Des dos meus dez anos eu sou completamente apaixonada por Harry Potter, ou pelo menos é isso que a minha mãe crê.
Eu não vou negar que desde a primeira vez que o vi fiquei encantada, mas aos dez anos eu não estava apaixonada.
Nem aos onze quando Harry se hospedou pela primeira vez na minha casa eu me apaixonei por ele. Eu morria de vergonha do menino que sobreviveu e o achava bonitinho, só. Depois teve o diário e eu me encantei pelo Riddle, ele era o amigo que eu nunca tive em casa, bem, a amizade era unilateral.
Quando Harry me salvou do Riddle eu o admirei, mas só.
Foi quando eu tinha doze anos que Harry me despertou interesse, ele havia ficado mais bonito e tinha uma rebeldia no olhar que me deixava inebriada, mas esse também foi o ano que Harry começou a gostar da Chang.
Quando fiz treze anos e o Harry ainda não me via como uma garota, decidi mostrar a ele que eu era, sim, uma garota.
Foi assim que comecei a viver a minha própria vida.
Meu primeiro beijo foi como o Miguel Córner, que também foi o meu primeiro namorado. Eu tinha treze anos e ele tinha quinze.
Nós namoramos em segredo por mais de um ano.
Mas terminamos por causa de quadribol, pouco tempo depois ele começou a ficar com a Chang, e eu com o Dino Thomas.
Eu e o Dino realmente nos gostávamos, ficamos juntos por uns dez meses. Mas depois de um jogo contra a lufa-lufa ele ficou fazendo piadinhas sobre o balaço que o Harry tinha levado e eu achei a maior sacanagem. Porra, não basta tudo que o Harry tem que passar, ele ainda tem que ouvir piadinha de uma gentinha inconveniente que ainda por cima não sabe nem jogar quadribol. Depois disso nosso namoro não foi mais o mesmo e eu acabei terminando com ele, depois dele ter me empurrado dentro do retrato da mulher-gorda.
E finalmente meu terceiro e “último” namorado: Harry Potter.
Foi o meu namoro mais rápido, dois meses e meio.
Depois da morte do diretor Dumbledore, Harry achou melhor terminar comigo por algum motivo nobre e idiota.
Eu fiquei mais de um ano sem ver o Harry, mas quando o vi novamente vi que eu ainda era completamente apaixonada por ele.
A guerra estava no seu auge, eu e minha família morávamos na sede da ordem (que foi transferida da mansão Black para a casa da família do diretor Dumbledore). Tudo estava um caos, não sabíamos quem era amigo, quem era inimigo.
Meu irmão, Rony, e a Mione acompanhavam o Harry na sua missão, mas a chacina que ocorria pelas ruas nos desesperançava cada dia mais. Nós não sabíamos mais como combater aqueles monstros.
Eu me lembro como se fosse ontem quando Harry foi passar uma curta temporada na ordem, ele não era mais o menino que eu havia conhecido, mas ainda assim era o homem da minha vida.
Harry iria embora em cinco dias quando eu o encontrei na cozinha.
Desde o início da guerra eu tinha insônia, por isso passava grande parte das minhas noites sentada à mesa da cozinha; eu gostava de escrever sobre como eu me sentia, mas naquela madrugada não seria assim, desci as escadas e vi Harry sentada no balcão da cozinha com o olhar perdido, os pés descalços, o tórax nu. Enfim a imagem da perfeição.
Eu esperava poder admirá-lo um pouco, mas sem que ele percebesse. Porém logo aquelas duas esmeraldas estudavam meu rosto, me arrisco a dizer que os olhos dele me olhavam com o mesmo fascínio com que eu olhava para ele.
- Insônia?
Eu apenas balancei a cabeça em sinal afirmativo.
Com o dedo indicador Harry fez sinal para eu me juntar a ele.
Mentalmente me repreendi por não ter colocado uma roupa mais sensual. Eu estava usando um baby-doll preto com as bordas rosas, o short era curto e tal, mas...era muito simples.

Eu devia ter usado a camisola que a Fleur me deu, que na verdade era a única roupa sensual que eu tinha.
Me sentei no balcão, próxima a Harry.
- Você não devia estar acordada a essa hora.
Ele se lamentou, seu tom de voz era cansado, e eu senti raiva. Raiva dessa maldita guerra que havia o tirado de mim.
- Você também não devia, mas ainda assim está.
Eu falei, não sei porque mais a minha voz saiu mais baixa do que o normal.
- Você costuma ter insônia?
Que raio de pergunta era aquela?
- Costumo, Harry.
- E no que você fica pensando?
- Oi?
Não era possível que eu tenha escutado o que achava que eu tinha escutado.
- Quando você não consegue dormir, no que você fica pensando Gina?
Em você?
Era isso que ele queria escutar?
Ele queria o quê? Que eu dissesse para ele que eu morria de saudades, que eu me sentia incompleta e que só quando eu o via que eu voltava a me sentir inteira? Era isso que ele queria? Porque era a mais pura verdade.
- Na vida.
Eu respondi saindo do meu debate interno sobre as intenções de Harry com aquela pergunta.
- Eu costumo ter insônia.
Harry disse sem me olhar e novamente me veio uma onda de revolta. Onde ele queria chegar com todo esse papo sem nexo?
E daí que ele também tem insônia?
- E quando eu não consigo dormir, eu penso em você. Eu penso em como eu me sentiria se eu morresse sem te falar o quanto eu te amo e o quanto eu sinto por nós não podermos ficar juntos.
Merda. O que deu no Harry?
Só de ouvir ele falando sobre me amar e sobre não ficarmos juntos eu comecei a chorar.
- Harry...
Era mais um lamento do que um chamado, mas mesmo assim ele se levantou da bancada e ficou de pé olhando para mim.
- Gi eu sei que é egoísmo, mas teria como você me esperar? Você esperar essa coisa toda acabar?
- Harry eu estou te esperando.
- Gina eu não sei se eu vou conseguir sair vivo disso tudo.
Eu chorei mais ainda, a possibilidade de perder Harry me desesperava.
Harry me abraçou e eu pude sentir o seu cheiro, eu havia me esquecido como ele cheirava bem.
- Gi eu não queria te ver chorar, é melhor a gente esquecer essa conversa.
- Harry eu não quero esquecer essa conversa.
Assim que eu terminei de falar pulei do balcão.
Droga, essa indecisão dele já estava começando a me irritar.
- Se você quiser fingir que essa conversa não aconteceu tudo bem, mas saiba que não importa o que você diga, eu vou esperar por você.
Eu estava quase gritando e achei que Harry iria brigar comigo, mas pelo contrário, ele me beijou da maneira mais terna que eu poderia imaginar.
As lágrimas corriam soltas pela minha face, mas ter Harry ali tão perto de mim, me reconfortava.
Não sei quanto tempo nós ficamos ali, nos beijando e fazendo juras de amor.
No dia que ele partiu Harry pediu minha mão em casamento aos meus pais.
Eu não preciso nem falar que foi uma comoção geral. Meus pais se importaram por eu ainda não ter nem completado dezessete anos (algo que ocorreria em três semanas).
Como sinal do noivado Harry me deu uma linda aliança, era toda cravejada de esmeraldas, para que cada vez que eu olhasse para ela eu me lembrasse dos seus olhos.
Até aí tudo perfeito, não é?
Apesar das dificuldades meu amor era um conto de fadas.
O problema surgiu numa manhã ensolarada, quatro dias depois do meu aniversário de dezessete anos.
Eu, Fred, Jorge, mamãe, papai, Gui e Fleur estávamos tomando café da manhã, quando o Carlinhos entrou na cozinha e falou alguma coisa no ouvido do papai e da mamãe.
Papai levantou e falou alguma coisa com os gêmeos e com o Gui. Depois os quatro saíram com o Carlinhos que murmurou um bom dia.
Fleur começou a resmungar algo em francês enquanto mamãe retirava a mesa.
- O que aconteceu?
Eu perguntei, já alterada com medo por Harry.
- Não é assunto de criança Gina.
- Mamãe eu não sou mais uma criança.
- Molly, eu também querer saber o que acontecer para meu marido sair assim?
- Eu não sei.
- Mamãe.
Eu a repreendi.
- Eu só sei que o Lupin quer falar com o seu pai.
- E o que o Gui ter haver com isso?
- É sobre o Harry?
- Eu não sei sobre o que é. Só sei que o Carlinhos achou melhor os gêmeos e o Gui irem também.
Depois mamãe foi arrumar a casa, Fleur foi para o seu quarto e eu fiz um feitiço para a louça começas a se lavar. Sentei em uma das cadeiras e fiquei observando a louça.
Quando a louça acabou de se lavar foi a vez delas secarem, não que o meu feitiço para secar fosse realmente eficiente, mas eu não estava com pressa mesmo...
Enquanto a louça se guardava, papai entrou na cozinha. Ele estava vermelho e ofegante.
- Cadê a sua mãe?
- Foi arrumar a casa, porquê?
- Fala para ela vir aqui.
- O que aconteceu papai?
- Ginevra fala para a sua mãe descer. Diga a ela que nós vamos nos mudar.
- Para onde papai?
- Gina.
Como papai já estava falando mais alto do que o seu normal, eu subi as escadas correndo.
- Mãe. Mãe. MÃEEE.
- O que e é?
Mamãe estava saindo da sala de reuniões.
- Papai disse que vamos nos mudar.
- O quê?
- É isso mesmo.
- Certo, seu pai está aonde?
- Na cozinha.
- Pede a Fleur para descer.
Fui correndo para o quarto do meu irmão e da Fleur.
- Fleur, Fleur.
- O que acontecer dessa vez?
Ai, como eu odiava o sotaque dela.
- Meu pai disse que vamos nos mudar.
- Vamos? Quem ir?
- Eu não sei, mas ele e a minha mãe devem estar na cozinha.
Eu e Fleur descemos as escadas correndo e chegamos na cozinha a tempo de ouvir a minha mãe gritando.
- Eu não vou morar na mansão Malfoy.
N.A.: O capítulo todo é uma retrospectiva do que aconteceu com a Gina até os dezessete anos, é a maneira como ela vê as coisas e a primeira parte do que aconteceu que levou ela para a cama do Draco.
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Na mansão:
Como tudo mais naquela casa a sala de jantar era soberba. Mas o que mais me deixou atônita não foi a beleza da sala e sim o homem que estava na cabeceira da enorme mesa de jantar. Pois Draco Malfoy estava longe de ser o moleque chato do qual eu me lembrava, o mesmo moleque que eu apelidara de doninha saltitante.