- Isso não é uma nova arma! - Vanessa olhava para ele duramente. Estavam a uma semana treinando escondidos dos outros e ele tivera a péssima idéia de perguntar quando ele iria aprender a explodir coisas... - Feitiçaria Elemental não é sobre novas armas contra os inimigos. Nem tudo se resume a derrotar oponentes. Você já sabe feitiços e usa uma espada muito bem! Para que mais armas? Para que mais formas de se matar um inimigo? Pensei que você tivesse aprendido a lição depois de ser capturado. Ou então depois que teve que aprender a controlar sua energia para conseguir sair da enfermaria. - Ela o olhava friamente, estava de braços cruzados. Ela estava completamente fria com ele. Nenhum dos dois mencionara o beijo. E aparentemente Masako também não conversara com ela sobre isso. A corvinal continuava agindo exatamente da mesma forma que antes. Eles havia se beijado novamente na primeira vez que ficaram sozinhos, mas logo foram interrompidos por Pietro, mas ele não vira nada.
- Eu já vi você desmaiando uma pessoa só ao tocar na pele dela. Não venha me dizer que não é uma arma! - Mitkov estava tendo dificuldades em controlar seu temperamento. Ele estava impetuoso ultimamente. Já quase havia brigado com um garoto. Teve que se segurar para não queimar outro durante a aula de duelos. E precisava se controlar muito para não agarrar Li sempre que ficavam sozinhos. E também Vanessa sempre que treinavam.
- Eu controlo eletricidade. Posso manifestar raios e você sabe. Eu só eletrocuto as pessoas com uma voltagem alta o suficiente para desmaiar, mas baixa o suficiente para não causar danos duradouros. E ok, eu admito... Pode ser usado como arma. - Ela o olhava friamente, os olhos azuis ficando ainda mais claros, da cor do gelo. - Mas não significa que deve ser usada como uma. - Ela ergue a mão e dispara uma rajada de cristais de gelo nele. O sonserino simplesmente deixa seu fogo queimar ao seu redor. O chão de pedra enegrecendo com o calor. A friagem subitamente cálida em seu rosto. Mas a temperatura baixava. A rajada ficava cada vez mais intensa. Erguendo uma mão, ele imagina fogo saindo de seus dedos. E ele vê a imagem se realizando sob seus olhos. Uma parede de gelo surge subitamente, impedindo o calor de tocar Vanessa. - Eu disse SEM ATAQUES!
Mitkov sente o próprio ar congelando à sua volta, seus braços cada vez mais pesados, seu olhos se fechando... Não. Não dessa vez. Ele já estava se acostumando a isso. Como resposta ao frio, ele deixa o fogo queimar forte. Sorri quando sente o frio ceder. E abre os olhos. Vanessa olhava para ele com uma sobrancelha erguida. Ele nunca resistira tanto. E ela estava começando a se desgastar. Suspende o frio sobrenatural ao redor do sonserino. Percebe o sorriso estampado nos lábios dele. Segundo antes dele cair. Antes que ele acerte o chão, um colchão d’água se ergue do chão da masmorra. Felizmente elas eram úmidas. Depois que ele toca o chão, ela tira a água das roupas dele com um gesto. Encosta na testa do garoto. Estava com a temperatura normal. Normal para um bruxo, não para um Feiticeiro do Fogo. Ela balança a cabeça numa muda negativa. Ele estava superando todos os limites que ela conhecia para um iniciante.
Ela se aconchega num canto, conjura dois sacos de dormir e pega comida nas mochilas jogadas nos cantos. Traça um círculo de gelo no chão através de gestos complexos. Se ajoelha na frente do círculo e inicia uma canção. Era fria e bela. Um encanto. Um pé de vento gelado varre um local e começa a circular cada vez mais rápido. A água do lugar se amontoa no centro do círculo, crescendo numa coluna. Lentamente é moldada pelo vento e assume uma forma humanóide. Subitamente o vento para. A cavernosa criatura olha para Vanessa. Ela era um pouco mais baixa que a feiticeira, mas era mais larga. Uma estátua tosca de gelo farpado em diversas pontas.
- Fique na porta, protegendo o lugar. Disfarçadamente. Impeça qualquer um de entrar. Caso não consiga, me acorde. Não mate ninguém. Não machuque muito ninguém. Entendeu? - A criatura continuava olhando para ela, sem falar nada. - Vá. - e o Elemental do Gelo começa a se mover.
Ela olha novamente para o sonserino desmaiado no chão e saca sua varinha. Usando um Mobilicorpus, ela o tira do chão e, sustentando o feitiço, consegue colocá-lo dentro de um saco de dormir. Ela puxa o outro saco de dormir para longe do garoto e se deita. O fogo da lareira começa a morrer lentamente e ela não dorme rapidamente. Adormece somente quando somente o brilho das brasas existia. Eles acordam no dia seguinte quase simultaneamente. Mitkov acordara alguns minutos antes e já começara a fazer alguns exercícios básicos. Ele sempre se exercitava. Vanessa esconde um leve sorriso do garoto.
- Nós vamos a Hogsmeade hoje? - Mitkov olhava para a garota. Há tempos ele não via um sorriso em Vanessa. Desde que eles se beijaram para ser sincero. Isso estava incomodando o garoto. Mesmo durante os treinamentos ela estava fria, distante. Ele estava esperando que os treinamentos fossem mais... Interessantes. Mas eram somente treinamentos. Bem diferente dos exercícios matinais com Li. Isso é, quando Pietro não aparecia.
- Você pode ir sozinho. Não estou com vontade. - Uma resposta fria. Quase doeu. O sonserino balança a cabeça. Se ela iria ficar fria o problema era dela. Ele não iria se incomodar com isso. Afinal, ele já tinha Li e Pietro como companhia. Não precisava de mais gente. Ele se levanta lentamente e olha para o chão. Percebe as marcas do círculo e vê a surpresa estampada no rosto de Vanessa quando o olhar dele percorre o chão. Ela murmura uma coisa e ele ouve o barulho de água caindo no chão na porta à frente.
Ele abre a porta rapidamente e vê uma grande poça no chão. Ele tinha certeza de que não tinha tanta água ali no dia anterior... Ele se volta para a loira e a encara inquisidoramente. Ele sai do saco de dormir e se levanta. Com um gesto da varinha, elimina os traços de ocupação na sala. Retribui o olhar com a mesma intensidade.
- Como tentei te dizer ontem, pode-se fazer mais com a Feitiçaria do que matar inimigos ou controlar o elemento puro. Se você parar de tentar ver tudo da forma mais simples eu posso te ensinar muita coisa. Nem tudo é só o que parece ser. Entendeu? - Ela o olhava de forma suplicante. Quase como se falasse mais de uma coisa com as mesmas palavras. Mas o que seria? Ele balança a cabeça. Era péssimo em adivinhar o por que das pessoas fazerem as coisas. Nunca fora bom nisso. Era um bom guerreiro e só, então deu novamente de ombros e saiu. Foi até o salão comunal da Sonserina se arrumar. Sua roupa estava amarrotada pela noite de treinamento e por dormir com ela. Assim que entra é recebido por Uther, e os gêmeos.
Como não podia ser pior, eles decidiram, no exato dia que Mitkov passa a noite fora, acordar cedo. E obviamente repararam que o colega não dormira no alojamento. E resolveram ficar para esperar por notícias. Mitkov se vira para sair do salão, mas Uther é mais rápido e o nome de Mitkov ecoa pela masmorra. Ele se vira lentamente e encara os companheiros de casa. Se aproxima ainda mais lentamente do fogo onde eles se aqueciam e se senta em um pufe que ficava perto do fogo.
- Onde você passou a noite? - Uther não sabia ser discreto. Nunca soube. Inferno.
- Treinando. E estudando. Coisa que você deveria fazer também. - A raiva começava a borbulhar em seu interior. Mitkov se assusta com a constatação da velocidade com que ele ficava no limite do autocontrole agora.
- E por que a roupa amarrotada e a cara inchada de quem dormiu? - O garoto insistia no assunto, mal percebendo o perigo que corria.
- Não te interessa. - Mitkov se levanta e sai. Não percebe que no exato momento em que se levantou as chamas da lareira se avivaram subitamente. Ele vai andando com passos duros até o quarto. Toma um rápido banho e volta para sua cama. Se permite um breve sorriso quando percebe suas roupas dobradas sobre sua cama. Mesmo em Hogwarts, seus elfos o tratavam com deferência. Se veste, percebendo ser uma roupa elegante, para passeio. Como os elfos sabiam que ele planejava ir a Hogsmeade ele não sabia, mas eles eram sempre eficientes.
Ele sai do quarto e vai direto até o salão principal. Ao chegar, toma o cuidado de se sentar longe dos três companheiros de quarto. Come rapidamente. Quando estava para sair, Alleria e Aurora se sentam nas cadeiras ao seu lado.
- Vocês vão a Hogsmeade hoje? - o garoto perguntou, olhava ora para uma, ora para outra. Alleria negou prontamente, afirmando que tinha que estudar. Aurora disse que ia assim que descobrira que Vanessa não iria. A rivalidade entre as duas era duradoura, mas incompreensível para o Holopainen. - Então se arruma e me encontra em meia hora no Saguão de Entrada. - A garota olha para Mitkov e sorri docemente.
- Meia hora é impossível para qualquer mulher. Em uns quarenta e cinco minutos ou em uma hora eu te encontro no saguão. - Mitkov disfarça uma bufada de impaciência e acena com a cabeça. Se despede rapidamente e vai em direção à mesa da Lufa-Lufa.
Encontra Pietro rapidamente, afinal mesmo com o anel que diminuía o seu tamanho, ele ainda era a pessoa mais alta do terceiro ano. E do quarto. Pelo menos não era anormalmente alto. Ele estava com um metro e setenta e oito centímetros. E tinha somente treze anos. Mitkov encosta em seu ombro e o lufo se vira rapidamente. Ainda não havia se acostumado com a nova temperatura de Mitkov. Ele estava sempre quente. Como se estivesse sempre com febre. Ele sorri quando percebe o amigo. Antes que o sonserino pergunte qualquer coisa, o gigante responde:
- Vamos sim. - e frente ao olhar confuso de Mitkov - A Li disse que você iria convidar todo mundo para ir junto. Ela pediu para avisar que a Aurora vai se atrasar e para você não se estressar. Ela disse que vai também. - E sorri. Ele adorava mostrar que sabia das coisas antes de acontecerem. Ele e Li estavam cada vez mais amigos. Li finalmente estava se soltando mais perto de estranhos.
O lufo se levanta e se despede. Promete estar no saguão em aproximadamente quinze minutos e sai, deixando Mitkov sozinho. O garoto inspira profundamente e anda calmamente até o saguão. Seria uma longa demora. Assim que se encosta numa parede próxima a um par de gárgulas ouve uma voz clara chamando seu nome. Antes que possa se mover, Amaranth aparece na sua frente e o abraça. Ele abraça a garota que simplesmente para em seus braços. Sem falar nada eles ficam abraçados por um tempo. A garota fazia carinho em sua cabeça. Ele fecha os olhos e aproveita, estudando calmamente os efeitos que suas amigas tinham em sua reserva de fogo interior.
- Você está tão quente... - A lufa murmura em seu ouvido. Um arrepio percorre sua espinha. Teriam todas elas esse efeito? - Eu adoro ficar assim... Junto de você sabia? - Ele adorou esse tom de voz. Aceita o beijo leve que a garota pousa em seus lábios, mas a afasta logo depois. Ela o olha intrigada. Ele nunca aceitara nada antes. Nem os abraços longos e muito menos os beijos... Ela percebia alguma mudança, mas não conseguia saber o que era.
Eles ficam conversando até que Pietro aprece. Vestia botas de aspecto militar e uma camisa camuflada. Trazia um casaco amarrado parcamente no cinto que prendia a calça jeans. Se junta a conversa sem problemas. O trio anda até um local menos oculto e todos se surpreendem quando percebem que Li estava com eles. Ninguém sabe a quanto tempo, mas estava. Quando vê os três olhando para ela, sorri e cumprimenta a todos, abraçando Mitkov. Amaranth parece um pouco decepcionada com o grupo, mas disfarça logo.
- Vocês querem ir a Hogsmeade? - ela pergunta para todos. Li sorri levemente.
- Nós estamos aqui esperando o resto do grupo. Achei que você fosse conosco. - Mitkov olha para Li com uma expressão vazia. Ele detestava quando ela era venenosa assim. Sorte que era um evento raro.
- Ela vai. Sabe que não precisa de convite para andar comigo. - O sonserino responde, sem soltar Li. A lufa aparenta ficar em dúvida quando ao que fazer, mas decide ir com o grupo. Eles conversam animadamente até que o moreno repara que Aurora estava atrasada. Assim que começa a reclamar, Pietro solta um “eu te disse”. Mas Li aponta para um local e todos param subitamente de conversar. Alguns segundos depois Amaranth pergunta o que ela estava apontando e no exato momento, Aurora passa pelo local, meio andando meio correndo em direção ao grupo.
- Você é muito estranha garota. - Amaranth fala para Masako, que sorri em resposta à afirmação. Depois que o grupo se reúne, todos começam a ir em direção ao vilarejo. A caminhada é fácil e divertida. Estava frio, mas Li não sentia. Mitkov a envolvia com o calor que emanava de seu corpo. Isso fazia a garota se aninhar mais em seus braços. A lufa olhava para a cena com certo desagrado, mas não falava nada. Eles vão entram na Dedos de Mel. Estava quente e com um cheiro agradável de açúcar derretido. Todos compram coisas e conversam animadamente com algumas pessoas. Mitkov se afasta um pouco com Li e os dois conversam em voz baixa, confiantes que o burburinho que os cercava impediriam outras pessoas de ouvir o que falavam.
Apesar de todos que os vissem pensassem que estavam ficando ou namorando, eles estava simplesmente conversando sobre as matérias que Mitkov perdera. Só que permaneciam abraçados, pouco se importando com os olhares que recaíam sobre os dois. O garoto ainda brincava com o cabelo negro de Li. Subtamente a oriental o beija, mas se afasta logo depois, deixando um gosto de quero mais nos lábios do sonserino. Ao perceber o olhar confuso no garoto, que fica sem reação. ela diz:
- Não tinha ninguém olhando naqueles segundos. - e sorri simplesmente. Mitkov percebe Pietro se aproximando e os dois andam de encontro ao amigo. Aurora segurava algumas sacolas e Amaranth segurava um garoto da quinta série. O garoto parecia extremamente feliz, a garota nem tanto. Toda vez que ele tentava beijá-la, ela desviava disfarçadamente.
Todos vão para o Três Vassouras. Mitkov consegue uma mesa parcialmente oculta do ambiente do salão, mas ficava próxima a uma janela. O vento frio fez com que Aurora vestisse outro casaco. Pietro também veste o seu, embora estivesse dizendo que não estava frio. Amaranth se aninha nos braços do garoto, que fica olhando em volta na esperança de que fosse visto. Ele é repudiado sempre que tenta fazer qualquer outra coisa. Mitkov abraçava Li com simplicidade. Ele estava vestindo uma camiseta sem mangas. Li estava sem casaco. Seria insuportável o calor de Mitkov sobre roupas pesadas. A corvinal estava entrelaçada nos braços de Mitkov.
A conversa seguia num fluxo contínuo. Pietro tinha muita facilidade em conduzir as pessoas para assuntos que ele dominava. Li e Mitkov se mantinham alheios à conversa, entretidos numa conversa particular que mantinhas aos murmúrios. Pouco depois, Amaranth sem nenhum motivo aparente, acerta um sonoro tapa do rosto do garoto que o acompanhava. Ambos se entreolham, ele confuso e ela com raiva.
- Sai de perto de mim. Agora. – a voz da lufa estava fria. Aparentemente ele tentara fazer algo que a desagradara bastante. O garoto se vira e sai sem mais nenhuma palavra. Ninguém além do grupo que participavam acompanhou o pequeno drama. Masako riu. Somente ela sabia o que acontecera.
- Ele tentou passar a mão nela. – A voz da oriental ecoa fortemente na mente do sonserino. Amaranth se senta logo depois. Um pé de vento frio roda pela mesa, fazendo com que todos, exceto Mitkov e Masako se encolhessem. Pietro dá um sorriso quando tanto Amaranth quanto Aurora se encolhem para perto dele. Ele passa o braço por sobre as duas, tentando aquecê-las. Não é repelido por nenhuma das duas. A conversa parara quando os pedidos chegaram. O trio começou a beber as cervejas amanteigadas, e a corvinal finalmente aceita um beijo de Mitkov. De início tímido, mas logo se aprofundando num beijo mais desejoso. Outro pé de vento, bem mais violento que o último, invade o local. A neve começa a cair mais forte. Granizo bate na janela e relâmpagos passam a ser ouvidos. A tempestade se torna subitamente mais furiosa. A maior parte do povo ignora isso, mas Masako simplesmente dá um sorriso triste. Um uivo longo é ouvido, cortando estranhamente o fim da manhã. O sorriso morre nos lábios da oriental, e ela volta a beijar Mitkov.
Amaranth se levanta e sai da mesa. Ela tinha seus limites de tolerância e aparentemente eles foram cruzados. O casal perde a recusa dada por Aurora a Pietro, mas ambos permanecem abraçados, em silêncio e ela continua a aceitar os carinhos desajeitados do meio gigante. O resto do dia passa com tranqüilidade. O grupo, agora reduzido, ainda faz compras na loja Gemialidades Wesley que abrira no lugar da antiga loja de brinquedos do gênero. A loja estava cheia, como sempre. Nessa loja foi a vez de Pietro sair com a maior sacola. Mitkov escondeu alguns itens na calça, mas não pegou muita coisa. Ele tinha uma reputação a zelar.
A tempestade estranhamente piorava quando o grupo ficava ao relento, mas somente Masako percebia isso, pois perto de Mitkov a neve derretia lentamente e o granizo virava chuva gelada. O pior da tempestade era abrandado. Como a maioria dos alunos estava presa dentro das lojas, o caminho de retorno foi rápido e sem sustos. Alguns relâmpagos atingiam a floresta, mas qualquer fogo que porventura nascesse era logo apagado pela neve incessante.
Ao chegarem ao castelo, a tempestade abrandava e caía somente uma neve fina, que virava chuva morna sobre Mitkov e Li. O grupo se sentou no lago, observando a neve que caía e se acumulava um pouco distante deles. A árvore na qual o grupo se encostara tampava boa parte da neve, então eles conseguiram sentar num pedaço de grama. A presença de Mitkov, agora sem o vento que gelava a taverna, esquentava uma área maior ao redor dele, mas não o suficiente para fazer com que Pietro soltasse Aurora. O sonserino e a corvinal escolheram ficar no lado oposto da árvore, para que não incomodassem os outros dois. Não perceberam quando Pietro e Aurora foram para o castelo. Não perceberam o modo estranhamente carinho com que Pietro tratava Aurora. A neve havia cessado e uma chuva fina e melancólica caía, como se expressasse toda a tristeza da natureza. Mas evaporava antes de tocar no casal.
O fogo que queimava dentro de Mitkov ardia com uma intensidade nunca vista antes, mas não saía do controle. Sua pele estava muito quente. Mas Masako gostava. Roçava a mão no rosto liso do garoto, fazendo um leve carinho. Deveria explicar para ele o motivo da chuva se comportar dessa forma estranha? Ou teria ele percebido e simplesmente não se importado? Será que ele sabia que os boatos sobre os dois tinham chegado aos ouvidos de Vanessa? Teria percebido que era esse o motivo dela estar tão fria com eles ultimamente.
- Você sabe? – ela teria que falar. Se ele descobrisse de outra forma ficaria com raiva, por que ela não havia dito. E ela sabia. Ela sempre sabia. Passa a mão no cabelo muito liso, arrumando o que Mitkov havia bagunçado de brincadeira. Ela solta o garoto, que simplesmente deita no colo dela. Ela sorri, triste. Ele não sabia. Pelos deuses como ele era doce. Ele nunca faria algo do gênero com ninguém. Como ela queria ler a mente dele. Os olhos amendoados dela se prendem no anel que impedia o seu acesso a esse conhecimento precioso. Ele olha com cara de desconfiado para ela.
- Sei de muitas coisas. Mas a que você se refere? – nem quando sozinho ele deixava de ser orgulhoso. Ele era um parvo e não sabia disso. Lutava como ninguém era verdade, mas era cego em relação a diversos assuntos importantes. Como por exemplo o que Vanessa sentia. Ou o que Amaranth sentia. Ou o que Alleria sentia. Ela afasta rapidamente o pensamento que se seguiu.
- Você sabia de Amaranth? – ela começaria devagar. Uma coisa de cada vez. Talvez ele não soubesse tudo o que ela imaginava.
- Não. Nem desconfiava. – Tolo, pensou Masako – Mas depois que ela sacudiu o cara na minha frente eu acabei descobrindo...
- Como? – Li estava perplexa. Ninguém era tão distraído assim. Ele era o único a percebê-la andando pelo castelo de noite. E ela fora treinada para isso desde pequena. Como ele não percebia o óbvio.
- É... Eu não sabia que ela estava namorando... Pensei que ela gostava de dar foras nos caras. Não sabia que tinha achado um para ela. Fico feliz por ela. – Enquanto o garoto estava com cara de quem acabara de descobrir algo incrível, Li o encarava como se fosse acertá-lo com uma maldição imperdoável.
- Você também não sabe de Alleria e Vanessa? – com um esforço sobrenatural, a garota conseguiu manter a voz neutra.
- Elas também estão namorando? – ele se levanta do colo dela e fica ajoelhado no chão. Estava com uma expressão confusa, mas feliz. – E por que ninguém me disse? – ele termina de se levantar e cruza os braços. - Isso explica muita coisa... Muita coisa mesmo. Explica por que ela não tem andado tanto com a gente. Explica por que ela não foi para Hogsmeade hoje. E explica por que ela tem estado tão fria comigo. Eu estou tomando muito tempo dela com os meus treinamentos. Agora tudo faz sentido. Mas eu não reparei mudanças na Alleria. Foi uma surpresa. Obrigado por me contar. – E se deita novamente no colo da oriental.
Ela olhava para o rosto feliz de Mitkov, rosto de quem descobriu os mistérios do universo. Ela não era capaz de acreditar como ele conseguira chegar àquelas conclusões. Imbecil. Tapado. Ela inspira profundamente. Passam o resto da tarde lá e depois vão estudar. Antes de dormir ela ainda não conseguira entender como alguém poderia ser um prodígio em várias coisas e um completo animal em outras.
Quanto tempo ele demoraria a perceber o que havia sob o gelo de Vanessa?