Minerva me ajudou a voltar a Hogwarts, em condenando por minhas atitudes. Ensaiei xingá-la, mas eu estava sem palavras. O olhar de Hermione ao me atacar era de puro ódio. Não é muito fácil ser odiado pela pessoa que você ama. Dói imensamente, e aquela dor eu já experimentava pela segunda vez. Primeiro Lilian. Agora ela.
Deitado no meu quarto eu fitava o teto, esperando que Papoula viesse me curar. Minhas lembranças vagavam em torno de Mione, do cheiro dela, do calor de seu corpo e de todas as sensações que ela foi capaz de despertar em mim durante aquele ínfimio momento. Fechei os olhos e adormeci pensando nela.
Tive sonhos atribulados. Ela nunca se aproximava de mim, por mais que eu a chamasse. Preferia sempre correr para os braços daquele vara pau de cabeça de fogo e cérebro de minhoca. Acordei com meu ego machucado. Se eu estava perdendo pra Rony Weasley, a coisa realmente estava feia.
Não, aquilo não iria ficar daquele jeito.
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-Então? O que aconteceu quando eu vim embora?
-A Mione estava furiosa por você ter derrubado o Rony.
-O que ela queria? Que eu deixasse ele esmagar o meu... –eu indiquei o meio das minhas pernas enquanto caminhava com Potter consertando as estátuas dos terrenos.
-Certo, eu também teria me defendido...
-Ela não tem um pênis. Ela não pode saber como isso dói.
-Mas Severo...
-Sim, Harry... –eu usei o nome dele com muito sarcasmo. Ainda prefiro que Potter me chame de Snape. Vocês entendem... pra ficar menos impessoal.
-Severo, Hermione não parece estar muito interessada em você. Eu conheço aqueles dois muito bem pra VER que eles se amam.
-Harry, eu entendo que você queira que seus amigos fiquem juntos, mas você não acha que Hermione merece alguém menos pangaré do que Weasley? –eu precisava ter Potter do meu lado.
-Bom... Opostos de atraem.
-Ahhh, filho, não me venha com essas filosofias trouxas de porta de banheiro de metrô!!
-Filho? –os olhos de Harry brilharam ao me encarar.
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Merlin, eu estava muito próximo desse guri... Chamando Potter de “filho”! Severo Snape, estou desconhecendo você! Daqui a pouco você vai estar convidando o moleque a morar com você e oferecer a ele o sobrenome “Snape”... Snape não. Prince. Harry merece um sobrenome digno.
Aiai... tão sentimental, tão comovente, tão emocionante! Estou com nojo de mim mesmo.
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-Você é o mais próximo de um pai que eu já tive, sabe...
-Não. Esse papel é o papel de Black.
-Eu sei que ele tentou muito ser presente e importante na minha vida, e afinal conseguiu. Mas, na verdade, quem se arriscou por mim foi você, quem me protegeu com um amor puro foi você...
-Potter... eu amava a SUA MÃE. Não você.
-Ahh, você gosta de mim, que eu sei!
-Claro! Eu sou o membro fundador do Fã Clube “Eu amo HP”...
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Ele riu gostosamente.
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-Ok...ok...
-Hermione me pediu para protegê-la. Há alguma coisa ameaçando ela?
-Não que eu saiba. Vai ver ela tava fazendo charme.
-Ela não precisa “fazer charme”. Ela tem charme. –eu corrigi didaticamente.
-Tem certeza que você não quer apenas... Você sabe...
-Não, eu não quero apenas casar. Quero filhos também.
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Harry me encarou muito sério. Cheguei a ficar alarmado com isso.
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-Se você a magoar... Eu juro que eu nunca mais olho na sua cara. Eu vou me indispor com meu melhor amigo pra isso, pra ajudar você.
-Você vai me ajudar? –tenho certeza que meus olhos brilharam.
-Bom, voltaremos para o Sétimo Ano. Você vai ter três trimestres pra roubá-la do Rony. Ajudarei aqui e ali...
-Garoto, eu nunca estive tão feliz por ter salvo a sua vida como agora!
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Eu achei que ele fosse se ofender, mas ele decidiu que era melhor me ultrajar um pouco mais através de um novo abraço. Só então eu percebia o quanto Harry Potter é um garoto carente. Me lembrei de mim.
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-Será que eu não consigo mais te ofender? –eu disse dando tapinhas desajeitados nas costas do moleque.- Será falta de treino?
-Ou de vontade? –ele ajuntou me dando uma olhada de baixo pra cima que o fez muito parecido com Lilian.
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Burrice essa de dizer que Potter é o clone do pai. Talvez sé eu veja esse brilho de esmeralda em seus olhos e essa curva nos lábios muito semelhante a Lilian... Aquele garoto podia ter sido meu filho. Claro que ele seria muito mais bonito do que é hoje, com um perfil mais altivo e elegante, cabelos lisos e não despenteados como os de um delinqüente juvenil...
Se ele fosse meu filho seria mais fácil conseguir Hermione... Numa visita a nossa casa durante o verão, uma piscina, calor, pouca roupa... Um suco de Abóbora temperado com uma “Amortentia” particularmente forte...
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-Potter, pra onde você vai agora, no verão? Quero dizer, onde você vai morar?
-Eu pensei em continuar na Toca até Primeiro de Setembro...
-Mas não fica muito bem, quero dizer... Você namora a Ginevra e...
-Não tenho outro lugar pra ir...
-Tem sim. Eu tenho uma casa em Londres... É um lugar bastante próximo ao lugar onde sua mãe passou a infância.
-Você está me convidando a morar com você? –os olhos do garoto marejaram e ele apertou ainda mais o abraço que me dava.
-Potter, não seja tão sentimental assim... Minha casa não é nenhum palácio e... Sei lá! Aceita ou não?
-Claro! Eu aceito sim!
-Ok, vou buscá-la amanhã a tarde, tudo bem?
-Sim!
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Eu teria uma dia pra preparar um quarto pro garoto e dar uma reformada na casa. Eu nunca me importei muito com aquele lugar. Eu não tinha boas recordações dali. Esperava que agora as coisas melhorasse, com Hermione passenado por lá, visitando o garoto e... bem, estando debaixo das minas vistas.
Eu nem me importava mais se ela tinha me atacado ou não. Eu julgava que a frase “quem ama perdoa” fosse uma coisa piegas, mas infelizmente, passei noites e mais noites tentando justificar a atitude que Mione tomou e por fim, perdoei a minha costela quebrada e atribui isso a lealdade que ela deve ter por Ronald Weasley.
Potter me surpreendia em outros aspectos também. Nunca pensei que ele fosse me apoiar com Hermione, e no entanto, ele vai virar as costas pro amigo dele por minha causa. Potter, seu traíra... Você nunca me enganou...
Se favorecia a mim, tanto melhor. Em casa reparei a escada, a frente, a sala, o quarto do garoto, o portão... Ou seja, faxina completa! Tsc tsc... Severo Snape faxinando pra receber Harry Potter... Hermione vale muito mesmo...
Tudo pronto, olhei o relógio e vi que faltava pouco para a hora marcada para buscar o garoto. Os Weasley’s haviam decidido “esquecer” o incidente com Ronald e eu, com sorte, teria como dar uma olhada, nem que fosse rápida mesmo, Nela. Entrei nos terrenos devagar, já que O corno podia ter algum pensamento vingativo, olhando para Harry que acenou pra mim ao longe. Ao lado dele, perfeitamente perfeita, com toda a sua imensa perfeição que “emprefeitava” tudo a sua volta, Mione me olhava com uma expressão séria que era, assim como tudo, perfeita.
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-Severo, você é pontual. –Harry disse me estendendo sua mão- Tinha me esquecido de como você é nas aulas.
-Como vai, Perfeita? Quero dizer, Hermione... –ignorei Potter. Como não ignorar Potter quando se tem aquilo tudo diante de seus olhos?
-Granger. Pra você é e sempre será Granger.
-Não era Granger quando eu estava quase beijando você. –retruquei. Ela podia ser meu sonho de consumo atual, mas eu ainda era Snape e Snape não perde uma oportunidade de envergonhar uma coisa linda como aquela, que ficava tão PERFEITA coradinha...
-Aquilo seria um erro.
-Claro. Seria um erro se fosse apenas um beijo. Merecia ter sido mais. Pra você eu tenho muito mais.
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Ela piscou devagar, absorvendo meus convites implícitos. Olhei pro lado, esperando ver Potter envergonhado, mas ele não estava mais lá. Aquele garoto sabia mesmo como fazer as coisas! Eu e ela estávamos sozinhos no meio de um enorme capinzal, verde, esmeraldino...
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-Você respeita seu namoradinho?
-Sim, claro que sim! –ela pareceu ofendida, e Merlin, como eu tive vontade de tomá-la nos braços e sumir dali!
-Então, o que você faz aqui?
-Eu pedi ao Harry para vir acompanhá-lo por que... por que... Eu queria lhe pedir desculpas pelo ataque. –ela despejou abaixando a cabeça- Eu não devia ter agido tão Sonserinamente...
-Você agiu da maneira mais... –procurava uma palavra diferente de “perfeita”- ... perfeita que poderia ter feito... –palavras estavam em falta quando eu precisava adjetivá-la. Mione era unicamente PERFEITA.- Pelo menos você não ficou mal vista entre seus amigos. Isso me alegra muito... Eu não quero prejudicá-la em nada, de forma alguma... O amor deve ser algo construtivo e bom, não deve machucar...
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Ela novamente ficou sem palavras. Sua reação foi novamente semicerrar os olhos e entreabrir os lábios. Sua mãozinha tocou a minha e eu me aproximei veloz, passando o braço em torno de sua cintura e segurando seu rosto, puxando-a pra mim. Ela tocou meu peito com as mãos espalmadas e abaixou o rosto mergulhando no tecido grosso da minha veste. Senti uma onda de calor sufocante quando os braços dela me enlaçaram com força e a boca dela tocou a linha da minha mandíbula. Minha mão escorreu pelas costas e eu toquei a nádega macia por cima da saia fina que ela vestia.
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Ela ergueu o rosto um pouco mais e exalou sua respiração gloriosa na minha face, lívida de desejo. Fechei os olhos esperando por sua boca. Ela tirou as minhas mãos de seu corpo e me puxou para o chão. Agora estávamos ocultos pelo capim. Neste ponto, eu já sentia a calça reclamando o volume formado e o calor me dominava. Ela debruçou-se sobre mim, segurando minhas mãos no alto da cabeça, a boca descrevendo pequenos beijos e mordidinhas no meu pescoço e rosto... Mais uma vez ela segurou meu rosto e aproximou nossas bocas. E então... CRAC!