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1. Do pólogo ao epílogo


Fic: Butterfly - JL - Capítulo único.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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N/A: Como eu disse, essa é minha primeira fanfic, que escrevi em meados de 2007. Gosto dela e, sinceramente, acho bem escrita, mas é um clichê das fanfics J/L. Bem ao estilo cena dos Marotos de Harry Potter e a Ordem da Fênix. Mesmo assim. Espero que gostem.


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Capítulo Único: Do prólogo ao epílogo


Aquele ano estava diferente. Diferente demais para ela. Como podia, em um curto período aquelas duas pessoas mudarem tanto?


Elas mudaram exatamente para o que ela esperou que elas mudassem, mas parecia tão ruim agora, que realmente aconteceu.


O sétimo ano e último ano de Lily Evans (e outras figuras lendárias, que por Hogwarts passaram, leia-se Marotos) havia começado há pouco mais de um mês. Mas muita coisa havia mudado. Bom, pelo menos para Lily.


A primeira coisa que ela reparou, e não poderia deixar de ser a primeira, foi um James Potter diferente. Ele não a havia chamado para sair nenhuma vez naquele ano (mesmo que houvesse começado a pouquíssimo tempo, isso era inacreditável). E nem mesmo tinha dado em cima dela, ou qualquer coisa parecida. Quando Lily reparou nisso, ela agradeceu a Merlin, suas preces tinham sido ouvidas, afinal. Mas com o passar das semanas (que nem foram muitas, para falar a verdade) ela sentiu-se muito estranha com relação a isso. Parecia um ano incompleto sem as conhecidas cantadas e pérolas que Potter soltava. Era estranho não gritar com ele, não brigar com ele, não vê-lo rindo demais de qualquer besteira e xinga-lo. Era estranho, mas ela realmente sentia falta de tudo isso.


“Você provavelmente só está ficando insana, Lily” era o que ela pensava. Erradamente, é claro.


A outra mudança que ela havia reparado era a sua melhor amiga Madison McKinn (N/A: Faz muito tempo que eu criei essa história, então esse McKinn é um derivado de McKinnon – mas eu não era muito familiar com a Marlene na época, então... Relevem, por favor.) Sua melhor amiga desde o primeiro ano. Sua melhor amiga do fundo do coração, fosse para rir, para chorar, para trocar confidências, para reclamar... Enfim, para tudo. O tipo de melhor amiga que todas as garotas queriam ter, mas nem todas tinham essa sorte.


Mads estava diferente. Ela sempre fora engraçadinha e piadista demais. E não levava os relacionamentos muito a sério porque nas palavras dela era “nova demais e só queria se divertir até encontrar o amor verdadeiro para toda a vida”. Mas agora era diferente. Ela estava mais séria (um pouco séria demais, na opinião de Lily) e preocupada demais com a escola, futuro e essas coisas que são normais quando você chega no seu último ano de escola. Só não eram tão normais para ela. E havia outra coisa diferente. Mads estava apaixonada. De verdade. Seriamente apaixonada. Por algum garoto que parecia ser tão ruim que ela não quis contar quem era nem para Lily (e ela contava tudomuitos para Lily). Por estar apaixonada pelo sr. Misterioso, como Lily gostava de chama-lo, ela não havia saído com garoto algum. E ela tinha recebido muitos convites para sair. Ela sempre recebia convites para sair, porque era, tipo, a garota mais bonita de Hogwarts, sem exagero.


Isso tudo era estranho. Bastante estranho.


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Lily acordou cedo naquele sábado, foi tomar o café da manhã e depois ficou o resto da manhã no dormitório, só pensando na vida. Ela não podia conversar com Mads, porque esta precisava estudar Poções para os N.I.E.Ms daquele ano. E ela era péssima em poções, ao contrário de Lily. Mas não tinha muito problema nisso, porque Lily não estava com muita vontade de conversar. Ela não queria fazer nada. Estava sem disposição. Mas obrigou-se a levantar para o almoço. Ela precisava de comida, é claro. E foi um almoço bastante silencioso, já que Madison tinha ido almoçar com os Marotos, coisa que ela fazia às vezes, porque não possuía aquela aversão por eles, como Lily.


“Tanto faz” foi só o que ela conseguiu pensar.


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Depois de terminar de almoçar, ela planejava ir à biblioteca, sentia-se melhor e com um pouco de vontade de estudar. Era sábado, mas não havia descanso para Lílian Evans. Bem, quase nunca.


No caminho para a biblioteca, Lily encontrou com a pessoa que menos esperava ver. E não era o Potter. Mas era quase tão ruim quanto. Katherine Waltersfield. Colega de sétimo ano de Lily, mas era da Corvinal. Ela era adorável com a escola inteira. Menos com Lily. Porque Lily era a garota que Potter amava. E Katherine, ou Kate, amava James Potter desde o quarto ano, quando ele a chamou para sair uma vez. Só que Potter não queria saber mais dela. Porque ele descobriu-se apaixonado por Lily. E Kate achava que a culpa de tudo isso era de Lily. “Grande coisa. Não faço questão nenhuma. Pode pegar ele pra você” era o que Lily pensava em dizer pra ela, mas nunca disse.


-Olá, Evans. Como vai? –Katherine perguntou, no seu tom de voz mais enjoado.


-Perfeitamente, Waltersfield –Lily respondeu no mesmo tom –Você?


-Ótima. Só você é que está estragando completamente a minha felicidade.


-Olha, Waltersfield. Eu já te disse uma vez, que não é nada de que eu possa me orgulhar, o fato de Potter supostamente me amar. É mais uma coisa de que eu possa me lamentar.


Katherine parecia meio chocada com isso. Lily já havia dito isso para ela uma vez, mas agora, Kate pareceu pesar as palavras e pensar por alguns segundos no que Lily tinha acabado de dizer.


-Evans, como você consegue ser tão idiota? –Ela perguntou, mas ela estava falando bem séria dessa vez.


-Caramba, você realmente precisa me chamar de idiota, imbecil e variantes? Eu nunca fiz nada pra você. Vá reclamar com o Potter, por ele não gostar de você.


-Acontece, Lily –Ela começou. O tom de voz não era nem um pouco Kate-Waltersfield-falando-com-Lily-Evans –que não há nada que possamos fazer sobre isso. A única coisa que você pode fazer é deixar de ser burra e cega, e enxergar o que está bem na sua frente.


-Obrigada pelos elogios, Katherine.


-Lily, será que você não percebe? O Potter ama você como provavelmente nenhum garoto já te amou e nunca vai te amar.


-Só lamento por ele.


-É, eu também. Por gostar tanto de uma garota que não enxerga. Uma garota que não pode dar nenhuma chance pra ele. Uma garota que tenta negar o inegável. Uma garota que parece ter medo de viver, só porque pode se machucar e ser infeliz um dia.


Lily levantou as duas sobrancelhas ao ouvir isso. Caramba, isso não era normal. Parece que Kate Waltersfield mudou muito nas férias também.


-Espera, Waltersfield. O que você está dizendo?


-Isso mesmo, Evans. Vê se te liga, garota. Você não pode ter medo de viver coisas que podem ser boas, só porque depois elas podem dar errado, sair diferente do que você imaginou, te fazer chorar. A tristeza passa, sempre tem alguém pra te apoiar. A sua melhor amiga Madison, por exemplo. Nós sempre podemos superar, por mais que demore. Arrependimento por não ter feito o que queria, é mil vezes pior.


-Espera. Você está tentando me ajudar? Fazendo-me decidir ficar com o Potter?


-É, Lily. Porque eu sei que nunca vou tê-lo. E eu sei que ele te ama. Deixa de ser cega. E para de ter medo. Faça o que eu sei que você deve fazer.


-Katherine... Eu... –Ela não sabia o que dizer. O que foi tudo aquilo?


-Evans. Pensa bem. Vale a pena fugir? Vale pena negar? Vale a pena todo esse receio? Você só vai se sentir muito mal, no futuro.


-Eu... Katherine eu achei que você me odiasse.


-Pois é Evans. A vida é mesmo engraçada. Acontece que eu finalmente desisti do James. E foi agorinha mesmo, quando você me disse que lamentava por ele te amar. Eu acredito que eu nem ao menos gostava mais dele, há algum tempo. Era tipo uma questão de honra, entende?


Não, Lily não entendia. Isso era algum tipo de sonho? Era tão esquisito.


Diante do silêncio de Lily, Kate falou:


-Olha, Evans. Nós não vamos ser amigas, é claro. Mas nós não precisamos nos odiar, certo? E bem, agora eu preciso ir. Espero que você tenha me escutado muito bem.


E então Katherine continuou caminhando, deixando para trás uma Lily completamente surpresa e confusa. Aquilo fora estranho demais.


Lily simplesmente caminhou até chegar aos jardins de Hogwarts. Ao longe, ela viu, os quatro Marotos, sentados, rindo muito de alguma coisa qualquer.


Lily, sem nem se dar conta, foi até eles.


-Olá garotos –ela disse simplesmente.


Todos pareceram meio chocados com aquilo. Lily Evans, era, afinal uma garota que detestava todos os quatro. Bem, na verdade, não detestava Remus. Só não gostava das companhias dele. Mas isso era o que eles (e ela) pensavam.


-Oi –eles responderam praticamente em uníssono, depois de assimilar melhor a idéia de ver Lily Evans falando com eles, num tom de voz tão baixo, tão normal.


Sem nem pensar no que estava dizendo, confiando apenas no seu subconsciente (ou o que quer que fosse), Lily disse:


-Escutem. Será que vocês poderiam me deixar falar com James? Tipo, em particular?


Dessa vez eles ficaram realmente muito chocados.


-Certo, claro. Claro que nós podemos –Disse Remus, levantando e saindo, levando os outros dois amigos consigo, para longe.


Lily se sentou no gramado muito verde e vivo. Fechou os olhos, tentando entender o que estava fazendo. E tentando pensar em algo para dizer.


Ela estava esperando por um comentário idiota de Potter, mas ele não veio. O garoto apenas esperou, encarando-a.


Lily começou um diálogo qualquer (qualquer diálogo seria melhor do que o silêncio), meio timidamente, meio receosa:


-Está quente hoje, não?


Ela quase morreu. Estava falando o sobre o tempo? Atirem uma pedra em Lily Evans. Agora.


-Você veio mesmo falar comigo, a sós, sobre o tempo, Evans?


Evans soava tão... tão frio.


-Por que você me chamou de Evans?


James a encarou como se fosse louca.


-Você não me pediu mais de um milhão de vezes pra te chamar assim?


Ela se odiou muito. Que estúpida.


-É, eu pedi. Eu... só queria você voltasse a me chamar de Lily –ela disse, um tanto surpresa. E acrescentou: -Por favor, James.


Ele ficou muito, muito surpreso. Ela havia pedido para que ele a chamasse de Lily? Ela havia dito James?


-Tudo bem, Lily.


Ela fechou os olhos de novo. Um longo minuto silencioso se passou. Mas ela precisava falar.


-Sabe, James. A Waltersfield me disse algumas coisas hoje...


-Que tipo de coisas, Lily?


-Verdades incontestáveis. Tipo, como eu sou cega de não enxergar uma coisa que estava a um palmo do meu nariz. Como eu sou idiota tentando negar coisas que são inegáveis...


-Você não é idiota –ele afirmou, com convicção.


-Obrigada, –ela disse –mas eu sou sim. E não tente discutir. Eu percebi tudo.


-Por causa de algo que a Waltersfield falou? Eu não achei que viveria pra ver esse dia.


-Nem eu. Aliás, muito menos eu.


Eles ficaram em silêncio de novo. James já estava divagando, quando ouviu Lily exclamar:


-Olha, James, uma borboleta.


Ele acordou do seu devaneio. Não é preciso dizer que Lily estava presente nele.


-Nossa, que bonita –ele disse, com sinceridade. Depois disse –Lily, você sabia que depois da metamorfose as borboletas vivem em média 14 dias? (N/A: Eu li que algumas espécies de borboletas vivem esse tempo, podendo variar.)


-Sério? –Ela perguntou surpresa –Mas depois de todo aquele trabalho e tempo naquele casulo?


-Bom, é claro que pode variar. Algumas podem viver mais do que três meses. Mas é mais ou menos isso.


-Que horror! –Ela disse, exasperada.


-Lily, é a ordem natural da vida. Nascer, crescer e morrer. Só que as borboletas, diferentemente dos humanos não vivem com medo de morrer. Aposto que elas não deixam de fazer algumas coisas porque tem medo. Tipo assim, eu não quero dizer que nós, seres humanos deixamos de viver pra não morrer. Mas, muitas vezes a gente deixa de ser feliz com medo do que pode acontecer no futuro.


-Você roubou esse discursinho barato da Waltersfield! Mas.. Espera. Você não estava junto com a gente.


-É, eu não estava. Mas é bem assim que eu penso, independente do que Kate diz.


Lily não respondeu a isso de imediato. Refletiu por alguns segundos. Depois, disse:


-Acho que eu sou bem assim, como você disse.


-Como? Como a borboleta?


-Não. Como os humanos. Quer dizer, eu sou humana... Mas você entendeu, porque foi você mesmo quem disse.


-Tudo bem, Lily, eu entendi. E por que você é tão humana?


-Porque tem uma coisa que eu quero e preciso fazer. Que é tão evidente que até minha “inimiga” percebeu. Mas eu tenho medo. De me arrepender, de me machucar, de chorar.


-Lily. O que é que você precisa fazer?


-Uma coisa que você me disse que sempre quis. Só não sei se ainda quer.


-Ah... –ele desejou que fosse mesmo o que ele queria. Mas não tinha certeza, isso parecia completamente impossível.


Lily se aproximou muito de James. Só havia poucos centímetros de distância entre eles. Ela sussurrou:


-James, você ainda quer?


E então, ele a beijou. Não importava se não era disso que ela estava falando. Ela estava próxima demais, bonita demais.


Mas parece que era mesmo isso que ela queria. Porque ela correspondeu ao beijo dele. Um beijo suave, doce e inocente. Com a inocência e inexperiência do primeiro beijo, como se eles tivessem voltado no tempo. Apesar de tudo.


Quando eles se separaram, James sorriu. Lily também. Ela viu, ao longe, Madison, sua melhor amiga, nos braços de um garoto da Corvinal, que ela não sabia o nome, mas já vira várias vezes junto com Madison. Ele era muito bonito. Tipo um deus grego. Combinava perfeitamente com Mads. Uau. Lily tinha certeza de que ele era o misterioso garoto. Madison não estaria com nenhum outro garoto. Só com o sr. Misterioso. Era fato certo.


Mas por ora, Lily deixaria isso só para Mads. Mais tarde, teriam muita coisa para conversar.


Lily percorreu com os olhos todos os lados de Hogwarts que pôde. Como era lindo o castelo, os jardins, o lago. Há quanto tempo ela não apreciava coisas tão simples e belas?


Lily percebeu que estar apaixonada era bom. Era bom não dar tanta bola para coisas inúteis e admirar a beleza de coisas simples e, no entanto, tão raras.


Era bom não sentir mais aquela necessidade de negar algo que era inegável.


Ela deixou a cabeça descansar no ombro do garoto que por tanto tempo a havia amado enquanto ela o desprezava.


E então ela não pode deixar de pensar que dessa vez, ela agiu como devia ter agido. Conforme a natureza queria. Só podia ser isso que a natureza queria, não? E pensava em como esse era o melhor dia que ela já havia vivido até agora.


Sorrindo muito, ao lado dela, James pensava exatamente a mesma coisa.


FIM

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