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11. Capítulo 11


Fic: Êxtase Mortal - Concluída


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Capítulo 11
 
Gina foi trabalhar cantarolando. Sentia o corpo leve e ágil, e a mente descansada. Pareceu-lhe um bom agouro o fato de que seu veículo tivesse funcionado na primeira tentativa e que o controle da temperatura permanecesse estável em agradáveis vinte e dois graus.
Sentia-se preparada para enfrentar o comandante e convencê-lo de que tinha um caso por resolver.
Então chegou à Quinta Avenida com a Quarenta e sete, e se deparou com o congestionamento. O tráfico estava parado e ninguém prestava atenção às leis contra a poluição sonora. Ouviam-se gritos, buzinas, um alarido sem fim.
Depois de um minuto no interior do carro a temperatura do interior do veículo subiu para agradáveis 34 graus.
Gina desceu do carro e se uniu ao tumulto. 
Os vendedores dos carrinhos aerodeslizantes estavam se aproveitando da ocasião, colando-se entre as pessoas e oferecendo suas frutas geladas no palito e xícaras de café. Gina nem perdeu tempo mostrando seu distintivo e os lembrando que não tinham permissão para vender fora de suas localizações.
Em vez disso chamou um vendedor e comprou um tubo de Pepsi e perguntou que demônio estava acontecendo. 
- Os Livre-free-Agers. – Seus olhos se deslocavam procurando novos clientes, o homem deslizou seu cartão de créditos pela abertura de segurança do carrinho - Uma manifestação contra o consumo excessivo. Há centenas deles esparramados pela Quinta. Quer um pedaço de bolo de trigo para acompanhar? Acabou de ser feito. 
- Não.
- Fica para outra hora. – ele disse antes de deslizar seu carrinho para dentro do tráfego congestionado.
- Maldição!
Gina contemplou a cena. Estava bloqueada por todos os lados por furiosos trabalhadores que iam para seus empregos. Seus ouvidos estavam explodindo e o calor era insuportável. 
Voltou a subir no carro, golpeou com o punho o painel de comandos e conseguiu fazer a temperatura baixar bruscamente a uns quinze graus. Acima de sua cabeça um aéreo dirigível passou cheio de turistas boquiabertos.
Sem nenhuma fé em seu veículo, Gina o forçou a uma elevação vertical ao mesmo tempo em que ligava a sirene, mas esta não podia competir com semelhante cacofonia. Gina conseguiu uma trêmula ascensão e as rodas passaram a menos de cinco centímetros dos tetos dos carros da frente enquanto seu veículo se elevava tossindo e engasgando. 
- Parada seguinte, ferro velho para reciclagem. Juro. - murmurou enquanto pegava o comunicador - Hermione, que merda é está que está acontecendo aqui? 
- Senhora.
Hermione apareceu na tela, olhos calmos e os lábios  abertos em um sereno sorriso.
- Tenente, imagino que encontrou com o congestionamento provocado pela manifestação da Quinta. 
- Não estava prevista. Sei muito bem que não estava anunciada para esta manhã. Não podem ter permissão.
- Os da Livre-free-Agers não acreditam em permissões, tenente. - Hermione limpou a garganta quando Gina grunhiu - Acredito que se pegar à oeste terá mais sorte na Setenta. O tráfico também está pesado, mas está se movendo. Se você verificar no seu monitor de tráfico...
- Como se isso fosse funcionar neste monte de sucata! Chame a manutenção e diga que são homens mortos. Contate então o comandante e explique que pode ser que eu chegue alguns minutos mais tarde para a reunião. - Enquanto falava, lutava com a tendência do veículo de perder altura e a fazer que tanto os pedestres como os demais motoristas olhassem para cima horrorizados - Se eu não cair antes sobre alguém, estarei ao em vinte minutos.
Esquivou por um fio da extremidade de um holograma do cartaz publicitário que pregava as delícias de voar num veículo particular. Ela e o jet Star tinham tomado direções contrárias com diferentes graus de sucesso.
Roçou a borda da calçada ao entrar na Setenta e não pôde culpar o homem de terno que andava com patins aéreos por levantar o dedo médio.
Mas tinha conseguido desviar, não é?
Permitiu-se um suspiro de alívio quando soou seu comunicador. 
- Todas as unidades, todas as unidades. Doze dezessete. Telhado do Tattler Building. Setenta com Quarenta e dois. Ir de imediato. Mulher não identificada, ao que parece armada. 
Doze dezessete, pensou Gina. Ameaça de suicídio. Que demônios era isso? 
- Mensagem recebida, tenente Weasley, Gina. Hora de chegada prevista em cinco minutos. 
Voltou a ligar a sirene e elevar o carro. 
O Tattler Building, sede do jornal sensacionalista mais popular do país, era brilhante e novo. Os edifícios de sua antiga sede tinham sido destruídos nos anos trinta por causa do programa de embelezamento da cidade, o que era um eufemismo da decadência de infra-estrutura e da construção civil que tinha infestado Nova York nesse período. 
Erguia-se em forma de uma bala de aço prateado, e estava rodeado de corredores aéreos e passarelas aerodeslizantes com restaurante ao ar livre que sobressaíam de sua base.
Gina estacionou em fila dupla, recolheu seu equipamento de campo e abriu passo a empurrões entre as pessoas apinhada na calçada. Mostrou o distintivo ao guarda de segurança e viu alívio em seu rosto. 
- Graças a Deus. Está lá acima, mantendo a todos afastados com um spray lacrimejante. Quase cegou Bill quando ele tentou agarrá-la.
- Quem é ela? - perguntou Gina enquanto encaminhavam-se para o elevador interno. 
- Cerise Devane. É a dona deste maldito lugar.
- Devane?
Gina a conhecia de vista. Cerise Devane, a presidenta de Tattler Enterprises, era uma das pessoas privilegiadas e influentes que freqüentavam os círculos de Harry.
- Cerise Devane está no telhado ameaçando de saltar? Que é isto, ardil publicitário para aumentar a tiragem?
- Para mim pareceu bem sério. - O guarda deixou escapar o ar – Também está nua em pelo. Isso é tudo o que sei. - afirmou enquanto o elevador disparava para cima – Quem fez a chamada foi Frank Rabbit. Pode obter mais informação dele se já voltou em si. Desmaiou quando a viu sair pela janela. Isso é o que ouvi dizer. 
- Chamou um psicólogo? 
- Alguém o fez e já temos um na companhia, e está a caminho um especialista em suicídios. Bem como os bombeiros e a brigada de resgate aéreo. Todos estão atrasados. Há um terrível congestionamento na Quinta. 
- Percebi. 
As portas se abriram no telhado, e ao sair da cabine Gina sentiu uma rajada de ar frio que não encontrava espaço através dos altos edifícios em direção ao vale que formavam as ruas. Fez uma análise rápida do espaço. O escritório de Cerise estava construído sobre o telhado, ou mais exatamente, dentro dele. As paredes inclinadas de cristal terminavam em ponta e ofereciam à presidenta uma vista de trezentos sessenta graus da cidade.
Através do vidro, Gina viu o material gráfico, a decoração e o equipamento desenhados para um escritório de primeira classe. E no sofá em forma de L tinha um homem estendido com uma compressa na testa.
- Se este é Rabbit, diga-lhe para se recuperar e vim prestar depoimento. Depois saia daqui e leve todas as pessoas que não sejam imprescindíveis e evacue a rua. Se ela resolver pular, não queremos que achate os observadores. 
- Não tenho homens suficientes. - respondeu o guarda. 
- Comece tirando Rabbit dali. - repetiu ela, e chamou à central - Hermione, estou com um problema. 
- Certo. Do que precisa? 
- Venha aqui com homens para dispersar a multidão da rua. Traga-me todos os dados disponíveis sobre Cerise Devane, e peça a Neville que consiga os telefonemas de seu tele-link de casa, pessoal e portátil, das últimas vinte e quatro horas. Ande depressa! 
- Feito. - respondeu Hermione cortando a transmissão. 
Gina se voltou quando o guarda aproximou-se dela trazendo um homem jovem. O nó de sua gravata estava frouxo e o cabelo de corte elegante em desalinhado, suas mãos elegantes e bem feitas tremiam.
- Explique-me exatamente como aconteceu. - pediu ela – E faça depressa, claro. Você poderá se deitar quando eu tiver acabado com você.
- Ela apenas... saiu andando para fora... no telhado. - A voz falhou enquanto se apoiava fraco contra o braço do guarda que o sustentava - Parecia tão contente. Quase dançava de contentamento. Tinha... tinha tirado toda a roupa. Toda. 
Gina encolheu os ombros. Rabbit parecia mais assombrado pelo repentino gosto de sua chefe pelo exibicionismo do que pela possibilidade de sua morte. 
- O que a levou a fazer isso?
- Não o sei. Juro, não tenho nem idéia. Quis começar cedo hoje, antes das oito horas da manhã. Estava preocupada por um dos processos. Sempre estão nos processando. A encontrei fumando, tomando café e andando pela sala. Me pediu que saísse por alguns momentos. Disse que iria tirar alguns minutos para se recuperar e relaxar. – Parou e colocou o rosto entre as mãos - Quinze minutos mais tarde saiu sorrindo e... nua. Fiquei tão perplexo que continuei aqui sentado, sem fazer nada. – Seus dentes começaram a bater um contra o outro – Eu nunca sequer a tinha visto descalça!
- Que ela esteja nua não é nosso maior problema agora. - assinalou Gina - Falou com você, disse algo para ela? 
- Bem, eu estava perplexo... já sabe. Disse algo, algo como “Senhorita Devane, que está fazendo? Aconteceu algo?” E ela se limitou a sorrir. Disse que era perfeito. Que já o tinha tudo acertado e que tudo era maravilhoso. Que ia se sentar por algum tempo na borda do telhado antes de saltar. Pensei que estivesse brincando, e fiquei tão nervoso que também comecei a rir. – Seus olhos a fitaram assustados – Eu ri, e de repente a vi na beirada do telhado. Apenas sentou ali. Foi quando percebi que ela ia saltar e sai correndo em sua direção. Ela estava ali, sentada na borda, balançando as pernas e cantando uma canção. Eu pedi, por favor, que ela voltasse para dentro antes que perdesse o equilíbrio. Ela riu, aspergiu o spray em mim e me pediu para ir embora como um bom garoto.
- Recebeu ou fez algum telefonema? 
- Não. – passou a mão aberta pela boca - Qualquer transmissão teria passado pelo meu terminal. Vai saltar, acredite no que estou lhe dizendo. Inclinou-se enquanto eu a observava e esteve a ponto de fazê-lo. E disse que ia ser uma viagem agradável. Vai saltar. 
- Isso é que vamos ver. Não vá muito longe.
Gina girou o corpo na direção do telhado. O psicólogo da companhia era fácil de reconhecer. Estava vestido com um jaleco branco à altura do joelho e calças negras e justas. Usava seu cabelo cinza preso em uma trança perfeita e estava inclinado sobre o parapeito da janela numa postura que revelava ansiedade.
Ao se aproximar dele, Gina murmurou uma maldição. Ouviu o ruído dos aparelhos aéreo e voltou a amaldiçoar os meios de comunicação ao ver a primeira aerovans. O canal 75, naturalmente, murmurou. Nymphadora Tonks sempre era a primeira a chegar. 
O psicólogo empertigou-se e alisou a jaleco para as câmaras. Gina suspeitou que iria detestá-lo.
- Doutor? – Mostrou a identificação e percebeu a excitação em seus olhos. A única coisa que lhe veio à mente era que uma companhia da categoria e com poder de Tattler poderia ter conseguido algo melhor. 
- Tenente, estou fazendo certos progressos com a paciente.
- Continua na beirada do telhado, não? - Gina fez um gesto em direção ao telhado e afastou o homem tomando seu lugar - Cerise?
- Mais companhia?
Brilhante e bela, com a pele da cor de pétalas de uma rosa, balançando alegremente suas pernas bem bronzeadas, Cerise ergueu o olhar. Seu cabelo negro azeviche ondulava ao vento, em seus olhos verdes e profundos tinham uma expressão vivaz e astuta. 
- Caramba, estou vendo a Gina? Gina Weasley, a recém casada. Um casamento encantador. Realmente, o evento social do ano. Mobilizamos milhares de unidades para cobri-lo. 
- Bom para você.
- Você sabe, eu arrebentei minha bunda em documentação e busca de dados para tentar averiguar o itinerário da lua de mel. Penso que só Potter é capaz de se esconder de todos os meios de comunicação desse modo. - Agitou uma mão brincalhona e seus generosos seios balançaram – Poderia ter compartilhado, só um pouquinho. O público morre para saber dessas coisas. - riu, mudou de posição e quase perdeu o equilíbrio. - Nós todos morremos de vontade de saber. Opa! Ainda não. Isto é muito divertido e não quero me apressar. – Endireitou o corpo e acenou para as aerovans. - Normalmente detesto os meios de comunicação visuais. Mas agora não consigo recordar o motivo. Amo todos vocês! - gritou ao último, abrindo os braços.
- Está tudo bem, Cerise. Mas por que não volta aqui para cima um minuto? Darei a você detalhes de minha lua de mel. Uma exclusiva.
Cerise sorriu com astúcia. 
- Uh-uh-uh. - A negativa voltava a ser brincalhona, quase um risinho - Por que você não desce aqui para baixo e se junta a mim? Podemos pular juntas. É sensacional, eu lhe asseguro. 
- Vamos, senhorita Devane, - começou o psicólogo - todos temos momentos de desespero. Compreendo-a. E estou com você. Sinto sua dor.
- Oh, cala-se. - Cerise fez um gesto de desprezo em sua direção - Estou falando com Gina. Venha para cá, querida. Mas não perto demais. - Agitou o spray e riu - Venha aqui e se junte à festa. 
- Tenente, não recomendo que... 
- Cale-se e espere a minha ajudante. - ordenou Gina ao psicólogo enquanto passava uma perna por cima do muro metálico de segurança e se abaixava até a borda.
O vento não parecia mais tão agradável quando se achava a setenta andares de altura, sentada numa saliência de aço de menos de meio metro de cumprimento. Com a ajuda das hélices das aerovans sacudia a roupa e açoitava sua pele. Gina tentava controlar as batidas de seu coração enquanto apertava as costas contra a parede do edifício. 
- Não é lindo? - suspirou Cerise – Eu adoraria beber alguns goles de vinho aqui, você não? Não, melhor, uma longa taça de champanhe. A reserva quarenta e sete de Potter seria uma boa pedida neste momento.
- Creio que temos uma em casa. Por que não vamos lá abri-la?
Cerise riu, virou o rosto em sua direção e deu um enorme sorriso. Foi o sorriso, Gina compreendeu com o coração batendo com força novamente. Já tinha visto aquele mesmo sorriso, no rosto de um jovem pendurado em uma corda.
- Já estou bêbada de felicidade.
- Se está tão feliz, por que está aqui, nua num parapeito do edifício, pensando em dar o último salto?
- É exatamente isso que me faz feliz! Não sei por que você não consegue compreender. - levantou o rosto para o céu e fechou os olhos. Gina arriscou a se aproximar alguns centímetros – Não sei por que não entendem. É tão lindo. Excitante. É tudo.
- Cerise, se você pular... já não será nada. Tudo estará acabado.
- Não, não e não. - Cerise voltou a abrir os olhos, e desta vez os tinha vítreos - É apenas o começo, não entende? Oh, somos todos tão cegos!
- Um erro pode ser corrigido. Eu sei. - Com cuidado, Gina apoiou uma mão sobre a de Cerise. Mas não a pegou, não quis se arriscar a fazê-lo – Sobreviver é o que conta. Você pode mudar as coisas, faze-las melhor, mas para isso tem que sobreviver.
- Sabe quanto custa fazer isso? Sinto-me bem assim. Não. - Rindo, Cerise apontou o spray para os olhos de Gina - Não estrague tudo agora. Estou tendo agradáveis momentos aqui. 
- Você tem pessoas que estão preocupadas com você. Tem uma família que a ama. - Gina tentava puxar da memória. Tinha filhos, um marido, pais? – Fazendo isso vai lhes causar sofrimento. 
- Só até que compreendam. Aproxima-se o tempo em que todos compreenderam. Então tudo será melhor. Esplendoroso. - Encarou os olhos de Gina com expressão sonhadora e um radiante e aterrorizante sorriso nos lábios - Venha comigo. – agarrou a mão de Gina - Vai ser maravilhoso. Você só tem que se entregar. 
O suor escorreu pelas costas de Gina. A mão da mulher a apertava como uma garra, e debater para se liberar condenaria às duas. Obrigou-se a não por resistência, ignorar o vento que sacudia suas roupas e o barulho das aerovans que documentavam cada movimento.
- Não quero morrer, Cerise. - respondeu com calma - E você também não. O suicídio é para covardes. 
- Não, é para exploradores. Mas será como você quiser. - Cerise deu uma palmadinha em sua mão e a soltou, depois emitiu uma longa e ruidosa gargalhada ao vento - Oh, Deus, estou tão feliz! - E abrindo os braços de par em par, inclinou-se no espaço.
Instintivamente Gina tentou segurá-la e quase perdeu o equilíbrio ao roçar com os dedos nos delgados quadris de Cerise. Caia voltada para cima, a gravidade trabalhava rápido e sem misericórdia. Gina olhou fixamente para baixo, para o rosto que parecia ostentar um congelado sorriso descontrolado até que este fosse somente um borrão.
- Oh, Meu Deus. Deus. Oh Deus!
Sentindo-se mareada, sentou-se, inclinou a cabeça para trás e fechou os olhos. Os gritos e o tumulto chegaram até ela, e o ar deslocado pelas vans dos jornalistas que se aproximavam para um close açoitava sua face.
- Tenente Weasley.
A voz era como uma abelha zumbindo ao ouvido e Gina se limitou a balançar a cabeça.
No telhado, Hermione olhava fixamente para baixo e tentava conter as náuseas que chegava até sua garganta. Tudo o que podia ver era que Gina estava recostada contra a saliência, branca como papel, e que o menor movimento a enviaria atrás da mulher que tinha tentado salvar. Respirou profundamente e adotou um tom áspero e profissional.
- Tenente Weasley, precisamos de você aqui. Preciso de seu registro para fazer um relatório completo.
- Estou ouvindo. - respondeu Gina com tom cansado. Mantendo os olhos voltados para frente, estendeu a mão para trás para a prender na borda do muro de proteção. Com a mão de Hermione segurando a dela, se levantou.
Girou o corpo e olhou inexpressivamente para Hermione, viu o medo em seus olhos.
- A última vez que pensei em saltar tinha oito anos. - Ainda que suas pernas tremessem ligeiramente, conseguiu passá-las por cima do muro - Não vai ser dessa maneira.
- Jesus, Weasley! - esquecendo-se de tudo por um momento Hermione a abraçou fortemente – Você quase me mata de susto! Pensei que ela ia arrastá-la junto!
- Eu também, mas não aconteceu. Vamos colocar um pouco de ordem aqui, Hermione. A imprensa está tendo um dia cheio.
- Desculpe-me. - Hermione deu um passo para trás corando - Desculpe-me.
- Não se preocupe. - Gina olhou para psicólogo, que posava para as câmaras com uma mão no coração e murmurou - Idiota. - Depois meteu as mãos nos bolsos. Precisava de um minuto, só um minuto, para recuperar - Não pude detê-la, Hermione. Não pude encontrar a tecla certa para fazê-la parar. 
- Às vezes não há uma.
- Alguém a incitou a fazê-lo. - afirmou Gina num sussurro - Devia de ter um jeito de faze-la mudar de idéia.
- Sinto muito, Weasley. A conhecia, não? 
- Não realmente. Era uma dessas pessoas que passam acidentalmente por sua vida. – Afastou-a de sua mente. Tinha que afastá-la. A morte, chegasse quando chegasse, sempre deixava responsabilidades, isso era uma certeza - Vejamos o que podemos fazer aqui. Você conseguiu falar com Neville?
- Afirmativo. Bloqueou o tele-link de seu escritório e diz que virá pessoalmente. Entrei com os dados do indivíduo, mas não tive tempo de estudá-los. 
Encaminharam-se ao escritório de Cerise. Pelo vidro viram Rabbit sentado, a cabeça entre os joelhos.
- Me faça um favor, Hermione. Peça a um agente que tome uma declaração formal dele. Não quero tentar nada com ele por enquanto. E quero este escritório vedado. Deixe-me ver se podemos encontrar o que, demônios, ela estava fazendo para que decidisse se matar.
Hermione entrou e se ocupou de fazer com que Rabbit saísse com um agente em questão de segundos. E com a mesma eficiência, trancou o escritório, selando as portas externas.
- Já é todo nosso, senhora.
- Eu já lhe disse para não me chamar de “senhora”? 
- Sim, senhora. - respondeu Hermione com um sorriso que esperava, levantasse seu ânimo. 
- Há uma espertinha escondida embaixo desse uniforme. - respondeu Gina - Ligue a gravadora, Hermione.
- Já está ligada. 
- Muito bem, aqui estamos. Chegou cedo ao escritório, está puta da vida. Rabbit disse que estava preocupada com um processo. Consiga informações sobre isso.
Enquanto falava, Gina andava de um lado para o outro na sala, absorvendo detalhes: as esculturas, em sua maioria figuras mitológicas de bronze, muito estilizadas; o tapete azul profundo para combinar com o céu; a escrivaninha em tons rosados e superfície brilhante como um espelho; o equipamento de escritório, reluzente e moderno, e do mesmo tom; um enorme recipiente de cobre cheio de flores exóticas; e um par de pequenas árvores em vasos. 
Aproximou-se computador, tirou de sua valise o cartão mestre e pediu o último relatório utilizado.
 
Último uso, 8:10 ,Telefonema a linha 3732-1 Legal, Cluster contra Tattler Entreprises.
 
- Este deve de ser a ação que a estava aborrecendo. - concluiu Gina - Enquadra com a declaração anterior de Rabbit. - Deu uma olhada para o cinzeiro de mármore com meia dúzia de pontas de cigarro. Recolheu uma com as pinças e a examinou – Tabaco caribenho com filtro de fibra. São caros. Guarde-os como prova. 
- Acredita que poderiam estar relacionados com algo?
- Algo a fez fazer aquilo. Tinha um olhar muito estranho. - Não esqueceria aqueles olhos durante um longo, longo tempo. Ela sabia disso. - Esperemos que haja bastante para um relatório de toxicologia. Leve também amostra dos restos do café.
Mas Gina não acreditava que fossem encontrar o que procuravam no cigarro ou no café, pois não tinha indício de substâncias químicas em nenhum dos demais suicídios. 
- Tinha alguma coisa errada nos olhos dela. – repetiu - E seu sorriso. Eu vi esse sorriso antes, Hermione. Na verdade já o vi algumas vezes agora.
Hermione guardou os sacos de evidências e lançou um olhar de relance para Gina.
- Acredita que está relacionado com os outros casos?
- Acredito que Cerise Devane era uma mulher bem sucedida e ambiciosa. E vamos seguir todos os trâmites, mas aposto que não descobriremos nenhum motivo do suicídio. Fez Rabbit sair. - continuou Gina, andando pelo escritório. Irritada pelo zumbido das aerovans que continuavam pairando no ar, levantou o olhar e grunhiu – Veja se a consegue encontrar os protetores de privacidade. Estou farta desses idiotas.
- Será um prazer. – Hermione se aproximou ao painel de comandos – Acho que vi Nymphadora Tonks numa delas. Pelo modo em que se inclinava, ela fez bem em se prender as cordas de sustentação. Poderia ter acabado como a estrela de seu próprio noticiário.
- Ao menos o cobrirá bem. - disse Gina e assentiu quando as persianas baixaram sobre os vidros – Bom. Luzes. - requisitou, e a sala voltou a se iluminar. Deu uma olhada no interior de uma pequena geladeira e encontrou refrigerantes, frutas e vinho. Uma garrafa tinha sido aberta e fechada com filme transparente, mas não tinha nenhum copo que indicasse que Cerise tinha começado a beber cedo aquele dia. E não haveria de ser algumas taças que tinham provocado aquele olhar, disse-se Gina.
No banheiro contíguo, que possuía uma banheira de hidromassagem, sauna pessoal e um tubo alterador de ânimo, descobriu um armário cheio de calmantes, tranqüilizantes e estimulantes legalizados. 
- Uma devota dos auxílios químicos, nossa Cerise. - comentou Gina – Leve a todos para análise. 
- Céus, tinha uma farmácia. O tubo alterador de ânimo está em posição de concentração, e a última vez que o utilizou foi ontem pela manhã. Esta manhã não.
- Então que fez para relaxar? - Gina entrou no quarto adjacente, que era uma pequena sala de estar equipada com toda as classes de aparelhos de entretenimento, uma poltrona de relaxamento e um andróide servente.
Um traje verde oliva, encantador, tinha sido sistematicamente dobrado sobre uma mesinha. Os sapatos combinando estavam no chão sobre eles, e as jóias, uma grossa corrente de ouro com um desenho intricado, uns sofisticados brincos e um elegante relógio gravador de pulso tinham sido guardados num recipiente de vidro.
- Despiu-se. Por que? Com que objetivo?
- Algumas pessoas relaxam melhor sem o incômodo da roupa. - explicou Hermione, e se ruborizou quando Gina lhe lançou um olhar curioso por cima do ombro – É o que dizem. 
- Sim. É possível, mas ela não se esquadra nessa categoria. Era uma mulher muito serena. Seu ajudante disse que nunca a tinha visto descalça sequer, e de repente se transforma em uma nudista de telhado. Não posso acreditar.
Pegou os óculos de realidade virtual colocados no braço da poltrona de relaxamento.
- Talvez tenha feito uma viagem. – murmurou – Está muito nervosa e quer se tranqüilizar, entra aqui, estica-se na poltrona e decide fazer um passeio.
Gina se sentou e pegou os óculos. Óculos de realidade virtual, murmurou. Fitzhugh e Mathias também tinham feito viagens antes de morrer, recordou.
- Vou ver até aonde foi e quando. Se lhe parecer que tenho qualquer impulso suicida depois de usá-lo ou decidir que me sentirei melhor sem os incômodos das roupas, estou ordenando que me faça desmaiar com um bom murro.
- Sem hesitação, senhora.
Gina arqueou uma sobrancelha. 
- Mas não quero que você se deleite com isso. 
- Odiarei cada instante. - prometeu Hermione e dobrou as mãos. 
Com uma risada fraca Gina deslizou os óculos de Realidade virtual sobre o rosto. 
- Visualizar hora da última viagem realizada. – ordenou – Bem no alvo. Ela utilizou às 8:17 desta manhã.
- Weasley, se for o caso, talvez não devesse fazê-lo nesse momento. Podemos fazer os testes em uma situação mais controlada.
- Você é meu controle, Hermione. Se eu lhe parecer muito feliz com a idéia de morrer, tombe-me. Voltar a executar o último programa. - ordenou recostando-se. - Cristo! – assobiou baixinho ao ver que se aproximavam dela dois jovens garanhões. Vestidos somente com algumas tiras de couro negro brilhante incrustadas de prata, tinham os músculos cobertos de óleo e os membros totalmente eretos.
Encontrava-se num quarto branco ocupado em sua maior parte por uma cama, e havia cetim embaixo de seu corpo nu, e véus de tecido transparentes pendurados acima da cama para filtrar a luz das velas que ardiam num candelabro de cristal. A música, suave e pagã, fluía pelo ambiente. Ela estava estendida sobre uma pilha de travesseiros de plumas, e começou a levantar-se quando o primeiro jovem Deus se sentou de joelhos sobre ela.
- Olha rapaz... 
- É só para seu prazer, senhora. - cantarolou ele untando seus seios com óleo aromático. Está foi uma má idéia, Gina pensou no instante em que experimentava um ligeiro e involuntário estremecimento de prazer entre as pernas.
O óleo foi deslizado por seu estômago, coxas, pernas, pés... até os dedos de cada pé.
Compreendia que essa situação fizesse uma mulher sorrir, mas não compreendia como poderia levá-la ao suicídio.
Mantenha-se à margem, ordenou-se, e se concentrou em outra coisa.
Pensou no relatório que tinha que apresentar ao comandante. Naquelas sombras inexplicáveis nos cérebros. 
Dentes se fecharam com delicadeza sobre um de seus mamilos, uma língua deslizou úmida pelo alvo capturado. Arqueou os quadris em resposta, mas as mãos se estenderam em protesto e escorregaram pelo duro ombro untado de óleo. 
Então o segundo garanhão se ajoelhou entre seus pés e começou a trabalhar nela com sua boca. 
Veio antes que pudesse evitar. Um pequeno estopim de realização.
Ofegando, tirou os óculos e encontrou Hermione olhando-a boquiaberta.
- Não era um passeio numa praia calma. - balbuciou.
- Pude ver isso por mim mesma. O que era exatamente?
- Um par de rapazes quase nus e uma grande cama de lençóis de cetim. - Respirou fundo e abaixou os óculos de realidade virtual - Quem diria que ela relaxava com fantasias sexuais?
- Tenente, em qualidade de sua auxiliar direta, acredito que é minha responsabilidade testar esse programa. Controle de evidências, já sabe.
Gina fez uma careta.
- Não posso permitir que corra esse tipo de risco, Hermione.
- Sou uma policial, tenente. O risco é uma constante em minha vida. 
Gina se levantou ainda corada e entregou os óculos a Hermione, e ao ver que seus olhos se iluminavam, apressou-se a ordenar:
- Guarde-os, oficial. 
Decepcionada, Hermione os colocou na sacola de provas. 
- Inferno. Eram bons?
- Eram deuses. - Gina retrocedeu até o escritório propriamente dito e lançou uma última olhada em sua direção - Vou chamar à equipe para recolher provas, mas não acredito que vão encontrar alguma coisa. Levarei o disco que carregou na central e entrarei em contato com os parentes mais próximos... ainda que os meios de comunicação já devem tê-los deixado a par do que aconteceu com essas malditas transmissões ao vivo. - Recolheu seu equipamento e acrescentou - Não sinto nenhum desejo de suicídio.
- Fico aliviada de ouvi-la, tenente. 
Gina olhou os óculos com o cenho franzido. 
- Quanto tempo estive viajando? Cinco minutos? 
- Quase vinte. - Hermione sorriu com amargura - O tempo voa quando estamos fazendo sexo.
- Não era exatamente sexo. - replicou Gina, a culpa a fez olhar para sua aliança de casamento – Se existisse algo nesse programa eu teria notado, teria sentido também. De modo que ainda seguimos sem nada concreto. De qualquer jeito vamos analisá-lo.
- Nós o faremos. 
- E esperar Neville. Talvez encontre algo interessante nos registros dos tele-links. Eu estou indo implorar ao comandante. Quando terminar aqui, leve as sacolas ao laboratório e o relatório para meu escritório. – Encaminhou-se para porta e lançou uma olhar por cima do ombro - E Hermione, nada de brincar com as evidências. 
- Estraga-prazeres. - murmurou a oficial quando Gina já não podia ouvi-la.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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