Nanda: Brigadaum... tah ae...
gabriela: Vlw...
Carol Alves: Grata...
Deinha Pismel: tem total razão... espero q realmente goste... Feliz dia do amigo (atrasadam) pra vc tbém...
Lariiinha: Vlw...
Nath Potter Black: Grata... tah ae...
Lúh. C. P.: Brigada... pediu tá na mão...
Gabriela k luz: Calma! Tá ae...
Desculpem a demora... sei q tem leitora louca pra me matar, mas é que eu tinha dois capítulos prontos e na hora de salvar eu tava com um monte de janelas abertas e acabei não salvando; e como eu naum pude adaptar durante esses dias...
mas tá ae...
Bjus a tdas..
.
-----------------------------------------------------------------------------------------
— Tem alguma idéia do que acontece entre um homem e uma mulher quando ficam sozinhos? — Harry perguntou.
— Para ser franca, não — lady Hermione respondeu com franqueza. — Sei que se deitam na mesma cama e de alguma maneira os bebês nascem algum tempo depois. Porém sempre suspeitei de que havia mais do que isso.
Ele riu.
— Já viu um homem nu alguma vez?
— Claro que não! Como poderia ter visto?
— Nem uma pintura? Talvez uma estátua... Ou um de seus irmãos ao tomar banho quando eram crianças?
— Nunca me permitiram assistir ou ajudar.
Harry cruzou a pouca distância que os separava e sentou-se ao lado dela no sofá. O perfume feminino estimulou-lhe os sentidos.
Era evidente que a desejava. E pretendia se possível, passar uma noite em sua companhia.
Uma irresistível atração o dominara desde o primeiro momento em que a vira. Havia muito uma mulher não o perturbava tanto. Era um homem experiente, um mestre nas técnicas amorosas e tinha plena consciência do que se passava com ele toda vez que se aproximava de lady Hermione Granger.
Descontente e infeliz nas relações pessoais estavam sempre em busca do desejo ardente que sentia com tanta facilidade quando era mais jovem. Queria descobrir o caminho que o levasse de volta àqueles tempos e não podia evitar a esperança de talvez revivê-los em companhia da jovem sentada ao seu lado.
Harry entendia mais sobre mulheres do que qualquer outro assunto e sabia onde suas inocentes conversas os conduziriam. Ela era uma virgem com o corpo pronto para o ato sexual. E ele estava preparado para lhe proporcionar tal experiência.
Pela rigidez da espinha de Hermione e o abre-e-fecha nervoso de seus punhos, tinha certeza de que a perturbava também. Eram sinais promissores do futuro sensual que inevitavelmente compartilhariam.
— Então, nunca viu um homem nu? — perguntou pela segunda vez. — Nem mesmo quando estava comprometida?
— Pelo amor de Deus! Claro que não! — ela afirmou enfática, ruborizando de uma maneira encantadora. — Como pôde imaginar tal coisa?
— Muitos noivos decidem não esperar pela noite de núpcias.
— Não eu. E por certo, não meu noivo! Que tipo de mulher pensa que sou?
— Uma mulher maravilhosa — respondeu, admirando a pele lisa da face bonita. — Só desejo determinar por onde deveríamos começar e imaginei que talvez a senhorita e seu noivo...
— Não. — Hermione curvou os lábios num breve sorriso. — Nunca fiquei a sós com ele.
— Muito bem — Harry disse intrigado com a rigidez moral a que a pobre criatura fora submetida. Era apenas cinco anos mais jovem que ele, contudo conservava a inocência de uma criança. Sua educação austera fora o contrário da sua. Pelo fato de sua mãe ser atriz, Harry crescera ao redor de artistas e, desde muito cedo, conhecera mulheres cientes dos fatos da vida. Com exceção de sua esposa, as amantes que havia tido sempre foram mulheres liberais e desinibidas. A ingenuidade de lady Hermione Granger o cativava e, ao mesmo tempo, o emocionava. Apreciava a chance de agir como seu tutor. Que tipo de aluna ela estaria disposta a ser?
— Bem, vou começar lhe explicando os fundamentos.
— Parece uma boa idéia.
Um canto da boca adorável se ergueu num sorriso tentador, como se Hermione não estivesse totalmente certa de que queria ouvir o que ele tinha a dizer. Apesar de sua insistência em afirmar que se encontrava preparada para aprender tudo, estava chocada, talvez até mesmo alarmada com a perspectiva do que ouviria a seguir.
— Isso será difícil para você. Posso tratá-la assim? Afinal, excesso de cerimônia não combina com o tema que vamos tratar.
— Tem razão. Estou de acordo.
— Vamos discutir sobre coisas que nunca imaginou. Também falaremos de certas partes do corpo e suas respectivas funções. Não quero que se sinta constrangida ou envergonhada pelos tópicos que mencionaremos. Por favor, faça qualquer pergunta que lhe vier à mente. Está bem? Pode me fazer perguntas?
— Acho que sim. E muito fácil falar com você.
— Ótimo. Prometo que farei o melhor para responder aberta e honestamente. No que se refere às partes íntimas, um homem e uma mulher não possuem a mesma anatomia.
— Por quê?
— Porque esses órgãos são usados para a relação sexual. Despidos, são completamente diferentes.
— É mesmo? — Lady Hermione manteve os olhos fixos nos dele, mas Harry podia sentir que ela desejava olhar para baixo para se certificar, através das calças compridas dele, se aquela declaração era verdadeira. Isso despertou-lhe um ardor sem precedentes.
— Sim — respondeu e fez uma pausa.
— Pela sua hesitação devo julgar que está tendo tanta dificuldade quanto eu?
— Não, não é isso — Harry mentiu. — Estou apenas tentando pensar em um modo apropriado de lhe descrever o processo. — Inclinando-se para frente, apoiou os cotovelos sobre os joelhos, decidindo que seria mais fácil narrar-lhe os detalhes se evitasse encará-la. — Um homem e uma mulher possuem anatomias diferentes. Sobretudo no que se refere à fisiologia. Homens têm um tipo de... — Harry parou e olhou para a parede oposta, escolhendo as palavras certas. Como poderia descrever o membro masculino com precisão a alguém que jamais vira um? — Um tipo de órgão.
— Que nome tem... Esse órgão?
— Oh, muitos nomes. Por enquanto vamos chamá-lo de masculinidade. Em geral, esse órgão se encontra flácido, mas durante a excitação sexual, torna-se rígido e ereto. É dessa rigidez que irrompe a seiva fértil que engravida uma mulher.
— O que causa essa erupção no corpo do homem?
— O homem se posiciona na parte interna das coxas da mulher. — Percebendo que o próximo tópico poderia embaraçá-la e querendo observar como Hermione reagiria, Harry encarou-a com o olhar firme. No mundo dela, conversar sobre menstruação com um cavaleiro, mesmo que estivessem a sós, era falta de decoro. — Em seguida, ele penetra com seu órgão o canal por onde passa o fluxo menstrual. — Nenhuma reação visível. — Lá, existe uma passagem que o conduzirá até o útero. Então, com um movimento vigoroso, insere toda a extensão da sua masculinidade até que seus corpos se tornem um só.
— Insere? — a voz soou incrédula.
— Sim... E após algumas investidas, a seiva é ejaculada.
Um silêncio pesado se instalou por alguns segundos e, por fim, Hermione murmurou:
— Compreendo. — Mas a confusão na face delicada afirmava o contrário.
— O homem e a mulher precisam estar despidos?
— Às vezes sim. Às vezes não.
— Como assim?
— O casal pode estar tão dominado pelo desejo e pela paixão que não quer desperdiçar tempo se despindo.
— E em circunstâncias normais?
— Se o marido desejar preservar a pudicícia da esposa, poderá apenas erguer-lhe a bainha da camisola. Porém não conheço um único homem que aja dessa maneira.
— Por quê?
— Bem... A maioria gosta de sentir e acariciar a pele das esposas. Eles ficam mais excitados ao vê-las despidas.
Hermione respirou fundo.
— Isso soa demasiado impróprio, mas confesso que estou fascinada e surpresa. Eu não tinha a menor idéia...
— De fato, é fascinante — concordou Harry. — Imagine como uma jovem bem-criada pode se sentir em sua noite de núpcias.
— Como a amiga de Caroline se sentiu.
— Sim. Como sua irmã poderá se sentir. A primeira experiência de uma noiva pode ser muito dolorosa se o marido não for um amante gentil e carinhoso. Como já lhe disse antes, acho que você está sendo muito sábia ao procurar se informar melhor acerca desse assunto.
— Obrigada.
— Não há de quê.
— Tenho uma pergunta a lhe fazer — Hermione disse ansiosa para continuar. — Ainda não consigo imaginar muito bem como um homem e uma mulher fica juntos...
— Eu pensei nisso, então trouxe algo para lhe mostrar. Harry ergueu-se e pegou a pasta sobre a mesa. — Trouxe algumas pinturas que ilustrarão o que estou dizendo.
— Que tipo de pinturas?
— Cenas eróticas. Foram pintadas por um amigo meu, há muitos anos, em Paris.
— O que elas contêm?
— Retratam o passo-a-passo de uma relação sexual.
— Por que um artista pintaria tal coisa?
— Por dinheiro.
— Não!
— Existe um mercado importante para esse tipo de coisa.
— Como assim?
— A maioria dos homens considera as pinturas eróticas altamente estimulantes. As imagens visuais aumentam o desejo sexual.
— Isso acontece com você quando as olha? — Hermione sentiu-se orgulhosa pela habilidade de fazer uma pergunta tão corajosa.
— Sim. Suponho que seja devido à minha natureza animalesca. Sou um homem, e os homens, no fundo, são como os animais, sempre prontos para copular ao primeiro sinal.
— Foi o que ouvi durante toda a minha vida. — Ela riu cordial. — Você acredita nisso?
— Claro! — ele respondeu, sorrindo. — Não importa o quando fingimos, acasalar é tudo em que nós, homens, pensamos. A natureza dotou as fêmeas de numerosos atrativos que nos fazem perder a cabeça. A textura da pele, os lábios, os seios... — Os olhos verdes percorreram ávidos e demoradamente, cada local mencionado, fazendo-a remexer-se, embaraçada, sob aquela descarada avaliação. — Tudo isso é muito estimulante para um homem. Só de ver a curva dos seios de uma mulher, não pensamos em mais nada, a não ser no prazer sexual.
— Talvez seja por isso que nos vestimos com tanta decência. Para que não fiquemos expostas aos olhares masculinos.
— Tem razão. Se fôssemos obrigados a observar o corpo das mulheres todos os dias muito provavelmente passariam o tempo todo no cio como as criaturas selvagens.
Hermione riu e balançou a cabeça.
— Não posso acreditar que estou sentada aqui, discutindo isso com um homem. Se você me conhecesse... Se soubesse como é a minha vida...
— Faço idéia. — A julgar pelos cabelos, a pele sedosa, as tinham bem-feitas, as mãos que nunca souberam o que era um dia de trabalho. Ela era o protótipo da nobreza inglesa.
— Posso olhar?
Lady Hermione demorou-se observando as figuras, e Harry esperou impaciente, desejando saber o que se passava na mente feminina. O silêncio tornou-se opressivo, e ele concluiu que ela jamais comentaria suas impressões; então, estendeu o braço e, com o polegar, acariciou o mamilo da modelo na ilustração, descrevendo movimentos lentos e sensuais.
— Os seios de uma mulher são alguns dos pontos mais sensíveis de seu corpo. Podem ser acariciados, sugados e friccionados.
— E isso causa prazer?
— Muito. Tanto para o homem quanto para a mulher. — Os olhos verdes fitaram o tórax de Hermione, que subia e descia depressa.
— Isso é tão difícil de imaginar...
— Muitos homens também acham estimulante tocar a mulher aqui.
— Harry apontou para os genitais da figura feminina.
— Verdade? Por que um homem faria algo tão ultrajante?
— Por prazer, milady. Tudo gira em torno do prazer.
— Você já...
Hermione se interrompeu. Harry sabia exatamente o teor da pergunta e não pôde deixar de lhe admirar a ousadia.
— Sim. Faço sempre com as minhas amantes.
— Acha isso agradável?
— Por demais.
— E suas... Suas... Amantes também apreciam?
— Bem, acredito que sim. — Ele sorriu.
— Parece impossível que uma mulher concorde com tal coisa. É algo tão íntimo.
— Essa é uma das razões de ser tão divertido. — Os lábios de Harry se abriram num sorriso perverso. — E também um pouco devasso, o que eu acho que aumenta a satisfação.
— Você é repugnante. — Ela riu. — Mas há algo que ainda não ficou bem claro.
— O que é?
— Tudo isso... Afagar, beijar... É um prelúdio necessário ao ato matrimonial?
— Bem... eu não diria necessário, mas essas preliminares fazem parte dos procedimentos mais interessantes.
— Por quê?
— É simples. Às vezes uma mulher não se excita com tanta facilidade quanto um homem e pode ser doloroso para ela.
— Ah... É a dor da qual ouvi falar.
— É a dor de uma virgem em sua noite de núpcias. O momento pode ser terrível se a mulher não estiver relaxada. Mesmo estando excitada, ainda assim pode ser desagradável.
— Então, a excitação resulta de todas essas carícias?
— Sim. Uma mulher possui muitas áreas sensíveis no corpo. Quando são despertadas de modo adequado, ela está pronta para acasalar.
— E enquanto o homem estiver ocupado excitando-a, o que a mulher faz?
— Ela o beija e retribui as carícias. Normalmente, toma a masculinidade do homem nas mãos e a estimula.
Os olhos castanhos se arregalaram.
— O homem espera que a mulher o toque nas partes íntimas?
— Talvez no início não, mas... Depois sim, com certa freqüência quando a mulher aprende mais sobre seus deveres de esposa. — Por alguns segundos, Harry imaginou-a deslizando a mão para dentro de suas calças e manipulando-o com aqueles dedos longos e esbeltos. Ele pôs a primeira pintura sobre a mesa em frente ao sofá, então lhe entregou a segunda. — Olhe a próxima.
A mulher voluptuosa aparecia de lado, e agora havia a figura de um homem nu. O corpo másculo estava parcialmente escondido, com uma perna apoiada sobre a coxa feminina e uma das mãos no mamilo túrgido. Lady Hermione fitou a pintura por um longo momento, antes de óbvio saltar lhe aos olhos.
— O homem nesta pintura é você!
— Sim.
— Você está nu!
— Sim.
— Tem outras pinturas suas?
— Apareço em quase todas.
Hermione largou a figura como se tivesse pressa em vasculhar o restante da pilha, mas algo indefinido a impediu de continuar.
— Então, vou vê-lo... Fazendo tudo?
— Receio que sim.
Harry passara horas decidindo se deveria lhe mostrar as pinturas ou não. Sabia que as imagens poderiam chocá-la. Porém, depois de muita deliberação, resolvera trazê-las, simplesmente pelo fato de não dispor de outro material.
— Não se sente envergonhado de ser observado assim?
— Não. Muitas mulheres já me viram nu.
— Você era muito mais jovem nessa época.
— Dezenove anos.
— O que o levou a fazer tal coisa?
— Eu era um rapaz impetuoso. Tolo. Como disse antes, o artista é um amigo meu e me pediu esse favor. Na ocasião, parecia um convite à travessura. Devo mencionar que minha mãe me fez retornar à Inglaterra logo depois de descobrir o que eu estava fazendo. Ela decidiu que eu havia me adaptado com muita rapidez aos modos franceses e que o meu comportamento era indecoroso.
— Acho que sua mãe foi muito sábia em trazê-lo de volta. — A voz soou ranzinza.
— Não sei se concordo com você — disse Harry, e, incapaz de acreditar que admitira tal coisa, acrescentou: — Consigo me envolver em confusões com mulheres independentemente do país no qual resido.
Lady Hermione pousou a segunda pintura sobre a mesa e pegou a seguinte.
— Sua língua está na boca da mulher — comentou depois de uma prolongada apreciação.
— Este é o modo mais apaixonado de beijar. O homem movimenta a língua para dentro e para fora da boca da mulher, simulando o acasalamento.
— Mais preliminares?
— Sim. Você já foi beijada? — perguntou, aproximando-se perigosamente.
— Uma vez. Meu noivo beijou-me na face, logo após me propor casamento.
— Foi à única vez? — Harry aspirou o perfume suave que emanava dos cabelos sedosos e da pele de Hermione.
— Sim. Foi a primeira e a última...
Por fim, ela conseguiu desviar os olhos da pintura. Nesse instante, seus seios esbarraram no braço dele, provocando um contato mais íntimo entre seus corpos. Estavam tão próximos que Harry pôde vislumbrar sua face refletida nos maravilhosos olhos cor de âmbar.
— Então... Você nunca foi beijada corretamente?
— Não.
— Gostaria de ser?
— Acho que sim — Hermione respondeu, surpresa pela própria resposta.
— Gostaria de ser beijada por mim?
Ela se ergueu de súbito e se dirigiu à janela; o sofá se transformou em uma barreira entre os dois. Apoiando as costas com firmeza de encontro à vidraça, fitou-o com um olhar acusador, como se Harry a tivesse beijado em vez de apenas sugerir a hipótese.
— Isso não tem nada a ver comigo, é por Caroline.
— Mas como a instruirá se não tem nenhum conhecimento prático?
— Você disse que podia me ensinar!
— E posso. Apenas acho que incrementaria seu conhecimento se experimentasse algo físico.
— Não é o que eu quero. Ou por que o procurei.
— Tem certeza?
— Absoluta — Hermione respondeu após uma pausa demorada, o que evidenciava as emoções conflitantes que a dominavam.
Ele a fitou com um olhar calmo, fingindo não dar importância àquela resposta, embora estivesse morrendo de vontade de sentir os lábios dela de encontro aos seus. Mas era um homem paciente. Teria bastante tempo para subjugá-la.
— Venha — persuadiu-a, batendo de leve no lugar vazio ao seu lado. — Tenho mais figuras para lhe mostrar. — Como um animal assustado, Hermione se aproximou devagar. — Dou minha palavra que não lhe farei nada, a menos que me peça.
— Jure.
— Juro.
Mas, apesar da solene promessa, ela permaneceu onde estava. O tórax arfante, as faces ruborizadas e os dentes pressionando o lábio inferior.
— Como quiser. — Harry sorriu e, a seguir, se levantou para ir embora, mas não antes de colocar as pinturas de volta na pasta. — Nos encontraremos na segunda-feira, como combinamos, ou já ouviu o bastante?
— Sim. Gostaria de encontrá-lo outra vez na segunda-feira.
Aliviado, ele conseguiu suprimir um sorriso de satisfação.
Como havia suspeitado, lady Hermione estava sendo seduzida aos poucos pela tentação do prazer. Embora ela declarasse que suportava tudo aquilo pelo bem da irmã mais nova, era uma mulher adulta, desejosa de aprender tudo sobre a arte do amor. O que significava que ele poderia ultrapassar os limite.
Hermione tentou acompanhar as conversas a seu redor, mas a concentração era quase impossível. Só conseguia pensar em Harry Potter. Então, desligou-se do burburinho dos convidados para se concentrar nas recordações da tarde que passara em sua casa alugada.
Algumas horas haviam transcorrido desde que ela e Harry se separaram, mas naquele curto espaço de tempo, o mundo parecia ter saído do eixo.
Nada era o mesmo.
Seu olhar pousou no meio-irmão, Jerald, que reinava supremo à cabeceira da mesa. Vinte e três anos mais velho que Hermione, era um homem baixo e corpulento, com cabelos ralos e enormes costeletas ao longo das laterais das faces coradas pelo excesso de bebida. A barriga era proeminente, de forma que sua cadeira tinha de ser colocada a uma boa distância da mesa para que ele pudesse sentar. Embora nunca tivesse sido bonito na juventude, nos últimos tempos relaxara demais com a aparência, e ela não pôde deixar de especular sobre o que sua cunhada, Margaret, pensaria da condição atual do marido, estavam casados havia quase trinta anos. Será que ela ainda reparava nele?
Na outra extremidade da mesa, Margaret se encontrava sentada como uma rainha. Os cachos grisalhos arrumados no alto da cabeça e ornamentados com plumas. O penteado acentuava-lhe a face rechonchuda.
Jerald ainda a procuraria na cama? A idéia era tão absurda que Hermione tomou um gole de vinho para evitar rir alto. Na pressa, ingeriu mais que o planejado, sofrendo um acesso de tosse que fez com que todas as pessoas a fitassem.
Harry Potter abrira-lhe uma porta secreta para um mundo completamente diferente.
Algumas cadeiras à frente, sua irmã, Caroline, conversava com dois possíveis pretendentes. Era uma jovem de beleza aristocrática, loira, de olhos azuis, traços perfeitos, uma bela voz e um bom comportamento. Ao contrário da opinião de Hermione sobre os outros convidados, era fácil imaginá-la nos braços de um dos dois rapazes que a cortejavam. Da mesma maneira que passara a imaginar a si mesma, depois do encontro com Harry Potter.
Daquela lição passageira, fizera uma descoberta chocante havia um lado mundano e sensual de sua personalidade que ela jamais suspeitara existir. Até então, não sentia falta do tipo de interação física que o casamento proporcionava. E, agora, não sabia se conseguiria sobreviver sem isso.
Oh, como Harry Potter pudera lhe provocar tal agonia? O salafrário teria percebido que seus breves ensinamentos a deixariam naquele estado? Não podia pensar em mais nada a não ser nele! O rato! Todos os segundos do louco colóquio lhe passavam repetidas vezes pela mente. Tudo o que ele havia dito e feito. Principalmente o momento em que discutiram o beijo e Harry lhe perguntara se gostaria de ser beijada. Do fundo do coração, ela almejava a oportunidade de sentir aqueles lábios sensuais de encontro aos seus.
Abafando um gemido, olhou ao redor e ficou confusa ao perceber que a refeição terminara. As senhoras foram para a sala de estar e, grata, Hermione escapou sem ter de falar com alguém.
Desde sua chegada à casa de Londres, não dispusera de um único momento para uma introspecção.
Eram os criados apressados andando para lá e para cá. Margaret cuidando dos detalhes e Caroline preocupada com a aparência para a sua primeira festa na capital.
— O jantar estava delicioso! — disse Margaret quando se sentou a seu lado no sofá.
— Maravilhoso! — mentiu Hermione. Estava tão absorta que nem se lembrava do que fora servido. Recordava-se vagamente de haver tomado um pouco de vinho, que agora fermentava em seu estômago vazio.
— Ouvi as fofocas mais recentes e quero compartilhá-las com você — comentou a cunhada.
— O que é? — Hermione alarmou-se ao perceber um brilho de interesse nos olhos de Margaret.
— O conde de Gryffindor vai se casar outra vez.
Ela enrijeceu. O conde era o pai de Harry Potter. A menção daquele nome logo após o encontro que tivera com o filho ilegítimo do homem a apavorou. Por um momento, todos os tipos de incertezas assolaram-lhe a mente. A presença do conde no sarau de Margaret poderia desmascarar seu estranho esquema.
Determinada, empurrou a preocupação para o lado. Não havia nenhum modo de alguém descobrir onde ela passara a tarde. Tudo que precisava era de refrear suas emoções.
Procurando acalmar a respiração, percebeu que não captara o significado da declaração de Margaret. Então perguntou:
— E daí?
— Ele seria um noivo perfeito para Caroline.
Hermione não conhecia James Potter pessoalmente, mas sempre ouvira falar a seu respeito. Enviuvara havia pouco tempo. Três décadas antes, tivera dois filhos bastardos, frutos de um relacionamento com a atriz Lily Evans, e depois mais dois filhos legítimos de seu casamento. Não sabia ao certo sua idade, mas devia estar quase na casa dos sessenta.
— Santo Deus, Margaret! O que a fez pensar em tal coisa?
— Posição social e fortuna é claro — respondeu a cunhada, fitando-a como se ela fosse uma idiota.
— Oh, sim. Mas Caroline tem só dezessete anos.
— Um homem mais velho pode ser ao que ela precisa. —O olhar de Margaret vagueou pela sala até onde Caroline conversava, animada, com vários amigos.
— Creio que seria melhor se ela se relacionasse com alguém mais jovem. Além do mais, não posso acreditar que um viúvo esteja interessado em uma moça com idade para ser sua neta.
— Ora, ora, minha querida, cavalheiros mais velhos gostam de esposas mais jovens. Eles as acham mais obedientes. Mais fáceis de serem treinadas.
— Pelo amor de Deus, Margaret! Fala de Caroline como se ela fosse um cachorro.
— As jovens têm muitos deveres conjugais para aprender, e alguém tão vivaz quanto Caroline pode se beneficiar nas mãos mais firmes de um homem maduro.
— Caroline arranjará um excelente marido. Não se preocupe com isso.
Assim que tivesse uma chance, Hermione falaria com Jerald sobre o assunto. Embora contrariando os parâmetros morais e rígidos do irmão, conseguira que ele concordasse em consultar Caroline a respeito de qualquer proposta, permitindo que ela rejeitasse os pretendentes que não lhe interessavam.
A decisão de Jerald não coincidia com a de Margaret. Na opinião da cunhada, Caroline devia se casar com quem lhe fosse imposto e sem reclamar. O grande medo de Hermione era que a esposa convencesse Jerald a voltar atrás na promessa que fizera. Se isso acontecesse, seria um completo desastre. Esperando aplacar a arrogante cunhada, esboçou um sorriso.
— Não vamos nos preocupar com isso agora. Apenas começamos a procurar. Teremos outras noites para decidir o que for melhor para ela.
— É verdade — concluiu Margaret. — Sabe, se o conde não se decidir por Caroline, você bem que poderia se candidatar.
— O quê? — Como poderia se casar com o pai de Harry Potter? A idéia era absurda. — Você está brincando.
— Por que não? Quais são as suas intenções? Você tem vinte e cinco anos. Caroline está criada. Sua obrigação para com a família acabou. Pretende simplesmente voltar para o campo e viver o resto de seus dias como uma solteirona?
Hermione olhou ao redor do salão. Os cavalheiros haviam terminado de fumar seus charutos, e ela tentou se imaginar casada com um deles, porém era difícil formar uma imagem clara em sua mente.
Após descobrir a verdade sobre os deveres conjugais de uma esposa, duvidava que pudesse viver ao lado de um deles. Não com os homens que conhecia. Por amor, até poderia arriscar. Mas só por amor. Seu marido teria de ser alguém especial. Alguém que a cativasse.
Alguém como... Harry Potter pensou sem poder evitar o rubor ardente que lhe subiu às faces.
— Não sei ainda quais são os meus planos. No momento, estou concentrada nesta temporada e no futuro de Caroline. Depois pensarei em mim.
— Ótimo! Fico feliz que tenha resolvido ser sensata.
Durante anos, tivera discussões copiosas com Jerald e Margaret sobre se deveria noivar novamente. A cunhada reivindicava que era antinatural que ela permanecesse solteira e sempre vinha com os mesmos argumentos, mas Hermione sempre ganhava. Criar Caroline a mantinha a maior parte do tempo ocupada, assim seu potencial para constituir a própria família jamais florescera.
Agora que a irmã estava crescida, tinha de admitir que Margaret tivesse razão. O que devia fazer? Não podia ficar na propriedade rural de Jerald, em Marbleton, sem deveres e responsabilidades com que se ocupar.
O casamento era a única opção para uma mulher da sua posição. Mas em vista de sua recente descoberta, não via com poderia escolher um marido. Qualquer decisão seria impossível. Comparados a Harry Potter, todos os cavalheiros que conhecia lhe pareciam inadequados.
Nesse instante, Caroline se aproximou, uma adorável visão em cetim branco e cor-de-rosa.
— O que está achando? — perguntou a jovem.
— O jantar estava excelente e a festa, fabulosa.
— Não, tolinha. Sobre os rapazes que vieram me chamar.
Após uma apreciação demorada, Hermione declarou:
— Prefiro o rapaz de cabelos escuros.
— Ele é bem bonito. Seu nome é Charles. Convidou-me para uma cavalgada amanhã à tarde. Aliás, os outros também me fizeram convites. Devo aceitar?
— Tantos convites quanto forem possíveis.
— Vou tentar. — Caroline riu e os olhos azuis se iluminaram. Em seguida, afastou-se, majestosa como uma princesa. Enquanto Hermione observava a irmã, experimentou uma espécie de tristeza. Alguma vez teria sido tão inocente? Tão alegre e despreocupada?
Parecia antiquada, uma mulher tediosa e desinteressante para quem o descontentamento prevalecia. Algumas vezes como se a visão do futuro a deprimia terrivelmente. O que o destino lhe reservaria?
O que seria de sua vida depois que Caroline casasse?
A perspectiva era tão desanimadora que não pôde mais agüentar aquela avaliação pessoal. Abandonou seu porto seguro no canto da sala e vagueou entre a multidão de convidados.
Devagar, caminhou pelo corredor que conduzia aos magníficos aposentos na parte dos fundos da mansão e entrou na biblioteca de Jerald, dando boas-vindas à solidão.
Mas ao fechar a pesada porta de madeira, percebeu que não estava sozinha. Um homem desconhecido encontrava-se nas sombras atrás da escrivaninha e virou-se para encará-la.
Harry! Hermione quase gritou, porém conseguiu engolir o nome a tempo e ficou feliz por isso. O cavalheiro parecia Harry Potter vinte ou trinta anos mais velho.
Pela indiscutível semelhança, só podia ser o notório conde de Gryffindor, James Potter. Possuía o mesmo porte altivo, a mesma leveza e a face encantadora do filho. Os olhos penetrantes eram castanhos em vez de verdes, e os cabelos escuros já apresentavam alguns fios grisalhos. Era o tipo do homem maduro que ficara mais atraente com o passar do tempo.
— A senhorita me faria uma gentileza? — disse ele num tom de voz idêntico ao de Harry. — Poderia abrir a porta? E rápido, por favor.
O pedido foi feito num tom educado, mas não deixava de ser uma ordem. Ela concordou apressada.
— Queira me desculpar — lamentou, escancarando a porta. — Não percebi que o lugar estava ocupado.
— Verdade?
— Sim — retrucou irritada pelo tom de descrença. — Por que eu me trancaria intencionalmente aqui dentro com... — Então, lembrou-se da breve conversa que tivera com Margaret e percebeu o óbvio. Uma dezena de mulheres solteiras planejava encontrá-lo num lugar reservado e o conde não podia permitir ser flagrado com qualquer uma ou resultaria num escândalo. — Sim, lorde Gryffindor. Não esperava encontrar alguém aqui dentro.
— A senhorita me conhece?
— Já ouvi falar do senhor.
Depois de uma avaliação cautelosa, o conde declarou:
— Vejo que entende a minha preocupação.
— Eu estava apenas tentando escapar do tumulto do salão.
— Eu também. A cada temporada, tolero menos esse tipo de futilidade.
— Sinto o mesmo.
— Ah... Uma alma gêmea.
Hermione sorriu e, quando ele retribuiu o sorriso, o coração dela disparou. Com duas covinhas nas faces e aquele ar travesso no olhar igual ao do filho, que mulher poderia permanecer impassível? Ambos pareciam compartilhar um segredo precioso que os tornava íntimos e confidentes em vez de dois estranhos.
— Se detesta tanto essas festas, por que veio?
— Não pretendia vir, mas meu filho insistiu.
— Seu filho? — Ela se apavorou e não pôde impedir-se de olhar ao redor, como se Harry Potter pudesse aparecer a qualquer momento.
— Sim, meu único filho varão, Charles, queria ser apresentado à Srta. Caroline.
Oh, aquele filho! O pulso de Hermione voltou ao normal.
Charles, o filho legítimo, era um dos convidados, e ela entendeu por que o conde o reivindicaria como seu único filho, mas não pôde evitar a imediata tristeza que sentiu, amaldiçoando a sociedade burguesa em que fora criada.
Como seria para o conde ser pai de um homem magnífico como Harry e ter de negar a existência dele? Como seria para Harry ser descendente daquele aristocrata vibrante e astuto e não poder proclamar seu parentesco? Como seria possível uma relação entre os dois?
— Sou lady Hermione, a irmã mais velha de Caroline.
— É mesmo? — Ele a estudou, curioso. — Não deve se lembrar, mas passei uma semana em Marbleton quando a senhorita era apenas uma menina de oito ou dez anos. Céus... Como o tempo passa!
— É verdade — ela concordou pensativa, chegando à mesma terrível conclusão.
— Depois nunca mais a vi.
— Fui para o campo após a morte de minha mãe. Eu supervisionava os empregados de Jerald e fazia companhia a Caroline. Não voltei mais a Londres.
— E posso apostar que não sentiu falta alguma.
— Nem um pouco.
O conde deixou escapar um suspiro.
— Não estou com vontade de voltar para a festa agora. Gostaria de sentar enquanto desfrutamos um cálice de vinho? — perguntou, surpreendendo-a.
— Oh, adoraria.
James se dirigiu à mesinha de bebidas para servir dois cálices de vinho do Porto.
Hermione não deixaria aquela oportunidade escapar. Apreciava a solidão, mas o mais importante era que podia aproveitar o pretexto para conhecer mais a fundo o pai de Harry Potter. Quem era James Potter, o homem que seduzira a atriz, mãe de Harry, e depois a abandonara com duas crianças pequenas para criar?
— Por favor, acompanhe-me, lady Hermione.
— Oh, chame-me apenas de Hermione.
— Só se você me chamar de James.
— Está certo. — Ela gostava do jeito informal daquele homem e de seu modo direto de ser. — Ouvi dizer que está freqüentando a sociedade outra vez. As moças lhe causam muitos inconvenientes?
— Não faz idéia... Fui casado durante vinte e oito anos e agora que fiquei viúvo, todos acham que devo me casar novamente. E o mais depressa possível.
— E não é o que deseja, é óbvio.
— Imagine se vou saltar desse precipício outra vez! Oh, perdoe-me. Não sei o que deu em mim. Não me leve em consideração.
A revelação do conde com respeito ao seu longo casamento deixou-a estupefata.
— É normal sentir-se um pouco confuso — Hermione o confortou. — Também não estou em um dos meus melhores dias.
— No meu caso, pode ter algo a ver com o fato de eu mal ter colocado os pés nesta casa e sua cunhada me apresentar Caroline como uma futura pretendente.
— Ela não fez isso!
— Fez! Já estou a par do valor do dote de sua irmã até a última moeda.
— Céus, que situação embaraçosa! Eu disse a Margaret para deixá-lo em paz.
— Pelo menos alguém na sua família tem um pouco de bom senso. — O conde de Gryffindor reclinou-se na cadeira, exasperado. — Não me leve a mal, Hermione. Caroline é um doce de menina, mas é uma menina. Pelo amor de Deus! E posso dizer o mesmo sobre você, não importa que tipo de fantasia esteja fazendo a meu respeito.
A frase foi proferida com tanta veemência que ela não pôde evitar o riso.
— Não se preocupe. Não estou procurando marido.
— Deve ser a única mulher em Londres que não está! Tenho cinqüenta e seis anos. O que as pessoas pensam?
— Elas não pensam James — Hermione disse num tom suave.
— Tem razão!
Ambos permaneceram calados por alguns minutos, desfrutando a bebida, como também a companhia um do outro.
— Tenho uma idéia — disse ele.
— O que é?
— Charles está interessado em levar Caroline a vários eventos. Talvez pudéssemos acompanhá-los. Desse modo, eu poderia aproveitar algumas das distrações mais agradáveis da temporada.
Isso é errado, errado, errado! Gritou uma voz interior, mas Hermione ignorou a advertência.
— Adoraria a oportunidade de desfrutar a sua companhia concordou, satisfeita.
O sorriso de ambos selou aquele pacto. Agora eram amigos, sócios e conspiradores contra todos os pais ansiosos e filhas casadoiras da alta sociedade. Com muito mais prazer do que deveria sentir Hermione mal podia esperar para se tornarem mais íntimos e já estava planejando os métodos que usaria para obter informações sobre Harry.
--------------------------------------------------------------------------------
Continua...