Nome da fic: Todos os Segredos da Meia-Noite
Autor: Mr. Mordred
Pares: Severus Snape/ Hermione Granger
Censura: 18 anos
Gênero: Darkfic/ Romance.
Spoilers: HP 6 e 7, contudo, levemente UA
Resumo: Esta fanfiction é uma resposta ao 5º e 9º Desafio de Plots do Snape Fest 2006.
Disclaimer: Tudo e todos que você consegue reconhecer são de JKR.
CAPÍTULO 11: O Barqueiro
Chovia desesperadamente, e, amanhecia, mas o sol não despontava entre o amontoado pálido de espessas nuvens, que se estendia longamente, pelo que antes fora povoado pelo gentil azul do céu.
As gotas pesadas d´água caiam sobre o lago, formando ondas, pequenas e espiraladas, que cresciam, davam à luz a novas ondas, e morriam, sempre neste mesmo ritmo, fazendo com que a superfície negra, se tornasse tempestuosa.
Ele estava à beira daquele lago, era um costume, nada poderia mudá-lo.
Deitado sobre a grama encharcada, suas longas madeixas negras – como um véu ônix – arranjadas displicentemente, sobre as folhas verdes, que sussurravam abaixo de sua pele.
A sua capa era um amontoado de tecido embevecido às suas costas, e sua pele sobressaia bruscamente à paisagem, talvez formando algum par com o albinismo excêntrico das nuvens.
Tremia apertando as mãos contra o corpo, procurando o calor que lhe fugia, enquanto o frio cortava seus ossos. Mas os anos lhe provaram que a dor era algo bom, quando se precisa dela para se recordar de que ainda está vivo.
– Está chovendo – disse a voz conhecida de Dumbledore as suas costas, mas Severus não se virou para vê-lo, continuou na posição que se encontrava, fitando obsessivamente o gigantesco lago que se estendia como uma visão assombrada em um sonho.
– Ela nos deixa melancólicos, não é mesmo? Sempre apreciei a chuva... – Disse Severus, sua voz rompendo trêmula pela garganta rouca.
– Você sempre gostou das grandes tempestades, como uma criança admirando o fogo. – A voz dele soou mais perto desta vez, e Severus soube que o velho mago estava sentado próximo, provavelmente admirando a paisagem também.
– Ela me deixa melancólico... – ele completou, para o vazio, e para o silêncio.
– Tenho tudo para acreditar que só chove, porque você está melancólico, e eu me pergunto... Por que está chovendo Severus? – Mas agora a voz de Dumbledore soava distante, muito distante, e quando o ex-mestre de poções se virou, o Diretor não estava mais lá.
Não, não estava preparada para aquilo, não queria conviver com Snape totalmente – ou queria? –, era como se não pudesse despistá-lo, como se afastar daquele homem fosse impossível, e toda a vez que ela se aventurava a repensar as atitudes do professor, seu braço formigava suavemente.
O Professor Slughorn o havia requisitado durante um segundo, para perguntar se havia determinado ingrediente, e o Professor Snape, respondeu tão rápido uma negação que Hermione teve a sensação de que Snape não queria certos ingredientes nas mãos erradas, e fez questão de levá-los consigo, seja lá onde fosse seu quarto.
E então os olhos negros dele caíram sobre Harry por um segundo, e se desmancharam sobre o livro aberto. Hermione teve a curiosa certeza de que ele havia segurado o ar na garganta, quando cerrou os punhos e se tornou pálido como aquela manhã.
Mas ao invés de dizer qualquer coisa, dispensou um rápido comprimento a Slughorn e girou-se sobre os calcanhares, fazendo sua capa e madeixas deslizarem em uma semi-curva ondulante e totalmente sua, quando caminhou para fora da sala, sem lançar mais nenhum olhar, mesmo que de desprezo para seus odiáveis alunos.
Ela tinha um fascínio por ele, o modo como apenas aspirava o aroma – qualquer aroma – de uma poção e identificava qual era, do que era feita, e o que continha. Era um sentimento acadêmico e devoto, como se estivesse implorando para ser sua pupila.
As aulas de magia vermelha, entretanto, não se constituíam, em abrir frascos e aspirá-los, a fim de descobrir do que se tratavam. Era mais completo, mais intenso, e com o passar das aulas quase podia sentir Snape palpitando dentro dela.
– Srta, Granger, concentre-se! – Ouviu a voz de barítono ecoar e voltou a atenção para o que ele propriamente dizia, e não para os seus movimentos longos e articulados – não importa o que ache dessas aulas, precisará delas para se defender!
Ele respirou profundamente e prosseguiu, parecendo entre irritado e entediado, como se não soubesse como se livrar dela o mais rápido possível, mas em vez de expulsá-la de uma vez por todas, ele se recostou sobre a mesa de ébano, a madeira brilhando para as luz das flamas, assim como o próprio professor, e atirou os cabelos negros para as costas.
– A Srta. ou é a mulher mais frígida que já conheci, ou não tem o mínimo dom para magia vermelha! – Ele ressonou e suas palavras a envenenaram profundamente.
– Talvez esteja escolhendo métodos que não sejam, eficazes em mim! – Ela ponderou mantendo a compostura, mas não sem curvar as sobrancelhas em um ângulo que dizia: “posso admirá-lo, mas não quer dizer que o tolero”.
Ela teve uma certeza terrível de que ele iria responder à altura, mas em vez de torcer sua voz, nas palavras que a feririam, Snape se curvou repentinamente, segurando o antebraço esquerdo com firmeza – e certo desespero – sufocando uma exclamação de dor na garganta.
– Suma daqui! Tenho coisas importantes a fazer! – Ele entoou com rudeza, lhe dirigindo um olhar que beirava o desprezo, mas o sentimento não chegava a brilhar sobre suas íris, era uma máscara sutil, que escondia temor abaixo de sua estrutura de porcelana.
Mamãe disse que a porcelana sempre intimida, se posta da forma certa – a mente de Hermione invocou – mas se cair no chão, no mais sutil dos golpes, se transformará em mil pedaços inutilizáveis.
E de alguma forma, aquilo que palpitava dentro dela – aquela dor aguda, que ela achava ser o que Snape havia incutido dentro dela – lhe falou que o Diretor teria bons conselhos a lhe dar sobre isso, enquanto a porta de carvalho se fechava e a capa negra e ondulante desaparecia atrás dela, como a cauda de um dragão.
A sala do Diretor estava escura e gentilmente afagada pela brisa da noite, o velho mago estava sentado à mesa analisando quaisquer papéis, mas ele voltou seus olhos incrivelmente azuis para ela, quando adentrou em sua privacidade.
– Gostaria de avisá-lo, senhor, que o Professor Snape foi convocado. – Ela disse rapidamente, em um único fôlego, e os olhos de Dumbledore se tornaram opacos por um único segundo, em que ele girou sutilmente o seu belo anel entre os dedos e então voltaram a refletir todo o ambiente a sua volta.
– Obrigado, Srta. Granger, por me avisar do fato. – Ele deitou as mãos sobre o tampo lustroso da mesa, e Hermione teve novamente a visão aterradora de sua mão negra e ressecada, como uma planta morta e desidratada pelo sol forte.
Mas então aconteceu aquele mistério eterno, aquilo que fazia Dumbledore parecer onisciente: ele a convidou a se sentar com um aceno de mão, e disse docilmente, com seu sorriso, que escreve com letras fortes “eu sei o que você fez no verão passado”:
– Talvez queira me dizer algo mais? Eu adoraria compartilhar com a Srta. uma adorável conversa!
– Grata, professor! – Então ela se sentou, e aceitou uma xícara de chá que foi delicadamente oferecida, enquanto ela remoia o que andava sentindo por estes tempos.
Era confuso, como uma onda que não queria levá-la nem para frente, e muito menos para trás, de modo que ela nunca conseguisse pisar na areia da praia. O que sentia? O fascínio que desenvolvera pelo Professor Snape, havia diluído em água fresca, o que um dia cultivou alegremente por Rony.
Era como, viver de frutas frescas em uma praia deserta, e então, em um deslumbre, conhecer um manjar dos deuses, mas não poder tocá-lo, mesmo que pudesse sentir o sabor de cada prato salpicando em seus lábios.
E então, Remus Lupin com seus olhos gentis, transformados em algo que lhe dava arrepios, como se estivesse no meio de uma disputa por posses. As palavras doces dele, lhe atiravam em uma espécie de realidade alternativa, recheada de encanto e beleza, em uma saudável vida, onde o amor seria regado placidamente, para fazer florescer cada vez mais os jardins coloridos e gentis daquele sentimento, como a primavera faz crescer as pétalas das flores, ao redor do castelo.
Mas aquilo era ilusório, tão perfeito que Hermione não se atreveu a retribuir as investidas do lobisomem, até porque todas as vezes que ele lhe concedia aquele olhar esperançoso, ela via os olhos marejados e decepcionados de Tonks.
Entretanto, sempre que pisava na nova sala de DCAT, era posta no escuro, em um gigantesco abismo do qual não podia ver o início, nenhuma luz que lhe dissesse onde havia caído, mas a segurança inevitável que o Professor Snape lhe causava.
E se ele dissesse para fechar os olhos e pular do abismo? – Perguntou a maldita voz interior, aquela que tinha um timbre conhecido, que Hermione não ligou a ninguém em especial.
Ela diria “Sim, professor”, e saltaria alegremente, desde que ele mantivesse o som de sua voz perto o bastante, para não deixá-la cair naquele outro terrível abismo; o do desamparo, onde não havia flores, ou a escuridão da segurança cega.
Mas você não confia totalmente nele – a voz disse novamente, e Hermione foi obrigada a concordar novamente, pois não havia motivos (totais) para confiar ou desconfiar daquele homem, por mais, que este ano ela sentisse que alguma melancolia exagerada rompesse dele.
Ou talvez fosse apenas a chuva, que a estava deixando melancólica.
– O Professor Lupin parece encantado com sua companhia, Srta. Granger – disse Dumbledore inesperadamente, e Hermione foi arrancada de seus pensamentos com fulgor.
– Do mesmo modo como Tonks está encantada com a companhia dele, Diretor. – Ela soltou o ar que ainda havia em sua garganta em uma única golfada – sinto como se o Senhor previsse algo para mim, mas não achasse interessante o bastante dizê-lo.
Ele se ergueu de sua poltrona, os olhos azuis recebendo um tom enigmático, enquanto ele caminhava até alcançar a janela, a luz do luar o banhou inteiramente de mistério e poder, as mãos enlaçadas atrás do corpo, como ela sabia que ele fazia, quando conversava algo importante com Harry.
Mas agora não era com Harry.
Era com ela.
– Srta. Granger, você assinou um acordo comigo, e lá concordou aceitar os meus julgamentos, eu espero que o cumpra, pois é essencial, para a derrota do que vira após a segunda queda do Lorde das Trevas.
Ela se sentiu confusa:
– Eu sempre acreditei que após a queda dele, tudo estaria certo novamente, a não ser pelos Comensais que restarem, mas isto não me parece o mais terrível, pois sem o pulso firme de Voldemort, os Comensais são muito pouco. – Disse sem se preocupar em parecer mais discreta.
– Você é um símbolo Srta, Granger. É agora, e será após da queda do Lorde das Trevas, um símbolo sobre como lutamos, e demos nossas vidas pelos nossos ideais, pela nossa liberdade! – Ele se virou inesperadamente, sua longa barba dando uma volta graciosa no ar, com a brutalidade do movimento.
– Eu sei Senhor, e estou disposta a morrer por isso! – Os olhos dela brilharam como chamas.
– Não Srta, Granger – sussurrou Dumbledore – o destino lhe reservou algo muito mais interessante do que a morte, mas para sobreviver à morte, você precisa dar duas moedas de ouro ao barqueiro, para que ele lhe traga de volta, quando atirarem a primeira pá de terra em seu túmulo.
Hermione piscou.
– Senhor... – ela pensou na pergunta certa, a que estava esperando para ser respondida atrás daquelas palavras confusas – quem é o barqueiro?
Mas em vez de responder com um nome, Dumbledore se ajoelhou ao lado da poltrona em que estava sentada, suas longas vestes azuis formando um mar sedoso aos seus pés. Ele aproximou cuidadosamente sua mão fechada em punho, perto de onde os olhos de Hermione poderiam vê-la suficientemente bem, e então abriu-a lentamente, seus dedos envelhecidos formando um balé gracioso e envolvente.
Quando todos os dedos estiveram abertos, ela viu sobre a palma do bruxo, uma bela mariposa negra, suas asas bem desenhadas deitadas sobre a pele alva, formando um contraste exoticamente estonteante.
– Dizem que as mariposas – principalmente as negras – são criaturas infernais, agourentas, que carregam em suas asas, o convite irrecusável da morte. Mas para entender o quão precioso e admirável é este outro símbolo, você precisa primeiramente conhecer o seu inferno pessoal...
– Inferno pessoal senhor?
– Sim – a voz dele parecia oscilante e fantasmagórica, e então ele se aproximou com um olhar vidrado sobre o rosto – pois todos temos nosso inferno pessoal, aquele lugar onde juntamos tudo aquilo pelo que achamos que temos que pagar! Mas você sabe onde está o inferno desta mariposa Srta. Granger?
Hermione meneou a cabeça negativamente.
– Aqui dentro. – Dumbledore levou as mãos à testa, batendo suavemente três vezes com seu indicador. – E quando você conhecer o seu inferno particular, vai descobrir que atrás desta fuligem negra que a encobre, há a mais graciosa e frágil das borboletas...
A bela mariposa se sacudiu sobre a palma de Dumbledore, fazendo seu pigmento negro se desprender de suas asas, como se fosse uma poeira agourenta, acumulada durante anos, e então se tornou vermelha e reluzente, e voou em grandes espirais pelo cômodo até desaparecer na escuridão palpável.
Ela correu pelas longas escadarias espiraladas da Torre de Astronomia, segurando em uma das mãos, um lampião, cuja luz dourada, como uma estrela em meio à escuridão, projetava sombras confusas nas paredes, enganando os olhos ludibriados dos expectadores atentos.
Em seu topo, a Torre era escura a meia-noite e o vento sussurrava em seus ouvidos todas as antigas maldições que circularam por aquele aposento inteiramente aberto, em um passado distante e esquecido.
Ele transpassava em curvas, e erguia poderosamente a capa de seu sobretudo escolar, assim como as formosas ondulações castanhas de suas madeixas, enquanto o seu olhar agudo procurava avidamente pela sombra escura que em algum momento cortaria os gramados da escola, pois fora isso que ela acreditava que Dumbledore queria lhe dizer.
Para esperá-lo e conhecer o seu inferno. Pois talvez ele fosse o barqueiro, e a faria ressurgir como uma fênix.
Só não compreendia totalmente por que ela se moveu até aquele ponto escuro de Hogwarts e se pôs a esperar, uma espécie de força oculta dizia que ela precisava entender, então tomou como um conhecimento acadêmico, por mais que soubesse que havia uma espécie de...
Devoção.
Você pegou isso dele – disse a voz – ele tem essa devoção.
Respirou o ar perfumado da noite. Não havia explicação alguma, ela estava seguindo seus instintos, que lhe diziam que aquele homem precisaria de algo que ela tinha dentro de si, que aquela escuridão precisaria de uma luz, quando ele caísse.
Porque ela sabia que ele iria cair.
Está apaixonada por ele, Hermione? – a voz perguntou, e Hermione se espantou, pois ela tinha o timbre engraçado e irônico de Luna, e ela chegou a virar para ver se a pequena loura estava presente, mas não estava, era apenas o seu ventrículo mental a imitando.
– Não, não estou – respondeu resoluta em voz alta, e sua voz colidiu estranhamente contra as paredes, e voltou aos seus ouvidos, como se não fosse sua. – Estou fazendo por ele, o que faria por Harry!
Mas você sente os lábios dele, se lembra de seus olhos, você...
– Cale-se! – Ela tremeu com ódio, aquela voz falava e pensava tanto como Luna, que estava a deixando atordoada.
Mas aquele sentimento não permitiu que seus olhos perspicazes, perdessem um movimento suave a suas costas, e ela se virou a tempo de ver uma mariposa negra mergulhar na escuridão, atrás das estruturas de metal escuro, que rangiam com o sussurrar do vento sobre seus corpos frios.
Ela a seguiu na curva apressada sobre o chão de ferro, e adentrou inquietamente em um trecho amplamente iluminado pelo luar pleno, mas Hermione não se precaveu o suficiente, para se recordar de segurar a sua respiração arquejante, quando viu, de costas para si, com as pálidas e longas mãos presas a linha de balaústres gelados, que cercavam o alto da torre, o homem que procurava.
A sua longa capa negra chicoteava a ventania que se tornou intensa, com um mau presságio sobre tempestades quando a noite se tornou fugaz e melindrosa, espiralando atrás de seus ouvidos e capas, sinalizando que a hora é nenhuma, independente do que os seus confiáveis relógios tem a lhes dizer*.
– Professor Snape... – Hermione pronunciou, e sua voz não foi nada mais do que um sussurro oscilante, que cortou bravamente o silêncio que se impunha entre eles.
– Srta. Granger... – a voz dele se entrelaçou a cada um de seus nervos, e entrou debaixo de sua pele, para devorar a sua alma, fazendo com que ela desse um passo para trás, quando ele se virou em sua direção e mostrou seu rosto pálido e frio, jamais suscetível a uma mudança, a mesma expressão de quem vê o mundo passar como um expectador da carnificina, de quem não se importa caso algo lhe aconteça.
Mas ele se importava, ela sabia.
Porque aquele homem era de porcelana.
E havia sangue em suas vestes, e um longo corte na base de seu maxilar, semi-escondido pelo dançar magnético de seus cabelos negros, mas não capaz o bastante de encobrir os seus olhos, aqueles profundos poços.
Esse é o abismo em que você se afunda – disse a sua Lunática interior – é esta a escuridão da qual não pode escapar...
Ele deu um passo a frente, sua capa açoitando violentamente, e o seu rosto se tornando uma fusão enlouquecida de ódio e frieza, como uma fera ferida, perdida em algum lugar do qual não consegue sair. Sem poder escapar daquilo que irá devorá-lo.
Então toque nos lugares certos!
– Professor, deixe-me ajudá-lo, por favor. O Senhor está ferido!
Ele recebeu sua proposta com uma risada de escárnio, tão profunda que cortou seu coração, e ela percebeu que não adiantaria perdoá-lo do que ele havia feito, pois Severus Snape havia criado seus próprios fantasmas.
Você conheceu o seu inferno. Agora tem de lidar com ele.
– Eu não preciso da sua ajuda sua Grifinória inútil, então suma daqui antes que eu arranque todos os pontos da sua casa, e acredite, se alguma palavra sobre isso for dita a qualquer um, nunca mais vai ouvir falar de Hogwarts! – Ele rosnou feroz, se aproximando, mas dessa vez ela não se moveu.
– O Senhor sabe que eu não ousaria contar qualquer coisa. – As sobrancelhas femininas se franziram por um instante, como se cogitasse alguém a quem contar aquilo, mas não havia, e mesmo que contasse aos garotos, de que valeria? Eles inventariam coisas que incriminariam Snape em vez de conceder-lhe um crédito.
Ele merecia algum crédito ou era culpado? Aquele sangue era dele ou de outros?
O seu braço formigou novamente, e ela não resistiu ao impulso de esfregá-lo sutilmente, enquanto dava um passo à frente e era iluminada completamente pelo luar, que a abraçou como uma filha amada.
– Deixe-me pelo menos chamar Madame Pomfrey! – Ofereceu novamente, quase em uma súplica, e desta vez ele se aproximou perigosamente, em apenas um passo felino e silencioso, e se pôs a frente de Hermione, seus rostos a centímetros um do outro, e o único contato morno que existia agora, era o choque do ar da respiração dele, contra sua pele.
– Vá embora! – Ele sussurrou lenta e fatalmente, como era de costume fazer, e todos sabiam que quanto mais suavemente ele falasse, mais enraivecido ele se tornara, e seria terrivelmente perigoso caminhar em um terreno tão letífero quanto aquele, mas ela fora inevitavelmente escolhida para a Grifinória, e resolveu que iria em frente.
Que lutaria.
– Não.
Ele respirou profundamente, e os seus olhos deixaram de ser frios e desprovidos de sentimento, para adquirir uma atmosfera sombria e banhada em ódio e veneno, podia ver que suas mãos estavam tremendo quando ele as fechou em punhos ao lado do corpo.
– Está tão desesperada por pontos, Srta. Granger? Eu soube do seu terrível fracasso com o Professor Slughorn! – Ele sorriu desdenhosamente e acrescentou seu “tsk, tsk, tsk” ao final da frase, para soar como se estivesse desapontado.
Ela recebeu aquilo como um tapa no rosto, como água fria após um adorável banho quente, e seus olhos fraquejaram de ódio. Vencida por um livro ridículo, com anotações ridículas de algum garoto – ou garota – ridículo e sem escrúpulos que gostava de ir contra as vontades do professor.
– Um dia a sua fantasia de intocável iria cair, e eles veriam o quanto você é incapaz sem um livro-texto para decorar. – Ele rangeu, seus olhos se tornando escuros e apaixonados, como os de um assassino que revela os motivos que o fazem matar.
Hermione teve de sufocar um soluço que beirou a sua garganta, e gritou com força:
– Pelo menos eu não os menosprezo por isso, eu os trato com valor, com a ajuda de um livro ou sem, eu sei reconhecer o valor que eles possuem, sem humilhá-los, sem tratá-los como se eu fosse o único ser perfeitamente capaz de realizar alguma tarefa e eles fossem menos do que vermes! Diga ao seu mestre que a Sabe-Tudo nascida trouxa falhou, e que agora ele tem motivos para instalar seu reinado negro, pois a melhor amiga sangue ruim de Harry Potter, está arruinada!
E então ela se virou abruptamente para sair, mas seu braço foi encarcerado pelos longos dedos dele, e Snape a encurralou contra os balaústres frios, entre os quais o vento soprava e uivava.
Os seus olhos estavam pregados nos dele, afogados nele, e um pouco do seu ódio e repugnância foi diluído pelo que viu ali.
Admiração, ou algo próximo disso, muito próximo. Era uma gentileza disfarçada, uma espécie de apreciação procrastinada, que foi consumida por alguma repugnância interior, que era referida a ele, nunca a ela.
As suas mãos agora estavam ao redor de seus ombros, seus dedos apertando sua carne macia sob as camadas de tecido, quando os lábios dele se moveram lentamente, sussurrando:
– Jamais repita isso. – Foram apenas aquelas palavras, que diziam muito, em conjunto com os olhos.
Estava para se afastar dela e partir, desaparecer na escuridão, como um sonho espiralando para o infinito, quando os seus impulsos a fizeram agarrar as beiradas da capa negra e puxá-lo para junto de seu corpo, unindo seus lábios aos dele.
Era um contato frio e quente, insano e divino, regado de suspiros entrecortados, enquanto ela apreciava muito lentamente e quase timidamente o sabor impetuoso dos lábios dele, paralisados pelo sobressalto, mas os olhos estavam fechados.
E ele se esqueceu, ela teve certeza disto.
Pois os lábios dele se moveram sobre os seus em um suspiro de ar, e ela estava prestes a envolvê-lo com seus braços, suas mãos escorrendo para as madeixas negras, quando ele se afastou violentamente, com um toque de assombro nos traços fugazes de seu rosto.
E...
Desapareceu na escuridão, deixando-a para trás, arquejante.
Sozinha.
(N/A): FINALMENTE! Revisem, por favor!
Bom, quero pedir perdão pela demora, eu estava sofrendo de uma terrível falta de idéias, mas gostaria de agradecer principalmente à Jansev, Dark Lady BR, Dinha Prince e claro, Tamara, que ficaram me cutucando para que o capítulo fosse ao ar!
E então, como eu postei... eu quero no mínimo cinco reviews, se não, não irei postar o próximo capítulo *Mr. Mordred fazendo cara de emburrado*.
* Inspirado em uma passagem de LOVE (Stephen King).