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4. Capítulo 4


Fic: Lembre-se!


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Completamente transtornado pela visão de Ginevra dormindo na cama, ele abriu os dedos e as botas caíram no chão com um baque surdo.
Com o ruído, o fantasma rolou o corpo, ficando de costas, abriu os olhos escuros e deu-lhe aquele sorriso atraente que ele conhecia tão bem.



_ Olá, querido! - Em seguida Ginny olhou para a janela. _ Ainda está chovendo?



Recuando, ele encostou-se na parede para não cair. Fazia meses que se sentia esquisito, mas nunca pensara que havia perdido o juízo. Não completamente.



_ Ginevra?



O nome murmurado deu a impressão de pairar no ar. Ele temia repetir o nome por medo que ela se desvanecesse. Então, algo pareceu ligar-se dentro dele e seu coração começou a bater mais acelerado. E se ela fosse real? No mesmo instante em que pensou isso, descartou a possibilidade. Era impossível.



Olhou-a sentar-se na cama. Ao fazê-lo, ela ficou pálida e levou uma das mãos à cabeça.



_ Aiii, como dói... - disse.



_ Ginny?



Ela sacudiu a cabeça, como se tentasse clarear as idéias.



_ Harry, meu bem, você está ensopado. Por que não toma um banho de chuveiro enquanto preparo o jantar?



Harry atravessou o quarto como se estivesse em transe. Quando ela se pôs em pé ele sentiu um impulso violento de voltar-se e fugir. Então, Ginny cambaleou e deixou-se cair sentada na cama de novo.


 
_ Não me sinto bem - queixou-se. _ Minha cabeça está girando.


Porém Harry não a ouvia. Estava em estado de choque. Inclinou-se para a frente e estendeu as mãos, esperando nada mais sentir além de ar. Em vez disso, seus dedos fecharam-se ao redor dos pulsos dela, recebendo o calor de sua pele.



_ Santo Deus... - repetiu ele e segurou-a pelos ombros. _ Ginny... Ginny... Meu Deus, você é real!



Ela ergueu as sobrancelhas.



_ Você andou bebendo?


Ele não conseguiu responder. Sentou-se ao lado dela e abraçou-a, embalando-a.



Então, a realidade o atingiu, e tão rapidamente quanto a abraçara, Harry a soltou. A voz dele soou baixa e alterada, enquanto a fitava.



_ Onde você esteve?



Os olhos de Ginevra tornaram-se maiores.



_ Você andou mesmo bebendo!



Harry se ergueu, bruscamente.



_ Quero respostas, Ginevra.



_ Que respostas?



_ Para começar - ele a fitava como se ela houvesse enlouquecido-, quero saber onde você esteve nos últimos dois anos.



Alguma coisa agitou-se na mente de Ginevra. Algo escuro, assustador. Mas desapareceu antes de se tornar um pensamento sólido. Sem dar-lhe tempo para responder, Harry agarrou-a pelos braços, virou-os com as palmas das mãos voltadas para cima, causando-lhe dor, e olhou-os de perto. Assustada com o modo estranho de Harry agir, ela não reparou no transtorno espelhado no rosto dele.



Ele ficou perplexo. Havia marcas de agulhas nos braços dela.



_ Drogas? Você andou se drogando?


Ginevra olhou para ele como se tivesse ficado maluco.



_ Do que está falando?



_ Disto! - gritou e indicou as marcas.



Ela olhou para os braços e franziu as sobrancelhas. De novo algo roçou sua memória e mais uma vez desapareceu sem entrar em foco. Passou os dedos nas marcas, surpreendida com sua presença. Quando ergueu a cabeça, havia lágrimas em seus olhos.



_ Eu não uso drogas e você sabe disso - murmurou.



Nesse momento o quarto começou a girar e Ginny fechou os olhos.



_ Então, explique-me isto - insistiu ele.



Ginevra gemeu. A dor de cabeça aumentava e ela começava a sentir náuseas. Soltou-se e segurou a cabeça com as duas mãos.



_ Não me sinto bem, Harry.



Ele tremia tanto que não conseguia pensar.



_ Eu também não Ginevra. Você desapareceu da minha vida durante dois anos e agora reaparece de repente, falando em minhas roupas molhadas e em fazer o jantar, como se nunca houvesse saído daqui. Por acaso, enlouqueceu?



Ela nada podia fazer a não ser olhá-lo. O que Harry dizia não fazia sentido. Dois anos? Ele havia saído de casa fazia apenas algumas horas. Mas antes que pudesse dizer alguma coisa o quarto recomeçou a girar.


Harry viu que ela cambaleava e a segurou antes que caísse. Em segundos, colocou-a na cama e discou o 911.



_ Qual é sua emergência? - perguntou a atendente.



Por uma fração de segundo ele não soube o que responder. Sua esposa havia voltado para casa. Uma mulher desaparecida havia reaparecido. Então, a realidade se impôs e ele reagiu.



_ Minha mulher perdeu os sentidos. Não sei o que há de errado, mas penso que seja overdose de drogas. Por favor... preciso de ajuda.



_ Ela está respirando senhor?



Harry inclinou-se e sentiu a fraca respiração de Ginevra em seu rosto. Lágrimas subiram-lhe aos olhos.



_ Sim, sim! O que eu faço?



Suas mãos tremiam enquanto seguia as instruções da policial.
Meu Deus, não a deixe morrer! Não aqui. Não agora. Não a leve embora no momento em que a recuperei!



A atendente da policia desligou e ele entrou em pânico até que o som de uma sirene on fez erguer-se e ir abrir a porta da frente, acenando freneticamente para os paramédicos que corriam para a casa, debaixo da chuva.



O pânico aumentou enquanto os via medir pulsação e a pressão dela, ouvindo o jargão médico que mal entendia. Quando a colocaram em uma maca e se encaminharam para a porta, tudo que Harry sabia era que não poderia deixá-la desaparecer . De novo, não.



_ Por favor, deixem-me ir com ela - implorou.



_ Não há lugar na ambulância, senhor.



_ Para onde vão levá-la?



_ Para o hospital Mercy. Pode ir atrás de nós.



Harry entrou correndo em casa, pegou o paletó e as chaves. Estava de novo à porta quando reparou que se achava descalço.



_ Não! - gemeu e correu de volta ao quarto.



Suas mãos tremiam quando sentou-se para calçar as botas. Só então ocorreu-lhe que ia precisar de apoio.



Pegou o telefone e discou. Estava tão transtornado que quando seu pai atendeu não sabia se conseguiria falar de modo coerente.



_ Residência Potter.



_ Pai, sou eu, Harry.



_ Olá, meu filho. Parou o trabalho cedo, hoje, não? Por que não vem jantar aqui? Sua mãe está fazendo carne assada, a sua preferida.



_ Papai, preciso que você e mamãe vão para o Hospital Mercy o mais rápido possível.



O coração de James falhou.



_ O que foi?



_ Ginevra... Ela voltou. Estava em nossa cama, dormindo, quando cheguei em casa. Há algo errado com ela. A ambulância já a levou e vou sair para o hospital agora.




Houve um momento de aturdido silêncio.



_ Santa Mãe de.... - começou James _ Vamos já para lá.



Harry desligava o telefone quando lhe ocorreu mais um pensamento. Digitou outro número, só que desta vez sua atitude era de autodefesa, em vez de procura de ajuda. Olhou nervosamente para o relógio de pulso enquanto esperava que atendessem. Haviam se passado quatro minutos desde que a ambulância fora embora. Ia desligar quando soou a voz de um homem.



_ Terceira delegacia, Dawson falando.



Harry segurou o telefone com mais força.



_ Investigador Dawson, aqui é Harry Potter. Se está interessado em encerrar o caso do desaparecimento da minha esposa, sugiro que vá para o Hospital Mercy , agora.


 
Avery Dawson hesitou por um instante.



_ O que está querendo dizer? - perguntou.



De repente, lágrimas de raiva desceram dos olhos de Harry.



_ E antes de ir - disse ele -, por que não chama os canais de tv, os jornalistas e todos mais que quiseram me ver condenado nos últimos dois anos?



_ Isso é uma confissão? - reagiu Avery.



_ Se quiser ver assim...



_ Estarei lá em dez minutos - garantiu o policial. E desligou.


 


Harry recolocou o telefone no gancho e saiu.



_ Ele disse, mesmo, que estava confessando? - perguntou Ramsey.



Dawson fitou o parceiro e logo voltou a olhar para a rua. Dirigir naquela velocidade com chuva era arriscado, mas tinha medo que se demorasse Harry Potter poderia mudar de idéia sobre o telefonema que acabara de dar.



_ Ele disse que se eu quisesse ver como uma confissão...



Dawson teve que manobrar o volante agilmente quando o carro deslizou sobre uma poça de água e quase bateu em um ônibus que vinha.



_ Opa, essa foi por pouco - comentou Ramsey, ajeitando o cinto de segurança.



A very olhou pelo espelhinho retrovisor.



_ Esse trecho da rua está precisando de reparos...



Ramsey assentiu. A luz azulada no painel do carro faziam sobressair as linhas de preocupação no rosto do investigador.


O desaparecimento de Ginevra Potter fora o caso que mais o intrigara entre muitos que tivera e resolvera. Para começar, sentia-se frustrado diante da completa ausência de pistas e, apesar dos meses de investigação, não fora capaz de conseguir argumentos suficientes para convencer o promotor público a levar Harry Potter a julgamento. Agitava-se só de pensar no telefonema dele. O crime fora perfeito, por que então confessaria agora?



_ Lá esta o hospital.



Ramsey apontou para a entrada iluminada de um edifício mais adiante.


 
_ É, estou vendo - resmungou Dawson, parando num sinal vermelho.



Nesse momento, a caminhonete da empresa Potter parou ao lado dele.



_ Ei, olhe ele aí!- apontou Ramsey.



_ Estou vendo - irritou-se Dawson.



Entraram no estacionamento perto do pronto-socorro e Harry já corria para a entrada do hospital antes que Dawson soltasse o cinto de segurança.



_ Ele está com pressa por causa de alguma coisa - deduziu Rmasey.



Os dois policiais saíram correndo sob a chuva, espirrando água a cada passo. Quando entraram, estavam molhados.
Para surpresa deles, o pai de Harry Potter os esperava junto à porta.



_ Os senhores podem me acompanhar, por favor?



Os dois olharam-se desconfiados. O que Potter estava maquinando?



_ Olhe, sr. Potter, viemos falar com seu filho e preferimos fazê-lo aqui no saguão.



James assentiu.



_ Se preferirem assim... Mas se querem saber a verdade, venham comigo.



Voltou-se e saiu pelo corredor até uma saleta cheia de cadeiras, onde a esposa o esperava.


_ Ei , ali está Harry Potter - apontou Ramsey para um homem escostado na parede.



Momentos depois os dois adversários estavam frente a frente mais uma vez.



_ Então, Potter, o que tem a me dizer?



A expressão de Harry era indecifrável quando ele apontou para uma porta.



_ Senhores, quero apresentar-lhes minha esposa, Ginevra Potter. Ela reapareceu lá em casa hoje e enquanto conversávamos passou mal. Os médicos a estão examinando, mas as marcas de agulhas nos braços dela são sinal de que há algo muito errado.



Ramsey pasou pelo parceiro, que olhava fixo para a mulher estendida na mesa de exames.



_ Isto é uma brincadeira? - zangou-se Dawson.



Harry encarou o policial como se ele tivesse ficado louco.



_ Por acaso estou rindo?



Os dois policiais entraram um pouco na sala para ver a mulher que era examinada.



Ginny sentia-se envolta num negro túnel de dor. Tinha a impressão de ouvir a voz de Harry à distância, mas não conseguia compreender o que ele dizia. Voltou a cabeça na direção da voz dele, dando a Dawson e Ramsey uma clara visão de seu rosto.



_ Santa Mãe de Deus! - murmurou Ramsey, fazendo o sinal da cruz.



Dawson apenas olhava.



Lilian Potter levantou-se de onde estava sentada.



_ Sim ... É um milagre, não?



_ Parece - respondeu Dawson e saiu da sala.



A sra. Potter abraçou o filho. Ele parecia sem saber o que fazer. Ela pegou-o pela mão.



_ Harry, meu bem, venha sentar-se aqui comigo - exortou, docemente.



_ Obrigado, mamãe, mas acho que não consigo ficar sentado.



Ela deu-lhe amorosas pancadinhas no braço, depois foi sentar-se junto do marido, buscando conforto na presença dele, como fizera tantas vezes no decorrer de anos. Apesar da confusão do que estava acontecendo , havia algo a respeito das condições de Ginevra que a afligia. Lilian jamais tinha visto alguém sob o efeito de uma overdose até então, mas lera sobre o assunto, e alguns sintomas não estavam de acordo.



Enquanto isso Dawson aproximou-se de Harry, desconfiado daquele miraculoso reaparecimento.



_ Onde ela estava?- perguntou.



Os olhos de Harry escureceram e ele apontou para a sala de exames.



_ Eu gostaria de saber... Ela não tinha essas marcas nos braços quando sumiu.



O policial foi olhar de novo, dessa vez reparando nas, marcas de agulhas nos braços de Ginny.



_ Mas que coisa! - resmungou .



Ramsey olhou para o parceiro, depois enfiou as mãos nos bolsos.



_ Olhe sr. Potter, sinto muito pelo modo como o pressionamos, mas o senhor sabe o que parecia.



Harry assentiu.



_ Sim e sei como as coisas eram do meu lado, também.



Dawson teve a decência de corar. Estendeu a mão.



_ Se isto ajuda, peço desculpas.



Na sala do pronto-socorro, de repente, Ginevra gemeu e em seguida gritou, como se estivesse sentindo uma dor terrível.



O coração de Harry confrangeu-se, e antes que pudessem detê-lo, entrou.



_ O que está acontecendo?



_ Por favor, vá esperar lá fora, senhor - disse uma enfermeira.



Empurrava-o para a saleta quando Ginevra arquejou:



_ Cuidado com o ônibus!



Um alarme começou a soar, Harry olhou ansiosamente para a esposa e as máquinas que a rodeavam. Antes que pudesse ver qual delas dera o alarme, puseram-no para fora da sala.









N/A: mais capítulos para vcs, com a volta da ginny o que sera q aconteceu com ela?


 


 


Almofadinhas Marota Potter e Anna Weasley Potter obrigada pelo comentário beijos e até!

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