Cap. 10 – Amigando-se com o Inimigo
Eram mais de 4 da tarde, a conversa rolava solta entre os dois casais. Eles estavam nos balanços, Snape empurrava Florence e Potter, por incrível que pareça, não se oferecera para empurrar Lily.
- Bom, eu tenho que ir. – disse Potter. - Se me dão licença, minha mãe me pediu ajuda para o jantar de hoje à noite.
- Que pena, James. - falou Florence.
- Verdade, estávamos nos divertindo tanto. - falou Lily.
Potter sorriu.
- Bem, se quiserem eu fico mais um pouco...
- Não, James. - falou Florence, olhando-o fixamente. - Não queremos atrasá-lo para ajudar sua mãe.
- Claro. Tchau a todos. - e ele se foi, ao longe virando-se para abanar um tchau e seguindo pra casa.
- Nós também já vamos, Lily. – disse Florence.
- As 5 e meia lá em casa, então? – perguntou Snape.
- Claro, estarei lá. – confirmou Lily.
***
No caminho até em casa, fora do alcance dos olhos de Lily, Snape se abriu rindo.
- O que foi aquilo? – quis saber ele.
- Não foi fácil.
- Você fez milagre! Potter estava comportado! Não deu nenhuma indireta à Lily, um cavalheiro! – ria ele.
- Nem nos balanços ele se ofereceu, você viu? Mas, gora, só vamos saber o que ela achou dele no chá, mais tarde.
***
Chegaram na casa de Eileen. Snape parou antes de entrar, abraçando-a pela cintura, contra ele, empurrando-a na parede da casa.
- Linda... - ele beijou delicadamente seus lábios, indo ao pescoço e colo.
- Sev, sua mãe pode nos ver...
- Deixa que veja. - ele suspirou em seu ouvido. - Você está me enlouquecendo, Flor.
- Severus? Vocês chegaram? – disse Eileen.
E eles seguiram até onde vinha a voz dela.
- Sim, mãe.
- Ótimo, viram Lily?
- Sim, e a convidamos para um chá lá pelas cinco e meia. – respondeu Snape.
- Que maravilha. Ela é adorável, não é Florence?
- Muito. Vimos o Potter também. – disse Florence.
Eileen olhou rapidamente para o filho.
- Não brigaram, não é?
Ele rolou os olhos.
- Não, mãe.
- Lily gosta desse menino... mas ele é tão arrogante, metido. – comentou Eileen.
- De acordo com sua afilhada, eu também sou arrogante e metido. – reclamou Snape.
- E é. - confirmou Florence.
- Um pouco eu tenho que admitir que sim, Severus, você é. – riu Eileen.
- Achei que ao menos minha mãe ficaria do meu lado!
- Mas você é... um pouco. Não posso mentir.
- Ele é muito metido, madrinha, não minta. – provocou Florence
- Vou te mostrar o arrogante presunçoso mais tarde, Srta. Dellacourt. - ele rosnou, malicioso.
- Certo! Mas sua mãe não precisa saber o que vocês farão ou não mais tarde, não é? - brincou Eileen. - Vamos pedir o chá à Tiffany e esperar pela adorável Lily.
***
Quando Lily chegou a mesa já estava posta. Eileen a recepcionou na porta, chamando Florence e Snape que estavam na biblioteca.
- Minha querida! Como está?
- Muito bem Sra. Snape. E Florence e Severus?
- Na Biblioteca, fazendo Merlin-sabe-o-quê! – brincou Eileen.
- Estamos aqui, mãe. - Snape e Florence desciam as escadas.
- Vamos nos sentar, estou morta de vontade de tomar esse chá cheiroso de Tiffany.
- Tem um elfo, agora, Sra. Snape? – perguntou Lily.
- Não, quem me dera! Tiffany é de Florence. Mas admito que estou mal acostumada. Vou acabar juntando um dinheiro para comprar um pra mim!
***
Após o chá, Snape, Florence e Lily foram para a Biblioteca.
- E então, Lily, Potter não é tão intragável quanto você o pintou. – disse Florence.
- Na verdade, hoje ele estava... – e a ruiva enrubesceu.
- Ele estava...? – insistiu Florence.
- Maravilhoso. - ela sussurrou.
- Você gosta dele, então, de verdade? – quis saber Florence.
- Sim. Eu acho. Mas ele sempre foi tão insuportável. Me dava presentes absurdamente caros, achando que me compraria, sei lá.
- Mas ele gosta de você e muito.
- Eu sei. – Lily sorriu.
- Todo mundo sabe. - falou Snape que lia sentado numa poltrona do outro lado da biblioteca.
- Volte para seu livro, metido. - brincou Florence, atirando uma almofada no namorado. - Vai dar uma chance a ele, Lily?
- Se ele realmente mudar, sim. Mas quem me garante que essa cortesia de hoje não é passageira, Florence?
- Você está certa. Mas as aulas recomeçam em duas semanas, teremos o ano todo para vermos se ele realmente mudou. Quem sabe esse ano você não vai ao baile de Natal com ele?
- É, quem sabe... – murmurou a ruiva, rindo.
***
1º de Setembro de 1976.
A viagem até a Plataforma 9 3/4 foi muito tranquila. O Sr. Evans oferecera carona para Snape, Florence e Eileen na sua minivan. Estavam os seis à espera do último sinal para embarcarem no Expresso de Hogwarts, já tendo embarcado suas respectivas bagagens.
- Olhem lá, Potter e Black. - falou Florence.
- Eu soube que Black está morando com os Potter.
- Desde quando, Lily?
- Há uma semana, acho.
- Por isso ele não apareceu mais no parque. - murmurou Florence.
Lily olhou para a amiga, desolada.
- Como eu pensei, Flor. Mudanças passageiras.
Florence não disse nada, apenas olhou para onde Potter estava, verdes escuros bravos. Potter apenas desviou o olhar.
***
- James, o Snape está realmente namorando a Dellacourt?
- Sim, Sirius, eu já te disse isso um milhão de vezes na última semana. E já me encheu esse papo do quanto você acha ela linda. Da onde você a conhece, afinal?
- Florence costumava passar os finais-de-semana e férias na Mansão Black, até uns três anos atrás.
- Por que?
- O pai dela viajava bastante, ela não podia ficar sozinha. Meu tio Cygnus era amigo do pai dela, portanto Florence costumava ficar com eles. Tia Druella a adorava, Narcisa e Andrômeda também. Bellatrix a detesta. Meu irmão e ela são melhores amigos.
- Seu irmão? Mas ele não é... gay?
- Eu desconfio, mas eles são realmente amigos, muito amigos; de ouvirem músicas juntos, de fazerem compras. Enfim... minha mãe se apaixonou por Florence, desde a primeira vez que a viu, num jantar na casa de Tia Druella, e assim, sempre que Cissy, Drômeda e Bella iam lá pra casa, Florence ia junto.
- Aparentemente, sua mãe não é a única pessoa apaixonada por ela... – provocou Potter.
- Nah, ela nunca olhou pra mim. Nem como um amigo distante. - Black suspirou. - Não sei o que ela viu no seboso.
Potter ficou olhando para onde Black olhava.
- Lily está te olhando, cara!
- Eu sei. - falou Potter, cabisbaixo.
- Você sabe? – estranhou Black. - O que há? Não gosta mais dela?
- Gosto, muito mais do que no ano anterior.
- E então?
- Você não entenderia. - suspirou Potter.
Como dizer ao amigo que Snape e Florence o ajudaram a se aproximar de Lily, e que o Seboso não era tão desagradável assim?
***
Lily, Florence e Snape despediram-se dos Evans e de Eileen e subiram à bordo. Por sorte, acharam logo uma cabine vazia.
- Bem, eu tenho que ir até o vagão dos monitores. Já volto. Vou trazer Lupin comigo. – disse Lily.
- É complicado ter uma amiga importante... – brincou Florence.
E Lily saiu, rindo.
- Sozinhos, enfim. – disse Snape, passando um braço sobre os ombros da namorada, puxando-a para si.
- Não seja maldoso, Sev. – riu Florence.
E Snape a beijou, uma mão em suas costas, puxando-a mais, outra mão em sua perna, afastando a saia.
- Sev, pare...
- A culpa é sua... - ele beijou seu pescoço, sussurrando em seu ouvido. - Quem mandou ser tão gostosa.
E ele não parou.
***
Lily foi ao vagão dos monitores.
- Tudo bem, Lily?
- Olá, Remus, como foram as férias?
- Muito boas, obrigado. E as suas?
- Interessantes. - ela sorriu.
- Interessantes?
- Florence esteve hospedada na casa de Severus. Ela é incrível.
- Amigou-se com sonserinos no verão? – brincou Lupin.
- Não fale assim! Passamos a maior parte do tempo no parque, inclusive James foi conosco algumas vezes.
- James? O meu amigo James Potter? – estranhou ele.
- O próprio. – sorriu Lily.
- Está me dizendo que você, a Srta. Dellacourt, Severus Snape e James Potter tiveram conversas agradáveis durante as férias sentados nem um parque? Dois grifinórios e dois sonserinos? James e Severus? – ele não estava acreditando.
- Inacreditável, não é?
- Sem brigas? – insistiu Lupin.
- Ah, às vezes voavam algumas farpas, mas nenhuma varinha foi levantada.
- Sinceramente, você só acredita no que está dizendo porque estava lá. Não pense que eu acreditarei. – disse ele, por fim.
E os dois patrulharam os corredores do Expresso de Hogwarts antes de irem para a cabine em que Florence e Snape se agarravam.
***
- Cara, ta tudo lotado! - reclamava Black.
- Pois é.
- Olhe ali, a Evans entrando naquela cabine com Remus, vamos lá com eles.
- Acho melhor não, Sirius. - ele puxou o amigo pela camisa.
- Qual é?
- Eu sei que você... que pode lhe parecer bizarro e muito, muito estranho, mas eu passei o verão inteiro conversando amigavelmente com Lily, Florence e Severus.
- Severus? Desde quando o Seboso Snape virou "Severus"? – exclamou Black.
- Eu disse que lhe pareceria bizarro.
Não é bizarro, James, é absurdo! Cara, estamos falando do mesmo Snape?
- Sim, Sirius. O mesmo Snape caladão, metido a melhor aluno, arrogante de sempre. Apenas descobri que ele não é tão intragável quanto nós pensamos.
- Quem é você e o que fez com meu amigo James Potter? – gritou Black.
Potter passou pelo amigo e foi até a cabine em que Lily entrara, parando na porta, sem entrar.
- Vamos entrar, mas sem brigas, combinado? – perguntou Potter.
- Eu estou alucinando, só pode ser isso. – disse Black, incrédulo.
- Sirius?
- Ok, tô pagando pra ver.
***
A porta da cabine se abriu, Potter colocou a cabeça para dentro.
- Tudo bem? Lily?
- Olá, James.
- Florence?
- Hey, James.
- E aí, Remus?
- Tudo certo, James. – cumprimentou Lupin.
- Severus?
- James. - cumprimentou Snape, seco.
- Não quer entrar? - convidou Lily.
Potter sorriu.
- Eu até quero, mas... Sirius está comigo.
- Então, não. - falou Snape, bravo.
Florence olhou para Snape e então para Potter.
- Podem entrar, sim, James.
- Valeu, Florence.
E Potter abriu a porta por completo, entrando ele e depois Black.
- Prometo me comportar. – disse Black, em tom de brincadeira, olhando para Florence.
Potter sentou ao lado de Lily, Sirius ao lado de Florence. Snape esticou o braço sobre os ombros da namorada, puxando-a de encontro à ele.
- Ciumento. - ela sussurrou em seu ouvido, de modo que só ele escutasse e deitou a cabeça em seu pescoço; ele só rosnou. - E Reggy, Sirius, como ele está?
- Quando saí de casa ele estava para ser liberado do St. Mungus. Mas acho que ele só chegará em Hogwarts daqui umas duas semanas.
- Estou louca para vê-lo. - Snape a olhou. - Regulus é um amigo muito especial pra mim, Severus.
- Eu não perguntei nada, Florence. – disse ele, uma sobrancelha erguendo-se.
Ela rolou os olhos.
***
1 hora depois, o carrinho de doces estava no corredor. Florence foi a primeira a levantar, abrindo a porta.
- Quer alguma coisa, Severus?
- Não. – disse ele, olhando para a janela.
- Pare de bobagens, eu pago.
Ele a olhou, sério.
- Sabe muito bem que eu não gosto que você pague. – rosnou ele.
Ela rolou os olhos.
- Sim, eu sei. Mas nem esquenta, quando eu começar a te explorar você vai implorar para que eu volte a pagar as minhas próprias compras.
Todos riram. Snape bufou.