Cap. 23 - Desgraça Pouca é Bobagem
1º de Setembro de 1977
Foram para Kings Cross com os Potter, desta vez. Encontrando Lupin já na plataforma. Ninguém mais se espantava em ver três sonserinos e quatro grifinórios andando juntos. Talvez os primeiranistas estranhassem ao ouvir histórias de rivalidade entre as casas, e saber dos sete amigos "rivais".
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Primeira aula de DCAT do ano e, pra variar, um professor novo, ou melhor professora. Mas nem tão nova assim, ela já dera aula para a maioria daquela turma, no primeiro ano.
A sala estava uma bagunça. Todos falando ao mesmo tempo. A porta se abriu e a sala silenciou. A professora, séria, entrou e fechou a porta. Olhou em volta, estranhando a pose do esqueleto de dragão que descia do teto (sentado, como um cachorrinho, o osso do próprio fêmur na boca), mas desistiu de perguntar. O diretor a havia avisado que os setimanistas desta turma eram os mesmo de seis anos atrás. Depositou seus pertences sobre a mesa e deu início à aula.
- Bom dia, classe. A maioria daqui já me conhece, meu nome é Elizabeth Shawn e serei sua professora de Defesa Contras as Artes das Trevas por este ano.
- Bom dia, Professora Shawn.
A professora sorriu, sentando na mesa em um pulo.
- Ótimo, vejo que estão animados. - ela começou a brincar com a varinha entre os dedos. - Sei o que vocês esperam de uma aula de Defesa Contra as Artes das Trevas, especialmente no último ano, mas hoje quero que pensem. - os alunos se olharam
- Como sempre... - muitos comentaram, desanimados.
- Sim, como sempre. - ela sorriu. - Será algo muito simples. - ela passou os olhos pela sala, reconhecendo alguns dos quais o diretor lhe falara, o casal da Grifinória, Evans e Potter; o casal da Sonserina, Snape e a aluna nova, Dellacourt; os amigos em comum de ambos casais, de ambas as casas, os irmãos Black e Lupin. - A aula será baseada num conteúdo já estudado e, como eu disse, ela é muito simples. O que vocês terão que fazer é que, talvez, seja um pouco complicado para alguns. Vocês deverão explorar o que já aprenderam sobre tal conteúdo, sendo este de livre escolha, como em uma tese. Vocês terão... - ela olhou para o relógio. - Vinte minutos, a partir... E não... - ela falou quando alguns alunos começaram a conversar. - Não será em duplas. Por favor, vocês já estão no sétimo ano, conseguem pensar sozinhos! É completamente individual e devem entregar o pergaminho ao final da aula. Preparados? Podem começar.
E a professora os observou puxarem seus pergaminhos mais para perto, molharem as penas nos tinteiros e começarem a escrever. Menos a ruiva e o rapaz ao seu lado, seu noivo, de acordo com Dumbledore. Prendeu seu olhar na garota por um momento. Ela olhava fixamente para a lousa vazia e parecia pensar. De vez em quando fazia uma careta. Olhando melhor, ela fazia uma careta e mexia um braço. Estaria a aluna bem? Pousou o olhar na dupla da garota e riu, silenciosamente, ao descobrir o motivo. O rapaz a cutucava de vez em quando. E levava uma cotovelada, de tempos em tempos.
Pigarreou, o que pareceu chamar a atenção dos dois, e olhou para o rapaz, seriamente. Ele sentou-se direito e puxou o pergaminho para mais perto, com um ar de riso. A professora revirou os olhos. Ali tinha coisa. Voltou seus olhos para a ruiva, e ela sorria. Desviou o olhar, passando-o distraidamente pela classe. Nada fora do comum: alguns alunos quebrando a cabeça, outros já no final do pergaminho, uns dois ou três desenhando, alguns pergaminhos totalmente em branco. Um coçava a ponta o queixo com a pena. Uma garota murmurava qualquer coisa para a pena de repetição rápida. Vários pergaminhos com pouquíssimas linhas, outros pela metade. Não queria nem ver quando tivesse que corrigir.
- Descansem as penas, o tempo acabou. Não quero saber de ninguém escrevendo nada que não seja o final de uma frase ou o nome. Pronto.
Os alunos pararam de escrever. Outros continuaram, como se não houvessem escutado a professora. Com um aceno da varinha, ela fez com as penas dos alunos resistentes levitassem sobre as cabeças dos donos.
A balbúrdia que havia no começo da aula voltou, com força total. Os pergaminhos foram depositados na mesa da professora. Lily, Florence e os outros ficaram esperando Potter e Black, ambos não haviam terminado seu dever e tentavam convencer a professora. Inutilmente.
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E os meses passavam rapidamente. Logo o frio se intensificava, lembrando-os que o natal logo chegaria.
E finalmente chegou. Dia de banquete. Dia de ir pra casa. Voltar só dentro de duas semanas.
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1 dia antes do natal.
Snape saíra antes das 5 da tarde e até agora, 8 da noite, não retornara. Recebera uma carta, há mais de semanas, e dissera que tinha que ir à Hogsmead se encontrar com uns amigos. Florence replicara, desconfiada, argumentando que era lá que Rosmerta morava, e resolvera que esperaria por ele no Madame Pudifoot.
Mas ela já jantara, já comera duas sobremesas e tomara três chás e Snape nem dera sinais de vida. Largou 2 galeões sobre a mesa, levantou, pegou seu casaco e saiu. Desceu até o Três Vassouras.
Ela entrou e sentou numa das mesas ao canto.
Rosmerta não estava ali, um homem atendia no balcão, mas ele apenas a olhou com um ar interrogativo e lhe fez um sinal, querendo saber se ela queria um a bebida. Florence fez que não com um movimento de cabeça.
O bar estava quase vazio, apenas dois aurores, vestidos ainda com suas capas e identificação, bebiam numa mesa próximos ao bar.
Logo um outro grupo de homens entrou, todos de preto. Florence se arrepiou, já vira pessoas andando com aquelas capas, e aqueles cabelos extremamente loiros e lisos só podiam ser de uma pessoa.
"O filho de Abraxas Malfoy, Lucius."
Mas um certo caminhar dentre aqueles ela reconheceu. Seu coração parou. O andar firme e decidido... aquela capa esvoaçando... a altivez ao sacar a varinha de dentro do sobretudo... aquela voz dizendo Avada Kedavra. E os aurores estavam caídos no chão.
- Parabéns, Snape. – disse Malfoy.
- Passou no teste. – disse outro.
- Nos veremos em breve para sua cerimônia de iniciação. – completou Malfoy.
Ela pôde ouví-los falando e rindo enquanto saíam.
Quando viu a porta se fechar, Florence voltou a sentar na cadeira. Snape permaneceu ali no bar.
- Um firewhisky. – pediu ele e o barman atendeu prontamente.
Snape virou o copo de uma só vez.
Florence se pegou perguntando quantas vezes ele já havia saído para beber com quem quer que fosse.
- Eu vou embora daqui. – disse Florence, se levantando, a voz alta, mas um tanto embargada.
Snape sentiu o sangue gelar.
"Florence?"
Ele a viu indo em direção à porta e levantou-se, rapidamente, a agarrando pelo pulso, a varinha apontada pra ela. Florence o encarou, desdenhosa.
- Fique e beba comigo. - ordenou ele numa voz letal, que ela não reconhecia.
- Nunca.
- Estou te convidando... não seja deselegante. – rosnou ele.
- Estou pouco me lixando. - ela cuspiu nele.
Snape forçou mais sua mão ao redor do pulso dela, arrastando-a até o balcão do bar.
- O que você bebe? - ele rosnou, puxando-a para perto de seu rosto.
- Agora? - ela o encarou, ódio e lágrimas nos olhos. - Veneno.
E Snape a soltou, ficando parado enquanto a via sair do bar. Apenas uma afirmação em mente:
"Eu a perdi."
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Florence foi direto para sua casa ali no vilarejo. Entrando, sem pensar duas vezes, na lareira.
- Casa de Eileen Snape, Rua da Fiação.
Não importava se eram 2hs, precisava falar com sua madrinha.
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Saiu da lareira e correu escada acima, entrando no quarto de Eileen, que ainda estava cordada, lendo, deitada na cama.
- Florence... mas o quê houve?
E ela se atirou nos braços da madrinha... aos prantos.
- Ele escolheu madrinha. Severus virou um deles!
- Do quê você está falando, meu amor?
- Eu vi! Ele matou uns aurores, para passar numa espécie de teste. Ninguém me contou, eu vi! - ela soluçava. - E, pelo jeito, isso já estava combinado há muito tempo... ele tinha recebido uma carta que não me deixou ler... há quase um ano atrás, antes do aniversário dele... como eu pude não perceber!?
Eileen abraçou a afilhada, sem saber o que fazer.
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Quando Snape entrou em casa, as duas malas de Florence já estavam perto da lareira. Ela descia as escadas, acompanhada de sua mãe.
- Tchau, querida. – despediu-se Eileen.
- Vá sempre me visitar, madrinha.
- Com certeza, querida.
E, sem olhar pra Snape, Florence entrou nas chamas.