Prólogo
O tempo havia ficado ainda mais sombrio e estranho quando a turma do sétimo ano, com a qual o Garoto-Que-Sobreviveu estudara, formou-se na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. A sensação na comunidade bruxa é como se houvesse um dementador a cada dez metros, sugando qualquer fio de esperança que um deles ousasse alimentar. O fato de ainda terem Alvo Dumbledore, um dos maiores bruxos, lutando pelo bem da causa, confortava a todos, mas de alguma forma, não parecia o bastante. Ninguém faria pouco dos poderes de Dumbledore, mas não podiam fingir que não viam o outro lado avançar, aos poucos e silenciosamente, o que aumentava o pavor da população. Saber quem é seu inimigo é um ponto importante, mas saber que ele está se movendo e você não consegue vê-lo é um contraponto que transforma muitas pessoas em verdadeiros trasgos, incapazes de agirem com a razão. Como se o mal estivesse cercando todos lenta, invisível e perigosamente; e quando fossem capazes de enxergá-los, o cerco estaria fechado demais, sem saídas.
“Está igual como na primeira vez” foram as palavras de Lupin, certo dia, quando Hermione perguntou a opinião dele sobre a proximidade iminente da guerra. Mas as palavras ditas há um ano atrás não valiam mais, pois naquela época todos achavam que Você-Sabe-Quem tomaria o Ministério da Magia em questão de semanas e o terror se espalharia. Muitas semanas haviam passado, mas Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado não correspondera às apreensões da população bruxa, ele mantinha-se escondido, mas definitivamente agindo, embora ninguém soubesse de qual forma.
Ser visto entrando na Travessa do Tranco já não era algo a ser temido ou disfarçado, pois bruxos e bruxas entravam na rua um pouco antes do Banco Gringotes, que dava acesso à alameda escura e suja, com quase orgulho estampado em seus rostos. E os bruxos de boa índole – ou não tão boa, mas com juízo suficiente para manterem-se no lado que parecia ser o certo, - não mais olhavam atravessado para quem visitava a Travessa do Tranco, apenas desviavam o olhar, temerosos de que pudessem estar encarando alguém ligado ao Lorde das Trevas e ser punido por afronta.
O caos se instalaria, eventualmente, quando a Guerra começasse. E a esperança da maioria dos bruxos era de que Harry Potter fosse o Menino-Que-Sobrevive-Sempre-E-Salva-Todos. Muitos firmavam-se na lenda que girava ao redor de Potter desde que ele derrotara o Lorde das Trevas e confiavam suas vidas a isto, caso contrário não haveria esperanças.