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25. Código de Ética...


Fic: 79 Park Avenue Hhr - Concluida


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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 Código de Ética...


Eram quase quatro horas da tarde quando a enfermeira saiu da enfermaria e chegou à sua mesa no corredor. Harry, que ali a esperava, levantou os olhos.


 


− Acho que pode voltar para o seu escritório, Sr. Potter. A moça morreu − disse ela sem qualquer emoção.


 


Harry levantou-se e disse cansada-mente:


 


− Que horror!


 


− Não podia escapar, coitadinha! Estava toda dilacerada por dentro. O miserável deve ter usado agulhas de crochê!


 


Ele apanhou o chapéu e disse:


 


− Naturalmente, vão fazer a autópsia. Telefonarei depois para cá a fim de saber do resultado.


 


Saiu pelo corredor como se tivesse chumbo nos pés. Florence Reese. Como teria sido a vida para ela? Não devia ter sido muito boa. E parecia apenas uma criança. Chegou à porta no momento em que o Capitão Millersen vinha entrando.


 


− Soube mais alguma coisa, Harry?


 


− Nada. Ela não pôde mais falar. E você?


 


O rosto de Millersen se fechou numa máscara impenetrável.


 


− Falei com o chefe da contabilidade da agência de modelos. Nada sabia a respeito de Florence Reese. Fui verificar no hotel. A moça chegou à Nova York há cerca de um ano, vinda de uma cidade qualquer da Pensilvânia. Viveu em grandes dificuldades até há coisa de seis meses. Depois disso, pareceu ter-se arrumado na vida e estar ganhando bem.


 


− E a família dela? − perguntou Harry, indo com Millersen para o carro.


 


− Falei com os pais dela pelo telefone há uma hora. Já devem estar em viagem para cá. Pensavam que a filha tinha vencido em Nova York.


 


− Pobres coitados.


 


Quando chegou ao escritório Lino Jordan lhe disse:


 


− Telefonaram para você há uma hora mais ou menos.


 


− Quem foi?


 


− Uma mulher daquela agência, Park Avenue Models, a mesma que você mandou Frank verificar. Parece que a moça fez alguns trabalhos para a agência e a mulher queria saber se havia alguma coisa que ela pudesse fazer.


 


− Nada! Ninguém pode fazer mais nada. A moça morreu.


 


− Que pena! Era bonita?


 


Harry encolheu os ombros.


 


− Era difícil dizer no estado em que ela se achava. Devia ter sido. Era tão menina ainda.


 


Redigiu um breve relatório sobre o fato, assinou-o e levantou-se.


 


− Vou-me embora. Estou arrasado.


 


− Então evite ver o Velho. Ele está em pé de guerra. Fez um barulhão com Colin por uma coisinha à-toa.


 


− Pobre Colin. A coisa sempre estoura nas costas dele. Quer entregar este relatório para mim, Lino?


 


− Certo.


 


Lino levantou os olhos da sua mesa e perguntou a Harry:


 


− Em que deu o caso daquela moça que você investigou na semana passada, a tal que morreu de um aborto?


 


− Não deu em nada. A moça morreu. Por que você pergunta?


 


− Veja isto aqui - disse Lino, entregando-lhe uma folha de papel.


 


Era um relatório da polícia sobre uma diligência. Algumas mulheres tinham sido presas numa festa pela Divisão de Repressão ao Vício. Uma delas dissera que trabalhava para a Park Avenue Models. Mais tarde se desdissera. Todas elas tinham sido soltas na manhã seguinte mediante fiança. Tinham sido representadas em juízo por um advogado do escritório de Percy. A festa se realizava no apartamento de John Gellard, um industrial. A batida da polícia se efetuara em conseqüência de queixas de pessoas não-especificadas contra Gellard. Este fora também solto mediante fiança, tendo como advogado o próprio Percy. Quando Harry acabou de ler, Lino perguntou:


 


− Não foi a Park Avenue Models a agência mencionada pela moça que morreu?


 


Harry assentiu com a cabeça e tornou a ler o relatório.


 


− Que é que acha, Harry?


 


− Acho que é coincidência demais. Vou conversar com Frank Millersen sobre isso. Talvez ele possa esclarecer alguma coisa.


 


− Conte-me tudo depois.


 


Frank Millersen levantou os olhos quando viu Harry entrar.


 


− Alô, Potter! Que é que há?


 


− Já viu isto, Frank? − perguntou ele, entregando-lhe o relatório.


 


Frank leu tudo rapidamente e perguntou com o rosto impassível:


 


− E daí?


 


− Sabe a esse respeito alguma coisa que eu não sei?


 


− Não sei muita coisa − disse Frank, pondo o cachimbo na boca.


− Uma diligência comum da Repressão ao Vício. Um dos detetives falou comigo. Deve ter sido uma farra e tanto. Ele me disse que quando chegaram lá as garotas estavam todas...


 


− Não é disso que eu quero falar. Uma das garotas mencionou a Park Avenue Models. É a mesma agência para a qual Florence Reese disse que trabalhava.


 


− Não creio que isso tenha muita importância. Muitas dessas garotas conhecem a agência de nome e se servem dela como proteção.


 


− Talvez. Mas por que depois negou o fato? Outra coisa que me espanta é o fato de poderem pagar um advogado caro como Percy. Ele não trabalha por pouco dinheiro, e é evidente que essas pequenas não podem ter dinheiro para contratar seus serviços.


 


- De acordo com o relatório ele também foi advogado de Gellard. Este deve ter pago por todas elas, por questão de legítima defesa.


 


− Não sei, Frank. Tudo isso está me parecendo muito esquisito.


 


Frank sorriu.


 


− Não pense mais nisso, Potter. Quando você tiver experiência bastante no escritório, terá encontrado tantas dessas  coincidências que deixará de preocupar-se com elas.


 


− Não posso me esquecer daquela pobre moça do hospital. Não foi aquele triste fim que ela veio procurar nesta cidade.


 


− Claro que não foi. Mas uma moça direita nunca se mete em dificuldades dessa natureza. Falei com o pai dela quando veio buscar o corpo. Disse-me que ela sempre foi rebelde.


 


− Uma pessoa rebelde nem sempre é uma mulher má. Gostaria de poder esquecer esse caso.


 


− Que é que pretende fazer?


 


− Não sei ainda. Vou pensar no caso e, se chegar a alguma conclusão, darei um telefonema para você amanhã de manhã.


 


− Faz muito bem − disse Frank, sorrindo. − Uma boa noite de sono faz a gente ver melhor as coisas. De qualquer maneira, seja qual for a sua decisão, estarei aqui amanhã.


 


− Obrigado, Frank.


 


Harry saiu da sala do capitão, mas quando chegou ao corredor, percebeu que apanhara outro papel em cima da mesa além do relatório.


 


Voltou.


 


Abriu a porta do detetive e viu que o mesmo estava falando ao telefone.


 


− Espere um minuto, Mary − disse o detetive, cobrindo o fone prontamente com a mão.


 


Harry olhou-o com estranheza. O rosto do detetive, habitualmente tão corado, havia ficado terrivelmente pálido.


 


− Desculpe, Frank. Não sabia que você estava falando ao telefone. Peguei este papel por engano em cima da sua mesa. E vim devolver − disse ele, colocando o papel em cima da mesa.


 


− Não tem importância, Potter − disse o outro, com um sorriso contrafeito. − Estou falando com a patroa. Obrigado.


 


Harry saiu da sala e fechou a porta. Só depois de ter-se afastado um pouco foi que ouviu de novo o murmúrio da voz de Frank ao telefone.


 


Voltou ao escritório e sentou-se.


 


− Então? − perguntou Lino.


 


− Millersen acha que o fato não tem importância.


 


− Frank deve saber. Ele é técnico no assunto.


 


Harry continuou pensativo e, ao fim de um instante, perguntou a Lino:


 


− Sabe por acaso o nome da mulher de Frank?


 


− Claro − disse Lino, rindo. − Sra. Millersen.


 


− Não estou brincando, Lino. Sabe?


 


− Por quê?


 


− Simples curiosidade. Ele estava falando pelo telefone com ela quando eu entrei.


 


− Elizabeth − disse Lino. − Uma noite, tomei alguns drinques com eles. Ele a trata de Betty.


 


Harry acendeu um cigarro e virou a cadeira para a janela. Na rua, já havia homens andando em mangas de camisa. O verão chegava a Nova York prometendo um calor de fornalha. Betty. Por que Millersen teria mentido? Que espécie de empresa era a tal Park Avenue Models? Nunca ouvira falar nela e agora duas vezes em pouco tempo o nome lhe aparecera. Pegou o telefone e pediu à telefonista que fizesse uma ligação para Colin Creevey, que acabara de ser transferido para a Seção de Atividades Ilegais.


 


− Alô, Harry − disse Colin pelo telefone.


 


− Preciso de um favor seu, Colin. Quero que me investigue uma companhia chamada Park Avenue Models Inc., na Park Avenue, 79.


 


− Quer saber o quê?


 


− Tudo o que você puder apurar. É muito importante que ninguém mais saiba disso, especialmente o escritório de Millersen. Creio que desta vez vamos dar-lhes uma lição.


 


− Está certo, Harry − disse Colin, rindo. Havia sempre rivalidade entre os adjuntos da promotoria e o pessoal da polícia designado para trabalhar com eles. − Compreendo.


 


− Com a maior urgência possível, Colin.


 


− Amanhã de manhã está bem para você?


 


− Está ótimo. Muito obrigado.


 


Harry desligou e quase no mesmo instante o telefone tocou. Atendeu.


 


− Potter? Quem fala é Frank Millersen.


 


− Pode dizer, Frank.


 


− Estive pensando e acho que podemos fazer uma investigação naquela agência de modelos, se você quiser.


 


− Ora, nem pense nisso, Frank. Já estou achando que você tem razão. Pura coincidência. Desculpe-me por tê-lo incomodado.


 


− Está bem, Potter − disse Millersen, com voz hesitante. − Se acha assim...


 


− Acho, Frank. De qualquer maneira, muito obrigado.


 


− De nada.


 


Desligou, deixando Harry com a impressão de ter percebido um


tom de alívio na voz do outro.


 


O promotor público olhou atentamente para Harry através dos grossos óculos, batendo com uma lapiseira de ouro nos papéis que estavam em cima da mesa.


 


− Quer então pedir demissão?


 


− Quero,sim.


 


− Por quê?


 


− Motivos de ordem pessoal.


 


O Velho desviou os olhos para a janela.


 


− Não se sente bem no seu trabalho aqui, Harry?


 


− Não se trata disso, senhor.


 


O Velho ficou em silêncio e durante algum tempo só se ouviu na sala a sua respiração difícil.


 


− Nunca pensei que fosse covarde, Harry − disse ele, afinal.


 


Harry não respondeu.


 


− O trabalho que realizou no caso da Park Avenue Models é notável, um dos maiores que já se efetuaram neste escritório. Mas, como ele envolve pessoas de influência, você quer recuar.


 


Haeey continuou calado.


 


− E eu? Como você acha que eu me sinto quando vejo o chefe dos meus detetives envolvido? Não acha também que devo retirar-me? Acontece que eu não posso. Prestei um juramento. Você também o prestou quando veio trabalhar comigo. Não podemos sair.


 


− Isso não vem absolutamente ao caso, Chefe.


 


− Bolas! Só porque alguns políticos desonestos e uns ricaços estão implicados? Tem medo de prejudicar sua carreira?


 


Harry não respondeu.


 


− Você não terá carreira para ser prejudicada se desertar agora! Todos ficarão sabendo que você é um covarde.


 


Harry respirou fundo e disse:


 


− Desculpe, senhor. Era só isso que queria me dizer?


 


− Será que não compreende, Harry? Esta talvez seja a maior oportunidade de toda a sua vida. Tom Dewey subiu justamente com um caso assim. Quando isso acabar, você poderá aspirar ao que bem quiser, Harry. Não estrague sua vida.


 


− Já posso retirar-me, senhor?


 


O Velho falou então com a voz cheia de desprezo:


 


− É muito raro eu me enganar no juízo que faço das pessoas, mas com você errei redondamente. Isso prova que ser corajoso não é apenas poder enfrentar as balas do inimigo. Isso você fez, mas ainda assim é um covarde.


 


Harry ficou vermelho e mordeu os lábios para não responder.


 


− Foi muito duro para mim engolir o caso de Millersen, mas mais duro é ficar sabendo que você é um covarde. Já estou velho, Harry. Passei quase toda a minha vida dentro deste escritório. Jamais quis senão fazer um bom trabalho, um trabalho honesto para proteger as pessoas que confiaram em mim. É esta a primeira vez que sinto que lhes falhei.


 


− Não falhou, Chefe − disse Harry. − Todas as informações estão aí em sua mesa.


 


− Certo, mas eu sou responsável por todos os homens que trabalham comigo. Sou responsável por Millersen e pagarei por ele, como sou responsável e pagarei por você. Ser promotor público não é apenas comparecer diante dos jurados ou de um juiz e conseguir condenações. É também uma questão de orgulho, o orgulho de fazer um trabalho bem-feito, sem medo e sem favores. Se vier a desertar, será como se eu mesmo desertasse. O mundo inteiro saberá disso.


 


Harry nada disse.


 


− Ao menos, diga-me por que vai sair! − exclamou o Velho. − Eu sei que você não é covarde!


 


Harry respirou fundo e de repente percebeu que estava com as mãos tremendo.


 


− Conte-me tudo, Harry − disse o Velho gentilmente. − Você foi um bom polícia e um bom adjunto. Por que vai sair?


 


− Ela foi minha garota − disse Harry, encarando o Velho.


 


− Ela quem?


 


− Mione, isto é, Hermione Granger.


 


− Essa mesma Hermione Granger?


 


Harry assentiu com a cabeça.


 


− Mas como, Harry? Como?


 


− Eu não sabia que ela estava envolvida nisso quando pedi a


Colin há três semanas que fizesse uma investigação sobre a Park Avenue Models. Se soubesse, talvez não tivesse começado.


 


O promotor olhou-o com uma compreensão nova e murmurou:


 


− Eu estava certo. Eu estava certo a seu respeito.


 


Harry continuou:


 


− Depois, quando recebi o relatório de Colin, tive de prosseguir, depois de conseguir a sua autorização. Interceptamos os telefones e começamos a vigiar. Todas as peças foram pouco a pouco se ajustando coisas de que nem desconfiávamos. Como é que as batidas falhavam, uma porção de coisas. Até que um dia apuramos que, por ocasião da sua primeira prisão, o policial que a prendeu foi Frank Millersen. Foi ainda mais convincente descobrir que ele havia depositado no banco cerca de vinte mil dólares por ano. Não há nenhum polícia no mundo que possa fazer isso com o dinheiro que ganha. Daí chegamos aos homens de dinheiro que sustentavam o negócio, aos políticos a quem ela pagava, aos guardas e detetives subornados e às garotas. Por fim, tudo estava esclarecido, e nada mais havia a investigar. Foi então que compreendi que tinha de afastar-me e pedi a Lino Jordan que se encarregasse do caso por mim.


 


− Você alegou doença − disse o Velho.


 


− E estava doente, sim. Doente da alma. Ao mesmo tempo, quero sair daqui antes de saber ao certo todo o mal que fiz a ela.


 


− Não poderá fugir disso, Harry − disse o Velho.


 


− Mas posso tentar, Dumbledore.


 


− Você ainda gosta dela, Harry.


 


Harry baixou os olhos e nada disse. Nesse momento, a porta se abriu e Lino Jordan entrou todo animado.


 


− Conseguimos, Harry! − exclamou ele. − Foi recebida a denúncia contra todos eles, Hermione Granger, Millersen, todos! Vai ser o maior caso destes últimos anos! Tenho aqui os mandados de prisão contra eles todos, Chefe! Vamos descer agora mesmo para prender Millersen.


 


− Irei com vocês − disse o promotor, levantando-se. Olhou para


Harry e acrescentou: − Não vem também, guarda?


 


Frank Millersen acendeu o cachimbo. Quando este pegou bem, começou a examinar os papéis em cima da mesa. Nada de especial. Poderia ter um fim de semana bem descansado com Betty e as crianças. Seria o primeiro desde muito tempo. Nesse momento, bateram na porta.


 


− Entre − disse ele.


 


Ouviu os passos de várias pessoas e levantou a cabeça. O promotor estava diante da sua mesa e, atrás dele, viam-se Potter e Jordan. Mais atrás, estava o uniforme azul de um guarda. Sentiu um aperto no coração, mas conseguiu dar um sorriso forçado e levantou-se, estendendo a mão.


 


− Há muito que não me dá a honra de aparecer aqui, Chefe.


 


A mão dele ficou no ar, sem que o promotor fizesse qualquer menção de apertá-la. Millersen levantou a mão para tirar o cachimbo da boca, querendo dar a entender que fora esse o sentido do seu gesto.


 


− Temos um mandado de prisão contra você, Frank − disse o promotor.


 


− Sob que acusação? − perguntou ele, sentindo-se empalidecer e lendo a resposta no rosto de Harry.


 


− Quer mesmo que lhe diga, Frank? Há necessidade? − perguntou o Velho.


 


Millersen baixou a cabeça e deixou-se cair numa cadeira. Envelheceu de repente. Mexeu mecanicamente em alguns papéis da mesa e disse:


 


− Não.


 


Sem levantar a cabeça, percebeu que o promotor público saía


da sala. Ouviu a voz de Jordan:


 


− É melhor vir logo conosco, Frank.


 


Ele levantou os olhos cheios de agonia.


 


− Dêem-me um minuto para eu me arrumar. Logo depois, irei com vocês.


 


Lino olhou para Harry, que assentiu com a cabeça.


 


− Está bem − disse Lino. − Ficaremos à sua espera.


 


Encaminharam-se para a porta, mas a voz de Millersen os fez parar.


 


− Potter!


 


Harry voltou-se para olhá-lo.


 


− Eu devia ter me lembrado de que você foi um elemento ótimo da polícia antes de entrar para o gabinete do promotor. Eu não faria um serviço melhor do que o que você fez.


 


− Sinto muito, Frank.


 


− Você cumpriu o seu dever, Potter.


 


Harry e Lino saíram e Millersen viu-os fecharem a porta. Tirou uma baforada forte do cachimbo e sentiu o fumo chegar-lhe aos pulmões. Não havia pesar por si mesmo quando abriu a gaveta e tirou o grande revólver. Havia apenas uma grande tristeza por Betty e pelas crianças quando substituiu na boca o cachimbo pelo cano frio do revólver.


 


Quando Harry abriu a porta, ouviu a mãe falando com alguém na cozinha. Dirigiu-se para seu quarto. Não se lembrava de algum dia ter-se sentido tão cansado, tão completamente exausto. Ouviu a voz da mãe, da cozinha.


 


− É você, Harry?


 


Teve de fazer um esforço para altear a voz e responder:


 


− Sim, mamãe.


 


Entrou no carro e fechou a porta. Tirou o paletó e jogou-se na poltrona perto da janela. Acendeu um cigarro e ali ficou com o olhar absorto. A porta se abriu, mas ele não se voltou para olhar.


 


− Está bem, meu filho?


 


− Estou, sim, mamãe.


 


− Veio para casa cedo − disse ela, aproximando-se da poltrona. − Houve alguma coisa?


 


− Não, mamãe. Não houve nada.


 


− Mas sua cara não está nada boa. Vou lhe fazer um chá.


 


− Por favor, mamãe, deixe-me descansar − disse ele com uma nota de aborrecimento na voz. − Não tenho nada.


 


Viu que ela ficara magoada e pegou-lhe na mão.


 


− Desculpe, mamãe. Não tive a intenção de ser rude.


 


− Não tem importância, Harry. Eu compreendo.


 


− Não, mamãe − murmurou ele. Ninguém podia compreender.


 


Só ele sabia como se sentia. A mãe continuou no quarto e disse:


 


− Conheço muito bem esse seu aspecto.


 


− Que aspecto, mamãe?


 


− É aquela moça − disse ela. − Ela voltou. Posso ver pelos seus olhos. Você estava desse mesmo jeito quando foi ao Bronx buscá-la e ela não quis vir com você. Não pode tirá-la da cabeça, não é, meu filho?


 


− Fiz o possível, mamãe. Mas não consigo. Parece que ela faz parte de mim.


 


− Você a viu?


 


− Não, mamãe.


 


− E então?


 


− A polícia está indo prendê-la agora. Preparei um processo contra ela que vai mandá-la para a cadeia.


 


− Fez o seu dever, meu filho.


 


− Não me diga isso, mamãe! − exclamou ele num assomo de raiva. Millersen também dissera isso e estava morto.


 


− Há muito tempo lhe disse que ela não servia para você. Talvez acredite em mim agora.


 


− Mas que é que eu posso fazer se sei que não há outra mulher para mim no mundo? − perguntou ele, com verdadeira agonia na voz.


 


Hermione levantou a vista da mesa e viu Tom, que sorria.


 


− Mandei o táxi esperar, Sra. Hermione. Temos apenas uma hora para chegar ao aeroporto.


 


− Só alguns minutos mais, Tom.


 


− Vou esperar lá fora. Estou ansioso para ver a queridinha.


 


− Eu também − disse ela.


 


Tom saiu do escritório e fechou a porta. Hermione olhou um retrato de Michelle em cima da mesa depois, pegou alguns papéis e olhou-os rapidamente. Eram contas que podiam esperar até que ela voltasse, daí a duas semanas. Guardou-as num envelope, que deixou em cima da mesa. Trancou a gaveta e levantou-se. Apanhando o casaco em cima da mesa, lançou um último olhar para a sala. O telefone começou a tocar. Hesitou. Depois, fez uma careta e dirigiu-se para a porta, sem atender. Se fosse Snape, iria descobrir no dia seguinte que ela havia partido. Daquela vez, iria cumprir a promessa que fizera a Michelle. Quando estendeu a mão para a maçaneta, a porta se abriu e um homem alto apareceu. Hermione olhou-lhe automaticamente os pés. Sentiu os cabelos da nuca se levantarem. Um policial!


 


− Já ouviu dizer que se bate numa porta antes de abri-la?


 


Ele entrou, e ela viu que vários homens o acompanhavam. O primeiro homem sorriu e perguntou:


 


− Pode-se saber se vai a algum lugar?


 


− Não é da sua conta! − replicou ela.


 


Um homem baixo e moreno abriu caminho por entre os outros homens.


 


− Pare com a comédia, George − disse ele. Voltou-se depois para Hermione e perguntou: − É Hermione Granger?


 


− Sou.


 


− Sou Lino Jordan, do gabinete do promotor público. Esses homens são da polícia. Gostaria que viesse conosco.


 


− Trata-se então de uma prisão?


 


− Claro que sim − disse rudemente o homem alto.


 


− De que sou acusada, Sr. Jordan?


 


− Este mandado explica tudo, Srta. Granger − disse ele entregando-lhe uma folha de papel dobrado.


 


Ela recebeu o papel e passou os olhos por ele. Quando levantou os olhos, o rosto estava impassível.


 


− Posso telefonar para meu advogado? − perguntou calmamente.


 


Lino fez um sinal afirmativo e olhou-a com admiração, enquanto ela dava volta à mesa e pegava o telefone. Discou rapidamente. Não era de admirar que ela pudesse fazer o que fazia. Tinha nervos de aço.


 


− Percy − disse ela pouco depois ao telefone. − Acabo de ser presa... Não, ainda estou no escritório... Sim... Então, até logo.


 


Desligou, olhou para Lino e disse:


 


− Estou pronta.


 


Ele se afastou para deixá-la passar. Ela foi até a outra sala. Ali a esperava o velho negro, e ela parou para dizer-lhe:


 


− Não se preocupe, Tom. Vá para casa e prepare o jantar. Telefone para a menina e diga-lhe que os negócios não nos permitiram ir.


 


Tom olhou para Snape no escritório de Percy e perguntou:


 


− A Sra. Hermione está em dificuldades?


 


Snape olhou para Percy e depois para Tom, a quem disse:


 


− Sim, está em grandes dificuldades.


 


− Tudo por causa daquele promotor, não é? O tal que, os jornais dizem que preparou o processo? O que se chama Potter e entrou em férias enquanto a Sra. Hermione está sofrendo todas essas coisas?


 


A voz de Tom estava indignada.


 


− É esse mesmo, Tom.


 


− Pois ele é um homem mau, Sr. Severo. Só está fazendo isso porque a Sra. Hermione não quis casar com ele.


 


− O quê? − perguntou Snape, surpreso. Ocorreram-lhe então vagas e torturantes lembranças. O amigo de Malfoy, o rapaz que costumava ir buscá-la quando ela saía do trabalho no dancing. Chamava-se Potter, também.


 


− Isso é verdade, Tom?


 


− É, sim. Ele é o pai de Michelle.


 


− Como é que sabe? − perguntou Percy. − Foi ela que disse?


 


− Não, ela nunca fez isso.


 


− Como é então que você sabe? − perguntou Percy. − Se pudéssemos provar isso, seria fácil livrá-la. Nenhum júri no mundo deixaria de acreditar que ele forjou tudo de puro despeito.


 


− Ela guarda a certidão de nascimento de Michelle, numa gaveta da cômoda. Nessa certidão, o nome do pai é o dele. Vi muitas vezes quando fazia a limpeza.


 


Percy levantou-se nervosamente.


 


− Vá correndo a casa e me apanhe essa certidão. Traga-a para cá e não a entregue senão a mim, compreende?


 


Tom já estava a caminho da porta. Olhou para trás, rindo, e disse:


 


− Compreendo, sim, Sr. Percy. Compreendo muito bem!


 


Logo que ele saiu, Percy perguntou a Snape:


 


− Que é que acha disso?


 


− É incrível! − exclamou Snape. − E ela nunca nos disse nada!


 


− Acha que ela ainda gosta dele?


 


− Há muito tempo já que desisti de tentar compreendê-la.


 


− Não direi nada até o julgamento. Não quero que a promotoria toque no assunto antes de nós. Acha que Potter sabe disso, Snape?


 


− Acho que não. Não creio que ela tenha dito isso a pessoa alguma, salvo a Malfoy. E este não pode mais falar.


 


− Não entendo aquela mulher − murmurou Percy. − Falei com ela na prisão hoje de manhã. Já está lá há três dias e não me disse uma palavra sobre isso. Talvez não saiba que isso pode ser a sua salvação.


 


− Ainda que saiba, duvido que diga alguma coisa. Lembra-se do que me disse há muito tempo, Percy, quando me falou sobre ela pela primeira vez?


 


− Não.


 


− Você disse que ela era uma coisa especial, uma puta com um código de ética.

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