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17. Mais Desculpas


Fic: Só o Amor Salva


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Cap. 17 - Mais desculpas


 


 


 


 


Snape acordou cedo. Cedo demais. Dormira pouco e mal. Se vestiu e saiu no corredor. Sua mãe descia as escadas.


- Bom dia, mãe.


- Oi, meu filho.


E ele olhou para a porta entreaberta do quarto do qual ela recém saíra.


- Ela ainda está dormindo, se quiser pode entrar, mas não a acorde... – disse Eileen.


E Snape foi para o quarto de sua mãe. Florence estava deitada de bruços, abraçada num travesseiro, os cachos espalhados sobre suas costas e ombros, cobrindo, parcialmente, seu rosto. Ele levou a mão e, carinhosamente, retirou-lhe o cabelo do rosto, passando as pontas dos dedos sobre os lábios macios. Sobre os olhos. Não resistindo, deitou-se na cama ao lado dela, bem próximo, passando uma mão sobre seu rosto e cabelos, descansando o braço em sua cintura. Adormeceu, respirando o perfume de rosas selvagens e orvalho.


&&&


Florence acordou sentindo um peso sobre sua cintura, se mexeu e levou à mão até onde pesava para retirar o que quer que fosse de cima de si. Era um braço. Ela abriu os olhos.


- Severus?


Ele acordou.


- O quê você está fazendo aqui? – assustou-se ela.


- Vim ver se você estava bem e... acabei me deitando ao seu lado.


- Mas... - ela se sentou na cama. - Que horas são?


- 20 pras 11.


- Nossa... dormi mais que a cama. - ela olhou para a janela e pareceu lembrar de que estava brava com ele. - Mas, o que você quer, afinal?


- Precisamos conversar.


- Não, não há nada mais para ser dito.


- Eu... preciso te pedir desculpas. – ele murmurou.


- Pela enésima vez em menos de um ano que te conheço... - ela murmurou, sem olhar para ele.


- É...


- Eu não deveria te perdoar mais... não deveria mais ficar perto de você. - ela observava o sol entrar pela janela. - Sabe qual é a minha vontade?


- Qual?


- Ir embora... para a França. Morar com minha tia... ela acaba de se casar, vou ser um incômodo para ela e o marido, mas é melhor do que continuar aqui.


- É tão ruim assim, ficar aqui?


- Não... eu adoro Eileen e... infelizmente, amo você mais do que seria saudável pra mim... mas, você não entende! - ela o olhou. - As escolhas que você quer fazer... que, aparentemente, você já fez, estão erradas, não fazem parte de um caminho que eu pretenda seguir. Eu quero ter uma família, Severus. Reconstruir o que eu não tenho mais. Quero uma vida normal! Morar em Hogsmead, ter muitos filhos, me casar com o homem que eu amo... fazer meu mestrado em Poções e ser feliz. É só isso que eu quero!


- Eu vou fazer você feliz.


- Como? Se não há uma semana em que eu não chore de preocupação por você, ou por medo de que você tenha feito a escolha que eu desaprovo! – exclamou Florence.


- Mas você não manda em mim.


- Não... nem em mim mesma eu mando.


Florence se levantou, indo ao banheiro, voltando de lá vestida e escovada. Ela foi para a porta sem nem olhar para ele, que ainda estava sentado na cama. Snape a alcançou antes que saísse, ficando de frente, muito próximos.


- Pretende mesmo ir embora? – temeu ele.


- É o que eu mais gostaria de fazer... mas, de nada adiantaria. Eu não esqueceria você, nem que eu me mudasse para o inferno...


- Me desculpe, Flor... eu amo você.


- Eu te amo, Sev... mas, não devo te desculpar. Me dê um tempo, por favor.


- Um tempo? - uma sobrancelha arqueou-se, seu coração saltou, assustado.


"O que raios ela quer dizer com isso?"


- É, um tempo para que você decida o que é mais importante: nós ou eles. – explicou ela.


- É óbvio que você é muito mais importante!


- Então, me mostre isso. Pare de sair mais com eles do que comigo... dê mais atenção à mim do que ao Travers! Não responda mais às cartas que os Black e os Malfoy te mandam.


- Como você...?


- Eu sei. Eu reconheci os brasões das famílias nas cartas que você recebeu. Estudamos Genealogia Bruxa em Durmstrang.


- Mas, se eu não responder...?


- Eles pararão de escrever. Você não tem nada a perder, ainda não é um deles, não tem a marca negra tatuada no braço. Eles não vão vir atrás de você.


"Será?"


Foi a pergunta que cruzou a mente de Snape ao beijar Florence, enlaçando-a em seus braços. Foram interrompidos por Eileen que aparecera na porta.


- Dez minutos sozinhos e vocês já começam a se agarrar... – comentou Eileen, rindo.


- Desculpe, madrinha.


- Não, não precisa se desculpar... fico feliz em vê-los juntos. Vamos descer e tomar um café antes que o almoço se apronte!


Os três desceram.


&&&


Dia de natal.


Pela tarde, Snape e Florence foram ao parque que estava coberto de neve, como que saído de um sonho.


- Severus, eu devo estar alucinando...


- O que houve?


- Olha lá, debaixo da nossa árvore!


- É um casal se agarrando na nossa árvore, o que que tem isso? – ele não entendeu o espanto.


- O que é que tem? Olhe de novo! Não é apenas um casal se agarrando debaixo na nossa árvore! São Lily e James!


Snape olhou.


- Mas... é mesmo!


E os dois foram para lá.


- O que significa isso? - falou Florence, falsamente brava.


O casal se afastou, tomando um susto.


- Florence! - falou Lily.


- Snape, como vai? - cumprimentou Potter.


- Confuso. - respondeu ele, uma sobrancelha arqueada.


- Lily, como é que você não me contou!?


- Eu... você ia me zoar!


- Mas é claro que eu ia! Que maravilha vocês dois juntos! - ela abraçou a ruiva. - Eu sempre soube.


- Eu tenho que te agradecer, Florence. - falou Potter, quando ela o abraçou. - Se não fosse seus conselhos eu nunca teria conquistado a Lily.


- Que nada! Ela sempre amou você, mais cedo ou mais tarde vocês acabariam juntos!


E os dois casais passaram a tarde na casa de Lily.


&&&


Eram mais de 19hs.


- É melhor irmos pra casa, Severus. Sua mãe vai precisar de ajuda para arrumar o jantar.


- Tiffany estará lá em casa, não?


- Sim, mas eu nunca passei um natal em família, pelo menos nos últimos anos, quero ajudar a fazer a ceia! – insistiu Florence.


- Ok, vamos.


Se despediram dos Evans e saíram.

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