em frente ao berço, e retirou o capuz da capa negra, afastando o mosqueteiro, para ver melhor. Harry notou o momento em que ele ficou tenso, ao notar que o berço estava vazio, e antes que apanhasse a varinha, já havia sido desarmado.
Sua varinha moveu-se no ar em direção das mãos de Harry e quando o intruso olhou para trás, assustado, Harry tirou a capa se revelando e apontando sua varinha perigosamente para ele.
-Quem é você? – ele perguntou quando o homem baixou a cabeça tentando se esconder nas sombras. – Retire a capa! – ordenou visto que ele não respondeu.
Lentamente, estendeu ambas as mãos para afastar a capa dos ombros, e saiu da semi escuridão.
-Não pretendia fazer mal – ele disse com voz suave, uma voz bastante simpática – Por favor, não use sua varinha.
Harry ouviu uma expressão de surpresa atrás de si e viu Rony olhando embasbacado para o intruso. Rony colocou uma mão sobre a varinha de Harry, fazendo-o baixá-la.
-Harry, esse é... – ele engoliu em seco e Harry ergueu novamente a mão com a varinha, cheio de tanto suspense:
-Quem é você??? – gritou com raiva, adrenalina subindo por suas veias. – Porque está seguindo a minha mulher? Diga quem é, ou não terei piedade!
-Harry, esse é... – Rony respondeu quando o homem não o fez -...esse é Greg.
Não, não é, pensou Harry.
Não podia ser!