CAPITULO 81
O primeiro movimento
Hermione acordou em uma cama estranha. Isso não era novidade, vinha acordando em camas estranhas a algum tempo, pois sua mente tinha dificuldades em desassociar sua cama antiga de casa e de Hogwarts como cama oficial.
Mas essa cama era especial. Tinha o cheiro de Rony. Um cheiro forte e másculo que estava também impregnado em sua pele.
Deitada de lado, com a cabeça no travesseiro, ela notou pequenas coisas, como o fato de ter um lençol sobre ela, protegendo seu corpo de qualquer frio noturno, e também, a presença inegável de um braço sobre sua cintura.
Um braço, e um corpo sólido, agarrado a ela pelas costas.
As lembranças vieram a sua mente e ela suspirou. Havia sido uma noite fantástica. Em seus sonhos mais loucos ela pudera fantasiar sobre algo assim. Rony era um amante dedicado e ousado, e a levara ao mundo do sexo com maestria.
Acordar para um novo dia em seus braços, fez apagar qualquer possível pensamento sobre deixá-lo. Juntos, poderiam achar um jeito de escapar das maluquices de Mary.
Com essa certeza, se alinhou contra ele, fechando novamente os olhos.
Rony sentiu quando ela acordou e esperou. Hermione era muito esquiva as vezes e não queria assustá-la. Ela ficou acordada por alguns minutos pensativa e ele esperou pacientemente que dissesse algo. Mas ela voltou a se aninhar em seus braços e adormecer.
Estava relaxada e ele sorriu satisfeito. Era cedo ainda, e daria tempo para preparar um café da manhã antes que voltasse a acordar. Queria surpreende-la.
Saindo da cama com cuidado para não acordá-la novamente, ele colocou a cueca que estava jogada no chão, e andou para a cozinha. Era uma peça tipo short e poderia andar livremente pelo apartamento, pois só estavam os dois.
Feito sua higiene ele se concentrou no café da manhã. Não era nenhum perito em culinária, mas poderia fazer ovos mexidos e torradas. Tudo para sua princesa recuperar as forças e estar pronta e animada para mais emoções ao seu lado.
Era cedo, e poderiam ter mais um tempo juntos antes do trabalho e era com isso que ele contava, e com a possibilidade dela querer apanhar suas coisas e vir morar com ele ainda naquele dia. Levaria mais uns dois dias até que ele conseguisse se mudar, por causa das meninas, mas ela já poderia ficar ali, no cantinho dos dois.
Inspirado, ele começou a assoviar enquanto esperava a água ferver para o café. Tinha que ser forte e sem açúcar. Ainda se lembrava disso também.
Colocando uma flor branca sobre a bandeja ele arrumou as xícaras e conferiu o estado da cozinha antes de decidir que estava tudo em ordem.
Na noite anterior ele ignorara o mundo ao seu redor, e queria começar assim aquele dia, ignorando o mundo ao seu redor. E foi o que fez ao ouvir batidas na porta.
Ainda não contara a ninguém sobre aquele apartamento, sendo ele e Hermione os únicos que sabiam, sendo assim não era com ele. Provavelmente algum engano.
As batidas ficaram mais insistentes e ele exasperou-se. Quem poderia ser?
Deixando a bandeja, ele abriu a porta irritado, ficando se ar ao ver quem era.
Mary baixou o punho que pretendia bater novamente contra a madeira de forma insistente e arrumou a alça da bolsa no ombro, olhando para ele da cabeça aos pés. Era meio obvio que acabara de sair da cama.
E pela sua expressão culpada era claro e nítido o que estivera fazendo nessa cama.
-O que está fazendo aqui, Mary? – ele perguntou mantendo a porta parcialmente fechada, deixando claro que ela não entraria.
-Precisava encontrá-lo – ela disse séria, os olhos úmidos. Mas não desistiria.
-Eu avisei que passaria a noite fora. Que seria a primeira, e não a única. Mary, não haja como se não soubesse que estou saindo de casa! Como foi que descobriu esse local?
-Isso importa? -ela maneou a cabeça, segurando a bolsa como se isso dependesse sua vida e estabilidade – Eu só queria avisá-lo que Sara voltou a passar mal ontem a noite. Foi apenas uma indisposição, mas ela está de cama. Talvez já não lhe importe mais. – ela jogou na sua cara.
-Chamou o medico? – ele perguntou sem crer nisso.
-O que acha? É claro que chamei! Estou apenas lhe comunicando, como saiu de casa, não faz mais parte da sua vida se as meninas estão doentes ou não, mas não me sentiria bem se Sara morresse sem ver o pai.
-Acabou de dizer que foi apenas uma indisposição! – ele disse ficando púrpura de raiva com a insinuação.
-Sim, me expressei exageradamente, mas não me peça autocontrole. Não quando está na cama com outra!
-Nosso casamento acabou. Não vou me desculpar por isso, você tem outro, Mary. E eu também tenho outra. Aceite isso. Acabou.
-Para você é fácil falar... –ela pôs a mão sobre o ventre – estou esperando um filho seu e o amo. Para mim não acabou. Apenas...pense em Sara um pouco. Ela está tão pálida...precisando de você.
-Seu eu descobrir que você a envenenou eu juro que faço você beber o mesmo que ela tiver tomado. Está entendendo? -ele disse sério, fechando a porta em sua cara.
O baque foi alto, e ele sentiu o coração parar. O mundo os encontrara. Não havia como fugir.
-Ela está certa.
A voz quase o matou de susto. Hermione estava de braços cruzados, vestindo sua camisa. Ela não calçara nenhum sapato, havia provavelmente acordado por causa das vozes alteradas.
-Sara não tem culpa de nada. –ela completou.
-Hermione, não posso ceder sempre – ele avisou sério – Mary está usando isso contra mim, e me pergunto até onde ela iria.
Infelizmente Hermione já não tinha mais duvidas de até aonde ela iria.
Havia cumprido a ameaça. Hermione não era boba, era claro que isso era apenas um aviso.
-Eu achei que daria certo, Rony -ela disse triste, evitando olhar para ele – Achei que poderia conviver com isso, mas estava me enganando. Eu não posso. Não posso ser mãe de duas filhas de outra mulher, muito menos de mais um recém nascido. Não posso conviver com uma ex batendo em nossa porta ou com a culpa de tirara-lo do seio de uma família constituída. Elas precisam de você mais do que eu.
-O que está dizendo? -ele não acreditou no que ouvia.
-Eu fiquei me enganando, Rony e sem querer, engano você. – ela deixou as palavras ensaiadas saírem com fluência, como quem repete um texto sem notar as palavras ditas – quando soube do bebê, eu decidi deixá-lo, mas faltou...mas faltou coragem para encarar a sua falta. Eu deveria ter sido sincera desde o começo. Mas é melhor que diga agora, do que depois.
-Está impressionada com isso tudo. –ele concluiu se aproximando e abraçando-a – Está apenas se deixando levar por Mary e suas cobranças.
Aquele abraço quase a rachou. Melhor aproveitar a hora, que era relativamente a seu favor, depois tudo ficaria ainda mais difícil. Sem corresponder ao abraço, ela o empurrou gentilmente, porem decidida:
-Não estou impressionada, eu pensei muito nisso. Confesso que a noite passada me fez perder a cabeça – tentou não soar tão gelada, mas não podia evitar – mas agora, a realidade esta de volta, e não tem sentindo continuar com algo sem futuro.
-Eu te amo, e você sente o mesmo, como não tem futuro? -ele perguntou horrorizado.
-Por favor, Rony, seja adulto. Só amor não basta quando se é adulto. – ela disse se irritando- você é casado, tem duas filhas e mais um filho a caminho. Eu sou livre e solteira, e não tenho filhos, e não quero ter! Eu achei que poderia conviver com eles quando seriam uma visita!
-O que? -ele não parecia acreditar nos próprios ouvidos.
-Eu achei que elas morariam com Mary. – mentiu – e quando achei que Mary não prestasse, tomei consciência que teria que conviver com elas. E não quero isso, não quero conviver com suas filha. Eu amo você, Rony. Não as amo. Não as conheço, e se for sincera, não quero conhecê-las.
-Está não é a Hermione que eu conheço falando – ele disse incrédulo, achando aquilo tão surreal que quase riu.
-É claro que não é. Você não conhece essa Hermione. E eu não conheço esse Ronald. Não nos conhecemos. – baixou o rosto, e sentiu o coração apertar quando ele ergueu seu rosto com as mãos, olhando fundo em seus olhos.
-Me diga que não sentiu o mesmo que eu na noite passada – ele exigiu.
-Seria tão perfeito se fosse sempre como na noite passada – ela disse sentindo as lágrimas inundarem seus olhos, mas sendo forte – mas não é. Eu amo você, Rony. Eu só não posso conviver com a sua vida. Eu não posso.
-O bebê pode nem ser meu, Hermione... –ele apelou.
-Mas as meninas são – ela disse se afastando, sentindo-se a pior das criaturas ao ver a dor da rejeição em sua face – deveria ter dito antes, deveria ter sido clara, eu...nunca deveria ter ido tão longe.
-Está arrependida da noite passada? – ele perguntou direto.
As palavras doeram nela. Dizê-las seria o mesmo que assumir que não o amava, embora jurasse o contrario.
-Sim, estou arrependida.
Ele fugiu o olhar do seu e sentou-se no sofá da sala, derrotado.
Hermione não lhe daria chances para perceber os furos em sua historia por isso decidiu acabar logo com isso antes que Mary ferisse seriamente uma das meninas, ou ate mesmo as duas.
-Volte para sua família, Rony. Eles precisam de você.
Pronto. Depois disso, ele jamais voltaria a olhar para ela novamente.
Desolada, ela voltou ao quarto, colocando rapidamente as roupas. Passou por ele na sala, e estava quase alcançando a porta quando ele segurou fortemente seu pulso, não só parando-a como a assustando.
-Se sair por essa porta agora, vou acreditar em tudo que disse e não vai ter volta, Hermione – disse seco, e ferido.
Era sua ultima chance.
Ela puxou o pulso delicadamente, e ele a soltou. Com uma coragem que não sabia que possuía, ela o beijou nos lábios, um beijo doce e suave, quase infantil e se afastou.
-Não é falta de amor – ela desculpou-se e saiu.
A porta foi fechada com suavidade, contrariando a tempestade que a consumia.
Autora: gente, a fic ta no pause, mas é só até terminar a A descoberta Inesperada 5. Devo isso ao povo que acompanha as cinco temporadas, e estou bolando uma guinada nessa fic, para a nova fase, mas não dá para postar aos pouquinhos, quero postar todo dia, então, primeiro tenho que terminar a outra.
Pelas minhas contas, mais duas semanas e estou prontinha. Por isso, paciência, vai valer a pena, tem muita água para jorrar ainda!!!!!
Bjs.