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3. Lembranças/Tempo


Fic: Sucessão de Erros


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Capítulo 3: Lembranças/Tempo


 


Eu, agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?


[Do Amoroso Esquecimento – Mário Quintana]  


 


Lembranças...


 


Definitivamente eu precisava arrumar um emprego. Agora que as crianças estão em Hogwarts eu tenho muito tempo ocioso... Tempo esse, o qual ultimamente eu tenho usado para pensar no Malfoy... Decididamente eu não deveria ocupar a minha mente com esses tipos de pensamentos. O que será que o Harry acharia se eu dissesse que quero voltar a trabalhar? Preciso falar com ele sobre isso. Estou tentando manter a minha sanidade e o meu casamento. Para isso eu preciso parar de ficar pensando no Malfoy. E daí que fazia três semanas que eu não o via? Isso não me pareceu um problema nos anos anteriores... Se o que ele queria era acabar com a tranquilidade que havia na minha vida, palmas para ele, porque ele está conseguindo extraordinariamente.  


No entanto, havia algo mais para que eu pensasse hoje. Estávamos em meados de outubro e eu estava ansiosa. Há mais de um mês eu não via meus filhos e hoje eu os veria, pois havia visita a Hogsmeade. Ainda era começo de primavera, portanto o tempo não estava nem tão frio e nem quente. Vesti uma roupa apropriada (uma blusinha verde de manga cumprida e uma calça marrom) e coloquei uma capa por cima. Por ser um sábado, o Harry não teria que ir trabalhar e por isso iria comigo. Ele vestiu uma calça preta e uma camisa pólo vermelha, sendo que por cima colocou uma capa também. Ele pegou a minha mão direita e entrelaçou nossos dedos. Em seguida, aparatamos para a entrada de Hogsmeade. Tínhamos combinado com nossos filhos para que nos encontrassem ali às 3h da tarde. Observei meu marido olhar o relógio de pulso:


- Ainda restam alguns minutos. – informou-me e passou uma mão pela minha cintura – Você lembra da primeira vez que viemos a Hogsmeade como um casal?


- Sim, eu lembro. Fiquei quase uma hora pensando sobre o que deveria vestir e se você iria gostar ou não.


- Eu iria gostar de qualquer roupa que você escolhesse. O que me importava era a sua companhia.


Eu dei um selinho nele:


- Você é um fofo, Harry.


- Eu sou um homem apaixonado, amor. – respondeu, capturando meus lábios para um beijo profundo.


Na verdade, nós não deveríamos fazer esse tipo de demonstração pública de afeto. Ainda mais Hogsmeade estando apinhada de estudantes. Não era como se eu estivesse dando um bom exemplo para as crianças...


- Hem, hem. – eu e o Harry ouvimos alguém limpando a garganta perto de nós e nos soltamos.


Ao perceber que era James, meu rosto se iluminou. Ao lado dele estava a minha menininha. Eu e Harry cumprimentamos nossos filhos com um beijo e um abraço.


- Mamãe, definitivamente você precisa controlar-se em público. Eu chego aqui e você e o papai estão se agarrando. E agora você me dá esse abraço de urso. Vão pensar que eu sou um garotinho, filhinho da mamãe. – James reclamou e eu corei.


- James. – Harry o repreendeu – Não fale assim com a sua mãe.


Eu percebi que ele revirou os olhos, mas ainda assim disse:


- Desculpe.


- Que bom que o Neville permitiu que o James te trouxesse mesmo você sendo do primeiro ano. É bom ser amiga do Diretor de Hogwarts. – eu comentei com a minha filha.


- Ele me falou que você e o papai pediram permissão.


- Sim. – Harry confirmou – Mas cadê o Al?


James fez cara de desgosto ao afirmar:


- Da última vez que vi, estava andando com o Malfoy. Não sei o que o Al vê naquela Barbie loira.


Meus olhos se arregalaram automaticamente ao ouvir aquele sobrenome, pensando em Draco Malfoy, até que instantes depois eu percebi que James se referia ao Scorpius.


- Pare de implicar com ele. – Lily retrucou, fazendo eu me lembrar quando eu defendera o Harry perante o Draco há muitos anos atrás na Floreios & Borrões.


- Ah, esqueci que você é do fã clube da Barbie, irmãzinha.


Eu e Harry trocamos um olhar:


- Como assim, fã clube? – ele perguntou e eu percebi que havia ciúme em seu tom.


Foi a vez de Lily revirar os olhos antes de responder:


- O Scorpius é legal comigo e por isso o James diz que eu sou do fã clube dele. Ele e o Al são amigos. – explicou ao Harry e a mim - Se você não fosse tão intragável, ele também seria legal com você. – acrescentou para o irmão.


Com certeza aquela era minha filha. Enfrentando o irmão mais velho para defender alguém de que ela gosta. Apenas espero que ela não goste do Scorpius no sentido romântico da coisa. Seria uma grande ironia do destino.


- Não, obrigado. Eu passo essa, não quero ser amigo daquela Barbie. – respondeu, desafiante, o que fez Lily ficar com as bochechas vermelhas de raiva e bufar.


- James, não é de bom tom você chamar o rapaz de Barbie. Mesmo não gostando dele. – Harry disse sensatamente.


- Mas pai...


- Sem mais, mocinho. – eu intervim – Não tente arrumar briga e não seja preconceituoso. Não é porque o seu pai e o pai dele não se davam bem na escola que você tem que implicar com o garoto.


- Não se davam bem, Ginny? O Malfoy continua não sendo a minha pessoa favorita. – o meu marido respondeu e eu lhe lancei um olhar severo – Mas sua mãe está certa. – completou, olhando para o nosso filho.


Nesse momento Al chegou. Eu e Harry o cumprimentamos e James mordia seu lábio inferior, como que se impedindo de fazer um comentário maldoso. Às vezes eu acho que o James puxou um pouco do Percy. Não me surpreenderia se no ano que vem ele virasse monitor.


- O que nós vamos fazer? – Al indagou curiosamente voltando seus olhos iguais aos do Harry para mim e o pai.


- Dar umas voltas, conversar, quem sabe comprar algumas coisas. – foi o que Harry respondeu.


Nós começamos a andar a passos lentos e eu resolvi perguntar:


- Como está sendo o ano de vocês até agora? Não me poupem dos detalhes!


- Eu ganhei 10 pontos para a Corvinal essa semana. – Lily, nos contou, feliz.


- Parabéns, filha. – eu e Harry dissemos em uníssono.


- Vou jogar minha primeira partida de quadribol na semana que vem. Estou nervoso.


- Ah, ele não deveria se preocupar. Eu assisti a seleção dos candidatos da Sonserina ao time de quadribol para dar apoio ao Al e ele foi muito bem. – Lily falou, o que provocou um sorriso tímido no meu filho do meio.


- Eu ganhei 20 pontos na aula de Transfiguração e nem é uma das minhas matérias favoritas.


- CDF. – Al resmungou.


- Pelo menos eu não ando em má companhia. – James retrucou.


- Como por exemplo aquela garota que eu te vi beijando ontem? – Al perguntou, cético – Todo mundo sabe que ela é mais rodada que catraca de estádio de quadribol em dia de jogo.


James sacou a varinha:


- Olha como você fala da Camille!


- Abaixe essa varinha agora mesmo, James. – eu exigi e ele obedeceu.


- Agora peça desculpas por ter xingado a namorada do seu irmão, Al. – Harry falou seriamente, exercendo sua autoridade de pai.


- Desculpe, James. – foi vencido.


- Ela não é minha namorada... – intencionou falar a Harry, mas não conseguia encará-lo.


Harry assanhou o cabelo de nosso filho mais velho:


- Não tem nada demais em você ter uma namorada. Com catorze anos eu já me interessava por garotas. – ele disse e assisti a James corar.


Tentando quebrar o certo desconforto de James, eu sugeri:


- O que acham de irmos até a Dedosdemel? Eu me lembro que costumava comprar doces incríveis lá.


Todos pareceram apreciar minha idéia. Ao chegarmos lá, percebi que a loja estava bem cheia de estudantes. Eu deveria ter adivinhado que isso não teria mudado. Então eu disse que esperaria do lado de fora, Lily se ofereceu para me fazer companhia. Eu pedi ao Harry que trouxesse para nós algumas varinhas de alcaçuz e sapos de chocolate. Assim que todos entraram, virei-me para minha filha:


- Senti sua falta, querida. – confessei.


- Eu também, mamãe. Hum... Tem uma coisa que eu não contei. – e me pareceu meio desconfortável.


- O quê? Fique tranquila, eu não contarei nada a seus pais ou seus irmãos.


- O Al sabe. Bem, acontece que tem umas garotas da sonserina que não gostam de mim, mamãe. Uma vez eu estava indo para minha aula de Poções e elas me encurralaram no corredor. Eu fiquei com medo de que elas me lançassem alguma maldição ou sei lá. Elas me disseram que eu era metida por ser filha de Harry Potter. Mas não é verdade, eu só sou tímida. E elas disseram que você deu o golpe do baú no papai e que o meu cabelo era horrível. Eu já estava quase chorando quando o Scorpius apareceu e fez com que elas fossem embora... – ela relatou e mordeu o lábio inferior antes de continuar – Logo o Al chegou no corredor e eu expliquei para ele o que tinha acontecido. Eu não queria que você pensasse que eu sou encrenqueira...


- Eu não estou pensando isso. Foi covardia o que aquelas garotas fizeram. Se elas tivessem tocado em um fio do seu cabelo... – meu tom foi de ameaça, mas em seguida abrandei a voz – Querida, seu cabelo não é horrível. Elas devem ter inveja. Há poucas pessoas que são ruivas naturais. Não ligue para o que elas disseram também sobre mim e o seu pai. Eu nunca ficaria com alguém por dinheiro.


- Eu sei, mamãe. Elas não tem moral para... – Lily começou a dizer, mas parou no meio.


Eu rapidamente segui a direção do olhar dela. Al e Scorpius estavam saindo da Dedosdemel e vinham em nossa direção. A semelhança entre ele e Draco era incrível, assim como a de Al com Harry. Rápidos flashes vieram à minha mente. Mais uma vez lembrei da cena na Floreios & Borrões. Em seguida minha mente foi parar no meu primeiro ano, no dia dos namorados quando ele me zoou por ter escrito aquele cartão ridículo para o Harry. Lembrei do nosso primeiro beijo... Fui trazida à realidade pela voz de Scorpius. Não havia aquele tom superior que seu pai costumava utilizar quando adolescente – e se eu fosse sincera o suficiente, admitiria que ele ainda usa atualmente...


- Olá, Sra. Potter. Como vai? – perguntou educadamente.


- Eu vou bem, Scorpius, obrigada por perguntar.


- Oi Lily. – o menino loiro a cumprimentou, acenando com a mão e um meio sorriso. O tipo de sorriso que me lembrava do Draco...


A minha filha sorriu ao responder o oi.


- O que vocês compraram? – indaguei mais para puxar assunto.


- Delícias gasosas, sapos de chocolate e feijõezinhos de todos os sabores. – Al respondeu por ele e o amigo.


- Hum, eu acho melhor eu deixar vocês curtirem o dia em família. – Scorpius disse e pelo que eu poderia ver ele pareceria incomodado se o meu marido e meu filho mais velho se juntassem a nós, o que não demoraria a acontecer.


- Você está sozinho por aqui? – eu quis saber.


- Ah, sim. Mas não faz mal. – ele respondeu.


- Al, pode ir com o Scorpius. – eu concedi – E diga a seus pais que eu mandei lembranças.


Adoraria saber o que o Draco vai pensar quando seu filho lhe disser que mandei lembranças. Quem mandou ele ficar atormentando meus pensamentos??? Eu também tenho o direito de atormentá-lo nem que seja um pouquinho...


- Obrigado, Sra. Potter. E pode deixar que eu direi. – disse e partiu com Al após acenar para Lily em despedida.


Quando os dois partiram, eu me voltei para minha filha:


- É, ele parece ser um bom garoto. Acho que apoio a amizade dele com Al. O que você acha, Lily?


- Eu concordo. – a resposta dela foi curta, mas sincera.


A seguir Harry e James saíram da Dedosdemel. Harry me entregou um pacote com os doces que eu havia pedido:


- Obrigada. – sorri – Ah, antes que me pergunte onde está o Al... Eu deixei que ele fosse com o Scorpius. Tadinho, tava sozinho.


- Você tá fazendo caridade agora, Ginny? – Harry perguntou, não muito feliz e eu pude notar a cara de satisfação de James, ele estava do lado do pai – Era pra ser uma tarde em família. Mas não, você ficou com dó do filhote de doninha e deixou ele roubar o Al da gente.


Eu revirei os olhos e respondi, irritada:


- Não seja ridículo, Harry. O Scorpius não me pediu, eu que disse. E não, eu não estou fazendo caridade, de outro modo eu teria que doar a você mais sensatez.


Harry abriu a boca para responder, mas James falou primeiro:


- Eu não acredito que vocês vão brigar por causa da Barbie.


- James! – eu o adverti.


- Mas eu não posso permitir que os meus pais entrem numa briga por causa do idiota do Malfoy. – ele retrucou.


- Não briguem, por favor. – Lily pediu, fazendo uma cara de unicórnio abandonado e eu não resisti.


- Ok. – concordei.


Brigar com Harry em público não seria apropriado, ainda mais depois dele ter se tornado candidato. Mas em casa nós teríamos uma conversinha... Ficamos mais umas duas horas com as crianças, andando por Hogsmeade e Harry foi contando sobre o que costumava fazer no povoado em sua época escolar. Eu o deixei falar, estava pensativa. Três semanas e nada! Nenhuma carta, nenhuma tentativa, nenhum sinal de Draco Malfoy! Como é que ele pode dizer me amar se nem ao menos tentou entrar em contato comigo??? Tá certo que eu fiz o que era certo, dando um fora nele. Mas se ele realmente me amasse iria continuar insistindo, não? E o pior é que eu ainda fico pensando nele... Eu realmente sou uma estúpida!


- Mãe! – James exclamou, passando uma mão em frente aos meus olhos – Você tá bem? – perguntou, parecendo preocupado.


Estávamos novamente na entrada de Hogsmeade e eu nem sabia como tinha ido parar lá:


- Eu estou bem, só estava distraída. – respondi.


O sol estava se pondo. Lily e James se despediram de nós. Eu e Harry aparatamos em casa. Chegando lá, eu virei para ele e comecei:


- Harry, sinceramente, foi ridículo o modo como você reagiu por eu ter deixado o Al ir com o amigo dele.


- É ridículo eu querer passar tempo com o meu filho depois de mais de um mês sem vê-lo? Se eu sou ridículo, você é insensível.


- Eu não sou insensível. Não é como se o Al fosse nosso único filho. A Lily e o James também precisam da sua atenção. Além do mais o Scorpius estava sozinho. Não é agradável passear sozinho lá.


- Eu não tenho culpa que o filho do Malfoy seja tão anti-social.


Eu bufei:


- Chega! O que está feito está. E se não for para me dar razão é bom que o senhor nem abra essa boca. – disse e fui para a cozinha fazer um chá de camomila. Sim, eu precisava acalmar meus nervos.


 


***


 


“Temos muito tempo... Mas o tempo é qualquer coisa que se corta num golpe súbito de tesoura, quase sempre sem aviso. Três semanas, três anos, trinta anos... O tempo é apenas tempo. É água que escorre entre os dedos das mãos.
A verdade é que não temos muito tempo.
Enquanto cometemos a tolice de ir vivendo como se fôssemos viver... sempre, a nossa vida está às escuras, à espera de um acto de coragem que lhe dê cor e sentido.”
(Paulo Geraldo)


 


Tempo...


 


Fazia cinco semanas que eu não via Ginevra. Eu tinha resolvido dar um tempo para que ela pensasse sobre nós e quem sabe me procurasse. Mas não, isso não aconteceu. Tudo o que sei é que cada um desses dias sem vê-la não estão incluídos nos melhores da minha vida. Entretanto, essa noite eu a encontrarei. Duvido que ela e o Potter faltariam a esse evento. As pessoas notam quando alguém famoso não está presente em algo assim. Fico lisonjeado que a idéia tenha partido da minha mulher. É um Baile de Máscaras Beneficente, e o dinheiro arrecadado será doado para o Orfanato Héstia Jones, o qual foi aberto após a 2ª Guerra do Mundo Bruxo. Eu bato palmas pelo fato da Astoria ter tido essa idéia. Esse baile cairá bem aos olhos dos eleitores. Não podia esperar que Quim Shacklebolt – o atual Ministro – fosse apoiar a mim e não ao Potter. Então precisava conseguir apoio da maneira menos fácil.


Eu vesti vestes de gala e coloquei minha máscara preta. Astoria vestiu um belo vestido dourado com detalhes em ouro, que delineava bem seu corpo. A máscara também era dourada:
- Está muito bonita, querida. – elogiei e era verdade.


Ela sorriu para mim, ao responder:


- E estarei acompanhada do homem mais bonito do baile.


Eu não pude evitar o sorriso convencido que surgiu nos meus lábios. A seguir, ofereci o braço para minha esposa, a qual o pegou. Aparatamos. Mais uma vez eu estava entrando no Centro de Convenções Bathida Bagshot, não é como se nós bruxos tivéssemos muitos lugares em que pudéssemos nos reunir sem chamar a atenção dos trouxas. Quando eu e Astoria chegamos, o local ainda não estava cheio. Porém, pelo grande número de convites vendidos essa realidade não duraria muito. A maioria dos que ali estavam pertenciam à elite, mas sempre havia um ou outro que esperava subir de classe pelo “puxasaquismo”. Falamos um pouco com umas pessoas influentes aqui, aturamos uns burocratas chatos acolá. Apenas parte de mim estava ali. Eu estava mais do que ansioso para que Ginevra aparecesse, apesar de aparentar calma e segurança nas conversas que eu estava tendo. De fato, ela demorou um pouco para aparecer. Eu já estava no baile há quase uma hora quando isso aconteceu. Estava em uma roda com Shacklebolt e sua mulher, Astoria, Percy Weasley e Penelope Clearwater Weasley. Não encarei Ginevra, estava empenhado em ser discreto. No entanto, para minha enorme surpresa, ela e Potter vieram até a nossa roda. Daí sim eu pude dar uma bela olhada na ruiva que não saía da minha mente. Não era nenhuma novidade que ela estivesse divina. Ela usava um vestido tomara-que-caia, de cor azul-petróleo. Era longo e tinha um corpete que delineava o corpo perfeito que havia por baixo daquele tecido. Havia luvas de mesma cor em suas mãos, as quais se aproximavam dos cotovelos. Seu cabelo estava preso em uma trança que pendia do lado direito. Seus olhos castanhos pareciam se destacar mais que o normal, mesmo por detrás da máscara azul e seus lábios tinham uma coloração vermelho-carmim que me enlouquecia de vontade de beijá-la. Aliás, aquela mulher tinha o poder de me enlouquecer! Obviamente eu tratei de esconder o quanto a presença dela ali estava me afetando. Cordialmente estendi minha mão para Potter:


- Boa noite. Eu e Astória ficamos lisonjeados que tenham vindo prestigiar o evento.


Potter apertou minha mão e respondeu:


- Não perderíamos isso por nada. – e se virou para cumprimentar Astoria e os outros.


Eu então aproveitei para cumprimentar quem eu estava esperando:


- Boa noite, Ginevra. É um prazer revê-la. – falei, pegando uma das mãos enluvadas dela e beijando.


Ela pareceu olhar ao redor por um instante, antes de responder:


- Boa noite, Draco. Não sei se posso dizer o mesmo. – e eu apertei a mão dela brevemente, antes que a soltasse.


No salão cada vez mais pessoas dançavam. O Ministro estava dançando com Astoria quando aproveitei para perguntar a Potter:


- Eu posso roubar a Sra. Potter por alguns instantes para uma dança?


Ele me encarou seriamente, parecendo pensar por um segundo, mas respondendo:


- Se ela não fizer objeções.


Automaticamente eu me virei para convidá-la:


- Poderia me dar o prazer dessa dança, Ginevra? – indaguei e ela fez um gesto positivo com a cabeça.


Ofereci meu braço para conduzi-la e ela o aceitou. Levei-a até um ponto meio distante de onde estávamos anteriormente. Segurei uma das mãos dela e passei a outra pela cintura, não me preocupando em manter muita distância entre nossos corpos.


- Você é mesmo audacioso, Draco. E eu diria mais, também é um grande mentiroso.


Eu estava confuso. Não tinha idéia do que ela estava querendo dizer com aquilo:


- Do que você está falando, Ginevra? – questionei.


- Você disse que me amava e então some por cinco semanas e agora me tira do meu marido, que realmente me ama, para uma suposta dança. – ela falou e eu pude sentir mágoa misturada ao tom raivoso que ela estava utilizando.


Abri um meio sorriso ao responder:


- Você veio com aquele papo sobre fazer o que era certo e estava toda confusa... Não foi compreensivo da minha parte deixar que você pensasse por um tempo? -      perguntei, usando a minha melhor expressão de inocência – E isso é uma dança. Eu não estou te agarrando nem nada parecido, Ginevra. – disse e então aproximei meus lábios do ouvido dela – Não agora. Mas pretendo fazer isso mais tarde...


Senti que ela ficou tensa em meus braços e me lançou um olhar horrorizado:


- Você é louco, Malfoy. Não pense que vai conseguir algo de mim.


“Ah, eu não só penso como vou.” Foi o que cruzou minha mente naquele momento. Não estava querendo ser excessivamente presunçoso, mas havia desejo mútuo... Tamborilei meus dedos na base da coluna dela e aproximei ainda mais nossos corpos, o que a pegou de surpresa:


- Eu te dei um tempo para assimilar a situação de que sou apaixonado por você. E pelo que você reclamou de eu ter sumido por cinco semanas, você deve ter sentido minha falta. Não precisava pedir a Scorpius que me mandasse lembranças. Eu pensei em você todos os dias. Você também pensou em mim, não é, Ginevra?


Ela suspirou, o que eu acho que foi involuntário, mas ainda assim me fez sorrir. Esperei que ela me respondesse, o que não demorou muito:


- Pensei. – confessou, sem conseguir me encarar – Não é algo do qual eu me orgulhe, ok? O fato de eu ter pensado em você não muda o fato de que é errado.


- O certo e o errado podem ser bem relativos, Ginevra... Para mim, parece tudo muito perfeitamente certo quando a minha boca está sobre a sua, quando nossos corpos estão colados e eu sinto a sua pele queimar sob meus dedos. – eu sussurrei provocantemente ao ouvido dela, fazendo-a ofegar.


- Draco, para! Harry e Astoria estão aqui.


- E a música está quase acabando... Despiste o Potter lá pelas 2h da manhã. Eu estarei na mesma sala em que entramos na última vez.


- Não, Draco, eu não vou. Isso é loucura, se alguém descobrir...


- Se alguém descobrir estaremos ferrados, eu sei. Mas lembre-se que a adrenalina apimenta as coisas. – e pisquei um olho - No entanto, eu prefiro que não sejamos pegos. Estou confiando na sua habilidade de enrolar o Potter, Ginevra.


- Não. – ela protestou.


- Não se faça de rogada, eu sei que você quer. – foi o que eu disse antes de soltá-la e oferecer o meu braço, como um perfeito cavalheiro.


Ela pegou meu braço com mais força que o necessário, como se para demonstrar que estava aborrecida com a ideia do meu convite, mas eu ignorei isso. Entreguei-a a Potter e tratei de paparicar Astoria para tentar garantir que ela não ficasse enciumada ou desconfiada. Fiquei ao lado de minha esposa e passei a mão em volta de sua cintura, mantendo-a próxima a mim enquanto conversávamos com as pessoas presentes na roda. Às vezes flagrava alguns olhares de Ginevra em minha direção, mas não a encarava por tempo suficiente para tentar adivinhar o que eles queriam dizer. Não, seria demasiado suspeito se eu ficasse olhando fixamente para uma mulher que não era a minha. Eu sussurrava algumas palavras no ouvido de Astoria, que a faziam sorrir e serviam ao duplo propósito de causar ciúmes em Ginevra e ludibriar Astoria. Fui dançar com ela uma música lenta que estava tocando. Meus braços rodeavam sua cintura e os dela meu pescoço. Disse o quanto a achava inteligente e estava orgulhoso por ela ter sido a mentora daquele evento, dentre outros elogios. Ela pareceu não caber em si de contentamento e era toda sorrisos.


- Fico feliz que você esteja satisfeito comigo, Draco. Eu estou me esforçando para me tornar digna de ser primeira-dama.


- Você não precisa nem se esforçar para isso. Acho que você tem um sexto sentido para essas coisas, Astoria. – disse e sabia que aquele comentário iria agradá-la.


- Draco, você é o melhor marido com que eu poderia sonhar. – ela comentou e me puxou para um beijo.


Foi um dos momentos em que mais senti culpa na minha vida. Ela me achava o melhor marido do mundo, confiava em mim... e eu a traí-la. Eu não merecia ter a Astoria como esposa, ela era boa demais comigo. Talvez se ela fosse uma megera, eu me sentiria melhor. Por que eu não poderia simplesmente amar a minha mulher, continuar vivendo a minha vida e ser feliz com isso? Por que eu tinha que amar com tanta paixão Ginevra Molly Weasley Potter? Definitivamente a vida não é justa! Não apenas comigo, mas com todos que a minha traição atingia. Scorpius ficaria decepcionado se me visse com outra mulher que não a mãe dele. Eu não gostaria de decepcionar Astoria. Mas eu odiaria decepcionar o meu filho. Eu queria ser um bom pai. Lúcio pensava que era um bom pai para mim, ele queria o que achava melhor para mim. Ele apenas não sabia que o que ele pensava ser o melhor não correspondia ao que realmente era melhor. Tudo bem, eu já o perdoei pelas escolhas erradas que ele fez no passado. Afinal, ele é meu pai. No entanto, eu não posso evitar pensar em como teria sido diferente se as escolhas dele não tivessem sido as que ele fez e consequentemente eu não tivesse sido forçado a me tornar um Comensal da Morte. Uma coisa é certa, por mais que minha família fosse repudiar a ideia, eu nunca teria deixado que Ginevra se afastasse de mim. E então, nesse instante seria ela quem eu estaria beijando. Seria ela quem estaria me apoiando para me tornar Ministro da Magia.


Eu quebrei o beijo e abracei-a, mexendo em seus longos e macios cabelos dourados. Aproveitei para olhar meu relógio. Estava quase na hora. Eu e Astoria ficamos dançando por mais tempo do que eu havia imaginado. O que eu poderia dizer para despistá-la? Por sorte, a irmã dela, Daphne Greengrass Higgs se aproximou e nos cumprimentou, logo começando uma conversa interminável – e entediante, na minha opinião – com Astória. Então eu pedi licença, dizendo que iria procurar algumas pessoas com quem ainda não havia falado naquela noite. Primeiro fui ao banheiro, aproveitando para checar a minha aparência. Fiquei satisfeito com o que vi no espelho e parti para a sala. Os corredores não estavam tão vazios assim. Eu podia ver na semi-escuridão que havia alguns casais fazendo o que eu esperava fazer dentro de alguns minutos. Abri a porta da sala e me certifiquei de que não havia mais ninguém dentro, para só então fechar a porta. Conjurei algumas velas, deixando-as suspensas no ar. Também conjurei um sofá, no qual sentei para esperar. Não me sentia mais tão confiante assim. Tudo o que eu desejava naquele instante era que Ginevra não me desse o cano, que o tempo que eu havia concedido a ela para pensar fosse o suficiente.

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