FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 

(Pesquisar fics e autores/leitores)

 


 

ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

27. Caminho Sem Volta


Fic: Desencontros


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

Capítulo 27 - Caminho Sem Volta

- Você ouviu o que ela falou, Malfoy. Tire essas patas imundas de cima dela. Agora!

Ginny estremeceu e parou de lutar, olhando chocada para o dono daquela voz, no tempo em que Draco ainda captava o sentido das palavras gritadas para ele.

Seus sentidos provavelmente haviam ficado abalados, pois foi em camera-lenta que ela percebeu o olhar surpreso de Draco e a forma brusca que ele a soltou enquanto era praticamente  arrancado de sua frente  e arremessado para longe pelo recém-chegado. Os sons desapareceram e tudo que Ginny conseguiu fazer foi ficar observando Draco olhar assustado para o homem à sua frente e, em seguida, fugir para longe, tanto por medo ao ver a expressão agressiva do outro quanto por sua inata covardia.

Como um coelho assustado, Ginny olhou receosa enquanto seu salvador exalava com força antes de se virar para ela.

- Ele te machucou?

A pergunta dele saiu grunhida, e Ginny negou, sentindo lágrimas escorrerem de seus olhos arregalados. Talvez o vento tenha aumentado, ou talvez fosse apenas uma reação ao susto, mas o corpo de Ginny começou a tremer involuntariamente e ela precisou se encostar na árvore às suas costas para se manter de pé. Ainda sem acreditar, perguntou num fio de voz:

- Ha-harry?

- Tem certeza que ele não te machucou? - Harry se aproximou hesitante e parou a alguns passos de Ginny. - Você não parece bem...

- Harry? É... é você?

- Er... sou. Ginny, o que você tem?

Harry! De repente foi como se o ar finalmente entrasse em seus pulmões, depois de muito tempo sufocada. Os sons e as cores no ambiente voltaram a surgir e aos poucos Ginny começou a se recompor. As pernas pararam de tremer e sua voz saiu mais firme quando afirmou:

- Eu estou bem! - Ela sentiu o calor em suas bochechas quando passou a mão para limpar os traços de lágrimas. - É só... É só que... Eu não esperava...

- Nem eu. Na verdade meu pai e o Sirius praticamente convenceram meu comandante a me dispensar...

- Eu não esperava... - Ginny repetiu, ignorando-o. - Harry!

A exclamação, seguida de um suspiro de alívio e a formação de um sorriso no rosto de Ginny fizeram Harry começar a relaxar. Durantes alguns momentos nenhum dos dois falou. Ficaram apenas perdidos um nos olhos do outro. Sorrindo. O sorriso de Harry era pura saudade e Ginny não se conteve. Atravessou a distância que os separava e abraçou-o feliz. Não poderia ter desejado presente melhor naquele Natal. O riso leve aos poucos deu lugar a urgência e em seguida os dois  se beijaram de forma apaixonada enquanto Harry rodopiava Ginny, segurando em sua cintura.

Depois de alguns momentos a urgência passou e a paixão se juntou à saudade. Eles agora não se mexiam mais do que o necessário e somente se deram conta de que começara a nevar quando afastaram seus rostos para se olharem.

- Começou a nevar...

- Do mesmo jeito que aconteceu quando a gente se beijou pela primeira vez... - Ginny lembrou com um sorriso.

- Venha, vou te levar até em casa.

Harry começou a puxá-la pela mão, mas Ginny permaneceu onde estava, impedindo-o.

- Não! Eu... Eu não quero ir para casa... Não ainda...

- Por quê?

- Eles... - Ginny olhou para o céu, buscando coragem. Desde quando ficara tão difícil dizer o que sentia, para Harry? Deu um suspiro antes de confessar: - Assim que chegarmos na minha casa, todos vão querer estar com você, conversar com você. E-eu... Eu quero ficar com você só para mim. Pelo menos mais um pouco.

- Mas... A neve... e...

- Eu não ligo a mínima para a neve!

Ginny olhava-o determinada e a Harry não restou nada além de concordar. Passou os olhos pela paisagem, que lhe trazia uma avalanche de lembranças e decidiu.

- Certo, então venha.

Mais uma vez ele tomou a mão de Ginny e começou a guiá-la, mas desta vez a garota não reclamou ao ver que estavam indo na direção da casa da árvore. O lugar estava minimamente limpo, já que Ginny o usava quando não conseguia mais suportar a saudade que sentia de Harry, e apesar das frestas que existiam entre algumas das tábuas, a maior parte do frio ficava do lado de fora.

Para Harry foi quase como voltar no tempo. Se não fosse por alguns objetos que ele lembrava de nunca ter visto por lá, como um velho colchão de palha e algumas fotos presas na parede, era como se fosse uma daquelas tardes em que ele e Ron iam até lá para jogar xadrez ou conversar fiado.

Ou uma das vezes que ele e Ginny conseguiam ir até lá, escondidos, para namorar. Essa lembrança específica fez algo dentro de Harry se revirar e ele pensou que talvez não tivesse sido uma boa ideia terem ido ali.

- O que foi? - Ginny perguntou assim que terminou de fechar a portinhola do assoalho.

- Não é nada... - Harry desviou seus olhos dos dela e mentiu: - É só que... tudo parece meio diferente do que eu lembrava... Está tudo meio... mudado.

- Tudo continua como era antes, Harry. Nada mudou.


 


O modo determinado com que Ginny falara aquilo deixou claro que ela não se referia somente a mudança de decoração. Forçando-se a encará-la, Harry respirou fundo antes de continuar.


 


- Ao contrário, Ginny. Tudo mudou! Eu mudei...

- O meu amor por você continua o mesmo.

- Gin, eu queria te dizer que...

- Não! - ela exclamou interrompendo-o. - Eu não quero saber. Não agora. E-eu só quero... ficar mais um pouco com você. Saber que você está aqui, que você está bem, é só o que eu preciso neste momento... Por favor.

Apesar de Ginny não querer admitir, ele tinha razão. Até ela estava mudada. E não era o cabelo mais comprido ou as curvas mais delineadas, a mudança que mais chamava a atenção dele. Era a insegurança que via nos olhos dela, e que Harry sabia ser o causador. Ele deveria ter ficado na casa de Sirius em Londres, como havia planejado. Tinha plena consciência de que a desculpa de ter que ir a Bourghill para visitar a mãe e aproveitar para conhecer o filho de Remus era muito fraca, pois sabia que, se ele pedisse, a mãe iria encontrá-lo na casa do padrinho. Queria ver Ginny. Precisava vê-la. Saber, por ele mesmo, que ainda lhe restava alguma esperança.

Em dois passos, Harry se aproximou de Ginny e a enlaçou, beijando-a com fervor. Os lábios de Harry percorreram uma trilha pelo queixo delicado, até o ponto no pescoço abaixo da orelha que ele sabia, faria Ginny derreter. Não precisou esperar muito até ouví-la ofegar para então continuar o caminho até a curva do ombro.

A neve agora caia com muito mais força, mas a única coisa que sabiam é que precisavam mais um pouco um do outro, antes de qualquer outra coisa. Era quase uma necessidade que exigia ser saciada. E com algo mais que apenas alguns beijos. Seus corpos queimavam em contraste ao frio que fazia do lado de fora e se encontraram como se não houvessem se separado por mais que alguns minutos. Foi com uma familiaridade que pensavam ter perdido, que as mãos de Harry buscaram contato com a pele morna de Ginny.

- Gin...

Não foi mais que um murmúrio, mas a voz de Harry, rouca pelo desejo não deixava dúvida de suas intenções. Ginny sabia que era uma loucura. Que não deviam se deixar levar pelas emoções, que tinham muito sobre o que conversar, que Harry não viera para ficar... Mas não conseguia controlar as batidas do seu coração, assim como não controlava mais as reações de seu corpo que implorava por ele.

Em algum momento eles se acomodaram sobre o velho colchão de palha, seus casacos largados sobre o assoalho. As mãos de Ginny tremiam enquanto se embrenhavam por baixo do grosso suéter que Harry usava. Os beijos febris e os toques ousados os faziam arfar clamando por mais.

- Gin... Minha Gin...

- Sim - Ginevra respondeu num sussurro à pergunta não formulada. Sabia que desse modo não teria mais volta. Mas ela não queria voltar.

Aquela palavra era tudo que o cérebro de Harry precisava ouvir para se entregar totalmente e ele o fez. Foi com um suspiro que Harry se deu conta de que não havia outro lugar onde queria estar além de ali. Ou onde Ginny estivesse, pois ela era seu abrigo, sua fortaleza. Sem tirar os olhos dos dela, retirou-lhe a camisa, deixando à mostra a lingerie simples que ela usava, mas que para ele era a mais bela do mundo. Com o rosto afogueado, Ginevra também livrou-o do suéter. Seus dedos passearam delicadamente sobre algumas cicatrizes que ela percebeu no corpo de Harry, enquanto ele fechava os olhos e retia a respiração ao seu toque.

Ginny podia sentir o coração de Harry batendo descompassado contra a palma da sua mão. A respiração dele ficou falha e os músculos cada vez mais tensos quando os lábios dela encostaram sobre a marca em seu peito. Não demorou mais que alguns segundos até que Harry segurasse firme em sua cintura e a deitasse sobre o colchão.

Entre palavras sussurradas e beijos cada vez mais ávidos, Harry e Ginny se entregaram um ao outro. A pele de Ginny, arrepiada pelas carícias de Harry, parecia em chamas e ela já não conseguia mais conter os gemidos que emitia. Mesmo um pouco inseguro, Harry não parou seus carinhos. Seus lábios não se satisfaziam mais apenas com os de Ginny e ele provou o sabor da pele de seu colo. Suave como pêssego, suculenta como a ameixa, Ginny era doce.


Harry nunca seria capaz de esquecer o jeito de Ginny  naquele momento: a face corada, os olhos brilhantes de um âmbar profundo, os lábios inchados e vermelhos e o corpo trêmulo de desejo. Ginny acreditou estar prestes a morrer tal a velocidade das batidas de seu coração enquanto Harry se posicionava sobre ela.  Sua respiração falhou e o mundo parou de girar.



Ela era perfeita e ele sabia que estava sendo egoista, mas antes que a culpa conseguisse alcançá-lo com toda intensidade, Ginny arqueou o corpo em sua direção e Harry se rendeu.


Sedentos, se encaixaram com perfeição e foi com triunfo e paixão que seus corpos se uniram pela primeira vez.

O primeiro instante de desconforto passou quase totalmente despercebido a medida em que Harry tentava controlar seus impulsos. O vento gelado que entrava pelas frestas só servia para aumentar o desejo, provocando-os. Com movimentos firmes e ao mesmo tempo delicados, seguiam no ritmo de seus corações até que, uma explosão de cores e sentidos os fez relaxar.



 


Quando enfim Ginny criou coragem para se levantar, a neve já havia parado de cair e o sol fraco de inverno brilhava no céu. Passara algum tempo apenas ouvindo a respiração deles se acalmando enquanto sua  consciência começava a fazer cobranças. O que ele pensaria dela agora? Desvencilhou-se do corpo quente de Harry, sentindo-se enrubescer ao procurar suas roupas para se vestir. Podia sentir os olhos verdes cravados em si, observando cada movimento que fazia.

- Ginny... Eu...

- Está tudo bem Harry.

- Não está nada bem, Gin. Nós não...

- O que você quis dizer com "o meu pai e Sirius convenceram meu comandante a me dispensar"? - Ela o interrompeu bruscamente, ainda de costas para ele.

- Ginny... - Harry suspirou ao perceber a intenção da mudança de assunto. Sentou-se e colocou a camisa antes de encostar-se na parede de madeira e responder: - Eu não queria ser dispensado. Nunca quis. Mas meu pai e o Sirius, mesmo sendo da Força Aérea, conhecem gente graúda dentro do Exército, e meu comandante praticamente me obrigou a tirar essa dispensa.

- Por quê?

- Bom, ele tinha medo de ser rebaixado ou...

- Não! - Ainda com o rosto rubro, Ginny se virou, olhando enquanto ele se vestia. - Por que você não queria a dispensa?

- É que eu... Ginny...

- Na carta você dizia que sentia saudades de mim...

- Eu senti. Muita. Sempre, mas não...

- Você também disse que quando me visse pessoalmente iria dizer as palavras certas - Ginny falou, tentando manter a voz firme e os olhos nos de Harry.

- MERDA, GINNY! O QUE VOCÊ QUER QUE EU DIGA? - Harry explodiu passando as mãos furiosamente nos cabelos e depois erguendo-se num salto. - Que foi uma insanidade ter ido para aquela porcaria de guerra? Que eu daria qualquer coisa para não voltar para lá? Que tudo o que eu mais queria era estar ao seu lado? O que vai adiantar? Me diz! Daqui a alguns dias eu não vou ter escolha, vou ter que embarcar naquela droga de trem e voltar para aquele inferno, não vou?

- E-eu... Eu não sei... - Ginny sentiu as lágrimas começarem a inundar seus olhos e quase no mesmo instante os braços de Harry a envolvê-la. - Eu só queria saber que você não tinha me esquecido...

- Eu nunca te esqueci Gin. Eu te amo - Harry sussurrou de encontro aos cabelos dela. De alguma forma, só o fato de estarem nos braços um do outro os acalmava e após longos minutos em silêncio, Harry perguntou: - Você está bem?

- Estou mais calma sim, obriga...

- Não, eu quero dizer... bem, você sabe... Eu, eu te machuquei? - Harry afastou-se o suficiente para olhar no rosto de Ginny. - Foi a... bem, a primeira vez que você...

- Ah sim! - Ginny desviou os olhos e tentou sair dos braços de Harry, sentindo seu rosto pegar fogo mais uma vez. - Eu... Eu estou bem...

Sem deixar que ela se afastasse Harry enlaçou-a, puxando-a de costas contra seu corpo.

- Eu te amo! E prometo que...

Ginny virou-se de frente para Harry e impediu-o de continuar, tocando em seus lábios.

- Não faça promessas...

- Que eu não sei se vou poder cumprir... - Ele a interrompeu, segurando sua mão e beijando as pontas de seus dedos. - É eu sei, você tem razão... Me desculpe por isso - Harry encostou seus lábios nos de Ginny em um beijo delicado e cálido. - Acho melhor eu levar você para casa agora.


 



A volta mesmo que temporária de Harry trouxe uma lufada de ar fresco para a rotina de seus familiares e amigos. Era sempre muito agradável saber notícias de pessoas conhecidas, quando havia a possibilidade de não vê-las nunca mais.


Na noite do réveillon de 1944, os Potter se uniram aos demais, para celebrar a chegada de um novo ano na festa que sempre acontecia no salão da igreja. O pastor Dumbledore e a esposa insistiam que a união dos pensamentos felizes trazia boas vibrações e nunca, nem em meio à guerra, deixara de realizar a festa de final de ano.


 


Alguns, como os Malfoy, iam apenas por ser uma “obrigação social da qual não se podia fugir”. Contudo, a maioria das pessoas que comparecia procurava contribuir com o clima de harmonia e alegria tão desejada pelo pastor.


 


Para Ginevra Weasley aquele estava sendo uma das suas noites mais felizes. Sentada ao lado de Harry e com suas mãos entrelaçadas, nem se dava conta dos olhares furiosos que Draco Malfoy lhes brindava. E no momento que o ritmo contagiante do foxtrote começou a tocar realmente se surpreendeu quando Harry interrompeu a conversa que mantinham com Hermione e Neville - que haviam retornado para os feriados - para convidá-la para dançar.


 


- Eu não lembrava que você sabia dançar isso – Ginny perguntou enquanto começavam a dançar.



- Nem eu. Como estou me saindo?


 


- Não precisa se preocupar, senhor Potter, o senhor está se saindo muito bem na minha modesta opinião – brincou ela com um sorriso.


 


- Muito obrigado, senhorita Weasley – respondeu Harry, fazendo uma mesura.


 


Ginny riu do gracejo e deixou-se conduzir por ele. Aquele momento mais parecia um dos muitos sonhos que tivera durante a longa ausência dele. Ainda mais quando o ritmo mudou para algo mais calmo e Harry, sem se importar com o salão estar cheio de pessoas os observando, estreitou-a entre seus braços.


 


- Acho que aqui está um pouco cheio - sussurrou ele, colando os lábios na orelha dela.


 


Sentiu seu rosto se tingir de vermelho com o olhar embevecido que Harry lhe lançava enquanto deixavam o salão, quase esbarrando em Luna e Dean que entravam cheios de sorrisos e risinhos e de mãos entrelaçadas.


Assim que alcançaram o pátio lateral da igreja, Ginny confessou, os olhos perdidos no casal que acabara de ver:


 


- Eu sei que Luna é uma das minhas melhores amigas, mas eu tenho pena do Neville. Ele tinha planos de casar com ela e levá-la com ele ainda esse ano.


- Esquece o Nev -  Harry falou, beijando-a sem cerimônias durante um longo tempo.


 


- Harry... - Ginny arfou e tentou falar ainda agarrada nele. - ...não que eu esteja reclamando... mas o que deu em você?



- Acho que estou sendo... egoista - ele afirmou afundando o rosto na curva do pescoço dela.


 


Ginny sorriu e apenas aguardou enquanto sentia o respirar forte dele por entre seus cabelos e pescoço. Seus olhos se fecharam por um momento e quando novamente os abriu, a lua cheia surgiu, esplendorosa, por entre as nuvens.



- Harry... - chamou-o e assim que ele afastou seu rosto ela indicou o céu. - Olhe!



- Eu já vi a lua antes, Gin, obrigado - Harry brincou e fez menção de afundar em sua nuca mais uma vez.



- Não, espera!



Harry a virou de costas, abraçando-a por trás e acomando a cabeça na curva do pescoço de Ginny e então anuiu.



- Certo, o que é então?



- Logo você não estará aqui... - Harry murmurou algo em protesto, porém Ginny continuou. - Mas todas as noites eu vou olhar para a lua, a mesma lua que você também poderá ver. E enquanto estiver olhando o céu, lembrará que eu sempre estarei pensando em você.


 


Ginny sentiu os músculos do braço dele ficarem tensos ao seu redor e em seguida seu corpo ser girado. Ao longe, vários gritinhos de viva e aplausos podiam ser ouvidos na festa que havia sido esquecida completamente. Harry olhou dentro dos olhos de Ginny e sussurrou com os lábios praticamente colados ao dela.


 


- Feliz ano novo, meu amor.


 


Foi um beijo suave e coberto de saudade antecipada. Ele iria embora, era inevitável, mas ele voltaria e ela estaria ali esperando por ele, sempre.


 


 


Naqueles poucos dias em que Harry permaneceu em Bourghill, ele e Ginny estiveram praticamente inseparáveis. Harry a buscava em casa para levá-la ao trabalho e no final do expediente, de volta a casa.


 


Passeavam pela cidade nos finais de tarde, iam ao pub tomar uma bebida quente e escapavam, sempre que podiam, para a casa dele – enquanto Lily estava trabalhando – ou para o refúgio em que transformaram a casa na árvore.


 


E mesmo quando não podiam passar muito tempo juntos durante o dia, era na velha construção de madeira junto ao lago que se encontravam no meio da noite, onde aproveitavam a privacidade gerada pela escuridão para trocar juras de amor.


 


Harry apagou o lampião de querosene que trazia, assim que chegaram perto o suficiente da Toca para que Ginny enxergasse o caminho de volta com segurança.


 


Trocaram mais um beijo apaixonado no momento que o céu começava a ganhar tons mais claros anunciando o amanhecer.


 


A neve já havia parado de cair, contudo, o frio cortante continuava castigando o norte da Inglaterra. Com um suspiro enlevado Ginny soltou-se dos braços de Harry e fechou um pouco o casaco em torno de seu corpo enquanto rumava para a parte traseira da casa com passos cuidadosos.


 


Fechou devagar o trinco da porta da cozinha atrás de si e virou-se com a intenção de tomar um gole de água antes de subir para o seu quarto.


 


- AH! – Ginny gritou assustada ao perceber o vulto sentado à mesa. – Que susto!


 


- Susto tive eu quando me dei conta que você não estava em seu quarto – Molly Weasley respondeu num tom baixo repleto de decepção.


 


- Mãe eu... Só fui dar uma volta... Eu não conseguia dormir...


 


- Na primeira vez eu pensei justamente isso. “Não se preocupe, Molly. Ginevra deve estar muito agitada e não deve ter conseguido dormir...”. Mas quando essas suas voltas noturnas começaram a ficar mais freqüentes...


 


- Não é nada do que você está pensando, mãe.


 


- E o que você acha que eu estou pensando, Ginevra?


 


- E-eu... Eu não sei – Ginny confessou num fio de voz.


 


- Você tem idéia do desgosto que seu pai iria sentir se soubesse que a filhinha dele anda saindo às escondidas no meio da noite para fazer sabe-se lá o que?


 


- Mãe, olhe... E-eu posso explicar, e-eu juro.


 


- Eu não quero explicações, nem juramentos Ginevra. Nem mesmo sei se quero ouvir a verdade.


 


- Por favor, mãe.


 


- É melhor você ir para o seu quarto antes que o seu pai levante e faça perguntas.


 


- Mãe...


 


Molly desviou os olhos dos de sua filha, começando a mexer nas panelas automaticamente para preparar o café.


 


Ginevra sentiu um bolo se formar em sua garganta e já havia se virado em direção às escadas quando ouviu novamente a voz de sua mãe dirigir-se à ela.


 


- Só espero que você se cuide para não sofrer depois.


 


 


Duas horas mais tarde, quando Harry apareceu para buscar Ginny, como estivera fazendo desde que voltara, encontrando-a já a sua espera no começo da trilha.


 


- O que foi? – ele perguntou alarmado ao notar o rosto triste e os olhos vermelhos da namorada.


 


- A minha mãe me surpreendeu hoje cedo, quando entrei em casa.


 


- Maldição! – Harry xingou frustrado antes de continuar: - Desculpe Ginny. É só que... Eu sinto muito, não queria trazer nenhum tipo de problemas para você.


 


- Tudo bem, Harry. Tudo bem...


 


 


Mas as coisas não ficaram bem. Na verdade Ginevra podia apostar que Harry estava se consumindo em culpa e constrangimento, o que se comprovou quando ele convenceu-a a adiarem os encontros na casa da árvore e no dia seguinte arrumou uma desculpa qualquer para não encontrá-la na saída do trabalho e levá-la para casa.









Ginny ajeitou o pequeno chapéu sobre os cabelos e arrumou caprichosamente o vestido antes de colocar o casaco, se despedir do senhor Longbotton - seu patrão - e sair ao encontro de Harry. Ele estivera tão caloroso naquela manhã ao buscá-la em casa, em contraste com o rapaz distante dos últimos dias, que a surpreendeu.


 


Ainda recordando a intensidade dos olhos verdes quando Harry lhe pediu para encontrá-lo novamente na casa da árvore essa tarde, e o formigamento de antecipação que surgiu em seu corpo, Ginny encostou a bicicleta no tronco e subiu as já gastas tábuas que serviam como degraus.



Ela não estranhou o fato do lugar estar fechado e vazio. Nem mesmo quando algo dentro do seu peito se contraiu. Isso só significava que ele ainda não chegara. Só estava atrasado. Com cuidado abriu um pouco a pequena janela, de modo a clarear o lado de dentro sem que as pessoas que eventualmente passassem por ali - o que era uma possibilidade altamente improvável naquela época do ano -, pudessem vê-los.



Foi ao ver o bilhete descansando sobre o velho colchão que seu coração disparou e suas mãos ficaram suadas. Por Deus, não deixe ser o que eu estou pensando! Ginny implorou, fechando os olhos ao mirar seu nome escrito na parte externa do papel dobrado, na letra descuidada de Harry.



Ginny sentiu um nó se formar em sua garganta enquanto se sentava sobre o colchão e ficava apenas observando o pequeno pedaço de papel, sem coragem suficiente para apanhá-lo e abrí-lo. Sentiu seus olhos se inundarem de lágrimas mas fechou-os com força, impedindo que elas caíssem. Não ia dar esse gosto a ele. Respirou com força, soltando o ar com raiva enquanto abria os olhos e apanhava o bilhete determinada, apesar das mãos trêmulas.



O nó em sua garganta se desfez pela raiva que borbulhava dentro dela, com força crescente, à medida que Ginny lia atentamente as palavras de Harry.



"Ginny,


Não tive a intenção de te magoar, apesar de todo egoísmo que me empurrou, dia após dia, para você. 


Me perdoe. Eu não conseguiria me despedir mais uma vez de você.
As lembranças me trarão de volta.
Te amo,


Harry."

Lembranças das várias vezes que perguntara a Harry quando terminaria sua folga - e que ele sempre a distraia -, bailaram em sua mente fazendo Ginny explodir em fúria, amassar o bilhete e jogá-lo longe. Afundou o rosto nas mãos deixando as lágrimas quentes caírem por um tempo até admitir para si mesma que não importava o quanto estivesse magoada com ele, ela o perdoaria.

Arrastou-se pelo chão até o local onde a pequena bola de papel havia caido e desamassou-a. Agora não tinha mais volta, lembrou-se. O amor entre eles era maior que tudo, maior até que o fato de Harry ter ido embora novamente.


 


 


 


--------


N/B (Paty) - Ai Meu Deus!!! *.* suspira, suspira e suspira... esse capítulo foi todo fofo e cheio de Harry e Ginny. E o que foi eles dois juntos pela primeira vez hein... ai mana esse final me deixou com o coraçãozinho pequeno, pequeno... continue logo, milhões de beijos. Te amo!


NB Sonia: Bisonho! Inadimplente! Fuça boiada! Egoííííííístaaaaaaaaaaaaaaaaa!!! Ai, que vontade de soltar umas bifas de cima pra baixo, e de um lado pro outro, no Harry neste capítulo!!!! Como é que alguém consegue ser tão abissalamente desajeitado nesta situação de despedida! -  Nas outras, folgo em dizer, ele foi, foi, foi... UOOOOWWWW!!! Mas nesse finalzinho, vou te contar! Ai, ai, ai! A sensibilidade de um dedal furado!!!! - E você, Pri malvada, nos brinda com essa NC FANTÁSTICAAAAAAA, e entâo manda o Harry embora! Acabou-se NC!!!!!!! Aaaaaffff!!!!!!!!!!!!! - ;D Todo esse dengo é pra elogiar um capÍtulo primorosamente escrito, e decididamente... inspirador!!!! - Te amo!!!! Até o próximooooooooooooooooooooooooooooooooo...


 


N/A: Amores, me perdoem pela demora. E ai, quem acertou quem havia chegado para salvar Ginny???? Gostaram???? Lanni, está mais tranquila?


Alguns detalhes que eu não escrevi (principalmente porque eu não tive tempo), mas que são interessantes: James não foi junto com Harry para Boughill pois estava trabalhando. Ele encontrou com o filho em Londres; Dean também conseguiu a dispensa de Natal e assim que chegou na cidade procurou Luna, se declarou a ela e estão juntos desde então; Neville iria pedir Luna em casamento e pretendia mudar-se com ela para Liverpool onde ele está estudando, ainda no início de 1945.


Qualquer dúvida é só perguntar que se eu souber eu respondo, hihihi.


O meu muitíssimo obrigada a todos que estão acompanhando essa história. Beijos especiais a quem comentou o último capítulo: Maria Lua ,Sandra Diniz (Cassie), Kellysds (É quase certo eu ir no Halloween), Tati Black Malfoy, Gê Gehrke, Lya Love (não deu para segurar, 1945 chegou), Claudio Souza, Dani (Gente Boa) P., Livinha (Te amo, obrigada pela ajuda) , Pedro Henrique Freitas, Lanni Lu, Lady Aredhel Anarion, Patty Carvalho, Evelyn (O James está em serviço no momento desse capítulo),Danda Jabur.


Clara, não achei seu comentário...


Obrigada também às minhas queridas: Pamela Black, Paty Black, Sô Prates, Sonia Sag e Sally Owens (que ainda está de licença maternidade, mas ainda é minha beta). Amo vocês.


 





















Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 0

Nenhum comentário para este capítulo!

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 17) - Copyright 2002-2022
Contato: clique aqui

Moderadores:



Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.