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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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2. Harmless


Fic: Restless - Rose&Scorpius - FINALIZADA ULTIMO CAP ON


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Harmless
(Inofensivo)


Um dia, mesmo que demore, vai acabar percebendo porque eu faço coisas erradas. Faço para você me corrigir.”

Aquelas palavras, mesmo que o tempo insistisse em levá-las embora, nunca saíram da minha cabeça. Toda vez que fechava os olhos, quando nada me distraía, essas lembranças acabavam me atormentando. Mas eu me transformei imune a isso, cada vez que a voz de Scorpius Malfoy ecoava meu cérebro, simplesmente deixava que vagasse por ali. Eu passei muito tempo tentando tirá-lo dos pensamentos, o resultado que eu não obtive me fez notar que era impossível esquecê-lo.

Principalmente o que ele dissera uma vez. “Faço coisas erradas para você me corrigir.” Talvez eu me apaixonara ao ouvir aquilo. Ou talvez eu já estivesse apaixonada, mas só aquelas palavras que me mostraram a realidade. Pois, de um modo bem estranho, ficaram gravadas, não só no pensamento, mas na minha alma. Quero dizer, o começo de tudo foi quando ele disse “Faço coisas erradas para você me corrigir.”

Isso explicava as vezes que ele fizera coisas pelas quais um homem não se orgulharia na vida assim que crescesse e descobrisse o que era correto. No primeiro ano, já o vi roubando coisas supérfluas de alguns alunos, já o vi roubando um livro da biblioteca, pena, pergaminho.

“Você vai ficar encrencado”, foi a primeira vez que falei diretamente com ele. Minha mão estava estendida em sua direção, esperando que ele me obedecesse. “Devolva o livro, pois não é seu.”

A risada dele era tão sarcástica que eu tinha desgosto de ouvi-la naquela época.

“Uuuh, devo ouvir ordens de uma menininha como você?” zombou.

“Devolva o livro, Malfoy, isso é errado.”

“Não sei do que está falando, Weasley”, ele colocou o livro atrás das costas quando Madame Promfrey passou por ali.

“Vão acabar descobrindo”, falei.

“Se você for, além de sabe-tudo, uma dedo-duro idiota.”

“Não vou contar, mas vão acabar descobrindo. Quando alguém faz uma coisa errada, mesmo que demore, acabam descobrindo.”

“Onde aprendeu isso?”, ergueu as sobrancelhas, desdenhosamente.

“Meus pais falam.”

Ele riu mais uma vez.

“Você escuta o que seus pais falam? É uma criancinha mesmo. Sabia que eles costumam mentir? Dizem que você é inteligente, dizem que você será o melhor, mas não, isso não existe.”

Depois saiu da biblioteca, e levou o livro com ele. Devo dizer que, ao descobrirem – pois isso obviamente aconteceu – Scorpius levara detenção.

Mas acho que aquilo nunca serviu para alguma coisa. Detenções não funcionavam com sonserinos, nem com Malfoy. No segundo e terceiro ano, por exemplo, mesmo que Scorpius tivesse parado de roubar coisas, ele adorava zombar os outros pelos seus defeitos. Já fizera uma garota da Corvinal chorar quando dissera que ela era um trasgo e que os amigos só gostavam dela para conseguirem suas anotações, já que a garota sempre fora inteligente.

Eu tentava não me intrometer naquilo – não era a mim que ele ofendia, ele nunca fazia nada de errado para mim – mas era difícil. Ele fazia para os outros, no intuito de atingir a mim. Todo mundo sabia que eu me preocupava com os sentimentos das pessoas, e Scorpius se divertia estraçalhando eles.

“É tão insensível”, dizia-lhe, quase que lamentando. “Não vê o quanto você é desagradável?!”

“Sinto muito, Weasley!”, era em tom de zombaria. Sempre. “Está chateada pela sua amiguinha? Eu só disse a verdade. Bem, vejo que as pessoas não gostam de saber a verdade, ficam chateadas e ofendidas. São tão fracas, por isso gostam de viver na mentira!”

“Você pode dizer a verdade! Mas não da maneira como o faz!”, eu disse inconformada.

Só recebia risada sarcástica e desdenhosa em resposta quando, na realidade, ele não encontrava falas para retrucar.

No quarto ano, ele não se preocupava mais em se divertir daquela maneira. Nas aulas, seu desempenho era terrível. Costumava sentar na última carteira, no fundo. Era sempre assim quando queria encostar a cabeça na mesa e dormir quando era aula de História da Magia, por exemplo. Os professores chamavam a sua atenção por causa disso, mas ele não mudava de carteira, não mudava de lugar, e continuava sempre cochilando na aula. Sinceramente, eu era irritada por causa disso. Principalmente porque, mesmo dormindo e nem prestando atenção nas aulas, ele sempre, sempre, conseguia tirar nota máxima. E eu sempre me matava de estudar, e sempre empatava com ele nas notas.

“Potter, acorde o Malfoy, por favor”, a professora McGonagall pediu, numa paciência estranha. Quando meu primo obedeceu, dando um cutucão no ombro dele, Scorpius levantou a cabeça, o cabelo todo despenteado e a expressão de quem realmente havia sido interrompido de um sonho magnífico, e ouviu a repreensão da professora: “Se continuar a dormir nas minhas aulas, será proibido de fazer testes para o Quadribol.”

Ele ficou mais acordado durante a aula depois daquilo. Era realmente incrível a forma como nunca prestava atenção, como não tinha interesse em absolutamente nada. Até mesmo os professores não acreditavam nisso. Albus dizia que ele dormia nas aulas porque costumava ficar acordado na madrugada, e só Merlin sabia o que ele aprontava, embora, alguns anos depois eu acabei descobrindo.

Quando tornei-me Monitora em parceria com Albus na Grifinória, no quinto ano, todos os dias depois da janta caminhávamos pelo corredor a procura de algum tipo de aventura. Mas não havia aventuras extraordinárias, só uns meninos do primeiro ano que ficavam desesperados, perdidos, e não sabiam voltar para a sala comunal. Era aí que Albus entrava, sempre ajudava-os nisso, levando-os até lá.

Então mesmo sozinha, continuava andando pelos corredores escuros. Uma vez, talvez depois de vê-lo se agarrando com uma garota na biblioteca, encontrei Scorpius e um grupo de amigos da Sonserina ao redor de um garotinho do primeiro ano, eles estavam encurralando o coitado contra a parede.

“Segure o braço dele”, Scorpius pedia.

Eu fiquei estupefata, simplesmente não acreditando na cena que via. Eles queriam agredir o menino. Agredir. Finalmente entendi porque meu pai dizia para não ser amigável com ele.

Antes que alguma coisa ruim acontecesse, eu corri até lá.

“O que vocês estão fazendo?!”

Devo confessar que, mesmo Scorpius sendo um garoto, da mesma idade, da mesma classe, eu acabei adquirindo temor pela presença dele.

Ele tinha todas as qualidades que eu detestava ver em um menino.

Parecia-me impossível se apaixonar por ele.

Mas não, aquilo não aconteceu quando ele tentava fazer seus amigos agredirem o menino indefeso.

“Vocês serão expulsos desse castelo”, eu quase gritei. Tudo o que recebi em troca foram risadas. “E eu não verei a hora de vê-los fora daqui.”

“Ah, oi, Weasley. Conhece o Dilan?”, Scorpius mostrou com o dedo o garoto assustado. Seus amigos riram.

“Afaste-se dele”, sibilei. Scorpius me obedeceu, tirando as mãos do braço dele. Dilan saiu correndo. Scorpius trocou então olhares com seus amigos. “Voltem para suas salas, fiquem com sorte que não os vi agredi-lo. Pois se visse...”

“Shhhh”, ele colocou o dedo nos próprios lábios, num gesto para que eu me calasse. “Fique quietinha, Weasley. Só estávamos ensinando-o como se quebrar um nariz. Alunos novos devem aprender a se defender.”

Falou aquilo como se estivesse me deixando orgulhosa.

“Saiam desse corredor, ou levarão as piores detenções da vida de vocês.” Eu falei da maneira mais perigosa possível, mantive a expressão mais séria do mundo. Não me surpreendia caso começassem a caçoar. Mas nos encaramos por um bom tempo, Scorpius não riu, o que deixou seus amigos calados também.

“Vamos”, falou para os outros. “Não há mais nada para fazer aqui.”

Eu ficava muito nervosa por isso. Não conseguia imaginar como alguém era capaz de fazer mal a tantas pessoas, mesmo que para se mostrar e divertir os amigos. Eu ficava me perguntando porque Scorpius era assim.

Notava que ele tornava-se inofensivo em relação à maldade quando estava voando em campo no Quadribol. Não era impressão minha, mas todos consideravam Scorpius talvez o melhor jogador do time da Sonserina. Até mesmo James, que o odiava com todas as forças, admitia que era difícil jogar contra ele.

Entrei para o time da Grifinória, como goleira no quarto ano. Durante os primeiros meses, Albus e Hugo me impediam de jogar, porque achavam que eu ia me machucar. Mas eu nunca fui sensível o bastante para temer uma gole; eu tinha herdado a habilidade do meu pai, e tentei mostrar isso aos meus primos nos jogos.

Eles ficaram admirados, não vou mentir.

Então eu jogava contra Scorpius quando era Sonserina x Grifinória e podia constatar seu talento. E percebia o quanto ele ficava satisfeito. Talvez até mesmo feliz por estar voando.

Tive certeza disso quando ele se machucou. Lembro quando caiu da vassoura no final do jogo contra a Grifinória. Foi a coisa mais terrível que eu vi, eu estava perto. Ele ia fazer o gol, sentia nos olhos deles há distância, no entanto se desequilibrou. Fiquei parada, estática, sem saber o que pensar quando o vi cair de estrondo no gramado do campo. Não só me assustei mas como comecei a tremer logo que percebi que era tarde demais para as pessoas o socorrerem antes da queda.

Eu deveria ter feito alguma coisa? Eu achava que sim. Scorpius tinha quebrado a perna e os dois braços, sem contar que a cabeça não estava nas melhores condições. Na realidade, ele estava terrível quando o vi deitado na cama da ala hospitalar, sozinho, dias depois do jogo.

Tive que sair escondida da sala comunal para não perceberem onde estava indo. Acabariam me estrangulando caso meu irmão ou Albus soubesse que eu queria visitar Scorpius. Sim, eu estava preocupada. Quando alguém caía da vassoura de uma altura de dez metros bem na sua frente e machucava todos os músculos do corpo, independente se era ou não uma boa pessoa, eu ainda ficava preocupada.

Ao entrar na ala hospitalar, ele logo me viu e soltou uma risada pelo nariz. Não compreendi o som.

“Não acredito”, disse em voz alta, mas olhando para o teto daquela vez. “Você.”

“É, sou eu”, respondi com azedume sem me aproximar.

“O que veio fazer aqui, contar quantos ossos eu quebrei?”

“Se lhe servir de consolo, quero saber como está.”

“Oh, serve de consolo sim.” Será que ele não sabia falar sem ser tão sarcástico? Fiquei em silêncio por alguns segundos, já querendo sair dali. Mas eu senti o suspiro de Scorpius, e ele acrescentou, a voz saindo baixa: “Se sua preocupação for verdade, digo que estou melhor. Existe magia para concertar as coisas.”

“Você não acredita que eu possa estar preocupada com o que aconteceu?”

“Acredito, você se preocupa com tudo. Mas não imaginava que viria até aqui.”

“Eu fiquei assustada”, odiei o modo como revelei aquilo tão rapidamente.

“Ridículo”, disse. “Assustada? Isso não combina com você.”

“Mas você não me conhece”, eu disse.

Ele ficou calado.

“Você também não me conhece”, falou alguns minutos depois.

Sinceramente, eu não queria acreditar que Scorpius fosse como eu o conhecia. Porque eu sabia bem como ele era. As ações, as palavras, a personalidade. Os roubos, as brigas.

“Olha, já vou embora”, dei as costas. “Já soube o que queria saber, então...”

Scorpius não respondeu, de modo que continuei andando. De repente sua voz ecoou a ala hospitalar:

“Weasley, pegue... pegue aquela revista para mim.”

Olhei para os lados e vi uma revista na cama ao lado da dele. Fui até lá e fiz aquele favor.

Um ato amigável. Meu pai me mataria, mas não liguei.

Estendi a revista a Scorpius, mas ele não olhou para ela. Porque ele olhava para mim. Com esforço segurou a revista.

“Consegue mexer o braço?”, estranhei.

“O efeito da poção está adiantando”, respondeu.

Por mais que eu desejasse, não conseguia desviar o olhar. Eu tentava imaginar o que havia atrás daquela nuvem cinza dos olhos dele. Alguma coisa dentro de mim, bem enterrada no meu peito, dizia que ele não era ruim.

Razão pela qual eu fui e fiquei por lá.

Eu queria saber se a coisa dentro de mim estava correta. Aproveitei o momento em que ele se mostrou inofensivo, para descobrir. Então resolvi perguntar:

“Seus amigos já vieram aqui?”

“Depende como você define amigos.”

“Aqueles que te apóiam no fracasso e no sucesso, que te criticam na hora certa, aqueles que dizem a você que está errado e que está certo, aqueles que sabem como fazer você rir e chorar ao mesmo tempo, mas rir na maioria das vezes.”

Quando eu falava dessa maneira, Scorpius costumava zombar de mim. Daquela vez foi diferente; ele apenas abriu a revista e disse:

“Então eles ainda não vieram.”

“Não tem amigos?”, perguntei. Meu Deus, eu estava com pena dele?

“Bem, tenho. Mas não da sua definição.”

“Qual é a sua definição de amigo?”

Ele ficou calado, piscando os olhos. Perguntando-se, talvez, porque estava conversando comigo.

Ele respondeu, e eu fiquei admirada:

“Acho que amigo é aquilo o que eu queria ser. Sei lá, como você. Se preocupa com as pessoas, mesmo odiando elas. E faz de tudo para corrigi-las quando estão erradas. Eu sou apenas um alvo disso.” Voltou a olhar para mim. “Então talvez um dia, mesmo que demore, você vai acabar percebendo realmente porque eu faço coisas erradas.”

Sentei-me na cama ali do lado, numa postura rígida, meio desconfortável. Ficava me perguntando desde quando Scorpius falava daquela forma, com uma expressão séria e até talvez misteriosa. Será que teria sido a pancada na cabeça? O tom sarcástico de sua voz havia sumido, eu nunca o vira falando de outra maneira. Mas lá estava ele, não tão calmo, não tão relaxado, mas pensativo.

Eu... eu ficara um pouco encantada com aquela expressão pensativa, mas não tinha percebido isso ainda.

“Eu faço para você me corrigir”, acrescentou. Foi então que meu coração disparou.

Senti minhas orelhas ficando vermelha, por causa daquele efeito.

Levantei-me da cama.

“Vai embora?” perguntou a mim.

“É, vou.”

“Olha, não fiz nada de errado agora, não precisa ir embora.”

Eu só entendi naquele mesmo momento, quando ele dissera aquilo, porque tentava me distrair para que eu não saísse de lá.

Talvez eu fora a única que visitara ele naquele estado.

Scorpius não demonstrava isso aparentemente, mas eu percebi.

“Não, não é isso. Eu tenho que ir mesmo.”

Pensei em dizer que voltaria, mas... não tinha tanta certeza.

Uma semana depois Scorpius saiu da ala hospitalar, renovado. As próximas coisas que o vi fazendo não foram nada ruins, a diversão constava para ele, e para outras... garotas.

Lá estava eu, estudando para o teste de Runas, quando de repente ouvi um barulho entre as estantes. Só precisei espreitar na direção ao meu lado para ver Scorpius e uma garota da Sonserina, talvez a terceira daquela semana, se beijando descontroladamente. Ele a prendia contra a estante derrubando livros de um modo agressivo que parecia fazer a garota gostar.

Ok, eu estava enganada. Vê-lo cair da vassoura na minha frente não foi a coisa mais terrível que eu vi.

Como se tivesse visto apenas um inseto, entretanto, voltei para os estudos. Mas não conseguia me concentrar – óbvio – sabendo que duas pessoas estavam se agarrando há poucos metros.

Além disso, eu me incomodei um pouco. Porque eu pensava: “É o Malfoy ali.”

Resolvi pegar minhas coisas e sair.

No dia seguinte o encontrei na ponte de Hogwarts.

“Fez aquilo só para que eu o corrigisse?”, perguntei, mais zangada do que gostaria de aparentar estar.

“O quê?”, parecia confuso.

“É bom que não leve mais suas amigas para a biblioteca, não é um lugar apropriado para colocar a língua na boca delas.”

Quando ele sorriu logo me arrependi de dizer aquilo. E aquele sorriso não era sarcástico, não era desdenhoso. Havia algo novo; era um sorriso normal, um pouco animado. Eu me odiei por ter achado aquele sorriso bonito.

“Está com ciúmes, Weasley.” Não perguntou, ele contou. “Sabia que ficaria. Mas pode ficar tranquila, aquelas garotas não me interessam muito.”

“O que você chama de interessante então?”, estava mesmo curiosa. Para ele nada o interessava.

Antes de caminhar para o outro lado e sair, ele disse:

“Você, talvez.”

A culpa era dele por eu ter me apaixonado.




Ele passou a sentar-se na frente, não ao meu lado, mas numa carteira da mesma fileira horizontal,
de modo que podia vê-lo. E o mais estranho de tudo: Scorpius ficava acordado. Às vezes eu acabava que olhando para aquela direção, porque ficara espantada com a mudança repentina. Ele olhava para a lousa, para o caderno, e quando terminava suas anotações colocava as mãos na própria nuca, onde os dedos se entrelaçavam pelos fios de cabelo loiro, e, normalmente, colocava o pé na mesa sem se importar em receber repreensão.

Daquele jeito descontraído.

Como já disse, Scorpius tinha todas as qualidades que eu não suportava ver em um menino. Por isso ficara intrigada pela ansiedade que eu tinha de vê-lo nas aulas.

Quero dizer, eu ficara realmente intrigada por perceber pela primeira vez ali que ele era tão...

Lindo
.

É, ele era lindo. Talvez sempre foi, mas eu só não enxergara antes por causa das coisas que ele fazia.

Mas Scorpius havia mudado.

O que demonstrou isso foi quando ele me salvou. Vou contar como foi.

Os alunos eram fascinados pelo crepúsculo. Todo fim de tarde, havia sempre muitos alunos por ali contemplando a imagem daquele céu tão colorido e maravilhoso. Scorpius, por outro lado, era indiferente.

Eu estava sentada na margem do lago. E ele havia se sentado ao meu lado, e perguntado:

“Gosta da paisagem, Weasley?"

“É... eu me acalmo quando vejo a cor do céu. Parece que... todos os problemas e preocupações somem quando o céu fica dessa cor. Porque um dia se acabou. E eu gosto da noite. Apesar da escuridão, não vejo sinal de ameaça.”

“E eu não vejo nada demais em um pôr-do-sol”, disse Scorpius, bufando. “Você ainda me atrai mais do que cores e nuvens.”

“Hum”, eu engasguei aquela palavra. Ele tinha mania de falar essas coisas para me deixar desnorteada. E sempre obtinha efeito.

Segurou o meu braço, e convidou para caminhar por ali, ainda perto do lago.

Era para ser uma simples caminhada, Scorpius não gostava de ficar parado. Estávamos silenciosos.

Os passos calmos. Scorpius continuava naquela sua expressão séria, postura reta, olhar no chão, tão pensativo, e as mãos no bolso, tão sonserino. O cabelo esvoaçava com o vento, ele não se importava. Estava sério demais.

“Algum problema?”, perguntei baixinho, percebendo o silêncio.

“Você não tem idéia.”

A resposta dele me surpreendeu. Caminhávamos ainda, o vento soprava, causando movimentos nas águas do lago, sereno e calmo.

“Podemos voltar, se quiser”, arrisquei.

Scorpius girou a cabeça, e deu um sorriso sem tirar os olhos de mim.

“Não se preocupe comigo”, pediu. Ou mandou, como gostava de fazer. “Pra mim, é sempre um problema ter você ao meu lado.”

Respondia de forma displicente. Respondia como se realmente não se importasse. E ele até comentou:

“Mas sabe como gosto de problemas, não sabe, Weasley?”

Eu afirmei fracamente com a cabeça.

Andamos mais alguns metros, daquela maneira silenciosa. Ainda estávamos na beirada do lago. Apesar da caminhada estreita, com algumas crateras na terra, eu só conseguia me concentrar nas palavras dele, nem sabia que caminho estávamos seguindo.

Scorpius se virou para mim de repente, como se não agüentasse mais nenhum segundo. Mas fui pega desprevenida – andava muito distraída –, e quando senti a aproximação brusca do sonserino, acabei tropeçando numa daquelas pequenas crateras e, com um gritinho, senti que meu corpo logo perderia o equilíbrio, e eu cairia no lago que estava bem ali ao meu lado.

Quando a água gélida penetrou meu sangue, eu fiquei desesperada. Eu queria gritar que não sabia nadar, mas eu não conseguia fazer nada nem mesmo chegar à margem do lago, que estava fundo na parte em que caí. Fechei meus olhos, o desespero aumentando...

Só meu pai sabia que eu tinha medo da água. Ou trauma. Eu tinha cinco anos, quando mamãe e ele brigaram feio, de deixarem de se falar por dias. Meu pai estava tão zangado com ela, que só me convidou para ir ao acampamento, que eu tanto desejava. Hugo era novo demais para nos acompanhar, de modo que ficou com a mamãe em casa. Meu pai me levou para passear de barco, enquanto ele pescava. Era uma sensação de alegria, eu me divertia tanto com ele! Mas sempre fui desastrada; quando me aproximei para ver o peixe na isca da vara de pescar dele, escorreguei na água do barco e caí no rio.

A sensação de desespero era a única que tomava conta de mim enquanto era puxada pela água, não havia onde eu me apoiar. Só não me afoguei pois eu tinha um salvador, que era meu pai. Ele ficou mais desesperado que eu, mas me salvara do afogamento. Já tentei, anos depois, tirar o medo da minha consciência, mas eu não suportava nadar em lagos, eu tinha medo da sensação de desespero.

Como há onze anos atrás então, senti duas mãos agarrarem meu braço com força. Ofeguei infinitamente, engasgando, quando emergi da água. Como há onze anos atrás então, agarrei meus braços ao redor do pescoço de quem me salvara; há onze anos atrás o meu pai; naquele momento, Scorpius Malfoy.

Eu simplesmente o abracei, aumentando a força do meu braço ao redor dele, principalmente porque eu não queria soltá-lo, o perigo de me afogar caso o fizesse era iminente. Scorpius havia me tirado do desespero, ele precisava saber que eu o agradecia por isso.

Não retribuiu o abraço, mas ainda me segurava. Não imaginava que eu fizesse aquilo. Nunca estivemos tão perto. Nos encaramos, a respiração dele roçava minha pele. Achei que eu ia me afogar do mesmo jeito, o fôlego não existia em mim. Mas ali não fiquei desesperada.

Scorpius me levou até a margem do lago e eu, sem força alguma, deitei no gramado. Ele ficou de joelhos ao meu lado.

“Você não sabe nadar?”, perguntou não caçoando, mas preocupado. “Tem medo da água?”

Afirmei com a cabeça pois não consegui dizer.

“Isso não combina com você”, disse. “Defende goles de uma maneira extraordinária, mas tem medo de algo tão inofensivo como a água!”

“Pode rir.”

“Mas não vou, todo mundo tem medo de alguma coisa. Eu tenho medo de sapos, por exemplo.”

Mesmo que ofegante, eu consegui soltar uma risada. Ainda estava com os olhos fechados, então quando os abri me surpreendi ao ver os olhos cinzas dele perigosamente perto de mim. Ele estava inclinado, analisava-me com cuidado.

“O que aconteceu com você?”, perguntei desnorteada, a respiração voltando ao normal.

“Como assim, Weasley?”

“Eu não suportava você, agora...”

Scorpius me interrompeu.

“Se eu sou uma má pessoa, você não gosta de mim¹. Então resolvi tentar fazer algo certo para conquistar você. Agora pergunto-me se isso funcionou, já que nas vezes que fiz coisas erradas você só me corrigiu.”

“E não era isso o que queria?”

“Não... agora eu ainda quero algo mais.”

“O quê?”

Ele respondeu colando seus lábios nos meus.

Meu coração disparou sem desculpa alguma. Porque Scorpius não fizera mais nada além daquilo, nem mesmo pressionou a boca dele, gélida por causa da água que ainda arrastava em sua pele. Apenas se afastou um pouco.

“Corrija-me se eu estiver errado dessa vez, Weasley”, ele pediu antes me beijar de volta com mais força ainda.

Não, daquela vez não havia nada de errado. Nada. Nada. Nada. Era a boca dele na minha, movimentando-se com urgência e paixão. Era a língua dele roçando na minha, e a era a minha mão que estava lá em seu cabelo molhado, despenteando-os de uma vez só. Era ele me beijando, e eu correspondendo.

E no momento nada me pareceu errado. E sim certo. Muito certo.

Apenas anos depois que eu descobri que, se não tivesse correspondido, teria evitado muitas coisas. Principalmente o amor.

Teria evitado briga com Albus, meus pais e meus outros primos para entenderem que Scorpius era um bom rapaz. “Ele não presta, Rose”, dizia Albus quase cuspindo. E falou bem em frente a ele. “O que você espera dele, afinal?!”, e então brigávamos.

Namorei Scorpius do sexto ao sétimo ano. No sétimo foi então que eu descobri que... bem, Albus estava certo.

Eu fazia de tudo para não lembrar do que nos levou a um fim. Porque não fazia muito sentido. Se eu dissesse a alguém o que aconteceu, provavelmente afirmariam que acontecia, que era normal nessa idade.

Scorpius dissera: “Eu quero você, Weasley.” E ele me teve. Em todos os sentidos imagináveis.

Oh, eu ainda podia sentir os lábios dele no meu pescoço, suas mãos na minha pele. Aquela lembrança interminável. Ele prometera “não vou machucá-la”, e a forma como a dor transformara-se num prazer que eu jamais sentira antes de amá-lo, deixava-me sem fôlego. O corpo dele no meu, pela primeira e única vez em mim, eu jurava que o amaria para sempre, e que ele era importante, ele era tudo o que eu precisava.

Os olhos dele não desviavam dos meus. Seus lábios entreabertos, e ele soltava arquejos fracos. O corpo colado ao meu, era fácil notar que a respiração acelerada e o batimento cardíaco soavam no ritmo do movimento sutil, até quase imperceptível e temeroso.

Eu lembrava das mãos trêmulas dele pousadas em meu rosto. Aquele momento era para ser perfeito.

Mas não para uma Weasley e um Malfoy.

Sentia que a expressão dele estava muda. Uma imobilidade se estendeu, e ele pareceu de repente incapaz de continuar qualquer coisa.

O aperto no meu peito arqueou desconfortável. Estaria ele desistindo de tudo? Justamente no momento em que era preciso continuar?

“Scorp...”, eu ouvira minha voz sair trêmula, e minhas orelhas esquentaram ao notar que proferira o nome dele com um breve gemido.

Scorpius ainda me olhava, o nariz dele encostado ao meu, o doce hálito de um sonserino desnorteando meus sentidos.

Eu também o queria.

“Q-que foi?” Não estava conseguindo pensar direto, mas logo que perguntei aquilo me arrependi.

Um movimento. Mais cauteloso do que o outro. Scorpius respondeu um pouco exaltado, – ou totalmente. A voz estava rouca:

“Você... não... devia...”

Mas ele não terminou de dizer, pois eu o havia beijado. Doloridos de desejo, continuamos até o fim.

Literalmente até o fim.

“Eu amo você.” Sim, foi o que dissera depois de tudo.

E é por isso que tudo se acabou.

“Mas... não é certo...”, a voz dele estava abafada, seus lábios roçando meu pescoço enquanto falava.

E ele estava ofegante, o suor no corpo todo, em êxtase sobre o meu. “Pela primeira vez, eu fiz uma coisa errada e você não me corrigiu... eu... Não devíamos ter feito isso, Weasley.”

Apesar de me amar, ele nunca me chamou pelo primeiro nome.

E apesar de me amar, ele se lamentou por mim.

“Jamais esperei que fosse ceder... jamais esperei que me quisesse...”, ele continuava dizendo. Queria que calasse a boca, eu me sentia a pessoa mais feliz do mundo. Mas ele não. “Meu Merlin, é tão mais simples dormir com alguém insignificante...”

O que diabos ele estava dizendo
?

“Isso é muito psicológico... se você ama, você também quer... Você sempre vai estar sujeita a se prender por isso... não quero, mas eu não vou ser nada para você, seus primos têm razão.”

“Você me faz feliz...”, eu murmurei. Antes as lágrimas de amor que caiam dos meus olhos, agora caiam de desespero e angustia.

“Mas você não merece alguém como eu. Você é tão boa... tão gentil... Por que eu fui me colocar na sua vida? Não posso continuar com você...”

“Por favor”, supliquei, meus dedos prensados em suas costas. “Mantenha esse momento perfeito.”

“É melhor estragar tudo agora do que depois. Eu não quero enganar você, mas comigo não haverá futuro algum... e nós fizemos isso...”

Eu agarrei seu rosto e fiz com que olhasse para mim.

“Se sabia que você ia se arrepender, porque fez todas essas coisas comigo?”, perguntei. “Por que me fez acreditar que eu esta pronta pra você?”

“Eu não sou capaz de fazer alguém feliz, eu não sei fazer isso.”

“Você estava conseguindo, Scorpius! Por que está estragando tudo?”

“Porque é errado!”

“Parece que você só foi capaz de reconhecer tudo isso depois de transar comigo.”

Ele tinha a expressão aflita, a testa franzida com força, e então sua voz sussurrou um “Sim” afirmativo.

De repente senti que estava embaixo de um monstro. Eu me levantei, o expulsando de mim. Minha roupa estava no chão ao lado da cama, e a vesti com pressa. Trêmula, fui embora.

Mas não chorei. Recusei-me a chorar. Grifinórios não choram por sonserinos; muito menos uma Weasley por um Malfoy.

Nos últimos dias de aula, antes do baile de formatura, eu sentei bem distante dele. Embora não prestasse a mínima atenção no que os professores diziam, eu só ficava pensando naquilo. E em como eu fora enganada. Humilhantemente enganada.

Recebi um bilhete no meio da aula, que dizia:

"Assim será mais fácil."

Conhecia a letra de Scorpius, então sabia que ele escrevera aquilo. Rasguei com raiva e peguei a varinha para queimar os pedaços de papeis que insistiam em sobreviver. Não tinha compreendido o “Assim será mais fácil.” Mas compreendi no baile de formatura, quando o vi com uma garota.

É, ele estava beijando outra.

Foi aí que não deu para agüentar e eu chorei. Chorei terrivelmente no ombro de Lily.

“Dê um jeito nisso, Rose, ele não pode brincar com você dessa maneira.”

Mas só esperei que ele ficasse sozinho para poder me aproximar.

“Se pensa que sou um tipo de passatempo para você aproveitar, está enganado. Disse que me queria, tirou a minha roupa, disse que me amou e você me traiu, que tipo de homem é você?”

“Weasley...”

“Não quero mais ouvir a sua voz, nunca mais. Você não tem salvação, ninguém pode corrigi-lo a não ser você mesmo. Amar você não vale a pena, nunca vai valer.”

“Odeia-me agora?”, perguntou.

“Mais do que odeio os seus erros”, eu disse. “Você prometeu que nunca ia me machucar.”

“Ótimo. Assim fica mais fácil você não me desejar na sua vida. Adeus, Weasley.”

Ele foi morar para uma cidade da França depois que terminou Hogwarts. Eu ainda continuei em Londres.

Contei às pessoas que ele foi um amor do passado e que nunca voltaria.

É, mas eu estava enganada.




¹Confesso inteiramente que copiei essa frase da música Ignorance do Paramore “If I’m a bad person, you don’t like me”. Não resisti, estava escutando e aproveitei ;D

N/A: Achei que seria melhor saber o que aconteceu com eles antes de qualquer outra coisa. É triste, acho que é uma coisa minha começar uma estória, não pelo lado bom, mas pelo lado ruim, sinto muito quem odeia isso!

Pollita
, digo, POOOOOOOOOOLLITAAAAAA: Volteii *-* Que beleza! Você foi a primeira a comentar! É ;x Essa comparação é de uma frase de Romeu e Julieta, a qual eu concordei “É amor algo terno? É demasiado brutal, turbulento e pica como espinho” Ó, tá aqui o segundo capítulo – super rápido aproveitando esse final de semana \o – espero que tenha ficado bom ;)

Danny Evans
, olaááá! Obrigada pelo comentário \o Espero que continue acompanhando e comentando *-*

Agora esse capítulo está sujeito a comentários (porque o outro nem teve muito o que comentar mesmo) e eu vou ficar esperando por eles e postarei o próximo capítulo assim que receber o maior número possível de comentários. Sim, eu adoro comentários. =]

Então me deixem satisfeita e ajudem! Mas com sinceridade, não se intimidem, digam o que quiser \o

Beijos e até logo
Belac.

E obrigada a quem for acompanhar a fic :)

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Comentários: 1

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Enviado por Lana Silva em 25/12/2011

Nossa muito bom *-* Você consegue fazer a historia passar na nossa frente de uma maneira...muito bom!!!

Nota: 5

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