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7. Capítulo 06 - Última Parte


Fic: Desejo-te DM-HG Long


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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 Parte 3


 


Inglaterra – Aeroporto


Seria tão mais simples uma aparatação ou até mesmo uma chave-de-portal. Não só mais simples como mais rápido. Muitos podiam não entender: por que pegar um avião? Ficar horas voando dentro de um objeto trouxa? Para ela, no entanto, a resposta estava dada. Faria todo o possível para retardar seu retorno. Claro que durante todos esses anos havia voltado para Inglaterra. No entanto, seu destino era certo. Toca, Largo Grimmauld,... Numa dessas viagens ficara sabendo do tão comentado casamento de Draco Malfoy. Gina olhou-a atentamente esperando qualquer reação. Só que Hermione demonstrou sua reação apenas quando retornou à sua casa e destruiu grande parte da sua louça.


 


Qual motivo de tanta irritação? Era tão simplesmente desejo. O pedido dele para que ela ficasse foi tão claro. Ainda ouvia a voz rouca dele dizendo: não sei sem viver sem seu corpo. Qual a razão daquelas palavras a machucarem tanto e a perseguirem por tanto tempo? Ela também precisava do corpo dele. Isso era tão óbvio. Não era?


 


Seguia o fluxo das pessoas que saíam do avião. Todas sorriam. A aparência de Hermione Granger era séria. Tensa. Em menos de 24 horas estaria frente a frente com seu maior pecado. Duas cabeleiras ruivas chamaram sua atenção. Fazia tempo que não os via. Gina vinha correndo e Rony caminhava um pouco atrás, um sorriso discreto.


 


- Quanto tempo! – Hermione deixou-se abraçar e espantou seus pensamentos para longe.


 


- Verdade, Gi! Como andam as coisas?


 


- Bem, bem. Não deveria ficar tanto tempo assim sem aparecer, Mione – falou Rony abraçando a amiga.


 


- Eu sei, mas sabe como é a vida. E vocês também não aparecem por lá, não é? – eles riram da cara dela que lembrou os anos em Hogwarts – Cadê o Harry?


 


- Ficou preso no Ministério. Não gostou nada de não vir buscar você. – adiantou-se Gina. Em pouco tempo já haviam pegado as malas e entrado no carro de Rony, que os conduziria até o hotel bruxo que Hermione ficaria hospedada. – Não quer mesmo ficar lá em casa? Luna adoraria!


 


- Não, imagina! Estão com filhos pequenos. Mais uma pessoa só atrapalharia. – Hermione disse sorrindo.


 


- Harry disse para deixarmos suas malas no hotel e depois irmos almoçar em algum restaurante. O que acha? – Gina perguntou.


 


- Pode ser um restaurante trouxa? Estou com saudades da velha comida inglesa dos meus tempos de infância – os ruivos assentiram, calados. Eles fingiam que ela falava a verdade e Hermione fingia que eles acreditavam. Ela nunca corria o risco de ficar em lugares bruxos na Inglaterra. De forma alguma queria revê-lo.


 


Inglaterra – Mansão Malfoy


O jantar novamente foi marcado por silêncios e conversas fúteis. Melanie só sabia falar sobre as últimas fofocas. Muitas vezes o loiro se perguntava como ela formou-se e a ideia de a família ter pagado seu diploma não lhe parecia nada estranha. Nesses momentos, o barulho dos talheres era como uma sinfonia para Draco Malfoy.


 


- Amanhã de manhã tenho prova do meu vestido, Draco. As suas vestes já estão prontas? Precisam de algum ajuste?


 


- Se precisar, eu mesmo faço. Por que não faz o mesmo? Precisa realmente ficar chamando outros bruxos para realizar um feitiço simples? – parece que brigavam todos os dias.


 


- Anton é um bruxo renomado da alta costura! – ela abriu um pequeno sorriso – Ah, já sei! – ele olhou-a – Você está com ciúmes de Anton... – e Melanie bateu as palmas e deu um gritinho estridente. Poucas vezes ela manifestava emoções e quando o fazia era por algo totalmente tolo.


 


- Não tenho ciúmes. Nunca senti ciúme de mulher alguma e isso não mudaria com você, Melanie. – ele levantou-se empurrando bruscamente a cadeira – Estarei no escritório e não quero interrupções – o sorriso que havia surgido nos lábios dela logo murchou e a aparência apática voltou instantaneamente.


 


Mentira. Era mentir para si próprio dizer que nunca havia sentido ciúme de mulher alguma. Sentiu. Sentiu ciúme da única que não deveria ter sentido nada além de ódio e asco. Sentiu ciúme de Hermione Granger. Mas, era um bom dissimulador. Para ela, apenas sentimento de posse. Para ele, ciúme doentio.


 


Flashback


Draco acordou mais tarde naquele domingo. Finalmente as provas haviam terminado e poderia entregar-se ao ócio naquele domingo fracamente ensolarado. Tomou o café e voltou para cama. A noite anterior ainda estava viva em sua mente. Agia de forma completamente insana quando estava perto dela.


 


O mero pensamento fazia seu corpo reagir. Melhor dar uma volta nos jardins. Tomei um banho rápido e, ainda com os cabelos úmidos e levemente descabelados, fui até a área externa. Não sabia em quantos corredores ou em quantas salas já havia agarrado Hermione. Sorri.


 


O jardim estava repleto de alunos que descansavam, namoravam, jogavam xadrez de bruxo ou snaps explosivos; outros liam, uns conversavam em grandes grupos, pequenos grupos... E passando os olhos por toda a extensão foi que  senti meu sangue gelar. Hermione conversando e rindo com outro cara. Não era Potter, nem Weasley. Era um aluno da Corvinal. James Ryland. O que aquele filho da puta pensa que está fazendo?!


 


Ela ria de algo. A mão dele se insinuava “inocentemente” na mão dela. Toque leve. Senti meu peito encher-se de algo que eu não conseguia nomear. Queria ir lá e enchê-lo de porrada. Como ousava?! Ela não percebeu minha presença. Aproximei-me discretamente. Mas ainda não podia ouvir o que conversavam. Ela ria tão naturalmente. Ela nunca riu assim comigo. Nossos sorrisos eram irônicos. Trocas de farpas sarcásticas. Ela ria e os cachos balançavam fazendo com que novamente a mão dele afastasse aqueles fios para trás da orelha. Quando esses dois tornaram-se tão próximos?! Meu sangue começou a ferver. Milhões de sensações passavam ao mesmo tempo pelo meu corpo. Ódio era uma delas. Rancor outra. Eu pensando na maldita sangue-ruim e ela rindo com outro!!!


 


Senti a raiva crescendo. Ela conversava, sorrindo, encostada a uma árvore. A mão dele, que eu penso seriamente em amputar, apoiada na mesma árvore. A proximidade deles é angustiante para mim. Em um movimento rápido de cabeça percebo que ela nota minha presença. Um segundo. Em um segundo penso: ela ficará envergonhada, se afastará, tentará se explicar enquanto viro às costas e vou embora, empurrará Ryland,... Mas, não. Como se eu não passasse de um fantasma, ela torna a conversar com ele. Sorrindo para ele. Percebi, então, que tinha o corpo de Hermione. Os gemidos, os sussurros... Só que nunca ela sorriria daquele jeito para mim.


 


Irritado, a ponto de lançar uma Maldição em alguém, entrei no castelo. Minha cabeça fervilhava e meus pés dominavam meu corpo, indo por um caminho que eu não queria. O quarto dela. Bati a porta com força. Fui para o quarto e comecei a quebrar tudo. Abri os armários e lancei feitiços rasgando roupas. Voltei para a pequena sala e deixei meu corpo cair sobre o sofá, bufando. Não de cansaço, mas de raiva. Não sei quanto tempo esperei por ela. Por quanto tempo fiquei imaginando-a sorrindo para outro.


 


Draco ouviu a porta se abrindo e levantou num pulo. Mais rápido que um raio, chegou até Hermione e perguntou agressivamente segurando-a pelo braço:


- Quem pensa que é para ficar de conversa com qualquer um por aí?! – uma das suas sobrancelhas levantou-se curiosa. – Não se faça de sonsa! E ainda finge que não me vê!!!


 


- Do que está falando, Malfoy?


 


- Do que estou falando? De você e Ryland!


 


- Ciúmes? – ela perguntou sorrindo ironicamente e aquilo deixou Draco mais nervoso.


 


- Um Malfoy não divide nada que é dele. Não sinto ciúmes, principalmente de você.


 


- Eu sei – ela disse num conformismo que incomodou o loiro, que a soltou.


 


- Ainda estou esperando uma explicação.


 


- Explicação? Não devo explicação nenhuma a você, Malfoy. Você não é nada meu!


 


- Não sou, mas você é minha. – ele aproximou-se e ela deu um passo para trás – Com medo? Você é bem inteligente, Granger, para saber que é minha. Dessa forma, somente eu posso tocar em você – a cada palavra, Draco a encurralava entre ele e a parede.


 


- Você é um tolo arrogante mesmo, hein?! Acha que realmente acredito que depois que começamos a transar você não ficou com outra garota? - Não, não fiquei, ele pensou, mas não demonstrou nenhuma emoção.


 


- O assunto não sou eu, Granger. – virando os olhos, Hermione afastou-se dele empurrando-o e andou em direção ao quarto. Draco ficou parado onde estava. Ela voltaria.


 


- Que porra é essa que você fez com as minhas coisas?! – ela gritava, vermelha de raiva – Está tudo destruído! Enlouqueceu?! – Hermione dizia, apontando o dedo para o loiro. Ele a puxou pelo pulso com força.


 


- Sim, enlouqueci. Enlouqueci de ver outro tocando em você... – e falou no ouvido dela – Você é minha, Hermione. Para quando eu quiser, para quando eu precisar. – e ela sabia. Sabia que ele estava certo. Sua boca foi beijada com a raiva contida em ambos. Uma raiva que extravasava pelos seus poros, bocas, toques. E, de certa forma, sabia que ela também causava algo nele. Sabia que não era ciúme... Posse... No entanto, mesmo assim, sentia-se única. A única posse de Draco Malfoy. Quando ele agiu assim com Pansy ou tanta outras que passaram pelos braços dele? Nunca. Em pensamento, sorriu vitoriosa.


 


- Não quero mais você conversando com o Ryland. – não era um pedido.


 


- Saiba que continuarei conversando.


 


- Pagará por isso, Granger – novamente estava encurralada entre ele e a parede.


 


- Promete? – Draco viu a ironia dançando nos olhos dela. Odiou-a por aquilo. Odiou-a por não nunca ter recebido um sorriso como o que Ryland recebeu. Suspendeu-a e tomou novamente seus lábios, dente chocando com dente, dente chocando com lábios. O sangue dela na boca dele.


 


Draco levanta-a e anda até o sofá. Senta-se com ela em seu colo. As mãos dele puxam os cabelos dela, tentando aproximá-la de uma forma que é quase impossível. Os dedos percorrem possessivamente os fios cacheados. Atitude insana de deixar suas marcas lá e apagar as do outro. A boca de Hermione desce pelo pescoço alvo lambendo e saboreando aquele gosto tão único.


 


As mãos femininas agem por si, desabotoando a camiseta. Vagarosamente, apenas para provocá-lo. A cabeça dele pende para trás descansando no encosto do sofá, conforme sente os dedos que percorrem seu peito. A língua que lambe seus mamilos, a cintura que se insinua sobre seu membro já excitado. Ele chama por ela. Sussurra o nome que tanto odiou com a voz rouca de desejo. Aquilo faz Hermione sorrir contra o peito dele. Um sorriso que ele tanto queria ver, mas não vê, pois tem os olhos fechados, entregue às sensações que ela causa em si. Um sorriso que dura segundos.


 


- Hermione... você sabe que é minha, não sabe?


 


- Sei, Draco... Eu sei – como contrariar? Como mentir para si mesma, sentindo a mão que a toca com tanta volúpia? Como mentir para aqueles olhos cinzentos, que trazem a astúcia de um gato? Como mentir quando a sua sanidade esvaiu-se e há apenas... desejo?


 


Calcinha rasgada. Corpo indo de encontro ao chão. Barulho de zíper. Profundeza cinza. Profundeza castanha. Gritos. Gemidos. A completude do corpo dele dentro do corpo dela. Espasmos.


 


Fim do flashback


 


Inglaterra – Hotel


Hermione olhava-se no espelho de corpo inteiro. O vestido verde realçava suas curvas. Usava um discreto colar de diamantes e optou por deixar os fios cacheados caindo sobre os ombros. Não precisava perguntar por que a escolha e algo tão sensual. O encontro era inevitável. Queria provocá-lo uma última vez. Tentá-lo. Ele que casara, não ela! A delicada correntinha no tornozelo, na perna em que ficava de fora pelo vão do vestido, dava um toque a mais.


 


Respirou fundo. Uma. Duas. Três. Quatro vezes.


 


Chegara a hora de que tanto fugira. De que tanto tentara escapar nos últimos anos. Desde que percebera e aprendera da pior forma que não é só quem brinca com fogo que acaba queimado, quem brinca com gelo, também. E de uma forma terrível. O gelo, por vezes, gruda na pele. Pode derreter, mas a marca fica. Para todo o sempre, mesmo que invisível...


 


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Ele a esperava do lado de fora da mansão, ao lado da limusine preta que os conduziria até o evento. Perdeu a conta de quantas vezes ajeitou desnecessariamente a gravata preta. A mão saía nervosamente dos bolsos, para entrar novamente em seguida.


 


- Finalmente! – ele disse, irritado, vendo que, finalmente, Melanie estava dirigindo-se à limusine.


 


- Estava terminando de arrumar-me, Draco. Não sei para que tanta pressa. – ela disse, entrando no automóvel.


 


- Sabe que detesto chegar atrasado. Você está bonita – comentou mais por educação. Não que ela não estivesse realmente bonita, mas não estava a fim de papo. Detestava aquela maldita ansiedade dentro de si. Todo ano era assim. A esperança de vê-la, para depois encontrar apenas os amigos sem graça. Aguentar em silêncio as insinuações de Harry Potter era o pior. Sabia que ele ainda a via.


 


As ruas passavam pela janela, formando imagens disformes. A lua cheia acompanhava o carro do lado de fora. Draco fechou os olhos e deixou a cabeça encostar-se ao vidro frio.


 


 Flashback


 


Já tinha uma semana desde a briga por causa de Ryland. Tinham acabado de fazer amor mais uma vez; Hermione levantou-se e foi até a janela. Só percebeu a proximidade de Draco quando sentiu a respiração pesada dele. Contudo, não desviou os olhos.


- Gosta da lua Cheia, Granger?


 


- Sim. Acho que é consenso a preferência por lua Cheia.


 


- Não é meu caso – ele declarou.


 


- Não? – ela voltou-se para o loiro e percebeu que os olhos dele tinham um brilho ainda mais lindo sob a luz da lua. Afastou o pensamento e voltou a olhar para fora. – Por quê?


 


- Prefiro a lua Nova.


 


- Por quê? – ela tornou a perguntar. Tornou a olhar para ele que encarava a belíssima lua, impassivelmente.


 


- É quando a Lua não reflete a luz do Sol, mas nem por isso deixa de estar lá. Sabia que o eclipse solar acontece na lua nova? – sim, ela sabia, mas calou-se. - Ela, diferentemente das outras fases, aparece durante o dia. E se oculta à noite. Depois disso, é que a lua começa a crescer e torna-se essa que está vendo. Gosto da Lua Nova. Tenho a sensação de que algo que está oculto propicia a introspecção.


 


Draco percebeu que havia falado demais. Nunca tinham momentos de conversas espontâneas. E ele havia se exposto. Muito. Secretamente, intimamente, inconscientemente, Hermione ansiava por mais. Por mais palavras, mas elas foram logo interrompidas.


 


Draco perguntava-se por que continuar a falar. Ela mantinha-se calada. Não sorria como sorrira para Ryland. Filho da puta! Era claro que a relação dos dois sempre seria essa: desejo. Pele. Toque. Instinto. E por que se importava? Ela não se importava! Ele era Draco Malfoy.


 


Virou-se e começou a recolher as roupas pelo quarto. Hermione voltou a encarar a lua.


 


- Estou indo, Granger – era sempre Granger depois do sexo. Começou a se trocar - A gente se vê por aí.


 


O loiro saiu do quarto sem ver o brilho salgado iluminado pela lua que escorria pela face dela. No dia seguinte, foi quando Hermione ouviu a conversa de Gina (N.A.: capítulo 5) e decidiu sair da vida de Draco Malfoy e tirá-lo da sua.


 


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Chegou sozinha. Altiva. Uma música calma preenchia o ambiente bem iluminado. Garçons serviam bebidas coloridas e fumegantes. Bebidas bruxas e trouxas. Aperitivos. Petiscos.


 


Viu que os amigos já estavam à mesa e foi até lá. Fingiu não ver os olhares de Harry para suas pernas e seu decote. Ele continuava solteiro. E mulherengo, extremamente mulherengo. Não aceitou se sentar, alegando que queria dar uma volta para rever antigos colegas.


 


Foi até o balcão, sentou-se em uma daquelas banquetas giratórias. Pediu um uísque de fogo e acendeu seu cigarro.


 


Instantes antes, do lado de fora, uma belíssima limusine preta encostava ao meio fio. O motorista saía para abrir a porta traseira. Draco saiu antes e estendeu a mão para ajudar Melanie. Ele caminhava sério, sem dar atenção aos flashes; ela sorria, acenando para exibir as jóias que brilhavam em seus dedos e pulso.


 


A falsidade da relação se desfez quando estavam longe das câmeras. O braço dele deixou de rodear a cintura dela.


- Vamos sentar antes que todas as mesas fiquem ocupadas – Melanie falou, olhando o ambiente.


 


- As mesas estão reservadas. Vamos dar uma volta?


 


- Volta? Quero sentar e ser servida, Draco. Não quero ficar dando voltas!


 


- Tudo bem. A mesa fica daquele lado. Depois eu vou – ela olhou-o, indignada por não ser acompanhada até a mesa. Porém, nada disse e seguiu o caminho com passos decididos.


 


Draco deu mais alguns passos. Tirou do bolso interno seu maço de cigarros, pegou o isqueiro e acendeu. Seus olhos então se dirigiram automaticamente para o par de pernas mais belo que vira desde Hogwarts. Subia vagarosamente como se pudesse decorar cada detalhe. O isqueiro ainda acesso. O cigarro apagado. Olhou o contorno sedutor dos seios. O ombro desnudo. Acompanhou a curvatura que o cotovelo fazia até chegar à mão que segurava delicadamente um cigarro entre os dedos finos. As unhas longas e pintadas de uma cor forte, seria vinho?


 


Como se estivesse hipnotizado seguiu o movimento que levava o cigarro até os lábios. Pintados com um tom claro. Seu coração acelerou. Seu corpo esquentou. Parecia que ela virava em câmera lenta. Era ela. Depois de tanto tempo, era ela...


 


Hermione tomou um gole de uísque, depois bateu a cinza num cinzeiro mágico que limpava automaticamente. Levou o cigarro aos lábios e enquanto soltava a fumaça virou a banqueta para ver os convidados que chegavam... foi quando seu coração parou. Respirou fundo diversas vezes, precisava oxigenar seu cérebro. Era ele. Parado, com um cigarro apagado pendendo da boca e o isqueiro aceso. Olhando-a.


 


Ele saiu do transe quando sentiu o dedo queimar pela pequena chama do isqueiro. A música havia parado. O vozerio em volta havia sumido. Havia apenas ela. Com seu vestido verde e a fumaça do cigarro que a envolvia. Apenas ela, com os cachos caindo sobre os ombros nus. Apenas ela com sua maldita e eterna sensualidade...


 


Os olhos continuavam com o mesmo brilho cinza, porém mais frios. A pele mais alva e pequenas olheiras destacavam-se embaixo dos olhos. Os cabelos estavam mais longos e bem cuidados. Os lábios continuavam tentadores. A roupa escura era realmente um contraste maravilhoso e incansável de se admirar...


 


Ele que tomou a iniciativa de se aproximar. O que dizer depois de tantos anos? Ela levantou-se, mas ficou parada apenas olhando o andar sensual daquele que foi o seu mais louco desejo adolescente. O tempo apenas realçou a beleza juvenil. Os traços agora estavam mais marcantes. Mais másculos. Mais perigosos.


 


Draco observou quando ela ficou em pé. As curvas eram muito bem destacadas pelo vestido que ficaria vulgar em qualquer mulher, menos nela. Mulher. Já era desejável quando adolescente... agora, todo seu corpo exalava sensualidade. Afastou o pensamento de quantos caras podiam ter tocado aquele corpo nos anos de separação. Não importavam quantos, um ou dez, seria sempre muito na visão de Draco.


 


Andava com passos firmes que o aproximavam e ao mesmo tempo parecia não chegar nunca. Não importava nada. Nunca haviam sido vistos juntos em Hogwarts e não importava que as pessoas estranhassem a aproximação dos dois. Há anos que não devia nada a ninguém. O mundo que se explodisse.


 


- Granger? Hermione Granger? – alguém havia chegado antes dele, que estancou quando percebeu quem era.


 


- Sim – ela demorou um pouco não só para reconhecer quem a chamava como para desfazer o contato visual que mantinha com o loiro que aterrorizava suas noites e dias. – Ryland?! Ryland!!! Como vai???


 


- James... Bem e você? – ele disse, sem disfarçar os olhares para o decote.


 


- Bem também...


 


- Por que nunca veio aos outros encontros? – ele perguntou, passando os olhos pela boca e, finalmente, encarando-a cordialmente.


 


- Problemas no trabalho – as respostas eram mecânicas e, se ele a conhecesse um pouco, teria percebido.


 


Draco irritado. Novamente Ryland. Sem medir as consequências, continuou na direção que ia. Sem diminuir o ritmo até esbarrar no corvinal que, desavisado, desequilibrou-se.


- Malfoy, não me viu?!


 


- Vi. – respondeu seco.


 


- Presta atenção, Malfoy! Agora dá licença que estou ocupado.


 


- Não. Saia que tenho assuntos a tratar com a Granger. – nesse tempo todo não tinha olhado para a morena. Encarava seu “adversário”. O pensamento de amputar determinada mão ainda estava vivo em seu cérebro. A risada debochada de Ryland o irritou.


 


- Você? Conversar com a Granger?! Sempre a desprezou, Malfoy. Não deixarei que converse com ela. – Hermione observava o embate, calada. Que disputassem sua atenção. Voltou a sentar e cruzou as penas sedutoramente. Os dois olharam para o vão do vestido. Ela sorriu discretamente. Draco percebeu. Ryland, não.


 


- Não deixará? É dono dela por acaso?!


 


- Não, claro que não! Que ideia estúpida. – Ryland disse, sem conter a raiva em suas palavras.


 


- Então, caia fora! Granger não precisa de guarda-costas. Tenho assuntos pendentes a serem resolvidos. E de hoje não passa – a última frase foi dita encarando o brilho castanho. Antes que Ryland pudesse argumentar, Hermione tocou em seu ombro e disse:


 


- A noite está apenas começando, James. Eu tenho realmente que resolver algumas pendências com o Malfoy. Podemos conversar mais tarde?


 


- Tem certeza? – Ryland perguntou, segurando delicadamente a mão dela.


 


- Sim.


 


- Ela sabe se cuidar sozinha, Ryland. – despedindo-se com um beijo no rosto de Hermione, o corvinal afastou-se. O silêncio habitou a distância que havia entre eles.


 


- Granger.


 


- Malfoy – ela fez um gesto e ele se sentou ao lado dela.


 


- Por que resolveu aparecer depois de tanto tempo?


 


- Porque fui obrigada. Vejo que não largou o vício – ela disse quando notou que ele acendia seu cigarro.


 


- Nem esse, nem outros. Embora não tenha tido oportunidade de fazer uso de todos. – ela riu. A mesma risada irônica que começou a incomodá-lo quando descobriu que ela tinha um sorriso lindo que nunca era dirigido para ele.


 


- Você não muda, Malfoy. Aliás... muda sim. Soube que está casado.


 


- Sim. Casei-me. – ele disse, sem emoção.


 


- Nossa, que frieza... Do jeito que fala parece que foi apenas um... contrato.


 


- E vai dizer que casamento não é um contrato? – ela desviou os olhos. Havia tomado a decisão certa em partir. Soltou pesadamente a respiração.


 


- Se é o que você pensa, para que casar? – Hermione questionou.


 


- Esperava me encontrar solteiro?


 


- Nunca esperei nada de você além do sexo, Malfoy – aquilo o incomodou. Da mesma forma que havia incomodado ela pensar que ele não sentia ciúmes dela quando a confrontou sobre Ryland tantos anos antes. O que ele não soube é que dizer aquelas palavras era afirmar uma verdade que cortava seu peito por dentro.


 


- Você é muito orgulhosa e só sabe ver aquilo que te interessa – ele falou, irritado. Estava cansado. – Você que começou com esse jogo! Com as seduções! Nunca conheci nada sobre você além do seu corpo!!!


 


- Orgulhosa?! E você com esse discurso de sangue, Malfoy?! Você nunca conheceu nada sobre mim por que não quis!


 


- Você é uma fraca.


 


- E você um hipócrita. Chega aqui todo cheio de si. Não tem sentido algum essa discussão depois de tanto tempo. – ela fez menção de levantar, mas ele impediu.


 


- Você que decidiu fugir, Granger.


 


- Você que fugia. Fugia de si mesmo toda vez que se permitia transar com uma sangue-ruim – uma fúria cresceu no peito dele. Nunca palavras tão verdadeiras foram ditas. Odiava a si mesmo por ser tão fraco, por permitir que a metidinha sabe-tudo, amiga do Potter e do Weasley, nascida trouxa, pudesse causar sensações tão incontroláveis dentro de si. Ela lia a raiva nos olhos cinzas.


 


- Draco? Não vai me apresentar sua amiga? Parece tão entretido na conversa! – Melanie disse, uma pontada de provocação que não foi ignorada por ninguém.


 


- Ela não é minha amiga. Apenas mais uma garotinha sonsa de Hogwarts – falou para machucar. E conseguiu. Hermione levantou-se e passou pelo meio do casal. Voltou para junto dos amigos. Draco observou o caminhar sem se preocupar com o olhar fulminante lançado pela esposa.


 


- Sabe, apesar de você não ligar se eu ando te traindo ou não, a recíproca não é a mesma. – ela disse, emburrada, colocando-se no campo de visão dele.


 


- Melanie, faz um favor? Vá a merda! – e saiu de lá.


 


Hermione queria e tentava desesperadamente ficar atenta à conversa que se passava à sua volta, mas não conseguia. Começou a fingir como fez durante tantos anos. Dando uma desculpa qualquer tornou a levantar e seguiu para o lado externo do evento, sem perceber que era seguida por alguém.


 


Começou a olhar o céu estrelado e a lua.


- Gosta da Lua, Hermione? – ela assustou-se. – Desculpe...


 


- Imagina, James. Gosto e não gosto. É linda, mas não traz boas recordações.


 


- Por que decidiu sair da Inglaterra?


 


- Queria novos objetivos, conhecer novas pessoas,... Muitos motivos para ir e não valia ficar pelo único motivo que me prendia realmente aqui.


 


- Você está linda. Ainda mais linda que na época da Escola. – ela sorriu, encabulada. Sentiu os dedos dele em seu cabelo. Muitos anos atrás ele disse gostar de mexer no cabelo dela. Por tanto tempo procurou nos homens com quem deitou qualquer vestígio de Draco. Ryland não tinha nada de Draco. Será por isso que nunca aceitou ficar com ele? Será que agora era o momento de por, finalmente, um ponto final em tudo? Ignorar aquele maldito sentimento de desejo que a corroía desde os 17 anos? Era o momento?


 


Não.


 


Ela afastou-se.


 


- Não seria justo com você, James. Melhor deixar as coisas como estão – e sem dar uma chance de resposta, voltou para dentro e procurou o banheiro. Andou rapidamente até ser puxada. Mãos femininas.


 


- O que você queria com meu marido?! – Melanie perguntou com a voz levemente esganiçada. Hermione olhou-a de cima a baixo, com superioridade. Ela era bem o “tipinho” com que Malfoy casaria.


 


- Acho melhor se perguntar o que ele quer com você, ou melhor, se ele realmente quer algo com você. Agora me dá licença, antes que eu lance um feitiço e essa sua carinha sem sal se torne irreconhecível por muitos anos. – claro que a outra ficou sem reação e foi até o marido.


 


- Draco, exijo irmos embora agora!


 


- Sabe que não vou – ele falou, sentado ao balcão. Melanie sentou-se ao lado dele.


 


- Por que me pediu em casamento?


 


- Era a coisa certa a se fazer. Você era a mulher perfeita para um Malfoy. – ele respondeu, monotonamente.


 


- Era?


 


- Ainda é – a mesma monotonia.


 


- Não sei por que aceitei... – ele riu debochado com a resposta.


 


- Claro que sabe. Precisava e queria o status que meu sobrenome dava e ainda te dá.


 


- Se sou a pessoa perfeita, por que nosso casamento é essa porcaria? – ele soltou a fumaça lentamente pelos lábios. Apagou o cigarro e respondeu, sabendo que aquilo era o mesmo que assinar o divórcio:


 


- Por que nem sempre a pessoa perfeita é a pessoa certa. Não volto para casa hoje. – e saiu sabendo que ela tinha entendido perfeitamente o recado.


 


Percorreu a festa a procura dela. Não havia gostado nada das últimas frases da Granger. E não gostara nada de ter dito o que disse. Ela não era uma sonsa. Humilhou-a diante da esposa. Não podia negar que Hermione tornara-se ainda mais perfeita. Uma pergunta martelava em sua cabeça: por que ela foi embora?


 


Andou e nada de encontrá-la. Sem se preocupar, chegou até a mesa e perguntou olhando para Gina:


- Aonde a Granger foi?


 


- Boa noite para você também, Malfoy. Não sei da Mione. – ela respondeu.


 


- E mesmo que soubéssemos não é da sua conta, Malfoy. – o loiro nem se dignou a encarar Harry.


 


- Quando você for convidado para a conversa ficará sabendo, porque sentirá meu punho contra essa cara, seu filho da puta. – Harry levantou-se, mas Rony foi rápido e o impediu de agir. Draco então olhou para o moreno rapidamente. – Onde ela está hospedada? – tornou a perguntar para a ruiva.


 


- Isso eu não respondo – ela declarou. – Seu desgraçado!!! – ele sorriu irônico e aparatou. Harry perguntou:


 


- O que houve?


 


- Ele leu minha mente...


 


Draco aparatou em frente ao Hotel e foi direto conversar com o recepcionista.


 


- Por favor, qual o número do quarto da senhorita Granger?


 


- Não podemos fornecer essa informação, senhor. – apesar da irritação, manteve a calma. – Será que poderia fazer a gentileza de ligar para o quarto dela, então? É um assunto urgente. – no momento em que o recepcionista foi conferir o número do quarto para realizar a chamada, Draco pode visualizá-lo. Antes que a ligação fosse completada, o loiro falou, com uma falsa educação:



- Deixa... ela deve estar dormindo. Não quero ser responsável por acordá-la – ao invés de ir embora, aproveitou a distração do recepcionista, que atendia outra pessoa, e entrou no elevador.


 


Chegou até a porta e bateu algumas vezes, até ouvir uma voz abafada:


- Quem é?


 


- Serviço de quarto.


 


- Não pedi nada. É algum engano.


 


- Senhorita, estou com a nota do pedido. Quarto 1515, Hermione Granger. – e tornou a bater. Ela abriu a porta e, assim que viu quem era, tentou fechá-la rapidamente. Ele foi mais rápido e colocou o pé na frente.


 


- Nós precisamos conversar, Granger. – ele forçou a porta, sem precisar fazer muita força.


 


- Nós não precisamos nada, Malfoy. Vá embora! Volte para sua mulher e sua vidinha estável. – Draco empurrou-a para dentro e bateu a porta atrás de si. Ela ainda usava o vestido. Notou que o cigarro tremia entre seus dedos.


 


- Por que foi embora, Granger? Por que fugiu?


 


- Não foi uma fuga. – ela disse, encarando-o.


 


- Não?! Continua com o mesmo orgulho e a mesma teimosia da época de Hogwarts! – ele disse nervoso. – Não há nada para se beber aqui?! – ela apontou o armário onde ficavam as bebidas. Ele serviu-se.


 


- Que importa a você se fugi ou não? Foi uma decisão minha, Malfoy. – ele aproximou-se alguns passos e ela permaneceu inerte.


 


- Você pertencia a mim naquela época. – a mesma frieza. Ela soltou o ar pesadamente e falou num tom baixo, mas audível.


 


- E ainda se pergunta por que parti... – Hermione apagou o cigarro com força. – Por favor, vamos deixar no passado o que pertence ao passado, Malfoy. – Draco apenas remoia a resposta dela. Ignorando a última frase perguntou:


 


- O que quer dizer? Não somos mais crianças. Não quero saber de metáforas ou eufemismos. – o gelo tilintando no copo com uísque. A respiração dela estava acelerada. Não queria aquela conversa, mas ao mesmo tempo, eram tantas palavras presas em sua garganta. Tanta coisa não dita, engasgada. Tantas ações que pediam para serem finalmente explicadas. Passou por ele e se serviu de uma dose. Que tudo se explodisse. No dia seguinte, iria embora.


 


- Parti porque cansei de ser seu brinquedinho. – ela estava de costas para ele.


 


- Você que começou esse jogo, Granger – aquilo a irritou. Ele era um muro de frieza. De racionalidade. Sempre as mesmas palavras, as mesmas explicações.


 


- Pois é... Talvez tenha sido um erro. Não sei – ela virou-se e encarou os olhos cinzas. O coração falhou algumas batidas. Ele era perfeitamente lindo. Sedutor na sua arrogância – Não sabia que rumo tudo tomaria. Não sabia que gostaria tanto de ser sua. Era um vício. – ele escutava a tudo. Frieza por fora, tempestade por dentro. – Sei que nunca foi meu, que outras existiram. – ele não contestava – Mas fui só sua. Pelo menos na época de Hogwarts. Depois...


 


- Depois...? – será que ele realmente queria saber? Aquela onda de raiva desconhecida e incontrolável que sentiu anos atrás, minutos atrás quando a viu com o Ryland, voltara. O corvinal, Potter e outros homens sem dúvida tiveram uma Hermione que ele nunca conheceu. Aquela que sorria sem ironia, prestativa, amiga, doce.


 


- Depois não interessa, Malfoy. Vá embora!


 


- Não manda em mim, Granger! – ele aproximou-se e encarou os olhos castanhos que o perseguiam por tantos anos. Nunca sentira nada parecido por mulher nenhuma. E justo ela. Granger. Nascida trouxa. Grifinória. Habitava seus mais loucos desejos. Seus mais secretos... sentimentos. Só sabia de uma coisa. A plenitude e a perfeição estavam ali. Diante dele. Naqueles cabelos. Nos cachos. No cheiro que ele conhecia. Na mulher que ela havia se tornado e na adolescente que ele conheceu nos corredores de Hogwarts. Uma verdade era clara: precisava prová-la novamente. Tê-la em seus braços. Sentir o gosto da boca dela. Do corpo dela. Para que esconder o ciúme que sabia devorar seu peito? Não era mais um jovem que precisava se provar perante sonserinos e regras tolas. Por isso a pergunta saiu de sua boca, como uma exigência, uma hemorragia que precisava ser curada. – E depois, Granger? – ele se aproximou. Os passos calculados para que ela não fugisse. Queria e gostava dela assim, acuada. – Como foi depois? – os dedos dele desenharam um traço indefinido nos braços nus e delicados. Hermione arrepiou-se involuntariamente – Quantos a tocaram? – ele andou até ficar atrás dela, que estava imóvel. Sussurrou, o mesmo sussurro rouco. Mas a voz estava firme agora. Máscula. Sedutora. Loucamente rouca e hipnotizante – Quantos ousaram mexer naquilo que um dia foi meu? Não devia ter partido, Hermione.


 


Os olhos dela fecharam. Merda. Sentia a razão abandonando o seu corpo. Estava tão cansada. Cansada de lutar contra aquilo que sabia existir em seu peito. Contra aquilo que gritava que não era só desejo. Mas ele era e sempre seria Draco Malfoy.


 


Uma última vez?


 


- Muitos, Malfoy. – a respiração dele tornou-se pesada. Ela não interrompeu. Sabia que ele ficaria puto – Não casei porque não quis. Tive algumas oportunidades. Mas estive em várias camas. Muitos tiveram na minha. Cada um tinha algo de seu – ela sentiu os dedos dele apertarem sua cintura com força excessiva. Ela estava conseguindo provocá-lo. Sabia que um Malfoy nunca dividia nada que era dele.


 


- Por que sumiu? As coisas poderiam ter sido diferentes.


 


- Não, Malfoy. Eu sempre seria seu objeto. Seu brinquedo. – ela virou e encarou os olhos cinzas – Se estivesse aqui, a única mudança na nossa situação é que eu seria sua amante, enquanto levava sua vida perfeita ao lado de sua mulher perfeita.


 


- Você não sabe do que está falando! – jogou o copo contra a parede. Ele irritou-se diante das previsões dela. Falsas no entender do loiro. Jamais teria se casado com Melanie. Mas, será que teria se casado com ela...? A risada debochada o tirou dos seus devaneios.


 


- Casaria comigo, Malfoy? Sou trouxa, nascida trouxa, mas não idiota. O que importa com quem eu estive?! Não importa nada para você. Importa apenas como um objeto. E escute... Não sou um objeto! Homens realmente me amaram. E muitos me desejaram tanto ou mais que você.


 


- Impossível! – ele segurou o rosto dela com firmeza – Isso é impossível, Granger,...  – Draco queria que ela parasse. Que ela se calasse. Só que Hermione não pararia. Ele que foi até lá. Ele que entrou no quarto dela. Ele que veio falar com ela na festa.


 


- Impossível? – ela soltou-se bruscamente da mão dele e se sentou na cama. Deixou a perna à mostra pelo vão do vestido e falou com firmeza e frieza fingidas – Homens se excitavam com meu toque ou quando eu simplesmente me despia ou me insinuava. - Draco olhava a expressão dela. Apertou a própria mão como se segurasse para não socar nada ou alguém. – Gozei quando eles me tocavam. Quando mãos masculinas passeavam pelo meu corpo, pelos meus seios, pelo meu clit-


 


Ela não pôde terminar. Impulsionado pela raiva, Draco pulou sobre o corpo dela, que caiu na cama, assustada.


 


- Cale-se, Granger. Cale-se antes que eu faça algo que me arrependa profundamente. – ele disse, bufando nervosamente.


 


- Você me bateria? – ela perguntou, ironicamente. Ele não encarou os olhos dela. Foi com a boca até a orelha dela e murmurou:


 


- Não... Eu te amarraria, invadiria sua mente atrás de cada filho da puta que ousou te tocar. Depois... bom, garantiria que nenhum deles pudesse ter filhos novamente. – aquelas palavras chegaram a alegrar Hermione intimamente. Se a ideia de que era apenas posse e não um sentimento profundo não invadisse seus pensamentos. Alegria fugaz.


 


- Você é um trasgo, Draco Malfoy!


 


- Não, eu apenas... – ele encarou os olhos dela. Apenas ... Ela queria tanto que ele continuasse. Que ele completasse a frase de outra forma. Enganara-se por tanto tempo, por tantos anos... Mas agora tinha ele novamente ali. Sobre si. Aqueles olhos azuis cinzentos. Lembranças. O toque. O cheiro. O desejo. O amor. O maldito amor que escondeu por tanto tempo voltando a dominar seu corpo. Seu coração. Sua alma. Amor não correspondido. Amor corrompido.


 


Apenas... como ele queria completar. Dizer que sentia por ela um ciúme louco. Que seu sentimento era algo irreconhecível para ele. Algo que não conhecia. Não dominava. Não aceitava. Procurou consolo em outras mulheres. Em um casamento falido. Em uma realidade virtual. Viveu de falsidades. Sempre ansiando encontrá-la e nunca tendo coragem de agir. Depois de tantos anos a tinha ali. Sobre si. Dominada. Não... ele que estava dominado. Sentimento angustiante. Devorador.


 


Tê-la ali era o sonho de anos tornando-se a mais cruel realidade. Encarou-a. Não reconheceu o que transparecia naqueles olhos castanhos. Como reconhecer? Ela estava certa. Nunca quis conhecê-la realmente. Com uma calma que raramente havia entre eles, aproximou seus lábios do dela. Ela ainda presa pelas mãos dele. Estavam muito próximos. Milímetros o separavam daqueles lábios. Ela virou o rosto, mas ele não mudou sua rota. Beijou a bochecha. Passou a língua pelo pescoço. Ainda o mesmo gosto, ele pensou sorrindo. Sentiu que ela se arrepiava. Hermione odiou-se profundamente por isso.


 


- Apenas eu causo isso em você. Diga o contrário. Diga se outro homem deixa você assim... com apenas um toque, apenas uma respiração. – as palavras eram sopros roucos no ouvido de Hermione, que tentava inutilmente não reagir. – Responda, Hermione, se realmente achou alguém que consegue deixar você assim? Sem respostas?


 


- Não – eles se encararam, mas sem sorrisos irônicos. Novamente a boca dele desceu lentamente com um único objetivo. Para que lutar? Resistir? Os lábios dela se entreabriram. Entrega.


 


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Revirou-se na cama enfiando-se ainda mais embaixo das cobertas. Cobriu o rosto tentando, inutilmente, evitar que os raios solares que entravam entre as frestas da cortina a despertassem. Rolou para o outro lado da cama, seu corpo procurava outro corpo. O frio do outro lado dos lençóis a fez abrir os olhos lentamente e enxergar a realidade. Draco se fora.


 


E, afinal, ela podia esperar outra atitude dele a não ser aquela? Durante o tempo que ficaram juntos em Hogwarts era sempre assim, o que mudaria agora que eles eram adultos? Agora que ele era casado? Fitando o teto, Hermione deixou que as lágrimas que há tanto segurava rolassem livremente pelo seu rosto.


 


As batidas na porta pareciam distantes e não queria levantar daquela cama por nada. Mas eram insistentes e fortes. Pensou em colocar o travesseiro sobre a cabeça ou ligar para o recepcionista, mas a voz autoritária e grave do lado a fez juntar suas poucas forças e se levantar.


 


- Bom dia, Harry... – disse, desanimada, dando passagem para ele entrar.


 


- Você está com uma cara terrível. Chorando por ele de novo?


 


- Cale a boca, Harry! – ela foi até a escrivaninha e acendeu um cigarro. – Como foi a festa ontem?


 


- Perdeu grande parte da festa, Mione. Foi embora cedo demais. – Harry disse, sentando-se na beirada da cama.


 


- Eu nem devia ter comparecido nessa merda de festa.


 


- Mione... – Harry aproximou-se dela, que fumava olhando pela janela – Seu lugar é aqui. Com seus amigos. Ele não merece essas mudanças, esse choro,... Tudo teria sido tão diferente se...


 


- Chega, Harry! Não teremos essa discussão novamente. Somos amigos,...


 


- Acabamos nos afastando... sinto falta da época que ficávamos estudando juntos, bebendo... só nós. – o tom dele era nostálgico e Hermione deixou um leve sorriso nascer em seus lábios.


 


- Sinto falta também, Harry. Só que não somos mais crianças nem adolescentes. – dizendo isso, apagou seu cigarro. – Eu vou embora hoje à tarde.


 


- A senhora Weasley gostaria de ver você. – Hermione foi até o armário e começou a tirar de lá as poucas roupas que havia trazido.


 


- Estou sem cabeça para isso.


 


- Até quando vai fugir por causa do Malfoy? Que merda, Hermione! – ele disse, puxando as roupas da mão dela. – Nós, seus amigos, sentimos sua falta! Você não está aqui por causa dele e aquele filho da puta está cagando e andando para você! – cada palavra era como uma cruciatus. E, principalmente, por serem verdadeiras as constatações, pareciam feri-la ainda mais.


 


- Harry... Não preciso que fale tudo isso. Eu sempre soube como agir, como pensar, o que dizer, porque sempre vivi com regras, seguindo regras. Minha vida estava planejada. Nos meus planos de adolescentes, eu estaria casada com Rony, grávida do meu terceiro filho. Mas a vida não é assim, Harry. – ela respirou fundo – Quando comecei a me relacionar com Malfoy, pude ser outra... E gostei durante um tempo. Mas não mudei por completo. Internamente, ainda era uma tola simplista... e acabei caindo na própria teia que armei. Eu me apaixonei por ele, Harry. Eu amo Draco Malfoy e esse sentimento não mudou com o tempo e nem mudará. Agora me deixa, vai. Preciso andar. Preciso ir embora. Agora!


 


 


Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...

Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Quando eu me encontrar...

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer, quero viver...


 


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Draco levantou cedo. Observou o corpo adormecido ao seu lado e deixou que um sorriso surgisse em seus lábios. Havia tomado uma decisão. Tanto tempo atrás de máscaras. O seu mundo de certezas, de valores, de padrões, há muito havia desabado bem abaixo dos seus pés. Mentiras atrás de mentiras. Escondeu-se no nome e na autoridade de Lucio quando criança e adolescente. Já não era tão terrível assim... negar que apenas, com ela podia se abrir, se aventurar pelo menos um pouco. Quantas verdades escondidas? Só com ela perdia a razão, o senso, o norte, o sul... E agora parecia tolo não ter contado que nunca teve outra depois dela na época de Hogwarts. Mesmo depois. O que fazia com sua esposa não era sexo, nem amor. Não era nada comparado ao que acabara de ter com ela. Hermione Granger.


 


Juntou suas roupas, pois precisava tomar rumo na sua vida o quanto antes. Escreveu um rápido bilhete e deixou na portaria para ser entregue assim que Hermione acordasse e passasse por lá. Aparatou no seu escritório e despachou uma carta para seu advogado que não ficaria nada feliz de ser acordado tão cedo em pleno domingo.


 


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Harry viu quando Hermione saiu carregando suas malas. Pensou em segui-la, mas parou depois de dar dois passos. Não sabia quais sentimentos trazia dentro de si. Era muito bom ser quem era. Harry Potter. Ainda era um nome que soava respeito. Reverências. E muitos, muitos favores. Enfiou a mão dentro do bolso e abriu um pequeno envelope que pegara há pouco.


 


Flashback


 


Acabara de chegar ao hotel. Não foi preciso anunciar-se. Seu rosto, sua cicatriz e sua fama já faziam isso por ele. No período da manhã, um jovem recepcionista estava atrás do balcão sorrindo para os hóspedes. Harry seguiu até lá com sua pose e sorriso sedutores.


 


- Bom dia. – ele disse. Seus olhos brilhavam por trás das lentes que lhe davam um charme a mais.


 


- B-bom dia. Se-senhor P-Po-Potter? Harry Potter??? – galantemente, ele puxou a mão da moça e deu-lhe um beijo.


 


- Isso mesmo. – e sorriu. Sorriso cafajeste, típico do mulherengo incurável que havia se tornado depois que perdeu Hermione para Draco Malfoy. – Gostaria de passar no quarto de Granger. Hermione Granger, por favor. Mas, queria fazer uma surpresa... Poderia me fornecer o número do quarto?


 


Claro que as regras eram claras. Ela não poderia fornecer o número do quarto de qualquer hóspede. Mas, afinal ele era Harry Potter. E procurava Hermione Granger. Quem não sabia do grupo de amigos responsável pela derrota do Lorde das Trevas? Além do mais... Que mulher em sã consciência poderia negar qualquer coisa a um homem de penetrantes olhos verdes, sorriso encantador e cativante, cabelos negros lindamente despenteados?


 


- Quarto 1515, senhor Potter.


 


- Obrigado – ele havia se virado em direção aos elevadores quando ouviu seu nome – Sim?


 


- Um senhor deixou esse pergaminho agora cedo, será que poderia entregar para a senhorita Granger? – ele assentiu, calado, e pegou o pequeno envelope. Com uma letra refinada, ele leu:


Para: Granger. De: Malfoy.


 


Enfiou o envelope no bolso e subiu.


 


Fim do flashback


 


Dentro do envelope, a mesma caligrafia. Não havia muito, mas seria o suficiente para iludi-la mais uma vez.


 


Espere por mim. Volto logo. Precisamos conversar. D. M.


 


Amassou o pergaminho e, com um floreio, fez com que o pergaminho virasse cinzas.


 


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A volta devia ser rápida, por isso preparou uma chave do portal diretamente em seu apartamento nos Estados Unidos. Seu primeiro impulso foi de quebrar tudo. Novamente. Mas ele valia isso? Não. Não valia o trabalho que ela teria. Duplo trabalho na verdade.


 


Queria livrar-se dele. De tudo que se referia a ele. Maldito jogo. Maldito desejo. Maldito Malfoy. Pegou todos seus maços de cigarro e jogou-os no lixo da cozinha.


 


O mais essencial já estava em suas malas. Juntou alguns livros, mais umas mudas de roupas e saiu para as ruas da cidade. Andou a esmo. Foi até a parte bruxa de Nova Iorque. Hospedou-se em um hotelzinho simples e desceu até o bar. Pediu um uísque de fogo.


 


Merda de uísque que pedia um cigarro.


 


Seus dedos tamborilavam rapidamente pela mesa.


 


Como podia ser tão tola, tão irracional, tão imprudente quando estava perto


dele?


 


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Inglaterra. Mansão Malfoy.


 


- Senhor Malfoy – diz um homem com aparência séria e fez uma pequena


reverência com a cabeça. Alguns fios grisalhos eram visíveis nos cabelos antes


totalmente negros do senhor Anderson. Ele secretamente culpava as loucuras


de Draco Malfoy por terem causado um envelhecimento precoce.


 


- Senhor Anderson, desculpe-me pelo horário – o advogado mexeu-se desconfortável na cadeira. Qual foi a última vez que seu cliente pedira desculpas? Nunca. Começou a olhar mais atentamente os movimentos do seu cliente mais complicado e aquele que lhe rendia um maior pagamento.


 


- Não há problemas, senhor Malfoy – sim, havia. No entanto, não falaria nada. Toda aquela cena surreal até que estava valendo a pena. – O que deseja?


 


- Quero que cuide do meu divórcio. Veja toda papelada necessária. Veja o que preciso transferir para Melanie. Quero tudo pronto até o final dessa semana. – John Anderson não conseguiu reprimir uma exclamação de surpresa. Malfoy, separar-se? Antes de aceitar trabalhar com/para Draco Malfoy, fez um minucioso estudo da família. Toda genealogia. Todo histórico. Ficara espantado com muita coisa e pensou seriamente em recusar. Não estava interessado em negócios escusos. Também notou o quanto a tradição era importante para essa família e, sem dúvida, seria o primeiro divórcio entre os Malfoy.


 


- Divórcio?


 


- Sim, algum problema? – Draco, que andava de um lado para o outro, parou de repente.  


 


- Não, não... De maneira alguma. Só... Desculpe a pergunta, senhor. Está tudo bem? – Draco respirou fundo. Estava tudo bem? Olhou para fora. Uma leve brisa batia em seu jardim.


 


- Sim, Anderson... Tudo está bem como há anos não estava. Pode cuidar disso até o final da semana? – o advogado concordou com um aceno – Também pagarei as despesas de Melanie até que ela encontre um lugar para ficar. Cuide de tudo.


 


- Sim, senhor Malfoy.


 


Draco tomou um rápido banho e trocou de roupa. Melanie estava esperando por ele à mesa, tomando café.


 


- Onde passou a noite, Draco?


 


- Melanie... – ele parou e olhou para a mulher à sua frente. – Não esta dando certo. Nunca deu. Procure um advogado. Estou entrando com o pedido de divórcio. – disse essas palavras e saiu, porém seus movimentos foram interrompidos pela voz aguda.


 


- É por causa dela, não é? Daquela mulher da festa? Eu entendi muito bem as coisas que me disse ontem, mas achei melhor ignorar. Você é um Malfoy. Não pode ter o peso de divórcio sobre seu nome. – ele riu, ironicamente. Gostosamente. Uma mistura dos dois?


 


- Melanie... Há anos que isso deixou de importar realmente e foi um erro meu achar que ainda podia esconder-me atrás desse nome que só me trouxe desgraça. Procure um hotel para ficar. Um bom hotel. Volto apenas no final do dia. Espero que até lá suas coisas não estejam mais por aqui. – virou-se abruptamente, ignorando os chamados histéricos de sua mulher. Ex-mulher.


 


Aparatou diretamente em frente ao quarto 1515 e bateu freneticamente na porta. Nada. Bateu mais uma vez. Com mais força. Será que ela estava no banho. Não. Sons de passos. Ele esperava por tudo. Menos para ver quem estava ali. Do outro lado da porta.


 


- Malfoy. Bom dia.


 


- Potter? – a raiva o consumiu e entrou rapidamente no quarto empurrando a porta com força. – Onde ela está? Granger?!


 


- Ela foi embora, Malfoy. – para Harry dizer aquelas palavras era um bálsamo. Sim, até que valia de alguma coisa a ida de Hermione. Draco que andava por todo o aposento, voltou-se rapidamente e encarou o outro com raiva.


 


- Como assim foi embora? Eu deixei um bilhete para ela! – o moreno riu com vontade e aquilo irritou Draco visivelmente.


 


- E você acha que ela acreditou naquela porcaria de bilhete que deixou? Ela leu e queimou na hora.


 


- Mentira! Granger jamais faria algo assim! – a varinha rapidamente já estava entre seus dedos e apontada para o peito do auror. Harry sustentou o olhar e disse com frieza.


 


- Não sou a Gina. Na minha cabeça você não entra, Malfoy! – Draco deu um passo para frente, ameaçadoramente, e disse:


 


- Não preciso entrar nessa cabeça de merda para saber que está mentindo e aprontou alguma, Potter. Granger é uma tola de ainda confiar em você. – dizendo isso tomou, a direção e, sem virar novamente, ouviu as palavras do moreno.


 


- Não sei o que quer tanto com ela... Nem consegue chamá-la pelo nome. – ignorando a única verdade que parecia ser dita por Potter nos últimos anos, Draco saiu batendo a porta atrás de si.


 


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Quase três meses havia se passado desde o reencontro. Hermione havia mudado de casa e não informara seus amigos o novo endereço. Alegou que devido a um trabalho do Ministério precisaria ficar incomunicável por algumas semanas ou até meses. Já no Ministério americano, ela conseguira as tão merecidas férias. Elas haviam acumulado ao longo dos anos.


 


Hermione abriu a janela do seu chalé e deixou que o sol entrasse. Respirou o ar levemente úmido pela brisa marítima que chegava até lá. Ainda era cedo, mas o sol já se anunciava forte. As palmeiras balançavam levemente causando sombras distorcidas.


 


Braços a envolveram pela cintura e Hermione deixou que sua cabeça repousasse no peito nu e alvo atrás de si. Sentiu o queixo dele apoiando-se sobre sua cabeça e um leve sorriso brotou em seus lábios.


 


- Quer ir para praia hoje, querida?


 


- Claro! Já estava cansada do frio – ela respondeu sorrindo – Só vou me trocar, James. – dizendo isso ela saiu em direção ao banheiro, deixando o ex-corvinal com seus pensamentos.


 


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Oitenta e três dias. Há 83 dias, ela reentrara em sua vida e saíra de forma súbita e misteriosa. Há 83 dias, vivia em função de procurá-la em todos os cantos. Os amigos de nada ajudaram. O endereço que conseguiu arrancar da mente de Gina, não dera em nada. No ministério americano informaram que ela tirara férias.


 


Não havia notícias.


 


Não havia nada.


 


Resolvera usar de outros subterfúgios e contratara, inclusive, um detetive trouxa há cerca de 20 dias, mas sabia que não obteria nenhum resultado. Ela havia simplesmente desaparecido. Desaparatado do mundo. Olhou para o aparelho que comprara para comunicar-se com o tal detetive. Um celular. Útil. Não conseguiu negar que, muitas vezes, os utensílios trouxas eram bem... interessantes.


 


Estava observando a lua. Nova. Respirou profundamente. Os cabelos estavam um pouco mais longos. Descuido. Foi acordado do seu devaneio pelo toque agudo e insistente do celular. Correu até a mesa, quase tropeçando na cadeira.


 


- Malfoy. – disse, bufando.


 


- Boa noite, senhor. Sei que está tarde, m-


 


- Tudo bem. Eu deixei claro que poderia ligar a qualquer horário. Alguma pista? Novidade?


 


- Bom, senhor, não é a toa que contratou o melhor detetive particular da Inglaterra. Eu encontrei quem procura. – silêncio. O corpo de Draco caiu pesadamente sobre a cadeira. Ele não conseguia falar e a voz prosseguiu do outro lado – Bom, foi muito difícil localizar essa mocinha! Ela estava realmente bem escondida! Se eu não fosse tão cético, acreditaria que ela usou até de bruxaria para esconder-se tão bem! – e riu. Draco fez um barulho com a garganta, o detetive, sem graça, retomou o assunto – Então, como eu ia falando, encontrei quem procura... Só tem uma coisa.


 


- O endereço. Agora.


 


- Senhor...


 


- O ENDEREÇO. JÁ! – calando-se, contrariado, o homem do outro lado da linha deu a informação pedida.


 


Draco fez todas as anotações rapidamente. Sua letra saiu tremida e vários borrões preenchiam o pergaminho, tamanha era a força que fazia com a pena. Logo em seguida, discou um número e falou rapidamente com a voz que surgiu do outro lado. Aparatou em seu próprio quarto e fez a mala de qualquer jeito. Xingava internamente Hermione por ter ido parar em uma praia totalmente trouxa. Ele não tinha ideia de como era o lugar, então só tinha um jeito de chegar lá: viajar de avião.


 


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Hermione estava na praia. Haviam acabado de chegar. James esforçava-se para prender o guarda-sol na areia sem o auxílio da varinha e Hermione divertia-se com a cena.


 


Um pouco mais afastado, Draco caminhava lentamente procurando Hermione com os olhos. Só acreditaria realmente na informação dada pelo detetive quando a confirmasse. Quando a encontrasse. Ainda era inacreditável que ele, um Malfoy, havia viajado de avião, hospedado-se em um chalé trouxa e agora caminhava em um local absurdamente quente a procura de uma “sangue-ruim”. Não precisou andar muito. Novamente aquela maldita sensação. Ela estava lá. Novamente com Ryland. Rindo.


 


Caminhei rapidamente até o local. Ela me notou. Parou de rir e levantou-se nervosa. O filho da puta do Ryland deve ter percebido a reação dela, pois logo ele estava olhando diretamente para mim. Cruzei o espaço que nos separava rapidamente. A raiva estampada em meus olhos.


 


- Como ousa desaparecer sem falar comigo?! – Draco disse ignorando, a presença de James.


 


- Acho melhor você ir embora, Malfoy – o outro falou, colocando-se na frente do loiro, cortando a troca de olhares que se estabelecera.


 


- Cala a boca, Ryland! – o ex-sonserino tinha raiva. Estava segurando-se o máximo possível. Há quanto tempo ele estaria com Hermione? Por que, afinal, ela estava com ele?!


 


- Não há nada para conversarmos, Malfoy! – Hermione respirou fundo. Qual o motivo de sentir seu coração batendo descompassado? Lágrimas queriam sair, mas ela lutou contra.


 


- Ela foi bastante clara. Cai fora! – ele disse, empurrando Draco. Rapidamente, o loiro sacou sua varinha e Ryland fizera o mesmo.


 


- Vocês são loucos! Estamos num local trouxa! Guardem isso imediatamente! – falou Hermione, olhando nervosamente para os lados. Os dois obedeceram sem deixar de se fitar desafiadoramente.


 


- Vamos, Granger. Temos muito que conversar.


 


- Afaste-se! – disse James, empurrando Draco, que deu alguns passos para trás.


 


- Não me empurre, Ryland. Há muito tempo que tenho vontade de socar essa sua cara! Granger. – Draco falou, encarando a morena que estava visivelmente nervosa.


 


- Malfoy, é melhor você ir embora. Não sei como me achou aqui ou do por que estar aqui, mas... é melhor ir embora. Por favor... – o por favor dela mexeu com ele. Ryland colocou-se mais ainda na frente de Hermione, bloqueando totalmente a visão de Draco, que baixou a cabeça, respirando profundamente. Fechou a mão direita com força e desferiu rapidamente um soco, que acertou a boca do ex-corvinal que, pego desprevenido e  com a força do impacto, foi  quase ao chão. Nisso, as pessoas que estavam em volta começaram a prestar atenção na discussão que ocorria ali. Hermione percebeu que começavam a chamar a atenção, mas não conseguiu impedir que seu acompanhante revidasse o soco que levou. A pele clara de Draco foi marcada pelo sangue que escorreu do seu supercílio.


 


- Chega! – disse a morena, firmemente. Sua voz soou autoritária. Os dois pararam, encarando-se furiosamente. – Draco, é melhor...


 


- Não, não é melhor eu ir embora, Granger! Quero resolver logo isso entre nós!


 


- Nós? Do que você está falando, Malfoy?! Hermione? – James estava olhando de um para outro, sem entender. Afinal, os dois juntos era um tanto quanto estranho.


 


- Sério, Granger. Não ligo a mínima de usar a varinha... – as pessoas olhavam para o trio e Hermione percebeu que chamavam a atenção. Passou a mão pelo rosto, nervosamente. Quando aquilo teria fim?


 


- James, eu e Malfoy tivemos um... um... – como nomear o que tiveram? – um relacionamento... um curto relacionamento na época de Hogwarts. Coisas de adolescentes e... – ela não sabia como continuar.


 


- E nada, Granger! Ele por acaso é seu namorado?! – Draco perguntou, falando com raiva a última palavra. Ela apenas negou com a cabeça. O loiro passou pelo ex-corvinal, empurrando, e segurou Hermione pelo pulso. Ryland tentou impedir, porém Hermione falou:


 


- James, depois conversamos. Melhor eu resolver isso. De uma vez por todas. – Draco nem esperou que o outro respondesse algo. Saiu puxando Hermione pelo pulso, que o seguiu, resignada. Foram até o chalé em que ele estava hospedado. Assim que entraram, ele bateu a porta com força e começou a andar nervosamente de um lado para o outro.


 


- Custava você ter me esperado?


 


- Ter esperado você? E por que eu faria isso, Malfoy? Acha mesmo que eu aceitaria ser sua amante? – ela falou nervosa. – Nem sei porque concordo com essas conversas! Não levam a nada!


 


- Não levam a nada porque você é uma covarde que adora fugir! – Draco declarou.


 


- Não, Malfoy, não levam a nada, pois você será o mesmo homem frio e insensível de sempre. Só atrás de sexo. – juntando força, ela começou a desabafar toda a raiva que sentia dele, dizendo as coisas mais terríveis que lhe passavam pela cabeça – Tenho pena da sua mulher! Com quantas deve ter transado enquanto ela a esperava deitada na cama na bela mansão em que devem morar!


 


- Nunca traí Melanie! – o loiro rebateu, irritado pelas acusações infundadas.


 


- Traiu comigo! – um silêncio incômodo caiu sobre o ambiente. Hermione começou a andar, enquanto Draco havia parado e observava o movimento dela. – Merda... Você a traiu comigo, Malfoy! E eu não mereço ser uma amante! Não sou assim! Não mereço... – as lágrimas que há tanto ela tentava segurar começaram a cair pela face. Aqui desarmou Draco momentaneamente. Ela sempre se mostrara tão forte quando estavam juntos. Era estranho vê-la chorar. Estranho e extremamente... doloroso. – Tudo isso é uma perda de tempo e não levará a nada, Draco. – raramente ela dizia o nome dele assim, exceto quando transavam. – Para que veio aqui? Mais uma maravilhosa noite de sexo selvagem?! De sexo sem compromisso?! Não temos 18 anos!!!


 


- Você que começou com esse jogo! – o ex-sonserino falou de repente. Ele já havia dido isso, mas estava desarmado e sem saber o que dizer diante das declarações de Hermione diante de si.


 


- Sim e você não cansa de jogar isso na minha cara, não é? Sim, eu comecei esse jogo. – Hermione começou a se aproximar dele, que encarava os olhos castanhos, e diversos pensamentos passando por sua cabeça e muitas ações querendo dominar seu corpo – Senti desejo por você. Um sonserino que passou anos me desprezando, xingando e humilhando tanto a mim quanto a meus amigos. Quis sentir teu corpo dentro do meu. Sua boca na minha. Achei que seria passageiro, mas você tornou-se necessário para mim. – estava cada vez mais próxima. O olhar de Draco preso nos olhos dela. Castanhos. Simples olhos castanhos que o hipnotizaram no seu último ano de Escola. – Só que eu cometi um erro. Um erro tolo que me persegue desde que saí da Inglaterra.


 


Estavam tão próximos que ele sentia o cheiro dela o envolvendo. A respiração dela, rápida e ofegante, batendo em seu pescoço. Ele olhava para baixo. Ela parecia tão pequena. Tão vulnerável.


 


- Hermione Granger cometendo erros? – ele disse, ironicamente, e aquelas palavras irritaram e feriram ainda mais a morena.


 


- Sim. Cometi o erro de me apaixonar por você – dizendo essas palavras, ela passou por ele e saiu do chalé. O loiro esperava ouvir qualquer coisa, menos aquelas palavras. Ficou uns segundos parado, absorvendo o que acabara de ouvir até acordar e sair atrás dela. Não poderia correr o risco dela sumir outra vez.


 


- Espere! – ele gritou da porta. - Você só falou, mas ainda não ouviu o que tenho a dizer!!!


 


- Dizer?! Para eu me calar, já que só você é capaz de me fazer gozar realmente?! – aquilo foi como um tapa na cara de Draco que, irritado, puxou novamente Hermione para dentro do chalé. Ela tentou se soltar em vão. Mesmo dentro do ambiente, ele não a soltou. Não queria, não correria o risco dela fugir mais uma vez.


 


- Às vezes você é uma tola que só vê o que quer ver. Uma teimosa! Por que não esperou por mim aquele dia? Ainda tínhamos muito o que conversar! Custava esperar?!


 


- Já falei que não nasci para ser amante, Malfoy!


 


- Teimosa! – ele disse, apertando o braço dela com um pouco mais de força. – Eu me divorciei da Melanie! – Hermione ficou sem palavras. Tinha tanta coisa para dizer. Tantas palavras para xingá-lo, mas ele conseguiu desarmá-la. – Naquele dia mesmo. Fui para minha mansão, chamei meu advogado e entrei com o pedido de divórcio.


 


- E como pretendia que eu adivinhasse? – ela continuou na defensiva – Eu acordo e você não está lá! Já havia sofrido demais...


 


- Eu deixei um bilhete. Por que ignorou as minhas palavras?! Pedi que esperasse... – Hermione bufou, contrariada. Estava cansada de mentiras.


 


- Não acredito em você. Por que deixaria um bilhete para mim?! – disse, puxando seu braço e massageando levemente o lugar.


 


- Eu deixei... Porque... Ah, Granger – ele disse, visivelmente nervoso – Sei lá!


 


- Porque não sabe viver sem meu corpo?! – ela disse com sarcasmo carregado.


 


- Merda! Não... Eu tinha 18 anos, não sabia das coisas... Não tive a mesma vida que você ou Weasley ou até mesmo o Potter... Achava mesmo que era só seu corpo, mas... caralho! – ele andava de um lado para outro – Eu nunca consegui te esquecer, Gran-Hermione... – ela encarou os olhos cinzentos que tanto a perseguiram em noites de insônia e bebedeira. – Tentei tocar minha vida, sendo aquilo que esperavam de mim, por isso casei-me com Melanie. Só não digo que foi a maior cagada que fiz, por que a maior foi deixar você sumir da minha por tantos anos.


 


Seu coação batia descompassado. Ela queria tanto acreditar.


 


- Não me iluda, Draco... Você não estava lá no dia seguinte!


 


- Eu escrevi um bilhete! Deixei na recepção do hotel! – ele afirmou – Não estou mentindo! Juro! – ele a segurou pelos dois braços falando com convicção. Ela queria tanto acreditar, mas era muito difícil. E ele falou algo que nunca um Malfoy antes dele falou para uma nascida trouxa – Você precisa acreditar em mim, por favor...


 


- Draco... eu passei pela recepção e não recebi bilhete nenhum... – a cabeça de Draco trabalhava fervorosamente. Ele havia escrito o bilhete. Deixado na recepção com o aviso. Mais tarde foi até o quarto dela, que havia sumido, e encontrou apenas...


 


- Potter!


 


- Quê?! – Hermione perguntou confusa – Harry? O que tem o Harry???


 


- Sabe onde ele mora? Já foi lá???


 


- Já, mas o que tem Harry a ver com tudo isso? – a morena tornou a perguntar, confusa.


 


- Pegue sua varinha e nos aparate para lá agora – Hermione pensou em contestar: suas coisas estavam lá, havia o James, o fuso horário... talvez fosse noite na Inglaterra. Porém, havia urgência na voz e no olhar de Draco. E, acima de tudo, era impressão sua ou ele estava tentando se declarar para ela??? Relutante, retirou a varinha que estava presa à sua saia, segurou na mão de Draco e aparataram.


 


Harry havia acabado de chegar do Ministério e preparava qualquer coisa para comer. Estava preocupado por não ter notícias de Hermione, mas também aliviado por saber que ela ficaria bem longe de um certo loiro que sempre o irritara profundamente. Estava cortando cebola quando ouviu um barulho de aparatação na sala. Poucas pessoas tinham permissão para aparatar lá. Foi para lá com a varinha empunhada. Não pode conter a surpresa quando viu seus convidados. Hermione usando uma roupa que não tinha nada a ver com clima inglês e... Draco Malfoy.


 


- Mione? E... Por que está aqui, Malfoy?! – Draco avançou pela sala, apontando a varinha para o rosto de Harry, que logo levantou a sua, numa clara posição de ataque.


 


- O bilhete, Potter! O que fez com o bilhete que escrevi para Hermione.


 


- Bilhete? Que bilhete?! – Harry perguntou, encarando Draco com a expressão inocente.


 


- Draco, por que Harry saberia do bilhete???


 


- Você disse que ela havia lido o bilhete, Potter... Isso! Estou lembrando! Você falou exatamente essas palavras: E você acha que ela acreditou naquela porcaria de bilhete que deixou? Ela leu e queimou na hora. – Harry olhou para Hermione, totalmente sem graça.


 


- Harry, por que diria algo desse tipo se nunca li bilhete ou recebi bilhete nenhum? – então, ela começou entender. Juntando as peças. Escutou a voz de Draco.


 


- Você que pegou o bilhete, não foi, Potter? – mas Harry ignorava totalmente Draco e tinha olhos apenas para Hermione. A decepção era legível nos olhos dela.


 


- Entenda, Mione... Você sofreria. São palavras de um Malfoy. Não eram verdadeiras.


 


- Então, havia um... bilhete. O que dizia, Harry? – Hermione perguntou com a voz fraca. Quantas coisas seriam diferentes se ela tivesse lido aquele bilhete. Draco encarava o moreno à sua frente com umas das sobrancelhas erguidas como se o desafiasse a não responder. – Harry?


 


Contrariado, ele respondeu:


 


- Pedia para você espera-lo. Algo do tipo. Não lembro muito bem. – havia um tom desdenhoso que não passou despercebido por nenhum dos outros dois. Começou a desculpar-se antes mesmo de ouvir o que Hermione tinha a dizer.


 


- Você não merece um cara como ele – havia desprezo na última palavra.


 


- Quem decide isso não é você, Potter! E, além do mais, quem Hermione merece?! Uma pessoa como você?! – a morena, querendo evitar a discussão que sabia que se iniciaria, manifestou-se.


 


- Você não tinha o direito, Harry...


 


- Esc-


 


- Não – ela cortou o que ele diria – Não quero ouvir nenhuma explicação sua agora. Eu,... eu preciso ir... – pela primeira vez, desde que chegou lá, Draco deixou de encarar Harry e voltou-se para Hermione.


 


- Nossa conversa ainda não terminou. – e dessa vez, ele que aparatou conduzindo Hermione antes que ela pudesse reagir de alguma forma.


 


- Onde estamos? – ela perguntou, observando uma sala ampla e lindamente decorada.


 


- Na minha casa. – Draco foi diretamente para o bar que havia em um canto da sala e serviu dois copos com uísque. Hermione pensou em não aceitar, afinal, havia acabado de tomar café da manhã. Porém, acabou pegando o copo e ficou observando as pedras de gelo.


 


- Sabe... – Draco começou sem saber como começar.


 


- Desculpe por não ter acredito em você... Ainda... Sei lá, não consigo entender essa do Harry não mostrar seu bilhete...


 


- Hermione... por que tudo se tornou tão complicado? – Draco perguntou, parando de frente para ela, que parou de admirar as pedras de gelo e encarou o cinza à sua frente.


 


- Porque somos Hermione Granger e Draco Malfoy.


 


Ele riu e ela observou o sorriso dele. Também sorriu. Quando sorriam assim? Draco sabia a resposta. Nunca se permitiam isso. Conversas e risos sem ironias ou sarcasmos. O loiro passou, com calma, a mão pelo rosto dela. O polegar parou e depois contornou os lábios de Hermione. Ela fechou os olhos. O sorriso se desfez e ela entreabriu a boca. Draco estremeceu ao sentir a língua em contato com seu dedo. Aproximou-se do seu objetivo. Beijou o canto da boca, o queixo, foi descendo os lábios e passando levemente a língua pelo pescoço dela. Nem o barulho do copo quebrando fez com que os dois se afastassem. As mãos dela envolveram o corpo dele. O toque era delicado, mas Draco sabia o que aquelas mãos eram capazes de fazer e não conteve um estremecimento. Chegou bem perto do ouvido dela e sussurrou. Voz rouca. Sedutora. O maldito jeito Malfoy de falar.


 


- Não fuja mais. Fique.


 


- Por quê? – a voz dela tremia.


 


- Por que não sei viver sem seu corpo,... sem sua presença, seu cheiro, seu gosto... Eu me apaixonei por você, Hermione. – as últimas palavras foram ditas olhando atentamente nos olhos castanhos.


 


Hermione sorriu mais uma vez.


 


- Draco... – ele rapidamente beijou os lábios dela. Com urgência. O gosto que tanto ansiava e precisava. Eles foram em direção ao sofá, mas Hermione interrompeu:


 


- Acho que o sofá é pequeno demais para nós, Draco. – ele riu, lembrando da primeira vez que fizeram amor.


 


- O quarto está longe demais... – ele pegou-a no colo. O corpo dela estava frio. Afinal, usava apenas uma saia de praia, com uma blusinha regata e, por baixo, um biquíni. – Você está... linda e deliciosa. – ele disse, distribuindo beijos por todo o rosto e pescoço da morena. Draco andava com Hermione em seu colo. Ela com as pernas envolvendo sua cintura. Um pensamento nada agradável surgiu na mente do loiro – Você está namorando o Ryland? Por que estava naquele lugar com ele?


 


- Podemos conversar sobre isso depois...


 


- Agora – o tom de voz frio e autoritário.


 


- Estava apenas ficando com ele para tentar te esquecer. Errado, eu sei. Apenas quis seguir com minha vida...


 


- Vocês... sabe? – ela disfarçou o riso, afundando o rosto no pescoço dele.


 


- Não, Draco. Estávamos, inclusive, em chalés separados. – um alívio percorreu o corpo dele. Continuou a beijá-la. Parou quando a colocou sentada sobre a mesa da sala do jantar. Os beijos dele desciam pelo pescoço, ombro. Puxou a blusa dela por cima da cabeça. Viu o corpo que tanto adorava modelado por um singelo biquíni azul escuro.


 


- Linda... – ele desfez o nó do biquíni atrás das costas e depois na nuca. A marca dos dias que ela tomou sol era para, Draco, uma visão para se admirar. Registrou mentalmente que deveria levar Hermione mais vezes à praia. Suas mãos tocaram suavemente os seios de Hermione. Ela gemeu audivelmente. Aproximou ainda mais a cintura dele, puxando-o com as pernas que o envolviam.


 


- Senti sua falta. – abriu a blusa dele estourando os botões. Ele também sentira falta disso. As bocas encontraram-se em um ávido beijo. Enquanto isso, Draco ia tirando os sapatos com os próprios pés. As mãos dele percorriam as coxas e pernas de Hermione. Arrancou a sandália que ela usava.


 


A morena afastou-se o suficiente para abaixar a calça que ele usava. Depois, puxou-o pelas nádegas e aquilo o excitou ainda mais. Hermione levantou seu quadril e rapidamente sua saia juntamente com a parte de baixo do biquíni foi retirada.


 


Mais gemidos. Suspiros. Draco colocou-se dentro dela. Mordidas. Chupadas. Beijos. Línguas. Gozo.


 


Sem retirar-se de Hermione, Draco voltou a envolvê-la e subiu as escadas para o dormitório. Beijos incansáveis.


 


Deitou na cama e deixou que ela viesse sobre si. Hermione sentia que ele voltara a ficar excitado.


 


Mais uma noite de amor. Troca de salivas e suores. Êxtase.


 


Faziam amor sem perceber que eram iluminados pela Lua. Cheia.


 


Amanheceu. Hermione virou-se na cama procurando um corpo.


 


Encontrou-o e logo Draco se aproximou, colando o seu corpo ao dela. Passou a mão pela cintura e entrelaçou com a dela.


 


Naquele dia, Hermione não fugiu. Tampouco Draco se levantou.


 


Os dois sorriram. Eles não puderam ver o sorriso um do outro porque estavam de olhos fechados, mas pela primeira vez, isso não importava. Ainda se desejavam. Ainda se amavam.


 


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N.A.: Fic chegando ao fim.... depois farei os agradecimentos! Senão demoraria ainda mais para postar esse último cap!

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Comentários: 9

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Enviado por RiemiSam em 07/04/2013

Instigante, sexy e provocativo. Em suma PERFEITO!

Nota: 5

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Enviado por juliana vieira em 13/09/2012

amei a fic, lindo os dois.

e o harry deveria ter sido socado mais vezes,kkk

Nota: 5

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Enviado por Carolm2k em 27/07/2012

Adorei a fic. Simplesmente perfeita. Parabéns!

Nota: 5

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Enviado por Nikki W. Malfoy em 22/03/2012

ah...
Amei a fic, oi mt fofa e picante e tudo
foi mt boa, adorei lê-la.
parabéns pra ti.   

Nota: 5

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Enviado por Minerva Lestrange em 20/01/2012

Adorei a fic... Principalmente a Hermione sedutora e o Harry tirando a máscara de herói (adoro quando isso acontece)***

Nota: 5

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Enviado por Ayala em 07/01/2012

AMEEEEEI. FIC LINDA. 

Gostei especialmente da Hermione nesta fanfic, é alguém disposto a começar e não apenas a ser seduzida por Draco Malfoy, como acontece na maioria dos Dramione. 

O Harry é um bocado passado, mas acho que não deveria ter sido o primeiro de Hermione. Acho que ficaria melhor com Ron.

Mas a fic está muito muito muito boa. Muitos Parabéns. 

Nota: 1

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Enviado por Ariane Granger Malfoy em 06/12/2011

perfeitaaaaaaaaa.....parabéns ameeei

Nota: 5

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Enviado por HeloiseMalfoy em 29/09/2011

Amei Amei *--*

Nota: 5

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Enviado por Mohrod em 26/04/2011

sem comentarios.. AMEI! *-*

Nota: 5

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