Capítulo Treze – Última Vez
- Srta. Granger? A poção está pronta?
- Não ainda, professor. Faltam alguns ingredientes. Não vou demorar muito a partir de agora. – ela disse nervosa, acrescentando alguns pingos de sangue de dragão à poção. Hermione estava absolutamente mais desarrumada hoje. Quando eu abri a porta da sala, seu fôlego era pouco e ela puxava o ar com força. Correra para chegar aqui. Eu gostaria de pensar que ela estivesse correndo para ficar em minha compania e não para evitar a perda de poucos pontos. Eu a olhei com antipatia e Hermione, que parecia que hoje queria ser mais impertinente que nunca, me devolvera na mesma moeda. Sua face ficou fechada e irritada, conseguindo imitar perfeitamente a minha cara mais horrenda.
Estava estranhamente ansioso hoje. Ela parecia muito mal para querer trocar o horário da detenção. E como ela me pegara de surpresa, não tinha certeza do que aplicar na detenção. Decidi deixá-la um pouco mais feliz e fui até a biblioteca. Madame Pince estava no salão almoçando, para o meu alívio. Depois, foi particularmente fácil pegar os registros das saídas dos livros durante as férias de Natal e verificar quais foram os livros que a Sabe-Tudo pegara.
Achei nos registros que ela levara Poções curativas mui poderosas e folheei o livro. Achei uma marcação em uma das páginas, provavelmente esquecida por Hermione, já que era a sua letra que marcava o papel pardo. Poção Hemorepostus. Frequentemente utilizada em guerras e administrada perfeitamente por ela em mim, na Casa dos Gritos. Hermione, com certeza, saberia prepará-la sem hesitar. Fiz alguns pequenos cálculos e descobri que a poção seria até útil. Pomfrey estava reclamando há alguns dias da falta da poção na enfermaria. Geralmente, Potter esgotava todos os vidros…
Retornei às masmorras e esperei Hermione chegar. Eu tinha que ser menos protetor com ela, sabia disso. Ela estava começando a me achar louco. Tirando todos os outros alunos de Hogwarts, que tinham certeza de que eu estava velho e gagá.
Quando a garota chegou, algo estranho aconteceu comigo. Ela parecia tão irritada e afobada que quase não resisti e puxei-a para um abraço. Hermione precisava ser confortada. E seu noivinho idiota não estava conseguindo satisfazê-la em suas tristezas.
Perguntei sobre a Hemorepostus e ela confirmou as minhas idéias. A Sabe-Tudo sabia de tudo mesmo. Grande ironia… Por só aceitar isso agora, dei alguns pontos para a Grifinória. Mas não imaginei que ela ficaria tão contente. Admirei-a por alguns instantes sorrindo abobalhada, como se tivesse acabado de ouvir que tinha descobrido um modo de curar o câncer trouxa. Porém, como eu não posso dar bandeira, reprimi a sua alegria instantânea.
Hermione começou a preparar a poção e eu já estava ficando com os nervos à flor da pele, observando-a ficar novamente irritada. Sua cabeça parecia se concentrar na poção e, ao mesmo tempo, pensar nos seus problemas pessoais. Quis usar Legilimência nela. Mas como chamaria a atenção dela para me olhar fixamente?
Levantei-me da minha mesa e fui até ela.
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Como aquela cadela da Lilá poderia ficar perto do Ron e se exibir com ele? E como o idiota do Ron fica junto dela na minha frente?? Ele quer que eu brigue com ele, por acaso? Se for isso que ele quer, é isso que ele vai ter. Imagina, me fazendo ficar com cara de trouxa!? Ah, aquele ruivo imbecil!!
Quando Snape falou comigo, respondi de qualquer jeito, ainda pensando naquela cadela. Será que eu poderia roubar um pouco da poção, modificar a receita e derrubar no suco de abóbora daquela vaca? Snape me mataria se soubesse… Mas ele não saberia, se eu fizesse do jeitinho certo.
Olhei para a mesa dele e ela estava vazia. A porta perto da lousa estava aberta, com a luz acesa, então eu pensei que ele poderia estar lá dentro. Peguei um frasco vazio na minha bancada e aproximei do calderão. Movimentei o conteúdo e recolhi uma pequena parte, despejando a parte no vidrinho em minha mão. Lacrei o frasco e o guardei em meu bolso do casaco, antes que Snape voltasse. Sorri vitoriosa e continuei o preparo.
- Afanando poções, Srta. Granger? – perguntou uma voz suave às minhas costas. Eu estremeci e congelei em meu lugar. – Tsc, tsc… Pensei que era uma grifinória… Mas está se saindo uma boa sonserina também. Dê-me o frasco.
Tentei remediar, tarde demais.
- Frasco? Que frasco, professor? – eu me virei para Snape e ele me encarou com a sobrancelha erguida.
- Esse frasco, senhorita. – Snape enfiou a mão no meu bolso, encostando o dedo no frasco. Eu me assustei com a atitude dele e pulei institivamente, fazendo com que sua mão encostasse em minha cintura. Eu paralisei no lugar e ele me olhou assustado.
Mantendo seu olhar preso ao meu, Snape apertou a minha cintura, fazendo com que eu estremecesse em sua mão. Eu me encostei na bancada e ele colocou sua outra mão no meu braço, me prendendo entre o seu corpo e a bancada. Snape se aproximou, nunca afastando os seus olhos dos meus, e me beijou calmamente. Seu beijo despertou em mim algumas sensações que eu não poderia me lembrar. Não queria me lembrar.
Eu iria me casar, droga! (ouça agora a música Maybe I’m Amazed – Jem)
Pensei em afastá-lo, mas assim que a sua língua acariciou meus lábios pedindo passagem, esqueci todas as preocupações, que me pareceram bestas no momento. Eu não aguentei, tive que experimentá-lo com todas as forças que eu tinha. Me apertei contra o corpo grande dele, gemendo em sua boca com o contato. Ele me pegou no colo e me colocou em cima da bancada, nunca quebrando o beijo que estava mais agressivo e urgente. Entrelacei minhas mãos em seu cabelo, forçando mais a sua boca contra a minha. Snape puxou as minhas pernas para cima, forçando-as em sua cintura. Encostei-me mais nele e senti a elevação em sua calça atingir a minha parte íntima coberta. Fiquei assustada e tremi em seus braços. Ele percebeu e finalmente quebrou o beijo, se afastando de mim mas ainda me abraçando.
- Desculpa… - ele murmurou.
- Não tem problema… Eu sei como você se sente. – eu disse, no mesmo volume da voz dele, sentindo-me ridícula ao pensar que eu soava idiota com aquelas palavras.
- Você precisa ir. – dessa vez, Snape se afastou de mim, deixando –me sentada na bancada, e indo até a sua mesa. Ele tentava se controlar com muito esforço e percebi que, sentada ali de pernas abertas, não seria o modo ideal para ele conseguir se controlar. Desci da bancada e me ajeitei, passando a mão pela minha boca inchada.
- Nós não podemos continuar com isso, Srta. Granger. Afinal, eu sou seu professor e não quero ser despedido por sua causa. – choquei-me com as suas palavras mas, de repente, eu entendi. Ele se preocupava por nós dois. E não pude deixar de concordar com ele.
- Sim, o senhor tem razão… Nós não podemos. – eu disse, exemplificando a fala que eu queria dizer. Tínhamos muitas coisas a perder se alguém descobrisse aquele beijo.
- Por isso, eu vou cancelar as suas detenções e assim, poderemos continuar a nos odiarmos. – eu ri internamente com essa fala dele, principalmente porque eu não o odiava e sentia que ele também não me odiava. Muito pelo contrário, estávamos atraídos um pelo outro. Mas não consegui reprimir aquela sensação de perda pelo cancelamento das detenções.
- Professor, se me permite, não acredito que será necessário cancelar as detenções…
- Mas é preciso. – ele disse, quase angustiado. Percebi que ele queria aquilo tanto quanto eu.
Ficamos em silêncio por alguns instantes. Peguei as minhas coisas do chão e fui até a porta.
- Boa tarde, professor. – eu disse tristemente.
- Boa noite, Srta. Granger. – ele disse, frio e distante.
Toquei na maçaneta mas não tinha forças para girá-la. O que estava acontecendo afinal? Ele era somente um professor que tinha me beijado. Mas, mesmo colocando essas palavras em minha cabeça, eu não consegui girar a maçaneta.
Tirando forças de não sei da onde, abri a porta. Porém, ela se fechou antes que eu pudesse abri-la mais, trancando-se automaticamente. Virei para trás e vi Snape andar até o meu encontro. Larguei as coisas no chão e o abracei.
Pela última vez.
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Obrigada mais uma vez por tdo mundo q le e comenta!!!
Eu to amando essa fic e prometo que a Mione não vai ser mais burra por muito tempo, pq senão até eu matava ela!!
Hahaha
Beijossss e até o proximo cap!! (q não vai demorar muito não!!)