CAPITULO 74
Pés sobre pés
Harry deixou a capa sobre o sofá da imensa sala, e olhou em volta a procura de Gina. A casa parecia mais vazia as altas horas da noite, escura, e silenciosa. No lugar de seu sorriso e de seus olhos brilhantes por vê-lo a única coisa a saldá-lo era Dobby.
-Meu senhor fez uma boa viagem? -ele perguntou, em seu tom respeitoso que não mudava por mais que Harry pedisse que o chamasse pelo nome.
-Sim, foi uma viagem muito proveitosa – ele dobrou as mangas da camisa, ainda pensativo – E Ginervra? Ela já foi?
-A senhora dormiu aqui ontem à noite, e pela manhã saiu. Dobby não sabe para onde foi – ele disse apanhando sua capa e olhando-o por baixo das pálpebras, num gesto que desafiava Harry a saber se mentia ou não.
-Ela deve ter voltado para seu apartamento. Diga-me, ela recebeu meu recado avisando que demoraria um dia além do previsto?
-Sim, senhor, Dobby entregou pessoalmente!
-Certo, Dobby. Vá dormir, esta tarde. Sempre que eu demorar, Dobby não precisa me esperar acordado. Eu já disse isso, não disso? –ele sorriu de leve.
-Oh, sim, já disse. Mas Dobby prefere ver se o senhor não precisa de algo antes de se recolher, senhor. –ele disse imediatamente.
-Está bem, Dobby – ele concordou resignado. Os anos se passaram para Dobby mas sua lealdade continuava intacta. – Vou me deitar. Boa noite.
-Boa noite, Harry Potter.
Maneando a cabeça, Harry subiu as escadas que levavam ao segundo andar, sentindo no ar o cheiro de tinta nova. A casa era a mesma que seu pai idealizara para sua mãe quando se casaram, mas a estrutura havia sofrido algumas alterações e era mais moderna e arrojada, para se adaptar ao gosto de Gina.
Decepcionado em ver que ela não se decidira por viver com ele, entrou no quarto, e fechou a porta.
Acreditara sinceramente que quando voltasse de sua curta viagem, eles seriam uma família. Uma família de verdade, e que Felicity pudesse crescer chamando-o de pai e não de tio. Que oferecessem a ela uma vida estável, com a certeza que sua mãe estaria acompanhada por um grande amor por toda sua vida. E agora, ele seria apenas o tio Harry.
Dissera a ela que aceitaria essa vida, tudo para não perde-la, mas no fundo precisaria sufocar um grande numero de sentimentos para conviver com essa rejeição.
Tentando dizer a si mesmo, e se convencer, que para Gina passaram-se dez anos de magoas e tristezas, de vivencias e experiências, enquanto para ele era tudo muito novo, ele levantou, decidido a tomar um banho, e se acalmar.
Pensar em outra coisa, e tentar entende-la.
Harry tirou os sapatos e a camisa, e soltou o cinto, deixando a calça quase aberta. As meias desapareceram de seus pés com um floreio da varinha, pois estava sem animo para se abaixar e tira-las. Que tolice, pensou, olhando para os próprios pés desalentado.
-Tem dedos lindos.
Ele se virou assustado para a voz nas suas costas e ficou um segundo sem entender porque ela estava ali. Gina olhava para ele sorrindo.
-Pedi a Dobby não dizer que estava aqui – ela esclareceu, se aproximando, uma vez que ele estava sem palavras – Eu tomei minha decisão, Harry. Fely está no seu quarto, e suas coisas também. Eu...trouxe minhas malas mais cedo. Não quis trazer nada do apartamento além das roupas...Harry? Está me ouvindo?
Não, ele não estava. E como poderia? Diante da linda mulher, vestida com apenas uma camisola fina, muito branca, de rendas e seda, que mal lhe caia até os pezinhos calçados em um sapato de mulher, algum tipo de sapato que não sabia o nome, mas que tinha um pompom na ponta, como uma pluma, ou algo assim. Sabia apenas que era a coisa mais sexy que já vira na vida. Assim como seus longos cabelos ruivos caídos sobre os ombros, e seus lábios separados, úmidos de gloss ou qualquer outro nome que se desse a esse tipo de maquiagem.
-Eu ouvi -ele mentiu – Não, não ouvi – ele sorriu corando um pouco – Gina, eu...não sei o que te dizer.
-Não tem que dizer nada, na verdade, sou eu quem tem que falar. – ela aproximou-se até ficar de frente a ele a poucos centímetros.
Os dois engoliram em seco a proximidade, mas não se tocaram, apenas olhos nos olhos. Respirando o mesmo ar.
-Ficar longe esses dois dias me fez pensar em tudo que desejo para minha vida, e sabe o que descobri? Que não desejo mais nada. Eu tenho tudo. Tenho Fely, tenho minha família, tenho você. Não vou deixar meus medos te afastarem de mim, Harry. Não mesmo! – tentou sorrir, mas não pode, pois estava emocionada demais – quero ser sua mulher, e quero que seja o pai da minha filha. Eu sempre quis...desde a primeira vez que te vi, eu quis que fosse meu marido e pai dos meus filhos! E se isso é possível agora, só posso me agarrar a isso com unhas e dentes! Você me aceita? Como sua mulher?
-Gina, é tudo que mais desejo na vida. Te ter como minha mulher – ele acariciou seu ombro e ela estremeceu. – Em meu coração, Felicity é minha filha. Nunca duvide disso.
-Não vou duvidar – ela disse frágil como nunca se sentira na vida – Harry...eu vou dormir com você todas as noites da minha vida...até ficarmos bem velhinhos.. o que acha disso?
-Acho um bom plano esse – ele concordou acariciando sua pele, com ternura, mas insistência. Não queria forçar nada, mas a tentação era grande e o atraia cada vez mais.
-Pedi uma poção a madame Albertina – ela disse mais baixo, a voz mais rouca – para acelerar a cura das seqüelas do parto... – deixou no ar, mordendo o lábio a espera que ele entendesse.
-Você...está bem? -ele perguntou não querendo ser muito direto e a viu abrir seu lindo sorriso maroto.
-Estou. Felicity está dormindo, e só deve acordar no meio da noite. Estou saudável, curada, e...ansiosa. – soltou o ar preso, tentando não parecer muito oferecida.
-Está ansiosa? -ele perguntou malicioso. – é bom saber!
-Harry! – ela protestou – Senti tanta saudade da nossa intimidade. Tanta vontade de tê-lo pelo menos mais uma vez...nunca vai saber como foi suportar a sua falta...
-Shiii -ele colocou um dedos, gentilmente, sobre seus lábios enquanto enlaçava sua cintura com o braço esquerdo – Nada de tristezas, Gina. Nada de passado. Somos só nós dois aqui. Vamos deixar o mundo lá fora, essa noite.
-Sim, vamos fazer isso... – ela concordou hipnotizada por seu olhar verde.
Harry pensou em beijá-la, pensou em prensá-la contra a parede, como faziam em seus amassos em Hogwarts, e pensou em varias outras formas, mas a única que lhe pareceu realmente certa, foi pega-la no colo, e levá-la para a cama, como uma boneca de porcelana.
Como uma doce noiva, em sua lua de mel.
-Harry... – ela sussurrou aquecida por sua ternura, quando foi colocada no meio da cama, sobre os lençóis macios – Eu te amo tanto...
-Diga novamente –ele pediu, cobrindo seu corpo com o dele – Diga novamente...
-Eu te amo – ela disse sorrindo, segurando seu rosto, para um beijo – Eu te amo, sempre amei...e vou morrer amando.
Harry olhou em seus olhos, perdido nessa verdade, e a beijou. Um beijo para dar inicio a concretização de um sonho que parecia finalmente se realizar...
AUTORA: P.S: Vai continuar daqui, eu não seria tão má a ponto de parar justo agora...hehe....