FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 

(Pesquisar fics e autores/leitores)

 


 

ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

2. Capítulo 2


Fic: Perigos da Paixão Epílogo on!


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

— Você está novamente com aquela expressão ausente — avisou Andréa, sorvendo o café de sua xícara — No que estava pensando?


Sentada em frente à amiga no refeitório do Departamento de Polícia, Hermione tentou reabsorver as imagens liberadas por sua mente, que ainda pairavam como cortina atrás de seus olhos castanhos.Sabia que estava se comportando de maneira estranha, desde a noite de seu aniversário e do encontro com Harry Potter. Mas nada podia fazer para evitar as lembranças que


a acometiam nos momentos mais inesperados e embaraçosos.


— Não estava pensando... — respondeu, sincera.


— É o tal stripper do World Cassino, não é mesmo?


— Bem... — Hermione sorriu embaraçada. — Confesso que fiquei impressionada.


— Só impressionada?


Hermione serviu-se do café, enquanto buscava o modo mais exato de dizer o que sentia. Andréa era sua melhor amiga... A única, a bem da verdade. Não iria tentar esconder dela o que se passava em seu íntimo.


— Foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos — ela disse de um só fôlego.


— Tanto assim?


— Hum-hum...


— Então foi mais que sexo?


— Foi. Como se houvéssemos compartilhado bem mais do que simples prazer — Hermione assegurou.


— Então só há uma solução para o problema... Voltar a vê-lo — sentenciou Andréa.


— Voltar ao World Cassino? Não... De modo nenhum.


— O que há de errado nisso? Se você diz que foi bom... Importante...


A possibilidade de voltar a sentir os braços de Harry envolvendo-a, fez Hermione arrepiar-se de desejo. Mas balançando a cabeça vigorosamente, numa negativa formal, ela verbalizou o pensamento:


— Não. Por melhor que tenha sido nosso encontro, não tenho a menor intenção de começar um caso. Principalmente em se tratando de um profissional da noite... Um stripper.


— Você está sendo preconceituosa. Por ser stripper, ele não tem de ser necessariamente promíscuo ou vulgar.


— Não se trata disso, Andréa. E você sabe muito bem — Hermione aparteou.


Com um suspiro resignado, Andréa afastou a cadeira da mesa de fórmica vermelha e cruzou os braços, antes de dizer:


— Os fantasmas do passado ainda a perseguem... Até quando, minha amiga?


— Até que eu o encontre de novo.


— Já faz tanto tempo, Hermione. O homem pode estar morto, enterrado anonimamente em qualquer cidadezinha deste enorme país.


— Como também pode estar vivo e retornar a New Orleans — ela disse friamente. — E se isso acontecer, estarei preparada para dar-lhe o que merece.


— Não sei como você suporta viver com esse ressentimento corroendo-a por dentro por tantos anos...


— Aquele homem me tirou tudo, Andréa.


— Nem tudo, amiga. Você conseguiu sobreviver.


Tocando instintivamente a minúscula cicatriz atrás da orelha direita, Hermione mantinha os olhos fixos nos biscoitos polvilhados de açúcar sobre o centro da mesa.


— Tenho minha profissão, você e minha avó. É tudo o que preciso, Andréa.


— Com vinte e sete anos de idade, uma mulher precisa de algo mais que uma profissão, uma velha avó e uma amiga, Hermione .


— Eu sei — ela concordou, enquanto endireitava-se na cadeira. — Tanto é que aceitei seu convite para o World Cassino e acabei na cama com um stripper chamado Harry Potter


Andréa riu, sacudindo os cabelos loiros e longos, presos num rabo-de-cavalo.


— Foi um bom começo... Mas seria mais interessante se tivesse continuidade...


— Discordo. Foi fantástico, mas, definitivamente, não estou interessada em manter um caso fixo com ninguém.


— Paul Lerner que o diga, pobre rapaz. Anda por aí com uma cara de cachorro faminto depois que você o dispensou radicalmente.


Andréa se referia a um colega de trabalho, de ambas, que saíra algumas vezes com


Hermione e por quem ela não demonstrava agora a menor atração ou interesse.


— Isso é história antiga. Paul não tem fundamentos emocionais que o autorizem a se sentir rejeitado. Ele é puro ego e aparência. Que se console em frente ao espelho.


— Você é uma garota exigente, Hermione Granger.


— O problema é que existem poucos homens interessantes que estejam disponíveis.


— Por isso mesmo, você não deveria perder o tal stripper de vista.


— Assunto encerrado, Andréa. Águas passadas.


A porta do refeitório se abriu e um velho policial meteu a cabeça para dentro, anunciando:


— Hermione... O capitão Bradock quer vê-la em sua sala.


— Obrigada, Newton — ela respondeu. Em seguida, sorriu e perguntou: — Sabe do que se trata?


— Não tenho a menor idéia — ele retirou a cabeça, fechando a porta e desaparecendo de vista.


Hermione se pôs em pé e, ajeitando o quepe sobre os cabelos presos num coque, disse para a amiga:


— Vamos nos encontrar no Eduard's, depois do trabalho?


— Sem dúvida. Lembre-se de que hoje é sua vez de pagar os drinques.


— Fique tranquila. Eu não me esqueci.


Ela deixou o refeitório, acenando para Andréa com a ponta dos dedos.


— Eu não acredito no que estou ouvindo — disse Hermione ao capitão. — Você está me pedindo que coloque em risco a minha vida e a de um civil, carregando-o comigo em patrulha pela cidade?


— Não tenho ninguém melhor do que você para fazer isso — o capitão respondeu tranquilo.


— E posso saber por quê?


— Por ser a única do departamento, atualmente disponível, com sensibilidade suficiente para entender a delicadeza da situação.


— Muito obrigada, capitão — foi a resposta carregada de ironia. — Não sabe o quanto estou lisonjeada.


— Sente-se e acalme-se, Hermione — ele avisou.


Ela obedeceu, embora contra a vontade. O velho senhor prosseguiu dizendo:


— Você sabe que estamos vivendo uma fase de baixa aceitação por parte da comunidade. Segundo as pesquisas, a popularidade da polícia vem diminuindo, desde o caso daquele assalto ao banco no centro da cidade. Precisamos reverter a situação, e essa é uma boa oportunidade.


— Eu compreendo perfeitamente, capitão Bradock. Mas mesmo assim não concordo... — ela ainda tentou, mas foi interrompida.


— O homem é um repórter importante e vem conseguindo um sucesso tremendo com suas matérias sobre a vida de nossa cidade. O tema agora será sobre o dia-a-dia de um policial em New Orleans... Sua rotina de trabalho, as emoções e perigos da profissão... Será apenas por um mês. Pense no quanto uma boa reportagem pode fazer por nosso departamento...


Hermione considerou com real desagrado a situação. Um repórter em meio a uma situação de emergência, colado a ela como sombra... Era loucura. Por mais que admirasse o trabalho que o capitão vinha fazendo pela melhoria das condições de trabalho no Departamento de Polícia de New Orleans, ela não estava disposta a arriscar-se a levar um tiro tentando proteger a pele de um civil, que ela mesma introduziria numa situação de risco.


— Por qualquer ângulo que eu tente examinar o assunto, continuo achando uma loucura — ela confessou. — Imagine o que aconteceria com a popularidade do departamento, se o tal repórter levasse um tiro. E isso pode acontecer, o senhor sabe disso.


— Já pensei sobre o assunto e cheguei à conclusão de que não podemos nos arriscar. Vamos deixá-lo longe dos problemas mais graves.


— E como pretende fazer isso... Cobrindo o tal repórter com uma carapaça de aço?


— Não. Nada tão complicado assim. — O capitão levantou-se da mesa e caminhou até a janela. — Vou colocar uma viatura extra, com dois policiais, para cobrir vocês.


— Não entendi — Hermione confessou.


— É simples... Se houver algum chamado para sua viatura você desvia da rota principal e deixa a unidade extra assumir a ação.


Hermione arregalou os olhos, chocada, diante da idéia de fugir de sua obrigação como policial. E essa sugestão vinha do próprio Bradock, capitão do departamento.


— Mas... Mas isso é um absurdo — ela gaguejou, corando de indignação.


— É a única saída que encontrei para manter o repórter em segurança. Você tem uma sugestão melhor?


— Não — ela quase gritou.


— Então acalme-se e ouça — ele disse firme. — Você cuidará para chegar atrasada nas chamadas de emergência. Assim o repórter terá a chance de participar do acontecimento, sem arriscar-se em demasia.


— Certo, capitão — ela aquiesceu, furiosa. — E se, durante a ronda, presenciarmos um assalto à mão armada... O que faço? Ignoro?


— Comunique à unidade extra, que estará colada em vocês, e mantenha o repórter dentro da viatura, até a situação estar sob controle. Fui claro?


— Claríssimo — Hermione respondeu por entre os dentes, prestes a explodir.


— Hermione... — disse o capitão em voz suave. — Estou considerando sua participação neste assunto, como um favor especial que você prestará ao departamento. É um pedido que lhe faço e não uma ordem que lhe dou. Você me entende?


— Mas, capitão Bradock... Eu sou uma boa policial e tenho orgulho disso...


— Exatamente por esse motivo é que preciso de você nesse caso. Vamos... Não estou lhe pedindo que haja contra seus princípios ou contra os princípios que regem o departamento. Você vê algo sujo ou desonesto em minha proposta?


— Não. Mas é que...


— Você sente que pode vir a se envergonhar no futuro, perante seus colegas, por ter agido conforme minhas instruções? — ele a olhava atentamente, de muito perto.


— Não — Hermione admitiu.


— Então vamos encerrar essa conversa. O tal jornalista está para chegar e não quero que ele tenha a impressão de que trabalhamos desunidos nesse departamento. Certo?


— Está bem — ela resmungou.


Sentada em frente à mesa do capitão, Hermione estava de costas para a porta que se abriu naquele momento:


— O sr. Potter acaba de chegar — anunciou o policial.


— Faça-o entrar, Newton — ordenou Bradock, pondo-se em pé, com seu melhor sorriso no rosto.


"Potter!? É claro que não pode ser o Harry", raciocinou rápido


Hermione: "O que um stripper faria na pele de um jornalista? Ridículo", ela concluiu.


— Capitão, Bradock... Desculpe o atraso...


A voz soou aos ouvidos de Hermione vagamente familiar.


— Entre sr.Potter... É um prazer conhecê-lo pessoalmente. — O capitão estendeu a mão por cima da mesa. — Está é a policial Hermione  Granger que será sua conexão para todos os assuntos com o Departamento de Polícia, e também sua parceira nas rondas pela cidade. — E, dirigindo-se a ela: — Hermione... Apresento Harry Potter, o repórter.


Jody se pôs em pé e fitou os olhos verdes que acompanharam suas noites inquietas nos últimos tempos. Era ele sem dúvida nenhuma. "Não um stripper na pele de um repórter", ela compreendeu de imediato, "mas um repórter na pele de um stripper, agora um policial".


— Muito prazer, sr. Potter— ela disse friamente, pondo-se em pé e estendendo a mão.


— O prazer é todo meu, srta.Granger


— Policial Granger, se não se importa — ela acrescentou, retirando a mão que ele acabara de apertar.


— Ora... ora... Mas para que tanta formalidade — disse o capitão. — Afinal vocês vão passar boa parte do próximo mês, juntos.


— Por mim... — o repórter dirigia-se à policial — você pode me chamar de Harry.— Então sorriu, encantador.


Para não fazer um triste papel na frente do capitão, ela entrou no jogo, dizendo por sua vez:


— Pois muito bem, Harry... Você pode me chamar de Hermione


— Assim está bem melhor — sorriu o capitão — Mas vamos, sentem-se.


Os três se acomodaram nas cadeiras, Harry ao lado de Hermione e o capitão por trás da mesa.


A conversa que se desenrolou entre os dois homens foi cordial e bastante longa. Hermione mal ouvia o que ambos diziam. Mantendo uma expressão de civilizado interesse pelo assunto, a mente da jovem policial estava longe, no tempo e no espaço.


Era ridículo, Hermione  dizia para si mesma, mas não podia deixar de sentir-se envergonhada e, de certa forma, traída. Entregara-se a um stripper que na verdade era um jornalista no desempenho de sua profissão. Ele devia ter se divertido muito, deixando-a permanecer naquele engano.


 


 


Harry Potter, vez por outra, olhava para Hermione sem perder o fio do assunto que mantinha com o capitão. Então era isso... A mulher que tanto o impressionara naquela noite inesquecível não era casada ou comprometida, como ele pensara à princípio... Era uma policial...


Quando acordara no clarear do dia, buscando na cama do motel o corpo de Hermione para aquecer-se, Harry verificara decepcionado que ela partira, sem deixar ao menos uma palavra de carinho, rabiscada num papel. Ficara então bem claro para ele que Hermione queria que o assunto morresse ali. Que a mais bela noite de sexo que Harry tivera nos últimos anos, fosse esquecida, definitivamente. Se ela houvesse deixado uma nota de cem dólares, presa ao abajur, como pagamento pelos serviços profissionais recebidos, ele não teria se sentido mais humilhado.


Mas agora o destino os colocara juntos de novo, cada um no seu verdadeiro papel, com nomes, endereços, telefones... O jogo não terminara... As cartas estavam sobre a mesa, concluiu, com um sorriso interno.


 


 


— Pare de me olhar desse jeito, Harry Potter — disse Hermione, freando no sinal vermelho.


— De que jeito estou olhando você? — ele perguntou com o ar mais inocente do mundo.


— Como se eu fosse uma pizza de cogumelos com presunto.


— Detesto pizza.


O sinal abriu, passando para o verde, e Hermione arrancou.


— Não se faça de inocente. Você sabe do que estou falando.


A viatura azul e branca do Departamento de Polícia de New Orleans, no qual os dois se encontravam em patrulha pela cidade, dobrou à esquerda, em baixa velocidade.


— É claro que sei — disse numa voz insinuante. — É que simplesmente não posso evitar olhá-la desse modo. As lembranças são muito fortes, você sabe...


— Ponha uma coisa nessa sua cabeça, Harry. Aquilo é passado. Nunca mais irá acontecer — Hermione afirmou convicta.


— Por quê? Não foi bom para você?


Ela nada respondeu, olhando atenta um grupo de jovens parados numa esquina. Ele prosseguiu: 


— Diga que você não gostou... Que não foi importante... — ele a desafiava.


Com um suspiro resignado, Hermione  admitiu, impaciente:


— Não posso negar que foi bom. Seria uma estupidez.


Harry relaxou no assento, sorrindo aliviado. Então havia uma chance... Ele não fora o único tocado pela magia daquela noite incrível.


— Mas quero avisá-lo... — ela prosseguiu —... Se você tentar avançar o sinal comigo, irei imediatamente ao capitão exigir que me substitua nessa função.


— Tudo bem, fique calma. Não tenho a mínima intenção de forçar nenhuma situação com você — ele mentiu cinicamente.


— Melhor assim. Tenho conhecimentos em artes marciais e não hesitarei em usá-los, se necessário.


Harry riu, jogando a cabeça para trás. A imagem de Hermione, nua sobre a cama, abrindo-se para ele como uma flor ao sol, era por demais recente em sua mente, para que ele pudesse trocá-la por outra: a da policialGranger, defendendo-se de seus beijos a golpes de caratê...


— Hermione...


— Hum?


— Olhe para mim — ele pediu.


Desviando os olhos do trânsito, ela o olhou por dois segundos, voltando a fixar-se nas ruas.


— Já olhei.


— Você acha realmente que preciso forçar uma mulher para que ela queira ir para a cama comigo?


Numa retrospectiva inconsciente Hermione ouviu os gritos e assobios das mulheres exaltadas pela dança sensual do stripper Harry Potter no World Cassino.


— Não... Você realmente não faz o tipo agressivo. Mas "conselhos e chá quente, não faz mal a ninguém", como diz minha avó. Portanto o aviso permanece: mantenha suas mãos longe de mim.


— Entendido, policial Granger. Fique tranquila.


O rádio da viatura emitiu uns estralos e zumbidos e a mensagem do departamento entrou na frequência:


— Código 164S para as viaturas na zona oeste.


— É para nós, certo? — perguntou Harry subitamente atento.


— Fique quieto — ela ordenou. A voz no rádio prosseguiu:


— Conflito na esquina da Main Street com a Delphos, envolvendo cidadãos armados. Aproximem-se com cautela.


— Mensagem recebida. Viatura SJ463 a caminho — Hermione respondeu, ligando a sirene e cortando o trânsito para uma saída à direita.


— Ei! — protestou Harry. — Sou novo na cidade, mas sei que a Main Street fica do outro lado.


— Você está querendo me ensinar como agir no meu ofício, Harry Potter?


— De modo nenhum, apenas...


— Então cale a boca e segure-se no banco.


Acelerando a viatura, Hermione foi afastando-se do local do incidente. Irritada, odiando contrariar os princípios mais básicos de sua profissão, ela conseguiu chegar ao cruzamento da Main Street com a Delphos, oito minutos mais tarde do que normalmente seria necessário.


O local estava cercado por várias viaturas e o cordão de isolamento já fora estabelecido.


— Vá lá e faça o seu trabalho — Hermione falou entre os dentes.


— Você não vai? — ele perguntou surpreso.


— Para quê? Tudo já está feito.


Com os nervos vibrando de contrariedade, Hermione viu Harry se afastando da viatura. Logo, ele penetrava o cordão de isolamento, mostrando suas credenciais.


Com um palavrão impublicável, ela desceu da viatura e descarregou a frustração, batendo a porta do veículo com violência. Depois, caminhou em sentido oposto ao incidente, respirando fundo, procurando restabelecer o autocontrole.


 


 


Quando enfim, Harry voltou à viatura, encontrou Hermione atrás do volante, aguardando-o aparentemente muito calma.


O resto da ronda transcorreu sem mais nenhum incidente. Toda a pergunta de Harry era respondida com um "sim" ou "não", sem comentários e sem acréscimos. Hermione se isolara dentro do uniforme de policial, impondo uma barreira intransponível para o repórter.


A noite terminou no estacionamento do Departamento de Polícia de New Orleans, com Hermione dizendo um boa-noite seco a Harry e afastando-se sem mais delongas. Desapontado, ele conferiu suas anotações, entrou no Ford Standard azul e foi embora.


Fora uma noite decepcionante, ele disse para si mesmo. Mas surgiriam outras oportunidades... Ele não desistiria assim tão facilmente. O faro jornalístico de Harry, dizia-lhe que existia um mistério na vida de Hermione Granger. Atrás de toda aquela barreira de gelo, que ela insistia em colocar entre ambos, havia um segredo. Ele pressentia. Algo grave e soturno que justificaria as atitudes de reserva e rejeição a que ela o submetera. Era preciso descobrir esse mistério para abrir as portas do coração daquela mulher que o obcecava.


A caminho de casa, Logan prometeu a si mesmo que não descansaria, enquanto não resolvesse aquele mistério. Era uma questão de pesquisas, informações e sobretudo, sorte. E ele contava com sua boa estrela. Não fora ela que lhe trouxera Hermione em sua noite como stripper no World Cassino? Não fora sua boa estrela que o colocara, por assim dizer, dentro do carro-patrulha da policial Hermione Granger?


Harry sorriu de seu próprio otimismo, mas no fundo não duvidava... Aquela mulher seria dele ou nada mais valeria a pena no mundo.


 


 


A noite na Bourbon Street agitava-se com os bares repletos, mesas e cadeiras nas calçadas. Jazz, rock, country... Música da melhor qualidade para o deleite da fauna variada que ia dos trabalhadores depois do expediente aos artistas e profissionais liberais, todos em busca de diversão e emoções. No meio dessa diversidade colorida e alegre, misturavam-se prostitutas, traficantes e marginais, dos mais diversos.


Hermione amava aquela cidade onde nascera. Compreendia como poucos seu povo em suas grandezas e misérias. Era apaixonada pela arquitetura e se não tivesse seguido a carreira policial provavelmente seria arquiteta ou pintora. Sua sensibilidade para o estético e o artístico levavam-na a em horas de descanso, revendo fachadas de velhas construções, respirando a história daquela antiga cidade portuária caminhar longamente pelo bairro francês onde o rio Mississippi, depois de cortar os Estados Unidos de norte a sul, vinha desaguar no mar.


Andréa conhecia aquela faceta da personalidade de Hermione e não se aborrecia em acompanhá-la, às vezes, em seus passeios à pé pela cidade.


Naquela noite quente e movimentada, as duas amigas estavam sentadas em uma mesa de um bar, na calçada de Bourbon Street, tomando daiquiris gelados e conversando sobre vários assuntos.


— Quer dizer que o stripper que a fez delirar na noite de seu aniversário, era na realidade um jornalista famoso? — Andréa olhava Jody por cima do copo.


— Não é incrível?


— Incrível é o fato de ele ter vindo cair justamente no Departamento de Polícia de New Orleans, quase no seu colo...


— No banco de passageiros da minha viatura, para ser mais exata — ela corrigiu.


— A vida é realmente cheia de surpresas — concluiu Andréa excitada com a notícia.


— E o capitão conseguiu me empurrar o cargo de babá de Harry Potter, por um mês inteirinho — ela completou com um sorriso amargo.


— Como ele fez para convencê-la?


— Apelou para todos os argumentos previsíveis, entre eles, a baixa popularidade da polícia na cidade... O quanto uma reportagem simpática poderia melhorar a imagem do departamento.


— Pelo que conheço você, isso não seria o suficiente... — Andréa deduziu com astúcia.


— É verdade. O que me convenceu a aceitar o encargo foi o fato de Bradock ter pedido, e não ordenado que eu o fizesse. E depois... Eu gosto do capitão — Hermione confessou. — Acho que ele está fazendo mais pelo departamento que os dois últimos que ocuparam aquele posto.


— Nisso eu concordo com você. O velho Bradock é um bom policial. Veio de baixo, das ruas, trocando tiros com bandidos e estudando nas horas vagas.


— Ele sabe a moral que tem no departamento, tanto com o escalão superior quanto com os subordinados. E usa esse poder como ninguém — Hermione sentenciou, tomando outro gole de seu daiquiri.


— Sem dúvida. Só não sei por que você está tão aborrecida com o fato de Harry Potter ter reaparecido em sua vida. Pelo que pude compreender, a relação de vocês foi o máximo...


Foi... Você disse bem. Não quero nenhuma relação fixa, enquanto não resolver certos problemas. Você sabe...


— A velha história do seu tio — ela disse com desânimo.


— Cavenaugh era apenas meio-irmão de meu pai — Hermione esclareceu. — Não era meu tio de verdade.


— Que seja. O canalha pode estar morto ou em outro país. Você vai perder a chance de ser feliz, esperando que ele volte a essa cidade?


— Ele vai voltar, Andréa. Eu sinto. Só não fez isso até agora porque pensa que estou morta. Que conseguiu tirar minha vida junto com a de meu pai e talvez de minha irmã, da qual nunca mais tive notícias.


— Então é vingança, Hermione?


— Eu prefiro entender minha posição como autopreservação, Andréa. Eu tinha apenas sete anos, mas presenciei toda a cena. Sou uma testemunha viva de que Cavenaugh atirou em meu pai e depois em mim.


— Sua avó fez muito bem em escondê-la de todos, no meio do pântano, por tantos anos. Ela sabia que Cavenaugh não deixaria uma testemunha de um crime de morte que ele perpetrou.


— Mamere é sábia, Andréa. E tem suas fortes intuições. Ela compartilha comigo da impressão que ele está vivo e que aparecerá um dia em New Orleans.


— Minha querida amiga... — Andréa murmurou penalizada. — E enquanto isso não acontece você vive só, esperando por um reencontro fatídico que poderá jamais acontecer...


— Antes assim. Cavenaugh é um assassino frio e calculista. Não hesitaria em usar qualquer pessoa de minhas relações para me atingir. Como posso pensar num lar, com marido e filhos sem saber de seu paradeiro?


Dois rapazes aproximaram-se da mesa em que se encontravam as amigas conversando. Eram jovens, esportivos e simpáticos. Um deles o mais alto disse com um belo sorriso:


— Boa noite, belezas... Vocês querem companhia?


Andréa olhou-os de cima abaixo e, com um ar interrogativo voltou-se para Hermione:


— Você quer?


— Não.


— Minha amiga não quer companhia—respondeu calmamente aos rapazes que aguardavam expectantes.


— E você? — disse o mais alto.


— Estou com ela.


Os dois se afastaram e desapareceram no meio dos transeuntes.


As duas amigas acabaram seus daiquiris e pediram uma nova rodada. A conversa se estendia alegre e fluida.


Em dado momento, Hermione olhou para o relógio de pulso, significativamente:


— Acho que vou para casa, Andréa. Você fica?


— Mas ainda é cedo Hermione — ela protestou.


— Três e meia da madrugada não é exatamente cedo, não acha?


— Está bem. Eu vou com você.


Chamando o garçom, elas pagaram a conta e saíram caminhando a pé pela Bourbon Street sob um céu de nuvens baixas que prenunciavam chuva.


 


 


 

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 0

Nenhum comentário para este capítulo!

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 22) - Copyright 2002-2026
Contato: clique aqui

Moderadores:



Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.