CAPITULO 95
Dia de sol
Gina deixou a loja Dedos de Mel empurrando o carinho e falando besteiras com a filhinha. O carrinho era enfeitiçado e fadinhas minúsculas dançavam diante de Fely, fazendo-a rir. Gina riu, pois ela era uma gracinha. Vestida de rosinha, uma roupa comprada por Harry, ela tinha uma flor presa em seus cabelos louro avermelhados, com uma fitinha toda delicadinha.
Era uma princesinha, pensou, empurrando o carrinho ladeira abaixo. Havia comprado doces para as sobrinhas e para si própria. Comprara também uma sobremesa para eles, e uma surpresa para Harry.
Seu sorriso se alertou, ao imaginar a expressão dele ao ver o chantilly e descobrir o fim que ela planejava para o doce!
-A mamãe vai fazer arte, Fely – ela brincou com a filha que a fitava com aqueles doces olhos azuis, sempre atenta. –e o titio Harry vai adorar!
Felicity era a bebezinha mais educadinha do mundo, pensou. Não chorava, não fazia birra, era uma ótima ouvinte e lhe fazia companhia. Empurrando o carrinho, entrou na Floreios e Borrões. Procurava por livros de magia infantil, que auxiliasse na contenção de seus poderes mágicos nessa fase, caso os manifestasse.
Tinha a impressão de Fely manifestar magia as vezes, embora nunca tivesse dado um flagrante. Era uma boneca colocada no sofá e um segundo depois, quando voltasse a sala, estaria em suas mãos. Uma frauda molhada, e quando voltasse com a seca nas mãos, ela já estaria sequinha. Harry lhe dissera que era impressão sua, mas ela tinha suas dúvidas.
Fely era uma bruxinha esperta e estava escondendo da mamãe seus poderes! Por isso, preventivamente, ela iria se preparar para o dia em que finalmente tivesse a confirmação.
Distraída, sentiu-se observada e virou-se para ver quem era.
Imediatamente sentiu-se irritada. Melhor nem falar nada! Draco Malfoy observava-a a uma pequena distancia, com olhar insistente. Fingindo não ter notado, ela se afastou, ponderando sobre o que sabia dele.
Malfoy ficará pobre apenas dois anos depois da morte de seu pai e de sua mãe, pois gastara toda a fortuna Malfoy com jogos, mulheres e tentativas frustradas de ressuscitar Voldemort.
Tornara-se um bandidinho de quinta categoria, apesar disso suas roupas continuavam impecável, e freqüentava a alta sociedade bruxa, com dinheiro que obviamente vinha de meios obscuros.
-Procurando algo em especial, Wesley? -ele abordou-a com seu irremediável sorriso pretensioso – Ou devo dizer, sra.Potter?
Havia muita ironia em sua voz.
-Não me interessa como me chama. –revidou empinando o nariz e tirando Felicity do carrinho, como se assim a protegesse de Malfoy. Com a filha nos braços ficou mais segura.
-Uma filha, uma mansão e um marido rico. Parece que os Wesleys conseguiram finalmente se orgulhar da filha mais nova -ele satirizou e ela ficou púrpura mas se conteve.
-Deixe-me em paz, Malfoy!
-Na mesma santa paz que seu marido? -ele rio da própria piada.
Gina achou impossível perder seu tempo ali, ouvindo essas besteiras!
Com raiva, virou-se para ir embora, mas ele segurou seu braço, o que não segurava Fely.
-O que pensa que está fazendo? – Gina ouviu a voz feminina atrás dos dois e ambos se viraram para olhar para Hermione – Tire as mãos dela, Malfoy!
-Olhe se não é a sabe tudo de sangue sujo! -ele largou Gina, feliz em ter uma vitima nova – Não é que os anos lhe fizeram bem, Granger?
Ela revirou os olhos diante da ironia e aproximou-se de Gina, ajudando com o carrinho.
-Rony nos espera lá fora – ela disse suave, sorrindo para Fely – Posso levá-la?
-Depois – Gina disse olhando para Malfoy desconfiada e incomodada, queria ficar com a filha, numa sensação estranha de proteção exagerada.
-Vamos – Hermione conduziu-a, ficando para trás o tempo suficiente para dizer a Malfoy, sem que ela notasse – Não se aproxime de nós.
-É uma ameaça, Granger? – seus olhos acinzentados brilharam intensamente e ela ergueu o queixo em desafio:
-Sim, é uma ameaça.
Ele não a impediu de se afastar, mas ficou olhando para as duas durante todo o tempo que levaram para conseguirem sair com o carinho de bebê, pela estreita porta, movimentada naquela agradável tarde de sábado.
Gina olhou para o irmão, pensando em Harry que ficara em casa, com Guilherme sendo colocado a par de todas as informações a cerca de sua fortuna. Levara um bom tempo para fazer um completo levantamento de todas as propriedades e outros bens financeiros.
Gina confessava que preferira que ele não viesse. O magoara, e embora, Harry se esforçasse para agir naturalmente, a magoa estava presente, e não sabia como compensá-lo por isso.
-Olá, coisa mais linda do mundo – Rony cumprimentou a bebezinha, estendendo os braços para pega-la.
-Oi para você também, Rony – Gina ironizou.
Ele apenas sorriu olhando para Hermione. Sara e Hermy estavam ao seu redor, e Hermy achegou-se a Hermione falando sem parar sobre um livro que estava lendo. Hermione notou que Sara estava invejosa e gostou de saber que sua atenção era notada pela gêmea enjoadinha, por isso tratou de elogiar seu cabelo, que estava adoravelmente penteado com fivelinhas coloridas, ela abriu sem melhor sorriso e as três não teriam magoas entre si.
Rony estudou as três juntas e levou um cutucão da irmã.
-Vou levar as meninas para um lanche no Três vassouras. Hoje é meu dia de ficar com elas. Vocês duas querem ir junto?
-Desde que não precise carregar minhas compras, sim – Gina disse petulante e Hermione sorriu ajudando-a com as sacolas e as meninas também ajudaram, loucas para imitar a tia e Hermione.
Era uma cena familiar, e para Hermione era fácil pensar que aquela família era sua. Rony com um bebezinho no colo, todo cheio de ternura, as meninas de mãos dadas com ela. Era a cena mais perfeita de toda felicidade humana! Uma família feliz!
Mesmo que a realidade fosse muito diferente, ainda assim era um belo sonho. Ou quem sabe, uma esperança para o futuro?