“Todos são talentosos. Difícil é ter coragem de seguir pelo caminho sombrio através do qual o talento guia." - Erica Jong
Capítulo 2
- É assim que vai ser então? – Marlene perguntou, e eu não olhei para ela. Continuei encarando a casa do outro lado da rua deserta. – Lily, só para pra pensar mais tarde, tudo bem? Você sabe que não tem razão dessa vez. Você é quem sempre é correta, que tem os bons valores e que eu tanto admiro. Não me decepcione.
Eu não respondi de novo. Não quero brigar mais do que isso, mas eu sei que nesse momento, se eu abrir a boca, vamos brigar novamente.
Ouvi a porta se fechar atrás de mim; Marlene finalmente desistiu. Menos de cinco minutos depois, um táxi entrou na rua.
Quinze minutos depois disso, estou em casa.
A primeira coisa que eu fiz foi ferver água e tomar chá, porque os cinco minutos que eu passei na rua esperando o táxi congelaram todos os meus sistemas.
A segunda coisa que eu fiz foi, apesar da minha descrença, checar se Potter por um acaso respondeu minha mensagem. Obviamente, ele não respondeu. Talvez Marlene não tenha que se preocupar, já que meus planos vão ser frustrados. Eu ainda posso ir atrás de outro garoto, mas não agora. Eu estou tão cansada, tudo de que eu preciso agora é do meu pijama, da minha cama e dos meus edredons.
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Eu chequei o Facebook para ver se James Potter tinha me respondido. Eu chequei muitas vezes durante o fim de semana. Óbvio que ele não respondeu. Eu me pergunto por que cheguei a pensar que faria isso. É ridículo. Avaliando a situação com sinceridade, não é porque eu sou uma loser e ele é popular – minha vida não é um filme adolescente americano, embora, nesse momento, seria ótimo se fosse, porque escrever meu conto seria imensamente mais fácil. A verdade em toda a história é que ele gostava de mim e me chamou para sair mais de uma vez. E eu rejeitei todas elas. Esse fato não torna tudo mais simples, como eu tinha imaginado, e sim, mais complicado.
E a respeito da minha briga com minha melhor amiga? Eu pensei no que ela falou, por muitas horas. E eu posso ver o que ela quer dizer, e sei que está certa. O lado que ela está defendendo é aquele que eu normalmente defenderia. Só que eu sempre penso mais nos outros do que em mim. Sempre foi assim, e não quero que continue sendo. Eu decidi: vou fazer o que for preciso para correr atrás do meu sonho. Ele vem de muito tempo e provavelmente vai durar enquanto eu viver. E eu preciso, eu quero fazer acontecer.
O único detalhe é que os planos vão ter que mudar. Se eu não conseguir James, vou ter que conseguir outro cara. Sabe como é, “quem não tem cão caça com gato”, embora isso nunca tenha feito muito sentido para mim. E, de qualquer jeito, eu nunca gostei muito do Potter (checar: as três vezes que eu o rejeitei/listinha do capítulo 1), então provavelmente é só um sinal divino. De que não devemos nos envolver, nem em uma relação estritamente profissional.
Além disso, cancelei os planos de sábado com a Petúnia. Qual é o objetivo de me enfiar em lojas/salão de beleza com ela se o plano, pelo menos por ora, fracassou?
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A pior parte da minha segunda-feira, além do fato óbvio de começar mais uma semana de escola, é que os dois primeiros tempos são matemática. Eu não gosto de exatas. Nunca gostei e provavelmente nunca vou gostar. Pelo menos, olhando pelo lado bom, eu não tenho dificuldade. Mas mesmo assim. Eu quero ser escritora, então qual é a necessidade de eu saber a soma dos termos de uma progressão geométrica infinita? Ou o que são haletos orgânicos? Ou termodinâmica? Vou responder a minha própria pergunta: não existe necessidade nenhuma.
É por isso que descer do carro da minha mãe e ver a fachada da Marion Collins School na segunda-feira (ou nos outros dias da semana) me deixa tão chateada. Mesmo em dias que, como hoje, têm sol. E sol deveria ser um estimulante natural, ainda mais nessa cidade.
- Boa aula, Lily – me disse minha mãe, antes de eu descer do carro.
- Valeu – eu respondi, abrindo a porta e levantando do banco. – Bom trabalho.
Minha mãe agradeceu e foi embora, me deixando aqui, pronta para tentar me manter acordada durante as próximas horas.
Corri para dentro do prédio, apesar de hoje não estar tão frio – ou talvez seja minha roupa: meia-calça por baixo do jeans, camiseta de mangas compridas, básica de lã e outra blusa de lã por cima. Para completar, um casaco por cima de tudo isso.
Quando cheguei ao meu armário – número 234, uma seqüência perfeita – tinha alguém me esperando. Ninguém que eu jamais pudesse esperar ver ali.
- Está perdido? – perguntei, olhando em volta. – Estamos ao lado da sala de química.
- Você é engraçada, Evans – comentou James Potter, sorrindo, encostado na porta do meu armário e me impedindo de pegar meus livros. – Quem poderia imaginar.
Reprimi o tom irritado. Eu ainda estou numa missão.
- Pois é – falei, sorrindo também. Eu sei que meus dentes são algo de que eu posso me orgulhar, já que são brancos e alinhados. Junto com a cor do meu cabelo – ruivo – e meus olhos verde-esmeralda, os dentes são as únicas coisas que valem a pena, fisicamente, em mim. Sem querer me botar pra baixo, mas eu nunca faço nada para melhorar.
- Então, nesse fim de semana eu recebi uma mensagem no Facebook – ele começou a falar preguiçosamente, e passou a mão pelo cabelo, coisa que ele sempre faz quando fala comigo. Eu não disse nada, fiquei olhando para ele e esperando. – Fez com que eu me perguntasse se alguém teria algum motivo para invadir a sua conta.
Ai, Deus. Não acredito que ele, logo ele, está indo por esse caminho.
- Não que eu saiba – falei, olhando para baixo. – E fui eu quem deixou a mensagem pra você.
- Ah. – ele sorriu. Porque obviamente ele só queria que eu admitisse na cara dele. Já que foi rejeitado por mim no passado. – Certo. jpotter12 arroba hotmail ponto co ponto uk.
- Quê? – eu me perdi por um momento, prestando atenção no livro que ele estava segurando: Sonho de Uma Noite de Verão, de Shakespeare. Fiquei surpresa, de uma maneira boa, por cinco segundos. Até eu lembrar que é a leitura obrigatória da vez na aula de inglês.
- Estava só respondendo a sua pergunta.
Ah, certo, o MSN. Que eu pedi via internet porque era muito mais fácil e menos embaraçoso do que na frente dele.
- Pode repetir? – pedi, bem ridícula. – Só o início?
- jpotter12?
- Isso. – guardei mentalmente. Odeio endereços de e-mail com números. – Por que 12?
Como se isso fosse da minha conta. Obviamente, não é.
- É meu número no time de futebol. Não sou criativo para e-mails, e todas as combinações possíveis para “James Potter” pareciam já ter sido utilizadas – ele explicou, brincando com o cabelo de novo. Ele saiu da frente do meu armário, aparentemente notando que está no meu caminho. – Te vejo na aula de inglês.
E daí ele virou e foi andando pelo corredor, e depois que ele deu dois passos, um garoto o parou no caminho para falar sobre algum jogo de futebol do final de semana. Garotos.
Abri meu armário e tirei de lá os livros de que precisava, e deixei meu casaco também. Fechei a porta, e quando virei, Lene estava passando. Ela olhou para mim e sorriu, mas não parou para falar. Eu também não faço questão – não quero dizer que mudei de idéia, mas sei que o lado dela está certo. Só que preciso passar por cima desse julgamento, ainda mais agora que Potter realmente veio falar comigo e pareceu se divertir muito na conversa.
O sinal tocou, e com ele, veio o anúncio de que o dever me chama: aula de matemática.
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Sobrevivi à aula de matemática, e, uma vez que o Sr. Connor está de bom humor hoje, o dever de casa são só seis exercícios de a, b, c e d. Se ele estivesse de mau humor, teríamos no mínimo o dobro de exercícios para fazer, então isso foi uma conquista.
Mas passar por matemática não é tão difícil quando eu penso que a aula que vem depois é inglês. Inglês não é a matéria que eu acho mais ‘tolerável’ na escola, não é a ‘menos pior’, eu realmente gosto. Sempre gostei, desde que aprendemos a ler e escrever. Acho que era de se imaginar.
Cheguei na sala e sentei em meu lugar habitual, ao lado da janela. Eu adoro esse lugar porque, quando não está fazendo sol e não precisamos fechar a cortina, posso ver o campo de futebol da escola. E quando alguma turma está na época do futebol na educação física, posso assistir à aula. Embora isso me distraia um pouco, também é bastante agradável.
- Bom dia, classe – disse a professora Rolland, quando estávamos todos na sala. – Conforme o prometido, vamos discutir Sonho de Uma Noite de Verão hoje, para ajudar os desesperados.
A Srta. Rolland vai fazer uma espécie de resumo do livro que nós estamos lendo, porque aparentemente, é complicado demais. Não que esse resumo vá ajudar alguém a ficar acima da média na prova, mas pelo menos vai ajudar a organizar os pensamentos, segundo ela.
- Sim, James? – ela perguntou. Deduzi que ele tinha levantado a mão.
- Professora, não tem como dar uma adiada nessa prova? – ele perguntou. Como se algum professor fosse mudar a data de uma prova por causa da requisição de um aluno vagabundo.
- E por que eu faria isso, James? – ela indagou, de bom humor, embora todos saibam que ela não vai transferir data de teste nenhum.
- Professora, eu estou lendo o livro – ele explicou – eu juro. – Desespero? – Mas é difícil, inglês antigo é muito complicado. Então eu estou demorando mais do que esperava.
Boa justificativa, Potter. Você não convenceria nem uma criança de seis anos, mas valeu a tentativa.
- Lamento, James, mas não vou mudar a data do teste – disse a prof. Rolland. – Todos vocês já leram passagens das obras de Shakespeare antes, se não leram nenhuma delas antes. E as provas estão marcadas desde outubro.
Não dá para argumentar contra isso, James.
Ele deu de ombros lá no lugar dele. Duvido que mesmo antes de pedir a troca da data da prova ele tenha acreditado que conseguiria. Mas sabe como é: todos que conseguiram um dia tentaram¹.
Potter viu que eu estava olhando para ele (o que não era para acontecer, mas talvez me ajude na minha missão) e sorriu – isso é um pouco encorajador para eu continuar correndo atrás dessa insanidade. Meu Deus, Professora Cole, no que você me meteu?
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Depois de dois períodos de inglês, finalmente é o almoço. Não falamos apenas sobre Sonho de Uma Noite de Verão, é claro. Depois voltamos para os períodos literários, o que deixou a maioria dos meus colegas sonolentos. Eles prestaram atenção enquanto a prof. Rolland falava sobre qualquer coisa que pudesse ajudar com a leitura de Shakespeare, mas se dispersaram quando a matéria – que não cai em prova até março – começou. Engraçado que comigo tenha acontecido o contrário, porque já li a peça, e me interesso muito por literatura.
Embora agora eu esteja mais interessada na comida que o refeitório vai servir.
- Potter! – chamei, quando ele passou por mim na porta. Sim, estava esperando. Enquanto a professora falava de Shakespeare, eu pensei nas maneiras mais fáceis de me aproximar dele. Estou mesmo levando essa história a sério.
- Oi – ele disse, parando na minha frente.
- Vai para o refeitório? – perguntei. É uma pergunta de resposta meio óbvia, mas às vezes as pessoas vão almoçar na cantina, ou não almoçam.
- É, estou indo para lá. Cara, bem que podiam servir uns bifes hoje... – os olhos dele quase brilharam ao falar a palavra bife.
- É, vai sonhando – falei, e depois começamos a andar em direção ao refeitório. Depois que eu disse que estava indo para lá também. – Então, você está mesmo achando Sonho de Uma Noite de Verão difícil de ler, ou isso é só desculpa por não ter dedicado tempo pra leitura ainda?
Espero não ter soado acusadora. Isso não é o que eu quero, nem de longe.
- Tudo bem, admito que eu devia ter começado a ler antes. – Ele riu. – Mas é realmente difícil. Vai me delatar por não ser um aluno dedicado?
- Não, na verdade. É que, navegando na internet faz algum tempo, achei uma transcrição da maioria das peças shakespearianas para a linguagem atual.
- Espera – ele disse, parando, e me olhando de um jeito estranho. – Lily Evans está me aconselhando a trapacear?
- Isso não é trapacear – eu disse. – E você faz o que quiser. – Dei de ombros. – Mas a idéia é usar a “tradução” para auxiliar de um jeito rápido. Porque tem vezes que não dá para entender uma frase inteira sem ler uma dezena de vezes...
Recomecei a andar. Essa é a minha idéia de aproximação simples – sendo eu mesma. Além disso, a experiência para o conto vai ser melhor ainda, já que a personagem é uma nerd. Talvez ela possa conquistar o garoto e perceber que ele só estava com ela para não reprovar. Ei, achei uma boa idéia. Talvez eu deva anotar.
- Legal – ele falou, andando do meu lado. – Seria ótimo se você me mandasse isso.
- Tudo bem – eu disse. Espero que isso tenha resultado positivo para meu conto também, não só na nota que ele vai levar para casa.
Entramos no refeitório barulhento, lotado de alunos. Droga, a fila para pegar comida está enorme.
- Quer sentar com a gente? – James perguntou, e eu olhei instintivamente para a mesa onde ele senta: meia dúzia de atletas, meia dúzia de garotas metidas e meia dúzia de pessoas que se salvam.
- Ah, obrigada – eu falei. – Mas meus amigos estão me esperando.
E eu tenho certeza de que ele só me convidou para não ser mal educado.
- Beleza – ele falou, sorriu de novo e foi sentar com o pessoal dele. Eu fiquei assistindo durante um minuto ou dois. Ele sentou ao lado de Emmeline Vance – que é alta, loira e linda como uma modelo – e passou o braço pelos ombros dela, roubando comida de seu prato. E daí falou alguma coisa com Sirius Black – o melhor amigo dele, que é o arrasa-corações da Marion Collins, com seus olhos azul-acinzentados profundos, e o cabelo caindo em cima dos olhos como um daqueles emos, mas sem a chapinha.
Virei as costas e fui para a fila da comida. Dorcas Meadowes, que é outra da panelinha (ou Lista-A), é a última da fila.
- Ew, não acredito que vão servir esse frango nojento de novo! – ela reclamou. – Você não acha isso revoltante? – Ela olhou para mim. Muito naturalmente, como se falasse comigo sempre.
- É – concordei. – Eu odeio frango, então pra mim é sempre nojento.
Ela sorriu.
- Pior ainda com essas... cenouras e... o que é isso? Vagem? No frango?
Eu me servi de todo o resto: arroz, batata, salada. Mas deixei o frango pra trás.
- Tchau, Lily – disse Dorcas. – Até depois.
- Tchau – falei. Eu me pergunto se isso é só um reflexo de ter sido vista falando com James. Talvez a Lista-A tenha um código de honra que diz que “os amigos dos meus amigos também são meus amigos” ou coisa assim. Não que James Potter e eu sejamos amigos.
- Oi – disse para as pessoas com quem me sento normalmente. Além de Marlene, que não está aqui.
- Ei, Lily – me cumprimentou Alice, e o namorado dela, Frank, disse “oi”.
Sentei, olhando desanimadamente para a comida no meu prato.
- Viram Lene? – perguntei.
- Ela foi conseguir uma ajuda em cálculo com o Diggory – Frank respondeu.
Marlene não costuma deixar o almoço passar. Ou ela está desesperada com cálculo e foi procurar ajuda com o seu amigo sênior, ou ela quer simplesmente evitar alguém ou alguma coisa. No caso, a resposta poderia ser eu e mais discussão.
- Como é que vocês conseguem comer isso? – mudei de assunto, reparando que o prato de todas as pessoas na mesa continha uma boa quantidade de frango com cenoura e, segundo Dorcas, vagem.
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Acho que comentar as aulas seguintes (dois períodos de biologia – a ruína da minha vida escolar – e educação física – também conhecida como tortura) seria uma forma inútil de gastar tempo. Gostaria que eu pudesse pular as aulas na minha vida também.
Peguei o metrô para ir pra casa, e fiquei feliz quando encontrei a Petúnia no sofá, vendo alguma coisa na televisão. Deve ser bom estudar em uma escola a duas quadras de casa.
A verdade é que eu preciso da Petúnia de novo. Já que a fase um do meu plano deu certo, tenho que continuar com ele. E isso inclui a necessidade de ajuda vinda da minha irmã.
- Petúnia, que bom que está em casa! – fiz parecer que eu realmente estou animada com esse fato. Tenho de estar, certo?
- Que foi? – ela perguntou, tirando os olhos da tela. O que é incrível, considerando que quem está nela é Brad Pitt.
- Tá passando Entrevista com o Vampiro? – perguntei.
Não importa! Não posso ficar em casa.
- É – ela respondeu. – É por isso que é bom que eu esteja em casa? – perguntou, irônica.
- Não – falei. – Lembra que íamos fazer compras, e depois íamos no salão, no sábado? – Ela assentiu e eu continuei. – Sei que cancelei, mas será que não podemos fazer isso hoje?
- Não – ela respondeu. – Eu tenho que estudar. História.
- Eu ajudo você quando chegarmos – propus. – Você sabe que eu adoro história, e sempre tiro notas boas em todas as provas.
- Já estudou a Guerra Fria? – ela perguntou. Obviamente ela está considerando essa idéia como muito boa: minha ajuda em história (apesar de ela estar fazendo o último ano de escola, eu sempre fui muito melhor do que ela nessa matéria) e mais: compras e salão de beleza.
- Sei tudo de Guerra Fria – falei. O que é mentira, já que eu ainda não estudei, mas eu gosto de história o suficiente pra saber alguma coisa. E depois é só pegar o livro de história dela e ler o capítulo do assunto.
- Tá, sua mala – ela disse. – Vou fazer esse favor pra você.
Passo 2: completo.
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Petúnia e eu entramos em umas trinta lojas, sem mentira, e isso é muito mais do que eu podia agüentar. Quando terminamos, e eu vi a quantidade de sacolas que tínhamos para carregar, perguntei:
- Petúnia, será que nós não gastamos além da conta?
E será que meu pai não vai querer nos matar?
- Relaxa, Lily – ela respondeu. – Está dentro do permitido. Até porque você só compra roupa, tipo, uma vez por ano, então é muito justo.
Depois disso eu dei de ombros e não falei mais nada.
O salão de beleza foi a parte mais dolorida e difícil de agüentar. Pelo menos, por ser segunda-feira, estava pouco movimentado.
Petúnia só passou as instruções para o Dylan, cabeleireiro preferido dela:
- Dylan – disse ela – essa é a Lily, minha irmã. Confio em você, então olha para ela e decide o que fica bem. Ela não vai dar um pio. – E me olhou como quem diz “se você abrir a boca, vai ser torturada quando chegar em casa”. Sendo que o cabelo é meu, e a escolha tinha de ser minha. Mas eu, nesse aspecto, confiava mais nela e no Dylan do que eu mim mesma.
- O seu ruivo é natural? – ele perguntou, com aquela cara maravilhada que algumas pessoas ficam ao ver meu cabelo. Coisa que eu nunca entendi.
- É – eu respondi, sentando na cadeira que ela me indicou e me olhando no espelho. Quanto tempo fazia que eu não cortava o cabelo? Uns seis meses? O estado dele era deplorável.
- Menina, eu conheço mulheres que matariam por um cabelo desses – ele falou, e eu sorri sem-graça, sem saber o que dizer.
Não sei quanto tempo se passou até que ele finalmente terminasse, mas sei que foi longo.
- Pronto, Lily – ele disse. – Acabei.
Eu me olhei no espelho, finalmente prestando atenção. Não acreditei no que eu vi.
- Ai, meu Deus – foi o que eu disse.
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N/A: Sabe quando você fala, fala, fala e não diz nada? Foi essa a impressão que eu fiquei desse capítulo. Até pensei em mudar, mas qualquer mudança que eu fizesse ia acabar caindo no mesmo final, então deixei assim mesmo e me dediquei pro próximo. Espero que não seja tão decepcionante e que depois de ler vocês voltem aqui mesmo assim.
Obrigada pelos comentários e elogios para o capítulo 1!
Fernanda M.
P.S.: Eu revisei o capítulo depois de colar tudo no editor de texto do FeB, mas por alguma razão, alguns pedaços de frase se perderam da outra parte (da frase) e foram parar no fim dos parágrafos. Então, se tiver algum erro desse, me avisem por favor. Obrigada.
Além disso, cancelei os planos de sábado com a Petúnia. Qual é o objetivo de me enfiar em lojas/salão de beleza com ela se o plano, pelo menos por ora, fracassou?
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