Capítulo Onze:
Capítulo Onze:
Narrado por Jorge Weasley
- O que está havendo aqui?! - uma voz estranhamente conhecida soou pelo corredor escuro e por um momento paralisei. Se não fosse uma coisa tão séria, eu teria rido. Pense comigo: eu paralisei beijando Angelina. Minha língua ficou, tipo, uma língua morta. Foco, Jorge.
Mas tenho que admitir que quando escutei alguém, eu me assustei. E a estudante prensada na parede também pulou de susto. Com certeza eu teria rido. Mas enfim, achei que era melhor eu me soltar de Angie. O que me deixou nervoso. Como assim nós éramos interrompidos logo agora?
Me afastei de Angelina e me postei do outro lado do corredor.
- Eu fiz uma pergunta. - rugiu a professora McGonnagal, com a ponta da varinha acesa apontando para nós dois.
Angie e eu trocamos um olhar assustado. Ela estava corada, meio descabelada, os lábios estavam inchados e vermelhos, e ela ainda estava ofegante. Linda, como sempre. A garota desviou os olhos para McGonnagal e gaguejou:
- Bem... n-nós só... hum... a-a gen-gente só e-estava...
- Poupe-me de seus embaraços, Srta. Johnson. - interrompeu Minerva. Se eu estivesse com a razão, o que estava longe de acontecer, eu teria dito: "Hei, minha senhora, se não queria saber, então porque perguntou?". - Os senhores estão em detenção?
Qual era a dela?
- Olha só... - comecei, mas fui interrompido.
- Responda 'sim' ou 'não'. - ordenou a professora. - Estão em detenção? - ela repetiu a pergunta.
- Não. - respondemos eu e Angie juntos.
- Estão aqui à mando de algum professor?
- Não.
- Há algum tipo de emergência que os fizeram deixar seus quartos?
- Não.
- Ótimo. - aprovou. - Nada dá o direito de um aluno andar pelos corredores à noite, muito menos se for para resolver assuntos que envolvam carícias. - repreendeu. Carícias? Eu mereço. - Não admito que alunos da Grifinória se rebaixem a tal nível. Ambos os dois receberão detenções e cinqüenta pontos serão retirados. Espero que isso não se repita. Agora voltem aos seus dormitórios em silêncio. - ordenou. - Não quero ninguém causando problemas.
- Desculpe. - disse Angelina, antes de se retirar.
Segui logo atrás dela, mantendo uma distância segura. Nós dois sabíamos que Minerva estava vigiando. Não faríamos nada que nos comprometesse.
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Narrado por Angelina Johnson
Eu tinha uma boa idéia sobre o que era sentir aquilo que muitas pessoas diziam sentir: amar. Isso por que eu tinha quase certeza de que eu amava duas pessoas de uma vez. Por que isso tinha que acontecer comigo? Por que eu tinha que me apaixonar por dois gêmeos ruivos?
Resposta? Eu não tinha, ou simplesmente não encontrava algo coerente para isso. Ou talvez não queira encontrar.
Sentir-se apaixonado por alguém era sempre uma sensação única e boa, sendo o amor correspondido ou não. Imagine quando se ama duas pessoas de uma vez? São sensações em dobro. Meu Merlin! Como isso foi acontecer? Quando foi que eu perdi meu controle emocional? Se é que havia algum.
Sentia-me patética, sentada em um corredor da escola, às sete horas da noite, ainda de uniforme, reclamando comigo mesma sobre minhas fraquezas momentâneas. Dois de uma vez. Meditei sobre se era isso que a Sra. Weasley pensara ao saber que teria gêmeos. Perguntei-me se ela havia pensado que a melhor amiga deles fosse se apaixonar por ambos. Ela teria mudado de idéia ao decidir pari-los? Eu duvidava de uma resposta afirmativa.
Podia relacionar minha situação com a de Hermione. Apaixonada pelo melhor amigo. Quem me dera pudesse ter a sorte de dizer que estava apaixonada por apenas um deles. Ela podia dizer isso. Eu não. Por um momento senti uma pontada de inveja das pessoas que tem o poder da escolha, sem se arrepender dela mais tarde. Eu sabia que se escolhesse Fred, me arrependeria por não ter escolhido Jorge. E vice-versa.
E desde quando eu tinha poder de escolha entre eles. Não fazia idéia se gostavam de mim como eu gostava deles. Não me passou despercebido que eu sempre usava o plural para me referir às coisas inquietantes que eu sentia pelos meus ruivos.
Sim, por que eu queria que ambos gostassem de mim.
Meus olhos se encheram de lágrimas. Deixei que caíssem. Foi por isso que decidi que queria ficar sozinha, pois sabia que minhas lágrimas transbordariam a qualquer momento. Eu queria estar sozinha para recebê-las. Os gêmeos não precisavam saber sobre as coisas que eu perdia: a calma, o controle, a lucidez. Não precisavam saber de minhas situações isentas de possibilidades, mas carregadas de lágrimas com significados nada aparentes.
- Merlin! – exclamei. Nunca havia acreditado realmente nele. Para mim, ‘Merlin’ era apenas uma expressão que se usava quando se queria ajuda, ou por simples frustração.
- Merlin não costuma descer em terra para aparar os mal amados. – escutei uma voz masculina estranhamente familiar soar no corredor em que eu estava.
Não! Por favor! Qualquer dia, menos hoje! Eu implorei mentalmente para que fosse apenas minha imaginação. Mas os passos vindo em minha direção se mostraram mais reais do que eu gostaria.
Levantei meus olhos e me deparei com a visão que antes teria me causado felicidade, mas que agora me causava culpa relacionada a Fred. Não podia acreditar que beijara o irmão dele, sem querer. Mas no fundo eu ainda me perguntava se eu realmente não queria. Talvez eu soubesse que era Jorge deitado naquele sofá.
- O que esta fazendo aqui? – perguntei ríspida.
- Oi, prazer em vê-la também, e, sim, eu gostaria de me sentar muito obrigado. – ele se sentou ao meu lado no chão do corredor.
Levantei-me de imediato.
- Eu já estava saindo. – eu disse, me virando.
- Escute, eu não estava seguindo você. – ele disse atrás de mim. – Fiquei preocupado quando vi você sair correndo e pensei que talvez pudesse ajudar.
Por algum motivo, eu parei. Queria andar, queria dizer que estava tudo bem e que eu voltaria para o dormitório, mas eu estaria mentindo. Por um outro motivo aquela cena me parecia terrivelmente familiar.
- Me preocupo por você. – ele continuou. Pude ouvir que se levantava e andava na minha direção. – Não gosto de ver você triste.
Como ele conseguia ser tão adorável? Eu pensava a mesma coisa de Fred.
Vamos, Angelina, caia fora deste lugar. Vá para o seu dormitório e chore o que tiver engasgado dentro de você, mas não na frente do Jorge. Minhas pernas não andavam. Não saiam do lugar.
Senti a mão dele segurando meu ombro.
Afastei-me. Contra a minha vontade, mas eu me afastei dele. Não tinha o menor direito de querer ficar perto dele. Eu não queria ficar perto dele. Queria. Sabia que queria, mas eu não ficaria. Por Fred. Por Jorge. E principalmente por mim.
Não tive tempo de tomar uma atitude, pois ele me virou para que eu o olhasse. Eu não queria olhá-lo. Seu olhar queimava minha pele. Uma pesada culpa se abatia sobre mim todas as vezes que eu sentia seu olhar. Malditos sejam esses ruivos!
- Vamos, olhe para mim. – pediu. Como não fiz o que ele disse, Jorge levantou meu rosto para que eu o olhasse. E eu o fiz, mesmo não querendo. – O que foi?
Perguntei-me a mesma coisa pela milésima vez.
- Venho me perguntando isso desde o começo deste ano. – murmurei. Senti as lágrimas começarem a se formar em meus olhos, mas não as deixei sair.
Jorge não disse nada. Continuou apenas a me encarar com os olhos azuis impassíveis. Aqueles olhos estavam carregados de uma coisa chamada afeição. Uma coisa que compartilhávamos com muita freqüência, mas que havia se tornado perigosa, despertando novos sentimentos que não eram para estar ali.
Eu sabia que estava sendo mesquinha. Sabia que me afastar deles os estava machucando. Assim como me machucava. Eu estava me afastando para não correr o risco de me aproximar ainda mais, sabendo que não hesitaria em fazê-lo. Mas quando isso começava a feri-los, era hora de parar.
- Desculpe. – pedi, não sabendo exatamente pelo que me desculpava. Se pelo beijo que eu dera nele, ou se por ter me afastado tão bruscamente.
Observei enquanto ele levantava uma sobrancelha.
- Pelo quê? – perguntou.
- Por tudo. Por ter te magoado e ao Fred, por ter te beijado. Não sei onde eu estava com a cabeça. – despejei. Não tinha certeza se minhas palavras faziam sentido. Ele pareceu entender.
- Não se desculpe pela última coisa. – ele pediu e pude perceber que ele falava do fato de ter sido beijado por mim.
Soltei um gemido de desgosto. Soltei o braço que ele ainda segurava.
- Por que não? – perguntei.
- Por que se desculpar? – ele devolveu a pergunta.
- Por que foi idiotice. – respondi.
Uma careta passou pelo rosto bonito de Jorge. Com certeza ele desprezava minha resposta.
- Eu não acho que tenha sido. – discordou.
Ele se aproximou perigosamente de mim. Senti uma das mãos dele enlaçar minha cintura. Nada bom. E eu pude ver a decisão se formar em seus olhos. Droga, ele me beijaria. Sabia disso. Minha mão direita foi para o peito dele, tentando manter a distancia que ainda nos separava. Da última vez, aquilo não nos tinha dado nada de bom. Sem contar que ele parecia querer que tudo se repetisse como na noite passada. Não seria tão difícil de negar se eu também não estivesse louca para que tudo acontecesse novamente.
Mas isso não pareceu suficiente para detê-lo.
- Jorge, por favor, não. – implorei. A situação não era nada boa.
Ele deu um sorriso de lado.
- Por que não? – começou a se aproximar, a mão ainda na minha cintura. Afastei-me. Ele dava um passo para frente e eu um para trás.
- Não faz isso. – tentei de novo.
Jorge não respondeu. Quando dei por mim, estava encostada na janela, os lábios dele passeavam pelo meu pescoço. De novo. Arfei. Rumos perigosos.
- Pare. – pedi ainda, minha lucidez estava começando a me esvair e eu não sentia falta dela, o que era um problema.
Para minha felicidade e extremo alívio, ele parou. Para minha infelicidade e culpa, seus olhos encontraram os meus e pude notar que carregavam mágoa.
- Só se disser que não quer me beijar. – ele desafiou. A mesma pergunta que tinha me derrotado da última vez. E ele parecia saber disso.
Odeio esses malditos ruivos.
Não disse nada. Fiquei em silencio. A frase não parecia querer sair de entre meus lábios. Afinal, eu queria beijá-lo. Mais uma vez.
- Apenas se afaste. – pedi novamente. E ele não o fez.
Jorge parecia revigorado. Ele percebeu que eu não diria nada e isso pareceu suficiente para que ele concretizasse sua decisão.
Sem mais demoras, e sorrindo, ele encostou seus lábios nos meus.
Deixei um suspiro de derrota escapar. Mas pensei em Fred e no que estávamos prestes a fazer mais uma vez. Uma súbita força de vontade correu por minhas veias. Eu empurrei Jorge com toda a minha força. Ele cambaleou para trás, surpreso com a minha reação.
- Eu disse para se afastar! – rosnei para ele.
- O que? Por quê?
- Cansei! Você e Fred estão me pondo louca!
- Não tanto quanto você nos enlouquece. – ele retrucou.
Revirei meus olhos.
- Não sou eu que fico correndo atrás da mesma pessoa o tempo todo, mesmo sabendo que esta pessoa já teve relações com meu irmão! – revidei.
- Porque você fica me dizendo o tempo todo que Fred é meu irmão?
- E estou mentindo?
- Não vai conseguir fazer eu me sentir culpado. – disse Jorge.
- Jorge, por favor, não é isso o que eu quero! Só estou pedindo para me deixarem em paz. – expliquei.
- É isso o que você quer? – ele perguntou.
Eu parei. Será que era realmente isso o que eu queria? Eu queria que eles me deixassem em paz? Eu sabia a resposta. Não. Não quero que eles me deixem em paz. Não quero que parem de me perseguir. Não quero ficar sozinha. No fundo, eu sentia falta deles. Da nossa amizade fácil.
Mas não era justo eu colocar em prioridade o que eu queria, quando isso os fazia sofrer.
- Isso realmente importa?
- Parece que não.
- Não importa o que eu quero, Jorge. O que importa é parar com isso. Dar um basta. Não adianta vir até mim e me beijar, por que isso não vai me fazer escolher você. E você não devia fazer isso. Ele é seu irmão. – disse, começando a sentir as lágrimas virem aos meus olhos, mas eu não iria mais chorar. Estava cansada de fazer isso.
- Fred é meu irmão. Mas isso não me faz sentir culpa. – ele se aproximou de mim novamente, e acariciou meu rosto. – Não me arrependo de ter beijado você.
- Não posso dizer o mesmo. – respondi, mesmo sabendo que era mentira. Por mais que isso só tenha resultado em confusões, eu não me arrependia de ter beijado Jorge. Assim como estava longe de me arrepender por ter beijado Fred.
Minhas palavras fizeram seu trabalho. O rosto de Jorge ficou tão triste e magoado que chegou a me ferir também. Doeu, mas eu não me desculpei. Mantive minha expressão dura e fria, enquanto ele se afastava de mim.
- ‘Tá certo. – resmungou antes de sumir pelo corredor.
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Narrado por Fred Weasley
Talvez a vida fosse um pouco menos monótona e chata se todos nós tivéssemos um cachorro. Isso mesmo. Um cachorro. Eu nunca tive um cachorro. Meu pai é alérgico. Mas eu sempre quis um quando era menor e agora eu queria um de novo. Talvez você se pergunte: “Como um cachorro pode te ajudar com o tédio?”. Fácil. Ele late, solta pelo e faz xixi no chão. É quase como um daqueles velhos que ficam sentados na frente da lareira, em uma poltrona, vestindo um pijama azul listrado de branco, lendo jornal e bebendo whisky de fogo, enquanto reclama e baba. Você pode brincar com ele, pode ensiná-lo a fazer coisas úteis e pode xingá-lo por fazer xixi no chão. Ah, como eu queria um cachorro.
Rony daria um bom cachorro, mas ele ronca. Gina não daria um bom cachorro: onde já se viu cachorro com uma personalidade daquelas?
Nenhum dos Weasley daria um bom cachorro. Não existem cachorros ruivos. Talvez o Harry fosse um bom cachorro. Já pensou? Harry Potter, o-cachorro-que-sobreviveu?
Eu acho que tenho uma queda por cachorros.
A porta do dormitório foi aberta e Jorge entrou com uma cara horrível, diferente da de ontem, que era bem mais animada. Por falar em ontem, o que será que deu aquela conversa com a Angie?
Ele pareceu me notar – deitado na minha cama, olhando para o teto, pensando em cachorros -, pois começou a falar comigo.
- Fred?
- Morreu. – respondi deprimido.
- O que está fazendo?
- Pensando.
- Em que?
- Em me jogar da janela mais tarde.
- Estou falando sério.
- Eu também. – respondi, mas vi a cara que ele fez e respondi: - Estava pensando em cachorros.
Jorge levantou a sobrancelha.
- Cachorros?
- Já notou que nós nunca tivemos um cachorro?
- Como não? E Rony?
- Ele ronca.
- É verdade. – concordou. - Mas porque você esta pensando nisso?
- Se eu tivesse um cachorro, não estaria com tédio. – respondi.
- Como assim?
- Cachorros são muito interessantes. – eu comecei. – Não importa o quanto você brigue e grite com os cachorros. Eles sempre voltam com o rabinho abanando. Nunca ficam tristes com a gente, ou guardam qualquer tipo de rancor. Sempre voltam.
- Por que estamos falando de cachorros? – ele perguntou, rindo.
- Acho que é porque nós temos um trauma de infância por nunca termos ganhado um cachorro. – tentei.
- Ou talvez seja porque você só pensa em coisas inúteis quando está triste. – revidou.
- É bem provável. – concordei. – Vamos mudar de assunto. – sugeri, me sentando.
- Boa idéia.
- Como foi a conversa com a Angie ontem? – perguntei.
Jorge se moveu de um pé para o outro, desconfortável. Talvez eu tenha tocado em um assunto delicado.
- Foi sobre isso que vim falar com você. – ele disse vindo até mim e sentando na minha frente.
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N/A: oi, galerinha!!! O humor da autora foi renovado depois de ter assistido a parte dois do Relíquias da Morte. Quem não assistiu, pode ir, por que foi lindo!! Mas ‘tá acabando e isso me magoa tanto... :(
Enfim, eu ganhei um comentário e quase chorei de emoção. Obrigado.
Comentários sobre o capítulo: essas dez páginas foram pura perda de tempo, eu sei. Não aconteceu nada de interessante e eu mesma quero me matar. Pois é, Thomas, escreveu um capítulo pequeno e sem graça, mas eu prometo fazer alguma coisa à respeito disso no next.
Fora à isso, eu adianto que tenho algumas fics em andamento e peço que dêem uma passadinha nelas:
ØUm Estranho No Espelho;
ØManual de Etiqueta para Iniciantes.
Passem lá e comentem!Capítulo Onze:
Narrado por Jorge Weasley
- O que está havendo aqui?! - uma voz estranhamente conhecida soou pelo corredor escuro e por um momento paralisei. Se não fosse uma coisa tão séria, eu teria rido. Pense comigo: eu paralisei beijando Angelina. Minha língua ficou, tipo, uma língua morta. Foco, Jorge.
Mas tenho que admitir que quando escutei alguém, eu me assustei. E a estudante prensada na parede também pulou de susto. Com certeza eu teria rido. Mas enfim, achei que era melhor eu me soltar de Angie. O que me deixou nervoso. Como assim nós éramos interrompidos logo agora?
Me afastei de Angelina e me postei do outro lado do corredor.
- Eu fiz uma pergunta. - rugiu a professora McGonnagal, com a ponta da varinha acesa apontando para nós dois.
Angie e eu trocamos um olhar assustado. Ela estava corada, meio descabelada, os lábios estavam inchados e vermelhos, e ela ainda estava ofegante. Linda, como sempre. A garota desviou os olhos para McGonnagal e gaguejou:
- Bem... n-nós só... hum... a-a gen-gente só e-estava...
- Poupe-me de seus embaraços, Srta. Johnson. - interrompeu Minerva. Se eu estivesse com a razão, o que estava longe de acontecer, eu teria dito: "Hei, minha senhora, se não queria saber, então porque perguntou?". - Os senhores estão em detenção?
Qual era a dela?
- Olha só... - comecei, mas fui interrompido.
- Responda 'sim' ou 'não'. - ordenou a professora. - Estão em detenção? - ela repetiu a pergunta.
- Não. - respondemos eu e Angie juntos.
- Estão aqui à mando de algum professor?
- Não.
- Há algum tipo de emergência que os fizeram deixar seus quartos?
- Não.
- Ótimo. - aprovou. - Nada dá o direito de um aluno andar pelos corredores à noite, muito menos se for para resolver assuntos que envolvam carícias. - repreendeu. Carícias? Eu mereço. - Não admito que alunos da Grifinória se rebaixem a tal nível. Ambos os dois receberão detenções e cinqüenta pontos serão retirados. Espero que isso não se repita. Agora voltem aos seus dormitórios em silêncio. - ordenou. - Não quero ninguém causando problemas.
- Desculpe. - disse Angelina, antes de se retirar.
Segui logo atrás dela, mantendo uma distância segura. Nós dois sabíamos que Minerva estava vigiando. Não faríamos nada que nos comprometesse.
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Narrado por Angelina Johnson
Eu tinha uma boa idéia sobre o que era sentir aquilo que muitas pessoas diziam sentir: amar. Isso por que eu tinha quase certeza de que eu amava duas pessoas de uma vez. Por que isso tinha que acontecer comigo? Por que eu tinha que me apaixonar por dois gêmeos ruivos?
Resposta? Eu não tinha, ou simplesmente não encontrava algo coerente para isso. Ou talvez não queira encontrar.
Sentir-se apaixonado por alguém era sempre uma sensação única e boa, sendo o amor correspondido ou não. Imagine quando se ama duas pessoas de uma vez? São sensações em dobro. Meu Merlin! Como isso foi acontecer? Quando foi que eu perdi meu controle emocional? Se é que havia algum.
Sentia-me patética, sentada em um corredor da escola, às sete horas da noite, ainda de uniforme, reclamando comigo mesma sobre minhas fraquezas momentâneas. Dois de uma vez. Meditei sobre se era isso que a Sra. Weasley pensara ao saber que teria gêmeos. Perguntei-me se ela havia pensado que a melhor amiga deles fosse se apaixonar por ambos. Ela teria mudado de idéia ao decidir pari-los? Eu duvidava de uma resposta afirmativa.
Podia relacionar minha situação com a de Hermione. Apaixonada pelo melhor amigo. Quem me dera pudesse ter a sorte de dizer que estava apaixonada por apenas um deles. Ela podia dizer isso. Eu não. Por um momento senti uma pontada de inveja das pessoas que tem o poder da escolha, sem se arrepender dela mais tarde. Eu sabia que se escolhesse Fred, me arrependeria por não ter escolhido Jorge. E vice-versa.
E desde quando eu tinha poder de escolha entre eles. Não fazia idéia se gostavam de mim como eu gostava deles. Não me passou despercebido que eu sempre usava o plural para me referir às coisas inquietantes que eu sentia pelos meus ruivos.
Sim, por que eu queria que ambos gostassem de mim.
Meus olhos se encheram de lágrimas. Deixei que caíssem. Foi por isso que decidi que queria ficar sozinha, pois sabia que minhas lágrimas transbordariam a qualquer momento. Eu queria estar sozinha para recebê-las. Os gêmeos não precisavam saber sobre as coisas que eu perdia: a calma, o controle, a lucidez. Não precisavam saber de minhas situações isentas de possibilidades, mas carregadas de lágrimas com significados nada aparentes.
- Merlin! – exclamei. Nunca havia acreditado realmente nele. Para mim, ‘Merlin’ era apenas uma expressão que se usava quando se queria ajuda, ou por simples frustração.
- Merlin não costuma descer em terra para aparar os mal amados. – escutei uma voz masculina estranhamente familiar soar no corredor em que eu estava.
Não! Por favor! Qualquer dia, menos hoje! Eu implorei mentalmente para que fosse apenas minha imaginação. Mas os passos vindo em minha direção se mostraram mais reais do que eu gostaria.
Levantei meus olhos e me deparei com a visão que antes teria me causado felicidade, mas que agora me causava culpa relacionada a Fred. Não podia acreditar que beijara o irmão dele, sem querer. Mas no fundo eu ainda me perguntava se eu realmente não queria. Talvez eu soubesse que era Jorge deitado naquele sofá.
- O que esta fazendo aqui? – perguntei ríspida.
- Oi, prazer em vê-la também, e, sim, eu gostaria de me sentar muito obrigado. – ele se sentou ao meu lado no chão do corredor.
Levantei-me de imediato.
- Eu já estava saindo. – eu disse, me virando.
- Escute, eu não estava seguindo você. – ele disse atrás de mim. – Fiquei preocupado quando vi você sair correndo e pensei que talvez pudesse ajudar.
Por algum motivo, eu parei. Queria andar, queria dizer que estava tudo bem e que eu voltaria para o dormitório, mas eu estaria mentindo. Por um outro motivo aquela cena me parecia terrivelmente familiar.
- Me preocupo por você. – ele continuou. Pude ouvir que se levantava e andava na minha direção. – Não gosto de ver você triste.
Como ele conseguia ser tão adorável? Eu pensava a mesma coisa de Fred.
Vamos, Angelina, caia fora deste lugar. Vá para o seu dormitório e chore o que tiver engasgado dentro de você, mas não na frente do Jorge. Minhas pernas não andavam. Não saiam do lugar.
Senti a mão dele segurando meu ombro.
Afastei-me. Contra a minha vontade, mas eu me afastei dele. Não tinha o menor direito de querer ficar perto dele. Eu não queria ficar perto dele. Queria. Sabia que queria, mas eu não ficaria. Por Fred. Por Jorge. E principalmente por mim.
Não tive tempo de tomar uma atitude, pois ele me virou para que eu o olhasse. Eu não queria olhá-lo. Seu olhar queimava minha pele. Uma pesada culpa se abatia sobre mim todas as vezes que eu sentia seu olhar. Malditos sejam esses ruivos!
- Vamos, olhe para mim. – pediu. Como não fiz o que ele disse, Jorge levantou meu rosto para que eu o olhasse. E eu o fiz, mesmo não querendo. – O que foi?
Perguntei-me a mesma coisa pela milésima vez.
- Venho me perguntando isso desde o começo deste ano. – murmurei. Senti as lágrimas começarem a se formar em meus olhos, mas não as deixei sair.
Jorge não disse nada. Continuou apenas a me encarar com os olhos azuis impassíveis. Aqueles olhos estavam carregados de uma coisa chamada afeição. Uma coisa que compartilhávamos com muita freqüência, mas que havia se tornado perigosa, despertando novos sentimentos que não eram para estar ali.
Eu sabia que estava sendo mesquinha. Sabia que me afastar deles os estava machucando. Assim como me machucava. Eu estava me afastando para não correr o risco de me aproximar ainda mais, sabendo que não hesitaria em fazê-lo. Mas quando isso começava a feri-los, era hora de parar.
- Desculpe. – pedi, não sabendo exatamente pelo que me desculpava. Se pelo beijo que eu dera nele, ou se por ter me afastado tão bruscamente.
Observei enquanto ele levantava uma sobrancelha.
- Pelo quê? – perguntou.
- Por tudo. Por ter te magoado e ao Fred, por ter te beijado. Não sei onde eu estava com a cabeça. – despejei. Não tinha certeza se minhas palavras faziam sentido. Ele pareceu entender.
- Não se desculpe pela última coisa. – ele pediu e pude perceber que ele falava do fato de ter sido beijado por mim.
Soltei um gemido de desgosto. Soltei o braço que ele ainda segurava.
- Por que não? – perguntei.
- Por que se desculpar? – ele devolveu a pergunta.
- Por que foi idiotice. – respondi.
Uma careta passou pelo rosto bonito de Jorge. Com certeza ele desprezava minha resposta.
- Eu não acho que tenha sido. – discordou.
Ele se aproximou perigosamente de mim. Senti uma das mãos dele enlaçar minha cintura. Nada bom. E eu pude ver a decisão se formar em seus olhos. Droga, ele me beijaria. Sabia disso. Minha mão direita foi para o peito dele, tentando manter a distancia que ainda nos separava. Da última vez, aquilo não nos tinha dado nada de bom. Sem contar que ele parecia querer que tudo se repetisse como na noite passada. Não seria tão difícil de negar se eu também não estivesse louca para que tudo acontecesse novamente.
Mas isso não pareceu suficiente para detê-lo.
- Jorge, por favor, não. – implorei. A situação não era nada boa.
Ele deu um sorriso de lado.
- Por que não? – começou a se aproximar, a mão ainda na minha cintura. Afastei-me. Ele dava um passo para frente e eu um para trás.
- Não faz isso. – tentei de novo.
Jorge não respondeu. Quando dei por mim, estava encostada na janela, os lábios dele passeavam pelo meu pescoço. De novo. Arfei. Rumos perigosos.
- Pare. – pedi ainda, minha lucidez estava começando a me esvair e eu não sentia falta dela, o que era um problema.
Para minha felicidade e extremo alívio, ele parou. Para minha infelicidade e culpa, seus olhos encontraram os meus e pude notar que carregavam mágoa.
- Só se disser que não quer me beijar. – ele desafiou. A mesma pergunta que tinha me derrotado da última vez. E ele parecia saber disso.
Odeio esses malditos ruivos.
Não disse nada. Fiquei em silencio. A frase não parecia querer sair de entre meus lábios. Afinal, eu queria beijá-lo. Mais uma vez.
- Apenas se afaste. – pedi novamente. E ele não o fez.
Jorge parecia revigorado. Ele percebeu que eu não diria nada e isso pareceu suficiente para que ele concretizasse sua decisão.
Sem mais demoras, e sorrindo, ele encostou seus lábios nos meus.
Deixei um suspiro de derrota escapar. Mas pensei em Fred e no que estávamos prestes a fazer mais uma vez. Uma súbita força de vontade correu por minhas veias. Eu empurrei Jorge com toda a minha força. Ele cambaleou para trás, surpreso com a minha reação.
- Eu disse para se afastar! – rosnei para ele.
- O que? Por quê?
- Cansei! Você e Fred estão me pondo louca!
- Não tanto quanto você nos enlouquece. – ele retrucou.
Revirei meus olhos.
- Não sou eu que fico correndo atrás da mesma pessoa o tempo todo, mesmo sabendo que esta pessoa já teve relações com meu irmão! – revidei.
- Porque você fica me dizendo o tempo todo que Fred é meu irmão?
- E estou mentindo?
- Não vai conseguir fazer eu me sentir culpado. – disse Jorge.
- Jorge, por favor, não é isso o que eu quero! Só estou pedindo para me deixarem em paz. – expliquei.
- É isso o que você quer? – ele perguntou.
Eu parei. Será que era realmente isso o que eu queria? Eu queria que eles me deixassem em paz? Eu sabia a resposta. Não. Não quero que eles me deixem em paz. Não quero que parem de me perseguir. Não quero ficar sozinha. No fundo, eu sentia falta deles. Da nossa amizade fácil.
Mas não era justo eu colocar em prioridade o que eu queria, quando isso os fazia sofrer.
- Isso realmente importa?
- Parece que não.
- Não importa o que eu quero, Jorge. O que importa é parar com isso. Dar um basta. Não adianta vir até mim e me beijar, por que isso não vai me fazer escolher você. E você não devia fazer isso. Ele é seu irmão. – disse, começando a sentir as lágrimas virem aos meus olhos, mas eu não iria mais chorar. Estava cansada de fazer isso.
- Fred é meu irmão. Mas isso não me faz sentir culpa. – ele se aproximou de mim novamente, e acariciou meu rosto. – Não me arrependo de ter beijado você.
- Não posso dizer o mesmo. – respondi, mesmo sabendo que era mentira. Por mais que isso só tenha resultado em confusões, eu não me arrependia de ter beijado Jorge. Assim como estava longe de me arrepender por ter beijado Fred.
Minhas palavras fizeram seu trabalho. O rosto de Jorge ficou tão triste e magoado que chegou a me ferir também. Doeu, mas eu não me desculpei. Mantive minha expressão dura e fria, enquanto ele se afastava de mim.
- ‘Tá certo. – resmungou antes de sumir pelo corredor.
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Narrado por Fred Weasley
Talvez a vida fosse um pouco menos monótona e chata se todos nós tivéssemos um cachorro. Isso mesmo. Um cachorro. Eu nunca tive um cachorro. Meu pai é alérgico. Mas eu sempre quis um quando era menor e agora eu queria um de novo. Talvez você se pergunte: “Como um cachorro pode te ajudar com o tédio?”. Fácil. Ele late, solta pelo e faz xixi no chão. É quase como um daqueles velhos que ficam sentados na frente da lareira, em uma poltrona, vestindo um pijama azul listrado de branco, lendo jornal e bebendo whisky de fogo, enquanto reclama e baba. Você pode brincar com ele, pode ensiná-lo a fazer coisas úteis e pode xingá-lo por fazer xixi no chão. Ah, como eu queria um cachorro.
Rony daria um bom cachorro, mas ele ronca. Gina não daria um bom cachorro: onde já se viu cachorro com uma personalidade daquelas?
Nenhum dos Weasley daria um bom cachorro. Não existem cachorros ruivos. Talvez o Harry fosse um bom cachorro. Já pensou? Harry Potter, o-cachorro-que-sobreviveu?
Eu acho que tenho uma queda por cachorros.
A porta do dormitório foi aberta e Jorge entrou com uma cara horrível, diferente da de ontem, que era bem mais animada. Por falar em ontem, o que será que deu aquela conversa com a Angie?
Ele pareceu me notar – deitado na minha cama, olhando para o teto, pensando em cachorros -, pois começou a falar comigo.
- Fred?
- Morreu. – respondi deprimido.
- O que está fazendo?
- Pensando.
- Em que?
- Em me jogar da janela mais tarde.
- Estou falando sério.
- Eu também. – respondi, mas vi a cara que ele fez e respondi: - Estava pensando em cachorros.
Jorge levantou a sobrancelha.
- Cachorros?
- Já notou que nós nunca tivemos um cachorro?
- Como não? E Rony?
- Ele ronca.
- É verdade. – concordou. - Mas porque você esta pensando nisso?
- Se eu tivesse um cachorro, não estaria com tédio. – respondi.
- Como assim?
- Cachorros são muito interessantes. – eu comecei. – Não importa o quanto você brigue e grite com os cachorros. Eles sempre voltam com o rabinho abanando. Nunca ficam tristes com a gente, ou guardam qualquer tipo de rancor. Sempre voltam.
- Por que estamos falando de cachorros? – ele perguntou, rindo.
- Acho que é porque nós temos um trauma de infância por nunca termos ganhado um cachorro. – tentei.
- Ou talvez seja porque você só pensa em coisas inúteis quando está triste. – revidou.
- É bem provável. – concordei. – Vamos mudar de assunto. – sugeri, me sentando.
- Boa idéia.
- Como foi a conversa com a Angie ontem? – perguntei.
Jorge se moveu de um pé para o outro, desconfortável. Talvez eu tenha tocado em um assunto delicado.
- Foi sobre isso que vim falar com você. – ele disse vindo até mim e sentando na minha frente.
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N/A: oi, galerinha!!! O humor da autora foi renovado depois de ter assistido a parte dois do Relíquias da Morte. Quem não assistiu, pode ir, por que foi lindo!! Mas ‘tá acabando e isso me magoa tanto... :(
Enfim, eu ganhei um comentário e quase chorei de emoção. Obrigado.
Comentários sobre o capítulo: essas dez páginas foram pura perda de tempo, eu sei. Não aconteceu nada de interessante e eu mesma quero me matar. Pois é, Thomas, escreveu um capítulo pequeno e sem graça, mas eu prometo fazer alguma coisa à respeito disso no next.
Fora à isso, eu adianto que tenho algumas fics em andamento e peço que dêem uma passadinha nelas:
ØUm Estranho No Espelho;
ØManual de Etiqueta para Iniciantes.
Passem lá e comentem!