“Você tem idéias ao sonhar acordado. Você tem idéias ao estar entediado. Você tem idéias o tempo todo. A única diferença entre escritores e as outras pessoas, é que nós percebemos quando estamos fazendo isso.” - Neil Gaiman.
Capítulo 1
- O que eu quero que você entenda, Lily, é que o conto não está ruim. Só que ele não está original – dizia a professora Cole tentando não ferir meus sentimentos. – Está dentro do tema, mas eu poderia compará-lo a um daqueles milhares de filmes de romance adolescente. E eu sei que você é capaz de fazer muito mais, de ir muito mais fundo.
Em um lindo dia de sol... Mentira: eu moro em Londres, e estou querendo falar sobre um dia comum. Então, em um lindo dia sem sol, abri minha revista literária favorita, a Publisher e dei de cara com o concurso de contos que eles estavam promovendo. Alguns meses, seis fases, seis contos. Você ia avançando se os seus contos fossem bons e os temas iam ficando mais difíceis. No final, o ganhador ia ter seus seis contos publicados – e isso ia valorizar seu nome de uma maneira que nem posso descrever.
Soube que essa era minha oportunidade assim que li o título do concurso e resolvi que eu precisava participar – não podia deixar uma chance dessas me escapar. Fui atrás de um mentor, um revisor, não sei como chamar – acho que eu estava atrás de um pouco de tudo. Mas fiquei com medo de escolher algum dos professores da minha escola – eles já me conheciam há muitos anos, e talvez até muito profundamente para que funcionasse. Então fui procurar na escola da encarnação do mal da minha irmã, Petúnia Evans. E daí encontrei a professora Cole. Ela era bem o que eu estava procurando: jovem, mas não demais; mente aberta, mas não o suficiente para aceitar o que quer que viesse.
Eu tinha passado pelas duas primeiras fases, e tinha sido relativamente fácil: dei o meu melhor, mas não quebrei a cabeça e nem me desesperei (eu choro muito quando estou com raiva de mim mesma, da minha própria falta de força de vontade). O primeiro tema era uma adaptação de um conto infantil: escolhi A Bela e a Fera, meu preferido, e contei a história de uma linda garota, filha de um Físico meio maluco, que se apaixonou por um menino feio de doer, insensível e herdeiro de uma grande empresa do ramo da moda. Fácil. O segundo tema era um amor destruído pela guerra: esse também não foi difícil porque eu já assisti muitos filmes sobre o assunto, e ainda acrescentei mais outros à lista quando soube que era tema da segunda fase do concurso.
Quando recebi o terceiro tema, também não me assustei: a história de uma jovem estudante do High School, apaixonada por um garoto da Lista-A, que acreditava ser impossível viver a história de amor dos seus sonhos. Mas ela conseguia, só para descobrir que ele não era nada do que imaginava. Esse tema me pareceu tão ridiculamente fácil... Com todos aqueles filmes adolescentes bobos que eu já tinha assistido, eu conhecia o assunto (sabe como é, “escrever o que conhece”), eu podia usá-los como base tranquilamente.
Mas não foi assim. Três dias depois de eu entregar meu conto à Prof. Cole (conto esse escrito em outros três dias, revisado em um), eu e ela estávamos tendo aquela conversa: “não é ruim, mas não é original”.
- Como eu posso ir mais fundo – eu quis saber – em um tema que não tem nada de profundo?
- A questão é essa – explicou a professora Cole, pacientemente. – Se você encontrar a profundidade em um tema que nunca é explorado verdadeiramente, que nunca é escavado bem a fundo, vai eliminar concorrentes. Vai fazer com que os examinadores percebam que você pensa, não só escreve.
Tentei não levar a última frase para o lado pessoal. Com certeza ela não quis me ofender.
Eu apoiei os cotovelos na mesa e pressionei meus dedos nas têmporas, fechando os olhos. Como se a minha vida fosse muito complicada e cheia de problemas dificílimos de resolver ou algo assim.
- Como eu vou fazer isso? – perguntei, sem esperança. Eu tinha tanta coisa para fazer para a escola... E eu sabia que a Prof. Cole não ia responder essa pergunta.
- Aí é que está, Lily – ela falou, paciente. – Mas, se quiser um conselho, coloque-se no lugar dessa garota. Viva o que ela quer viver, seja ela. Saia da sua zona de conforto. Sabe como é que escritores escrevem só o que conhecem? Eles passam a conhecer o que é desconhecido, sobre o que querem escrever.
Não podia ser tão difícil. Eu já era uma nerd e eu podia fazer um dos atletas descerebrados ficarem comigo com um pouquinho de esforço, com uma certa melhor amiga chamada Marlene McKinnon e, mesmo não acreditando que eu pensei isso, com minha irmã, Petúnia Evans.
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É por isso que eu estou, nesse momento, sentada na cadeira da minha escrivaninha, encarando meu monitor, sem coragem para abrir o Facebook e procurar pela minha vítima. Digo, pelo garoto que vai servir de objeto de estudo. (N/A: não sei qual é a rede social mais usada no Reino Unido, se é que lá eles gostam de redes sociais, mas escolhi o Facebook porque é uma coisa mais genérica, sabe como é. orkut for life! – hahaha)
Só que eu preciso. Eu preciso fazer isso. Preciso dar meu melhor. Preciso dar um jeito de publicar alguma coisa, qualquer coisa, para provar para os meus pais que eu posso viver da minha criatividade. Não quero trabalhar com mais nada – medicina, lei, investimentos, construção... Nenhum ramo é interessante o suficiente. A não ser, é claro, uma vaguinha no New York Times, mas vou ser realista e admitir que nunca vou conseguir isso.
Depois desse pequeno jorro de pensamentos, fiz o login no site e fui para a minha lista de amigos. Fui passando os olhos pelas pessoas que tinha lá. Muitas delas nunca tinham trocado uma palavra comigo. Algumas delas eu nem suporto. E ainda assim são todos meus “amigos”, para todos os efeitos. Eu tenho muitos “amigos” que se encaixam na categoria “atletas descerebrados”, mas todos eles parecem me repelir. Se eles me repelem virtualmente, posso imaginar como seria ao vivo.
Continuei olhando aquela lista imensa... Tudo bem, tenho que admitir que isso nunca vai funcionar. Eu nunca tive um namorado, eu não sei como conquistar um garoto – pelo menos, não intencionalmente. Como eu vou conquistar um garoto do tipo que eu praticamente abomino? Vou decepcionar a professora Cole, mas não vou tentar “viver a minha história”, ela vai ser completamente imaginativa... ESPERA! Eu não vou decepcionar a professora Cole. Porque se eu decepcioná-la, eu vou frustrar todos os meus próprios planos.
E, além disso, eu achei. Minha vítima, quero dizer. Meu coleguinha escola. Eu soube que tinha que ser ele quando pus os olhos no seu nome – James Potter. Ele é a minha melhor alternativa. Porque, apesar de ser do time de futebol, presença confirmada em qualquer festa ou outra atividade para desocupados, ele não é descerebrado. James tem as médias entre as mais altas da escola. Eu me pergunto como ele acha tempo pra sair com seus amigos Lista-A e ainda assim tirar notas boas. Talvez ele seja um vampiro. Ele podia ser um Edward Cullen enrustido...
Chega, Lily! FOCO, FOCO! Tem o detalhe mais importante. James realmente me chamou pra sair, umas três vezes, faz uns dois anos. E eu recusei todas elas, porque aos 14 anos eu já abominava os atletas Lista-A. Mas o importante é que se há dois anos eu era boa o suficiente para ele, deve ser mais fácil fazer ele ficar comigo agora. Ele me chamou para sair por algum motivo e algum resquício disso tem que existir nele.
Juntei toda a minha força de vontade para deixar uma mensagem pra ele. Eu comecei a escrever e apaguei pelo menos umas cinco vezes. Mas eu preciso fazer esse conto dar certo. Preciso.
Hey, James! É Lily Evans, sabe, da escola. Eu vi você na minha lista de amigos e parei pra pensar...
Faz tantos anos que a gente estuda juntos e nem nos falamos direito, não é? Me passa seu MSN pra conversarmos mais... Sei lá.
Lily xx
Bom, eu já admiti para mim mesma que não sei puxar assunto, nem agir naturalmente sob pressão. Potter provavelmente vai ler a mensagem e rir. Possivelmente vai pensar “o que essa nerd quer comigo? MSN? Pra ela? Rá!”. Mas eu pelo menos posso provar pra mim mesma que tentei. Talvez eu deva tirar um print screen da mensagem enviada para que a Prof. Cole acredite em mim – não que isso vá valer de alguma coisa.
Apesar de eu acreditar que a missão será um fracasso, eu tenho que fazer o plano da história. Certo. Vou começar. Quais as características que eu espero perceber em Potter?
1. Ele sabe que as garotas o amam e se aproveita disso. Não quero nem imaginar com quantas ele já ficou na vida.
2. Presunção?
3. Uma autoconfiança tão grande que faz com que ele se ache melhor do que o resto do mundo?
Legal, estou fazendo TUDO ERRADO. A menina da minha história sonha em sair com o idiota. Ela espera que ele seja o ser mais perfeito, mais maravilhoso de todo o universo. Eu preciso esperar coisas tipo... Ser extrovertido, ter boas histórias para contar, ser um bom namorado...
É, não estou em condições de fazer essa lista agora.
- LILY, TELEFONE PARA VOCÊ! – ouvi meu pai gritar lá de baixo. Ele deve ter acabado com suas cordas vocais para me fazer ouvir daqui.
Desci as escadas e peguei o telefone da mão dele, depois voltei para meu quarto. Mas devia ter ficado na sala, já que meu pai acendeu a lareira e a temperatura lá estava bem melhor do que no meu quarto sem lareira, só com um aquecedor mixuruca.
- Alô? – falei. Provavelmente é a Marlene, a minha melhor amiga.
- E aí, Lily! – acertei, é Marlene. No seu bom humor habitual. – O que vai fazer hoje?
- Assistir alguma coisa na televisão? – sugeri.
- Lily, hoje é sexta à noite! Faz quantas sextas à noite que você não sai mesmo?
Então, isso é um problema. Lene acha que eu tenho que sair mais de casa. Mas eu nem sou uma pessoa reclusa, é só que estamos no ápice do inverno no hemisfério norte e a temperatura na rua nesse momento é de 4ºC. O que mais me deprime nessa história toda é que se você entrar no site do tempo vai ver que a temperatura nos países tropicais, no mês de janeiro, está entre 25 até 40 graus. Se bem que isso é meio quente demais. Ops, Marlene está no telefone.
Tentei explicar para ela que estava frio demais para que eu me animasse a deixar o conforto da minha casa.
- Meu Deus, você é fresca mesmo. – ela riu. – Não quer nem vir aqui? Tem uma lareira enorme na minha sala de estar... E Christina pode fazer fondue pra gente!
- Quando você coloca as coisas desse jeito... – sorri ao pensar na fondue de chocolate da Christina, a empregada dos McKinnon. – Vou esperar meus pais saírem para o teatro para eles me conseguirem uma carona, ok?
- Ótimo – ela falou alegre.
- E eu preciso conversar com você – eu disse, lembrando da minha missão. Digo, de conquistar um atleta descerebrado.
- Conversa agora – ela pediu, mas eu neguei dizendo que “mais tarde”. Ela ainda reclamou um pouco, mas por fim cansou, dizendo: - Legal, Lily, faça suspense. Te vejo mais tarde.
Aproveitei a deixa para falar com a minha irmã. Eu precisava da ajuda dela também. Porque Petúnia sabe se vestir, se arrumar... Ela sabe parecer bonita, embora não seja tanto assim. Sei que ela é minha irmã, mas ela tem um pescoço longo demais, um rosto muito comprido para ser bonita. Embora seu cabelo loiro, seus olhos e seus longos cílios sejam realmente admiráveis. Não acredito que estou tentando descrever a minha irmã.
Desci as escadas, uma vez que já tinha visto Petúnia na sala com meu pai.
- O que estão assistindo? – perguntei, sentando no sofá ao lado do meu pai.
- Gossip Girl – respondeu Petúnia. Eu olhei para a tela: lá estava Chace Crawford, com uma menina cujo nome eu não sei – uma morena. O Chace é tão lindo.
- Papai está assistindo Gossip Girl? – perguntei realmente espantada.
- Estava só esperando sua mãe sair do banho – ele explicou, levantando, uma vez que pudemos ouvir o aquecedor de água ser desligado lá na área de serviço.
- Não entendo porque é que você assiste isso – eu disse para Petúnia. – Tirando o fato de o elenco masculino ser perfeito. Mas olha a história: jovens que só sabem armar uns para os outros, trair, mentir, beber, usar drogas e fazer sexo. Seus pais não impõem nenhum respeito, e, ainda por cima, um ser anônimo criou um blog super visitado para expor a vida pessoal dos alunos da escola.
Petúnia revirou os olhos, mas nem olhou para mim quando disse:
- Televisão foi feita para você assistir e se desligar da sua realidade, não para mostrar modelos de caráter.
Esse tipo de frase só é construído pela Petúnia uma vez a cada década.
- E – ela continuou – o que é que você gosta de assistir?
- Supernatural, Law & Order e The Tudors – respondi. E também Hannah Montana e Os Feiticeiros de Waverly Place, quando não tem ninguém para testemunhar.
- Uau – ela falou ironicamente.
Aproveitei que começou o intervalo para falar o que eu queria.
- Tudo bem, Túnia, não estou julgando seu gosto para seriados. Pode olhar para mim? – ela olhou. – Preciso da sua ajuda.
- É mesmo? – ela falou, sarcástica. Eu assenti. – Fala, sua mala.
Nem liguei para o insulto.
- É só que você se veste tão bem, você sabe se arrumar... Eu... Precisava de... – Suspirei. – Uma ajuda com isso.
Ela ergueu uma sobrancelha para mim. Eu fiquei em silêncio, esperando.
- Isso tem a ver com algum garoto? – ela perguntou. Eu olhei para o chão e assenti. Se fosse um sentimento real por um menino, provavelmente seria esse meu comportamento.
- Sabia! – ela comentou. – Quem?
Mordi o lábio. Eu devo dizer? Eu não sei se confio em Petúnia o suficiente... Mas ela nem estuda mais na mesma escola que eu. E, além disso, é para o “sentimento” se tornar público.
- James Potter – eu disse, por fim, ainda olhando para baixo.
Petúnia ergueu sua sobrancelha para mim de novo. Ela sabia que eu tinha rejeitado James faz alguns anos. Mas não comentou nada.
- Amanhã de tarde. Vamos sair para fazer compras. E depois cuidar de você.
Abri um sorriso.
- Obrigada!
- Tá, tá, de nada – ela falou, desviando o olhar de volta para a TV. – Agora cala a boca, a cena é com o Chuck!
Eu olhei para a TV também. Tudo o que eu vi foi um garoto usando sobretudo, camisa rosa, cabelo lambido. Mas a voz dele é sexy. Whatever.
Passo um; fase 1: completo.
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- Meu Deus, o vento está congelando! – Marlene me recebeu na porta de casa. – Entra logo.
Eu entrei. Assim que ele fechou a porta, pude sentir o calor da lareira invadindo a casa. Tão, tão bom.
- Vem, vamos pra sala – ela disse. – Tá passando Gossip Girl na TV!
Não. Ela deve estar brincando.
- Isso não é possível. Já estava bem passando antes de eu sair de casa – eu falei, enquanto a seguia para a sala.
- É, sexta-feira passam dois episódios seguidos. – Ela sentou em um dos sofás.
- Maravilha – eu comentei, sentando no outro, e revirei os olhos.
- Mas é repetido – ela explicou. – Então não tem importância. O que é que queria falar comigo?
Essa é Marlene McKinnon, sempre ansiosa. Aliás, é uma das características mais marcantes dela. Não é bom adiantar que precisa falar com ela. Lene não sabe esperar, então ela fica te importunando para falar logo.
- Meu Deus, desespero, não pode esperar? – Eu ri, encostando a cabeça no encosto do sofá, quase deitando. Eu amo os sofás brancos e macios da Sra. McKinnon. Na verdade, eu amo toda a sala de estar dela – a parede vermelha contrastando as outras paredes, que são brancas, o tapete que é tão macio quanto os sofás, a lareira no canto.
- Não, não posso! – Marlene riu também, brincando com uma mecha de seu cabelo castanho. Esse é um típico sinal de impaciência dela.
- Tudo bem, vou contar. – Ajeitei a postura e contei para ela toda a história, desde esta tarde, no escritório da Prof. Cole. Porque sobre o concurso e os contos ela obviamente já sabia.
- Quer dizer que você quer ficar com o Potter pra usá-lo como cobaia? – Lene perguntou quando eu terminei minha versão resumida dos fatos.
- Basicamente... – Dei de ombros. Não entendi o tom acusador dela. Lene sabe tudo o que eu tenho que passar para escrever, e, principalmente, ela sabe dos meus sonhos.
- Lily, você vai ter que me desculpar, mas isso é horrível! – ela exclamou. – Isso se chama usar alguém.
- Não, não é – eu neguei, o tom de irritação incontrolável na minha voz. – Estou perseguindo meu sonho, Lene. Tem coisas que a gente precisa fazer... a gente precisa ter a coragem de fazer para conquistar nossos sonhos.
- Não, Lily! – ela exclamou, de maneira surpresa. – E me surpreende ver você pensando assim. Porque a Lily Evans que eu conheço, minha melhor amiga, tem princípios, tem moral. A Lily Evans que eu conheço não ia arquitetar um plano para usar alguém como se fosse descartável. Você está usando o princípio maquiavélico de que “os fins justificam os meios”, só que não é assim que funciona, Lily, e você sabe disso.
Eu não consigo acreditar nisso. Marlene está me dando uma lição de moral? Por ir atrás do que eu quero? Eu achei que ela me compreendesse.
- Me desculpe por ir atrás do meu objetivo – falei. – É isso que você quer? Você não entende porque nunca teve objetivos, Marlene. Sua vida sempre foi...
- Pare – ela me interrompeu. – Não vai me ofender aqui, dentro da minha casa, para justificar seus erros.
- Ótimo – eu disse, sem conseguir evitar a irritação. – Não vou. Termina aqui, agora. – Suspirei. – Não vai ficar do meu lado, não é?
- Não – ela disse, firme, me olhando nos olhos. – Não quero que você cometa esse erro, Lily. Sabe que sou sua amiga, quero evitar que se arrependa, que se machuque.
- Claro, tenho certeza que sim – falei sarcasticamente. – Você percebeu que está defendendo o lado de James Potter, Marlene? Um garoto que, pelo que eu me lembro, já usou um monte de garotas pra conquistar seus objetivos.
- Lily, você nem o conhece – ela me repreendeu. – Você o detesta e nunca fala com ele. Como é que pode saber se ele usou alguma garota? Como é que você poderia saber se as garotas com quem ele fica não querem só isso também? Nem todas as meninas do mundo estão esperando o príncipe no cavalo branco.
E eu sei que isso é diretamente para mim. Porque eu, com todo meu esforço, apesar da grande decepção que eu sofri ano passado, ainda acredito em romance. É, talvez eu seja uma idiota mesmo.
- É, tem razão – eu falei, sentindo que ia chorar. Fazendo força para reprimir as lágrimas que provavelmente viriam, eu continuei: - Eu sou muito estúpida mesmo.
Então eu levantei do sofá da Sra. McKinnon e fui para a porta, caminhando muito rápido. Passei por ela e a fechei com cuidado atrás de mim. O frio da rua me fez tremer. Não sei quanto tempo terei que esperar aqui e provavelmente isso resultará num resfriado horroroso. Mas não tem nada que eu possa fazer.
Peguei o celular dentro da bolsa e consegui ligar, com muito esforço devido aos meus dedos congelados pela baixa temperatura, para o ponto de táxi que eu costumo chamar quando estou na casa dos McKinnon e não tenho carona para voltar para casa.
Marlene abriu a porta atrás de mim e disse:
- Lily, espera. Olha o drama.
Eu a ignorei e pedi um táxi para a rua da Marlene. Em cinco minutos, disse quem atendeu o telefone.
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N/A: Nada como um bom drama para começar, hahaha. Gente, a Marlene é e vai ser uma boa amiga durante a fic, ela só está defendendo o lado certo da história (o mesmo que eu defenderia), afinal, a Lily vai mesmo usar o coitadinho... Não, coitadinho não. O James.
Ficou muito decepcionante? Eu gostei dele, mas alguma coisa me diz que vocês não vão gostar. Esse capítulo introduz a história e também um pouco da personalidade da Lily, mas ela vai ser mais bem explorada com o desenrolar da história, right?
Acho que era isso, não sei mais o que comentar sobre a fic, e eu acabei de lembrar que isso não é meu blog, então apaguei o parágrafo inteiro que eu tinha escrito falando sobre As Brumas da Avalon e o que tem acontecido por lá que me deixou muito... Decepcionada. Exasperada. Mas enfim.
Espero que gostem e que não me abandonem! E obrigada pelos comentários, gente! Fico sempre muito feliz com eles.
Fernanda M.