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8. CAPÍTULO VIII


Fic: Beijos de fogo


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Viv estava tentando aproximá-lo de Gina. Que idéia mais interessante. Harry reagiu rindo, apreciando o humor sutil da sugestão.


Mas, enquanto gargalhava, o rosto de Gina ficava vermelho como um tomate. Resmungando alguma coisa sobre a arte e seus catálogos, ela se virou de costas e fingiu examinar atentamente uma das esculturas menores. Era possível ver a tensão no pescoço e nos ombros rígidos e Harry percebeu que ela só conseguia controlar-se a custa de muito esforço.


De repente experimentou um estranho sentimento de satisfação. Não, não era um homem cruel. Havia gostado de vê-la perdida no próprio constrangimento durante o almoço, mas quem fazia aquele tipo de jogo merecia um severo castigo.


Mas ninguém merecia tanta humilhação.


Contente, Viv voltou a apalpar Storm, enquanto Luna parecia ensinar àquele insuportável pintor os pontos mais importantes sobre a etiqueta para os convidados de um almoço. Mas Gina continuava escondida atrás da escultura de gesso, sem forças para abandonar o escudo improvisado.


Harry suspirou e foi resgatá-la. Somente Harry Potter, o eterno herói de todos, poderia ajudá-la mais uma vez.


— Nem fale comigo — ela apontou irritada.


— Não sabe o que vou dizer.


— Não diga nada. Continue rindo. Adoro ser o alvo de suas piadas.


Ele se sentou na base da estátua, estendendo a perna e gemendo ao movimentar o joelho.


— Tudo bem, peço desculpas por ter rido. Mas tem de admitir que foi engraçado. Viv tentando bancar o cupido, enquanto sua suíte está lotada de pretendentes.


— Deve saber que...


— O que sei é que está metida nessa confusão até o pescoço, e aposto que sua grande amiga Luna é a maior responsável por isso. Estou certo, não é?


Gina arregalou os olhos. Harry a fitava com ar sério. Se interpretava corretamente a angústia que via em seus olhos, talvez o momento da verdade houvesse chegado. Talvez fosse hora de intervir. Fizera a mesma coisa por um amigo com problemas de alcoolismo e por um colega viciado em analgésicos. Talvez Gina fosse uma dessas pessoas incapazes de impor limites. Ela precisava de alguém que a salvasse do eterno papel de capacho da humanidade.


— Na minha opinião — começou —, todos que a conhecem estão tirando vantagem de você, e Luna é o primeiro nome da lista.


Resmungando alguma coisa incompreensível, ela se virou cercada por uma nuvem de seda azul.


Mas Harry ainda não terminara. Decidido, segurou-a pelo braço e fez com que o encarasse, puxando-a sobre a perna saudável.


— No seu lugar, pensaria melhor na amizade com aquela pateta.


— Como se atreve a dizer com quem devo ou não manter amizade?


Ele ignorou a explosão indignada.


— E também deve dar uma boa examinada em sua vida.


— Por que não aprova minhas amizades? — E suspirou. — Por favor, papai, desculpe-me por ter andado em más companhias.


— Alguém já lhe disse que você pode ser... bem, uma facilitadora? — perguntou, tentando manter o tom gentil. — Talvez deva considerar a idéia de conversar com alguém. Se estiver interessada, tenho um primo que conseguiu recuperar-se.


— Facilitadora? Recuperar-se? Nunca fui tão insultada em toda minha vida!


— Não é você quem vive insinuando que todos, de Lambie a Budge, seriam beneficiados por uma boa terapia?


— Talvez, mas isso é diferente!


— Gina, no fundo você sabe que estou certo. Sabe que só estou tentando ajudá-la.


— Ajudar-me? — Ela parecia cada vez mais furiosa, e a essa altura soltou a mão dele com violência. — Sou eu quem tenho o vício de resgatar as pessoas, lembra-se? E não preciso de você, nem de Viv, nem de qualquer outra pessoa, interferindo em minha vida e dizendo o que é bom para mim. Odeio isso!


Então, a maior agente de interferência que já conhecera não suportava interferências em sua vida. Surpresa, surpresa!


Gina ergueu a mão, impedindo-o de argumentar.


— Certo, admito que as coisas estão um pouco confusas no momento, mas posso resolver meus problema sozinha, obrigada.


— Confusas? É assim que descreve o fato de ter dois noivos hospedados na mesma suite de hotel? E como se não bastasse, um deles está envolvido com uma mulher com o dobro de sua idade, enquanto o outro flerta com sua melhor amiga. Isso é confuso.


— Sim, é exatamente a palavra que uso para descrever os... eventos que me cercam.


— Oh, Gina...


— Escute aqui, ouvi tudo que tinha a dizer e não concordo com sua opinião. Luna é minha amiga há muito tempo e continuará sendo uma grande amiga. E não sou uma facilitadora. Não quero conhecer um recuperado, e não preciso da sua ajuda. — Com passos firmes e orgulhosos, ela se afastou.


Harry ficou onde estava, certo de que só conseguira piorar a situação. Devagar, levantou-se e esperou alguns instantes até que a dor no joelho diminuísse. Pensando no que poderia dizer para convencê-la de que o problema existia e era grave, voltou ao deque e apreciou a beleza e a calma do Lago Genebra.


O sol brilhava sobre a superfície cristalina, e risos ecoavam no barco vizinho, onde um grupo de pessoas bem vestidas conversava e bebia coquetéis de aparência exótica, desfrutando dos momentos de lazer. Pela primeira vez na vida Harry teve de admitir que havia um certo encanto no que o mundo costumava chamar de playground dos ricos.


Mas ainda não sabia o que fazer com Gina Weasley.


— Não é da minha conta se ela quer arruinar a própria vida — murmurou.


Mas não era o tipo de homem que ficava sentado, vendo uma pessoa destruir-se, sem tentar socorrê-la. E qualquer que fosse o jogo de Gina e seus amigos, o abismo que cavavam parecia ser profundo.


Pensativo, retornou ao estúdio de Viv, lamentando não poder juntar-se ao grupo que festejava no barco vizinho. Eles pareciam muito mais animados e alegres do que o grupo do qual fazia parte.


— Oh, por favor!


A dois passos da porta, quase recuou e voltou sobre os próprios passos.


Enquanto Viv o incentivava com pedidos roucos e persistentes, o Garoto Músculos despia a camisa e fazia uma pose que realçava o peito forte. Ele estava parado ao lado de uma das estátuas menores e parecia fazer uma rápida comparação entre o desenho do abdome do modelo e o seu.


— Olhe só para este tórax — Viv comentou admirada, deslizando a mão pelo abdome definido do rapaz. — Gina, precisa sentir esta textura.


— Oh, é mesmo impressionante. Mas não creio que seja necessário...


Quando Viv agarrou a mão dela e obrigou-a a tocar o corpo de Storm, Gina riu. Seu rosto tingiu-se de vermelho, mas ela não tentou remover a mão. Harry apertou a mandíbula.


— Como deve ter percebido — Viv retomou a palavra, apontando para a estatueta —, Storm tem tudo que o modelo desta peça possuía. Não é maravilhoso ver o conjunto formado por pele, músculos e tendões, apreciar como a luz pode criar desenhos diferentes a partir desses tecidos?


Harry começava a sentir náuseas. De fato, tinha certeza de que o clone de Arnold Schwarzenegger não passava de um idiota, e só precisava de um punhado de mulheres colocando dinheiro no elástico de sua cueca para iniciar uma nova carreira. Era nojento.


Enquanto gesticulava e relacionava os atributos que gostaria de imortalizar em Storm, Viv ia elevando o tom de voz.


— Posso até vê-lo numa réplica de três metros de altura! — gritou. — Nu. Glorioso. Em bronze.


Mas os olhos de Harry estavam fixos em Gina. Tentando afastar-se da ultrajante sessão artística, ela tropeçou em Zurik, que continuava resmungando com ar aborrecido. Luna ausentara-se, e Harry podia ouvir cada palavra pronunciada pelo pintor.


— Sou um artista — ele persistia. — Um artista de verdade. Não posso mentir quando uma imbecil sem talento pergunta minha opinião sobre seu trabalho. Entende que elogiá-la seria como trair minha profissão?


Gina encolheu os ombros. Era impossível ouvir sua resposta, mas Harry tinha a impressão de que ela tentava aplacar a ira do pintor. Parado perto da porta, aguçou os ouvidos.


Então Zurik teve a ousadia de arrastá-la para trás da imensa escultura.


— Veja só o tamanho deste traseiro — ele apontou. — E as coxas! Essa mulher não sabe o que significa proporção! Sem mencionar o pê...


— Já entendi! — Gina cortou. — Não precisa entrar em detalhes.


— Mesmo que mudemos o nome desta... coisa, mesmo que troquemos a palavra arte por outra, erotismo, talvez... não acredito que isso seja erótico. E você, o que acha?


— Harry aproximou-se um pouco mais. Seria sua imaginação, ou o tom de voz do excêntrico artista mudara desde que ele levara Gina para trás da estátua? Soava mais macia, rouca, e ele tocava seu braço de um jeito que fazia ferver o sangue em suas veias. Quem o sujeito pensava ser?


Gina parecia estar se esforçando para ouvi-lo, e Harry notou os olhares nervosos que ela lançava na direção de Viv, que prosseguia em seu ataque ao garoto sensualidade.


— Acho que entendi — disse para si mesmo. — Ela não quer esbofeteá-lo, porque prefere que Viv continue pensando que formam um casal apaixonado.


Estava enojado. Quaisquer que fossem os motivos de Gina, Zurik parecia estar tirando proveito deles. Ele abaixou a cabeça, como se quisesse beijá-la no pescoço, mas o chapéu vermelho que ela usava meio inclinado sobre a cabeça impedia a aproximação.


Harry cerrou os punhos. O canalha passara horas flertando com Luna, e agora transferia as patas para o corpo de Gina?


— Não vou mais tolerar esse tipo de comportamento! — decidiu.


Harry não teve de se esforçar muito para arrancar o pintor de seu esconderijo atrás da estátua e acertar um violento soco em seu queixo.


Ainda estava recuando quando o rapaz caiu desacordado.


Puxa, se soubesse que sentiria um prazer tão intenso já o teria esmurrado antes!


— Harry! — gritou Gina? — Como teve coragem?


— Ele mereceu.


— É isso mesmo! Parabéns, Harry! — Viv aplaudiu entusiasmada. — Passei a tarde esperando que alguém desse a esse cretino o que ele merece!


Viv podia estar feliz, mas Gina se mostrava furiosa.


— Harry! — repetiu. — A violência não é solução. E eu disse que podia resolver meus problemas sozinha.


— Ele estava com as mãos em você e preparava-se para implementar o ataque com a boca! Tem certeza de que sabe mesmo defender-se sozinha?


— O que aconteceu aqui? — Luna aproximou-se correndo, ninguém sabia de onde, deixando um rastro de preocupação e desespero no caminho que percorreu até cair de joelhos ao lado do artista inconsciente. — Quem fez isto? Foi você, Harry? Por quê? O que tem contra o próprio Alexander? Este foi um ato criminoso! Alguém precisa chamar a polícia!


— Escute aqui, ou ele estava traindo Gina com você, ou a enganava com Gina — Harry informou impaciente. — Não quero saber qual é a opção correta, mas creio que está se preocupando com quem não merece.


Luna abriu a boca, mas nenhum som brotou de seus lábios.


— Ninguém vai chamar a polícia — decidiu Viv. — Mas... Harry, talvez seja melhor ir embora antes que este coitado acorde. Não quero mais brigas por aqui. Mas não se preocupe. Vamos dar a ele uma cama confortável e uma enfermeira particular até que se recupere. — E apontou o polegar para Luna. Eu tentei preveni-la, Gi. Se isso não for suficiente para pôr um ponto final nesse noivado absurdo, nada mais poderá rompê-lo.


Gina hesitou. Depois de alguns instantes, decidiu agarrar a oportunidade.


— Considere-o rompido. Não quero vê-lo nunca mais!


— E arrancou do dedo o anel com o falso diamante, jogando-o sobre o corpo inerte. Luna recuperou-o.


Um a zero para o melodrama. Pelo menos agora só teria de ocupar-se com um noivo.


— E quanto a você... — Virando-se para Harry, Gina cruzou os braços sobre o peito. — Acho que Viv tem razão. É melhor ir embora. Você está... está... descontrolado.


— Será um prazer imenso sair daqui. Mas você vem comigo.


— Sabe que a idéia não é das piores? Você precisa mesmo ouvir algumas verdades sobre essa mania de interferir nos meus assuntos. Alguém tem de ensiná-lo a cuidar do próprio nariz. Acho que precisa de terapia!


— Talvez precise mesmo de tratamento... por ter me envolvido com você.


— Eu avisei...


Gina foi a primeira a sair. Harry a seguiu apressado.


— Mas... eu nem sabia que eles se conheciam! — Viv exclamou perplexa.


Já estavam em terra firme, pisando sobre a calçada de concreto do cais, quando Gina parou e olhou em volta.


— Viemos na limusine de Viv. Não temos um carro para voltarmos ao hotel.


— Nesse caso, é melhor começarmos a andar.


O joelho deu sinal de vida menos de um quilômetro depois do início da caminhada. Harry fez o possível para ignorá-lo, mas a dor aumentava a cada instante, tornando-se ainda pior quando trocaram a calçada do cais pelo pavimento da estrada.


— Por aqui — gemeu, deixando o asfalto em favor de uma trilha de terra que cortava o campo ao lado da estrada. Esperava que a mudança de solo ajudasse a suportar a dor, mas foi inútil.


Notou que Gina havia diminuído o ritmo dos passos. Ela lançava olhares preocupados em sua direção, e logo começou a torcer as mãos.


— Harry, está mancando mais do que nunca. Algum problema?


— O mesmo de sempre.


— Espere um instante. — Determinada, tentou colocar o braço dele sobre seus ombros, como se planejasse suportá-lo pelo resto do caminho.


O contato entre os corpos foi suficiente para Harry recuasse apressado, como se houvesse sido mordido por uma cobra.


— Já não tentamos isso antes, no lago dos cisnes? Se não me engano, os resultados foram desastrosos.


— Será que pode aceitar ajuda uma única vez, por favor, e sem ficar tão irritado?


Sabia que não conseguiria chegar ao hotel sem sua ajuda, e sempre fora um realista por natureza. Aborrecido, disse:


— Tire o chapéu. A aba está no caminho.


Ela obedeceu, ajeitando os cabelos curtos e ondulados com os dedos.


— Muito bem, agora chegue mais perto.


Mais uma vez, ela atendeu de imediato sem fazer comentários. Tinha certeza de que a experiência era nova para Gina.


Desajeitada, passou um braço em torno de sua cintura e esperou que Harry se apoiasse em seu ombro. De sua parte, além do esforço para manter-se em pé sem destruir o que restava de um joelho doente, Harry ainda tinha de tentar ignorar a maneira como a seda roçava sua pele suave, ou o formato tentador da nuca exposta pelos cabelos curtos. A missão era quase impossível.


Se o calor parecia mais intenso que antes, era em função do exercício, não pelo contato com Gina, ou pelos lábios vermelhos e úmidos que pareciam chamá-lo para um beijo, ou pelo movimento cadenciado dos seios sob o vestido azul.


Seria tão fácil beijá-la! E quando ela correspondesse, porque sabia que ela corresponderia, seria tudo tão doce e delicioso que esqueceria a maldita perna ferida, ou seus dois noivos, ou fato de estar diante da mulher mais confusa que já conhecera.


Gina ergueu-se nas pontas dos pés, aproximando-se ainda mais.


— Eu... Isto não vai dar certo. — Mais uma vez, ele se afastou.


— Oh, Harry, desculpe-me. Eu aqui, agindo como se estivesse em transe, enquanto você sofre com essa dor horrível. Escute, há uma grande macieira logo ali, e a grama parece bem macia. Por que não senta e descansa sob a árvore por alguns minutos, até sentir-se melhor?


Ela o ajudou a chegar ao local indicado, e Harry teve a sensação de que morreria sufocado por tanta atenção, especialmente ao senti-la tocar partes de seu corpo que preferia manter intactas naquele momento de dificuldade.


Havia flores na árvore, pequeninos botões, e a fragrância intensa penetrou em suas narinas. O sol e a brisa completavam o cenário bucólico, criando um panorama perfeito para a sedução.


— Sente-se melhor? — indagou ela, ajudando-o a sentar-se. Harry estendeu a perna, e Gina começou a massageá-la.


— Acho que essa não é uma boa idéia. — Mantinha-se quieto, mas as mãos subiam por sua coxa, ameaçando arruinar seu equilíbrio mental.


— Os músculos estão rígidos demais, mas creio que posso... — A voz fraquejou quando ergueu os olhos, viu a expressão perturbada no rosto dele, e um gemido sensual e rouco brotou de sua garganta.


Harry sentiu que chegara ao limite. Nunca afirmara ser santo.


Puxou-a sobre o corpo e aproximou a boca faminta dos lábios carnudos e convidativos.


Ela possuía um sabor delicioso. Passando os braços em torno de seu pescoço, Gina correspondeu ao beijo, tão ávida e impaciente quanto ele.


Beijara muitas mulheres ao longo da vida, mas não se lembrava de ter sentido algo parecido, como se estivesse queimando por dentro, como se nunca mais pudesse ser o mesmo.


Era surpreendente, fabuloso... e assustador.


— Gina — murmurou. Ela deslizou a ponta da língua por seus lábios, enfraquecendo sua determinação, mas ainda conseguiu sussurrar: — Não devíamos...


— Não diga mais nada. — Enterrando os dedos em seus cabelos, puxou-o para retomar o beijo.


Mas Harry resistiu. Era incapaz de acreditar que estava fazendo aquilo, mas não podia deter-se.


— Sinto muito, mas não podemos continuar. O desejo que sinto por você é intenso o bastante para me fazer ferver, mas não posso viver momentos tão íntimos com alguém que não conheço, alguém em quem não confio.


— Oh, Harry...


— Só precisa me dizer a verdade. Quero você. Não vou negar o que sinto. Mas só poderei viver este sentimento quando você me contar o que existe realmente entre você, Luna e aqueles dois malucos. Enquanto estiver tentando enganar Budge, Viv e quem mais tiver como alvo dessa farsa, não conte comigo a seu lado.


— Farsa? Alvo? Está falando como se eu fosse uma vigarista. É isso que pensa?


— O que espera que eu pense?


— Talvez deva dar uma boa olhada para mim e ver quem sou. Vamos, dê uma boa olhada! Pareço ser o tipo de pessoa capaz de enganar outras pessoas por dinheiro?


Estava desesperado e zangado demais para ouvir desculpas vazias. Por isso a interrompeu da maneira mais eficiente possível. Beijando-a.


Não foi um beijo gentil. Com os lábios e a língua, com os braços apertando seu corpo, procurava puni-la, dominá-la, e logo sentiu que ela se rendia. Gina emitiu aquele gemido pecaminoso e rouco novamente, enlanguescida em seus braços, dizendo com o corpo e a boca que estava disposta a dar tudo que ele quisesse.


E foi então que Harry afastou-se.


— O que quero — sussurrou, deixando os lábios vagarem por seu rosto — é que seja honesta, que esclareça toda essa confusão. Não participarei de seu jogo, por mais tentador que seja. Não enquanto o resto do mundo olhar para nós e pensar que estamos traindo seu noivo, seja ele quem for.


Gina engoliu em seco.


— Está com ciúme?


— Daqueles palhaços? Francamente! Não, não estou com ciúme. Na verdade, o que mais importa neste caso é minha honra. Pode entender esse tipo de sentimento?


— Honra? — repetiu, os olhos azuis transbordando admiração.


Harry respirou fundo. Podia ler a idolatria estampada em cada traço do rosto delicado. E odiava o que via. Mas supunha que poderia lidar com o sentimento se fosse para forçá-la a ser honesta.


— Oh, isso é lindo, Harry. Um homem honrado!


Sabia que conseguira conduzi-la até as portas de uma confissão.


— Não se preocupe, Gina. Sei que não criou o plano sozinha. Sei que Luna é a maior culpada.


— Isso importa?


— Vamos, Gina, pode ser franca comigo. É dinheiro? O dinheiro de Budge e Viv? Em que tipo de problema está metida? Deixe-me ajudá-la, e prometo que resolverei tudo rapidamente.


— Você vai resolver tudo? Acha que pode fazer meus problemas desaparecerem?


— Por favor, não me entenda mal...


— Esqueça — ela disse enquanto se levantava. — Não tenho a menor intenção de deixar você ou qualquer outro homem decidir minha vida como se eu fosse uma daquelas donzelas indefesas com cérebro de ervilha. De jeito nenhum! Jamais permiti que um homem me dominasse, ou resolvesse meus problemas, e não vou começar agora.


A reação era exagerada. Enquanto Harry tentava compreender a razão de uma resposta tão intensa, Gina continuou falando com tom ainda mais alterado.


— Se continuar assim, na semana que vem vai me dizer que devo demitir o vigia noturno, o pobre Oliver, só porque ele tem um ligeiro distúrbio de sono, ou Dick, da contabilidade, por causa daqueles inofensivos processos por fraude. Depois tentará me convencer a vestir-me como uma pessoa normal, sem o veludo, a pelúcia e os bordados. Serei obrigada a vender meu Fusca, minha casa, meus seis gatos e... E não quero nada disso, ouviu bem? Não desistirei de quem sou, nem por você, nem por ninguém!


Antes que tivesse chance de fazer mais do que piscar, ela começou a caminhar na direção da estrada.


— Mandarei um carro do hotel vir buscá-lo!


Podia vê-la gesticulando e resmungando enquanto se afastava, mantendo um ritmo acelerado que ele jamais conseguiria imitar, não em sua atual condição.


Por isso ficou ali sentado, perplexo, sentindo-se como se houvesse acabado de sobreviver à passagem de um violento furacão. E não entendia o que acontecera ali.


O vigia noturno tinha distúrbios de sono? Desistir do veludo e da pelúcia? Como tudo isso se relacionava ao que ele dissera?


— Mulheres! — resmungou, levantando-se devagar. — Jamais conseguirei entendê-las.


E parou, olhando para o local da estrada onde Gina transformara-se em um pequeno ponto.


— Será que ela tem mesmo seis gatos?


Enquanto mancava pela trilha, esperando pela carona que, sabia, logo chegaria, teve tempo para refletir sobre cada nuance da estranha conversa que haviam mantido.


O que devia ter feito diferente? Não devia tê-la beijado, disso tinha certeza. Se houvesse usado a cabeça, em vez de pensar com outra parte do corpo, teria sido capaz de lidar com a situação de maneira mais sensata.


— Ou não — resmungou. Se Gina reagira atirando idéias como se fossem facas, recorrendo a vigias noturnos e gatos, como teria sido capaz de entender alguma coisa?


Não a conhecia bem, e nem poderia, já que a vira pela primeira vez no dia anterior. Sim, haviam sido dias movimentados e repletos de eventos significativos, mas mesmo assim...


Mesmo depois de tão pouco tempo, decidiu que a conhecia o suficiente para ter certeza de que ela jamais enganaria deliberadamente Budge, Viv ou a esnobe e insuportável Genevieve Chang. Portanto, devia ter acertado na primeira vez... Toda aquela explosão de argumentos incoerentes não passava de uma desastrosa tentativa de proteger alguém de quem ela gostava muito.


— Luna — concluiu.


Gostava menos dela a cada instante.


Uma grande limusine preta com o logotipo do Swan's Folly parou perto do acostamento, e Harry entrou no automóvel com um misto de alívio e gratidão, feliz por poder dar algum descanso a sua perna. Afundou no banco de couro macio, levantou os pés, serviu-se de uma garrafa de água mineral da pequena geladeira e relaxou, desfrutando da vida de um homem rico durante o curto trajeto até o hotel.


Enquanto o automóvel seguia silencioso pela estrada deserta, Harry pensava em Gina Weasley, a mulher intrigante que vivia em um mundo bizarro cheio de personagens insólitos.


— Ela está mentindo para mim — murmurou. — E odeio mentirosos.


Normalmente esse teria sido o fim da história. A vida era curta demais para desperdiçar o tempo com gente falsa e oportunista. Mas, a história de Gina e seus noivos misteriosos não era uma mentira comum. Era tudo tão estranho, e Gina precisava tanto de ajuda, que estava disposto a abrir uma exceção.


O que poderia ser? Em que tipo de problema ela podia estar metida? Storm e Zurik não eram exatamente os tipos de homem capaz de ajudar uma mulher a solucionar seus problemas.


Perdido entre dezenas de possibilidades, Harry estava ainda mais preocupado quando a limusine parou na entrada do edifício do hotel.


— Obrigado — disse ao motorista.


Depois dirigiu-se à trilha que levava ao Thistledown, o chalé onde estava hospedado.


Passaria algumas horas de tranqüilidade na sala confortável e arejada. Pediria um hambúrguer e uma cerveja, e descansaria até a hora de vestir-se para a despedida de solteiro naquela noite. Mas sabia que nada disso seria útil.


Continuaria tão confuso quanto estava, e o motivo da confusão ainda seria Gina Weasley.

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