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14. Capítulo 14


Fic: Êxtase Mortal - Concluída


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 14


 


- Harry sabe como montar uma festa. - Luna encheu a boca com um ovo de codorna com molho picante e falou com a boca cheia - Todo mundo está aqui, e me refiro a todo mundo. Você viu Roger Keene? Ele é o cabeça em Bê There Records. E Lilah Monroe? Está arrasando em Broadway com seu espetáculo com participação do público. Talvez Leonardo consiga convencê-la a usar seu projeto novo como vestuário do espetáculo. E ali está...


- Tome um pouco de ar, Luna. - aconselhou Gina enquanto sua amiga tagarelava introduzindo sem parar canapés à boca - Dê uma pausa.


- Estou tão nervosa... - Com as mãos momentaneamente livres, Luna apertou o estômago, que levava descoberto salvo por uma artística versão de uma orquídea vermelha - Não posso controlar, sabe? Quando estou tão excitada só consigo comer e falar.


- Comer e falar. E vomitar se não se acalmar um pouco. - advertiu Gina. Percorreu com o olhar a habitação e teve que admitir que Luna tinha razão.


Harry Potter sabia montar uma festa.


O salão reluzia, e o mesmo acontecia com as pessoas. Mesmo a comida aparentava brilhar, quase decorativa demais para se comer. Embora não fosse o caso de Luna. Como o tempo tinha cooperado, tinham aberto o telhado deixando entrar a suave brisa e o brilho das estrelas. Uma das paredes estava coberta por uma enorme tela, onde Luna dava voltas e pulava, enquanto se ouvia crepitar a música. Harry tinha sido o bastante astuto para pôr o volume ao mínimo.


- Nunca poderei pagar o que estão fazendo por mim. - Luna se aproximou.


- Vamos, Luna.


- Não; falo sério. - Depois de dedicar a Leonardo um radiante sorriso e enviar-lhe um exagerado beijo, voltou-se para Gina - Nos conhecemos há muito tempo, Weasley. Demônios, se não tivesse me detido certamente eu estaria ainda batendo carteiras e roubando as pessoas.


Gina escolheu um canapé de aspecto interessante. 


- Você está indo longe, Luna.


- É possível, mas não muda os fatos. Fiz muito para me endireitar e mudar de rumo, e me sinto orgulhosa.


Mudando, pensou Gina. Podia ocorrer. Tinha ocorrido, na verdade. Olhou para onde Reeanna e William falavam com Minerva e seu marido.


- E tem que o estar. Eu estou orgulhosa de você. 


- Mas é disso que estou falando. Quero conseguir me livrar daquilo, compreende? Antes que eu me levante e tente arrancar os diamantes das orelhas dessas pessoas. - Luna limpou a garganta e se esqueceu prontamente do pequeno discurso que tinha preparado - Ao inferno com isso tudo. Conheço-me e a amo. Amo realmente você, Weasley.


- Deus, Luna, não me deixe sensível. Harry já me drogou. 


Emocionada Luna de um fungadela e esfregou o nariz.


- Teria feito tudo isto por mim... se soubesse como. - Ao ver que Gina piscava e franzia o cenho, Luna conseguiu converter seu discurso emocionado em uma brincadeira - Vamos, você não teria nem a mais remota idéia de como se encarregar de algo mais complicado do que salsichas de soja e pratos de verduras picadas. Vejo a mão de Harry por todas as partes.


“Encontrarás minha mão por todas partes.” As palavras de Harry ressoaram na mente de Gina e a fizeram estremecer.


- É verdade.


Decidida a não permitir que nada lhe estragasse a noite, Gina negou com a cabeça.


- Fez tudo por você, Luna.


Lentamente os lábios de Luna se curvaram e seus olhos voltaram a brilhar. 


- Sim, imagino que sim. Você conseguiu um maldito príncipe, Weasley. Um maldito príncipe. Agora vou lá em cima vomitar. Volto em seguida.


- Claro. - Meio rindo, Gina pegou uma taça de água com gás de uma bandeja que passou por seu lado e se aproximou de Harry - Perdão, só é um momento. - se desculpou afastando-o do grupo - É um maldito príncipe.


- Oh, muito obrigado. Suponho. - Deslizou um braço por sua cintura com delicadeza, pôs a outra mão sobre a dela envolvendo a haste da taça, e a surpreendeu com uns passos de dança – Você tem que utilizar sua imaginação ao... estilo de Luna. Mas este tema quase pode ser considerado romântico.


Gina arqueou uma sobrancelha e se concentrou na voz de Luna que se erguia acima dos instrumentos de metal.


- Sim, é uma melodia antiquada e sentimental. Sou uma péssima dançarina.


- Não seria se tentasse parar de me conduzir. Decidi que, já que não vai ficar sentada e descansar seu corpo exausto, poderia se apoiar em mim um momento. - Sorriu - Está começando a mancar ligeiramente. Mas tem um aspecto quase relaxado. 


- Meu joelho ainda está um pouco rígido. Mas estou muito relaxada. Suponho que foi de tanto ouvir Luna tagarelar. Agora está vomitando.


- Encantador. 


- São só os nervos. Obrigada. - Deixou-se levar por um impulso e lhe deu um de seus raros beijos em público.


- De nada. Por que?


- Por se assegurar que não tivéssemos salsichas de soja e pratos de verduras picadas.


- O prazer é meu. - Atraiu-a com delicadeza - Acredite, o prazer é meu. Bem, Hermione fica muito bem de negro e parece recuperada da concussão.


- Como? - separando-se dele, Gina viu sua ajudante, que acabava de cruzar as amplas portas duplas, pegar uma taça de uma bandeja - Deveria estar na cama. - murmurou e se afastou de Harry - Desculpe-me, eu mesmo vou colocá-la lá.


Cruzou a sala estreitando os olhos enquanto Hermione tentava esboçar um sorriso. 


- Uma grande festa, tenente. Obrigada pelo convite.


- Ao inferno, o que você está fazendo fora da cama?


- Só foi uma pancada na cabeça, e tudo o que me faziam era ficar me apalpando. Não ia permitir que uma tolice como uma explosão impedisse-me de assistir uma festa de Harry Potter.


- Tomou alguma medicação?


- Apenas dois comprimidos de calmantes e... – Sua cara caiu quando Gina arrebatou o champanhe de sua mão – Só estava segurando a taça. Verdade!


- Sustente isto em seu lugar. - sugeriu Gina e lhe entregou seu copo de água - Eu devia levar seu traseiro direto para o centro de saúde.


- Você também não foi. - murmurou Hermione, e ergueu queixo adicionando - Além disso, não estou de serviço. Você não pode me dar ordens fora de meu horário de trabalho.


Por muito que simpatizasse e admirasse a determinação, Gina se manteve firme na decisão.


- Nada de álcool. – replicou - Nem de dançar.


- Mas... 


- Arrastei você de um edifício hoje e posso fazer o mesmo agora. A propósito, Hermione, - adicionou - poderia perder alguns quilos


- Minha mãe sempre me dizia isso. – replicou e suspirou - Nada de álcool nem de dançar. Agora, se terminou as recriminações irei conversar com alguém que não me conheça.


- Muito bem. Ah, Hermione... 


A oficial se voltou com o cenho franzido. 


- Sim, senhor?


- Fez um bom trabalho hoje. Não pensaria duas vezes em atravessar uma porta com você.


Gina se afastou enquanto ela a olhava boquiaberta. Tinha sido proferido com um ar de indiferença, mas era o maior elogio que jamais tinha recebido no plano profissional.  


 


Socializar não era o passatempo preferido de Gina, mas fez o que podia. Inclusive se resignou a dançar quando não pôde escapulir. Assim encontrou-se sendo conduzida - isto era o que pensava de dançar - pelo salão nos braços de Jess.


- Conhece William? - perguntou Jess.


- É amigo de Harry. Não o conheço muito bem. 


- Pois tinha certas idéias interessantes sobre o desenho de um interativo para acompanhar este disco. E fazer vibrar o público com a música... com Luna. 


Ela arqueou uma sobrancelha e voltou a vista para a tela. Luna balançava seus quadris semi-nus e gritava algo sobre arder no fogo do amor enquanto algumas chamas vermelhas e douradas jorravam a seu redor.


- Você acredita realmente que essas pessoas gostariam de vibrar com ela?


Ele riu e adotou um acento sulino. 


- Eles se pisotearão para fazê-lo, meu bem. E gastariam muito dinheiro para fazê-lo.


- E se o fizerem você ganharia uma generosa porcentagem. - respondeu ela, voltando-se para ele. 


- É o habitual nesta classe de contrato. Pergunte ao seu marido. Ele explicará.


- Luna tomou uma decisão. - Gina se amaciou ao ver a vários convidados observar absortos o espetáculo da tela - E eu diria que foi acertada.


- Ambos a tomamos. E acredito que será um grande sucesso. E quando fizermos uma demonstração ao vivo, bem, a casa se virá abaixo com ovação.


- Não está nervoso? - Gina observou seu olhar confiante, sua expressão de astúcia - Não, não está nervoso.


- Eu tenho tocado por meu sustento há anos. É um trabalho. - Sorriu e percorreu suas costas com os dedos – Você também não fica nervosa correndo atrás de seus assassinos. Se sente intranqüila, mas não nervosa.


- Depende. - Gina pensou no que estava perseguindo naquela ocasião e seu estômago revolveu. 


- Não; você tem nervos de aço. Percebi isso a primeira vez que a encontrei. Nunca cede e nem anda para trás. Nem ao menos pisca. Isso faz que seu cérebro, bom, sua forma de ser, por assim dizê-lo, seja fascinante. O que a move Gina Weasley? A justiça, a vingança, o dever, a moralidade? Eu diria que é uma combinação única de tudo isso, exacerbado por um conflito de insegurança em você mesma. Tem uma idéia muito clara do que é certo, e se questiona constantemente sobre quem é você.


Ela não estava muito segura se gostava do rumo que tinha tomado a conversa.


- O que é você, músico ou psiquiatra?


- As pessoas criativas estudam as outras pessoas, e a música é uma ciência tanto como a arte. - Seus olhos prateados permaneceram fixados nos dela enquanto a conduzia ao redor das demais pares - Quando componho uma série de notas quero que elas cheguem até as pessoas. Devo compreender, e inclusive estudar a natureza humana, se quero obter deles a reação correta. Saber como se comportarão, pensarão ou sentirão. 


Gina sorriu ausente quando William e Reeanna passaram dançando ao seu lado, absortos o um no outro.


- Pensei que era para entretê-los.


- Essa é a superfície. Apenas a externa. - Os olhos de Jess brilhavam de excitação enquanto falava - Qualquer músico medíocre pode executar um tema por computador e conseguir com uma melodia aceitável. O ofício do músico cada vez se torna mais comum e previsível graças à tecnologia. 


Com as sobrancelhas arqueadas, Gina deu uma olhada na tela de Luna.


- Tenho que dizer que não ouço nada ordinário nem previsível aqui.


- Exato. Dediquei-me a estudar como os diferentes sons, notas e ritmos afetam as pessoas, e sei que teclas tenho que tocar. Lun é uma jóia. É tão aberta, tão maleável. - Sorriu ao ver que o olhar dela se endurecia – Digo isso como um elogio, não como uma fraqueza. Mas é uma mulher que gosta dos riscos e está disposta a ser um conduto para uma mensagem.


- Qual mensagem?


- Depende da mente da audiência. De suas esperanças e sonhos. Gostaria de saber quais são seus sonhos, Weasley.


E eu os seus, pensou ela, mas o olhou com benevolência. 


- Prefiro ater-me à realidade. Os sonhos são enganosos. 


- Não; são reveladores. A mente, e o inconsciente em particular, são como um quadro que pintamos continuamente. A arte e a música podem pôr muitos tons e estilos. A medicina compreendeu isso há décadas e os utiliza para tratar e estudar certas doenças, tanto psicológicas como fisiológicas.


Ela inclinou a cabeça. Tinha outra mensagem sob essas palavras?


- Agora fala mais como cientista do que como músico.


- Tenho um pouco de ambos. Algum dia poderá escolher uma canção desenhada pessoalmente para suas ondas cerebrais. As possibilidades do alterador de ânimo serão infinitas e íntimas. Essa é a chave, a intimidade. 


Ela detectou seu discurso e parou de dançar.


- Não acredito que o custo fora rentável. Além disso, pesquisar em tecnologia concebida para analisar e coordenar as ondas cerebrais individuais é ilegal. E por uma boa razão: é perigoso.


- Em absoluto. É libertador. Os novos processos, qualquer vertente do verdadeiro progresso costuma começar sendo ilegal. Quanto ao custo, seria alto inicialmente, mas baixaria quando o desenho se adaptasse à fabricação em massa. O que é um cérebro senão um computador, depois de tudo? Um computador analisando um computador. O que há de mais simples? - Levantou o olhar para a tela - Essas são as primeiras notas do último número. Tenho que verificar o equipamento antes de minha entrada. - Inclinou-se e a beijou na face – Nos deseje sorte. 


- Sim, sorte. - murmurou ela, mas tinha um nó no estômago. 


O que era o cérebro senão um computador?, pensou. Computadores analisando computadores. Programas individualizados desenhados para padrões de ondas cerebrais pessoais. Se isso era possível, seria também possível incorporar programas de sugestão diretamente vinculados ao cérebro do usuário? Gina negou-se com a cabeça.


Harry jamais teria dado sua aprovação. Não teria corrido um risco tão absurdo. Mas se abriu espaço entre a multidão em direção a ele e lhe pegou pelo braço. 


- Preciso lhe fazer uma pergunta. - disse baixinho - Alguma de suas companhias se dedicou a pesquisar clandestinamente o desenho de unidades de realidade virtual para ondas cerebrais pessoais? 


- Isso é ilegal, tenente.


- Harry.


- Não. Houve um tempo em que eu teria me aventurado em alguns números de negócios duvidosos. Mas esse não teria sido um deles. E não, - repetiu, adiantando-se a ela - meu modelo de realidade virtual tem um desenho universal, não individual. Só os programas podem ser personalizados para um determinado usuário. Está falando de um custo elevadíssimo, logisticamente complicado e que suponho me daria muita dor de cabeça.


- Certo, é o que eu estava pensando. - Relaxou os músculos - Mas poderia ser feito?


Ele fez uma pausa, depois se encolheu de ombros.


- Não tenho nem idéia. Teria que contar com a colaboração do indivíduo ou ter acesso ao scaner de seu cérebro. Isso também necessitaria de aprovação e do consentimento pessoal. E então... não tenho nem idéia. - repetiu. 


- Se pudesse falar com Neville a sós. - Gina tentou avistar o experiente detetive da eletrônica entre a multidão que circulava.


- Essa é sua noite de folga, tenente. - Harry deslizou um braço pela cintura - Luna está a ponto para atuar.


- Está bem. - Ela obrigou-se a deixar de lado a preocupação enquanto Jess se acomodava diante de seu console e tocava algumas notas introdutórias. Amanhã, prometeu-se, e aplaudiu quando Luna apareceu dançando no palco. 


De repente suas inquietudes se desvaneceram, derretidas pela explosão de prazer selvagem que emanava de Luna, enquanto as luzes, a música e o talento se combinavam num vertiginoso calidoscópio.


- É boa não é verdade? - Gina tinha agarrado, sem dar-se conta, o braço dele, como uma mãe que assistia ao jogo de seu filho na escola - É algo diferente e estranho, mas bom.


- Ela é tudo isso. - A dissonante mistura de notas, efeitos sonoros e vozes não seriam nunca a música preferida de Harry, mas se surpreendeu sorrindo - Cativou o público. Pode relaxar. 


- Já o estou. 


Ele riu e a abraçou ainda mais. 


- Se tivesse usando botões eles já estariam saltando. - sussurrou, sem se importar em ter que colocar seus lábios próximos ao seu ouvido para que ela o escutasse. E já que estava ali adicionou uma sugestiva proposta para depois da festa.


- Como? - Ela se excitou ao ouvi-la - Acredito que esse ato em particular é ilegal neste estado. Conferirei meu código e me porei em contato com você. Certo? - E ergueu um ombro em resposta quando Harry começou a mordiscá-lo e lamber o lóbulo de sua orelha. 


- Quero você. - sussurrou. E a luxúria penetrou sob sua pele impetuosamente, instantaneamente – Agora mesmo.


- Não está falando sério. - começou ela, mas comprovou que o fazia quando a beijou na boca de um modo frenético e urgente. Seu pulso disparou e sentiu que os músculos de sua perna falhavam em sustentá-la. Conseguiu se afastar alguns centímetros, sem fôlego e atônita, e muito perto de ruborizasse.


Nem todo mundo estava absorto em Luna – Controle-se. Estamos no meio de um evento público. 


- Pois vamos sair daqui. - Ele estava duro como uma rocha, dolorosamente pronto. Dentro dele tinha um lobo pronto para devorá-la - Há um monte de quartos privativos nesta casa. 


Ela teria rido se não tivesse percebido a urgência que vibrava dentro dele.


- Domine-se, Harry. É o grande momento de Luna. Não vamos nos trancar num armário como um par de adolescentes excitados.


- Sim, nós vamos. - Meio cego, conduziu-a entre a multidão enquanto ela balbuciava um protesto.


- É uma loucura. O que é você, um andróide de prazer? Pode se conter perfeitamente por algumas horas.


- Ao inferno que posso. - Harry abriu inesperadamente uma porta e a empurrou para dentro do que era realmente um armário. - Agora, Deus.


Ela colidiu as costas de encontro a parede, e antes que pudesse emitir sequer um grito de espanto, ele ergueu seu vestido e a penetrou.


Estava seca, desprevenida e chocada. Ele a estava saqueando, era tudo que podia pensar enquanto mordia o lábio inferior para se impedir de gritar. Ele foi brusco e descuidado, e reavivou a dor de suas contusões ao forçá-la repetidas vezes contra a parede. Mesmo enquanto tentava empurrá-lo, ele prosseguiu penetrando-a, suas mãos fincando acima de seus quadris, arrancando um assustado grito de dor de sua garganta. Ela poderia tê-lo detido, já que possuía um treinamento completo. Mas este se tinha desaparecido por completo dando lugar a uma profunda angústia. Não conseguia ver seu rosto, mas não tinha certeza se conseguiria reconhecê-lo se o fizesse. 


- Harry... – Era o medo profundo que divisava em sua voz - Está me machucando...


Ele murmurou algo num idioma que Gina não entendeu e que nunca tinha escutado, de maneira que deixou de lutar contra ele, segurou seus ombros e fechou os olhos ao que estava ocorrendo entre ambos.


Ele seguiu penetrando-a, segurando seus quadris para mantê-la aberta, sua respiração resvalando em sua orelha. Fazia tudo brutalmente, sem o refinamento ou controle que era uma característica tão inata dele.


Não podia parar. Ainda que uma parte de sua mente retrocedesse horrorizada diante do que estava fazendo, ele simplesmente não podia parar. A urgência era como um câncer que o devorava e tinha que se satisfazer para sobreviver. Num recôndito canto de sua mente ouvia uma voz ansiosa e ofegante: mais forte, mais depressa. Mais. Animava-o e o estimulava, até que, com uma última e cruel investida, descarregou-se.


Ela o segurou. Era fazê-lo ou cair no chão. Ele tremia como um homem febril, e ela não sabia se o tranqüilizava ou lhe dava uma surra.


- Maldição, Harry. - Mas ao vê-lo apoiar uma mão contra a parede para manter o equilíbrio, esqueceu-se da indignação e começou a se preocupar - Vamos, o que aconteceu? Quantos copos bebeu? Vamos, apóie-se em mim.


- Não. – Com a necessidade violenta satisfeita, Harry voltou a raciocinar. E o arrependimento lhe causou um nó no estômago. Sacudiu a cabeça para combater a náusea e se afastou dela - Por Deus, Gina. Deus. Desculpe-me. Sinto muito.


- Está bem. Tudo bem.


Harry estava branco como o papel. Ela nunca o tinha visto remotamente enfermo e isso a assustou.


- Deveria chamar a Moody ou a alguém. Tem que se deitar.


- Pare.


Ele afastou com delicadeza as mãos que lhe acariciavam e retrocedeu até que deixaram de se tocar. Como podia suportar que o fizesse?


- Pelo amor de Deus, a violentei. Acabo de violentá-la. 


- Não. - replicou ela, esperando seu tom de voz fosse tão eficaz quanto uma bofetada - Sei o que é um estupro. E não o fez ainda que se mostrasse um pouco entusiasmado demais.


- Eu a feri. - Quando ela estendeu uma mão, ele levantou as suas para detê-la – Maldição Gina, está machucada da cabeça aos pés e eu te jogo contra a parede de um armário e a uso como uma qualquer. A usei como se fosse uma...


- Já basta. - Ela deu um passo adiante e ao ver que ele negava com a cabeça, adicionou - Não se afaste de mim, Harry. Isso sim me machucaria. Não o faça. 


- Preciso de um minuto. - respondeu friccionando as mãos contra seu rosto. Seguia aturdido e mareado, e pior ainda, algo fora de si - Deus, preciso de uma bebida. 


- O que me leva a perguntar de novo quanto bebeu.


- Não o suficiente. Não estou bêbado, Gina. - Deu a entender as mãos e olhou ao redor. Um armário, era tudo que podia pensar. Pelo amor de Deus, um armário! - Não sei o que aconteceu, que se apoderou de mim... Perdoe-me.


- Isso eu já percebi. - Mas ela continuava sem ter uma visão de conjunto - Você não parava de dizer algo. Era estranho. Como “liomsa”.


Seu olhar se escureceu.


- É gaélico. Significa “minha”. Não voltei a falar gaélico desde que era menino. Meu pai o utilizava com freqüência quando estava... bêbado. - Vacilou antes de lhe acariciar a face - Fui tão brusco contigo. Tão indelicado.


- Não sou um de seus vasos de cristal, Harry. Posso suportá-lo. 


- Não deste modo. - Ele pensou nas queixas e protestos das prostitutas do beco que chegavam até ele através das delgadas paredes e o perseguiam quando seu pai as levava à cama - Nunca assim. Não pensei em você. Não me importei com você e isso não tem desculpa.


Ela não queria que se humilhasse. A incomodava.


- Bem, está ocupado demais se mortificando para que me preocupe em fazê-lo, então acho melhor voltarmos.


Ele a segurou pelo braço antes que pudesse abrir a porta. 


- Gina, não sei o que aconteceu, literalmente. Há um minuto estávamos ali fora, escutando Luna, e em seguida... foi superior as minhas forças. Como se minha vida dependesse de tê-la naquele mesmo instante. Não era só sexo, e sim questão de sobrevivência. Não podia controlar. Isso não é desculpa para...


- Espera. - Ela se apoiou contra a porta alguns instantes, lutando para diferenciar mulher e policial, esposa e detetive – Não acha que está exagerando? 


- Não; era como uma mão em torno de minha garganta. – Harry conseguiu esboçar um sorriso fraco - Bem, talvez essa não seja a parte correta da anatomia. Não há nada que possa dizer ou fazer para... 


- Esqueça um pouco de seu sentimento de culpa, certo? E raciocine. – Daquela vez o olhar de Gina era frio e duro como uma pedra - Uma urgência repentina e irresistível, semelhante a uma compulsão, que você, um homem com um grande autodomínio, não pode controlar? E me penetra com a delicadeza de um celibatário saudoso rompendo o jejum com uma andróide de aluguel. 


Diante daquilo sua face se contorceu e ele sentiu novamente os rasgos da culpa. 


- Sou muito consciente disso. 


- Esse não é seu estilo, Harry. Você tem seus movimentos característicos, não posso acompanhá-lo todos, mas são rítmicos e estudados. Talvez seja brusco, mas nunca egoísta. E alguém que fez amor com você em quase todas as posições anatomicamente possíveis pode afirmar que nunca foi mesquinho.


- Bem... - ele não sabia ao certo como reagir - Isso é uma lição de humildade?


- Não era você. - murmurou ela.


- Lamento desmentir. 


- Não era algo que você faria por si mesmo. - corrigiu ela - E isso é o que conta. Algo dentro de você o agarrou... Ou o impulsionou. Esse filho de uma mãe. - Conteve a respiração ao olhar a Harry nos olhos e ver que começava a compreender o ocorrido - Esse maldito tem algo. Comentou comigo enquanto dançávamos. Esteve se vangloriando e eu não compreendi. Esta foi sua maneira de fazer uma pequena demonstração. E será isso sua perdição.


Harry segurou seu braço com força. 


- Está falando de Jess Barrow? De scaners cerebrais e de sugestão? Do controle da mente? 


- A música deveria afetar o modo que as pessoas se comportam, sentem e agem. Era isso que me dizia há alguns minutos atrás, antes que começasse a atuação. Bastardo presunçoso.


Harry recordou a surpresa refletida nos olhos de Gina quando a jogou de encontro à parede e a penetrou como um garanhão ansioso. 


- Se você tem certeza disso. - disse com um tom frio. Talvez frio demais - Quero ter alguns momentos a sós com ele. 


- É assunto da polícia. - começou a dizer, mas ele se aproximou com uma expressão de fria determinação.


- Ou você me dá alguns minutos a sós com ele ou terei que arranjar outros meios de fazê-lo. De um modo ou de outro o farei. 


- Está bem. - Ela posou uma mão sobre a dele, não para impedir de segura-la e sim como um gesto de solidariedade - Está bem, mas terá que esperar a sua vez. Tenho que ter certeza.


- Esperarei. - concedeu ele. 


Mas esse homem pagaria, prometeu-se Harry, por ter introduzido um instante de medo e desconfiança em seu relacionamento.


- Deixarei que termine a atuação. - decidiu ela - Então o interrogarei de forma extra-oficial em meu escritório sob a supervisão de Hermione. Não faça nada por sua conta, Harry. Falo sério. - Ele abriu a porta.


- Disse que esperaria. 


A música seguia soando forte e os golpeou com uma nota aguda vários metros antes que chegassem ao umbral. Mas bastou que Gina saísse e abrisse espaço entre a multidão para que Jess levantasse o olhar de sua mesa de controle e se fixasse nela. Então esboçou um rápido sorriso entre orgulhoso e divertido.


E ela esteve segura.


- Procura a Hermione e peça a ela que desça para o meu escritório e se prepare para um interrogatório preliminar. - Deu um passo na direção de Harry e o olhou aos olhos - Por favor, não estamos falando apenas de um insulto pessoal aqui, e sim de um assassinato. Deixe-me fazer meu trabalho.


Harry girou o corpo e se afastou sem dizer uma palavra. Quando se perdeu na multidão, ela foi até Moody.


- Quero que fique de olho em Harry.


- Como diz?


- Escute. - Ela lhe fincou um dedo em sua vestimenta impecável até atingi-lo nas costelas. - É importante. Poderia estar em apuros. Não quero que o perca de vista até ao menos uma hora depois da atuação. Se algo acontecer com ele, fritarei sua bunda. Compreendido?


Em absoluto, mas ele compreendeu a urgência.


- Está bem. - respondeu com dignidade, e cruzou o salão com graça, ainda que seus nervos estivessem alterados.


Segura de que Moody vigiaria a Harry como um falcão mãe a suas crianças, Gina voltou a abrir espaço entre o público até chegar a primeira fila. Aplaudiu com o resto da multidão se esforçou para dedicar um sorriso de apoio a Luna quando esta subiu para cantar um bis. E enquanto continuava a ovação seguinte aproximou-se de Jess que continuava na mesa de controles.


- Um triunfo completo. - murmurou. – Eu lhe disse que ela era preciosa.


Havia um brilho malicioso em seus olhos quando a olhou sorridente e adicionou.


- Você e Harry perderam algumas atuações. 


- Um assunto pessoal. - respondeu ela - Preciso falar com você, Jess. Sobre sua música. 


- Alegro-me. Não há nada que eu goste mais.


- Agora, se não se importa. Vamos a um lugar um pouco mais privado. 


- Claro. - Fechou sua consola e digitou o código de segurança - É sua festa.


- Claro que é. - murmurou ela, precedendo-o.


 


 


 


 

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