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1. Único.


Fic: Para Sempre Apenas um Desejo - Capítulo único.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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N/A: Detalhes da história inventados, já que é um fic, então... Bom, vão ter coisas que não existiram, ou não foram citadas... Eu nem sei porque estou falando isso.
Sabe, a idéia de escrever essa fic surgiu há muito tempo, e eu a escrevi lá em março/abril/maio (2008), toda a mão, e finalmente tive paciência para passar a limpo.
Eu nunca gostei muito do Snape, mas eu não quis desperdiçar o texto. E, além disso, depois de ler As Relíquias da Morte, eu comecei a enxergar ele como um personagem ainda mais complexo do que antes; provavelmente, o mais complexo de todos, e com certeza, um muito bem desenvolvido pela J.K.
De volta ao texto: ficou tão dramalhão mexicano - e talvez não-Sev, mas e se fosse você na situação, hã? - e às vezes obscuro, nem parece que fui eu, a Srta. ‘escrevo coisas bobas e felizes’, que escrevi. Mas, incrivelmente, eu gostei – e espero que vocês também gostem.



Fernanda M.

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Para sempre apenas um desejo


Era o dia. O casamento. O aguardado casamento de James Potter e Lily Evans. James, o garoto prodígio. O herdeiro oh-tão-perfeito da tradicional família Potter. Ninguém mais lembrava de tudo o que ele aprontara na escola. De garoto prepotente e arrogante que costumava ser. Ele nunca deixou de ser arrogante com um garoto em especial. Garoto esse que sentia o ódio, a raiva, a inveja, a tristeza o corroerem por dentro ao ler a ‘coluna social’ do Profeta Diário:


Como um conto de fadas:
Hoje, 3 de novembro de 1979, realizar-se-á uma das uniões mais esperadas e comentados de todo o ano. Trata-se do casamento de James Potter e Lily Evans. Os Potter constituem uma tradicional família do mundo bruxo, descendentes distantes dos Peverell. Família de sangue puro, dinheiro e poder, vê sua geração mais recente dar os primeiros passos que hão de direcionar a mais uma geração, se tudo der certo, de bruxos talentosos. James Potter, de 19 anos , é sem dúvida um orgulho para a família: talento reconhecido para o quadribol, excelentes resultados dos N.I.E.M.s, aversão à magia negra. Sabe-se que James foi recentemente aceito na academia de Aurores do Ministério da Magia, e deve começar seu treinamento após a lua-de-mel. A noiva de sorte é Lily Evans, também com 19 anos. São características marcantes seu longo cabelo ruivo e seus olhos cor de esmeralda, além de grande inteligência. A menina é nascida-trouxa, e vai quebrar a tradição sangue-puro da família Potter. Mas isso não representa um problema: “ela é uma garota adorável e de muitas qualidades. James não poderia ter encontrado uma garota melhor. Nós jamais nos importaríamos com suas origens” disse a Sra. Potter, mãe do noivo. Parece que Evans está sendo muito bem recebida na família. O que não é uma surpresa, tendo em vista todas as suas qualidades. Seu antigo professor, Horácio Slughorn diz que “Lily Evans sempre foi uma aluna admirável, tanto por seu talento natural, quanto pela excelente pessoa que sempre foi”. Parece que essa noite será mesmo como um conto de fadas para Lily Evans. Esperamos que tanto ela quanto James estejam preparados serem “unidos para a vida toda”.


Severus Snpae fechou o jornal e amarrou a cara. Que monte de besteira. Como se James Potter fosse mesmo o príncipe encantado. Ele estava bem longe de ser. Mas se você tem dinheiro e poder, todos esquecem do grande filho-da-mãe que você costumava ser. Você é citado como “garoto prodígio” na coluna social. Talvez fosse isso que faltasse a ele, Snape: descender de uma boa família, saber montar numa vassoura.


Snape ia pegar o jornal para jogar na lata de lixo, e acabou por bater na xícara de café, derrubando o último quarto de xícara que ainda não havia bebido.


“Merda” pensou ele, tirando a camisa molhada pelo café a jogando-a no chão. “Pelo menos eu vou trocar a camisa”.


Já usava aquela há três dias, e não tomara um banho sequer durante o período.


De repente, ouviu um barulho, e alguém apareceu ali. Bellatrix Lestrange, uma mulher estúpida que admirava o Lorde das Trevas mais do que qualquer coisa.


- Uau, Sev, que físico! – ela exclamou, depois soltou uma risada aguda que lembrava um guincho.


- Cale a boca – ele respondeu, vestindo uma camisa qualquer que estava jogada em sua mesa de centro.


- Assim você vai acabar por partir meu coração – ela disse, e mais uma vez soltou uma risada aguda que fez com que Snape sentisse vontade de bater nela, mesmo que fosse uma mulher.


- O que você veio fazer aqui? – ele perguntou, odiando-a mais do que tudo naquele instante. Por que ela não poderia aparatar lá fora, bater na porta e então ele poderia ignorá-la e continuar amargurando o casamento de Lily com Potter?


- Tenho um recado do Lorde das Trevas – ela respondeu. Seus olhos brilharam só de pensar em seu tão idolatrado Lorde.


- É mesmo? – Snape perguntou ironicamente. – E ele lhe passou esse recado durante a noite que passaram juntos?


- Fique quieto. Respeite o Lorde, respeite a mim. Sabe que sou casada.


- Sei. Mas isso nunca impediu que dormisse com ele às costas do seu marido. Ou talvez ele até soubesse e permitisse, se isso rendesse pontos extras para os Lestrange.


- Olhe aqui, Snape. Não fale assim comigo, eu não tenho culpa se a sangue ruim que você tanto ama escolheu outro e não você. Foi uma escolha inteligente a dela. Só vou ficar aqui para lhe passar a mensagem porque é de interesse do Lorde das Trevas.


- Estou ansioso para ouvi-la.


- Ele diz que você tem permissão para assistir ao casamento que ocorrerá hoje à noite, da qual o bastardo do meu primo será padrinho.


- Não, obrigado – ele respondeu amargamente.


- O Lorde faz questão – ela disse, sorrindo ao ver que ele tão evidentemente sofria com aquilo. – Tome cuidado para não ser visto, ou então, arranje do seu estoque poção polissuco e estará pronto para curtir a enorme festa que teremos hoje à noite.


- É realmente uma opção tentadora – ele disse com sarcasmo.


- E comporte-se melhor, ou terá de ser reeducado – ela disse, depois riu e desaparatou.


“Finalmente” pensou Snape. Não conseguia entender por que Voldemort queria tanto que ele fosse dar uma olhada no casamento, mas sabia que tinha mesmo que fazer isso, ou teria problemas futuros.


- Que droga – ele exclamou, enquanto esmurrava a mesa. A xícara de café que havia sobrevivido à primeira queda, dessa vez rolou pela mesma caiu no chão e se espatifou. Snape sentiu como se tivesse se espatifado junto com ela.


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Odiava James Potter. Odiava Lestrange. Odiava Dumbledore. Odiava o idiota de seu pai. Odiava o Lorde das Trevas. A única pessoa que ele não odiava naquele momento e que não seria capaz de odiar nunca era ela. Era Lily Evans. Havia se apaixonado na primeira vez que a tinha visto, quando ela nem sabia de sua existência. Instantaneamente, ela chamou sua atenção. Viraram amigos, mas Snape sempre quis algo mais, desde criança. Eles cresceram, e Lily despertava o interesse dos garotos a sua volta. Snape odiava cada um daqueles meninos. Ele teria feito tudo para guardar Lily só para si, mas essa opção não existia. No entanto, entre todos os garotos, o que Snape mais detestava era exatamente James Potter, que sempre o havia tratado como lixo. Potter se achava muito superior ao resto do mundo porque sabia quadribol, e porque era popular. Mas não passava de um estúpido. Ele foi um daqueles interessados em Lily. No início “james&lily” era uma possibilidade que a garota nunca pensaria em cogitar. Nessa época, Snape ainda era amigo da menina.


Mais tarde, porém, quando há muito Lily não falava com Snape, James acabou por conquistá-la. E naquela noite, 3 de novembro de 1979, eles se casariam, para a completa infelicidade de Severus Snape. Doeria com qualquer garoto, mas doía ainda mais pensar que sua Lily escolhera logo James Potter, o seu pior inimigo, sua pior desavença.


Mas ele, Snape, não a culpava por tê-lo largado. De maneira alguma ele poderia culpá-la. Ele mereceu. Cada um dos seus atos tem conseqüências, e agora Snape sabia disso.


Lily sempre o tinha ajudado. Sempre tinha continuado com ele, mesmo que todos achassem estranho que uma garota como ela fosse amiga daquele “menino estranho” que era Severus Snape. Mas ele estragou tudo. Ofendeu-a na frente de toda a escola, quando a menina tentava fazer James Potter parar de humilhar a ele próprio. Lily já tinha agüentado muito, já havia perdoado muito. Ela cansou, não perdoou seu amigo, aquela era a última vez. A amizade deles foi embora, como se tivesse sido levada junto com o vento.


Snape tornou-se aquilo que Lily sempre temeu: um Comensal da Morte, um seguidor do Lorde das Trevas. Atraiu-lhe todo o poder da magia negra, ele não poderia negar que sempre lhe atraíra. Mas, acima de tudo, fazia passar aquela sensação de não ser ninguém, de não ter nada para se prender. A sensação de que ninguém lembraria dele quando partisse do mundo. Bom, de alguma maneira, ia fazer com que fosse lembrado. Queria fazer as pessoas sentirem culpa, por ele ter virado o que virou, graças às humilhações, ao escárnio, ao desprezo. Agora ele era Snape, o Comensal as Morte – ele botava medo, era quase como se impusesse respeito. Ele tinha poder sobre outros.


No entanto, ele tinha certeza de que trocaria qualquer coisa no mundo por Lily.


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Anoiteceu, e Snape sabia que tinha de ir. Tudo o que o Lorde provavelmente queria, pensava ele, era que sentisse muita dor, para que mais tarde, essa dor virasse raiva e esta pudesse ser uma motivação para que ele fizesse o que quer o que o seu Lorde quisesse. Talvez parecesse sádico, mas Snape nunca esperou que lhe passassem a mão na cabeça ou lhe oferecessem o ombro para chorar as mágoas. Ele sabia o que estava fazendo, e agora já era tarde para desistir. Desistir significava morrer, e ela não queria ir sem fazer algo para ser lembrado.


Snape se obrigou a tomar banho, não era a idéia matar pessoas alheias com seu cheiro. Vestiu qualquer coisa, era mero detalhe. Pegou uma longa capa de viagem dentro do armário e vestiu; a capa possuía um capuz, que ele puxou sobre a cabeça para evitar seu reconhecimento. Saiu da casa (se é que aquele lugar poderia ser chamado de casa), fechou a porta e passou a chave à moda trouxa. Olhou para todos os lados da rua à procura de trouxas e como não avistou nenhum, aparatou para o lugar onde aconteceria o casamento.


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Snape se viu diante de uma casa enorme. Ao lado dela, na longa extensão de terra que era o jardim, havia uma espécie de toldo que cobria o altar e centenas de cadeiras já ocupadas por pessoas bem vestidas que conversavam e riam animadas. Ele imaginou que aquela fosse a casa dos Potter, afastada de grandes centros urbanos, permitindo assim que a família possuísse uma propriedade enorme. Ele presumiu que fosse a morada da família Potter, pois sabia onde Lily vivia e a família dela era inteira trouxa. Aproximou-se, mas sempre nas sombras: ninguém poderia vê-lo na penumbra.


Viu James Potter se mexendo nervosamente no altar. Algum amigo o cumprimentou, e ele sorriu. Snape sentiu muito ódio de Potter: este estava feliz porque estava prestes a casar com Lily Evans. A mesma garota que deveria ter sido dele, Severus Snape.


Continuou observando, reconheceu o cabelo muito loiro de Emmeline Vance. Lembrava-se dela, sempre fora muito bonita. Lá na frente estava Sirius Black, tentando acalmar Potter. Snape lembrava de Black, o outro idiota, a outra parte da “dupla dinâmica”. Agora ele era padrinho de casamento de seu amigo estúpido. Continuava a detestar ambos. Então, percebeu todas as pessoas virando-se para trás e levantando. Virou-se também.


Ela.


Lily Evans. Sua Lily, usando um longo vestido branco e uma tiara na cabeça.


Ela estava linda.


Sorria. Estava acompanhada pelo pai. Aparentemente, haviam juntado as famílias tão diferentes para a data importante. Um dia que Snape não esqueceria, era um dos piores de sua vida.


Lily caminhava ao som da marcha nupcial, ou qualquer que fosse o nome da música, a mais clássica. Todos por quem passava sorriam para ela, mas a jovem só conseguia olhar para James Potter, que sorria abobalhado de volta. Snape assistia à cena sentindo milhares de coisas ao mesmo tempo. Ele já não tinha certeza de mais nada.


Lily chegou no altar entregando o buquê à sua madrinha, uma de suas amigas bruxas da época do colégio. A música parou, todos os convidados voltaram a sentar. O velho bruxo que realizaria o casamento começou uma enorme ladinha da qual Snape não ouviu nem ao menos uma palavra, porque ficou apenas admirando Lily. Ela não estava muito arrumada, na verdade, demonstrava simplicidade. Mas ela era naturalmente linda e a felicidade a deixava ainda mais radiante. Era uma alegria pura e verdadeira, e Snape sabia disso, por mais que achasse difícil admitir.


O bruxo perguntou a Potter se ele aceitava Lily como sua legítima esposa.


“Não” pensou Snape. “Ele não aceita. É exatamente por isso que estão dando essa merda de festa”.


Snape ouviu Potter responder um ‘sim’ todo animado, e desejou que ele desaparecesse da face da terra em um piscar de olhos.


O bruxo então perguntou a Lily se ela aceitava Potter como seu legítimo esposo.


“Não” pensou Snape, novamente. “Diga que não. Diga que foi um erro. Eu estou aqui esperando por você. Para sempre”.


‘Aceito’, foi o que ela respondeu, feliz, e ao mesmo tempo com a voz embargada pelas lágrimas de emoção.


Snape perguntou como poderia estar ouvindo tudo o que era dito em alto e bom som. Ele fora tão amplificado assim? Ele se perguntou se alguém sabia que ele estava lá, e se teriam feito isso de propósito. Era realmente um artifício do qual Potter não lançaria mão. Ele se sentiria ainda mais feliz com um Snape completamente infeliz.


Por que diabos ele não estava mais pensando racionalmente?


Uma lágrima rolou pelo rosto dele, no momento em que os noivos selavam a tão abençoada união com um beijo. Mais alguma lágrimas rolaram, e Snape não tentou conte-las, ele se sentiria quase desumano se não chorasse. Amava Lily Evans como poucas pessoas são capazes de mar; amava-a mais do que à própria vida.


Agora os noivos cumprimentavam os convidados, começando por seus pais. Snape continuava assistindo. Poderia acabar com aquele martírio, tinha estado lá, afinal. O Lorde das Trevas não poderia reclamar. Ele poderia usar a ligelimência, inclusive. De qualquer forma, Snape era um excelente oclumente, poderia usá-la. Mas ele se atreveria, diante deu mestre tão poderoso?


Ele continuava divagando, mas não se mexeu. Continuava assistindo tudo. Lily e Potter estavam recebendo os cumprimentos de seus convidados, por longos minutos. E Snape continuava lá. Até que os noivos já haviam sido cumprimentados por todos, e com a ajuda da magia (Snape se perguntou como a família Evans teria reagido a isso), a festa começou. Lily e James vieram até a entrada, para receber os cumprimentos de uma senhora muito velha, que parecia nem poder se mexer.


Snape se aproximou mais e mais. Mas ninguém reparou nele. Todos agora só queriam se divertir. Ele tirou o capuz, deixando o rosto à vista. Nem ligava se estava se arriscando. Lily desviou os olhos para os jardins por um instante. Ela o viu, ele sabia que a jovem o tinha reconhecido. Ele a encarou, e ela sustentou o olhar por um segundo, para depois encarar Potter e sorrir. Ele sorriu de volta. Snape sabia que aquele era o sorriso mais sincero da garota, assim como supôs que fosse o do garoto. Lily amava James Potter, e agora, mais do que nunca, Snape teve certeza daquilo. Ele sempre soube, mas agora finalmente parecia real, e o sentimento de perceber toda a verdade era como uma facada. Ele esperou que Lily fosse berrar ‘Snape! O Maldito Comensal da Morte’ ou qualquer coisa do tipo, mas ela nada disse. Ele puxou o capuz sobre a cabeça outra vez e voltou para a escuridão a passos largos. Poderia voltar para casa num piscar de olhos, mas não quis fazer isso.


Saiu dos terrenos da propriedade pôs-se a caminhar, sem rumo. Muitas lembranças passaram por sua cabeça num flash: ele falando com Lily pela primeira vez; os dois indo para Hogwarts; Lily sendo aplaudida por toda a mesa da Grifinória quando foi mandada para a casa pelo Chapéu Seletor; o dia em que ele esteve muito perto de beija-la, no quarto ano. Lily fugiu daquele momento, e os dois preferiram ignorá-lo, embora Snape pensasse naquilo o tempo o todo. Como desejou, como esperou por um momento que nunca chegou. Snape amava demais à sua pequena Lily Evans. Ele sempre a quis, e agora continuava a querê-la, não importando que fosse uma mulher casada. Mas mesmo que fosse doloroso, ele sabia, e precisava admitir, que aquele seria para sempre apenas um desejo.

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