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5. Presentes


Fic: Lady Ginevra


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 5


 


"Lúcifer", a mãe devia tê-lo chamado. Essa foi a conclusão de Gina ao final do dia. "Também 'Bárbaro' ou 'Selvagem' seriam nomes adequados", pensou. "Parece ter o diabo no corpo, dando ordens com tanta altivez. Carece completamente de maneiras civilizadas".


Acaso não sabia que não era cortês brigar no dia do casamento?


Entretanto, reconhecia que Harry tinha começado de maneira agradável. Assim que o padre MacKechnie deu a bênção final e terminou a missa, o marido recente fez a esposa girar para que o encarasse. Tinham-lhe dado uma bela túnica multicolorida, igual a que ele mesmo usava e Harry prendeu o tecido comprido e estreito sobre o ombro direito de Gina. Uma segunda túnica de cores diferentes foi colocada sobre o ombro esquerdo da jovem. O marido lhe explicou que a primeira era dos MacBain e a segunda, dos MacLaurin. Aguardou que assentisse em sinal de ter entendido e em seguida a beijou com tal veemência que lhe tirou o fôlego.


Gina esperou que lhe desse um beijinho breve, mas o beijo foi arrasador. A boca de MacBain era firme e quente. O ardor desse beijo apaixonado fez com que as bochechas de Gina se tingissem de rosado. Pensou em afastar-se, mas não o fez. O beijo a abalou tanto que não restaram forças nem desejo de fazê-lo.


As risadas que se ouviram atrás deles por fim chamaram a atenção de Harry. Interrompeu o beijo bruscamente, assumiu uma expressão satisfeita ao ver o assombro estampado no rosto da noiva e logo concentrou a atenção no sacerdote.


Gina não se recuperou tão rápido e enfraqueceu, apoiando-se sobre o corpo do marido.


O padre MacKechnie rodeou o altar e se aproximou para felicitá-lo.


— Bom, foi uma linda cerimônia nupcial — afirmou.


Alex abriu passagem até o novo casal; Gina sentiu que puxava sua saia e lhe sorriu.


O sacerdote chamou a atenção de Gina com uma gargalhada.


— Por um momento, achei que não acabaríamos nunca.


Tanto o marido quanto o clérigo olharam para Gina e a jovem lhes sorriu.


— Eu nunca duvidei. — afirmou — Quando tomo uma decisão, a cumpro.


Nenhum dos dois homens pareceu acreditar. O sacerdote afastou Alex das saias de Gina e o fez colocar-se à esquerda do pai.


— Por que não começamos com a fila para os cumprimentos? — sugeriu — As pessoas do clã irão querer lhes desejar felicitações.


Harry continuou olhando fixamente à noiva como se quisesse dizer algo e não encontrasse as palavras.


— Gabriel, quer me dizer algo?


— Não me chame assim: eu não gosto desse nome.


— Mas é um belo nome.


O homem resmungou e Gina tratou de ignorar essa exclamação incivilizada.


— Devia estar orgulhoso de ter um nome tão grandioso.


Harry voltou a queixar-se e Gina desistiu.


— Como devo chamá-lo? — perguntou, tratando de ser condescendente.


— Lorde — propôs o marido.


Parecia falar sério, mas Gina não pensava aceitar essa proposta. Era ridículo que os maridos empregassem nomes tão formais entre si. Gina resolveu usar a diplomacia, pois compreendeu que nesse momento não era conveniente desafiá-lo.


— E quando estivermos sozinhos? — perguntou — Nesse caso, posso chamá-lo de Harry?


— Não.


— E então, quando...?


— Quando se dirigir a mim, me chame... me chame MacBain. Sim, assim estará bem.


— Quando me dirigir a você? Tem idéia de quão arrogante parece?


Harry encolheu de ombros.


— Não, mas está bem que diga que sou arrogante.


— Não, não está bem.


Harry não quis continuar discutindo.


— Estava certa em incluir o menino.


Gina levou um momento para compreender que estava lhe agradecendo por sua atitude, pois havia falado em tom resmungão e, além disso, continuava reagindo à absurda proposta de chamá-lo MacBain.


Não soube como responder. Assentiu e disse:


— Devia ter recebido um bom banho antes da cerimônia.


MacBain tentou ocultar o sorriso. Na realidade, não permitiria que o repreendesse em público dessa forma, mas para falar a verdade, estava tão contente em comprovar que tinha certo caráter que não a repreendeu.


— Da próxima vez, cuidarei do meu banho.


Imediatamente, a jovem entendeu a ironia e não lhe passou despercebida a insinuação de que Harry poderia voltar a se casar.


— Gosta de ficar com a última palavra, não é mesmo, lorde?


— Sim — admitiu o homem com um sorriso.


O guerreiro notou que Alex contemplava Gina encantado. O sacerdote o tinha colocado fora da linha de recepção, mas o menino já tinha se aproximado outra vez de Gina.


A noiva ganhou o menino em poucos minutos. MacBain se perguntou quanto tempo ele levaria para ganhar o carinho da jovem. Que idéia tão tola! O que lhe importava o que sentisse por ele? O casamento lhe tinha dado a posse das terras e isso era a única coisa importante.


Os soldados dos dois clãs se aproximaram um a um para apresentar-se a Gina e oferecer suas felicitações ao lorde. Logo, as mulheres chegaram. Uma jovem ruiva que lhe apresentaram como Leila, do clã MacLaurin, entregou a Gina um belo buquê de flores púrpuras e brancas. A recém casada agradeceu o presente e pensou em adicioná-lo ao galho que segurava na outra mão. Rompeu a rir ao ver o desastre que tinha feito com o buquê que o padre MacKechnie tinha lhe entregue. Das flores já não restava nada. Tinha levado um ramalhete de caules durante a cerimônia?


Quando finalizaram as apresentações, Alex estava inquieto. As mulheres iam de um lado para outro com recipientes de comida que colocavam sobre as mesas junto às quais os homens já estavam reunidos. Harry estava imerso numa conversa com dois soldados MacLaurin.


Gina se voltou para Sirius e Remus.


— Há seis cavalos no campo junto ao rio — começou.


— Um será meu — exclamou Alex.


MacBain ouviu o comentário do filho e se voltou para olhar Gina com sorriso malicioso.


— Então foi assim que o conquistou!


Gina o ignorou e continuou falando com os soldados.


— É meu presente de casamento para meu marido... e para Alex. — se apressou a acrescentar — Por favor, poderiam enviar alguém para buscá-los?


Os soldados se inclinaram e foram cumprir o pedido. Alex puxou a barra da túnica de Gina.


— Papai deu algum presente para você?


O pai respondeu à pergunta.


— Não, Alex.


Mas Gina o contradisse:


— Sim, deu.


— O que? — perguntou o pequeno.


MacBain também sentiu curiosidade para ouvir a resposta. Gina sorria para Alex.


— Deu-me um filho.


Essa afirmação deixou MacBain atônito, mas o menino não entendeu bem o que queria dizer.


— Mas eu sou filho dele — afirmou o pequeno mostrando o peito para ter certeza de que Gina o entendesse.


— Sim — respondeu Gina.


O menino sorriu.


— Um filho é melhor que seis cavalos?


— É obvio.


— Melhor até que cem?


— Sim.


Alex se convenceu de sua própria importância e o peito inchou de orgulho.


— Quantos anos você tem? — perguntou Gina. O menino abriu a boca para responder e logo voltou a fechá-la. A expressão confusa do pequeno mostrou a Gina que não sabia e se voltou para o marido em busca de uma resposta. Harry encolheu os ombros: era evidente que ele tampouco sabia. Gina ficou estupefata:


— Não sabe a idade de seu filho?


— É pequeno — respondeu MacBain. Alex se apressou a reafirmar o que dizia o pai.


— Sou pequeno. — repetiu — Papai, eu posso ver os cavalos?


Harry assentiu. O menino soltou a saia de Gina e foi em busca de Sirius e de Remus.


O padre MacKechnie tinha presenciado a cena entre o menino e Gina.


— O mocinho está fascinado por ela, não? — comentou para o lorde enquanto via Alex cruzar o pátio correndo.


— Subornou-o — disse Harry marcando as palavras.


— Sim — admitiu Gina.


— Não é tão fácil conquistar os homens — assinalou o marido.


— Lorde, não me interessa conquistar nenhum homem. Por favor, me desculpe. Queria falar com meu irmão.


Era uma desculpa perfeita, mas Harry a estragou agarrando a mão de Gina.


Ronald tinha se aproximado da irmã. É obvio, estava rodeado de mulheres, pois era bonito e encantador e Gina teve que esperar uns instantes até que o irmão notou que o chamava e se livrou das admiradoras.


Ronald falou primeiro com MacBain.


— Dentro de um ou dois meses, enviarei alguns homens aqui para ajudar na reconstrução.


MacBain moveu a cabeça.


— Não mandará nenhum soldado aqui. Mataríamos assim que colocasse um pé em nossa terra.


— MacBain, é um homem obstinado.


— Quanto foi a multa que pagou ao rei?


— Que multa? — perguntou Gina.


Tanto Ronald quanto Harry ignoraram a pergunta. O irmão informou MacBain da soma e Harry afirmou que a devolveria.


Por fim, Gina entendeu e disse ao irmão:


— Quer dizer que nosso rei o fez pagar uma multa? Por que, Ronald?


— Porque nós escolhemos seu marido, Gina. Acordamos... um preço...


— E se eu aceitasse me casar com o eleito pelo rei? — alfinetou-o Gina.


— Williams? — perguntou Ronald.


A jovem assentiu.


— Nesse caso, não teria necessidade de pagar uma multa, claro.


— Mentiu-me. Disse que não tinha moedas suficientes para me emprestar para pagar a John para que eu pudesse permanecer livre mais um ano.


Ronald exalou um suspiro.


— Certamente, menti. — confessou — Você tentava adiar o inevitável e eu estava preocupado por sua segurança. Maldição! Era prisioneira em Londres! Eu não podia ter certeza de que estivesse a salvo por muito tempo mais e também me afligia a possibilidade de que John desse as terras dos MacLaurin a outro.


Gina compreendeu que tinha razão, e também que a amava e só pensava em sua segurança.


— Perdôo a mentira, Ronald.


— Vá para casa, barão, e não volte. Já cumpriu seu dever e agora Gina fica sob minha responsabilidade.


Gina ficou estupefata diante da rudeza do marido.


— Já? — exclamou — Quer que vá agora mesmo?


— Agora — repetiu o guerreiro.


— Meu irmão...


— Não é seu irmão.


O comportamento de Harry a indignou tanto que sentiu desejos de gritar. Mas nesse momento o marido não prestava nenhuma atenção a ela e sim a Ronald.


—Devia ter adivinhado. — disse — Vocês não parecem irmãos, e quando Gina disse ao sacerdote seu nome completo, compreendi que não estão aparentados. Seus sentimentos por ela...


Ronald não o deixou continuar.


— É muito astuto. — o interrompeu — Gina não tem a menor idéia. Deixe as coisas como estão.


— Lorde...


— Nos deixe, Gina. Esta discussão não diz respeito a você.


O tom de Harry indicou que não devia contradizê-lo. Gina começou a espremer as pétalas do buquê de flores frescas enquanto contemplava as expressões sombrias dos dois homens.


Gina não teve que decidir se devia ir ou ficar, pois o padre MacKechnie tinha ouvido o suficiente para saber que estava começando uma briga. Com fingido entusiasmo, pegou Gina pelo braço e disse:


— Se não provar os pratos especiais, ferirá os sentimentos das mulheres que os prepararam. Vem. Não ficarão tranqüilas até que a nova senhora lhes dê sua aprovação. Lembra como diz "obrigado" em gaélico?


O sacerdote a levou meio arrastando-a, meio empurrando-a para afastá-la dos dois homens. Gina continuou olhando sobre o ombro para ver o que acontecia. Ronald parecia furioso e MacBain também. Viu que quem mais falava era seu novo marido. Ronald olhou em sua direção, notou que Gina o observava e disse algo a MacBain. O marido assentiu e os dois homens se voltaram e desapareceram colina abaixo.


Não voltou a ver nenhum dos dois até que o sol começou a desaparecer no céu. Quando divisou o marido e o irmão que subiam a colina, soltou um suspiro de alívio. Atrás deles, o céu estava estriado dos raios alaranjados do poente. As silhuetas escuras, recortadas a contraluz na distância, pareciam místicas. Diria que brotavam da terra, como invencíveis guerreiros divinos movendo-se com graça ímpar.


Eram os guerreiros mais perfeitos que tinha visto e não tinha dúvida de que o arcanjo Harry devia estar sorrindo aos dois. Afinal de contas, foram feitos a sua imagem.


Gina sorriu ante esses pensamentos tão fantasiosos. Logo os observou bem e deixou escapar uma exclamação horrorizada. Ronald sangrava o nariz e tinha o olho direito quase fechado pelo inchaço. MacBain não se via em melhores condições. Emanava-lhe sangue de um corte na parte superior da testa e de outro junto à boca.


Não soube a quem gritar primeiro. Por instinto, pensou em correr para Ronald para repreendê-lo enquanto media a gravidade dos ferimentos, mas no momento em que ergueu a barra da saia e começou a correr, compreendeu que devia acudir Harry primeiro. Era seu marido e tinha que estar no centro de seus pensamentos. Por outro lado, se conseguisse acalmá-lo talvez estivesse mais disposto a escutar argumentos e a permitir que o irmão ficasse por alguns dias.


— Estiveram brigando — gritou, ao chegar junto ao marido. Harry não achou necessário responder: era óbvio que tinham estado brigando e não lhe agradava muito a raiva que percebia na voz de Gina.


Gina tirou o lenço de linho que tinha metido na manga e ficou nas pontas dos pés para enxugar o sangue da ferida e ver quão profunda era. Afastou-lhe com delicadeza o cabelo.


Harry jogou a cabeça para trás. Não estava habituado a que ninguém o atendesse e não sabia como reagir.


— Fique quieto, milorde. — lhe ordenou — Não o machucarei.


MacBain ficou quieto e deixou que o cuidasse. "Maldição! — pensou — esta mulher me encanta, mas não porque parece preocupada comigo, mas sim porque correu para me atender primeiro".


— Resolveram o conflito que os incomodava? — perguntou Gina.


— Eu resolvi — respondeu MacBain com convicção.


Gina olhou ao irmão.


— E você, Ronald?


— Sim — respondeu em tom tão irritado quanto o marido.


A jovem se dirigiu outra vez ao marido.


— Por que provocou Ronald? Sabe que é meu irmão. — acrescentou com gesto afirmativo — Meus pais se responsabilizaram por ele quando ele tinha oito anos. Ele estava lá quando eu nasci e o chamei meu irmão desde o momento em que comecei a falar. Deve-lhe uma desculpa, marido.


MacBain não fez caso da sugestão e lhe agarrou o pulso para que deixasse de limpar a ferida; em seguida se dirigiu a Ronald.


— Despeça-se agora. — lhe ordenou — Não voltará a vê-la.


— Não! — gritou Gina. Soltou-se do marido e correu para o irmão jogando-se em seus braços.


— Não me disse a verdade a respeito dele. — murmurou — Não é um homem gentil: é duro e cruel. Não suporto a idéia de não voltar a vê-lo. Eu te amo. Protegeu-me quando ninguém o fazia. Acreditou em mim. Por favor, Ronald, me leve para casa com você. Não quero ficar aqui.


— Acalme-se, Gina. Está tudo bem. MacBain tem bons motivos para querer que meus homens e eu partamos daqui. Aprenda a confiar nele.


Enquanto falava, Ronald sustentou o olhar de MacBain.


— Por que não quer que retorne?


Ronald moveu a cabeça e seu silêncio mostrou a Gina que não pretendia explicar.


— Que mensagem quer que transmita a nossa mãe? A verei no mês que vem.


— Retornarei a casa com você.


O sorriso do irmão estava repleto de ternura.


— Agora está casada: este é seu lar. Tem que ficar com seu marido, Gina.


Gina não o deixava ir. Ronald se inclinou, beijou-a na testa e em seguida afastou-lhe as mãos e a empurrou com suavidade para o marido.


— MacBain, trate-a bem, pois do contrário, por tudo o que é sagrado, voltarei e o matarei.


— Estará em seu direito — respondeu MacBain. Passou por Gina e Ronald se cumprimentaram como adolescentes — Você e eu chegamos a um acordo. Minha palavra é meu contrato, barão.


— E minha palavra é o meu, lorde.


Os dois homens assentiram. Gina permaneceu ali, com as lágrimas correndo pelo rosto enquanto via o irmão afastar-se. Ronald montou em seu cavalo, cavalgou colina abaixo e desapareceu de vista sem olhar atrás.


Gina voltou-se e viu que o marido também tinha ido. De repente, encontrou-se sozinha. Permaneceu no limite da Hermioneira sentindo-se tão triste e desolada quanto o lugar que a rodeava. Não se moveu até que o sol desapareceu no céu. Por fim, o vento gelado a tirou de seu recolhimento. Tremeu e esfregou os braços enquanto retornava lentamente ao pátio. Gina não viu um só escocês até que chegou ao centro da Hermioneira. Então viu o marido. Estava apoiado contra a entrada do castelo, observando-a.


Gina secou as lágrimas, ergueu-se e avançou. Subiu os degraus com uma só intenção. Embora fosse um gesto infantil, estava decidida a lhe dizer quanto a desagradava.


Não teve a menor oportunidade. MacBain esperou que estivesse perto e a rodeou com os braços. Aprisionou-a contra seu peito, apoiou o queixo sobre a cabeça de Gina e a abraçou.


Na verdade, tentava consolá-la! Esse gesto confundiu Gina. Afinal de contas, ele tinha sido o causador de seu desgosto e agora tentava acalmá-la...


Apesar de tudo, funcionou. Gina compreendeu que estava muito esgotada depois de um dia tão longo e difícil e sem dúvida esse foi o motivo de que não tentasse afastá-lo. Harry lhe oferecia uma maravilhosa calidez; "preciso deste calor — pensou a jovem — para me tirar o frio. Direi o que penso, mas primeiro me aquecerei".


Harry a sustentou um longo momento enquanto aguardava paciente, que recuperasse a compostura.


Por fim, Gina se afastou.


— Milorde, a rudeza com que tratou meu irmão me fez muito infeliz.


Esperava uma desculpa, mas como o tempo passava compreendeu que não a receberia.


— Agora gostaria de ir me deitar. — disse — Tenho muito sono. Por favor, me acompanhe a minha cabana? Nesta escuridão não a encontraria.


— A cabana em que dormiu ontem à noite pertence a um dos MacBain. Não voltará a dormir lá.


— E onde dormirei?


— Dentro do castelo. — respondeu — No piso superior há duas salas. Os MacLaurin conseguiram deter o fogo antes que chegasse à escada.


Harry abriu a porta e fez um gesto para que entrasse, mas Gina não se moveu.


— Milorde, eu posso perguntar algo?


Aguardou que assentisse e então disse:


— Algum dia me explicará por que colocou meu irmão pra fora e ordenou que não retornasse jamais?


— No seu devido tempo entenderá. — respondeu o homem — Mas se não for assim, terei muito prazer em lhe explicar.


— Obrigado.


— Gina, eu sou capaz de me mostrar complacente.


Gina não soltou um bufo desdenhoso porque não seria próprio de uma dama, mas a expressão de seus olhos indicou que não acreditava.


— Esposa minha, libertei seu irmão de uma carga.


— Eu era sua carga?


Harry moveu a cabeça em sinal de negativa.


— Não, você não. — respondeu — Agora, entre.


A jovem preferiu obedecer. A mulher que tinha entregado o buquê de flores frescas aguardava em pé junto à escada. — Gina, esta é...


A recém casada não o deixou terminar.


— Leila. — disse — Obrigado outra vez por essas belas flores. Foi muito gentil de sua parte.


— Milady, eu dou-lhe as boas-vindas. — respondeu a mulher. Tinha uma voz suave e melodiosa e um agradável sorriso. Os cabelos eram vermelhos como o fogo e como este, atraíam olhares. Gina supôs que tinha uma idade próxima a sua.


— Foi difícil abandonar sua família e amigos para vir aqui? — perguntou Leila.


— Não tinha amigos íntimos — respondeu Gina.


— E a respeito da criadagem? Certamente, nosso lorde deve ter lhe dado permissão para trazer sua dama de companhia.


Gina não soube o que responder. Quase não conhecia os criados, pois Draco os trocava todos os meses. A princípio, Gina achou que era muito exigente, mas logo compreendeu que não era isso. Queria mantê-la isolada, para que não tivesse em quem confiar, e dependesse inteiramente dele. Depois da morte de Draco a levaram para Londres e não travou relação com ninguém enquanto esteve prisioneira na corte do rei John.


— Eu não teria permitido que houvesse outra mulher inglesa aqui. — afirmou MacBain ao ver que Gina vacilava em responder.


— Preferiram ficar na Inglaterra — disse enfim Gina.


Leila assentiu, voltou-se para subir as escadas e Gina a seguiu.


— Acredita que será feliz aqui? — perguntou a moça.


— Oh, sim! — respondeu Gina, desejando estar certa — Aqui estarei a salvo.


MacBain franziu o semblante. Gina não tinha idéia do muito que esse comentário revelava de seu próprio passado. O homem ficou ao pé das escadas, contemplando à noiva.


Leila, em troca, não era tão perspicaz quanto o lorde.


— Eu lhe perguntei se seria feliz — disse em tom risonho — Claro que estará a salvo: nosso lorde a protegerá.


Gina pensou: "Eu posso me cuidar", mas não disse a Leila porque não queria que pensasse que não estava agradecida de contar com o amparo do lorde. Voltou-se para o marido.


— Boa noite, milorde.


— Boa noite, Gina.


Gina seguiu Leila até o patamar das escadas. O patamar estava em parte bloqueado à esquerda por uma montanha de cestas de madeira, para evitar que alguém caísse sobre o salão ou corredor debaixo. Do lado oposto havia um corredor estreito. Velas colocadas em candelabros de bronze fixos às paredes iluminavam o caminho. Leila começou a explicar a Gina os detalhes da casa e pediu que fizesse qualquer pergunta que lhe ocorresse. Outra mulher, Megan, aguardava no interior do primeiro aposento com o banho de Gina preparado. Tinha cabelo castanho escuro e olhos amendoados e também usava a túnica dos MacLaurin. Exibia um sorriso tão agradável quanto o de Leila.


A recém casada se acalmou um pouco diante dessa imediata aceitação. O banho lhe pareceu maravilhoso e lhes agradeceu por terem pensado em lhe oferecer semelhante prazer.


— Nosso lorde ordenou que lhe preparássemos o banho. — esclareceu Megan — Como ontem à noite um MacBain lhe deixou sua cama, agora era a vez dos MacLaurin fazerem algo por você.


— É o justo — acrescentou Leila.


Antes que Gina pudesse perguntar o que significava esse comentário, Megan mudou de assunto: queria falar a respeito do casamento.


— Você estava muito linda, milady. Você fez o bordado do vestido? É encantador.


— Claro que ela não o fez — disse Leila — A donzela...


— Eu mesma o fiz — afirmou Gina.


Seguiram conversando durante o tempo que durou o banho. Ao fim, a recém-casada deu boa-noite às jovens e se dirigiu pelo corredor até o segundo aposento.


Dentro, estava morno e acolhedor. Contra a parede exterior havia uma lareira, uma enorme cama com cortinado nas cores de MacBain contra a parede oposta e uma janela que dava para o campo junto ao rio. Uma grossa manta de pele cobria a janela fechando o espaço ao frio vento noturno e o fogo que ardia na lareira deixava o quarto mais acolhedor.


A cama pareceu tragá-la e Gina imaginou que sob as mantas poderiam dormir quatro pessoas uma junto à outra, sem tocar-se. O único desconforto era que sentia frio nos pés. Pensou em sair da cama para procurar um par de meias de lã, mas logo lhe pareceu muito esforço e desistiu. "Deveria ter desfeito a trança", pensou bocejando. "Pela manhã meu cabelo estará cheio de nós, mas estou muito cansada". Fechou os olhos, fez suas orações e se dispôs a dormir.


A porta se abriu no mesmo instante em que começava a cochilar. A mente de Gina não registrou o que acontecia até que sentiu que um lado da cama se afundava. Abriu lentamente os olhos: "Está bem. — disse — É Harry e não um intruso sentado ao lado da cama".


Harry tirou as botas e Gina tratou de não alarmar-se.


— O que faz milorde? — disse em um murmúrio adormecido.


Harry lhe respondeu por cima do ombro:


— Dispo-me para deitar.


Gina fechou os olhos outra vez e o marido pensou que tinha adormecido. MacBain ficou contemplando-a um longo momento. Dormia de lado, virada para ele. Alguns cachos, ruivos como o fogo, esparramavam-se sobre os ombros como um manto. Pareceu-lhe deliciosa, frágil e inocente. Era muito mais jovem do que MacBain tinha imaginado, e depois que ele e Ronald resolveram suas diferenças e o barão, com toda prudência, decidiu obedecer às ordens, MacBain lhe perguntou qual era a idade exata da irmã. Ronald não recordava a data de nascimento de Gina, mas sim que era quase uma menina quando os pais receberam a ordem do rei John de entregá-la em casamento ao barão favorito do monarca.


De súbito, Gina se ergueu na cama.


— Aqui? Milorde pensa em dormir aqui? — perguntou quase sem fôlego.


Harry assentiu e se perguntou por que pareceria tão aterrorizada.


Gina ficou com a boca aberta, muito estupefata para falar. Harry ficou de pé, desatou a correia de couro que segurava a túnica e jogou a correia sobre uma cadeira próxima. A túnica caiu no chão. Estava completamente nu. Gina fechou com força os olhos.


— Harry...! — murmurou em um sussurro abafado.


Antes de fechar os olhos, Gina deu uma olhada nas costas de Harry e isso foi suficiente para lhe fazer palpitar o coração. O marido estava bronzeado pelo sol do pescoço até os tornozelos: como era possível? Acaso se expunha nu ao sol?


Não pensava perguntar-lhe. Sentiu que afastava as mantas e o movimento da cama quando Harry se deitou junto a ela. O homem fez um gesto de aproximação.


Pondo-se de joelhos, a jovem se voltou e o enfrentou. Viu que o homem estava deitado de costas e não se incomodou em cobrir-se. Então, Gina agarrou as mantas e o cobriu até a cintura. Sentiu que o rosto lhe ardia de vergonha.


— Milorde, me enganou. Sim, me enganou! — quase gritou.


Harry não compreendeu o que lhe passava: parecia aterrorizada. Tinha os olhos cheios de lágrimas e não se surpreendeu de ouvi-la soluçar.


— De que modo a enganei? — esforçou-se em manter a voz baixa e serena. Enlaçou as mãos detrás da cabeça fingindo que tinha todo o tempo do mundo para esperar a resposta.


A atitude despreocupada de Harry teve a virtude de acalmar a jovem. Inspirou e disse:


— Meu irmão não lhe contou. Disse que tinha lhe dito... Oh, Deus, quanto lamento! Tinha que ter me assegurado de que sabia. Quando descobri que já tinha um filho, pensei que conhecia meu problema e que não se importava. Já tinha um herdeiro. Você...


Harry lhe cobriu a boca com a mão e viu que as lágrimas rodalam pelas bochechas. Disse-lhe em tom suave e tranqüilizador:


— Seu irmão é um homem honrado.


Gina assentiu. Harry tirou a mão da sua boca e a atraiu com suavidade para ele.


— Sim, Ronald é um homem honrado — murmurou a jovem.


Apoiou o rosto sobre o ombro do marido e Harry sentiu que as lágrimas da mulher lhe gotejavam sobre a pele.


— Ronald não me enganaria.


— Não pensei que o faria. — A voz de Gina soava angustiada.


Passou um longo momento enquanto Harry esperava que Gina lhe confessasse o que a atormentava.


— Talvez tenha esquecido de dizer ou achou que tinha dito.


— O que é que esqueceu de me dizer?


— Que não posso ter filhos.


Harry esperou em vão que continuasse e então perguntou:


— E?


Gina continha o fôlego esperando a reação do marido: acreditou que ficaria furioso, embora na verdade não parecesse. Acariciava-lhe o braço de maneira distraída. Um homem enfurecido não acariciaria, mas sim golpearia.


Gina supôs que não tinha compreendido.


— Sou estéril. — murmurou — Achei que Ronald tinha lhe dito isso. Se desejar a anulação do casamento eu tenho certeza que o padre MacKechnie poderá atender ao pedido.


— Ronald me disse isso, Gina.


Gina se ergueu outra vez.


— Disse? — Adotou uma expressão perplexa — E por que está aqui?


— Porque sou seu marido e é nossa noite de núpcias. É costume compartilhar a cama.


— Quer dizer que deseja dormir aqui esta noite?


— Por todos os diabos, com certeza sim! — respondeu Harry.


Gina olhou-o incrédula.


— E todas as outras noites — anunciou Harry.


— Por quê?


— Porque sou seu marido.


Harry a fez voltar a deitar-se, ficou de lado e se inclinou sobre a moça. Afastou-lhe com delicadeza o cabelo do rosto.


O gesto foi suave e tranqüilizador.


— Milorde, está aqui só para dormir?


— Não.


— Isso significa que deseja...


— Sim — disse o homem, irritado pela expressão horrorizada da mulher.


— Por quê?


Na verdade, não entendia. Essa observação mitigou o orgulho de Harry, mas não a irritação que lhe provocava.


— Gina, acaso não esteve casada durante três anos?


Gina tentou não olhá-lo nos olhos, mas era uma tarefa difícil. Eram olhos muito belos do mais puro tom de verde. Também tinha maçãs do rosto salientes e nariz reto. Era um demônio de atraente, e até contra sua vontade, o coração de Gina reagiu à proximidade do marido. Emanava dele um cheiro limpo e viril. Tinha o cabelo úmido, pois se banhou antes de deitar-se.


Gina não deveria ter pensado que isso era agradável, mas não pôde evitá-lo. Teria que disciplinar seus rebeldes pensamentos. Não deveria lhe importar que fosse atraente nem que cheirasse bem.


— Responderá antes do amanhecer?


Gina recordou a pergunta:


— Fiquei casada três anos.


— Então, como pode me perguntar se quero dormir com você?


A confusão de Harry não tinha sentido para Gina.


— Para que? Não posso te dar filhos.


— Você falou sobre isso. — replicou Harry — Existe outro motivo pelo qual desejo me deitar com você.


— Que outro motivo? — perguntou Gina, desconfiada.


- No ato nupcial há prazer. Acaso alguma vez o experimentou?


— Não sei nada sobre prazer, milorde, mas estou muito familiarizada com a decepção.


— Acredita que eu me decepcionarei, ou que ocorrerá a você?


— Ambas as coisas. — disse a jovem — E logo se zangará. Na realidade, seria melhor que me deixasse sozinha.


Harry não pretendia aceitar a sugestão. Gina se comportava como se tivesse calculado tudo e o homem não precisava lhe perguntar de onde tinha tirado essas idéias. Era evidente que tinha sido muito maltratada pelo primeiro marido. Era tão inocente e tão vulnerável...! "É uma pena que Draco esteja morto! — pensou MacBain — Me agradaria matá-lo com minhas próprias mãos".


No entanto, não podia mudar o passado. Só podia concentrar-se no presente e no futuro dos dois. Inclinou-se e beijou Gina na testa e o alegrou que não se contraísse nem lhe desse as costas.


— Esta é a primeira noite para você...


Ia explicar que seria a primeira vez que estavam juntos e que seria um novo começo para ambos, mas Gina o interrompeu.


— Não sou virgem, milorde. No primeiro ano de casamento, Draco se deitou comigo muitas vezes.


Essa afirmação despertou a curiosidade de Harry e se inclinou para olhá-la.


— E depois do primeiro ano?


— Procurou outras mulheres: estava decepcionado comigo. Não há outras mulheres com as quais deseje estar?


Mencionou a possibilidade com aparente entusiasmo e o homem não soube se se sentia ofendido ou divertido. Poucas mulheres desejavam compartilhar seus maridos, mas Gina parecia ansiosa para sair e conseguir amantes para ele. Demônios, até parecia disposta a oferecer seu lugar na cama!


— Não quero nenhuma outra mulher.


— Por que não?


Teve a ousadia de mostrar-se zangada. Harry não podia acreditar que realmente mantinham esta conversa tão absurda. Sorriu e sacudiu a cabeça.


— Quero você — insistiu.


Gina suspirou.


— É seu direito.


— É.


Harry afastou as mantas e Gina voltou a colocar em seu lugar.


— Espere um momento, por favor. Antes que comece, queria fazer uma pergunta muito importante.


Harry franziu o semblante. Gina posou o olhar sobre o queixo do marido para que ele não visse o quanto ela estava assustada enquanto esperava que aceitasse ou negasse seu pedido.


— Qual é sua pergunta?


— Queria saber o que acontecerá quando o decepcionar. — atreveu-se a olhar rapidamente nos olhos de Harry e acrescentou depressa — Queria estar preparada.


— Não me decepcionarei.


Gina não pareceu acreditar.


— E se acontecer? — insistiu.


Harry manteve a paciência.


— Nesse caso, o único culpado serei eu.


A jovem o contemplou um longo momento antes de afrouxar o crispado apertão com que segurava as mantas. Harry a viu juntar as mãos sobre o estômago e fechar os olhos com expressão resignada, coisa que o fez menear a cabeça de frustração.


"É inevitável. — pensou o homem — Conseguirei o que quero e ela é bastante perspicaz para saber disso".


Gina não estava muito assustada. Recordava a dor que produzia o ato de acasalamento, e embora não estivesse ansiosa por sofrer esse desagradável desconforto, sabia que poderia suportá-la. Não a mataria. Tinha passado antes por essa prova e podia voltar a fazê-lo. Sobreviveria.


— Muito bem, milorde, estou preparada.


Deus, que mulher mais exasperante!


— Não, Gina — respondeu Harry em um murmúrio baixo e rouco.


Tomou o cinto que segurava a camisola da mulher e a soltou.


— Ainda não está preparada, mas estará. Tenho o dever de fazer com que me deseje, e não a tomarei até que isso aconteça.


Gina não mostrou a menor reação a essa promessa. Para falar a verdade, parecia que acabaram de colocá-la em um caixão. MacBain pensou que o único que faltava era uma flor entre os dedos rígidos. Assim teria certeza de que estava morta e que teria que enterrá-la.


Compreendeu que teria que mudar o modo de abordá-la. A noiva exibia uma alarmante palidez e estava tensa como a corda de um arco, em guarda contra ele. Isso não o inquietava muito, pois compreendia as razões, embora Gina mesma não as compreendesse. Harry teria que esperar até que Gina se acalmasse um pouco e só então iniciaria o delicado assédio. A estratégia do guerreiro não era muito complexa: a seduziria. E Gina não saberia o que estava acontecendo até que fosse tarde. As defesas cairiam e quando a paixão se acendesse não restaria lugar para o medo na mente de Gina.


Harry já tinha compreendido que a esposa era uma dama de bom coração. A forma como falou com seu filho mostrou que era uma mulher compassiva e carinhosa. E apesar de não saber se possuía uma natureza apaixonada estava disposto a descobrir antes que um dos dois se levantasse daquela cama.


MacBain se inclinou para a jovem, beijou-lhe a testa, virou até ficar de costas e fechou os olhos.


Vários minutos se passaram até que Gina compreendeu que o marido na verdade dormiria e se voltou para olhá-lo. Por que tinha lhe dado essa trégua?


— Milorde, acaso já o decepcionei?


— Não.


Continuou olhando-o, esperando outra explicação, mas Harry não acrescentou outra palavra que apaziguasse a curiosidade de Gina.


Por não compreender o motivo da atitude do marido, Gina se afligiu mais ainda.


— O que quer que faça? — perguntou.


— Que tire a camisola.


— E depois?


— Durma. Não a tocarei esta noite.


Como Harry tinha os olhos fechados, não percebeu a mudança no semblante da jovem. Entretanto, ouviu-a suspirar, supôs que era de alívio e não pôde evitar sentir-se irritado. Diabos, antes que pudesse satisfazer seus desejos, uma noite muito longa o esperava!


Gina não via sentido na ordem do marido. Se ele pretendia deixá-la em paz, o que importava se usava ou não a camisola? "Talvez seja um modo de salvar as aparências. — pensou — Não pretendo discutir depois que me concedeu este maravilhoso alívio".


Harry tinha os olhos fechados e, portanto Gina não teria que se preocupar com pudor. Saiu da cama, tirou a camisola, dobrou-a com cuidado e deu a volta até o outro lado da cama para deixá-la sobre uma cadeira. Recolheu também a túnica de Harry que estava jogada no chão, dobrou-a e deixou sobre a camisola. O ar no quarto estava gelado e as tábuas do chão lhe congelavam os pés. Apressou a meter-se outra vez sob as mantas antes que gelassem os dedos dos pés.


O calor que desprendia do homem a incitou a aproximar-se, mas cuidando para não tocá-lo. Virou-se de lado dando as costas e, com suma lentidão, aproximou-se pouco a pouco do marido.


Levou muito tempo para relaxar. Temia confiar nele, ainda que fosse óbvio, era seu marido e merecia que tivesse confiança até que demonstrasse que não era digno dela. Ronald confiava no lorde e, exceto seu pai, Gina não conhecia homem mais honrado que o irmão. Por outro lado, Ronald tinha grande perspicácia para julgar o caráter das pessoas. Se não tivesse acreditado que Harry era um homem bom e decente não teria proposto que se casasse com ele. Além disso, era significativo que Harry não a tivesse forçado. Na verdade, mostrava-se muito tolerante.


O calor do corpo de Harry irradiava para as costas de Gina e lhe dava uma sensação maravilhosa. Aproximou-se um pouquinho mais até que a parte traseira de suas coxas roçou as do homem. Depois de alguns instantes adormeceu.


Harry pensou que embora tivesse cometido inumeros pecados mortais, sem dúvida ganharia um lugar no céu pela consideração que tinha tido essa noite com sua  esposa. A ansiedade fez brotar um suor frio da testa. Pensou que seria menos doloroso andar sobre brasas. Estava convencido de poder suportar as dores físicas mais intensas, mas era um desafio endiabrado estar deitado junto à Gina com a mente borbulhando de idéias luxuriosas. E Gina não o ajudava muito: continuava apertando as nádegas contra a virilha de Harry. Era a tortura mais doce que já tinha experimentado e teve que apertar os dentes para resistir à tentação.


O fogo da lareira se transformou em cinzas e já tinha passado da meia-noite quando Harry decidiu que já era o bastante. Rodeou a cintura de Gina com o braço e se inclinou para esfregar o nariz com suavidade sobre o pescoço da moça. Ela despertou sobressaltada. Ficou rígida por um instante, mas logo apoiou a mão sobre a de Harry, que descansava logo abaixo de seus seios. Tentou afastar a mão, mas o homem não a moveu. Gina estava aturdida pelo sono e os beijos úmidos que Harry lhe dava no pescoço a faziam estremecer de calor... não de frio. Era muito agradável para preocupar-se. Mas para assegurar-se de que Harry não pensasse que lhe permitiria tomar maiores liberdades, enlaçou os dedos nos dele para que não movesse a mão.


Harry percebeu o que Gina planejava, mas isso não o deteve. Mordiscou-lhe com suavidade o lóbulo da orelha, em seguida o acariciou com a língua enquanto soltava a mão da dela com suavidade e começava a acariciar lentamente as laterais dos seios túrgidos de Gina com os nós dos dedos.


As sensações que correram pelo corpo de Gina foram prazeirosas, e também surpreendentes. Coisa estranha: as carícias de Harry a faziam desejar mais e sentiu o hálito morno e doce do marido contra sua pele. De maneira instintiva, tentou afastar-se e ao mesmo tempo aproximar-se mais. O corpo de Gina contradizia a mente até que percebeu a evidência da excitação de Harry e o pânico a inundou. Voltou-se para o homem. Exigiria que cumprisse sua palavra. Tinha prometido que essa noite não a tocaria e certamente não teria esquecido.


— Prometeu que esta noite não me tocaria.


Beijou-a na testa para eliminar as rugas de preocupação.


— Me recordo.


— E então...?


Beijou-a na ponta do nariz. De repente, Gina se sentiu envolta no calor de Harry. Esmagou-a contra a cama cobrindo-a com o corpo da cabeça aos pés. As coxas duras se apoiavam sobre as de Gina. A virilidade erguida de Harry se apertava de maneira íntima contra os suaves cachos que cobriam o centro de sua feminilidade. A sensação desse corpo robusto contra o seu a fez ofegar de temor e de prazer


— Harry...!


O homem entrelaçou os dedos no cabelo de Gina e em seguida envolveu-lhe o rosto com as mãos. Inclinou-se para ela até ficar a poucos centímetros de Gina e posou o olhar na boca da mulher.


— Gina, já passou a meia-noite: cumpri minha palavra.


Não lhe deu tempo para protestos nem temores: silenciou-a com um beijo. A boca firme e quente posou sobre a de Gina. A língua deslizou na boca da jovem para fazê-la desistir de qualquer argumento que tentasse opor.


Harry queria que Gina esquecesse os temores antes que tomassem conta da mente da jovem. Por mais que a desejasse, sabia que nunca a forçaria. Se nessa noite Gina não pudesse superar a apreensão, esperaria e voltaria a tentar no dia seguinte... e no outro... e no outro. Sem dúvida, no seu devido tempo, Gina aprenderia a confiar nele e então se livraria das inibições.


O beijo não foi terno e sim carnal e devorador, Gina não resistiu, mas o devolveu com veemência. Quando a língua de Gina roçou com acanhamento contra a de Harry, um gemido abafado de prazer se formou no fundo da garganta do homem.


Esse som sensual fez com que Gina se tornasse mais audaz. Estava tão abalada pela sua reação ao despertar dos sentidos que quase não podia pensar. Esfregou os pés contra as pernas do homem em um inquieto movimento e tentou recuperar o fôlego.


O sabor da boca de Gina era tão bom quanto Harry tinha imaginado. A boca do homem invadiu a da mulher uma e outra vez sem retroceder no assédio às defesas de Gina durante um longo momento. Fez amor na boca de Gina com a língua, penetrando-a com lentidão, retrocedendo e obrigando-a a responder a esses movimentos provocadores.


Pretendia seduzi-la e estava conseguindo. Em poucos minutos, Gina tremia de desejo. Quando levou as mãos aos seios de Gina e lhe acariciou os mamilos com os polegares, a jovem exalou um abafado gemido de prazer. Não podia evitar arquear-se contra as mãos de Harry no desejo de continuar gozando a doce tortura.


Tinha que fazer com que Gina lhe envolvesse o pescoço com os braços. As mãos de Gina comprimiam nas laterais até que Harry separou a boca da dela e lhe disse o que queria.


Mesmo assim, Gina não obedeceu. Harry ergueu a cabeça para contemplá-la e esboçou um sorriso de pura satisfação masculina. A expressão de Gina revelava que se sentia aturdida pelo que estava acontecendo. Nos olhos da jovem percebia-se a paixão. Harry voltou a inclinar a cabeça e a beijou outra vez com a boca aberta em um duelo de línguas, para demonstrar quanto o agradava e em seguida pegou as mãos e as colocou atrás de seu próprio pescoço.


— Me abrace. — ordenou em um sussurro rouco — Toque em mim.


Gina demonstrou ter o abraço de um guerreiro. Harry traçou um lento caminho de beijos sobre o seio da jovem. Envolveu os seios com as mãos e se inclinou para tomar um dos mamilos na boca. As unhas de Gina se cravaram em seus ombros e Harry ofegou de prazer.


Até o momento, Harry estava em completo controle do jogo amoroso, mas quando deslizou a mão sobre o ventre plano e sedoso da jovem e seguiu para baixo procurando uma carícia mais íntima e começou a tocar o centro do calor de Gina, perdeu a compostura. As dobras cobertas pelos suaves cachos eram suaves, úmidas e muito quentes. Esfregou com o polegar o casulo de carne sensível enquanto a penetrava lentamente com os dedos.


Gina gritou assustada, pois a intensidade do prazer que Harry lhe oferecia era nova e não podia entendê-la nem controlá-la. Tentou retirar a mão, ao mesmo tempo em que, em rebeldia, seu corpo se movia inquieto contra o do marido.


"Deus querido! — pensou — perdi o controle de minha própria mente!"


— Harry, o que está me acontecendo?


Cravou as unhas nas costas e girou a cabeça para o lado enquanto Harry continuava lhe fazendo amor, no mesmo tempo que mudava de posição para acalmá-la com outro beijo.


— Tudo bem. — murmurou sem fôlego — Gosta do que está sentindo, não é?


Não lhe deu tempo para responder, apoderando-se outra vez da boca de Gina. Moveu a língua dentro de sua boca no mesmo tempo que afundava os dedos mais profundamente na escura cavidade da feminilidade da mulher.


Gina se perdeu. Uma paixão como jamais tinha experientado se acendeu em suas vísceras e se estendeu como um fogo selvagem por todo seu corpo. Agarrou-se ao marido gemendo, suplicando com eróticos movimentos que terminasse com a deliciosa tortura.


Mas Harry se conteve embora a pressão crescesse dentro de si até limites intoleráveis. Somente podia pensar em mergulhar nesse calor sedutor. Lutou contra esse desejo devastador e seguiu amando-a com a boca e os dedos. Quando de súbito Gina retesou em torno dele, soube que estava quase alcançando o clímax. Mudou imediatamente de posição de modo que seu pênis ereto se apoiasse sobre a entrada da vulva. Apoiou-se sobre os cotovelos, tocou-a no queixo e exigiu que o olhasse.


— Diga meu nome, Gina.


— Harry — murmurou a mulher.


Deu-lhe um beijo breve e firme, afastou a boca, olhou-a nos olhos e pediu:


— Agora e para sempre. Diga esposa. Diga agora.


Cada nervo do corpo de Gina suplicava alívio. Harry lhe agarrou os ombros e esperou que pronunciasse a promessa.


— Agora e para sempre, Harry!


Harry deixou pender a cabeça sobre o ombro de Gina e com um vigoroso impulso penetrou completamente nela. Sentiu-se rodeado por um fogo líquido. "Deus querido, — pensou — é tão apertada e quente que não sei se poderei suportar esta doce agonia!"


Não pôde permanecer imóvel dentro dela para dar tempo para que o corpo de Gina se adaptasse à invasão, e no fundo de sua mente surgiu a preocupação de que talvez estivesse machucando-a, mas foi impotente para conter as ardentes exigências de seu próprio corpo. Os impulsos de Harry foram fortes e prementes, sem medida. Gina elevou os joelhos para recebê-lo mais profundamente dentro de si. Envolveu-o, apertou-o. O homem gemeu de puro prazer animal em deliciosa agonia. Entre os braços do homem, Gina se converteu em uma selvagem. Apertou-se ao marido e arqueou-se contra o corpo dele. As pernas de Gina o rodearam e os gemidos suaves e sensuais o enlouqueceram. Nunca antes tinha experimentado uma paixão semelhante. Gina não ocultou nada e a completa entrega da mulher apressou a de Harry. Não queria que terminasse. Retirou-se com lentidão até ficar quase separado da mulher e em seguida voltou a penetrá-la.


Harry já não soube de outra coisa que dar a Gina além da mais completa satisfação e buscar a própria. Respirava entrecortado e quando sentiu os tremores do orgasmo da esposa e a ouviu pronunciar seu nome com uma mescla de temor e deslumbramento, já não pôde mais conter-se. Derramou nela sua semente emitindo um gemido intenso e luxuriante.


O corpo de Gina pareceu libertar-se com o orgasmo. Pensou que tinha morrido. Nem em suas mais loucas fantasias tinha imaginado que fosse possível semelhante amontoado de sensações. Foi a experiência mais fantástica e de maior impacto.


Na verdade deu a si mesma a liberdade de entregar-se por inteiro a Harry e, por Deus, a recompensa a deixou atônita. O marido a abraçou e cuidou dela durante a tormenta passional, e a beleza do ato de amor lhe encheu os olhos de lágrimas.


Estava exausta demais para soluçar; Harry a tinha esgotada de toda energia. O homem se deixou cair sobre ela e a mulher pensou que ela também o tinha esvaziado de toda energia ainda que o peso do homem não a tenha esmagado. Então notou que ainda se sustentava sobre os braços na lateral. Embora parecesse esgotado, tinha o cuidado de protegê-la.


O ar do quarto se encheu do cheiro do amor de ambos e os corações dos dois pulsaram em ritmo frenético.


Harry foi o primeiro a recuperar-se e sua primeira preocupação foi para a esposa. "Deus! — pensou — a terei machucado?"


— Gina? — Fazendo força com os braços se afastou um pouco para trás para poder olhá-la com evidente preocupação — Acaso eu...?


A pergunta foi interrompida pela risada de Gina. Esse som tão repleto de alegria o fez sorrir.


— Sim, o fez — murmurou a jovem.


Essa mulher era um enigma para o homem.


— Como é possível que ria e chore ao mesmo tempo?


— Não estou chorando.


Harry passou as pontas dos dedos pela maçã do rosto de Gina para enxugar as lágrimas.


— Sim, está chorando. Machuquei você?


Gina moveu lentamente a cabeça.


— Não sabia que as coisas podiam ser assim entre um homem e uma mulher. Foi muito lindo.


O comentário fez Harry assentir com arrogante satisfação.


— Gina, é uma mulher apaixonada.


— Nunca soube... até esta noite. Harry, eu senti muito prazer. Fez-me...


Não achou a palavra apropriada para descrever o que sentia e a Harry satisfez em proporcionar-lhe.


— Arder?


Gina assentiu.


— Não sabia que alguns maridos gostavam de beijar e acariciar antes do acasalamento — disse.


Harry se inclinou, beijou-a na boca e em seguida se separou dela e se deitou de costas.


— Esposa minha, isso se chama preparação.


— É agradável — suspirou. A noção que Draco tinha sobre preparação consistia em afastar as mantas e Gina desprezou a lembrança. Não queria empanar a beleza do que acabava de acontecer com as lamentáveis imagens do passado.


Não queria que Harry dormisse. Para falar a verdade, queria que fizesse amor outra vez. Assombrou-se com sua própria luxúria e sacudiu a cabeça diante de seu comportamento caprichoso.


Gina se cobriu com as mantas e fechou os olhos. Começou a incomodá-la uma idéia insidiosa: agora que se uniram, talvez um dos dois tivesse que ir? Sempre que Draco ia a sua cama, partia assim que terminava. E como pelo jeito Harry se dispunha a dormir alí, pensou que ela teria que ir.


Queria ficar, mas a perspectiva que lhe ele desse a ordem para partir feria seu orgulho. Era preferível não lhe dar a oportunidade de ordenar que se fosse. Gina lutou vários minutos contra essa preocupação.


O próprio Harry tinha pensamentos confusos. O astuto plano de seduzir à esposa enquanto estava com as defesas baixas se voltou contra ele. Diabos, era Gina quem o tinha seduzido! Nunca, com nenhuma mulher, tinha perdido o controle desse modo, nunca havia se sentido tão vulnerável e se perguntou o que Gina faria se soubesse que gozava de semelhante poder sobre ele. Franziu o semblante somente por pensar nisso.


Gina se deslocou para o lado da cama e pegou a camisola antes de levantar-se. Sentia-se infeliz e solitária e não compreendia por que tinha vontade de chorar. Em que pese que o ato de amor tivesse sido maravilhoso, inundava-a uma renovada incerteza. "Não — disse — não compreendo esta mudança que experimentei, mas imagino que terei todas as horas da noite para pensar nisso. Não acredito que possa dormir, e estarei exausta quando o amanhecer chegar."


Harry parecia ter dormido. A jovem tentou fazer o menor ruído possível enquanto caminhava para a porta. Ia tocar o trinco quando Harry a deteve.


— Aonde vai?


Gina se voltou para olhá-lo.


— Para o outro aposento, milorde. Imaginei que queria que dormisse ali.


— Volte aqui, Gina.


Gina se aproximou lentamente da cama no lado que o marido ocupava.


— Não queria te acordar.


— Não estava dormindo.


Segurou-a pelo cinto do penhoar e perguntou com certa curiosidade:


— Por que queria dormir sozinha?


— Não queria — deixou escapar Gina.


Harry puxou as mangas para retirar a vestimenta. Gina tremia de frio e Harry divertiu-se em notá-lo, pois para ele fazia muito calor no quarto. Limitou-se a afastar as mantas e esperar que a esposa voltasse a meter-se na cama.


Gina não hesitou e se deitou junto do marido. Harry a abraçou e a estreitou contra si. Gina apoiou o rosto sobre o ombro do marido. Harry puxou as mantas para cobri-los, soltou um sonoro bocejo e disse:


— Você dormirá nesta cama comigo, todas as noites. Entendeu, Gina?


Ao assentir, a cabeça de Gina se chocou contra o queixo de Harry.


— É habitual que aqui, nas Highlands, os casais durmam juntos?


Harry fez rodeio para responder:


— Será habitual para nós dois.


— Sim, milorde.


O homem se sentiu satisfeito pelo rápido sussurro de anuência. Abraçou-a com mais força e fechou os olhos.


— Harry?


O homem soltou um grunhido.


— Está contente de ter se casado comigo?


Assim que as palavras brotaram de seus lábios, Gina se arrependeu. "Agora ele saberá quão vulnerável me sinto e quão insegura estou na realidade", pensou.


— Agora as terras me pertencem: isso me agrada.


O homem demonstrou uma sinceridade brutal e Gina pensou que talvez devesse admirar essa qualidade, mas nesse momento não podia. Pensou que preferia que mentisse, que dissesse que estava feliz em tê-la como esposa. "Por Deus! Acaso estou me tornando tola? Não quero estar casada com um homem que minta pra mim. Não, com certeza não."


Compreendeu que suas idéias eram absurdas. Sem dúvida o esgotamento a fazia pensar coisas tolas e ridículas. O que importava se a amava ou não? Ao casar-se com ele tinha obtido nem mais nem menos que buscava: estava a salvo dos tentáculos do rei John. Sim, estava livre... e a salvo.


Tinha obtido o que desejava, e Harry também: a posse da terra.


— É muito suave. Preferia uma mulher mais forte, de pele dura.


Gina estava quase adormecida quando ouviu o comentário e como não soube o que responder, se manteve em silêncio.


Harry deixou passar um minuto e voltou a falar.


— É muito delicada para a vida neste lugar. Não creio que sobreviva todo um ano. Teria preferido uma mulher mais robusta, menos sensível. Sim, certamente, não agüentará um ano aqui.


Harry não parecia preocupado por semelhante perspectiva e Gina tratou de não discutir. Não tentaria dissuadi-lo de suas opiniões. Seria em vão tentar convencê-lo de que na realidade era uma mulher forte que podia suportar o mesmo que uma mulher das Highlands. Harry já tinha formado uma opinião e só o tempo mostraria que Gina não era uma flor de estufa. Na verdade tinha vigor. Já tinha demonstrado a si mesma que era capaz de sobreviver. No seu devido tempo, também mostraria ao marido.


— É uma garota tímida. Talvez tivesse preferido uma mulher mais decidida.


Desta vez, manter silêncio constituiu um ato de suprema vontade. Gina tinha feito uma pergunta simples e um "sim" ou um "não" teriam bastado como resposta. Mas o marido parecia deleitar-se em fazer uma lista dos defeitos de Gina. A jovem percebia o tom risonho de sua voz. Começava a compreender que o marido era um tanto grosseiro.


— Tem opiniões tolas. Preferiria uma esposa que estivesse sempre de acordo comigo.


Irritada, Gina começou a tamborilar os dedos sobre o peito do homem e Harry pôs a mão em cima da dela para detê-la.


Gina soltou um sonoro bocejo indicando que desejava dormir. Um marido gentil teria cessado imediatamente com essa sucessão de ofensas. Mas Harry não era particularmente gentil.


— A coisa mais insignificante a assusta — assinalou, recordando a expressão do rosto de Gina quando viu o cão. — Teria gostado de uma mulher que assustasse meu cão — acrescentou.


O calor que irradiava do corpo de Harry a deixava letárgica. Gina cruzou uma perna sobre as coxas do marido e se aproximou mais.


— É muito magra. — disse então Harry — O primeiro vento do norte a levaria. Queria uma mulher maior e forte.


Estava muito sonolenta para discutir com o marido e a fúria exigia muita concentração. Gina adormeceu ouvindo como o marido continuava enumerando seus incontáveis defeitos.


— Esposa, é muito ingênua — disse, ao recordar o que Gina lhe disse sobre o clima quente das Highlands: tinha acreditado na flagrante mentira do irmão.


— Sim, é muito ingênua — repetiu.


Passaram alguns minutos até que por fim Harry decidiu responder à pergunta da mulher.


— Gina?


A jovem não lhe respondeu. Harry se inclinou, beijou-a no alto da cabeça e murmurou:


— É verdade: estou contente de ter me casado com você.


 


 


Na.: Desculpen a demora, mas ta dificil de chegar perto do Pc

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