CAPITULO 79
Decisões
Hermione se olhou no espelho uma última vez. Estava bem, pensou, desanimada.
Fazia três semanas que tivera uma conversa com Mary que mudara sua vida. E a exatamente três semanas ela evitava Rony. Não que o evitasse propriamente, eles se viam, se tocavam, namoravam e até riam juntos, mas não era a mesma coisa.
E é claro que Rony também notara. Estava mais nervoso, mais estourado nos treinos, mais exigente e exagerado do que de costume. Ele sentia seu afastamento, mas não tocava no assunto.
E o que ele poderia dizer? Certamente um terceiro filho não era o seu plano no momento, e muito menos o de Hermione.
O que ele não sabia, é que tinha mais que isso. Tinham os bilhetes constantes de Mary lembrando-a que seu prazo estava encerrado. Tinha a certeza de não poder destruir a vida dele apenas por egoísmo. Se é que, querer ser feliz, é egoísmo!
Seguindo a lógica de Mary, restava a ela se afastar e esperar. Esperar o melhor momento para contar a ele e alertá-lo do risco que corriam morando com aquela louca!
Por isso estava vestida e aguardando. Em dois dias ela saberia o resultado do teste de DNA trouxa feito em Mary, e seria esse também seu último dia para terminar tudo com o amor da sua vida.
Agora, no entanto, teria que sorrir e fingir estar tudo bem.
Rony havia alugado um apartamento e a convidara para conhecê-lo naquela noite. Ela conseguira fugir de acompanhá-lo na escolha, alegando trabalho, mas não conseguira fugir desse jantar.
E para ser franca, nem queria fugir! Seria essa a última noite ao seu lado. Sua ultima oportunidade de ficar ao seu lado, sempre poderia haver um amanhã, mas não sabia se Rony a perdoaria por estar tomando essa decisão sozinha.
Ela sobressaltou-se quando ouviu batidas na porta e levantou-se ansiosa e ao mesmo tempo triste. Era Rony, olhando-a com seu melhor sorriso do outro lado da porta.
-Está pronta? – ele perguntou apressado.
-Estou...quer entrar...?
-Não, hoje não. Quero te mostrar o nosso canto -ele disse empolgado como uma criança na véspera do Natal.
-Então, vamos – ela sorriu se deixando envolver.
Os dois aparataram diretamente para o apartamento que ele escolheu, esperando que pudesse ser o canto deles, tão logo confirmasse se o bebê era seu ou não. Afinal, suas filhas já sabiam e uma delas, Hermy, até mesmo o apoiava. Mary estava mais do que avisada do fim do casamento, então, era certo que nada poderia dar errado.
-Quer beber alguma coisa? -ele perguntou quando os dois aparataram no meio da sala.
-Sim...você escolhe – ela disse olhando em volta.
A sala era pequena, mas acolhedora, com sofás escuros e tapetes claros. Havia uma grande estante no canto, ocupando a parede, e estava vazia, obviamente esperando por seus livros.
Ele não esquecera disso, pensou, sentindo-se apaixonada. Uma porta a esquerda, por onde ele foi, era a cozinha e ela o seguiu fascinada pelas escolhas.
Era tudo muito simples e prática, e exatamente como ela esperava. Era uma micro cozinha, com o mínimo esperado para uma família, embora ele não esquecera de uma mesa confortável para quatro pessoas, microondas e geladeira, afinal suas filhas eram acostumadas a essas regalias.
Ele tinha duas taças nas mãos, contendo vinho. Ela sorriu e apanhou a sua, provando. Era adocicado,e divino, mas ela não queria beber muito. Não queria perder a capacidade de racionalizar e principalmente, resistir.
-Quer conhecer o resto? – ele perguntou ansioso.
-Você lembrou de fazer o jantar, não lembrou? -ela perguntou sorrindo, e olhando para ele desconfiada.
-Minha mãe – ele fez um gesto de rendição – é só conjurá-lo quando estiver com fome.
-Menos mal, eu estou faminta – flertou incapaz de se controlar.
-Vem, quero te mostrar o resto – ele segurou sua mão, e ela o seguiu.
-Aqui é o quarto de hospedes -ele abriu a porta revelando um quarto com duas camas de solteiro. Era todo em tons claros, tinha roupeiros e cômodas. Era adorável. Era o quarto das meninas, mas ele evitava tocar nesse assinto, notou. – esse é o banheiro das visitas. – mostrou o pequeno lavabo no corredor – cada quarto tem seu próprio banheiro e esse é o quarto principal.... – ele colocou a mão na maçaneta,mas ela o puxou para outro lugar.
Não queria entrar no quarto que deveria ser deles. Não tinha tanta força de vontade assim!
-Aqui é o escritório ou sala de estudos – ele informou fingindo não notar sua fuga – para você trabalhar – ele colocou a mão em sua nuca, e ela se afastou olhando para a escrivaninha e as paredes cobertas de prateleiras.
-Vai me dizer o que achou? -ele perguntou colocando as mãos nos bolsos da calça.
-Só depois de outro gole de vinho – ela disse fazendo mistério.
Rony sorriu malicioso e segurou sua mão novamente, levando-a para a cozinha com ele.
-e então? – perguntou ansioso vendo-a beber um longo gole de vinho.
-Estou pensando – ela debochou, para fazê-lo sofrer.
-Está querendo me deixar curioso, isso sim -ele reclamou e ela colocou a taça sobre a mesa.
-Adorei sua escolha, Rony -ela disse sorrindo para acalmá-lo – é perfeito. Posso vê-lo e as meninas morando aqui com muito conforto.
-Esqueceu de você. Quero saber se gostou, Hermione. Se gostou para morar aqui e ser feliz ao meu lado – ele segurou sua mão fazendo-a se aproximar e colocou sobre o peito, onde o coração batia forte – só me interessa se você gostou.
-Eu...gostei -ela disse com olhos brilhantes esquecendo do porque não se permitir viver o que sentia – é lindo e mostra todo o cuidado que tem comigo. Sua preocupação em me agradar está evidente em cada cantinho desse apartamento – ela disse sorrindo, emocionada.
-Sinto que está distante de mim – ele disse pesaroso, fitando seus olhos com ansiedade. De saber e entender o que ela pensava.
-É impressão sua – ela respondeu, tentando esconder o que sentia – Não estou dando pulinhos de alegria com a situação...mas não estou te evitando, estou?
-Não, não está – ele respondeu sorrindo. – Quero te mostrar uma coisa – ele disse empolgado e ela sorriu, seguindo-o para a sala.
Ela sentou-se no sofá adorando estar ali. Podia se imaginar vivendo ao seu lado, tendo seus próprios filhos e criando-os naquele local, ao lado de Rony. Mas eram sozinhos tolos, pois a situação era desfavorável aos dois.
Rony abriu uma gaveta, enquanto ela esperava, bebericando seu vinho sem presa. Era uma caixa retangular e fina, com um laço sobre a tampa.
-É um presente? – ela perguntou deliciada, abandonando a taça e apanhando o embrulho – O que será?
-Abra – ele sentou-se ao seu lado, colocando as mãos em suas pernas, pois ela estava sentada com os joelhos dobrados sobre o estofado.
Ela tirou a tampa e olhou sem entender para a magnífica pena. Era longa e delicada, com detalhes em prata na ponta e uma longa penugem amarela e marrom.
-É uma pena de repetição rápida – ele explicou – Encomendei a alguns dias, achei que estando bem no seu trabalho, iria querer uma dessas. Só que essa – ele disse em tom de deboche – não vai distorcer suas palavras.
-Rony, que doce ter lembrado disso – ela disse comovida – Sempre que usá-la vou pensar em você, sabia? – disse emocionada, acariciando a pena com atenção.
-então, é melhor escolher um presente para cada minuto da sua vida longe de mim – ele brincou e ela sorriu, abraçando-o.
Pretendia um abraço superficial, mas ele não era do tipo de perder uma oportunidade. Segurou-a contra ele, até que ela tentasse se afastar e ele tivesse a oportunidade de saquear seus lábios.
Segurando seu rosto, ele olhou bem dentro dos seus olhos antes de beijá-la.
Hermione havia vestido um vestido clássico, de corte reto e delicado, porém nada fresco, com zíper nas costas. Vinha até perto dos joelhos e não tinham mangas, eram tomara que caia. Aproveitando-se disso, ele acariciou-a nos ombros e nos braços, beijando-a profundamente.
Hermione se esqueceu do mundo em seus braços, e esse era um medo seu, não resistir. Não resistir ao que, pensou, perdida entre sensações de desejo e paixão. Não resistir ao amor e ao prazer que ele desejava mostrar-lhe e entregar-lhe? Não resistir a felicidade que poderia descobrir em seus braços?
Era isso que pretendia furtar-se? As lembranças dessa felicidade poderiam tornar o depois mais fácil, pensou. Além disso, não poderia viver com a idéia de nunca ter sido dele. Há anos esperava por isso e cultuava essa fantasia. Há anos, seu único pensamento, era de como e quando aconteceria.
-O que foi, Hermione? – ele perguntou separando-se em meio ao frêmito beijo, segurando seu rosto e centímetros do seu, as mãos em seus longos cabelos soltos. Os dois estavam arfantes e ele parecia ter notado sua decisão antes dela, na forma como ela endureceu os ombros, e ficou tensa.
-Me mostre o quarto, Rony... –ela disse com olhos brilhantes.
-Hermione... – ele pareceu não acreditar em sua decisão.
Ela correu a mão direita por sua face, parando em seus lábios e sorrindo diante da própria alegria.
-Essa noite, você é só nossa, Rony.
-Tem certeza? – ele perguntou beijando a palma da sua mão com adoração, sem afastar os olhos dos dela nem por um instante.
-Tenho -disse convicta – Essa noite será nossa, na nossa casa, com as nossas coisas, e com a nossa vida. Eu te quero, Rony. –ela disse sem notar o quanto soava sedutor.
Sem mais duvidas, ele agiu. Só lhe restava agir....
Autora: não deu tempo de escrever o 80 ainda, mas não resistir a ir postantando...hehe....