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DE:... PARA:...
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"Oi, Monica,
Aqui as coisas estão como sempre, estudando, papeando, dormindo em sala de aula, ajudando o professor com os alunos que subestimam o veneno do acônito... A mesma rotina de sempre.(...)
Cerca de doze alunos estavam concentrados na estufa número cinco. Haviam se divido em quartetos ao redor de uma planta alta com flores roxas. Hugo já havia conseguido retirar sua muda e arrumava com dificuldade o recipiente em que teria que plantá-la devido às luvas e aos óculos embaçados. Quando finalmente havia conseguido colocar o pequeno pedaço da planta corretamente na terra ouviu um grito agudo atrás de si.
"Professor Longbottom!" gritou Lily. "Rápido!"
Segundos depois todos da sala já se aglomeravam ao redor de Louis Tearence, companheiro de quarto de Hugo e Alec, que havia convulsionava no chão. O professor mal havia pegado o garoto para levar à ala hospitalar quando se ouviu outro baque surdo e Hugo se virou para ver uma garota da corvinal também convulsionando. Alguém murmurou que ela havia levado a mão com a luva à boca. "Eu levo ela, professor." E no instante seguinte Hugo corria com a garota nos braços atrás do professor enquanto tentava imaginar como que as pessoas chegam aos N.I.E.M.'s em Herbologia se nem sabem que o acônito é uma das plantas mais venenosas que existem...
(...)E eu não treinei o gato, mas vai ver que ele também já tinha ouvido sobre as minhas peripécias na pista de dança. Fiquei famoso e nem sabia.
E me conta essa história direito. Como assim um assalto?! Tem certeza que está tudo bem? Te machucaram como? Onde?
Abraços,
Hugo"
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"Hugo, Hugo...
Dormindo em sala de aula? Que lindo, hein? Sabe, esse é o ano crucial da escola. Vais traçar o teu futuro de acordo com tuas notas, não é hora de tirar cochilos, né?
E não te preocupe que estou ótima. De verdade. Dói um pouco pra caminhar, mas tenho ajuda. Teoricamente a Kate e a Mel iriam se revezar em casa pra cuidar de mim, mas a Mel sempre está muito ocupada e a Kate agora tem ensaios quase todos os dias. Mas o Phillip está passando as férias aqui então ele está sendo minha babá. Já te falei do Phillip? Ele é irmão da Kate e estudou comigo e James em Hogwarts. Ele está sendo ótimo. É até um tanto estranho, sabe, fazia muito tempo que a gente não se via e agora estamos sempre juntos. E só posso dizer que há anos não assistia tantos filmes trouxas em tão pouco tempo.(...)
Um colchão com diversas almofadas havia sido colocado na sala e Monica descansava. O sofá agora servia apenas de encosto. Ela assistia um seriado americano antigo sobre um alienígena peludo. Ela viu uma luz sair da cozinha e sorriu, minutos depois Phillip surgiu de lá com uma travessa de pipoca em uma das mãos e duas garrafas na outra.
"Tem um botão no microondas que diz 'pipoca', não é tão difícil." Monica zombou. "Não precisavas ter enfeitiçado elas."
"Eu acho pipocas enfeitiçadas muito mais saborosas." Phillip disse ao se sentar ao lado de Monica no colchão. "Cerveja amanteigada? Não? Tu que sabes, duas pra mim então." Disse ao abrir a primeira e depois se virou para ela com uma expressão eufórica no rosto. "Pronta para uma experiência cinematográfica fantástica?"
"Pelo que vi na capa, esse não é bem meu tipo de filme. Mas tem suas compensações: milho estourado." Monica disse ao pegar uma porção de pipoca e colocar na boca, depois continuou, com a boca ainda levemente cheia. "Como é mesmo o nome do filme?"
"Consegues ser muito charmosa quando queres, sabia? Tem pipoca caindo da tua boca." riu Phillip juntando alguns pedaços de pipoca do rosto de Monica. "E o nome é 'Zoltraz'. É sobre zumbis comedores de cérebro. Disseram que é uma hora e meia de sangue para todos os lados."
"Estou ficando enjoada só de imaginar." Monica disse enquanto fazia um copo de água flutuar até ela. "Podias ter escolhido um com mais enredo e menos mortes."
"Mas eu gosto de filmes assustadores. Além do mais," disse Phillip colocando seu braço atrás dos ombros dela, "sempre que te assustas eu acabo sendo agarrado. E sei que precisas de uma desculpa pra fazer isso."
"Tu não vales um ovo, Phillip." disse Monica ficando levemente enrubescida. Mas por mais que quisesse desmentir, ela sabia que era verdade. Sentia-se péssima por isso, mas a verdade é que ele ainda a atraía mais do que ela queria admitir. Mas resolveu aproveitar o momento e se aconchegou no ombro de Phillip enquanto o primeiro dos zumbis se arrastava pela tela.
(...)Não bastasse isso, tenho dois 'curandeiros' batendo ponto aqui em casa: Samantha e Scorpius se responsabilizaram por cuidar de mim enquanto estou nesse repouso absoluto.
Abraços entediados,
Monica"
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"Monica,
Não começa com essa história de ano crucial, por favor... Já tenho muita gente me lembrando disso o tempo todo. E ficar dizendo que o meu futuro depende desse ano em Hgwt'z não ajuda em nada, só vai me fazer ficar nervoso. E eu não consigo agir sob pressão.
E que atire a primeira pedra quem nunca dormiu em sala de aula. Pára! Baixa essa pedra aí! Agora que lembrei que eras da Corvinal. Bem típico de vocês ficar acordado em todas as aulas... Tem um que volta e meia sentava comigo na aula de Defesa e ficava me cutucando... A aula é logo depois do almoço e o professor desse ano tem uma voz muito baixinha e um tom beeeeem monótono. Tenha piedade! Só ele pra não dormir...(...)
Hugo e Sarah chegaram atrasados para a aula de Defesa Contra as Artes das Trevas. Os dois últimos lugares eram separados e com pesar Hugo viu Sarah indo sentar com sua amiga enquanto ele precisou sentar ao lado do chato número um da turma: Peter Summers, monitor-chefe. Grunhiu quando o professor fechou as cortinas deixando a sala na penumbra, o que lhe rendeu um olhar de repreensão de Summers. Repentinamente teve fome. Tudo bem, não era fome, havia acabado de almoçar, mas é que ficar entediado lhe abria o apetite.
"Então, classe." começou o Professor Trimble em sua voz grave, pausada e sem qualquer expressão. "Hoje vamos começar a estudar dementadores." A cabeça de Hugo balançou assim que o professor projetou a primeira imagem. "Criaturas feias e estranhas que por muito tempo serviram como guardas em Azkaban, na verdade ficaram neste posto até..."
Neste momento Hugo começou a se perguntar como que esse professor conseguiu fazer uma aula que teria tudo para ser divertida se transformar numa coisa tão... soporífera. Até a poeira que flutuava na mesa era mais interessante. Se alguém observasse bem elas até formavam desenhos. Pendendo a cabeça um pouco para o lado ele pôde ver um cachorro e podia jurar que ele estava correndo. Balançou a mão em frente de si para levantar um pouco mais de pó e agora a imagem que formava era de um dragão... Um verde-galês provavelmente. "Sorte que o dragão não apareceu ao mesmo tempo que o cachorro," pensou Hugo, "senão era uma vez um cachorrinho." Quando de deu conta de quão tolo era pensar aquilo, riu.
"Posso saber qual foi a piada, Sr. Weasley?" disse o professor tirando Hugo de seus devaneios.
"Ah... Nada, só tentando encontrar uma boa lembrança... A gente precisa de uma pra lutar contra os dementadores, não é?" disse enquanto se ajeitava na cadeira e colocava o sorriso mais inocente possível no rosto.
"Sim, precisam." Disse o professor voltando para o projetor de imagem. "Mas isso é para uma outra parte da matéria, então por favor preste atenção na aula."
"Sim, Professor Trimble." Hugo apenas viu que havia uma foto de um dementador projetada antes de perder novamente o foco. O clique cadenciado do projetor conseguia chamar mais a sua atenção do que as imagens em si. Ficou contando os cliques até que sentiu uma fisgada no braço esquerdo e se deu conta que estava apoiado no ombro de Summers. "Desculpe." murmurou voltando a se sentar enquanto o professor passava a foto de mais um dementador que, na opinião de Hugo, era igual ao anterior.
Passou os olhos pela sala e viu que não era o único a lutar contra o sono. Alice e Lily estavam debruçadas num papel entre elas, provavelmente jogando 'jogo da velha'. Sarah e a amiga dela, Molly McMillan, folheavam uma revista sob a carteira. Na verdade, somente Summers parecia interessado na matéria. Hugo começou a rabiscar no caderno algumas das estratégias que havia discutido com Kai mais cedo. Momentos mais tarde, sentiu novamente com uma fisgada no braço esquerdo. Havia mais uma vez dormido no ombro de Summers.
E ainda teria mais de uma hora de aula. A tarde prometia...
(...)Devia ter uma lei obrigando todo mundo a dormir em sala, colar num teste ou trabalho e quebrar alguma das regras do colégio. Quem não faz isso não vivencia Hgwt'z por inteiro.
Phillip? Não lembro de ter ouvido o James falando a respeito não... Se bem que ninguém presta muita atenção no que o James fala. A grande maioria é bobagem. E o Malfoy anda por aí, é? Algum assunto que me interesse?
Abraços,
Hugo"
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"Olá, Hugo!
Estou me sentindo ótima, obrigado por perguntar! Isso foi meu uso de sarcasmo diário, se é que não deu de notar. Faz parte da boa educação a gente perguntar pelo menos sobre a saúde da pessoa, sabia? Ainda mais se a pessoa em questão está de cama. Mas a culpa é minha, devia ter imaginado que mencionar a presença de Scorpius aqui seria o mesmo que te pedir pra falar sobre o assunto... A propósito, será que eu poderia saber o que é que se caracteriza como um assunto que te interesse? Mas acho que posso dizer que ele não me conta nada que te diga respeito...(...)
"Tem certeza que precisa mesmo disso tudo?" resmungou Monica pela terceira vez naquela noite assim que Scorpius terminou mais um exame. Ela estava sentada na cama com Scorpius numa cadeira à frente.
"E pela enésima vez: sim, tenho certeza." ele riu abrindo sua bolsa e colocando o aparelho dentro. "Acredite em mim, ninguém quer que os exames hoje terminem mais cedo do que eu."
"Até poderia me sentir ofendida com esse teu grande desejo de se ver livre de mim." Monica disse cruzando os braços. "Mas essa roupinha nova, cabelinho arrumado e sorriso bobo no rosto não podem ser só pra ires embora. E então, aonde vais levar a senhorita Weasley?"
"Em primeiro lugar, não tem sorriso bobo nenhum. E depois, quem disse que eu vou sair? E ainda por cima com Rose?"
"E precisa dizer? Essa cara de babão tu reserva só pra ela, todo mundo já sabe." disse Monica se deitando enquanto Scorpius fazia o exame seguinte. "Vocês voltaram então?"
"Ainda não." Scorpius falou arqueando as sobrancelhas. "Mas pelo menos ela está aceitando meus convites para sair. Já é um começo. Só é chato isso de ter que fazer segredo. Não somos mais dois adolescentes." Scorpius baixou a varinha. "E tu e o Phillip? Rolando uma retrospectiva dos melhores momentos?"
"Não sei do que tás falando..." disse Monica sentando novamente e tentando esconder o rosto que ficava levemente vermelho.
"Bem, tudo certo por hoje." disse Scorpius guardando suas coisas. "E não adianta esconder, Monica... Tá escrito na tua cara e na dele também."
"Sério?" exasperou-se Monica, depois continuou quase num sussurro. "Isso não devia estar acontecendo... Essa história entre eu e o Phill é passado, devia estar enterrado a sete palmos... Ainda mais agora que... Sei lá, achei que outras águas iam rolar..."
"Outras águas? Isso lá é sinônimo de outro cara? Porque sinceramente, eu nunca te vi saindo com ninguém. A não ser naquele dia... Oh! Peraí! Não tás querendo me dizer que... Hugo Weasley?" Monica apenas ficou mais vermelha. "Quem diria... Quer dizer que pretendes ser minha cunhada, é? Ou quase isso, pelo menos." riu Scorpius.
"Já tás te considerando casado com a Rose é? Ela sabe disso?" Monica tentou desviar o assunto.
"Ainda não, mas é só questão de tempo. Agora é melhor eu ir, não quero deixar a minha futura noiva esperando. E quanto ao Hugo," disse parando na porta, "só posso dizer 'boa sorte'. Vais precisar."
(...)Na verdade, as visitas dele e de Sam são o que os trouxas chamam de 'visita de médico', mal conversamos, só dão uma olhada em mim, vêem se tem poção suficiente, dão boa noite e vão se embora. Nem me contam as notícias do hospital direito. De acordo com eles é pra não me dar vontade de voltar logo.
Sem mais novidades,
Monica"
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"Monica, Monica...
Agora quem tem que puxar tua orelha sou eu. Sinceramente, nem vou discutir sobre teres que fazer repouso depois de te aventurares em um hospital trouxa. Eles te deram pontos? Meu avô (ele é dentista, lembra?) disse que é isso que eles fazem para fechar os cortes. Acho muito estranho... Mas deve ser o que se pode fazer sem uma varinha.
Mas voltando ao assunto. Tu ias mesmo querer voltar? Devias ficar contente de poder ficar em casa descansando. Queria eu poder passar o fim de semana pelo menos dormindo. Faço só seis matérias e estou arrancando os cabelos! Não quero nem imaginar a Lily... Mal vejo ela, mas também, ela está fazendo todas as doze matérias! Se bem que ela parece mais filha da minha mãe do que eu.
E desculpe a demora, consegui fazer o caldeirão explodir...(...)
Hugo correu o dedo pelas páginas do livro confirmando as instruções: 'fatiar as raízes em pedaços de meio centímetro'. Olhou para o lado e viu que Sarah afiava sua faca raivosamente. "Deixa que eu afio." disse Hugo estendendo a mão para que ela passasse a faca.
"Vais me dizer quem anda mandando tantas cartas pra ti?" disse com a faca em punho virando para Hugo.
"Cuidado com essa faca." disse Hugo afastando seu rosto. "E eu já disse que só estou recebendo notícias de casa."
"Se é só notícias de casa porque que tu ficas escondendo de mim? Tu achas que eu não tenho olhos, mas eu vi que a Kai te avisou que eu estava chegando pra ti esconderes a carta."
Hugo olhava espantado para ela quando ouviu a voz da professora. "Senhorita Perkins. Menos cinco pontos para a Sonserina. Agora abaixe já essa faca antes que eu precise tirar mais pontos." Sarah virou para o balcão novamente e passou a cortar as raízes mesmo sem terminar de afiar a faca.
Hugo respirou fundo e também se concentrou em suas raízes. Assim que terminou de cortá-las voltou às instruções do livro: 'misturar as raízes na solução e mexer oito vezes em sentido horário. A poção deverá adquirir uma coloração azul anil'. Enquanto seguia as instruções, ele tentava imaginar o que fazer. Sabia que não era muito correto esconder que estava se correspondendo com Monica, mas ao mesmo tempo não queria que Sarah se intrometesse entre os dois. Porque ela iria se intrometer, namoradas sempre se intrometem. Próximo passo: 'adicionar três gotas de essência de beladona e mexer três vezes em sentido anti-horário e uma em sentido horário'. Depois de misturar a poção, Hugo deixou ela fervendo e virou para Sarah.
"Desculpa, ok?" disse Hugo sentando-se na banqueta. "Mas não mostro minhas cartas pra ninguém. Nem a Alice lê e ela é minha melhor amiga." Ele respirou fundo e continuou. "Eu não tenho muito tempo ou espaço só pra mim, sabes disso, não é?"
"Já notei." bufou Sarah sem erguer os olhos do caldeirão. "Nunca achei que o melhor momento que a gente teria pra namorar ia ser durante a aula de Criaturas Mágicas..."
"Pois é. E ler e responder as cartas é a hora que eu reservo pra mim. Eu tinha o campo de quadribol, lembra? Mas, se não me engano, eu decidi dividir contigo." Sarah continuou em silêncio. Hugo estendeu a mão até ela e a fez virar para ele, depois, acariciando o braço dela continuou. "Não é como se eu tivesse uma outra namorada nem nada do tipo. Prometo." Sarah riu e a professora pigarreou de sua mesa. "Vem, vamos entregar a poção e sair daqui."
Enquanto Sarah ia entregar o frasco de poção dos dois, Hugo ficou para ajeitar as coisas. Mas, para não perder o costume, se perdeu em pensamentos. Não havia mentido para Sarah, ou será que tinha? Monica não era bem uma namorada, mas ele não podia negar que antes de voltar pra Hogwarts era bem isso que ele queria... Mas agora... "Ai!" disse ao sentir algo atingindo sua testa. Olhou ao redor e viu Alec rindo. Pegou a caixa de asas de besouro e jogou em Alec. Logo a professora perdeu o controle da sala; ingredientes voavam para todos os lados e as gargalhadas tomavam conta do ambiente. Pelo menos até que algum 'ingrediente voador não identificado' caiu no caldeirão ainda borbulhante de Hugo. A última coisa que ele lembra, antes de ficar inconsciente, é do terrível cheiro de ovo podre.
(...)E por causa disso eu fiquei essa semana e meia na ala hospitalar tentando fazer o efeito passar e tratando da queimadura nas mãos. Não fique imaginando bobagens, eu sou muito bom em Poções. Só me distraí...
Abraços,
Hugo"
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"Hugo,
Senti falta das tuas cartas. Por um momento eu cheguei a imaginar que tinhas esquecido de mim. E quanto a querer voltar, devo dizer que sim, eu provavelmente voltaria... Não que eu não queira descansar, mas é que quando se é obrigada a ficar descansando não tem a mesma graça ficar na cama... Só não estava ficando maluca naquele apartamento por causa do Phill.
Mas isso é passado, porque advinha só, estou de volta no mundo dos quase-curandeiros! À boa e velha rotina, com muitos bruxos descuidados com suas plantas perigosas ou comendo coisas que não deviam para alegrar meu dia. Sim! Estou de volta ao St. Mungus!(...)
Monica respirou fundo, permitindo que o cheiro dominante – uma mistura de álcool, cloro e menta – acariciasse suas células olfativas. Sorriu e abriu os olhos. A grande área de recepção estava abarrotada de bruxos e bruxas; das lareiras saiam chamas verdes com breves intervalos. Pessoas com roupas verdes iam apressadas de um lado para outro com pilhas de papéis flutuando ao seu lado. Ela estava em casa.
Pegou seu próprio uniforme verde e o vestiu, mandando seus outros pertences para o vestiário com um aceno de varinha. Subiu as escadas. Mal havia alcançado o terceiro andar quando um médico de cabelos grisalhos a pegou pelo braço. "Seja bem vinda de volta. Já deves ter notado que estamos movimentados hoje." Parou ao lado de uma mesa e separou uns formulários que entregou para Monica. "Três irmãos, 5, 8 e 9 anos. Fizeram uma aposta com o primo e agora os três estão com ramos de árvores saindo das orelhas. Senhora de 95 anos. Estava podando as plantas do jardim quando o arbusto não gostou nada disso e agora está prendendo a cabeça dela. Detalhe: ela não quer que cortem a planta, parece que era da avó... Boa sorte." E sem mais uma palavra saiu.
A manhã foi agitada, mas no início da tarde veio a chuva e, com ela, a tranqüilidade no hospital. Monica aproveitou para almoçar – na verdade comer um sanduíche que comprara na lanchonete dali – enquanto respondia a carta de Hugo que acabara de receber. Estava terminando quando Minie (uma das muitas Hermione's) veio chamá-la.
"Advinha quem chegou?" disse se encostando na porta. Monica sacudiu a cabeça com uma expressão confusa. "Arnold Dimple. Hoje ele está azul com pontos roxos. E já sabe que tás de volta, então não tens como escapar."
Monica riu. "Eu já vou. Só vou terminar aqui." Então terminou de escrever a carta antes de ir atender seu mais cativo paciente. Seu primeiro dia de volta estava sendo divertido.
(...)E tenha mais cuidados com teu caldeirão. Eu bem que gostaria de uma visita tua, mas não nessas circunstâncias.
Mas agora tenho que ir. Estou no meio do meu plantão e chegou meu paciente cativo... Esse senhor está sempre aqui. Acho até que ele faz de propósito. Já devia ter aprendido que não é tudo que se pode usar pra fazer chá...
Beijos,
Monica"
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"Pára com isso, Weasley!" sibilou Louis de sua cama. Hugo estava sentado à mesa que havia no centro do quarto e batia descontroladamente o lápis sobre o tampo.
"Se está tão nervoso com isso, sai daqui então." Hugo rosnou de volta.
"Esse também é meu quarto, caso tenhas esquecido." Louis disse se erguendo da cama.
"Bem, talvez eu tenha! Tu nunca tás aqui!" esbravejou Hugo se levantando também. "Por que logo hoje, de todos os dias, tu não tás na torre da Grifinória? Volta pra lá se tás tão incomodado!"
Louis se aproximou com raiva e disse, com a varinha apontada para o peito de Hugo. "Quem tu achas que és pra ficar me dando ordens?"
"Vais querer um duelo, agora?" disse Hugo alcançando sua varinha e apontando-a para o outro rapaz. "Porque eu acho que tu não tens muita chance, Tearence."
"Oi, oi, oi!" exclamou Alec ao entrar no quarto com a namorada. "Posso saber que diabos tá acontecendo aqui?"
Os dois garotos olharam brevemente para a porta e quando voltaram a se encarar, Louis guardou sua varinha. "Não vou ficar perdendo meu tempo contigo." Então pegou sua mochila e saiu do quarto. Hugo depois se deixou cair na cama.
"Então, o que foi isso?" disse Alec de pé na frente de Hugo que murmurou um 'nada'. "Se não foi nada então porque vocês tavam parecendo prestes a começar um duelo, posso saber?"
"O cara é um babaca, Alec! Preciso te dar mais algum motivo?" disse se sentando na cama. Alec acenou que sim e Hugo disse, numa voz mais calma. "Ele me irritou e eu perdi a cabeça. Nada de mais."
"Nada de mais? A gente não sabe o que ele pode fazer!"
"É sério, Hugo. Parece que ele tá surtando de novo." disse Alessia fazendo movimentos circulares com o dedo ao lado da cabeça. "Até onde eu ouvi, o professor de Defesa está recebendo ameaças. Só pode ser ele achando que os professores tão tentando matar ele de novo."
"Babaca, idiota e pirado." resmungou Hugo. "Só uma maluca como a Diretora Sinistra pra colocar ele de monitor. Ela só pode ter batido com a cabeça no vaso sanitário, como diz a Alice."
"Falando de mim?" Hugo ouviu dizerem da porta e se virou para encontrar uma Alice sorridente ali parada. "Mas tudo bem, não importa. Porque eu tenho ótimas notícias." disse entusiasmadamente correndo para se sentar ao lado de Hugo na cama. "Adivinha quem tem um encontro marcado com Jacob Sanders." Fez uma pausa dramática, depois acrescentou. "Uma chance!"
"Uau! Ele finalmente te convidou?" exclamou Hugo abraçando a amiga. Alice desde o fim do ano letivo anterior ficava dizendo que Sanders ficava dando indiretas de que queria sair com ela, mas até hoje nem um passo. Ela já estava ficando frustrada.
"Sim!" disse ela abraçando Hugo de volta. "E ele é tão... Arg! Quer dizer, ele é lindo e inteligente e engraçado! E ainda é monitor e faz parte do time de quadribol! Que mais eu queria?"
"Ei!" fez Hugo girando a amiga no colo e a deitando na cama. Depois se sentou sobre as pernas dela enquanto fazia cócegas. "Eu não sou monitor nem faço parte do time de quadribol! Quer dizer que não sirvo pra nada então?"
"Para, Hugo!" gargalhava Alice ainda presa na cama pelo corpo de Hugo. "Eu me rendo! Tu és o maior partido do colégio! Satisfeito?" disse entre risos.
"Acho que sim." riu e se jogou na cama ao lado da amiga. "Tu também és o maior partido do colégio. Ele que não venha com gracinhas pra cima de ti, senão vai ter que se ver comigo."
"Sabe." comentou Alessia que estava de pé com Alec depois de assistir tudo de camarote. "Não seria nada surpreendente se vocês acabassem se casando. Seria um casal muito fofo."
"Não é a toa que a Sarah morre de ciúmes da Alice." riu Alec enquanto o casal saia do quarto.
Hugo e Alice se olharam e caíram na gargalhada. Depois de alguns segundos, Alice se levantou. "Vou lá contar pra Kai!" E saiu apressada do quarto. Hugo riu e voltou para a mesa em que estava antes. Pegou o pergaminho em que havia começado a escrever a resposta para a carta de Monica e mais uma vez as palavras que havia escrito o agrediram: 'ou vai ver que ele se apaixonou por ti'. Amassou o papel e o incinerou com a varinha enquanto se amaldiçoava por estar com ciúmes da simples idéia de um bruxo velho que não sabe tomar chá estar apaixonado por Monica.
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N.A.: E então? Um capítulo em que nada e muito acontece ao mesmo tempo. E bem comprido também! Espero que tenham gostado. Para o próximo eu tenho certa idéia do que escrever, mas nada muito concreto... Vou tentar deixar ele pronto pra daqui a uns 15 dias, mas não prometo. Pra quem quiser, eu fiz uma 'lista de reprodução' com as músicas que me inspiram ou que utilizei pra escrever essa história no YouTube (/view_play_list?p=E86CEE82D915D186).